quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

FORA COLLOR, HEIN?

Os tempos mudam, por certos motivos. E vemos agora Lindbergh Farias, o antigo líder estudantil do movimento dos "caras pintadas", como senador em Brasília, agora saudando o ex-presidente Fernando Collor de Mello.

Sim, isso mesmo, o líder do "Fora Collor" agora tornou-se um grande amigo do ex-presidente, que anda seduzindo alguns esquerdistas mais ingênuos, para deleite da imprensa direitista mais reacionária.

É certo que aquele movimento do "Fora Collor" foi meio tendencioso e fraco diante dos protestos estudantis de 1966-1968, mas não se imaginava que Lindbergh passaria a ter uma relação tão cordial com o presidente que ele queria derrubar.

Pelo jeito a pizza anda muito, muito animada.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A IRRESPONSÁVEL DUBLAGEM DE PRODUÇÕES PORTUGUESAS NO BRASIL


Uma coisa digna de piada de brasileiro em Portugal ocorre, mais uma vez. É a dublagem, em português brasileiro, do seriado da TV portuguesa Equador, ficção histórica produzida pelo canal TVI. Ignorando todo o processo de interação entre portugueses e brasileiros, a dublagem reflete a que ponto os brasileiros são vítimas da imbecilização cultural de que tanto descreveu Mino Carta.

As alegações usadas pela TV Brasil (antiga TV Educativa) para a adoção da dublagem - algo semelhante foi feito para uma novela brasileira transmitida pela Rede Bandeirantes - , citadas pela assessora de Ouvidoria da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), Carolina Farah, em resposta ao articulista do Observatório de Imprensa, José Guilherme Alves Martini, parecem à primeira vista "corretas". Eis o que ela escreveu:

"No que diz respeito à dublagem da minissérie Equador, a Superintendência de Programação da TV Brasil esclareceu que a série original em português lusitano não é compreensível para a maioria dos brasileiros – testamos a possibilidade com grupos de telespectadores, focus group – ainda mais se tratando de textos dramatúrgicos. O próprio produtor da série nos propôs, então, que para a mesma atingir o maior número possível de brasileiros o melhor seria dublá-la para o português do Brasil. Havia também a possibilidade de legendá-la mantendo o áudio original, mas isso seria excludente, já que muitas pessoas, em geral mais idosas, têm dificuldades em ler legendas e ver as cenas simultaneamente. Além disso, por sermos uma emissora pública, nosso dever é contemplar a língua pátria e tornar a série mais acessível. São escolhas e decisões tomadas pensando em agradar a grande maioria."

Num país onde os intelectuais acham sinônimo de "elitismo" e "higienismo" desejar a melhoria da cultura do povo pobre, e onde muitos acham natural as escolas públicas simplesmente não funcionarem, o argumento parece "correto" porque usa alegações tipicamente tecnocráticas para "justificar" a ignorância do público.

O próprio José Guilherme lamentou a resposta, destacando que a missão da TV pública deveria estimular a cultura, por não estar sujeita às regras do mercado. Há muito a mídia em geral desqualifica e desnivela as expressões culturais para "atingir o grande público".

O pior é que, no elenco do seriado Equador, há uma figura muito conhecida entre os brasileiros, a atriz portuguesa Maria João Bastos, beldade que passou um bom tempo no Brasil, participando de novelas da Rede Globo e que teve até um "namorico" com a atriz Letícia Spiller, atualmente em Salve Jorge.

Se o fato de Maria João quase ter virado brasileira não estimula que o som original do seriado seja mantido, a situação torna-se então muito séria, e vai contra os princípios de cooperação entre os países lusófonos, já que dublar produções lusitanas, no Brasil, é o mesmo que rir da cara do povo português.

E deve-se levar em conta que os países lusófonos se reúnem periodicamente para discutir as evoluções do idioma. A própria reforma ortográfica de 2012 é resultante de debates ocorridos entre especialistas de diversos países que falam a língua portuguesa acerca das transformações sofridas pela língua nos respectivos países, sejam Portugal, Brasil, Angola ou outros.

Dificuldades de ouvir o português lusitano, bem mais veloz e de pronúncias mais complexas, algo comum entre os brasileiros médios, não é desculpa para a dublagem. Afinal, o hábito cria a familiaridade da audição de sons estranhos. Há casos de pessoas, no Brasil, que aprenderam o inglês apenas ouvindo as rádios de ondas curtas, sem qualquer curso, apenas com a eventual ajuda de um dicionário.

A paciência em ouvir gente que fala o nosso idioma, ainda que de forma mais complexa, é algo que, em uma questão de meses, pode reduzir a incompreensão original. É como ocorre em qualquer bebê, que, não sabendo falar, adquire o hábito, em princípio, com a simples audição das pessoas que o cercam, sobretudo seus pais.

Nos EUA, as produções da TV britânica, quando lá transmitidas, mantém o som original com todo o sotaque carregado dos britânicos. E nem por isso existe qualquer dificuldade ou conflito com isso. No caso da língua portuguesa, produções da TV brasileira são veiculadas em Portugal mantendo totalmente o som original.

Portanto, nada justifica a dublagem de produções portuguesas no Brasil. Isso é adaptar-se à ignorância popular sem que algo seja feito para superá-la. E ver que isso acontece numa TV pública é mais constrangedor, pelas responsabilidades que deveria ter uma TV educativa. Mas hoje a televisão educativa se corrompe pela necessidade de recursos pela via comercial ou política.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

IMBECILIZAÇÃO CULTURAL LANÇA MAIS UMA "SENSAÇÃO DA INTERNET"


O maior truque propagado pelos barões da grande mídia para tentar se livrarem da culpa pela imbecilização cultural é atribuir os novos sucessos aos "fenômenos da Internet". Não bastasse a blindagem intelectual que tenta creditar essa imbecilização como "nova cultura das classes populares", vemos a "indústria cultural" tentando dar a falsa impressão de que essa pseudo-cultura não tem a ver com a grande mídia.

Tem, e muito. Seja de forma direta, seja de forma indireta. Em muitos casos, produtores armam grupos e intérpretes para fazer sucesso. Em muitos outros, pessoas formam carreiras, individuais ou em grupo, de forma espontânea, mas são "educados" pela péssima formação cultural das rádios e TVs popularescas.

O uso da Internet é apenas um teste de marketing. O YouTube não é uma mídia alternativa. Lá cabe de tudo e até o Instituto Millenium possui conta lá. E, se no Brasil há muita gente reacionária usando as redes sociais - dos troleiros aos "urubólogos" - , não dá para creditar as novas mídias digitais como celeiros de supostas rebeliões sócio-políticas, como pregam certos intelectuais.

Com tantas bobagens lançadas no YouTube que viram "sucesso na rede", depois de Stefany Absoluta, Michel Teló e outras coisas dignas da seção "Vergonha Alheia Records" do portal humorístico Kibeloco, agora temos a "nova sensação" chamada MC Federado e Os Lelekes, um dos nomes da modalidade mais comercial do "funk carioca", aquela com letras alegres e eventualmente com muitas "popozudas".

Neste caso, o grupo é integrado apenas por rapazes que, entre 18 e 20 anos, decidiram fazer um "funk" sob a batuta do empresário Dieddy Santana, que afirmou que a agenda do grupo foi "fechada até o início de junho". Segundo Dieddy, eles são originários da mesma comunidade de MC Buchecha, remanescente da dupla Claudinho & Buchecha que integra a "cena" de "funk melody" junto a MC Sapão e MC Naldo.

O que significa que MC Federado e Os Lelekes, assim como Claudinho & Buchecha, vêm da região de Niterói e São Gonçalo, cidades ultimamente castigadas pelo brega-popularesco, mais de vinte anos depois do colapso da rádio de rock Fluminense FM, símbolo da cultura de qualidade niteroiense.

Pior: o grupo de funqueiros vem de Engenhoca, bairro niteroiense vizinho a Barreto, onde passei minha infância. Não digo que é pior por esse aspecto, mas pelo fato de que em 1987, em visita a um colega do Liceu Nilo Peçanha - nessa época eu estava com 16 anos, cheguei a ouvir, numa casa na Rua Dr. March, próximo à Praça Cíber Mendonça, na Venda da Cruz, um ensaio de uma banda de rock.

A banda nunca pude saber o nome, mas naquela Venda da Cruz vizinha a Engenhoca (este bairro gira em torno da Av. João Brasil, a Venda se aproxima da Rua Dr. March e é vizinha de São Gonçalo) seu som era de uma qualidade incrível. Também não me lembro das melodias, mas se fosse por esse som Luiz Carlos Calanca teria contratado imediatamente o grupo para seu selo Baratos Afins.

