sábado, 30 de março de 2013

COMENTÁRIO DE LUIZ ANTÔNIO MELLO SERVE DE CRÍTICA À UOL 89 FM


Sabemos que existe muita diferença entre as comemorações dos 30 anos de surgimento da Fluminense FM e a volta da dita "rádio rock" 89 FM, ambas ocorridas no ano passado.

O evento da Fluminense FM teve debates, relatos, testemunhos, e até mesmo exposição de material relacionado à emissora, apresentando a autêntica rádio de rock para quem nunca a vivenciou de fato, já que muitos mal eram nascidos quando a Flu surgiu e tiveram seus pais ocupados nas 98 FM da vida.

Já o da 89 FM - que pelo jeito não se sente confortável em virar passado e ser condenada ao (merecido) desprezo público - mais parecia o lançamento de uma nova temporada de Malhação, aquele seriado-novela juvenil da Globo, estando mais para uma noitada repleta de famosos e convidados vip.

Dá para perceber muito bem a diferença entre uma rádio que não precisa colocar a palavra "ROCK" mas mantém todo o seu estado de espírito e uma rádio que precisa colocar a palavra "ROCK" nas vinhetas, nos logotipos e na retórica de sua equipe mas nada tem senão um mero vitrolão que nem chega a ser totalmente roqueiro, já que anda discriminando o rock mais antigo e as bandas alternativas.

E para quem pensa que as pessoas que criticam o tipo de "rádio de rock" trabalhado pela UOL 89 FM (e pela 89 antes do hiato de 2006) são meros internautas malcriados, é bom deixar claro que essas críticas, na verdade, partem de gente muito mais informada e gabaritada, incluindo gente que trabalhou muito dentro de rádios autenticamente rock.

E o próprio Luiz Antônio Mello, que dirigiu a Fluminense FM, já havia feito comentário a respeito. E ele tem conhecimento de causa, porque conviveu dentro dos bastidores do rádio, da imprensa, das agências de publicidade e até com profissionais de televisão, portanto foi e é um homem com uma carreira profissional rica e nada fácil, e sua experiência na Fluminense foi aliás uma das mais difíceis e perseverantes.

Portanto, o comentário que Luiz Antônio Mello escreveu na edição de 1999 do livro A Onda Maldita, é bastante contundente para aqueles que estão sintonizados na UOL 89 FM e pensam que aquilo é "o máximo em radialismo rock". Seguem as seguintes palavras:

"Existe um erro clássico nas grandes empresas quando se metem com Rock, que é fazer uma coisa festiva, engraçada, de patricinhas bonitinhas, quando na verdade Rock é Zappa, Rock é Renato Russo, Rock é Beck e Jeff Beck, e Filosofia, Política, Economia, Estudos Sociais, existência, nada a ver com esse mundo perfeito de mulheres deliciosas e chocolates alucinantes que estão associados ao Rock pela mídia convencional".

Portanto, se os fanáticos pela 89 FM e congêneres se sentem incomodados com as críticas que leem na Internet, é bom prestar atenção no que essas críticas se baseiam antes de fazer qualquer trolagem nas redes sociais.

Nenhum comentário: