segunda-feira, 10 de junho de 2013

BIBLIOTECA NACIONAL COBRA "UMA FORTUNA" PARA FOTOS DIGITAIS PESSOAIS


A Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, quer meter a faca nos bolsos dos leitores. Aos interessados em fotografar as fotos e páginas de seu acervo de revistas e jornais, na intenção de digitalizar imagens e textos de seu interesse, precisa pagar um preço amargo para isso.

Eu conversei com uma funcionária, semanas atrás, e ela me disse que o preço é de R$ 10 por página. E, pior ainda, o preço não se refere apenas ao serviço de um outro funcionário fotografando a página desejada, mas também à própria pessoa que tiver uma câmera digital e desejar fotografar a página em questão.

Imagine se você quiser fotografar uma reportagem inteira de revista, geralmente com oito páginas. Você terá que gastar R$ 80, o que pode parecer barato para quem recebe um bom salário, mas é caro para quem tem muitas outras contas para pagar. Além disso, cobrar R$ 10 por uma página nada tem de generoso nem de barato. Pelo contexto da atividade, é um preço caro, "uma fortuna".

É certo que a Fundação Biblioteca Nacional vive uma séria crise, mas isso não significa que serviços assim sejam cobrados de forma tão injusta. Seria melhor se, no caso de usar o serviço de outros funcionários, fosse cobrado, quando muito, R$ 1 ou R$ 2, quando muito R$ 5, mas que fosse gratuito no caso do interessado usar sua própria máquina digital.

Assim, não há samaritano que possa ajudar na digitalização do material consultado na Biblioteca Nacional, um acervo que, sabemos, está ameaçado pelas péssimas condições em que se encontram suas instalações, sem ventilação adequada, aliás, sem ventilação, porque há problemas elétricos e as verbas recebidas pela FBN são insuficientes para que a biblioteca ofereça um serviço ideal, seguro e eficiente.

Portanto, a cobrança de parte da FBN só espanta a clientela, e justamente numa época em que se necessita tanto de ver fotos escaneadas, para a preservação digital dos acervos, na contribuição razoável de contar a história do Brasil pelas páginas impressas.

Num país em que a Internet carece de "garimpagem", como o Brasil, as coisas deveriam ser facilitadas, e não complicadas. Além do mais, a cobrança pelo registro fotográfico desestimula a pesquisa de acervo e não há garantia se o dinheiro a ser arrecadado será suficiente para pagar as contas da FBN. Aliás, pelo preço que é, que afasta a freguesia, mal dá para pagar sequer 0,001% das contas da instituição.

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