Mas os tempos são outros, os 94,9 mhz que irradiavam cultura rock de verdade - perto do que foi a Fluminense FM, a UOL 89 FM de hoje parece o Restart - foram manchados com pop dançante e hoje só tem noticinha e opinionismo do qual só se salvam poucos momentos, e Niterói e São Gonçalo foram entregues à podridão da cafonice cultural.

O sucesso dos funqueiros se intitula "Passinho do Volante", que, segundo o jornal O Dia, conta "com mais de 11 milhões de visualizações só do vídeo original e 30 milhões se contarmos as versões". O refrão da música, só para sentir a coisa, é "Aaaaaaaaah lelek lek lek lek lek lek lek lek lek lek". Até o craque Neymar gostou da música e ensaiou uns passinhos. E por acaso Neymar é algum entendedor de cultura?

Evidentemente, as empresas de entretenimento - vamos deixar bem claro que Dieddy Santana é um empresário, algo que a nossa intelectualidade badalada faz vista grossa - fazem um lobby danado para que seus clientes façam sucesso no YouTube.

A grande mídia e sua obsessão ao sensacionalismo ajudam muito, sobretudo nos vídeos de bobagens e gafes - que Fausto Silva define como "vídeocassetadas" - que os apresentadores de TV tolamente definem como "extraídas da Internet", fazendo com que o público médio recorra à rede mundial de computadores só para procurar besteiras.

Mas já se fala que o YouTube anda alimentando o jabaculê brasileiro. É o que disse, no portal Diário do Centro do Mundo, do jornalista Paulo Nogueira, um artigo do músico Emir Ruivo, da banda Aurélio & Seus Cometas, intitulado "A ideia de que um mercado fonográfico cresceria com a Internet se foi".

Criticando o fato do YouTube divulgar o número de visualizações de textos, fato determinante para o estimulo da popularização dos vídeos desse portal e o alimento do mercado jabazeiro, Emir Ruivo disse as seguintes frases:

"Por incrível que possa parecer, este número é o provável responsável pelo crescimento do site. A lógica é simples: você colocou um vídeo lá; quer que ele seja visualizado; divulga a página onde ele está – logo, divulga o Youtube. Desta forma, a empresa se beneficiou de publicidade gratuita como nunca na história deste mundo velho sem porteira.

O mercado fonográfico hoje trabalha única e exclusivamente em torno do deste site. Rádio, TV, revista, jornal, e até outros sites, são perfumaria. O assessor de imprensa do artista busca ser notícia neles, claro, mas para aumentar as visualizações no Youtube – e, assim, o valor do cachê do seu artista."

Por isso é que existem fenômenos como MC Federado e os Lelekes, que nada acrescenta de renovação para nossa música. Trata-se apenas de mais um ítem para o "Vergonha Alheia Records", um sucesso "fogo de palha" como o de Michel Teló, propagado às custas de jogadores de futebol. Talvez depois eles se tornem novos "coitadinhos" acariciados pela proteção paternal da intelectualidade etnocêntrica. Só isso.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A IMPOTÊNCIA DAS RÁDIOS COMERCIAIS "DE ROCK"


Um aspecto muito comum nas rádios comerciais ditas "de rock" é a sua impotência em promover uma programação mais abrangente e que reflete a realidade do público roqueiro mais autêntico. Há muita pose que aumenta demais as expectativas, mas as promessas acabam longe de serem inteiramente cumpridas.

No discurso, existe a falsa impressão de que essas emissoras FM estão dispostas a tudo. A princípio, seus locutores e coordenadores, geralmente de formação bem pop, esperam que músicos, lojistas e jornalistas mais especializados em rock viessem com pitacos, palpites e macetes. Aparentemente, eles aceitam qualquer sugestão e proposta que fosse aproximar a rádio a uma abordagem mais real da cultura rock.

Só que a prática mostra que isso não é fácil. Em primeiro lugar, porque as mudanças são poucas e são feitas de acordo com interesses comerciais, principalmente visando a obtenção de mais pontos no Ibope, em se falando não em rádios segmentadas, mas no ranking geral de emissoras.

As mudanças sempre são poucas, embora aparentemente a emissora ofereça "muitas novidades". São programas "novos" que apenas refletem algumas sugestões de tendências do rock abordadas pela emissora, geralmente colocando algum especialista como apresentador ou produtor. Ou então campanhas "cidadãs" que tentem criar algum diferencial na credibilidade da emissora.

No cardápio diário, o hit-parade roqueiro é apenas "arrumado", colocando alguns sucessos de nomes "um pouco mais difíceis" do rock, dentro daquela perspectiva comercial e da compreensão superficial do rock de seus locutores, produtores e pelo coordenador.

Por exemplo. Uma rádio comercial, de "só sucessos", decide ser "rádio rock" e coloca um repertório "só sucessos" reservado ao gênero, com nomes manjados como Nirvana, Titãs e Faith No More, comerciais tipo Bon Jovi e Outfields, bandas medianas tipo Live e coisas nem tão roqueiras assim como Alanis Morissette. Algum mega-sucesso do Van Halen aqui, outro do U2 acolá, um Midnight Oil inserido aqui ou ali...

De repente, ocorrem as "mudanças". É um programa de "rock mais alternativo" aqui, outro de "clima mais noturno" acolá, programas "especiais" sobre cada intérprete, outro programa com "músicas ao vivo", outro misturando entrevista e "muito rock'n'roll", coisas que na teoria soam grandes mudanças e novidades empolgantes, mas que na prática são mudanças mornas, inexpressivas.

E há também pequenas inserções na programação musical. Poucas, muito poucas, geralmente tomadas como "ganchos". Alguns exemplos:

1) Tocam-se músicas apenas de acordo com os ganchos. Se a música é a versão original de um sucesso tocado em rádios pop, ela é tocada. Se é tema de um blockbuster do cinema norte-americano, idem. Se é um medalhão do rock que chega ao Brasil, mais ainda. Mas geralmente nada além dos grandes sucessos.

2) Toca-se algum rock mais pesado, algum rock mais antigo, algum rock mais alternativo num cardápio musical que, mesmo assim, não se torna mais diversificado, afinal as músicas acabam sendo sempre as mesmas.

3) Há locução e vinhetas em cima das músicas, ainda que seja apenas na parte final, já que ultimamente os locutores geralmente evitam falar na introdução (pegou mal demais). Às vezes as músicas são "editadas" para encurtar duração e o prazer de ouvir as versões originais é perdido.

Isso faz com que a paciência tenha limites. Com o tempo, mesmo essas novidades tornam-se bastante rotineiras. E, por mais que elas tentem melhorar alguma coisa, falta aquela "alma roqueira" que a emissora em questão não tem.

As mudanças acabam soando tendenciosas, as brechas oportunistas, e mesmo a inclusão de nomes mais alternativos ou conceituais do rock não acaba aproximando os ouvintes mais radicais, que ficam cada vez mais desconfiados. Até porque o que essas rádios tocam eles já ouvem em disco ou CD há vários meses ou até anos.

Afinal, ouve-se aquela linguagem pasteurizada que contrasta com aquelas vinhetas em que a palavra "rock" é pronunciada de forma bem apelativa e até forçada, seja "rrrrock" ou "wrock". Aqueles locutores "mauricinhos", com aquela linguagem afrescalhada, aquela dicção quase efeminada dos locutores masculinos, aquele jeitão quase infantil das locutoras femininas, aquele clima "familiar demais", uma certa pieguice...

Isso derruba de vez a pretensão dessa emissora em ser uma rádio de rock séria. As mudanças não são tantas, são muito lentas e sempre limitadas, e o público de rock não gosta de esperar. Aquele garoto de 16 anos não gostaria que essa rádio se aproximasse de algo "decente" só quando ele se tornar um pai de um garoto de 16 anos.

A rádio só acaba sendo prestigiada entre os leigos que não curtem rock, pois para eles a rádio é "roqueira" porque eles nunca se envolveram realmente com a cultura rock. Mas para o público especializado em rock, a rádio chega a ser pop demais...

São esses os problemas que acabam comprometendo rádios como a atual UOL 89 FM, num contexto em que as informações sobre rock são mais acessíveis e rádios autenticamente de rock estrangeiras são ouvidas em larga escala no Brasil.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

VERGONHA É SÃO PAULO TER UMA "RÁDIO ROCK" TIPO A UOL 89 FM



Há alguns meses, o vocalista da banda Ratos do Porão, João Gordo, disse que "era uma vergonha uma metrópole de São Paulo ter só uma rádio de classic rock", julgando "imprescindível" a volta da dita "rádio rock" 89 FM, atual UOL 89 FM.

Evidentemente, muita gente "viajou na maionese" achando que voltou a "verdadeira rádio rock", "a melhor rádio rock do mundo" e outras inverdades. É pessoal muito provinciano mesmo que não entende coisa com coisa, que até acho que essa "nação roqueira" andou ouvindo "funk carioca" e "sertanejo universitário" demais.

Ouvi, com paciência de Jó, a programação da UOL 89 FM na Internet. Procurei conferir a programação da rádio, com a boa vontade de quem quer conferir se esse oba-oba todo era verdade ou não, e sou obrigado a pensar que não. Tudo não passou de pasmaceira, igualzinho criança quando vê gerente de supermercado fantasiado de Papai Noel e acha que é o próprio bom velhinho vindo do Pólo Norte que está lá.

É muita tolice, muita ingenuidade, muita burrice, mesmo. E olha que eu, há 30 anos atrás, com doze anos de idade, me achava um menininho comportado demais para ouvir uma rádio de rock de verdade que era a Fluminense FM. Hoje parece que sou o único a defender o radialismo rock naqueles moldes, mais do que muito surfista sarado e muito headbanger durão.

A UOL 89 FM mais parece uma rádio de menininho, depois de ter sido rádio de menininha entre 2006 e o ano passado. Eu, pessoalmente, preferia que a 89 nunca tivesse voltado, e tenho uma grande vontade de montar uma banda de rock só para NÃO MANDAR MATERIAL PARA A UOL 89 FM.

O repertório é puro hit-parade roqueiro, bastante preconceituoso com a verdadeira essência do rock, já que se limita a tocar uns poucos nomes manjados dos anos 90 para cá, na melhor das hipóteses. Há uma discriminação maior ao rock mais antigo, inadequado para uma rádio que, para o mercado publicitário, se assume, em tese, como uma rádio de "rock em geral" e não de "rock mais novinho".

O playlist é pior do que rádio de shopping center de tão previsível. Você não precisa ouvir a rádio para saber que música de tal banda será tocada. Se for Oasis, geralmente são "Wonderwall" e "Don't Look Back in Anger". Se for Blur, "Boys and Girls" e "Song 2". Se for "Pearl Jam", dificilmente algo além do álbum Ten. Se for Smiths, desista, são só alguns cinco sucessinhos, nada muito além de "The Boy With The Thorn in His Side".

Não dá para gastar energia elétrica ou bateria ouvindo uma bobagem dessas. E, com toda a minha boa vontade em ouvir o tal programa de rock nacional, não engoli o "Temos Vagas", com o tal do Tatola - que fala como se Celso Portiolli soltasse mais a franga - , que há quem veja nele um músico de "punk sério", mas que eu, por bem da lógica, prefiro defini-lo como "ancestral do Pe Lanza".

Não há como aceitar um cara desses, com voz de DJ de pop dançante mais bobo - quem pensou Jovem Pan 2, acertou! - e que fica dizendo coisas do tipo "Voltei de um baladão". Pelo amor de Deus!! Dizer "baladão" numa "rádio rock que nunca deveria ter saído do ar" é dose!! Enfurece até budista!!

Vergonha é ter uma rádio rock dessas numa metrópole como São Paulo. A UOL 89 FM mais parece uma rádio de rock do Acre, encalusurada na mentalidade pop-debiloide que já "queimou" a emissora anos atrás. Por isso mesmo digo que a UOL 89 FM veio para comer poeira, diante da abrangência e da competência das rádios de rock estrangeiras, diante das quais a UOL 89 não passa de uma drag queen radiofônica.

Temos mais acesso às informações, temos mais facilidade de conhecermos coisas antes consideradas raras e difíceis, para vir uma tal "rádio rock" de São Paulo achar que rock clássico é Guns N'Roses e o novo rock se serve por bandinhas de nu metal tipo Young Guns. É falta de neurônios em cérebros sem funcionamento.

Mas para uma rádio que, em sua história, preferiu exaltar o Bloodhound Gang do que se lembrar dos 20 anos sem Jimi Hendrix, que acha Mamonas Assassinas melhor que Legião Urbana, que adota um tipo de locução das mesmas rádios de dance music que diz abominar, dá para entender por que esse deslumbramento todo dessa garotada que só começou a ouvir rock há uns dez anos para cá.

É o brasilzinho que acha que "gênios" da música brasileira são Thiaguinho, Michel Teló, Ivete Sangalo e MC Naldo, que as "popozudas" são o símbolo da "emancipação feminina", que Fernando Collor de Mello é símbolo de "grande estadista". Para quem acha que o palhaço Bozo merece o Nobel da Paz, é evidente que vai achar a UOL 89 FM uma "baita rádio de rock".

Prefiro ficar com meus CDs, com meu MP3, e montar uma seleção livre e correta de canções de rock. A UOL 89 FM é o tipo de rádio que no primeiro dia se acha legalzinha, no segundo se acha entediante e no terceiro já começa a ser irritante. Antes que eu entre em ataque de nervos, prefiro correr por fora. Em memória das antigas rádios de rock dos anos 80 que não faziam gracinha.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

BRASILEIROS DEVERIAM SAIR MAIS À RUA NO COMEÇO DA NOITE


O horário de verão acabou no fim-de-semana passado, e a medida, controversa, é adotada pelo governo para reduzir drasticamente o consumo de energia, na medida em que as noites começam ainda sob o céu claro, que no Sul do país chega a durar até 21 horas.

Alguns lugares não adotaram o horário de verão, como a Bahia, por achar que não há grande vantagem na alteração de hora. Tudo bem. Mas existe um meio muito mais eficaz para a economia de energia elétrica e, quem sabe, para a redução da insegurança nas ruas.

Neste sentido, as tardes poderiam ser prolongadas, socialmente falando, mesmo quando já começa a haver o escuro da noite. As pessoas poderiam aproveirar o horário das 18 às 21 horas para caminharem. Seria melhor não ser um deslocamento frequente dos lares para lojas ou boates ou restaurantes, mas o fato de pessoas saírem de casa para ficarem nas ruas, conversando ou curtindo o ambiente.

Por incrível que pareça, nos bairros populares e nos subúrbios em geral, isso acontece muito. São pessoas que saem de suas casas para ficarem nas ruas, conversando com vizinhos ou amigos, o que torna o retorno das pessoas a esses bairros menos inseguro.

Seria até um estímulo ao convívio social convidar pessoas que costumam ficar em casa para irem à rua. Ou então criar um hábito que estimule pessoas solitárias a fazerem o mesmo. Isso faria uma maior diferença e impediria que certos bairros sejam condenados ao "ermo" já no começo das 18 horas.

Os adultos mais abastados, que possuem maior problema com o lazer - a sobrecarga profissional os impede de pensar em algum meio real de diversão - , preferem ficar isolados em casa nas suas rotinas de ver a televisão e o gasto de energia sem muita necessidade. É ver o noticiário de sempre, as mesmas notícias, para alimentar as conversas pedantes com os amigos no próximo fim de semana.

Que mal tem, por exemplo, encher a orla marítima de gente? Até nas tardes de sábado, há mais gente isolada no alcoolismo dos bares do que nos calçadões da praia? A caminhada da orla seria mais saudável, seria um aprendizado ao contato com a natureza, e com mais gente na orla marítima os poucos transeuntes que fazem cursos noturnos não precisam andar com medo por certas ruas.

Por isso, seria muito melhor que se estimulassem, mesmo depois do horário de verão, que pessoas prolonguem suas tardes no começo da noite. No próximo verão de Salvador, por exemplo, espera-se que se veja mais gente pela orla, altas caminhadas às 20 horas no Jardim de Alah e até no Aeroclube. Com muito mais gente nas ruas, pode ser que a maioria dos assaltantes e estupradores ficaria intimidada.

Portanto, comecem a noite desejando uma BOA TARDE.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

"TEMOS VAGAS" NÃO GARANTE APARECIMENTO DE NOVOS CAZUZA E RENATO RUSSO


Um conselho para quem quiser formar uma banda de rock bastante criativa no Brasil. EVITE mandar uma gravação para a rádio UOL 89 FM. A emissora, apesar de ser autoproclamada "A Rádio Rock", mostrou que só quer mesmo é saber do hit-parade relacionado com o rock ou coisa parecida.

Pouco importa se a antiga 89 FM havia tocado Fellini, Legião Urbana, Voluntários da Pátria, Barão Vermelho, Titãs das antigas e coisa e tal. Esqueça. A 89 FM, nos anos 80, na sua breve fase "mais legalzinha" (1985-1987), já não era aquela maravilha toda, mas mesmo assim essa fase morreu definitivamente.

Ouvindo o programa "Temos Vagas" - apresentado pelo coordenador da rádio José Carlos Godas, o Tatola, com seu estilo de locução bem "putz-putz", padrão "Jovem Pan 2" - , eu pude constatar que o que rola lá são bandas geralmente muito cordeirinhas, algo meio perdido entre o CPM 22, Natiruts, Detonautas Roque Clube, para não dizer Raimundos ou Charlie Brown Jr..

