terça-feira, 25 de junho de 2013

FAUSTO SILVA E A AUTOPROMOÇÃO DA GLOBO NOS PROTESTOS POPULARES


O apresentador Fausto Silva, do programa Domingão do Faustão, fez, no último domingo, uma propaganda dos protestos de rua no Brasil, contrariando a tendência original da Rede Globo, que transmite o programa, que havia condenado os protestos através de uma cobertura exagerada dos atos de vandalismo.

Fazendo vários questionamentos sobre a situação de vários setores de serviços públicos, Fausto Silva estimulou a reação da plateia, que dizia um sonoro "não" quando o apresentador perguntava se esses serviços estavam em bom desempenho. Até mesmo durante a Dança dos Famosos, um dos quadros de destaque do programa, houve manifestações de famosos presentes.

De repente, as Organizações Globo passaram a "apoiar" as manifestações populares, numa reviravolta tendenciosa, para uma corporação que fazia uma cobertura dos protestos com ênfase exagerada nos atos de vandalismo e que culminou nos comentários reacionários do cineasta e jornalista Arnaldo Jabor, que havia comparado o Movimento Passe Livre à entidade criminosa PCC, e depois teve que voltar atrás.

Isso não é de graça. Primeiro, porque os protestos são ideologicamente independentes, e isso inclui uma postura nada sectária ao governo Dilma Rousseff, o que anima os barões da grande mídia a pegar carona nos protestos pelo simples fato de que ela faz oposição à presidenta.

Segundo, por que as Organizações Globo, vendo os protestos se seguirem para além do controle midiático, precisam se autopromover com um apoio paternalista e tendencioso, o que nos leva ao terceiro ponto dessa mudança, que são as lições de 1983.

Nessa época, as Organizações Globo, a partir da Rede Globo e do jornal O Globo (naquela época não havia a revista Época nem a rede Globo News), havia se recusado a fazer a cobertura dos movimentos pela volta das eleições diretas no país, então sob o regime militar. O desprezo fez história e, com a Internet e os relatos de professores universitários, o episódio é bem conhecido das gerações mais recentes.

Com essa omissão da Globo, veículos igualmente conservadores como a Folha de São Paulo e a TV Bandeirantes, no entanto, decidiram, por uma junção de vários aspectos - cobertura jornalística mais profissional, concorrência midiática e autonomia de seus jornalistas - embarcarem no apoio às manifestações populares da época, depois reconhecida como a fase terminal da ditadura militar.

Daí a Globo ter virado quase uma Folha de São Paulo da vez, com as diferenças de contexto devidas. É uma forma de tentar evitar o desgaste de imagem da corporação que é "vítima", ela mesma, dos protestos populares. E se até a revista Veja começa a moderar seu reacionarismo, é sinal de que a grande mídia tenta tirar seus anéis para preservar os dedos.

Quanto a Faustão, outra coisa deve se levar em conta, que é também a tendência do brega-popularesco, que tem no Domingão do Faustão sua maior arena eletrônica - foi através dele que a moda dos neo-bregas (Chitãozinho & Xororó, Zezé di Camargo & Luciano, Alexandre Pires, Ivete Sangalo) de fazer uma pseudo-MPB engomadinha tentou emplacar no sucesso - , de embarcar em qualquer ativismo social.

O "funk carioca" é sintomático, na sua obsessão de parecer "ativista" e "libertário" que faz até com que funqueiras muito bem casadas - mas com maridos sendo levados, mediante indenização pesada, a morarem bem longe delas - se passem por "solteironas" para criarem um falso feminismo e temperar a "militância" com apoio tendencioso à causa LGBT, posando ao lado de drag queens estereotipadas.

Mas esse tendenciosismo contagia todos, até mesmo astros da axé-music que em Salvador quiseram acoplar seus trios elétricos no trem sem freio dos protestos de rua, sendo atropelados depois pelo fracasso de suas manobras oportunistas, que a ninguém convenceram.

E Fausto Silva, o "mecenas" da pseudo-cultura brega-popularesca, que tentou "vociferar" contra o jabaculê que sempre ocorreu no seu programa e continuará a ocorrer, não podia estar fora desse contexto. Se o brega-popularesco é um "popular" postiço, por ser uma forma pasteurizada, caricata e estereotipada de "cultura popular", é preciso que, como em toda fraude, sejam mantidas as aparências.

Daí o pseudo-ativismo que faz parte desse simulacro de "cultura popular", dentro de um contexto de uma postura falsamente "libertária" que tenta camuflar o caráter estritamente comercial dessa pseudo-cultura de cantores bregas, musas popozudas, jornalistas brucutus que falam para um povo pobre midiaticamente feito à imagem e semelhança de sua própria caricatura dos humorísticos de TV.

Portanto, o crescimento dos protestos populares também abre caminho para os oportunistas. É um efeito natural de fenômenos que crescem muito, vide a fase dos pseudo-esquerdistas da Era Lula que geraram de troleiros de direita a professores tipo Eugênio Raggi e cuja herança se deu nos Jair Bolsonaro e Marcos Feliciano que conhecemos. Cabe, nessas situações, acionarmos a cautela e o discernimento.

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