sábado, 25 de maio de 2013

DIA DO ORGULHO NERD E OS FALSOS NERDS

ESTE NÃO É O NOVO CARTAZ DE 'SE BEBER NÃO CASE' - Esses caras são nerds mesmo, são os atores do seriado Big Bang Theory.

Hoje é o Dia do Orgulho Nerd, e no Brasil não é fácil ser um verdadeiro nerd. Porque, se nos EUA, ser nerd às vezes é motivo de gracejos, no Brasil, nerd de verdade não pode sequer ser um nerd, porque aqui tem muito valentão (em inglês, bully) que hoje se autoproclama "um verdadeiro nerd".

A desculpa é essa: livrar-se de "estereótipos". Ou seja, os valentões brasileiros, aproveitando o hábito pretensioso dos brasileiros quererem ser o que não são, juntando camuflagem ideológica e carona em modismos, criam um tipo de "nerd" que só existe na sua imaginação.

Simples, esses valentões não sabem o que é nerd e tentam usurpar o rótulo e criar um perfil sem pé nem cabeça que eles dizem "ser contra estereótipos". Essa lorota é fácil. O cara não sabe, faz errado e diz que está fazendo diferente.

O suposto "nerd brasileiro" tem até um astro, o blogueiro e escritor Eduardo Spohr, autor do sítio Jovem Nerd. Spohr é uma espécie de mauricinho valentão, fortão e tatuado que se acha o dono da filosofia nerd, sendo uma espécie de Luciano Huck metido a cult. Ele jura aos quatro ventos que é "verdadeiro nerd" ou "nerd clássico", apenas porque gosta de quadrinhos e informática. Isso é tolice.

Afinal, isso é o mesmo que dizer que fulano é trotskista porque urina em mictório de banheiro público. Hoje vários tipos de pessoas curtem informática e leem quadrinhos. Ninguém se torna um nerd por causa disso. A desculpa de Spohr não faz o menor sentido.

Mas quem dera que fosse isso. Spohr quer ainda mais. Acha que "ser nerd" é curtir futebol, como se um fanático de futebol fosse um nerd. A mesma lorota de dizer que futebol é esporte rock'n'roll. Fica um cheiro de jabaculê nessas declarações que a gente até desconfia se essas pessoas não possuem boas relações com algum figurão da CBF.

Portanto, o Dia do Orgulho Nerd, no Brasil, não é um dia para comemorar. Os pseudo-nerds de Spohr, do comercial do "cervejão" da Nova Schin e do "desce redondo" da Skol, mais próximos dos "pegadores" do filme Se Beber Não Case (The Hangover, já no terceiro filme da franquia de longas), se acham os donos do negócio e ainda têm a cara-de-pau de dizer que são "nerds verdadeiros".

Não são. Até porque são muito "pegadores" e privilegiados demais para serem nerds. Nerd de verdade, no Brasil, é, assim como o punk brasileiro, aquele que mais sofre injustiças em relação à matriz estrangeira. O Brasil mostra que o nerd de verdade é mais nerd, porque, além das humilhações que recebe, ainda é proibido de ser considerado um nerd.

Sem falar que os nerds de verdade levam muito "spohrros" dos valentões pseudo-nerds. Isso também é bullying.

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