Na melhor das hipóteses, o que aparece lá, fora os "grandes sucessos" do Rock Brasil dos anos 80 e derivados - como as músicas que a geração 80 gravou nos anos 90 - , aparecem apenas sub-clones do Rappa, também muito carneirinhos e obedientes ao mercado.

Portanto, caro músico de rock brasileiro que queira fazer algum diferencial, DESISTA DA UOL 89 FM. Por favor, desista. Lá é só para quem quer fazer sucesso fácil, tem pressa para aparecer na mídia, e o caminho que lhe espera pouco tem a ver com gente que quer se destacar fazendo música e não sendo famoso sem muito esforço.

Tocando na UOL 89 FM, a banda terá destaque na Folha de São Paulo (sócia da UOL 89 FM), entrará na trilha de Malhação, da Rede Globo, fará turnê com os medalhões do Rock Brasil e aparecerá o tempo todo na MTV. E fará comercial seja de cerveja, seja de automóvel ou cursinho de inglês. E isso é apenas a "parte boa" do sucesso.

O pior estará por vir depois. A banda terá que abrir para bandas de axé-music quando tocar em Salvador, terá que aparecer no Domingão do Faustão, terá que comparecer ao Caldeirão do Huck, além de ter que ir aos mesmos festivais do pessoal brega-popularesco no interior do país. Se for convidado, por exemplo, para o Festival de Barretos, terá que aceitar sem queixas.

Mas coisas piores virão, como tocar com Mr. Catra num programa de auditório, aceitar o Chimbinha dando uma "canja" na guitarra durante um especial de TV, isso quando não há o risco de gravar um dueto com Ivete Sangalo ou Cláudia Leitte num CD. E que o vocalista da banda se prepare, porque o risco dele se tornar namorado de uma paniquete ou ex-BBB é altíssimo.

Portanto, são coisas que não servem para a banda que quer mostrar algum diferencial. Neste caso, o conselho é a banda diferenciada ter paciência e se contentar com a divulgação no YouTube, com chamadas no YouTube e no Facebook. Não precisa se preocupar com rádio, porque o rádio quase todo está decadente, é difícil encontrar uma rádio de rock realmente séria e comprometida com cultura.

Portanto, pedimos ao prezado músico que não se afobe. Não adianta espernear, a UOL 89 FM não irá trazer para o público novos Cazuza e novos Renato Russo. Não trará novos grandes nomes do Rock Brasil que, se aparecerem, correrão por fora. Muitas vezes os melhores caminhos estão em portas estreitas, enquanto as portas escancaradas são muitas vezes trilhas para muitas armadilhas.

Na vida, as melhores lições vêm de experiências nada fáceis. As melhores bandas não buscam o sucesso fácil nem se iludem com falsas oportunidades. Perde-se a chance de "entrar na turma", mas o espírito sai fortalecido a médio prazo.

Tocando na UOL 89 FM, a banda diferenciada terá que, com o tempo, "amaciar" seu som, domesticar sua postura, a ponto daquele primeiro CD de impacto se perder nas lembranças passadas de uma banda que prometia muito, mas acabou cumprindo menos que o prometido. Nunca devemos nos esquecer que a 89 sempre foi uma rádio comercial, impondo sérias e grandes restrições à verdadeira cultura rock.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

BREGA POSSUI CONCEITOS DE IDENTIDADE E ALTERIDADE CONFUSOS


Apesar da intelectualidade fazer vista grossa, não foi difícil para os barões da grande mídia apostarem no brega. Música de fácil concepção e baixo investimento, de aparente apelo popular e bem de acordo com as regras do mercado, o brega nem de longe está a ser uma "revolução cultural" de que sonha os "pensadores" mais baladados de nosso país.

O brega tem noções de identidade cultural e de alteridade bastante confusos. Primeiro, porque não passa de uma "colcha de retalhos" onde se absorve, de forma confusa, instintiva mas não raciocinada, uma gama diversa e contraditória de referenciais radiofônicos do momento, mas tardiamente traduzidos numa música comercial, geralmente romântica, que depois se torna sucesso nessas mesmas rádios.

Segundo, porque o brega segue uma perspectiva provinciana, onde as tensões entre o caipira e o urbano, o tradicional e o moderno, não são resolvidas, do contrário que se vê nas manifestações genuinamente artísticas e culturais. O brega prefere não resolver essas tensões, como também não revolve as tensões entre o "eu" e o "outro".

E esse é o problema que fez a má fama do brega até hoje, apesar da blindagem intensa feita pela grande mídia e pelo lobby intenso feito por uma geração de intelectuais que superestima o aval que o mainstream tropicalista havia dado aos bregas, a partir de Caetano Veloso.

O brega não é criativo porque nada oferece de novo. Ele é constituído sempre de expressões tardias de tendências musicais diversas, muito mal assimiladas e trabalhadas de forma caricata e estereotipada. O brega sempre é o último a saber, a cafonice é expressão de atraso social, o brega nunca é vanguarda porque é retaguarda. O brega é lanterna, não é farol.

Sabemos que a ideologia brega se vale de um cenário ingrato para as classes populares, que soa estranho o apoio que recentemente as esquerdas médias haviam feito ao brega, classificando-o erroneamente como "libertário" e "vanguardista".

Afinal, a ideologia brega se vale sempre numa posição subalterna da população pobre, sendo o primeiro manifesto de glamourização da pobreza feito pela mídia desde 1964. Ela se baseia no subemprego, no comércio clandestino, no alcoolismo, na prostituição, na baixa autoestima, nos lamentos resignados dos problemas cotidianos, no conformismo, no consumismo, no escapismo.

Culturalmente, ele não manifesta identidade cultural alguma. Até porque brega é brega seja no Pará ou em São Paulo, podendo surgir ídolos rigorosamente iguais, sem qualquer identidade regional. Há a submissão ao que o poder radiofônico regional impõe como valores artísticos e culturais, sabendo que, no interior do país, essas rádios são controladas pelo poder coronelista que domina essas regiões.

CONFLITO ENTRE O "EU" E O "OUTRO"

Portanto, a "identidade" do brega é determinada pelo "coronel" que estabelece sua influência em rádios regionais e até serviços de auto-falantes, em revistas e jornais regionais, em emissoras de televisão. Ou seja, isso significa um conflito entre identidade e alteridade que nem de longe se torna resolvido.

Esse conflito entre o "eu" e o "outro" no brega se dá de diversas formas. Os primeiros sucessos bregas, a partir de nomes como Waldick Soriano, por exemplo, não sabiam se eram boleros ou canções country, pois os arranjos, em vez de fundirem harmoniosamente os dois estilos, tentam ser vagamente um e outro ao mesmo tempo.

O brega tenta ser "estrangeiro" de forma bem provinciana, e tenta ser "brasileiro" de uma forma "entreguista". São problemas que fazem sua expressão se tornar vazia de sentido, só permitindo o sucesso do brega por conta do apoio dado pelo poder midiático local e nacional e pela crise sócio-cultural vivida pelo povo brasileiro durante a ditadura militar.

O brega também é aquele cidadão de baixa renda conformado com seus problemas sociais. E que tenta ser burguês de maneira caipira, um matuto arrumadinho, que os intelectuais de forma tão paternalista confundiam com a imagem de gente simples.

É manifesta no brega uma sub-criatividade que não é essencialmente criativa, mesmo considerando processos de recriações a partir do já feito. Isso porque o brega é confuso nesse conflito entre alteridade e identidade, entre moderno e ultrapassado, entre regional e estrangeiro. E por que, na era da Internet, o brega conseguiu se reciclar ao invés de desaparecer?

PODER MIDIÁTICO TAMBÉM É ATRASADO

O brega se reciclou porque as relações políticas e midiáticas que apoiaram essa música se reciclaram no poder. Segmentos políticos civis que apoiaram a ditadura militar conduziram a redemocratização e apoiaram governos como os de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso.

O então presidente José Sarney, nos anos 80, e seu ministro Antônio Carlos Magalhães, ambos notáveis chefões oligárquicos de seus Estados, favoreceram o surgimento e o crescimento de rádios que ampliaram o sucesso comercial e a "diversificação" das tendências derivadas do brega, fortalecendo os simulacros "regionais" que os interesses turísticos fizeram serem implantados em locais como Bahia, São Paulo e Pará.

O crescimento da influência "nacional" na música brega, feito não somente para amenizar críticas, mas também a atender a interesses turísticos forjando uma "diversidade cultural", se deu sobretudo quando a ditadura militar precisava de modismos que reafirmassem nacional e regionalmente seus projetos políticos, através da música.

Assim, veio o "sambão-joia" de nomes como Benito di Paula, como reafirmação do ufanismo brasileiro de 1968-1974, que depois inspirou as diluições da música caipira nos anos 70 e na implantação de ritmos caribenhos no Pará. E que deu, em seguida, na lambada e na axé-music, além de outras experiências derivadas que hoje conhecemos.

Essa ampliação do brega-popularesco se deu porque temos uma mídia atrasada, um mercado atrasado, atrelados a interesses compartilhados pelo latifúndio, mesmo quando se tratam de zonas urbanas ou mesmo quanto ao ensino universitário. É o mesmo poder que, no âmbito do jornalismo político, revela pessoas de visão antiquada como Merval Pereira, Reinaldo Azevedo e Eliane Cantanhede.

É por causa desse poder econômico, político e midiático, que ainda por cima apoia o capitalismo estrangeiro, que temos hoje a expansão do brega-popularesco e o enfraquecimento mercadológico da MPB que floresceu no começo dos anos 60. Último reduto de um país que pensava o nacional-popular de verdade, a MPB autêntica hoje é discriminada pela mídia e pelo mercado.

E quem contribui com isso é uma intelectualidade dominante de hoje que havia se formado a partir de um projeto ideológico calcado na Teoria da Dependência de Fernando Henrique Cardoso, cuja influência é bastante forte mesmo diante de posições falsamente progressistas como as do mineiro Eugênio Arantes Raggi e do paranaense-paulista Pedro Alexandre Sanches.

Essa intelectualidade também é atrelada à mídia, não bastasse seu vínculo - se não formal, pelo menos no legado ideológico - com o demotucanato político-acadêmico. E essa intelectualidade não está fora desse contexto de atraso em que vive a mídia, a política e o mercado no Brasil.

Afinal, todos eles querem o brega, porque ele faz o povo brasileiro perder suas identidades com um relativismo viciado onde não se sabem os limites entre o "eu" e o "outro". Em outras palavras, transforma nossa crise de identidade num conformismo com cacoetes pós-modernos.Culturalmente enfraquece o povo, mesmo com a falsa impressão de que ele é "bem valorizado".

Isso viciou o gosto popular, enriqueceu o mercado e, acima de tudo, legitimou o poder político, econômico e midiático que sempre apoiaram a "cultura" brega e seus derivados, não só na música, como também no comportamento, cheio de jornalismo policialesco, "popozudas" e pobretões estereotipados pelo humorismo da grande mídia.

Portanto, o brega, como um todo, destruiu o nosso país. Ultimamente, tenta-se recuperar o Brasil no âmbito econômico, mas se nada for feito para superarmos a breguice cultural, não "desbregalizando" o brega, mas rompendo com sua hegemonia cultural, o Brasil continuará culturalmente subdesenvolvido. E isso o deixará longe de ser uma verdadeira potência mundial. Povo fraco, país fraco.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

ALCKMIN E A PUBLICIDADE INFANTIL


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Sempre insensível ao interesse público, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, decidiu vetar um projeto de lei que regulamentava, em caráter estadual, a veiculação e produção de publicidade ligada ao consumo de alimentos gordurosos e açucarados por crianças e adolescentes.

Com o veto, Alckmin preferiu se sujeitar ao poderio do mercado, em vez de permitir que sejam difundidas campanhas educativas sobre o risco de doenças e de subnutrição causado pelo consumo imoderado de alimentos com altos teores de gordura saturada e açúcar, entre outras substâncias que podem causar doenças.

Infelizmente, a grande mídia, alegando "inconstitucionalidade" no projeto de lei de Rui Falcão, confundiu campanhas educativas com "intervenção estatal", preferindo que se libere para as crianças o consumo irresponsável de alimentos gordurosos e com bastante açúcar, em vez de estabelecer um controle em benefício à saúde.

Afinal, o projeto de lei não quer proibir o consumo desses alimentos, mas evitar o consumo excessivo dos mesmos, que podem causar, no futuro, doenças como diabetes e enfarte, podendo abreviar a vida de muitos adultos.

Alckmin e a publicidade infantil

Por Altamiro Borges - Blog do Miro

Sempre com a desculpa esfarrapada da defesa da “livre mercado”, o governador Geraldo Alckmin vetou na semana passada o projeto de lei de autoria do deputado Rui Falcão (PT) que regulamentava a publicidade dirigida às crianças e adolescentes de alimentos e bebidas pobres em nutrientes e com alto teor de açúcar, gordura saturada ou sódio. Na prática, como afirmou o parlamentar petista, o tucano “se rendeu aos interesses das indústrias em vez de combater o consumo de alimentos prejudiciais à saúde das crianças”.

O projeto de lei tinha sido aprovado na Assembleia Legislativa de São Paulo em dezembro passado, com o apoio de entidades de defesa do consumidor e dos direitos das crianças. Ele proibia a propaganda nas emissoras de rádio e tevê de produtos nocivos à saúde entre 6 e 21 horas. Ele também vetava o uso de celebridades na publicidade infantil. Outro projeto, também em tramitação na Alesp, impede o uso de brinquedos promocionais, a distribuição de brindes e a venda casada de lanches em restaurantes e lanchonetes.

Dados do IBGE comprovam que 30% das crianças brasileiras apresentam sobrepeso e 15% delas já são obesas. Já segundo uma recente pesquisa do Datafolha, quase 80% dos pais acredita que a publicidade de alimentos não saudáveis prejudica os hábitos alimentares de seus filhos e 76% são favoráveis a algum tipo de restrição à publicidade direcionada para crianças. Mesmo assim, o governador tucano preferiu garantir os lucros das empresas anunciantes, das agências de publicidade e dos donos dos veículos de comunicação.

Não é para menos que a mídia “privada” – tão preocupada com a saúde dos brasileiros – evitou criticar o veto. Alguns, mais caraduras, até elogiaram o tucano. O Estadão, por exemplo, publicou editorial em 4 de fevereiro, intitulado “Iniciativa sensata”,  parabenizando Alckmin. Para o jornalão, a discussão sobre a publicidade infantil “não é nova e tem sido influenciada por argumentos políticos e ideológicos”. O projeto de lei do deputado Rui Falcão, segundo o jornalão, era demagógico e visava “desgastar o governador”.

“O consumo de alimentos industrializados com alto teor de sal, açúcar e gordura é um hábito da população. Em vez de tentar mudá-lo por meio de campanhas educativas, partidos de esquerda e movimentos sociais defendem a intervenção estatal na iniciativa privada, especialmente nas atividades de marketing e publicidade. Ao vetar uma lei estadual inconstitucional e concebida com indisfarçável viés político e ideológico, que considera os pais incapazes de proteger seus filhos e autoriza o Estado a intervir na vida privada das famílias, Alckmin agiu com sensatez”, conclui o diário da famiglia Mesquita. 

Na prática, por omissão ou pressão, a mídia privada agiu em favor do veto. Ela se juntou à Associação Nacional de Anunciantes, ligada às agências de publicidade, que anunciou no final do ano que ingressaria com uma ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF), caso a lei fosse sancionada pelo governador. A Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão (Abert) também questionou o projeto aprovado pela Assembléia Legislativa. O tucano Geraldo Alckmin apenas se rendeu ao interesse do capital!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

MUSAS DE VERDADE FAZEM DIFERENÇA NO CARNAVAL

AS BELAS CRIS VIANNA E JULIANA ALVES - AUTÊNTICAS E BATALHADORAS.


Ultimamente, o Carnaval, pelo menos nas principais capitais do país, foi entregue a um comercialismo voraz, que, no caso do Rio de Janeiro e de São Paulo, transformou os sambas em expressões da mesmice na qual se salvam poucas exceções.

Já não são mais os sambas marcados pela criatividade natural para a folia, mas enredos encomendados que, em si, não representam mal algum. O problema é que eles viraram uma fórmula, onde cada vez mais os andamentos, as estrofes e os refrões se tornam cada vez mais repetitivos.

No que se diz as rainhas da ala da bateria, musas que dançam diante dos músicos que batucam durante o andamento do desfile, o "mercado" também sofre com a concorrência de musas de verdade com outras que apenas expressam a vulgaridade das mulheres-objetos, e que passam o ano inteiro "esbanjando" todo o seu vazio intelectual e toda a mesmice de uma "sensualidade" forçadamente mostrada.

No lado das musas de verdade, vimos o destaque que Luíza Brunet, a supermodelo dos anos 80 que mantém sua beleza deslumbrante até hoje, teve nos desfiles de escolas de samba. E hoje vemos as atrizes Cris Vianna e Juliana Alves, ambas na foto acima, mostrando o esplendor e o charme da mulher negra brasileira.

Mas o "mercado" também se serve da vulgaridade de "beldades" como Andressa Urach, Gracyanne Barbosa, Viviane Araújo, Valesca Popozuda e Mayra Cardi. Os desfiles de escolas de samba tornam-se as vitrines dessas pretensas musas, talvez alguma "justificativa" para a fama delas.

