sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

BEAT 98 E SUA CARICATURA DE "CULTURA POPULAR"



O típico exemplo do que pode fazer a ditadura midiática em relação à cultura popular, empastelando-a e tentar transformar as classes populares em caricatura de si mesmas está nas chamadas "rádios populares", que apesar do forte apelo às massas, é geralmente controlada por oligarquias.

A Beat 98, nome de fantasia da velha e famigerada 98 FM, rádio dedicada ao brega-popularesco no Rio de Janeiro, é um desses casos. Enquanto intelectuais que defendem o brega-popularesco fazem vista grossa quanto ao controle acionário das rádios - se acreditarmos neles, pensaríamos que os donos das rádios são seus "singelos" programadores" - o controle empresarial da Beat 98 é de uma conhecida família midiática.

Sim, a Beat 98 é das Organizações Globo, as mesmas que têm como porta-vozes do reacionarismo midiático gente de arrepiar os cabelos como Merval Pereira, Miriam Leitão, Marcelo Madureira e William Waack, e que tem no Jornal Nacional seu principal reduto de hipnose coletiva.

A rádio se torna a maior aliada, do patrimônio dos filhos do "doutor" Roberto Marinho, de toda a propagação do "funk carioca", há muito, muito tempo. Até nos tempos em que Mr. Catra tentava enganar o povo dizendo que "era discriminado pela grande mídia", ele estava rolando adoidado na Beat 98, e era figurinha fácil nos palcos do Caldeirão do Huck, do amigo de Aécio Neves, Luciano Huck.

DJ Marlboro, serviçal dos irmãos Marinho, tem um programa na Beat 98, cujo carro-chefe de sua programação, além do "funk carioca", é o "pagode romântico" e o hip hop norte-americano. Nos anos 80, porém, a 98 FM foi um dos redutos da música brega em geral, tocando Wando, Chitãozinho & Xororó, Fábio Jr. e Amado Batista, além de alimentar o império mercantilista do "injustiçado" Michael Sullivan.

O discurso "pós-moderno" da rádio Beat 98 não consegue enganar muito, e mesmo a blindagem intelectualoide não consegue enfatizar a emissora, que mesmo o discurso mais apologético não consegue creditá-la como "rádio alternativa", "FM independente", "emissora comunitária" e nem sequer desmentir o poder midiático dos irmãos Marinho.

Portanto, a intelectualidade dominante prefere manter-se em silêncio, já que a associação escancarada com as Organizações Globo é evidente quando a Beat 98 transmite suas propagandas nos comerciais das transmissões da Rede Globo no Rio de Janeiro. Se não dá para esconder, a intelligentzia apela para a omissão.

HUMORISMO OFENSIVO

Certa vez, quando eu fazia minha caminhada na orla de Gragoatá, em Niterói, tocava um sucesso de sambrega, de Thiaguinho com participação de Alexandre Pires, dentro daquele clima de "reverências" e "camaradagem" típico do gênero e que mancha nossa cultura através dessa "MPB de mentirinha" sem pé nem cabeça e insuportável de se ouvir em situações sóbrias.

Aí, entrou um número pretensamente humorístico de péssimo gosto, um besteirol sem a menor graça em que um personagem fala com outro no microfone. A peça "humorística" se limitava aos dois personagens trocarem insultos, um dizendo que "um espírito de porco" estava no outro lado da linha e o que estava no sinal telefônico partia para xingações, incluindo palavrões como "seu b...".

Sim, era esse o "show de humor" da Beat 98, cuja falta de graça não difere da charge de Chico Caruso com Dilma Rousseff vendo a boate Kiss pegar fogo e apenas gritar "Santa Maria!". Mas as esquerdas médias devem achar o "número" da Beat 98 "divertido", porque se apoia no rótulo "popular" que, para seus intelectuais ideólogos, é pretexto para apoiar qualquer baixaria que ocorra fora da "casa grande".

Junta-se isso com a péssima programação musical - com direito aos mesmos programas "românticos" enjoados de sempre - , sempre calcada no brega e no comercial dentro do contexto carioca, e vemos que a Beat 98 se insere perfeitamente dentro do cenário da ditadura midiática. Até porque parte da rádio boa parte das trilhas sonoras nacionais da imbecilização coletiva do espetáculo midiotizado.

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