terça-feira, 5 de março de 2013

O "FUNK" E O ESTABLISHMENT DA MPB



Infelizmente, há um establishment na MPB que adota uma postura condescendente ao brega-popularesco. Sabemos do famoso caso de Caetano Veloso, mas há também outros nomes como Fernanda Abreu, Adriana Calcanhoto, Zeca Baleiro e mesmo Marisa Monte, que havia gravado recentemente uma canção nos moldes da música brega, "Aquela Velha Canção".

Adriana Calcanhoto, que já se mostrou condescendente com o mofado fenômeno Michel Teló, cuja música ficou envelhecida até se compararmos, por exemplo, com artistas prematuramente falecidos como Sidney Miller, decidiu forçar a barra e preparar um CD de "funk carioca" com canções com letras de Vinícius de Moraes.

O projeto pretensioso contará com a colaboração do DJ Sany Pitbull, que só será feito mais tarde devido aos compromissos de Adriana com o projeto Partimpim. Mas o projeto já está prometido para 2013, em virtude do aniversário de 100 anos de nascimento do poeta.

Só que juntar brega-popularesco com MPB é um processo rotineiro que nada tem de realmente provocador. Ele nunca teve de ousado, era apenas uma forma de fazer publicidade sobre a vaia alheia, e principalmente hoje, quando ela é bem assimilada e aceita pela grande mídia, ela já não causa mais impacto algum.

Sabemos que Adriana Calcanhoto, dentro do projeto Partimpim, tentou "embelezar" um sucesso de Claudinho & Buchecha. Até conseguiu, mas o arranjo era calcado na MPB acústica, o que não é garantido quando se faz o processo inverso, jogando a MPB para arranjos mais bregas.

E será que terá "Garota de Ipanema", para agradar turistas, as "meninas dos olhos" dos empresários do "funk"? Os "humildes" empresários funqueiros estão desesperados, querendo retomar o lobby de 2002-2003, subornando intelectuais, artistas, celebridades e até mesmo internautas para reforçar o falso ativismo e a falsa preciosidade atribuídos erroneamente ao "funk carioca".

Para piorar as coisas, o DJ Sany Pitbull acabou falando uma grande bobagem sobre o "poetinha": “A Adriana acredita que o Vinicius era um cara tão à frente de seu tempo que, se estivesse vivo, estaria fazendo letras para funkeiros”.

Adriana acabou corroborando com tal opinião, infelizmente.  “Eu vejo isso tranquilamente. Assim como não existiria Madonna sem Carmen Miranda, também acho que não existiria o funk sem Vinicius de Moraes. Para mim, ele é o criador do gênero”.

Vinícius de Moraes talvez pudesse ser associado ao funk autêntico brasileiro, de Tim Maia, Cassiano e Hyldon, porque, aí sim, havia uma conexão entre brasileiros juntando samba e jazz da Bossa Nova e brasileiros juntando samba e soul music com o  funk autêntico.

Mas daí a jogar Vinícius de Moraes como "ancestral" de MC Sapão, MC Naldo e MC Coringa são outros quinhentos. Seria como se dissesse que Juscelino Kubitschek é o "ancestral" do empreiteiro corrupto Fernando Cavendish, só porque sua construtora Delta, envolvida nas entranhas do esquema de Carlinhos Cachoeira, esteve comprometida a construir estradas e edifícios.

O novo projeto de Adriana Calcanhoto será mais um em que a aliança entre bregas e a MPB se expressa, mas que como sempre não deixa trabalhos de grande marca nem de qualquer tipo de impacto na música brasileira.

O disco será mais um "fogo de palha" a provocar falsas polêmicas e depois cair no esquecimento, já que nem mesmo o "histórico" dueto de Caetano com Odair José no evento Phono 73, há quarenta anos, conseguiu ter alguma relevância ou deixar qualquer tipo de marca em nossa cultura.

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