Para estas moças, desfilar em escolas de samba é o refúgio "substancial" de uma pseudo-sensualidade obsessiva, uma única atividade "útil" para elas, diante da falta de algo a dizer ou fazer. E isso as faz em desvantagem das duas citadas atrizes, pois sabemos o quanto Cris e Juliana são autênticas, batalhadoras e bastante talentosas.

Juliana Alves não pode ser vista como cria do Big Brother Brasil, tal qual a Mayra Cardi. Afinal, Juliana, a exemplo dos ex-BBBs Grazi Mazzafera e Jean Wyllys, possuem trabalhos e trajetória própria até antes de entrarem no programa, e mostram talento e competência.

A competição parece "harmoniosa", mas as musas vulgares querem levar uma vantagem na qual na verdade não possuem. No fundo, as musas da vulgaridade precisam se destacar nos desfiles carnavalescos para ter algum motivo para aparecerem na mídia. Por alguns dias, elas tentam fazer alguma coisa.

Depois do Carnaval, saberemos que Cris Vianna e Juliana Alves, além de outras musas autênticas, seguirão seus trabalhos, suas carreiras, buscando aperfeiçoar suas atividades e não satisfazerem com a realização dos desfiles, uma vez que elas, conscientes de seu talento e vocação, sabem que é preciso aprender muito a cada dia, o que fazem muito bem.

Já as "popozudas", após a folia carnavalesca, voltarão a "mostrar demais" na mídia, sempre em aparições constrangedoras, repetitivas e grotescas. O que mostra que "mostrar demais" não é sinônimo de "mostrar melhor".

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

BEAT 98 E SUA CARICATURA DE "CULTURA POPULAR"



O típico exemplo do que pode fazer a ditadura midiática em relação à cultura popular, empastelando-a e tentar transformar as classes populares em caricatura de si mesmas está nas chamadas "rádios populares", que apesar do forte apelo às massas, é geralmente controlada por oligarquias.

A Beat 98, nome de fantasia da velha e famigerada 98 FM, rádio dedicada ao brega-popularesco no Rio de Janeiro, é um desses casos. Enquanto intelectuais que defendem o brega-popularesco fazem vista grossa quanto ao controle acionário das rádios - se acreditarmos neles, pensaríamos que os donos das rádios são seus "singelos" programadores" - o controle empresarial da Beat 98 é de uma conhecida família midiática.

Sim, a Beat 98 é das Organizações Globo, as mesmas que têm como porta-vozes do reacionarismo midiático gente de arrepiar os cabelos como Merval Pereira, Miriam Leitão, Marcelo Madureira e William Waack, e que tem no Jornal Nacional seu principal reduto de hipnose coletiva.

A rádio se torna a maior aliada, do patrimônio dos filhos do "doutor" Roberto Marinho, de toda a propagação do "funk carioca", há muito, muito tempo. Até nos tempos em que Mr. Catra tentava enganar o povo dizendo que "era discriminado pela grande mídia", ele estava rolando adoidado na Beat 98, e era figurinha fácil nos palcos do Caldeirão do Huck, do amigo de Aécio Neves, Luciano Huck.

DJ Marlboro, serviçal dos irmãos Marinho, tem um programa na Beat 98, cujo carro-chefe de sua programação, além do "funk carioca", é o "pagode romântico" e o hip hop norte-americano. Nos anos 80, porém, a 98 FM foi um dos redutos da música brega em geral, tocando Wando, Chitãozinho & Xororó, Fábio Jr. e Amado Batista, além de alimentar o império mercantilista do "injustiçado" Michael Sullivan.

O discurso "pós-moderno" da rádio Beat 98 não consegue enganar muito, e mesmo a blindagem intelectualoide não consegue enfatizar a emissora, que mesmo o discurso mais apologético não consegue creditá-la como "rádio alternativa", "FM independente", "emissora comunitária" e nem sequer desmentir o poder midiático dos irmãos Marinho.

Portanto, a intelectualidade dominante prefere manter-se em silêncio, já que a associação escancarada com as Organizações Globo é evidente quando a Beat 98 transmite suas propagandas nos comerciais das transmissões da Rede Globo no Rio de Janeiro. Se não dá para esconder, a intelligentzia apela para a omissão.

HUMORISMO OFENSIVO

Certa vez, quando eu fazia minha caminhada na orla de Gragoatá, em Niterói, tocava um sucesso de sambrega, de Thiaguinho com participação de Alexandre Pires, dentro daquele clima de "reverências" e "camaradagem" típico do gênero e que mancha nossa cultura através dessa "MPB de mentirinha" sem pé nem cabeça e insuportável de se ouvir em situações sóbrias.

Aí, entrou um número pretensamente humorístico de péssimo gosto, um besteirol sem a menor graça em que um personagem fala com outro no microfone. A peça "humorística" se limitava aos dois personagens trocarem insultos, um dizendo que "um espírito de porco" estava no outro lado da linha e o que estava no sinal telefônico partia para xingações, incluindo palavrões como "seu b...".

Sim, era esse o "show de humor" da Beat 98, cuja falta de graça não difere da charge de Chico Caruso com Dilma Rousseff vendo a boate Kiss pegar fogo e apenas gritar "Santa Maria!". Mas as esquerdas médias devem achar o "número" da Beat 98 "divertido", porque se apoia no rótulo "popular" que, para seus intelectuais ideólogos, é pretexto para apoiar qualquer baixaria que ocorra fora da "casa grande".

Junta-se isso com a péssima programação musical - com direito aos mesmos programas "românticos" enjoados de sempre - , sempre calcada no brega e no comercial dentro do contexto carioca, e vemos que a Beat 98 se insere perfeitamente dentro do cenário da ditadura midiática. Até porque parte da rádio boa parte das trilhas sonoras nacionais da imbecilização coletiva do espetáculo midiotizado.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

HOMENS "NASCIDOS NOS 1950" NO BRASIL: UM CASO ESTRANHO


Os homens que nasceram nos anos 50 no Brasil são um caso estranho. Se escolhem ser surfistas, ativistas estudantis e músicos de rock, eles permanecem fiéis ao seu ideal de jovialidade e juventude espiritual adequados ao contexto do tempo de suas vidas.

Já quem decide ser profissional liberal, executivo ou empresário, se fecha no tempo. Quando em idade universitária, no começo de seus 20 anos - geralmente no começo da década de 1970 - , se deslumbram com o tipo de quarentão que eles entenderam ser sinônimo de sucesso, geralmente um coroa grisalho com mais de 45 anos, enrugado e vestido terno e gravata ou roupa de gala e com uma taça de uísque na mão.

Nem adianta desposarem com moças mais jovens - geralmente bebês ou recém-nascidas naqueles idos dos anos 70 - que eles se fecham ainda mais no tempo. E, talvez por vergonha de terem esposas mais novas, tentam ser mais velhos do que realmente são.

Daí a estranheza. Numa mesma geração, por um lado, vemos homens que sentiram a noção de liberdade e prazer e que chegam aos 60 anos com total desenvoltura de garotões sem medo de amadurecer e de coroas sem medo de serem jovens. Sempre tiveram contato com jovens o tempo todo, e até o contato com a natureza continua sendo poético e saudável.

Por outro lado, em contrapartida, vemos homens que se trancaram, desde os anos 80, em seus escritórios e consultórios, perdem a noção de jovialidade. E, quando chegaram aos 50 e 55 anos, tentaram parecer mais velhos do que são, até pela vergonha inconsciente de terem se casado com moças mais jovens, uns 10, 15 e até 20 anos a menos que eles.

Mas aí eles, assim que precisam manter esses casamentos - geralmente segundos, terceiros ou quartos - para evitar mais um fracasso conjugal, eles também, na medida em que se tornam grisalhos e enrugados (e até irresponsavelmente barrigudos, pois na juventude eram até franzinos ou tinham porte atlético), tentam parecer à imagem e semelhança de seus pais, patrões e professores, estes geralmente nascidos nos 1930.

E aí, haja pedantismo. Só por uma especialização médica, por um êxito empresarial, por algum sucesso administrativo ou advocacional, nossos coroas born in the 50s acham que podem se equiparar aos homens mais velhos. Nem todo homem consegue compreender referenciais anteriores ao seu tempo. Não é um Ruy Castro que aparece em qualquer consultório de oftalmologia ou ginecologia nem em qualquer empresa.

Aí, coisas que parecem "admiráveis" são constrangedoras, para quem conhece melhor as coisas. Uma compreensão pedante do jazz, como uma coisa necessariamente de festas de black tie, é um equívoco que os mais jovens não compreendem, pois a estrutura musical do jazz não está relacionada a festas de gala e estas também não são necessariamente eventos de jazz.

