sábado, 6 de abril de 2013

OS 50 ANOS DO MÉTODO PAULO FREIRE


Existe um vício terrível na sociedade que é entender a Educação como um processo simplório. Para tais pessoas, basta ensinar a ler, escrever, aprender um pouco de matemática, noções básicas de cidadania, brincar de futebol e só. O resto é só um detalhe, "necessário" conforme as conveniências.

Essa visão, banalizada pela grande mídia, faz com que as pessoas tenham uma visão confusa, um tanto moralista, um tanto pragmática, sobre o processo educacional, o que faz com que os problemas no setor continuem, com tamanha falta de compreensão da realidade.

Para piorar as coisas, os debates sobre Educação no Brasil se tornam estéreis na medida em que se desprezam intelectuais como Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira e, principalmente, Paulo Freire. Todos deram, cada um à sua maneira, valiosas contribuições para o país, mas Paulo Freire foi o mais audacioso, criando um novo método de alfabetização para adultos, hoje conhecido como o Método Paulo Freire.

O método se baseava num programa flexível de ensino de palavras, baseadas no vocabulário de cada comunidade ou grupo de pessoas. Ensinava-se pronúncia de sílabas, tipos de fonemas e outras coisas, enquanto a gramática básica era ensinada através de frases típicas do cotidiano de cada grupo.

Com isso, ensinava-se as pessoas não apenas a ler e a escrever, mas a pensar. E foi isso que Paulo começou a aplicar numa escola de Angicos, no interior do Rio Grande do Norte, primeira cidade a conhecer esse método de ensino, originário do Movimento de Cultura Popular que Paulo Freire lançou em Pernambuco.

O projeto era tão inovador que um político local comunicou ao então presidente João Goulart que o Método Paulo Freire iria mudar radicalmente o mapa eleitoral do Brasil. O projeto tinha tal relevância que permitia aos trabalhadores até a organizar jornais comunitários para treinar a produção de textos, numa prática informal, porém responsável, de jornalismo.

Era um curso rápido, simples, e fazia os adultos a conciliarem sua sabedoria prática da vida com a capacidade de ler, escrever e transmitir no papel - e, hoje, no computador - os seus conhecimentos, além de ser uma ferramenta auxiliar de mobilização social, na medida em que o ensino estimulava os trabalhadores a buscar novos aprendizados.

Infelizmente, um projeto desses, tão fácil de se aplicar, é muito raro hoje, em que a Educação sofre com cortes de verbas públicas e baixos salários, é simplesmente esquecido pela maioria das pessoas. As mesmas que pensam que educar é apenas ler, escrever, fazer contas e jogar bola. Isso é que é apenas um detalhe, dentro de um grande aprendizado para a vida e para muitas coisas.

Daí que os 50 anos do Método Paulo Freire servem para debatermos a Educação, mais do que fazer festejos e pronunciamentos políticos.

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