terça-feira, 7 de maio de 2013

JORNALISTA QUESTIONA BOATO DE QUE PAUL MCCARTNEY VIROU "FUNQUEIRO"


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Não é só em blogues como este que se questionou a boataria de que Paul McCartney, que está em nova turnê pelo Brasil, queria absorver a energia dos "bailes funk" no seu novo repertório.

Régis Tadeu, experiente jornalista musical que havia "enfrentado" Tati Quebra-Barraco através de uma mensagem gravada para o programa Super Pop (Rede TV!) dedicado a entrevistar a funqueira, também descobriu que a "notícia" espalhada no Brasil não passou de uma má interpretação de uma ocorrência.

Paul McCartney, “funk carioca”, boato desonesto e uma mentira desmascarada

Por Régis Tadeu - Blogue Na Mira do Régis

De uns tempos para cá tenho sido instado por inúmeros leitores a comentar uma suposta declaração do produtor Mark Ronson, de que Paul McCartney “quer trazer para si a energia do 'funk carioca'".

A princípio, tratei isto como mais um daqueles incríveis boatos que se espalham na internet, propagados à velocidade da luz por gente tão burra que seria capaz de comprar um urubu pintado de verde pensando que é um papagaio. Mas como o velho espírito do jornalismo investigativo ainda habita minha carcaça carcomida pelo tempo, resolvi ir atrás da veracidade de tal “declaração”.

Acabei descobrindo que Ronson – que será o produtor do novo disco de McCartney – realmente disse que o ex-Beatles anda inspirado por novos sons, que apareceu um dia destes no estúdio e tocou uma linha de baixo com uma levada de funk que o produtor identificou como algo parecido com o som do grupo brasileiro Bonde do Rolê e o mais importante: Paul mostrou a ele uma canção do cantor americano Usher, chamada “Climax”, perguntando “como podemos captar este tipo de energia?”. Veja a música abaixo:

Até aí, nada demais. É muito comum que artistas, mesmo sendo do porte de McCartney, levem um monte de sons para seus produtores antes de começar a gravação de um novo álbum, a fim de buscarem uma pequena inspiração que possa dar uma leve direcionada no som. A leitura correta do que rolou com McCartney é que ele quer fazer um disco que saia “um pouquinho” da vertente que ele vem mostrando nos últimos tempos. Aliás, isto é algo que já aconteceu em seu mais recente disco de estúdio, o ótimo Kisses on the Bottom, que traz uma série de canções dos anos 30 e 40 que Paul ouvia na infância e adolescência no rádio da casa de seus pais. Foi então que percebi o que aconteceu...

De uma maneira absolutamente sórdida e mal-intencionada, algumas pessoas na mídia – inclusive jornalistas ditos “sérios” – resolveram espalhar a história de que Paul McCartney iria gravar um disco de “funk carioca”!!! Um absurdo tão inacreditável e mentiroso que chega a me dar náuseas.

Eu nem deveria ficar surpreso, já que há nas redações de jornais, revistas e sites especializados em fofocas de subcelebridades uma forte corrente midiática que, “$abe-$e” lá por “quai$” motivos, trata de ‘bombar’ todo tipo de informação, verdadeira ou não, a respeito de qualquer coisa relacionada ao mundo do “funk carioca”. Sem qualquer tipo de veracidade, “funkeiros” vomitam besteiras e bravatas a torto e a direito, que são imediatamente divulgadas na imprensa. E foi exatamente o que aconteceu no caso “Paul McCartney agora é funkeiro”. Mais um caso em que o sensacionalismo barato e mentiroso veio avacalhar ainda mais o estado de indigência intelectual que o Brasil vive atualmente.

Não vejo o menor problema de Paul usar a “energia” que, indubitavelmente, existe nas músicas ruins que o Bonde do Rolê faz, mas daí a “brigada midiática do funk carioca” sair cantando tal cascata aos quatro ventos é de uma desonestidade fétida. Para você ter uma ideia, teve um grande portal de notícias “globais” que chegou a promover uma matéria em que várias “celebridades” do "funk carioca" deram "sugestões" daquilo que Paul tem que ouvir para "renovar sua energia" na hora de botar seu novo show na estrada. Teve energúmeno que sugeriu a infame "Passinho do Volante", do horrível MC Federado & Os Lelekes. Não imagino quem poderia inventar algo mais estúpido que isto.

Nada é mais significativo do processo de emburrecimento coletivo que vivemos nos dias de hoje do que o tal de "funk carioca". O simples fato de pseudointelectuais defenderem uma veia "socializante" desta porcaria já mostra a falta de escrúpulos desta turma. Auxiliados por um “reforço” financeiro vindo de gente graúda deste meio, essa gente não tem pudor em criar contextos mirabolantes, oportunistas e risíveis, a ponto de elevar boatos e interpretações de textos canhestramente deturpadas a patamares de “fatos” que devem ser levados a sério.

Torço para que você e milhões de outras pessoas esclarecidas continuem repudiando este tipo de trapaça.

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