quinta-feira, 30 de maio de 2013

TICIANE PINHEIRO ESTÁ SOLTEIRA!!


Não é muito comum haver separações de casais por divergências irreconciliáveis no Brasil, porque o nosso país, a pátria do "jeitinho brasileiro", sempre arrumou um jeito para que situações menos vantajosas parecem "mais vantajosas" do que situações realmente mais vantajosas, já que as situações desvantajosas oferecem benefícios a curto prazo.

Pois Ticiane Pinheiro se separou de Roberto Justus, conforme nota divulgada pela assessoria: "Decidimos, em comum acordo,nos separar, mas continuaremos unidos pelo amor a nossa filha Rafaella e pela amizade e respeito que nutrimos um pelo outro. Ticiane Pinheiro e Roberto Justus".

Ninguém vai dizer, mas a grande diferença etária pesou muito na separação.E, o que é pior, Roberto Justus faz parte de uma geração de empresários, executivos e profissionais liberais - a exemplo de Almir Ghiaroni, Eduardo Menga e Malcolm Montgomery - que, mesmo nascidos nos anos 1950, parecem se comportar como o "rabo de geração" dos anos 1940.

São homens que, provavelmente, passaram os anos 80 trancados em escritórios, consultórios e salas de aula de pós-graduação e por isso sentem um preconceito enorme com o astral jovial da década que contagiou outros homens nascidos na mesma década cinquentista, como Lulu Santos, Evandro Mesquita e Serginho Groisman.

Portanto, homens que conviveram com pessoas mais velhas quando poderiam arrumar algum tempo para curtir a vida, e, quando se tornaram grisalhos, a partir dos 45 anos, quando passaram a se casar com mulheres bem mais jovens, eles até hoje esboçam resistência muito grande em serem joviais, presos a um paradigma de meia-idade que eles aprenderam por volta de 1972-1973.

Justus tem a mesma idade que o jornalista Luiz Antônio Mello e o cantor Kid Vinil - que, apesar de sua aparência de titio bigodudo, sempre foi um rapagão jovial - , pelo menos é o que o publicitário sempre se declarou. E, apesar do jeito animado e da tentativa de sair um pouco do jet-set granfino, quem convive com Roberto Justus garante que ele continua tão sisudo na vida íntima quanto antes.

Chega um ponto que as diferenças acabam pesando, e muito. E nem pelo fato da diferença etária entre si, mas na postura dos born in the 50s brasileiros em resistir às mudanças dos tempos. Até o vestuário da geração de Roberto Justus ainda está muito preso aos anos 70.

Usar sapatos de verniz para passear no bosque ou ir ao cinema? Coisa demodê!! Usar terno e gravata preto para divulgar livro no Programa do Jô? Que coisa mais antiquada!! Nascer no Brasil de 1953, 1954 e 1955 e sonhar com a Nova York de 1947 e a Roma de 1910 é saudosismo doentio!! E ainda por cima falam de Glenn Miller, que nunca viram pessoalmente, como se tivessem sido seus tios!!

Enfim, Ticiane voltou ao "mercado", uma coisa aparentemente inimaginável. Será bom para Ticiane curtir sua juventude que o então marido não compreendia e nem se identificava. Seja bem vinda ao time das solteiras, Ticiane!!

quarta-feira, 29 de maio de 2013

OSCAR SCHMIDT E MORRISSEY: DOIS DRAMAS


Já escrevi, quando era zineiro, que o jogador de basquete brasileiro Oscar Schmidt tem uma semelhança surpreendente com o cantor inglês Morrissey, e apenas um ano separa um e outro no nascimento. É um daqueles tipos "separados ao nascer" que de vez em quando a mídia se interessa em listar.

Ícones dos anos 80, um no esporte brasileiro, outro na música alternativa britânica, os dois andam sofrendo terríveis dramas ultimamente. O craque do basquete vive seu momento muito delicado e grave, pois está tratando de um câncer no cérebro, notícia que evidentemente causou comoção na opinião pública ao ser hoje divulgada.

Morrissey, sabemos, já havia sofrido problemas de saúde desde 2009, o que pode não ser tão grave, aparentemente, em relação ao que o nosso cestinha está sofrendo. No entanto, se os médicos, preocupados, aconselharam o cantor inglês, ex-vocalista dos Smiths, a se aposentar da música, isso significa que o problema também não é tão leve assim.

É triste ver que duas grandes figuras como esses dois homens estejam vivendo seus dramas, eles que deram tantas alegrias para seus fãs desde os anos 80. Resta aqui torcer para que eles deem as voltas por cima e que tais dramas tenham apenas sido grandes sustos. Será pedir muito isso?

Em todo caso, fico desejando sorte para Oscar e para Morrissey, para que essa fase ruim se encerre e eles voltem a trazer novas alegrias para a gente.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

POR QUE AS ELITES E A GRANDE MÍDIA ADORAM TANTO O "FUNK CARIOCA"?

MC BRITTNEY E BONDE DAS MARAVILHAS - O "funk carioca" sempre apostou na glamourização da pobreza e agora vai mais longe nisso.

Cortejado pela grande mídia e pelas elites, o "funk carioca" é o brega levado às últimas consequências. Seja ele "melody" ou "proibidão", "de raiz" ou "comercial", o "funk carioca" representa a glamourização da pobreza que volta e meia sofre uma onda de "adesões" de neocons ou até mesmo das esquerdas médias com algum coração mole inclinado ao paternalismo.

O "funk carioca" tornou-se o maior motivo da recente onda de paternalismo existente entre intelectuais, artistas, celebridades, autoridades e empresários. Esse apoio todo das elites, sobretudo a partir da imagem de "coitadinho" que normalmente se trabalha em relação ao "funk" pela grande mídia, mostra o quanto o "funk carioca" é elitista, higienista e asséptico.

O "funk carioca" é uma das primeiras amostras do "preconceito do bem" de gente que se autocelebra "sem preconceitos". Seu poder de glamourizar a miséria e a pobreza, em alguns momentos alimentando "polêmica" em ocorrências policiais, em outros tentando o sucesso em redutos de lazer das classes mais abastadas, é bastante notório.

Hoje mesmo, só nas Organizações Globo, o "funk carioca" esteve na "pauta" várias vezes. O popularesco jornal carioca Expresso, com a manchete "Funk virou Passarela", cita agora as novas MCs "bonitinhas" do gênero, como MC Pocahontas. No mesmo caminho, o jornal O Globo fala de um "funk light", citando a própria MC Pocahontas, além de outras, como MC Brunninha, MC Britney e os festejados MC Federado e Os Lelekes.

Há também Caetano Veloso escrevendo, no Segundo Caderno, que ouve "funk" junto com um de seus filhos, e a atriz Letícia Sabatella dizendo no jornal Extra (também das OG) que "adoraria" gravar um "funk" na novela Sangue Bom, produção da Rede Globo que corteja o gênero.

O "funk carioca" é capaz de unir os desafetos Caetano Veloso e Lobão numa mesma trilha sonora. O ex-baterista do Vímana e ícone do Rock Brasil, hoje convertido num neocon furioso, vê no "funk carioca" o único consolo para sua raiva contra as transformações sociais do país. E nunca o "funk carioca" tornou-se tão queridinho da grande mídia, em especial Organizações Globo e Grupo Folha.

A reportagem de O Globo, intitulada "O pancadão da classe média", cita como "novidades" o sucesso do "funk carioca" em programas como Caldeirão do Huck e TV Xuxa. Isso é chover no molhado. Afinal, os dois programas já divulgaram o ritmo desde quando se propagou, há dez anos atrás, toda a choradeira intelectual em defesa do ritmo.

IMAGEM CONSTRUÍDA, CONSENSO FABRICADO E ESCRAVIDÃO

E por que as elites cortejam tanto o "funk carioca"? A hipótese de paternalismo é a mais provável, até porque o estilo nada tem, na verdade, da suposta vanguarda que oficialmente se atribui ao gênero, a ponto de muitos apostarem no resgate da carioquice perdida através do tal "funk light", que vai a reboque dos novos medalhões MC Naldo e MC Anitta.

O "funk carioca" teve esse discurso "socializante" construído para "melhorar" a imagem do gênero, e o establishment do direitismo midiático, sejam as Organizações Globo, os grupos Folha e Abril, o antropólogo Hermano Vianna atrelado à Globo, ao tucanato acadêmico e à Fundação Ford (instituição ligada à CIA, agência de informações do governo dos EUA), desenvolveram esse discurso usando dos mais diversos tipos de linguagem.

A partir disso, a "boa sociedade" passou a apoiar abertamente o "funk carioca", lembrando os fidalgos que defenderam a escravidão no século XIX. Os motivos tornam-se exatamente os mesmos, e da imagem construída do "funk carioca", se fabrica um consenso entre as elites que apoiam o gênero.

Afinal, assim como a antiga escravidão, o "funk carioca" é defendido pela sociedade porque deixa as classes populares, de acordo com a ótica elitista, "mais tranquilas". Seria um meio de frear as inquietações sociais. E se essa visão, no tempo do Império, contagiava alguns semi-iluministas brasileiros - como as elites da Inconfidência Mineira - , hoje o mesmo acontece com as esquerdas médias.

Há um julgamento de valor elitista, que contagia de socialites até cientistas sociais, que cria uma visão idealizada do povo pobre, mais domesticada, asséptica e por demais risonha. As elites sonham sempre em ver os pobres felizes mesmo dentro de suas limitações. E isso faz com que o "funk carioca" se encaixe nesse paternalismo, nesse elitismo cordial que prefere ver a população pobre domesticada.

POBREZA "LINDA"

A visão chega a ser pior do que aquela que se atribuía às elites que fizeram os Centros Populares de Cultura da UNE e o Cinema Novo. Acusava-se seus membros, nos idos dos anos 60 e 70 (quando os CPCs já estavam extintos e o cinema brasileiro trocou o CN pela pornochanchada), de dirigismo ideológico, de idealização da cultura popular e de apologia à miséria.

Naqueles tempos, era comum, nas universidades ou mesmo na imprensa cultural, fazer gozação com os cepecistas e cinemanovistas dizendo que eles achavam a pobreza "uma coisa linda", uma glamourização do subdesenvolvimento que o cineasta convertido em colunista de jornais, um Arnaldo Jabor (ex-cepecista e ex-cinemanovista) pouco antes de sua febre neocon, escrevia em seus artigos.

Hoje o contexto é completamente outro, mas o sentimento elitista de que "ser pobre é lindo" que contagia nas defesas do "funk carioca", do brega e de seus derivados. A pobreza e a miséria, assim como "atividades" relacionadas como a prostituição, o alcoolismo e o comércio de produtos clandestinos, são condições provisórias e nada agradáveis, mas as elites as veem como "virtudes" permanentes.

Sim, isso mesmo. Existe até "sindicatos" para prender as prostitutas no comércio do corpo. As desculpas intelectualoides tentam misturar o joio e o trigo e atribuir ao infeliz comércio de prostitutas que poderiam ter outros empregos mais dignos a mesma "expressão do corpo" que movimentos teatrais de vanguarda expressam.

Tentam creditar a retaguarda brega como "vanguarda", e tudo é festa nos espaços da grande mídia quando celebridades, intelectuais e outras personalidades julgam que "o funk é lindo". Da mesma forma, acham que a prostituição é linda, o subemprego é maravilhoso, o alcoolismo é a maior diversão - não é preciso dizer que há intelectuais que também tomam porre - e ser "lelek" é melhor do que ser bem alfabetizado.

As elites, com o "funk carioca", não precisam dizer que são contra a reforma agrária, a regulação da mídia e o método Paulo Freire. Disfarçam seus preconceitos sociais por um paternalismo cordial que julgam "desprovido de preconceitos". O "funk carioca" não é arte nem cultura: é apenas comércio, marketing e valores retrógrados, além de ser um processo típico de glamourização da miséria.

Com o "funk carioca", as elites dão um jeito para disfarçar seu elitismo de todas as formas. Com todo o seu dirigismo ideológico, sua idealização da cultura popular e apologia à miséria que têm direito, mas evitam assumir. De qualquer forma, para os defensores e adeptos do "funk carioca", a pobreza também é "linda". Coitados dos pobres.

sábado, 25 de maio de 2013

DIA DO ORGULHO NERD E OS FALSOS NERDS

ESTE NÃO É O NOVO CARTAZ DE 'SE BEBER NÃO CASE' - Esses caras são nerds mesmo, são os atores do seriado Big Bang Theory.

Hoje é o Dia do Orgulho Nerd, e no Brasil não é fácil ser um verdadeiro nerd. Porque, se nos EUA, ser nerd às vezes é motivo de gracejos, no Brasil, nerd de verdade não pode sequer ser um nerd, porque aqui tem muito valentão (em inglês, bully) que hoje se autoproclama "um verdadeiro nerd".

A desculpa é essa: livrar-se de "estereótipos". Ou seja, os valentões brasileiros, aproveitando o hábito pretensioso dos brasileiros quererem ser o que não são, juntando camuflagem ideológica e carona em modismos, criam um tipo de "nerd" que só existe na sua imaginação.

Simples, esses valentões não sabem o que é nerd e tentam usurpar o rótulo e criar um perfil sem pé nem cabeça que eles dizem "ser contra estereótipos". Essa lorota é fácil. O cara não sabe, faz errado e diz que está fazendo diferente.

O suposto "nerd brasileiro" tem até um astro, o blogueiro e escritor Eduardo Spohr, autor do sítio Jovem Nerd. Spohr é uma espécie de mauricinho valentão, fortão e tatuado que se acha o dono da filosofia nerd, sendo uma espécie de Luciano Huck metido a cult. Ele jura aos quatro ventos que é "verdadeiro nerd" ou "nerd clássico", apenas porque gosta de quadrinhos e informática. Isso é tolice.

Afinal, isso é o mesmo que dizer que fulano é trotskista porque urina em mictório de banheiro público. Hoje vários tipos de pessoas curtem informática e leem quadrinhos. Ninguém se torna um nerd por causa disso. A desculpa de Spohr não faz o menor sentido.

Mas quem dera que fosse isso. Spohr quer ainda mais. Acha que "ser nerd" é curtir futebol, como se um fanático de futebol fosse um nerd. A mesma lorota de dizer que futebol é esporte rock'n'roll. Fica um cheiro de jabaculê nessas declarações que a gente até desconfia se essas pessoas não possuem boas relações com algum figurão da CBF.

Portanto, o Dia do Orgulho Nerd, no Brasil, não é um dia para comemorar. Os pseudo-nerds de Spohr, do comercial do "cervejão" da Nova Schin e do "desce redondo" da Skol, mais próximos dos "pegadores" do filme Se Beber Não Case (The Hangover, já no terceiro filme da franquia de longas), se acham os donos do negócio e ainda têm a cara-de-pau de dizer que são "nerds verdadeiros".

Não são. Até porque são muito "pegadores" e privilegiados demais para serem nerds. Nerd de verdade, no Brasil, é, assim como o punk brasileiro, aquele que mais sofre injustiças em relação à matriz estrangeira. O Brasil mostra que o nerd de verdade é mais nerd, porque, além das humilhações que recebe, ainda é proibido de ser considerado um nerd.

Sem falar que os nerds de verdade levam muito "spohrros" dos valentões pseudo-nerds. Isso também é bullying.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

BIG BANG THEORY SE PERDE EM DUBLAGEM BRASILEIRA


É bom que ninguém veja a versão dublada do seriado The Big Bang Theory - aqui conhecido como Big Bang - A Teoria - , exibida, no Brasil, timidamente, na madrugada no SBT.

O seriado, no ar desde 2007 e já preparando a sua sétima temporada - já com as atrizes Mayim Bialik (protagonista do seriado Blossom nos anos 90) e Melissa Rauch integrando o elenco fixo - , é considerado um dos melhores da atualidade, sendo uma das mais divertidas comédias de todos os tempos.

Então, por que se recomenda a não ver a versão dublada desse seriado, se ele é excelente, sobretudo pelo ótimo talento dos atores, pelos episódios excelentes e pelas piadas de referências que conseguem arrancar gargalhadas no Brasil pouco receptivo a esse tipo de humor?

Simples. A versão dublada no Brasil elimina praticamente toda a essência dramática e humorística que consagra o seriado, sem falar que são outras vozes, não são as próprias vozes dos atores que se ouve, e nem mesmo a dublagem tenta ficar próxima dos timbres e modos de dizer originais.

Vendo a versão dublada - disponível também nos DVDs e outras versões do vídeo vendidos no Brasil - , nota-se que, já nos dubladores masculinos, as vozes se tornam bastante banais, como esses dubladores qualquer nota que dublam nerds e fortões usando o mesmo timbre "mauriçola" de voz.

O personagem Sheldon Cooper, então, é o mais prejudicado. O ator Jim Parsons, premiado por este papel, dá ao personagem timbres e maneiras de dizer próprios. Jim empresta ao problemático cientista uma ironia, um cinismo, uma insegurança e uma euforia que o dublador brasileiro não consegue reproduzir. Ouvindo Sheldon Cooper na dublagem brasileira, não dá para sentir metade do brilhantismo dado por Jim.

Mas mesmo os outros personagens, Rajesh Koothrappali (Kunal Nayyar) e Howard Wolowitz (Simon Helberg), são prejudicados pela dublagem. Raj, na dublagem, em vez da voz típica de um jovem indiano, passa a falar como se fosse um debiloide. Simon, por sua vez, tem a voz de um rapazinho, em vez da voz grave de um nerd metido a galã conquistador.

A impressão que se tem é que todos os personagens parecem adotar um mesmo padrão asséptico de dublagem, o que tira muito da graça do som original. Talvez fosse melhor os telespectadores entrarem para um curso de inglês e ouvirem o seriado no som original, porque muito de sua graça está aí.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

INTELECTUALIDADE ETNOCÊNTRICA E SEU CONCEITO DE "VANGUARDA"

GRUPO RAÇA NEGRA - Um dos queridinhos da intelectualidade dominante no Brasil.

A intelectualidade etnocêntrica, que exerce grande influência nos "novos" paradigmas culturais do Brasil, bateu o pé. Ela quer manipular não somente o gosto médio do "povão", como também os referenciais das classes mais "esclarecidas", defendendo a "cultura de massa" por debaixo dos panos.

Foi o que vemos na intelectualidade que deu suas dicas de "atrações recomendáveis" da Virada Cultural de São Paulo, edição deste ano. A ênfase nas "recomendações" inclui nomes consagrados pelo brega, sobretudo o dos anos 90, mas que estavam "de molho" no mainstream musical dos últimos anos.

Os "recomendados" são queridinhos da intelectualidade da moda: o veterano Odair José, o axézeiro Luís Caldas, os pioneiros do sambrega Raça Negra e Leandro Lehart (ex-Art Popular), e a turma paulista que faz o cenário local de "funk carioca", ou o chamado "funk ostentação" de nomes como MC Guimé.

Aparentemente, poderiam ser dicas despretensiosas de especialistas, mas vendo o status de "superioridade" que a intelectualidade cultural dominante têm no Brasil, não muito diferente dos "urubólogos" da imprensa política e dos ministros-estrelas do Judiciário, o que se vê é claramente um processo de "dirigismo cultural", de pura manipulação do gosto não só popular, como até mesmo do gosto mais alternativo.

Pois os tais "especialistas" - a partir do exemplo "clássico" de Paulo César Araújo - exercem uma aura de "sabedoria" e oficialmente são figuras "irretocáveis", que você, caro leitor, é desencorajado a questionar. A partir desse status, que lembra os tempos em que os "urubólogos" eram mais prestigiados, tais intelectuais tentam exercer o poder de formação de opinião do chamado público médio.

