sábado, 16 de fevereiro de 2013

"TEMOS VAGAS" NÃO GARANTE APARECIMENTO DE NOVOS CAZUZA E RENATO RUSSO


Um conselho para quem quiser formar uma banda de rock bastante criativa no Brasil. EVITE mandar uma gravação para a rádio UOL 89 FM. A emissora, apesar de ser autoproclamada "A Rádio Rock", mostrou que só quer mesmo é saber do hit-parade relacionado com o rock ou coisa parecida.

Pouco importa se a antiga 89 FM havia tocado Fellini, Legião Urbana, Voluntários da Pátria, Barão Vermelho, Titãs das antigas e coisa e tal. Esqueça. A 89 FM, nos anos 80, na sua breve fase "mais legalzinha" (1985-1987), já não era aquela maravilha toda, mas mesmo assim essa fase morreu definitivamente.

Ouvindo o programa "Temos Vagas" - apresentado pelo coordenador da rádio José Carlos Godas, o Tatola, com seu estilo de locução bem "putz-putz", padrão "Jovem Pan 2" - , eu pude constatar que o que rola lá são bandas geralmente muito cordeirinhas, algo meio perdido entre o CPM 22, Natiruts, Detonautas Roque Clube, para não dizer Raimundos ou Charlie Brown Jr..

Na melhor das hipóteses, o que aparece lá, fora os "grandes sucessos" do Rock Brasil dos anos 80 e derivados - como as músicas que a geração 80 gravou nos anos 90 - , aparecem apenas sub-clones do Rappa, também muito carneirinhos e obedientes ao mercado.

Portanto, caro músico de rock brasileiro que queira fazer algum diferencial, DESISTA DA UOL 89 FM. Por favor, desista. Lá é só para quem quer fazer sucesso fácil, tem pressa para aparecer na mídia, e o caminho que lhe espera pouco tem a ver com gente que quer se destacar fazendo música e não sendo famoso sem muito esforço.

Tocando na UOL 89 FM, a banda terá destaque na Folha de São Paulo (sócia da UOL 89 FM), entrará na trilha de Malhação, da Rede Globo, fará turnê com os medalhões do Rock Brasil e aparecerá o tempo todo na MTV. E fará comercial seja de cerveja, seja de automóvel ou cursinho de inglês. E isso é apenas a "parte boa" do sucesso.

O pior estará por vir depois. A banda terá que abrir para bandas de axé-music quando tocar em Salvador, terá que aparecer no Domingão do Faustão, terá que comparecer ao Caldeirão do Huck, além de ter que ir aos mesmos festivais do pessoal brega-popularesco no interior do país. Se for convidado, por exemplo, para o Festival de Barretos, terá que aceitar sem queixas.

Mas coisas piores virão, como tocar com Mr. Catra num programa de auditório, aceitar o Chimbinha dando uma "canja" na guitarra durante um especial de TV, isso quando não há o risco de gravar um dueto com Ivete Sangalo ou Cláudia Leitte num CD. E que o vocalista da banda se prepare, porque o risco dele se tornar namorado de uma paniquete ou ex-BBB é altíssimo.

Portanto, são coisas que não servem para a banda que quer mostrar algum diferencial. Neste caso, o conselho é a banda diferenciada ter paciência e se contentar com a divulgação no YouTube, com chamadas no YouTube e no Facebook. Não precisa se preocupar com rádio, porque o rádio quase todo está decadente, é difícil encontrar uma rádio de rock realmente séria e comprometida com cultura.

Portanto, pedimos ao prezado músico que não se afobe. Não adianta espernear, a UOL 89 FM não irá trazer para o público novos Cazuza e novos Renato Russo. Não trará novos grandes nomes do Rock Brasil que, se aparecerem, correrão por fora. Muitas vezes os melhores caminhos estão em portas estreitas, enquanto as portas escancaradas são muitas vezes trilhas para muitas armadilhas.

Na vida, as melhores lições vêm de experiências nada fáceis. As melhores bandas não buscam o sucesso fácil nem se iludem com falsas oportunidades. Perde-se a chance de "entrar na turma", mas o espírito sai fortalecido a médio prazo.

Tocando na UOL 89 FM, a banda diferenciada terá que, com o tempo, "amaciar" seu som, domesticar sua postura, a ponto daquele primeiro CD de impacto se perder nas lembranças passadas de uma banda que prometia muito, mas acabou cumprindo menos que o prometido. Nunca devemos nos esquecer que a 89 sempre foi uma rádio comercial, impondo sérias e grandes restrições à verdadeira cultura rock.

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