quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

MÍDIA REACIONÁRIA USA UOL 89 FM E BBB13 PARA EVITAR DESGASTE


A mídia reacionária, temendo por seu desgaste e pelas campanhas sociais pela regulação da mídia, está se mexendo para tentar obter o apoio da juventude brasileira. O hype em torno tanto da rádio UOL 89 FM quanto do programa Big Brother Brasil 13 dão um sinal do que quer a velha mídia.

Ambos os "fenômenos de mídia" foram badalados de forma muito exagerada. O Big Brother Brasil 13, ou BBB 13, era anunciado como o "maior acontecimento do Brasil", enquanto a dita "rádio rock" era festejada em sua volta, depois de seis anos como emissora de pop convencional.

Em ambos os casos, os comentários foram exagerados. Houve quem dissesse que a UOL 89 FM era "a verdadeira rádio rock", sem saber que seu perfil está muito longe disso, pois a emissora não passa de uma rádio de hit-parade como qualquer outra, mas "fechada" naquilo que o mercado fonográfico entende como "rock", que nem sempre corresponde à realidade do público do gênero.

A equipe da UOL 89 FM nem sequer é autenticamente relacionada com o rock, descontando músicos de rock convidados para apresentar programas. Quando muito, Tatola teve um passado como vocalista da banda Não Religião, precursora do punk domesticado que hoje conhecemos como "emo". Além do mais, o estilo de locução é tão abobalhado quanto qualquer rádio de pop dançante mais debiloide.

Já o BBB foi anunciado como um "grande evento", e até mesmo Kleber Bambam e Anamara agora são "grandes personalidades". Ex-BBBs são convidados para participar do programa, que a mídia promete ser "histórico".

ALIENAÇÃO - O apoio dos espectadores e ouvintes a esses dois fenômenos, muito mais do que favorecer os anunciantes e criar público para o Rock In Rio, é uma medida estratégica da mídia reacionária para evitar o desgaste midiático sofrido devido às pressões da blogosfera.

Tentando evitar o "efeito Clarín" - baseado no desgaste do império midiático argentino, ameaçado de perder seu patrimônio de rádios e TVs por causa da Lei de Meios local - , o Grupo Folha e as Organizações Globo apostam pesado tanto na rádio quanto no programa televisivo para tentar obter apoio dos jovens a essas corporações midiáticas.

A 89 FM é de propriedade da família Camargo (José Camargo, José Camargo Jr. e Ernesto Camargo), politicamente ligada a Paulo Maluf desde a ditadura militar. O clã, no entanto, decidiu abrir uma participação acionária a Otávio Frias Filho, dono da Folha de São Paulo e do portal de Internet Universo On Line.

Já o BBB é um programa transmitido pela Rede Globo de Televisão e outras emissoras do sistema Globosat, inclusive um canal exclusivo para assinantes de pacotes avançados da TV por assinatura.

Frias preferiu usar a marca UOL para somar ao já conhecido logotipo da 89 FM, aproveitando que o UOL já tinha serviço de rádios on line. O logotipo da 89 foi criado por Washington Olivetto para dar um tom impactuante, em fontes gráficas fortes e o hipnótico lema "A Rádio Rock".

No entanto, a 89 FM sempre teve uma performance de qualidade bastante inferior como rádio de rock. Sua reputação tem mais sentido publicitário do que real, uma vez que a rádio sempre esteve muito aquém de rádios de rock autênticas como a Fluminense FM era nos anos 80.

No contexto atual de Internet, nem se fala. A UOL 89 FM, passada a surpresa de seu ressurgimento, já mostra seu caráter decepcionante diante da realidade atual, onde as rádios de rock do mundo inteiro exigem conhecimento de causa e repertório mais abrangente que, ainda que procure priorizar novos ou velhos, nunca iria se prender ao repertório "só sucesssos" nem a tocar nomes comerciais.

O que se ouve na UOL 89 FM é a mesma emissora decadente que, em 2006, abriu caminho para uma programação pop. O estilo de locução, então, nem tem a ver com rádio de rock. Você ouve a Energia 97 FM e a Jovem Pan 2 e depois a 89 FM e vê que os locutores falam igualzinho, têm até as vozes parecidas e o QI igualmente retardado.

Quanto ao repertório, então, a UOL 89 FM diz que "prioriza o novo", mas isso, além de estimular um preconceito contra o rock mais antigo - um preconceito que não existe entre os fãs de rock autêntico - , faz restrições não só aos mais antigos, mas também ao rock mais novo.

De rock antigo, por exemplo, é constrangedor que a única música da era do rock instrumental de 1958-1964 seja "Misirlou", de Dick Dale & His Del-Tones, que pouca gente sabe que é uma gravação de 1962. A música só foi tocada pelo gancho do filme de Quentin Tarantino e, recentemente, pela versão do grupo Black Eyed Peas.

Do rock novo, parece que a UOL 89 FM desconhece a existência do Beady Eye, que é a última formação do Oasis sem Noel Gallagher - que, brigado com o irmão Liam, foi seguir carreira solo - , que já tem repertório próprio de primeira (da mesma forma que Noel tem seu repertório). O Beady Eye já apareceu na cerimônia de encerramento das Olimpíadas de 2012, em Londres, tocando "Wonderwall".

A programação é tão repetitiva que é difícil não saber qual música de uma banda a UOL 89 FM vai tocar. Do Iron Maiden, por exemplo, já se fala em "Fear Of The Dark". Smiths só aparecem com umas cinco músicas que qualquer rádio pop mediana já havia tocado. O próprio Oasis não vai além de umas músicas com clipes mais exibidos na MTV. Pixies? "Here Comes Your Man" é a música mais cotada.

Teve gente com medo de dizer que a UOL 89 FM era rádio de hit-parade. Pura amostra da alienação mental em que vive a maior parte da juventude brasileira, tão cercada de referenciais da mediocridade cultural que acumularam durante mais de duas décadas.

Portanto, o ouvinte da UOL 89 FM é aquele que nunca leu livros, não sabe o que é MPB, odeia intelectuais, menospreza a cultura dos mais velhos e só quer saber de curtição. Por isso, não é muito diferente dos fãs de "sertanejo universitário", "funk carioca" e axé-music que a dita "nação roqueira da 89" diz abominar.

Da mesma forma, é o mesmo público do BBB 13, igualmente desmiolado, crédulo com as imposições da mídia, submisso quanto às regras do "sistema", apesar do público da 89 FM se apoiar num estilo pseudo-rebelde de comportamento, com clichês que não conseguem desmentir seu caráter subserviente às regras da grande mídia e do mercado.

Além do mais, a UOL 89 FM, da parte dos Camargo, é do mesmo grupo empresarial da rádio brega Nativa FM. Será que vão cometer a besteira de dizer que a Nativa FM é "rádio de MPB", por causa da "MPB de mentirinha" dos neo-bregas dos anos 90 (Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires, Leonardo, Daniel) que é o carro-chefe da emissora?

Portanto, o mundo não acabou mas o Brasil mergulhou na mediocridade plena, disfarçada de "coisas grandiosas". Enquanto isso, verdadeiras nulidades pessoais viverão seu ócio transmitido via satélite pelas telas de TV e da Internet, enquanto o roquinho mais comercial e os poucos sucessos das bandas roqueiras que prestam compõem o repetitivo e previsível cardápio musical da UOL 89 FM e seus locutores poperó.

Enquanto isso, os Marinho e os Frias podem dormir mais tranquilos e Merval Pereira e Eliane Cantanhede não precisam ser considerados culpados pela decadência dos jornalões em que trabalham.

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