DIRIGISMO CULTURAL

Com base no ditado popular "olha só quem fala", esses intelectuais esculhambam os pensadores do CPC da UNE, do ISEB, ou pessoas como José Ramos Tinhorão, acusando todos eles de "dirigismo cultural". Chegam mesmo a "urubologicamente" compará-los ao Partido Comunista norte-coreano e a acusá-los de mero patrulhamento ideológico contra a "liberdade cultural".

A tese que a intelligentzia atual, de orientação pós-tropicalista com matizes bregas, usa para justificar tais acusações é que a "cultura de massa" atual representa um "maior processo de liberdade" aliado ao pretexto da facilidade de acesso às informações atual, que faz qualquer MC Leozinho da vida virar "gênio".

Só que, por trás desse discurso "libertário", intelectuais como PC Araújo e seguidores inserem abordagens dignas do pensamento neoliberal aplicados à chamada "indústria cultural", onde a "diversidade cultural" torna-se um pretexto de sentido análogo ao de "liberdade de imprensa" e de "democracia" dados pelo jornalismo político.

Afinal, a "liberdade de expressão" da mediocridade artística do brega-popularesco ignora que arte e cultura sejam relacionadas à produção de conhecimento. A cultura popular, da forma que é vista pela grande mídia, deixou de ser a expressão do saber para ser a "expressão do não-saber", atribuindo "positivamente" às classes populares as piores qualidades, porque "é que o povo gosta e sabe fazer".

O "dirigismo cultural" travestido de "sabedoria" desses intelectuais determina que a opinião pública aceite a breguice cultural e todos os baixos valores sócio-culturais vinculados. A intelectualidade apela para a choradeira discursiva lamentando a denominação de "baixa cultura", enquanto defende de forma paternalista a breguice cultural e se anuncia como protetora e salvadora pronta a ensinar "alta cultura" aos bregas.

É um jogo paternalista e manipulação da opinião pública, e agora que a intelectualidade dominante conseguiu impor seu conceito de "verdadeira cultura popular" - baseada em visões estereotipadas do "popular" associadas ao pitoresco, ao piegas ou ao grotesco - , ela quer agora impor sua concepção do que deve ser considerado "vanguarda" no Brasil.

A "VAIA" COMO JULGAMENTO DE VALOR ÀS AVESSAS

Sempre invertendo o discurso, a intelectualidade etnocêntrica que influi na opinião pública hoje, tenta creditar genialidade em ídolos marcados por ensurdecedoras vaias do público e por comentários agressivos de uma parte da crítica musical (por sinal superestimados, porque as críticas não são tão frequentes assim).

Assim como na pseudo-MPB falsamente sofisticada de nomes como Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires, Belo e Zezé di Camargo & Luciano, há uma combinação ideológica do "apelo popular" midiático com a estética pomposa de imagem e de som (incluindo vestuários, arranjos musicais, publicidade, técnica, tecnologia etc), há também uma combinação ideológica envolvendo bregas "mais difíceis".

Essa combinação ideológica envolve um quase ostracismo que, combinado com o antigo "apelo popular" do auge do sucesso com as vaias do público e da crítica musical, dão aos bregas "injustiçados" uma falsa aura de "alternativos" ou "vanguardistas". Basta ser vaiado, estar há um bom tempo sem fazer sucesso estrondoso, ter um suposto apelo popular e, pronto, virou "cult", "alternativo" ou "vanguarda".

O "funk carioca" se beneficiou muito dessas lorotas discursivas. Mas também são elas que tiram nomes como Amado Batista, Luís Caldas, Leandro Lehart e Raça Negra do ostracismo, arrumando a desculpa de que eles seriam "alternativos" como uma tentativa fácil de reinseri-los no mercado, tentando atrair um público mais "cabeça" para suas plateias.

Somos tratados feito palhaços pela intelectualidade cultural dominante, que diz "não estar atrelada" à grande mídia mas comunga fielmente com seus interesses. Condenando o que entendem como "julgamentos de valor", como os questionamentos acerca da breguice dominante, esses intelectuais "divinizados" pelo meio acadêmico acabam fazendo um julgamento de valor pior do que o que atribuem aos outros.

Desse modo, as "recomendações" de atrações da Virada Cultural mostram o tom de manipulação e julgamento de valor da intelectualidade cultural dominante, o que indica a forte influência da tirania do mau gosto que o mercado e a grande mídia quer prevalecer sobre a cultura popular brasileira.

Assim, cria-se um hit-parade brasileiro camuflado de vanguardista. Usa-se o rótulo de "alternativo" e "vanguarda" para empurrar a breguice para uma plateia mais selecionada. Tudo em vão. Mas a mentira cola direitinho.

Mas daqui a pouco Luís Caldas, Raça Negra e outros aparecerão abraçados a Marcelo Madureira e Marcelo Tas tocando nas FMs "populares" controladas por "coronéis" e politiqueiros exercendo todo o poderio mercadológico em detrimento dos verdadeiros valores sócio-culturais, perdidos pela espetacularização da breguice que reduz a sociedade em fantoche da grande mídia.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

MORRE RAY MANZAREK, TECLADISTA DO THE DOORS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Os Doors se destacavam pelo talento de todos os seus músicos, mas dois deles eram especiais: Jim Morrison, pela sua voz e dramaticidade fortes, e pela sua poesia refinada, e o teclado com sua sonoridade de órgão de Ray Manzarek. Só os dois davam maior beleza nas músicas da banda, e agora Ray acompanhará Jim na galeria dos grandes nomes do além.

Morre Ray Manzarek, tecladista do The Doors

Do Portal Terra

O tecladista Ray Manzarek, cofundador do The Doors com Jim Morrison, morreu nesta segunda-feira (20) em uma clínica em Rosenheim, na Alemanha, informa o Facebook oficial da banda. Ele tinha 74 anos e lutava contra um câncer na vesícula biliar. Ray estava acompanhado da mulher, Dorothy, e dos irmãos, Rick and James Manczarek.

A banda foi formada a banda em 1965, após um encontro casual de Ray e Jim Morrison em Venice Beach. O The Doors acabou se transformando em uma das mais controversas bandas de rock dos anos 60, vendendo mais de 100 milhões de discos ao redor do mundo.

Entre as principais canções do grupo estão L.A.Woman, Break On Through to the Other Side, The End, Hello, I Love You e Light My Fire. "Fiquei profundamente triste ao saber da morte do meu amigo e companheiro de banda", disse o guitarrista Robby Krieger em um comunicado.


domingo, 19 de maio de 2013

MINISTÉRIO PÚBLICO INVESTIGA BONDE DAS MARAVILHAS


Uma das "sensações" do "funk carioca", o grupo feminino Bonde das Maravilhas - do sucesso "Treinamento de Bumbum", pivô de uma boataria da imprensa sensacionalista envolvendo o ex-beatle Paul McCartney - , é alvo de investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro.

A ação foi movida depois de uma denúncia do Conselho Tutelar da cidade de São Fidélis, no Norte Fluminense, de que o grupo estaria violando artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente, durante uma apresentação na cidade.

A denúncia destaca que o grupo tem três integrantes menores de idade e o grupo descumpre os artigos 17 e 18 do estatuto, que garantem a crianças e adolescentes o direito de preservação de imagem e a proibição de que suas imagens sejam exploradas de qualquer forma em espetáculos e produções em vídeo, principalmente divulgadas pela Internet.

A denúncia também atenta para o conteúdo pornográfico das letras e da coreografia feita pelas integrantes, e, segundo prevê o estatuto, como as três integrantes menores estão fora da escola, seus pais poderão ser criminalmente responsabilizados pela infração.

A denúncia foi feita depois da reclamação dos moradores da cidade, por conta do barulho e das letras que fazem apologia ao sexo. Esnobe, o empresário do grupo, Henrique Milão, disse que as denúncias vieram de gente "incomodada com o sucesso das meninas" e promete que o grupo lançará músicas "dedicadas às crianças", como "Abecedário das Maravilhas" e "Ginástica das Maravilhas".

Baixaria pouca é bobagem.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

AGRAVA-SE O ESTADO DE SAÚDE DE ROBERTO CIVITA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O empresário do Grupo Abril estaria sofrendo, há vários meses, sérios problemas de saúde, agravados diante das pressões que recebeu das críticas a várias de suas publicações (sobretudo a revista Veja) e pela sua convocação para depor na hoje finada CPI do Cachoeira. A grande mídia faz sigilo sobre a doença de Civita, que administrava, até pouco tempo atrás, o Grupo Abril desde 1990, ano da morte de seu pai e fundador do grupo, Victor Civita.

Agrava-se estado de saúde de Roberto Civita

Do portal Brasil 247

Presidente afastado do Conselho de Administração do Grupo Abril tem piora em seu quadro de saúde; Roberto Civita está internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, sob regime de divulgação restrita de informações; editores da revista Veja se reuniram na tarde de hoje para discutir o modo mais adequado de transmitir as notícias a respeito do quadro clínico do empresário

17 de Maio de 2013 às 06:31

247 – O estado de saúde do empresário Roberto Civita, de 76 anos, presidente afastado do Conselho de Administração do Grupo Abril, registrou uma piora nas últimas horas. Ele está internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, sob regime de divulgação restrita de informações.

Na tarde desta quinta-feira 16, editores da revista Veja fizeram uma reunião de pauta extraordinária para decidir a melhor maneira de dar uma ampla cobertura sobre a situação do empresário.

No mês passado, Roberto Civita passou o comando do Grupo Abril para seu filho Giancarlo. Internado, ele considerou que não teria condições, neste momento, de seguir à frente da organização que edita, entre outras publicações, Veja, a revista de maior circulação do País.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A POLÊMICA DE ANGELINA JOLIE E AS "POLÊMICAS" DAS "BOAZUDAS"


Recentemente, os noticiários divulgaram a repercussão de um artigo escrito pela atriz e produtora Angelina Jolie, considerada uma das maiores celebridades do mundo ao lado de seu noivo Brad Pitt (os dois ainda estão para oficializar a união de muitos anos e vários filhos, biológicos e adotivos), que afirmou que ela fez mastectomia dupla, uma cirurgia para retirar os seios como prevenção para o risco de câncer de mama.

Angelina realizou a cirurgia encorajada pelo fato de que ela havia perdido a mãe, a também atriz e produtora Marcheline Bertrand (ex-mulher de Jon Voight, pai de Angelina), que faleceu de câncer no ovário em 2007, aos 57 anos incompletos, e a avó, morta aos 45 anos. "Não existe muita longevidade na minha família materna", declarou Angelina.

A medida da atriz, que retirou os seios e os reconstituiu depois em cirurgia, causou polêmica na medida em que alguns especialistas em cirurgia de retirada de seios afirmarem que o ato de Angelina foi precipitado, porque aparentemente não havia risco dela sofrer imediatamente um tumor nos seios. Mesmo assim, o ato foi considerado corajoso, reafirmando a boa reputação que a atriz possui, não só pelo seu talento, mas por sua personalidade forte e determinada.

Angelina Jolie é também considerada pelo seu ativismo social, controverso mediante o fato dela ser também uma das atrizes mais bem pagas de Hollywood que faz alguns duvidarem de sua militância filantrópica. Mas talvez, a meu ver, essa militância possa ser sincera, já que Angelina parece ser suficientemente emancipada e sincera para se promover com causas enganosas.

A polêmica de Angelina, portanto, é uma forma da atriz promover, corajosamente, um debate em torno do tratamento de câncer, doença que atinge as vidas de muitas mulheres, ceifando essas vidas ainda precocemente (geralmente na casa dos 40 aos 60, mas às vezes não poupando as mais jovens) e isso faz com que Angelina Jolie seja um nome a considerar na luta feminista pela qualidade de vida das mulheres.

"BOAZUDAS" EM SITUAÇÕES VEXAMINOSAS

Antes disso, tivemos, por outro lado, dois casos infelizes, de musas ditas "populares" que só são consideradas "feministas" na imaginação fértil da nossa "irretocável" intelectualidade que, "coitadinha", não pode ser comparada aos ministros-astros do Supremo Tribunal Federal que vivem uma relação incestuosa com a grande mídia. Elas haviam se envolvido em situações vexaminosas a respeito de seus supostos casos amorosos.

Primeiro, foi a ex-dançarina do ídolo brega Latino e ex-vice Miss Bumbum, Andressa Urach - aquela que ficou feliz por ver um mosquito pousando em seus glúteos - , que na sua "turnê" pelo exterior para se promover como "musa sexy internacional", resolveu escrever nas redes sociais que tinha um caso de amor com o jogador português Cristiano Ronaldo.

Ao saber da boataria, o craque do clube espanhol Real Madrid e capitão da seleção portuguesa de futebol, também namorado da modelo Irina Shaik, ficou irritado. Imediatamente, desmentiu que teria tido um romance com a "popozuda", e decidiu entrar em processo judicial contra a moça, mediante falso testemunho. Esnobe, Andressa gracejou quando foi informada que seria processada pelo artilheiro, em mensagem escrita nas redes sociais.

Segundo, foi a vez de Nicole Bahls se envolver em mais um incidente, semanas depois de ter se envolvido na confusão causada pelo diretor de teatro Gerald Thomas, que a agarrou em plena cerimônia de lançamento de seu livro, numa livraria lotada de gente, fato que fez as esquerdas médias e cordeirinhas apostarem num maniqueísmo em que Gerald era um "machista selvagem" (o que, de fato, era) e Nicole Bahls era a "feminista indefesa" (o que, de fato, não era).

Diante do rumor de que Nicole estaria namorando o filho do ex-casal de atores Cláudia Raia e Edson Celulari, o adolescente Enzo Celulari, a atriz, no ar como a vilã Lívia da novela Salve Jorge, fez uma entrevista ao jornal O Globo na qual disse, a respeito do contato de Enzo com Nicole Bahls:

"Eu acho que ele está na hora de brincar disso. As paniquetes são as nossas chacretes de hoje em dia, são as mulheres da vez, são as gostosas que eles acham incríveis, então por que não sair com uma pessoa como ela? E Enzo é lindo, é filho da gente (dela e de Edson Celulari), é músico, é um gostoso, é normal que as pessoas achem ele incrível".

Cláudia teria dito também que não vê possibilidade de Enzo namorar Nicole Bahls, acrescentando que acha que "nem ele pensa (nisso). Ele tem outras prioridades na vida dele, é consciencioso. Super se diverte, mas dá o limite na hora certa, sempre foi assim".

Nicole não gostou das declarações, chegando a chorar uma vez. Viu ironia nos comentários aparentemente simpáticos de Cláudia. Nicole não gostou de ter sido chamada de "brinquedo sexual" e de "chacrete", e no seu perfil oficial do Twitter escreveu comentários esquisitos, em mensagens posteriormente apagadas, mas não sem antes de serem gravadas pela imprensa e amplamente divulgadas.

"O risco não é mulher com perfil chacrete (risos), é menino com 'carrinha' (sic) de paquito. kkkkkk. Acordaaa", diz o texto, aqui adaptado do internetês. Num outro comentário, Nicole citou um suposto "gay" querendo "pagar de gala" nas costas dela, dando a crer que ela teria chamado Enzo Celulari de "homossexual".

MORAL DA HISTÓRIA - As "admiráveis" mulheres que "mostram demais" seus corpos acabam sendo marcadas por suas piores qualidades. Intelectualmente vazias, limitadas na exibição gratuita de seus corpos, elas mostram que sua crise se agrava, na medida em que, quando elas mostram algo além de seus corpos siliconados e anabolizados, cometem gafes intermináveis. E elas nada têm de divertidas ou polêmicas, porque ninguém se dá bem mostrando o pior de si.

Daí que o pior da exploração feminina não está nos comerciais de TV e nem na obsessão com a boa forma e o bom vestuário das revistas femininas da grande mídia. Está, sim, nas musas "populares" que mostram que não são mais do que meros brinquedos sexuais de adolescentes frustrados e, quando querem ser vistas como algo além disso, se atrapalham sem parar.

Enquanto isso, lá fora, Angelina Jolie faz polêmica, sem perder a dignidade e a elegância.

terça-feira, 14 de maio de 2013

BREGA PEGA CARONA NA MPB DA TRAMA DISCOS

THIAGUINHO (AO LADO DE GILBERTO GIL), CANTANDO A MPB DA TRAMA - O brega sempre é o último a saber...


A pseudo-MPB que passaram a fazer, depois de 1997, a geração de neo-bregas que se ascenderam em 1990, dá a falsa impressão de que essa geração é "sofisticada", quando ela apenas tenta um vínculo forçado e tendencioso à MPB que sempre desprezaram, por considerarem "coisa de bacana".

É aquela manobra. Ídolos formados pelo indigesto cardápio radiofônico das FMs popularescas e claramente inspirados na breguice musical através da qual diluíram suas músicas em sambas e modas de viola pasteurizados, que nunca se interessaram em fazer MPB de fato - a MPB rolava solta nas rádios nos anos 80 - , recorrem a ela depois que conseguem alguma fama.

Aí acusam de terem sido "mal orientados" por produtores, ou que estavam "ainda aprendendo" com o sucesso, mas a verdade é que a mediocrização que lhes fez populares em todo o país tenta algum oportunismo quando eles passam a ser mais ricos e famosos.

Na busca de um público mais conceituado, pelo menos financeiramente, ídolos dos chamados "pagode romântico" e "sertanejo" mais "veteranos" - ou seja, aqueles que iniciaram o sucesso estrondoso entre 1989 e 1992 - tentam criar um arremedo de MPB que nem de longe é espontâneo e que se inspira justamente nos vícios e erros que a MPB autêntica havia feito diante das pressões comerciais dos anos 80.

No fundo, os neo-bregas dos anos 90 acabaram ocupando o nicho, na visão mercadológica da indústria fonográfica, deixado pelos artistas de MPB, inconformados com as imposições das gravadoras em gravar todo ano os mesmos álbuns com letras piegas sobre desencontros amorosos e exaltações à natureza.

Evidentemente, artistas como Zizi Possi, Djavan e Belchior não iriam fazer a toda vida esse papel caricato imposto pelas gravadoras, vendo o caso da cantora baiana Simone, entregue aos ditames do mercado (gravou até José Augusto e Sullivan & Massadas), se "queimar" como um símbolo do que não se deve ser feito na Música Popular Brasileira e que abriu caminho para a ascensão do Rock Brasil.

Daí a suposta maleabilidade de nomes como Chitãozinho & Xororó, Zezé di Camargo & Luciano, Leonardo, Daniel, Alexandre Pires e Ivete Sangalo. Eles podem fazer a tal "MPB de mentirinha", seu apelo popular fácil os faz "admiráveis" mesmo quando seguem as mesmas regras pasteurizadas que tornaram a MPB impopular não só entre os jovens como entre a intelectualidade.

Evidentemente, com o tempo, o parasitismo que neo-bregas surgidos na época e outros surgidos depois (como Thiaguinho, Cláudia Leitte e Michel Teló) fazem da MPB ficou cada vez mais ambicioso. Se antes eram os sucessos fáceis dos medalhões da MPB que eram regravados por neo-bregas, hoje a coisa já chega a nomes mais "difíceis" como Wilson Simonal e, mais recentemente, a turma da gravadora Trama.

É o caso do cantor Thiaguinho, novo ídolo do sambrega e principal aposta da Rede Globo na reciclagem do brega no gosto popular. Depois de participar tendenciosamente em eventos como o Samba Social Clube e o disco-tributo de Wilson Simonal, ele agora promove o cover de "Simples Desejo", do refrão "Hoje eu só quero é que o dia termine bem", sucesso de Luciana Mello também gravado por Ney Matogrosso.

Para reforçar o oportunismo, Thiaguinho contou com a participação de Gilberto Gil, um grande nome da MPB que, no entanto, assim como Caetano Veloso é condescendente com a breguice que domina o mercado brasileiro. Outro arranjador também foi escalado para dar um "requinte" à versão, incluída na trilha sonora da novela Sangue Bom, também da Rede Globo.

ASCENSÃO OU EXPLORAÇÃO?

Assim como Jorge Ben Jor, antes, e Wilson Simonal ainda há pouco, a geração da Trama atingiu o mainstream brasileiro e o gosto médio dos brasileiros - aqueles que tomam o brega como prioridade mas "também curtem" MPB - , com o preço de serem explorados e usurpados pela breguice dominante.

Daí o cantor Alexandre Pires, espécie de discípulo "sambista" do cantor José Augusto, ter tentado inventar um "eletrosamba" sem pé nem cabeça, num DVD que inclui baladas chorosas dignas de um Luiz Miguel. Assim como Thiaguinho, o cantor mineiro havia também participado tendenciosamente dos dois eventos, Samba Social Clube e o disco-tributo de Wilson Simonal, sem deixar algo marcante.

Nomes como Seu Jorge, Luciana Mello e Wilson Simoninha, símbolos da "MPB da Trama Discos", hoje entram escondidinho em trilhas sonoras da Globo, única condição para a MPB autêntica possuir alguma visibilidade e atingir o grande público.

Esse movimento da MPB não necessariamente é composto por contratados pela Trama Discos, gravadora de médio porte, já que nomes como Seu Jorge e Maria Rita Mariano seguem essa tendência, caraterizada pelo resgate modernizado de elementos sofisticados da MPB pós-tropicalista de 1967-1970 até pouco tempo atrás bastante esquecidos do público.

A tendência se ascendeu no final dos anos 90, quando a Trama Discos representou uma alternativa à MPB diante do êxodo causado pela hegemonia comercial dos neo-bregas. A redescoberta de nomes como Wilson Simonal, Erlon Chaves, Sérgio Sampaio, mais a Gal Costa fase 1967-1971 e nomes como Marcos Valle, norteou esse movimento que conquistou agora o mainstream da MPB autêntica.

Mas existe o preço do parasitismo dos ídolos brega-popularescos, impulsionado pela banalização das informações obtidas na Internet e pela pressão da intelectualidade etnocêntrica que quer juntar MPB e brega como se une alhos e bugalhos, trigo e joio. E esse é o preço que a MPB autêntica tem para chegar ao grande público, enfrentando regravações bregas que tentam ofuscar as gravações originais.

Novamente a "MPB de mentirinha" dos brega-popularescos tenta passar a perna na MPB autêntica, deixando esta na sua posição secundária do gosto popular. A usurpação de covers, desde a versão de Chitãozinho & Xororó para "No Rancho Fundo", de Lamartine Babo e Ary Barroso, tornou-se a mina de ouro de ídolos bregas querendo tirar uma "casquinha" do cancioneiro da MPB autêntica.

Quem sai perdendo é o grande público, que não vai se lembrar que certas músicas de seus ídolos bregas são covers, seja o próprio "No Rancho Fundo", que muitos desconhecem a autoria original, ou músicas mais recentes como "Só Você", cuja regravação de Fábio Jr. faz muitos esquecerem de que se trata de uma composição de Vinícius Cantuária.

Desta vez, será a "oportunidade" do grande público engolir a música "Simples Desejo" na voz de Thiaguinho, sem se dar conta de que a música foi primeiro gravada pela filha do veterano Jair Rodrigues, Luciana Mello, cantora prestigiada que busca um lugar ao Sol no mercado musical.

domingo, 12 de maio de 2013

SERIADOS "INCOMPREENSÍVEIS" TÊM CANCELAMENTO ANUNCIADO


Dois seriados de televisão, um brasileiro e outro norte-americano, já estão com seu cancelamento anunciado, depois de não obterem o sucesso comercial desejado.

Um é o seriado Go On, do Warner Channel, protagonizado pelo ex-astro de Friends, Matthew Perry. Conta a história de um jornalista esportivo e apresentador de TV, viúvo, que depois de se envolver numa briga, descobre que possui problemas psicológicos e decide fazer terapia de grupo, ambiente no qual se concentrou a série, que, se fosse transmitida na TV aberta, poderia ser intitulada Vá Adiante.

Outro é o seriado O Dentista Mascarado, da Rede Globo, protagonizado pela revelação do humor nos últimos anos, Marcelo Adnet. Apesar dele escrever textos de humor, ele é apenas ator do seriado, já que os textos são do casal Fernanda Young, também apresentadora, e Alexandre Machado, também publicitário. Conta a história de um dentista que se envolve em tramas policiais.

As duas séries foram bem intencionadas e os atores protagonistas são prestigiados. Os elencos também eram bons, em ambos os seriados, destacando a beleza da maravilhosa Taís Araújo. Mas o problema é que, embora os seriados fossem interessantes, as duas tramas foram consideradas "incompreensíveis" pelo grande público, e isso pesou para que a crítica pegasse pesado em ambos os seriados.

Matthew não é o primeiro astro de Friends - série que marcou a década de 90 e que até durou mais do que devia - a ter um novo seriado fracassado. Matt LeBlanc também amargou o fracasso com o seriado Joey, que era até um spin-off (derivado) do seriado que também teve Jennifer Aniston e Courteney Cox.

Quanto às criações de Fernanda Young e Alexandre Machado, consagrados pelo seriado Os Normais, O Dentista Mascarado pode não ser o melhor da dupla, mas mesmo assim parece bastante divertido e engraçado. O fato de que este seriado não tem a ironia poética do anterior, Como Aproveitar o Fim do Mundo, é apenas uma diferença de enredo e não um defeito.

Os seriados não são chatos de se ver, mas o público médio não consegue entender um jornalista esportivo que decide fazer terapia de grupo nem um dentista que decide ser um misto de agente secreto e policial depois de recusar-se a ser policial propriamente dito.

Também parecem "incompreensíveis" as piadas e as situações envolvidas pelo "dentista paladino" e a interação dos vários personagens de Go On que quase transformam o personagem Ryan King (de Matthew) em "secundário". São detalhes que não incomodam, mas para a exigência imediatista do mercado, parecem erros graves.

Não se sabe se os dois seriados vão se tornar cult no futuro, como promete ser o seriado Grosse Pointe, cancelado precocemente em 2000 e que contava a história de uma produção de um seriado de TV. Isso sem falar, no caso de desenhos animados, no seriado A Turma do Manda Chuva, que só durou um ano (de 1961 a 1962), mas se tornou um clássico da animação.

No entanto, os dois seriados encerrarão sua trajetória - ainda está na exibição de seus episódios já produzidos - como tentativas simpáticas de oferecerem novas atrações de humor na televisão comercial. Os dois seriados poderiam ter durado um pouco mais. Mas são as regras do mercado...

sexta-feira, 10 de maio de 2013

NINA DOBREV ESTÁ SOLTEIRA!!


O casal do seriado The Vampire Diaries, Nina Dobrev e Ian Somerhalder, terminou a relação de três anos de namoro. As fãs de Ian devem estar exaltadas, mas o que interessa aqui é dizer que os fãs de Nina estão também exaltados.

Ambos confirmaram a informação e continuarão a trabalhar juntos. Nina disse antes numa entrevista que não gostava muito de se envolver com colegas de elenco, mas acabou se apaixonando por Ian. No entanto, a relação agora será profissional. O seriado está na quarta temporada.

Nina Dobrev é considerada uma das mais belas mulheres de sua geração, e sua doce sensualidade empolga e cativa. É bom ver uma beldade dessas livre, leve e solta no "mercado", e sem dúvida alguma é uma musa que agrada muito mais aos verdadeiros nerds (esqueça certos "spohrros") do que muita musa de MMA que a mídia tenta empurrar para rapazes assim.

Seja bem vinda ao rol das solteiras, Nina, menina maravilhosa!!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A FICHA NÃO CAIU. SISTEMA DE ÔNIBUS DO RJ ESTÁ ANTIQUADO

CARLOS ROBERTO OSÓRIO - O Secretário de Transportes de Eduardo Paes fala como se fosse um sargento do Exército.


Abril havia terminado com pelo menos 12 mortos em acidentes com ônibus municipais do Rio de Janeiro, incluindo o sensacionalista BRT. Dois dos mortos foram pessoas relativamente famosas, como a produtora da TV Globo, Gisella Matta, de 36 anos, e o ciclista Pedro Nikolay, de 30 anos, ambos atropelados por ônibus na Zona Sul carioca enquanto passeavam de bicicleta.

A maior parte dos mortos ocorreu, no entanto, na Zona Norte, no viaduto Brigadeiro Trompowsky, que liga os bairros de Bonsucesso e Ramos à Ilha do Governador e ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, quando um ônibus da Transportes Paranapuan, linha 328 Castelo / Bananal, caiu desta ponte causando a morte imediata de sete pessoas e de outra depois de dias internada num hospital.

Desde 2011, centenas de acidentes ocorreram com frequência assustadora no sistema de ônibus carioca, antes considerado referência para o país. Quiseram mexer em time que está ganhando, com base na habitual teimosia do grupo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho, que não costumam ouvir o povo nem ler com atenção as leis, e a coisa chegou ao ponto de tragédia.

Que o sistema de ônibus do Rio de Janeiro, antes desse plano autoritário e tecnocrático de "mobilidade urbana", anunciado no final de 2009 e implantado em 2010, tinha seus defeitos, era verdade. Mas havia muitas qualidades que foram deixadas de lado, e que paliativos como ônibus de pisos baixos e articulados BRT não conseguem compensar.

PINTURA PADRONIZADA ESCONDE IRREGULARIDADES

Afinal, os defeitos que existiam antes de 2010 não só permaneceram como pioraram, somados a outros que foram implantados, como a impopular, ineficiente e nada funcional pintura padronizada das frotas de ônibus, que só estão causando problemas e nenhuma vantagem se notou com a medida.

As autoridades dizem que a pintura padronizada "organiza mais", dentro do que eles entendem como "reordenamento do transporte coletivo municipal". No entanto, isso é uma desculpa pseudo-técnica que, mesmo usando como pretextos critérios de trajetos ou consórcios, na verdade não passa de mera propaganda política que acoberta fatalmente esquemas de corrupção.

É o que se nota quando ônibus que estão devidamente com as cores padronizadas - diferentes empresas agora ostentam uma mesma pintura - estão com documentação irregular, geralmente com registros de muitas multas por infrações, o que poderia significar alguma apreensão, mas estranhamente continuam circulando pelas ruas cariocas.

Um simples passeio pelas ruas do Rio de Janeiro é suficiente para ver a péssima qualidade dos ônibus, com lataria amassada e rodando com o barulho sacolejante que parece o de velhos caminhões de entulho. Empresas antes conceituadas como Real Auto Ônibus e Rodoviária A. Matias estão com ônibus sucateados. Até os de piso baixo da Translitorânea estão um lixo. Cerca de 300 ônibus enguiçam por mês.

Por que a pintura padronizada tem a ver com isso? É uma simples questão de linguagem comunicativa. Com a padronização visual, a empresa perde sua identidade, a identidade apresentada é a da Prefeitura, como se esta fosse dona das frotas dos ônibus, a exemplo do latifundiário que marca seu gado a ferro. Só isso faz com que a coisa piore, pelos motivos a seguir.

Primeiro, porque as empresas não se sentem responsáveis em zelar pelas frotas de ônibus, já que elas apresentam a imagem da Prefeitura do Rio de Janeiro. Isso fica claro, quando o nome "Cidade do Rio de Janeiro" aparece com mais destaque do que o nome de cada empresa. Sem falar que, com várias empresas com o mesmo visual, não há quem possa oferecer um verdadeiro diferencial para os passageiros.

Além disso, a pintura padronizada escolhida é um horror, com estética de embalagem de remédio. A cor cinza - nada a ver com o prateado natural dos ônibus mais antigos - dá um tom de velho que emporcalha os ônibus com dois anos de uso. E, além do mais, o que se vê é o acobertamento da corrupção e o avançado sucateamento dos ônibus municipais do Rio de Janeiro.

O povo nem sabe direito do processo. É obrigado a se contentar em identificar o ônibus pela linha, enquanto se prepara para eventuais acidentes. Reina o medo entre os passageiros de ônibus cariocas. Já houve caso de empresa de ônibus mudar o nome e o passageiro não saber.

FICHA NÃO CAIU PARA AS AUTORIDADES

Isoladas no autismo de seus escritórios, as autoridades não conseguem ver o problema com isenção. Se limitam a cobrar maior competência e ação das empresas de ônibus, sem saber que o problema está no tipo de sistema de ônibus implantado, que é antiquado e remete à ditadura militar. A propósito, o atual secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osório, fala como se fosse um sargento do Exército.

Há muitos problemas que são inerentes ao próprio sistema, que não serão resolvidos com mais cobrança ou presenteando o povo com tendenciosos ônibus articulados, de piso baixo ou com ar condicionado, ou com promoções de bilhete único ou coisa parecida.

Afinal, dois problemas graves deveriam ser extintos. A pintura padronizada é um grave problema porque foi comprovado que não existe qualquer funcionalidade em empresas diferentes ostentarem uma mesma pintura. Isso não traz qualquer tipo de transparência, até porque a pintura padronizada mascara as empresas, ela esconde do público as empresas aparentemente licitadas.

A pintura padronizada deveria ser abolida, voltando a diversidade da identidade visual de cada empresa de ônibus. Isso não iria anular os consórcios - embora eles expressem um caráter politiqueiro - , que poderiam ser identificados através de letreiros digitais ou por nomes descritos de forma discreta num canto de cada veículo.

Quanto a outro problema, é a confusão de atribuições à Secretaria de Transportes, no caso municipal. Confunde-se poder regulador e fiscalizador com autoritarismo, com concentração de poder. Uma coisa é trabalhar por melhor eficiência, outra é mandar e usurpar o patrimônio das empresas - suas frotas de ônibus - e exercer o monopólio de imagem sobre tais ônibus.

Portanto, a decadência do sistema de ônibus do Rio de Janeiro está no modelo que foi implantado em 2010. Melhorá-lo é impossível, apesar das autoridades prometerem "aperfeiçoá-lo". Daqui a pouco, vão presentear os cariocas com os BRTs do corredor Transcarioca, mas o que se espera provavelmente serão novos mortos, ao lado de ônibus com pintura padronizada que escondem documentação irregular.

E os passageiros de ônibus seguem suas rotinas entrando num ônibus sem saber se voltarão vivas de lá.

terça-feira, 7 de maio de 2013

JORNALISTA QUESTIONA BOATO DE QUE PAUL MCCARTNEY VIROU "FUNQUEIRO"


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Não é só em blogues como este que se questionou a boataria de que Paul McCartney, que está em nova turnê pelo Brasil, queria absorver a energia dos "bailes funk" no seu novo repertório.

Régis Tadeu, experiente jornalista musical que havia "enfrentado" Tati Quebra-Barraco através de uma mensagem gravada para o programa Super Pop (Rede TV!) dedicado a entrevistar a funqueira, também descobriu que a "notícia" espalhada no Brasil não passou de uma má interpretação de uma ocorrência.

Paul McCartney, “funk carioca”, boato desonesto e uma mentira desmascarada

Por Régis Tadeu - Blogue Na Mira do Régis

De uns tempos para cá tenho sido instado por inúmeros leitores a comentar uma suposta declaração do produtor Mark Ronson, de que Paul McCartney “quer trazer para si a energia do 'funk carioca'".

A princípio, tratei isto como mais um daqueles incríveis boatos que se espalham na internet, propagados à velocidade da luz por gente tão burra que seria capaz de comprar um urubu pintado de verde pensando que é um papagaio. Mas como o velho espírito do jornalismo investigativo ainda habita minha carcaça carcomida pelo tempo, resolvi ir atrás da veracidade de tal “declaração”.

Acabei descobrindo que Ronson – que será o produtor do novo disco de McCartney – realmente disse que o ex-Beatles anda inspirado por novos sons, que apareceu um dia destes no estúdio e tocou uma linha de baixo com uma levada de funk que o produtor identificou como algo parecido com o som do grupo brasileiro Bonde do Rolê e o mais importante: Paul mostrou a ele uma canção do cantor americano Usher, chamada “Climax”, perguntando “como podemos captar este tipo de energia?”. Veja a música abaixo:

Até aí, nada demais. É muito comum que artistas, mesmo sendo do porte de McCartney, levem um monte de sons para seus produtores antes de começar a gravação de um novo álbum, a fim de buscarem uma pequena inspiração que possa dar uma leve direcionada no som. A leitura correta do que rolou com McCartney é que ele quer fazer um disco que saia “um pouquinho” da vertente que ele vem mostrando nos últimos tempos. Aliás, isto é algo que já aconteceu em seu mais recente disco de estúdio, o ótimo Kisses on the Bottom, que traz uma série de canções dos anos 30 e 40 que Paul ouvia na infância e adolescência no rádio da casa de seus pais. Foi então que percebi o que aconteceu...

De uma maneira absolutamente sórdida e mal-intencionada, algumas pessoas na mídia – inclusive jornalistas ditos “sérios” – resolveram espalhar a história de que Paul McCartney iria gravar um disco de “funk carioca”!!! Um absurdo tão inacreditável e mentiroso que chega a me dar náuseas.

Eu nem deveria ficar surpreso, já que há nas redações de jornais, revistas e sites especializados em fofocas de subcelebridades uma forte corrente midiática que, “$abe-$e” lá por “quai$” motivos, trata de ‘bombar’ todo tipo de informação, verdadeira ou não, a respeito de qualquer coisa relacionada ao mundo do “funk carioca”. Sem qualquer tipo de veracidade, “funkeiros” vomitam besteiras e bravatas a torto e a direito, que são imediatamente divulgadas na imprensa. E foi exatamente o que aconteceu no caso “Paul McCartney agora é funkeiro”. Mais um caso em que o sensacionalismo barato e mentiroso veio avacalhar ainda mais o estado de indigência intelectual que o Brasil vive atualmente.

Não vejo o menor problema de Paul usar a “energia” que, indubitavelmente, existe nas músicas ruins que o Bonde do Rolê faz, mas daí a “brigada midiática do funk carioca” sair cantando tal cascata aos quatro ventos é de uma desonestidade fétida. Para você ter uma ideia, teve um grande portal de notícias “globais” que chegou a promover uma matéria em que várias “celebridades” do "funk carioca" deram "sugestões" daquilo que Paul tem que ouvir para "renovar sua energia" na hora de botar seu novo show na estrada. Teve energúmeno que sugeriu a infame "Passinho do Volante", do horrível MC Federado & Os Lelekes. Não imagino quem poderia inventar algo mais estúpido que isto.

Nada é mais significativo do processo de emburrecimento coletivo que vivemos nos dias de hoje do que o tal de "funk carioca". O simples fato de pseudointelectuais defenderem uma veia "socializante" desta porcaria já mostra a falta de escrúpulos desta turma. Auxiliados por um “reforço” financeiro vindo de gente graúda deste meio, essa gente não tem pudor em criar contextos mirabolantes, oportunistas e risíveis, a ponto de elevar boatos e interpretações de textos canhestramente deturpadas a patamares de “fatos” que devem ser levados a sério.

Torço para que você e milhões de outras pessoas esclarecidas continuem repudiando este tipo de trapaça.

domingo, 5 de maio de 2013

REVISTA CARAS DIZ QUE MICHELLE PFEIFFER "ESTÁ SOLTEIRA"


A edição recente da revista Caras, nas notícias publicadas na semana passada, conforme se vê no portal, há um texto sobre comportamento que fala dos 55 anos da atriz norte-americana Michelle Pfeiffer, completados há alguns dias.

O que se nota é que a reportagem, conforme se vê no fragmento da imagem acima, credita a atriz como "solteira", informação que não consta em qualquer sítio da Internet com alguma notícia sobre ela, apesar da atriz aparecer sozinha em quase todos os eventos registrados.

Não há qualquer informação de que Michelle Pfeiffer esteja mesmo solteira. Nem mesmo através de palavras-chave comuns como "husband split", "are dunzo", "call it quits" e "files for divorce", referentes à separação de celebridades. Nem sequer o Who Dated Who, dedicado a registrar a situação amorosa dos famosos, ou o portal Just Jared, fizeram qualquer tipo de menção.

Aparentemente, Michelle continua casada com o produtor David Kelley, conhecido pela criação do seriado Alli McBeal, que marcou a televisão dos anos 90. É o segundo casamento da atriz, estável apesar de rumores eventuais de crises conjugais. E o caso de Michelle não é o único.

Duas celebridades tiveram também seus casamentos em sérias crises, como a supermodelo Cindy Crawford e Angie Harmon (esta conhecida pelo seriado Rizzoli & Isles). Ambas tiveram notícias de traições amorosas de seus maridos, em incidentes que, dizem, não são muito amigáveis.

Cindy, traída várias vezes pelo marido, o empresário Rande Gerber, teria dito uma vez que seu casamento "acabou", mas depois desmentiu em outra entrevista, afirmando que, pelo menos aparentemente, a relação conjugal dela e dele continuam de pé.

No caso de Angie Harmon, casada com o ex-jogador de futebol americano Jason Seehorn, a traição chegou a render comentários agressivos contra ele, em fóruns da Internet. E há rumores de que Angie estaria mesmo solteira, mas evita dar a notícia para não abalar a privacidade das três filhas, uma delas com apenas cinco anos.

Afinal, o mercado fofoqueiro é cruel não só no Brasil, como também no exterior. Lá se tem o TMZ, que, embora lance alguns furos de reportagens, é conhecido pelo seu forte sensacionalismo e pelo humor cínico de muitos factoides que anuncia.

E a imprensa norte-americana é tão cruel que, depois que a atriz Brittany Murphy faleceu, a mídia se preocupou muito mais com a causa de seu óbito e de muitos rumores associados do que em lembrar o maravilhoso talento de cantora e atriz, que deveria ser considerado, até porque no final da vida Brittany se esforçava para ser reconhecida pelo seu talento versátil para além de comédias românticas e seriados infantis.

No que se diz à suposta solteirice de Michelle, a situação é duvidosa. Evidentemente faltam solteiras como Michelle Pfeiffer, Cindy Crawford e Angie Harmon, embora tenhamos uma Eva Longoria livre, leve e solta para nos alegrar. Só que até nos EUA o grosso das "solteiras" está nas mulheres de reality shows, como as real housewives que agora nada têm mais de wives.

Cabe à redação de Caras corrigir o texto ou tirar alguma satisfação. De preferência tentando explicar, se isso for possível, para a imprensa norte-americana por que Michelle Pfeiffer "está solteira" e quase ninguém percebeu.

sábado, 4 de maio de 2013

ATRIZ E ÍDOLO ADOLESCENTE FAZ DIFERENCIAL NO GOSTO MUSICAL


Esta é uma grande lição para as chamadas "descoladas" brasileiras. Se aqui há muita moça "bacana" descobrindo as porcarias musicais do brega-popularesco (sobretudo "sertanejo" o "funk carioca"), lá fora a coisa é bem diferente.

É o caso da jovem atriz Debby Ryan, estrela do Disney Channel e protagoniza o seriado Jessie. Ela é um dos ídolos adolescentes mais prestigiados dos EUA, embora sua beleza remeta a uma estética que se via muito no final dos anos 50 e começo dos 60 no século passado.

Em sua visita a uma loja de discos nos EUA, a gatinha, além de encarar discos de vinil - vistos com preconceito pela tecnocrática sociedade brasileira, que acredita que vinil é "coisa de DJ" - , pesquisou discos de artistas de qualidade, como Velvet Underground, Doors, Stevie Wonder, Radiohead e Munford & Sons.

Deve-se prestar atenção aos dois primeiros nomes: Velvet Underground e Doors, dois nomes da psicodelia norte-americana que se ascenderam em 1967, e que são considerados difíceis até pelos bobos-alegres que se acham alternativos e só fazem "EMoPB" (Emo Popular Brasileiro), tipo Kitsch Pop Cult, Gang da Eletro, Bonde do Rolê, Dudu Pererê e outros mais preocupados em misturar visual do que fazer algo importante.

Isso sem falar de pessoas "mais adultas" que estão "descobrindo o brega", acreditando estarem cansadas de tanto ouvir música de qualidade. Na verdade, não estão cansadas de ouvir música de qualidade. É excesso de cerveja que devorou os neurônios que precisam ser amortecidos pela água-com-açúcar de Odair José, Mr. Catra, Wando, Michel Teló, Zezé di Camargo & Luciano e derivados.

Portanto, é vergonha para os "descolados" daqui depender de uma atriz da Disney para aprender a ouvir música de verdade. Mas, em todo caso, valeu mesmo, Debby!!


quinta-feira, 2 de maio de 2013

COMO SALVAR SEU ÍDOLO PELA INTERNET


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Espero que, com a carta da fã e cantora Amanda Palmer, Morrissey volte atrás e pense em levar a carreira adiante. Acredito que dá para conciliar tratamento de saúde e uma rotina mais modesta de apresentações, embora, neste caso, seja bem difícil um cantor como o ex-vocalista dos Smiths se apresentar para plateias pequenas.

COMO SALVAR SEU ÍDOLO PELA INTERNET

Por Kiko Nogueira - Diário do Centro do Mundo

A cantora Amanda Palmer, celebrada como “o futuro da música” (inclusive por ela mesma), escreveu uma carta aberta para um de seus grandes ídolos, o vocalista Morrissey. Amanda virou um fenômeno do crowdfunding – o sistema de financiamento de projetos e causas pela internet, através de quem compra a ideia – e vem bancando sua carreira com o dinheiro dos fãs. Morrissey, o gênio dos Smiths, a melhor banda dos anos 80, cancelou uma excursão por problemas cardíacos e está sem gravadora. Ele é, segundo Amanda, “um dos melhores candidatos do planeta a usar o crowdfunding por causa do que é e do que significa”.

Amanda é um caso de sucesso num mundo em que a indústria fonográfica encolheu drasticamente. Conseguiu levantar 1,1 milhão de dólares de quase 25 mil seguidores no site Kickstarter e, com isso, fez o disco Theatre is Evil. Ela fez umas contas: se cada uma das 500 mil pessoas que gostam de Morrissey derem a ele 5 dólares, ele teria 2,5 milhões. O crowdfunding é uma ferramenta incrível. Só para ficar num exemplo recente, além do de Palmer, os diretores e produtores franceses Benjamin Pommeraud e Guillaume Colboc obtiveram 50 mil dólares de doações, em três semanas, para seu filme de ficção científica Demain La Veille.

É evidente que não se pode prever se isso dará certo para Morrissey ou qualquer outro. Mas a carta de Amanda é uma declaração sincera de amor e gratidão a um ídolo – e uma ideia de como manter vivo o trabalho de um artista que não é mais um “produto” interessante para as corporações, mas que continua relevante e importante para milhões de pessoas.



Caro Morrissey,

Vou lhe dizer: sou uma admiradora apaixonada de suas composições, seu canto e seus discos.

Eu comprei ingressos para vê-lo muitas vezes. Você fez a minha cabeça e o meu coração quando adolescente e até hoje continua a afetar minhas várias incursões artísticas.

Você me ajudou a me abrir, você me ensinou que eu podia ser brutalmente honesta nas minhas canções e que eu não precisava da permissão de ninguém.

Você me me ensinou que eu poderia cantar sobre qualquer coisa que eu quisesse. Então, não me importa o que você é, o que você faz ou o que você se tornou, eu vou me sentir eternamente grata a você.

Uma vez tive a chance de conhecê-lo. Minha banda, The Dresden Dolls, estava tocando em um festival na Alemanha, cerca de oito anos atrás, e você estava no camarim ao lado. Seu tecladista sentou comigo e começamos a conversar sobre os terríveis sanduíches do buffet nos bastidores. Eu disse a ele o quanto eu te amava e ele se ofereceu para me levar ao seu camarim para que eu pudesse dizer “olá”.

Isso é o quanto você significa para mim: eu não podia tolerar a idéia de Morrissey me encontrar e não gostar de mim, mesmo que as chances fossem pequenas. Em um movimento que me chocou, eu balancei a cabeça e recusei o convite. (Eu nunca vou saber se fiz a coisa certa…).

Então, antes de tudo: Como você se atreve a ter tal poder sobre mim?

E segundo: eu sinto muito em saber que você está doente. Acabei de ler sobre o cancelamento da sua turnê no jornal. Havia outra coisa que eu li no artigo que me fez parar e pensar. Ele dizia que você queria fazer música, mas não conseguia encontrar uma gravadora.

Pensei sobre isso e fiz uma experiência.

Eu sei que você não usa o Twitter, mas eu tenho certeza de que você, provavelmente, entende os conceitos básicos de como ele funciona. Eu tuitei um link para a matéria sobre sua turnê e, em seguida, fiz esta simples pergunta aos meus seguidores (eu tenho cerca de 850 mil): “Quantas pessoas aí pagariam 5 dólares de crowdfunding por um disco de Morrissey?”

Houve muitas, muitas respostas. Histórias foram compartilhadas. As pessoas, não surpreendentemente, disseram coisas super adoráveis e super criticas sobre você, como era de se esperar.

Mas o ponto é que, depois de algumas horas, perto de 1 400 tuites afirmavam que seus donos ficariam felizes em pagar 5 dólares para financiar seu álbum digital.

Isso só renderia cerca de 7 000.

Mas você… você é Morrissey. Você tem alguns dos admiradores mais fanáticos do mundo, pessoas dedicadas de vários países que ficariam muito, muito felizes em apoiá-lo para ter suas músicas nos ouvidos deles.

Você é possivelmente um dos melhores candidatos do planeta a usar o crowdfunding por causa de quem você é e o que você quer dizer.

Eu tenho pensado muito sobre isso. Para que alguém precisa de uma gravadora hoje em dia?
Morrissey

Morrissey

Para colocar álbuns em lojas? As lojas estão fechando.

Para telefonar para as rádios e pedir que toquem o álbum? As estações de rádio estão fechando.

Para entrar nas paradas? Quem se importa com isso? Você? Eu?

Para organizar uma turnê promocional e comprar espaço para informar que o álbum foi lançado? Bem… se você não vai fazer uma turnê e se as pessoas pré-encomendarem o disco, talvez não seja necessário.

O que acontece se você simplesmente entrar num estúdio, gravar um disco e coloca-lo na Internet para as pessoas fazerem download? E não fizer turnê? E não fizer qualquer promo tradicional? E não liberá-lo comercialmente? E não fizer nada?

Apenas enviar as canções para as pessoas que o amam e que pagaram por elas.

O que aconteceria? Não tenho certeza. Mas, querido Morrissey, eu gostaria que você pudesse ter lido os tuítes que recebi.

Os mais inspiradores foram nesta linha: “O simples fato é que eu gostaria de ouvir novas canções de Morrissey. Por esse privilégio eu poderia facilmente pagar 5 dólares”.

Este era um refrão constante e isso me deixou muito feliz: as pessoas só querem música e estão dispostas a pagar para que ela possa ser criada, mesmo que recebam apenas um arquivo.

Eles querem música. Eles querem ouvir e sentir. E isso parece simples, mas é um ponto importante: Eles querem ajudar. Ajuda-lo a fazer música.

A internet está agora num ponto em que seus fãs, basicamente, fazem o trabalho de divulgação de seu projeto para você. Tudo o que você precisa fazer é lançá-lo em um site como o Kickstarter ou o Pledgemusic e deixar a coisa se espalhar.

Você pode evitar a agonia da fabricação, do transporte, da distribuição tradicional física e da promoção.

Dado o histórico de vendas de seus discos, numa estimativa muito conservadora, você teria 500 000 pessoas dando 5 dólares cada.

É um total de 2,5 milhões.

Você não teria de fazer uma turnê e arriscar a sua saúde.

Você não teria de fazer nenhum trabalho promocional se não quiser.

Você também seria o primeiro artista de seu calibre a realizar um projeto desse tipo com a sua base de fãs, o que se tornaria histórico.

Como eu sei que você quase certamente não fará isso e que você pode muito bem pensar que eu sou uma idiota por escrever esta carta aberta, eu só gostaria de dizer o seguinte: Você pode ser o último da linhagem de sua família, mas gerou um monte de crianças inspiradas em seu canto e eu orgulhosamente me incluo entre elas.

Buda certa vez disse: “Se você tivesse de carregar seus pais por toda a vida deles – seu pai num ombro e sua mãe noutro –, até o ponto em que eles começassem a perder suas faculdades e o excremento deles escorresse por suas costas, isso não pagaria a sua dívida de gratidão”.

Como sua devota, devo dizer: eu não aguentaria até esse ponto horrível. Mas estaria totalmente ansiosa em ajudá-lo a fazer o crowdfunding.

Eu te amo.

E espero que você consiga o que deseja.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

MESTRANDA DA UFF NÃO QUIS DEFENDER SUPOSTO "FEMINISMO" DO "FUNK"



Os defensores do "funk carioca" tiveram um relativo mal-entendido, que pegou em cheio até um blogue de feministas que, na "boa fé", acabou defendendo as "popozudas" do gênero. Afinal, uma tese de mestrado sobre o suposto "feminismo" do "funk carioca" na verdade não é de todo elogioso ao gênero.

Embora se saiba que a Fundação Ford, uma das interessadas pela propagação do "funk carioca" no Brasil e tem vínculos tanto com a CIA quanto com a grande mídia brasileira, investe dinheiro nas instituições universitárias como a Universidade Federal Fluminense - que havia aceitado a escolha de Valesca Popozuda como patronesse de uma turma de formandos - , a tese em questão não é de todo condescendente.

A aluna Mariana Gomes, que havia feito uma tese de conclusão de graduação sobre as "mulheres-frutas", resolveu trabalhar uma tese de mestrado que questionasse a suposta importância do "funk carioca" como um dos últimos redutos do feminismo brasileiro. A tese de mestrado se intitula My pussy é poder – A representação feminina através do funk no Rio de Janeiro: Identidade, feminismo e indústria cultural.

Segundo a mestranda, o objetivo do trabalho não é glamourizar o comportamento das intérpretes do "funk carioca", mas de verificar se o discurso supostamente "feminista" de nomes como Valesca e Tati Quebra-Barraco "são um caso de libertação feminina ou apenas um atendimento da demanda do mercado erótico".

"LIBERDADE DO CORPO" CONTESTADA

 O que impressiona é que Mariana acabou inserindo no seu projeto de pesquisa um aspecto semelhante ao que este blogue já havia advertido várias vezes, a de que a suposta "liberdade do corpo" das "musas" vulgares - nas quais se inserem as funqueiras, dançarinas ou intérpretes - pode ser, na verdade, uma espécie de "prisão do corpo".

"A relação entre feminismo e erotismo é perigosa, inclusive para a Valesca. Ela se diz feminista, mas será que é mesmo? (...) A cantora afirma o corpo como espaço de liberdade, mas ele pode ser uma prisão, neste caso, porque o objetivo é conseguir bens materiais. Não chega a ser uma prostituição, mas é um jogo perigoso".

A mestranda ainda acrescenta que as letras das funqueiras trazem o valor da mulher interesseira, que dificilmente trata o homem como um companheiro, mas como um sustentador, como se vê no exemplo a seguir, descrito pela pesquisadora:  

"Mulher burra fica pobre/ Mas eu vou te dizer/ Se for inteligente pode até enriquecer/ Por ela o homem chora/ Por ela o homem gasta/ Por ela o homem mata / Por ela o homem enlouquece / Dá carro, apartamento, joias, roupas e mansão / Coloca silicone / E faz lipoaspiração / Implante no cabelo com rostinho de atriz / Aumenta a sua bunda pra você ficar feliz".

O MAL-ENTENDIDO

Mais uma vez, a tese cria um mal-entendido entre os defensores do "funk carioca", que achavam que a tese de Mariana Gomes estava defendendo o suposto "feminismo" atribuído às funqueiras. Até mesmo a própria Valesca se entusiasmou com o projeto, sem saber realmente do que se tratava: "Acordei MUITO FELIZ com a melhor notícia de todas!!! Sem palavras!!!", escreveu a funqueira no Twitter.

É mais um da galeria de mal-entendidos usados para promover o "funk carioca", depois do suposto título de "patrimônio cultural" e da má interpretação ao comentário de um ex-beatle. O que mostra que é a burrice o motor do "funk carioca" que contamina até mesmo muita gente "esclarecida" que sai em defesa do gênero.

HIERARQUIZAÇÃO CULTURAL

As discussões e propagandas que envolvem o "funk carioca" trazem à tona uma contestação à ideia de "hierarquização cultural" que aparentemente a sociedade brasileira vive, diante dos limites construídos ideologicamente entre a "alta cultura" e a "baixa cultura".

A meu ver, essas questões de hierarquização cultural foram artificialmente produzidas durante a ditadura militar, quando os debates dos Centros Populares de Cultura foram interrompidos com a sua extinção, em virtude do fechamento da União Nacional dos Estudantes pelos primeiros atos da ditadura militar, em 1964.

Os CPCs da UNE ganharam uma má fama de "ideológicos" ou "dirigistas", mas o julgamento dominante de hoje, consequente de uma linha de pensamento de intelectuais pré-tucanos da USP (influenciados por Fernando Henrique Cardoso) ignora que os CPCs só tinham três anos de fundação e dois de atividades em 1964, quando seu projeto e seus objetivos ainda eram prematuros.

Até então, a cultura das classes pobres era de excelente qualidade. Vide nomes como Cartola, João do Vale, Marinês e Seu Conunto, Luiz Gonzaga, Pixinguinha. Não havia a tal "baixa cultura", nem os bossa-novistas queriam substituir o samba.

Hoje, com a memória curta decretada pela mídia e pelo mercado que contagia a quase todos os brasileiros, achamos que a cultura popular de qualidade só é feita pela classe média. Mentira. Ela foi feita originalmente pelas classes populares, pela suposta "ralé". A breguice só foi supostamente associada pelas classes populares por um arranjo entre o coronelismo, o poder midiático e a ditadura militar.

Portanto, a "baixa cultura" é um preconceito não de quem combate a bregalização do país, mas daqueles que o apoiam. Quem defende o brega e o "funk" é que quer que o povo tenha "baixa cultura" e que nós é que temos que ignorar esse rótulo. Daí uma polêmica sem necessidade.

Embora de uma forma tímida e talvez não muito combativa, Mariana Gomes começa a recuperar a abordagem crítica que havia se ausentado nas cátedras acadêmicas. Ao questionar o suposto feminismo atribuído as funqueiras, ela já abre um caminho para a contestação de um ritmo que tentou forçar uma falsa unanimidade pela glamourização da miséria, da vulgaridade, do grotesco e da ignorância popular.