quinta-feira, 20 de junho de 2013

DIANTE DE PROTESTOS, FUTEBOL BRASILEIRO VIVE BAIXO ASTRAL


Pela primeira vez, a seleção brasileira de futebol venceu um jogo importante sem causar qualquer empolgação. E, pior, pela primeira vez também a grande mídia começa a sentir o peso dos protestos populares, criando um clima de baixo astral inesperado em outros tempos.

Afinal, até poucos dias atrás a copa do mundo era uma das prioridades do espetáculo midiático, e qualquer vitória da seleção brasileira em campo, neste sentido, era motivo de festas que haviam contagiado o país sob o comando de astros midiáticos como o próprio Galvão Bueno.

Pois no jogo de ontem contra a seleção japonesa, na Copa das Confederações deste ano, num placar normal de 2 contra 0, reinou um clima de luto entre os jornalistas esportivos, vendo que o clima não era mais daquele conhecido fanatismo de antes.

Para piorar mais ainda a situação, a partida da seleção brasileira aconteceu à tarde, num dia em que os grandes jogos costumam ser programados à noite. Acabou sendo ofuscada pelos protestos populares que acontecem em todo o país, e cujo carro-chefe do dia foi o protesto em Niterói que parou até mesmo a Ponte Rio-Niterói.

Com a repercussão internacional dos protestos, inicialmente feitos contra o aumento das passagens de ônibus e hoje ampliados para outras causas sociais - em São Luís, no Maranhão, houve manifestação dos trabalhadores rurais contra a violência e a impunidade no campo - , políticos e até mesmo figuras do esporte exibiam seu baixo astral e davam comentários equivocados que só complicavam a situação.

O técnico Luiz Felipe Scolari, os ex-jogadores Ronaldo Nazário e Pelé, e o dirigente esportivo Joseph Blatter, presidente da FIFA, em diferentes ocasiões, tentaram colocar a copa do mundo como um evento bem mais importante que os protestos de ruas pelo país, e repercutiram mal. Pelé teve que pedir desculpas e dizer que também apoia os protestos populares.

Mas o que se notava mesmo era o semblante abatido de Galvão Bueno, que aparentemente manteve seu trabalho de noticiar o resultado vitorioso da partida em favor dos jogadores brasileiros, mas sem a empolgação de antes. Parecia triste, diante do papel secundário a que foi reduzido com a queda de audiência da Globo durante o jogo e a "disputa" que teve com a cobertura dos protestos.

E não foi somente na Globo. Milton Neves, na TV Bandeirantes, exibia também o mesmo semblante abatido, demonstrando melancolia diante da festa futebolística que foi ofuscada pelos protestos. E, poucas horas depois, a verdadeira festa popular aconteceu, com protestos reiniciando novamente em várias cidades, com destaque para uma Niterói há quase trinta anos sem o status de capital de um Estado.

A grande mídia tentou dar um destaque aos poucos atos de vandalismo que ocorrem, e que nada têm a ver com os verdadeiros protestos. Tentou "criminalizar" uma manifestação que começava nas proximidades da Ponte Rio-Niterói, na altura da Av. Jansen de Mello, que obrigou os veículos que estavam na ponte a retornarem para o Rio de Janeiro, liberando os passageiros na proximidade do pedágio.

Até mesmo a Globo teve que admitir que o futebol não empolga mais quanto antes. Além de exibir cartazes pedindo mais atenção à Saúde e Educação do que à Copa, os fóruns dos assinantes do Globo.com mostram uma maioria de internautas contrários à valorização exagerada do futebol.

São outros tempos. E ainda estamos em 2013. Em 2014 a coisa poderá pegar. O Brasil dificilmente será como antes das manifestações populares que chamam a atenção até mesmo da mídia estrangeira. O jogo do povo brasileiro é outro, e as metas são muito mais realistas.

Nenhum comentário: