terça-feira, 23 de abril de 2013

O PROBLEMA DOS CARAS NÃO LEGAIS


O que é um cara legal? É aquele que capricha na etiqueta no primeiro jantar com sua futura namorada, inicia uma conversa pedante cheio de bons referenciais que ele na verdade não possui nem aprecia muito e dá uma ênfase um tanto estranha à elegância de vestir?

Não. Difícil dizer o que é um cara legal. Mas entendo que ele não necessariamente depende de tantos artifícios citados no parágrafo anterior, mas que tenha um caráter suficientemente digno e admirável até mesmo nas horas mais difíceis ou nos momentos mais rotineiros.

No último fim de semana, um incidente põe em xeque essa fama de bons conquistadores de homens de uma personalidade bastante superficial. O agente de celebridades Jim Toth, marido da atriz Reese Witherspoon, foi pego dirigindo embriagado pela polícia, e ao ser detido, a atriz se irritou e reclamou de forma agressiva ao tira, que então decidiu prender não só ele, mas ela também.

Reese é conhecida pelo seu ativismo anti-machista, pelo seu talento admirável e pela sua beleza um tanto graciosa e nerd. Acho até que ela nem merecia o Jim Toth, que mais parece um daqueles caras metidos que tentam parecer legais, só porque possuem uma profissão de grande status.

Homens não-legais conseguem enganar e conquistam mulheres porque fingem erudição, gentileza e bom gosto quando na verdade eles não passam de meros fãs de esporte e de uns desocupados que só sabem ser executivos, empresários ou profissionais liberais, mas na hora do lazer parecem mais desorientados do que muito autista em festa de aniversário.

As mulheres não-legais é que não conseguem enganar. Elas não seduzem nem sabem conquistar. Vejo a busca do Google e a vice-Miss Bumbum, Andressa Urach, diz que "está solteira" porque "os homens são todos fúteis". Então tá. Mas uma moça que fica feliz quando um mosquito pousa em seus glúteos não é menos fútil que os homens que ela diz recusar.

De uma forma diferente, as "donas de casa" de reality shows que já nem podem mais ser chamadas de "wives" (esposas) porque se divorciaram, também não demonstram ser legais, reclamando de tudo o tempo inteiro, seja do esmalte descascando, do botox malfeito, da pequena celulite nas coxas e do atraso do avião que a levaria de Los Angeles para Paris para comprar roupas de luxo.

Vivemos um grande período de desencontros amorosos. De um lado, mulheres não-legais que não querem ter homens não-legais, mas ficam a ver navios porque os homens legais não as querem. De outro, homens não-legais que só conquistam mulheres legais porque dominam as técnicas de conquistas, se moldando, ainda que provisoriamente, à personalidade das mulheres cobiçadas que viram então suas esposas.

Daí o Jim Toth, bom conquistador, homem "culto" e de "bom gosto", que de repente é pego dirigindo embriagado, numa ocasião constrangedora. Ele tem a mesma idade que eu, 42 anos, mas eu não bebo álcool e costumo levar uma vida mais caseira. E não pagaria um "mico" desses do mesmo modo que também não sou de fingir falsa erudição. Tenho caráter.

Eu fico imaginando como seria um Real Househusbands, um reality show reunindo alguns maridões de mulheres adoráveis, como Jim Toth, François-Henri Pinaut, Rande Gerber, Jason Sehorn, Cash Warren e Mike Comrie, falando banalidades dentro de um escritório e de vez em quando seguindo orientações de um diretor. Talvez fosse divertido ver caras assim se extravazarem.

Será que um cargo de status faz um homem ser realmente importante pelos seus méritos naturais? O que mede a qualidade de um homem? É o número de vezes em que ele aparece de terno e gravata num evento importante? É a capacidade dele produzir renda? É a sua fama? É seu vínculo de prestígio junto a uma mulher atraente? Creio que não.

As mulheres não-legais já vivem uma crise séria, na medida em que não têm os pretendentes desejados. Elas não conseguem enganar, pois mesmo quando tentam algum evento diferente - como exposição de carros, peças teatrais e lançamento de livros - , os vinculam a sua vulgaridade pseudo-sensual.

Daí Nicole Bahls fazendo aquele "mico" de "mostrar-se demais" na Livraria da Travessa, atraindo a tara machista de Gerald Thomas, um sujeito que vê o ato de "criar polêmica" e "fazer provocação" como fins em si mesmos.

Quanto aos homens, como ocorrerá essa crise? Creio que será quando suas mulheres se impacientarem com suas personalidades superficiais, onde toda a sofisticação forjada nas primeiras cantadas se dissolve seja numa embriaguez em festa, seja numa grotesca atuação como torcedor em eventos esportivos, seja até mesmo em traições conjugais. Não seria hora desses homens "encalharem" também?

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