Outra coisa é a tentativa de se aproximar de referenciais aos quais eles existiam quando eles eram ainda bebês. Por exemplo, um homem nascido em 1953, 1954 praticamente só teve contato com a sofisticada revista Senhor quando rabiscava os exemplares de seus pais, isso quando eles compraram a revista. Se não compraram, não há como um coroa de hoje dizer que ele era "do tempo da revista Senhor".

No colunismo social, vi que, nos últimos 10 anos, esses homens se comportavam como se ainda vivessem no tempo de Jacinto de Thormes, o colunista social "clássico" - apesar de trabalhar num jornal popular e progressista como a Última Hora - , numa época em que as colunas sociais de hoje mostram jovens atores andando de skate com bermudão e tênis.

Pelo comportamento "glamouroso" que nossos coroas empresários, executivos e profissionais liberais fazem, eles parecem procurar, até hoje, os escombros da finada boate Vogue, destruída por um incêndio em agosto de 1955. Não gerou tantas vítimas fatais quanto a boate Kiss de Santa Maria (RS) recentemente, mas gerou muita notícia e muito pesar.

Eles tentam cortejar as gerações intelectuais mais velhas - num tempo em que era fácil, pelo menos no antigo Distrito Federal, o Rio de Janeiro, encontrar intelectuais se reunindo em grupos nos bares da Zona Sul - , como se estivessem presentes e participassem das conversas. Sem chance. Naqueles tempos, a única preocupação dos born in the 50s era brincar em algum parquinho de seu agrado.

E aí tentam se equiparar a um Millôr Fernandes, a um Tom Jobim. Tentam ler Paulo Francis como quem lia uma revista da Luluzinha. Mas não chegam a encarar um Otto Maria Carpeaux. Muito erudito. Nelson Werneck Sodré? Muito esquerdista para seu gosto. Cartuns do Carlos Estevão? Não, muito anárquicos. E será que eles se lembram do "Micróbio do Rock" de Adilson Ramos?

Eu nasci em 1971. Mas é muito mais fácil eu saber dos anos 50 e 60 do que a turma "mais elegante e culta" de 1950-1955 saber dos anos 80. Um Roberto Justus da vida ignora que pelo menos dois homens de sua idade - o jornalista Luiz Antônio Mello e o cantor e radialista Kid Vinil - formataram o espírito dos anos 80, aquele que os empresários, executivos e profissionais liberais nascidos nos 1950 acham "muito infantis".

Mas nem mesmo o rock dos anos 50 e começo dos anos 60 lhes é de seu conhecimento. Mas, no fundo, nem a revista Senhor, nem os livros de Otto Maria Carpeaux, e nem sequer a revista O Pif Paf de Millôr Fernandes são de conhecimento vivenciado dos coroas aqui comentados.

Elvis Presley eles conhecem por umas cinco músicas mais conhecidas. Os Beatles eles só querem saber de umas baladas mais "comportadas" ou "reflexivas", seja "Michelle" ou "Something", "In My Life" e "The Long and Winding Road". E acham ainda que os Beatles foram um grupo isolado de seu cenário de rock britânico. Balelas.

Os Beatles se relacionaram com os Rolling Stones, Who, Led Zeppelin, Cream, Deep Purple, Jimi Hendrix Experience (o músico era norte-americano, mas o grupo foi formado na Inglaterra), Animals, Hollies, Manfred Mann, Yardbirds etc. Se vissem uma foto recente com Paul McCartney e Keith Richards conversando como velhos camaradas, ficariam assustados.

Daí que os nossos coroas preferem viajar para a Itália e evitar o Reino Unido. Pelo menos lembra o Candelabro Italiano, filme de sucesso em 1962, acessível até à criançada da época. Se nem nomes emergentes do rock de 1958 como Buddy Holly e Eddie Cochran a turma "granfina" da safra 1950-1955 não quer saber, eles pelo menos, correndo para Roma com suas "meninas" (esposas), eles se consolam com o contato com o antigo, com o romântico, que os anestesia depois da rotina profissional.

E assim essa turma começa, desde 2010, a entrar em contato com os 60 anos. Mas não serão idosos comuns. Serão homens querendo sobreviver hoje com um perfil de meia-idade fora do seu tempo, por mais que as jovens esposas de boa parte desses homens tenha referenciais mais modernos. Enquanto isso, Serginho Groisman amadurece sem perder a jovialidade.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A IDEIA DE QUE UM MERCADO FONOGRÁFICO HONESTO CRESCERIA COM A INTERNET SE FOI

STEFANY ABSOLUTA, cantora de forró-brega - Exemplo do jabaculê que rola na Internet.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O texto abaixo derruba de vez a tese de que as "novas mídias digitais" iriam provocar a revolução fonográfica, que eliminaria o jabaculê e tudo o mais. O jabaculê cresceu, as redes sociais se tornaram redutos de muitas bobagens que fazem grande sucesso na Internet e até mesmo o mercado brega-popularesco agora se alimenta primeiro com as execuções no YouTube para depois jogar nas rádios "populares" e na televisão.

A ideia de que um mercado fonográfico honesto cresceria com a internet já se foi

Por Emir Ruivo - Diário do Centro do Mundo

Eis que recebo um e-mail. Um site de música sertaneja vinculado a um portal dos mais populares me oferece reportagens sobre alguns artistas que ficaram sabendo que eu produzi. Sigo a leitura e noto que eles não estão interessados nos artistas de fato – querem é vender as reportagens. Eis um trecho:

“Neste pacote estão inclusos 4 posts mensais sobre seu artista no site X. A notícia pode ser sobre agenda, shows, download de música, foto, divulgação das redes sociais”. (…) “Além de serem publicados no X, sobem automaticamente para o portal Y no canal ‘Últimas Notícias’ dando maior visibilidade ao seu artista”.

Isso é o que se chama “mídia cooperada”. Nos termos populares, “jabá”. Com o crescimento da internet, acreditava-se que isso iria sumir. Está claro agora que não. Os Ratos apenas mudaram de lugar.

Então penso no que aconteceu neste meio tempo, entre a perda de influência do rádio e da MTV, e o crescimento exponencial da internet. Minha conclusão, ao menos por hora, é que este movimento foi fomentado pelo Youtube e pela miserável vaidade humana.

Vamos voltar um pouco para entender o que aconteceu: conhecendo a necessidade de adulação das pessoas, Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim, criadores do Youtube, acrescentaram um detalhe em sua página: o número de visualizações dos vídeos.

Por incrível que possa parecer, este número é o provável responsável pelo crescimento do site. A lógica é simples: você colocou um vídeo lá; quer que ele seja visualizado; divulga a página onde ele está – logo, divulga o Youtube. Desta forma, a empresa se beneficiou de publicidade gratuita como nunca na história deste mundo velho sem porteira.

O mercado fonográfico hoje trabalha única e exclusivamente em torno do deste site. Rádio, TV, revista, jornal, e até outros sites, são perfumaria. O assessor de imprensa do artista busca ser notícia neles, claro, mas para aumentar as visualizações no Youtube – e, assim, o valor do cachê do seu artista.

Como nós chegamos ao ponto de deixar um único site monopolizar a música, eu não sei. Sei que geralmente é ruim. Mas não posso afirmar. De qualquer forma, isso é assunto para outra hora.

De volta ao assunto, o ganha-pão dos Ratos é esse: eles estão sob grandes portais (que geralmente os engloba só para, novamente, ter mais números) e têm poder razoável de levar gente ao seu vídeo. E cobram por isso. Normal? Sim, se fosse claramente colocado como publicidade. Isso significa que quem está lá, não está por méritos. Mais que isso – significa que você basicamente está visitando uma página de classificados. “Classificados Espertos”, eu diria.

Por vezes, penso que o Youtube perdeu uma oportunidade fabulosa de ficar calado. Não tivessem os números, poderiam soltar mensalmente um chart com os vídeos mais vistos. Poderia ser semanal, diário, sei lá. Outras vezes, penso que se eles não tivessem feito isso, alguém teria – e teria crescido com isso, de forma que provavelmente tomaria seu lugar.

No fim, a culpa deve ser nossa mesmo – minha, sua e de toda a humanidade. Nós olhamos o número. Nós corrompemos. Nós também somos Ratos.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

QUANDO A CAPACIDADE DE DAR ENTREVISTAS FAZ A DIFERENÇA

HAILEE STEINFELD PREFERE TER O QUE DIZER DO QUE "MOSTRAR DEMAIS"...

As musas "populares" do Brasil, as chamadas "popozudas", deveriam se envergonhar de si mesmas. Recentemente, uma dessas pretensas musas, Andressa Urach, havia escrito uma postagem constrangedora no Twitter, na qual seus glúteos aparecem em close, com um mosquito pousando em cima.

O comentário foi bastante infeliz: "Esse sabe o que é bom! Hoje quem vai fazer amor comigo é o mosquito", escreveu a moça, ignorando que o mosquito é um inseto muito incômodo para as pessoas e é transmissor de doenças graves e até fatais, entre elas a dengue.

Isso foi no último dia 28 do mês passado. No dia 01 deste mês, Andressa publicou uma de suas "maiores preocupações", a forma física, dando mais um close nos seus glúteos, fazendo um daqueles comentários: “E aí? O treino de perna e glúteo está bom? Pronta para o carnaval”.

Mas, no dia 31, outra "pérola" foi dada pela moça, quando foi dar autógrafo. Querendo ser "gostosona" a qualquer preço, ela contorceu o corpo para "caprichar" na pose do bumbum, num movimento que poderia dar uma baita dor de coluna.

O mais grave disso tudo é que Andressa Urach tem 25 anos. Nessa idade, surgem os primeiros grandes cientistas. E o mais grave ainda é que Andressa está em desvantagem até mesmo diante de atrizes adolescentes que têm muito o que dizer.

Vejamos o caso de Hailee Steinfeld, a mocinha graciosa desta foto. Revelada pela refilmagem recente do filme Bravura Indômita (True Grit), de 2010, ela trabalha em vários filmes, entre eles uma versão mais recente de Romeu e Julieta, em fase de pós-produção. E a jovem atriz mostra-se deslumbrante não só pela sua beleza e formosura, mas pela capacidade de dar boas entrevistas.

Uma boa amostra é o que ela disse na entrevista da revista Fashion, que tem ela na capa da edição que ainda irá às bancas dos EUA, em março próximo. Só para sentir a diferença da capacidade de dar entrevistas de Hailee, com 16 anos completos dezembro passado, tem para "popozudas" com mais de 25 anos, publicamos aqui alguns depoimentos traduzidos do portal Just Jared:

Sobre as filmagens de Bravura Indômita: "As conversas que eu tive com Matt (Damon), Josh (Brolin) e Jeff (Bridges) nas filmagens mudaram completamente minha vida...eles mudaram o meu modo de encarar a atuação. Foi uma educação incrível. Eu mantive um diário durante as filmagens que se deu durante o primeiro mês. Registramos cerva de 4000 imagens - eu estava verificando elas na noite passada e senti arrepios".

Sobre o jantar com a estilista Miuccia Prada: "Saímos para jantar em Paris e ela me pediu para sentar ao lado dela. Eles limparam o restaurante e ela parecia uma realeza nele. Não quis falar muito porque eu apenas quis ouvi-la. Ouvindo os relatos de Miuccia foi muito encantador. Sendo uma parte de seu mundo, mesmo apenas por um momento, me fez me sentir bacana".

Sobre as mulheres em ascensão em Hollywood: "Existe uma nova geração de mulheres escrevendo excelentes papéis e dirigindo filmes. Elas virão à tona em breve e eu quero fazer parte disso".

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

REVISTA VEJA E BREGANEJO: TUDO A VER



O breganejo, oficialmente conhecido como "sertanejo", é o estilo mais conservador do brega-popularesco, uma espécie de "Tea Party" dos bregas. Sua música extremamente piegas e melosa fala de frivolidades amorosas e letras pseudo-poéticas, dentro do estilo choroso inspirado na música de Waldick Soriano.

Deturpando a antiga música caipira com mal digeridas influências de country music, mariachis mexicanos e boleros, o breganejo existe desde meados dos anos 80, como um subproduto das imposições comerciais das gravadoras à música caipira, que queriam transformar a música rural brasileira num equivalente ao comercialíssimo pop romântico dos anos 70, conhecido principalmente através dos Bee Gees.

A revista Veja, na época do breganejo, já havia se convertido num periódico ultraconservador, que explorava de forma sensacionalista os óbitos de famosos e adotava posturas antipopulares como defender o fim do rádio AM e a privatização de estatais. Eram os anos 80 e a Veja não pegava pesado ainda no reacionarismo aberto de hoje, mas já incomodava por suas posturas ideológicas.

Hoje, quando o "sertanejo" passa a ter uma geração dita "universitária" - um rótulo que não tem qualquer serventia, até porque Luan Santana já era "universitário" desde adolescente - , a Veja entra no auge do reacionarismo, com a trolagem travestida de jornalismo de Reinaldo Azevedo e pelas reportagens mal-humoradas contra os movimentos sociais, além do pedantismo nos assuntos sobre saúde.


A aliança entre Veja e breganejo pode parecer acidental para alguns que possuem memória curta e acham que o brega-popularesco nada tem a ver com a grande mídia (visão que sabemos ser sem fundamento). Mas o brega-popularesco, como categoria de estilos musicais comerciais, sempre esteve aliado à mídia direitista, mesmo quando tentava fazer tráfico de influência na mídia de esquerda.

VEJA EXALTA A VIDA DE LUXO DE CHITÃOZINHO & XORORÓ, UMA DAS DUPLAS PSEUDO-SOFISTICADAS DO BREGANEJO.

A memória curta faz com que muitos pensem que a geração breganeja dos anos 90 é "música de raiz". Para os mais jovens, mediocridade antiga é "genialidade", mas isso não quer dizer que Chitãozinho & Xororó, Zezé di Camargo & Luciano e as tragicamente extintas duplas Leandro & Leonardo e João Paulo & Daniel (das quais sobraram os segundos integrantes de cada nome) sejam melhores que as duplas atuais.

Pelo contrário. Essas duplas só são "sofisticadas" pelo aparato feito em apresentações superproduzidas e por um banho de loja, de técnica e publicidade. Mas, musicalmente, continuam tão medíocres quanto as duplas e cantores solo recentes, como Michel Teló, Gusttavo Lima, João Lucas & Marcelo ou mesmo Victor & Léo e João Bosco & Vinícius, as duas duplas cujos fanáticos fãs apelam para a trolagem.

O breganejo mais antigo se beneficiou pelos tardios covers de MPB - com ênfase a um tendencioso parasitismo sobre o Clube da Esquina - , sobretudo no cancioneiro caipira, além de passarem a ter a seu serviço as equipes técnicas das grandes gravadoras (de arranjadores a artistas gráficos) ligados à MPB depois que esta promoveu um êxodo fonográfico para a Trama ou a Biscoito Fino.

Daí a enganação dos jovens que pensam que Chitãozinho & Xororó é "música caipira de verdade". A dupla sempre se comprometeu com um comercialismo musical desde o começo de carreira, mesmo fazendo arremedos de música caipira de raiz.

Ideologicamente conservadores, Chitãozinho & Xororó são ricos há muito tempo, sendo também latifundiários e aliados dos políticos ruralistas e do tucanato político, lembrando que o PSDB apoia e patrocina, com gosto, o famoso Festival de Barretos.

Mesmo as tentativas de empurrar o breganejo para o esquerdismo não eram muito ousadas. Tentou-se promover a dupla Zezé di Camargo & Luciano como uma dupla "marxista", só por causa de um dramalhão cinematográfico sobre sua origem "humilde" e o apoio eleitoral a Lula. Mas os dois também votaram no ruralista Ronaldo Caiado para o Congresso Nacional e um deles militou no reacionário "Cansei".

Mesmo a blindagem das esquerdas médias teleguiadas pela intelectualidade sorospositiva - sobretudo Pedro Alexandre Sanches e Paulo César Araújo - não conseguiu convencer. Além disso, as manobras tinham limites, já que não dava para associar o ruralista breganejo com o movimento dos sem-terra, abominados até mesmo pelos mais flexíveis barões do mercado do entretenimento "popular".

Quando muito, tais ideólogos evitavam cruzar as posturas anti-ruralistas supostamente defendidas e o apoio ao breganejo. Falava-se, em separado, "contra" os ruralistas e "a favor" dos sem-terra, e em defesa do breganejo (culturalmente alinhado com o coronelismo político), como se cultura não tivesse a ver com política.

Mas tem. Embora a reportagem da presente edição de Veja enfatize os "sertanejos universitários", ela sinaliza as alianças do coronelismo político, do direitismo midiático e do brega-popularesco, já que as distorções em torno da cultura popular, tendenciosamente manobradas pelo mercado e pela mídia, não podem ser confundidas com qualquer processo espontâneo de modernização da cultura do povo pobre.

Muito pelo contrário. As manobras mercantilistas assimilam elementos estrangeiros, não da forma espontânea de quem gosta de música estrangeira e assimila com naturalidade, mas por imposição do mercado sobre aquilo que está fazendo sucesso. E isso vale para qualquer tendência brega-popularesca, inclusive o tal "sertanejo".

Portanto, Veja não descansou de seu reacionarismo quando deu essa reportagem de capa sobre os "sertanejos". Ela apenas escolheu uma trilha sonora perfeita para sua linha editorial. Revista Veja e breganejos: tudo a ver.