domingo, 13 de janeiro de 2013

OS PRECONCEITOS DA UOL 89 FM COM O ROCK


As gerações mais recentes não sabem uma diferença entre a publicidade enganosa e a informação verídica. E muita gente foi tapeada pela notícia da "volta triunfal" da suposta "rádio rock" 89 FM, hoje conhecida como UOL 89 FM.

Muita gente caiu em transe coletivo, achando que era uma "rádio de rock de primeira" que voltou ao ar. Hipnotizados pelo sedutor logotipo da emissora, os jovens não perceberam que a 89 FM retomou justamente a performance que "queimou" a emissora em 2006, e que talvez venha a "queimá-la" da pior maneira.

A volta da rádio nem de longe representou a revalorização da cultura rock, mas se deu sob a condição de alimentar apenas o consumo de artistas internacionais e atrair demanda para o Rock In Rio. Os donos da 89 FM são amigos de Roberto Medina e o background ideológico da 89 sempre foi notório.

Seus donos originais, José Camargo e dois filhos, haviam sido malufistas durante a ditadura militar. Nos anos 90, a 89 FM se fortaleceu apoiando Fernando Collor de Mello. Os donos da rádio também apoiaram Fernando Henrique Cardoso e, atualmente, a rádio buscou uma parceria acionária com Otávio Frias Filho, dono da Folha de São Paulo e do portal Universo On Line (UOL), que emprestou sua marca à rádio.

Ouvindo a emissora, posso constatar que a rádio estabelece sérias e violentas restrições à cultura rock que fazem desmerecer, de imediato, qualquer definição de "verdadeira rádio rock" ou "a melhor rádio rock do mundo" que certos deslumbrados, de forma exagerada e tola, haviam atribuído à emissora em sua volta.

Além do mais, a linguagem da 89 NADA TEM A VER com rádio de rock, sendo mais a mesmíssima linguagem e mentalidade debiloide que vemos em qualquer rádio idiota de pop dançante, o que tira qualquer sentido para os ataques forçados da "nação roqueira" ao "poperó" e ao "putz-putz" (nomes que eles usam para a dance music).

Até no vídeo do lançamento da UOL 89 FM, o locutor Tatola fez umas gracinhas no estúdio. E o repertório musical não vai além do mais repetitivo hit-parade "roqueiro", extremamente previsível e calcado nos anos 90 e 2000, com prioridade para tendências mais comerciais como o poser metal, nu metal e alguns emos mais antigos.

Seus ouvintes já demonstraram total preconceito ao rock clássico, e usam o pretexto do "novo" para defender a programação da 89, mas cometendo sérias contradições, já que no exterior não existe essa frescura de discriminar o rock velho em nome do rock novo. Nomes como Paul McCartney, David Bowie e Mick Jagger se entrosam com os artistas novos sem problema e eles prestam consideração a esses mestres.

O que se vê é que 99% (isso, NOVENTA E NOVE POR CENTO) do rock feito em sua história não passa na 89 FM. A rádio não toca bandas realmente alternativas, discrimina o rock mais antigo, não toca rock instrumental nem lados B de compactos, não toca artistas obscuros nem falecidos há muito tempo, e para certos artistas não toca mais do que um único e pouco representativo hit mais conhecido.

Nem quando seus coordenadores se esperneiam para dizerem que são a "eterna rádio rock do mundo, hoje e sempre, até depois do fim do mundo". Isso porque eles NÃO ENTENDEM BULHUFAS de rock, o que eles "entendem" é aquilo que é ditado pelos executivos de gravadoras.

Portanto, passada a surpresa e os comentários um tanto IMPROCEDENTES sobre a tal "rádio rock", a volta da 89 FM não conseguiu trazer de volta os roqueiros autênticos que hoje abastecem seus ouvidos com CDs e arquivos MP3, até pela liberdade criteriosa que têm para ouvir rock. É como diz o amigo Marcelo Delfino: a MP3 FM continua insuperável.

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