domingo, 20 de janeiro de 2013

DEPOIS DOS 45 ANOS, HOMENS DE STATUS NÃO SABEM MAIS SE VESTIR


Depois dos 45 anos, os homens considerados "importantes" e "bem sucedidos" deixam de saber o que é se vestir bem. Isso parece polêmico, ante a frequência com que eles usam paletós ou trajes "casuais" ou "esportivos" (sic) que quase obrigatoriamente adotam sapatos de verniz ou couro.

Empresários, economistas, publicitários, médicos, engenheiros, advogados, executivos e outras profissões de status mostram que os homens deixam de lado a verdadeira noção de elegância e deixam até mesmo a noção de que situação se vestirem bem.

A elegância que adotam torna-se viciada, que extingue completamente o prazer de vestir-se bem. Tudo deixa de ser uma questão de gosto, passa a ser uma mera obrigação e formalidade. O vício das formalidades torna a personalidade sisuda e por isso pouco agradável, e é no lazer que esses homens precisam provar que são mais do que entes profissionalmente bem sucedidos.

Por isso a elegância torna-se deselegante no processo comunicativo. O significante "elegância" passa a ter, como significado, a palavra "deselegância". Parece complicado, mas a elegância aparente, sendo viciada, torna-se deselegante porque não se trata mais de uma questão de bom gosto, mas de uma questão de formalidade.

Isso torna os homens repetitivos, preguiçosos, desagradáveis. Os tempos mudam e aquele hábito de vestir paletós e usar sapatos de verniz para ir ao cinema ou tomar um sorvete com a namorada se tornaram antiquados, obsoletos.

E quem tem entre 45 e 60 anos, então, não consegue acompanhar tais mudanças. O cabelo grisalho cria uma acomodação que faz com que a elegância de outrora se perdesse, que o prazer de vestir o primeiro terno se transformasse numa rotina que, para os outros, pode ser até mesmo irritante.

Sim, muitas pessoas ficam irritadas e aborrecidas quando um homem de uns 58 anos só usa sapatos de verniz nas horas de lazer. Já não se exige esses sapatos sequer nos almoços no Iate Clube ou mesmo em reuniões informais de uma classe profissional.

Mas há homens que vão assim, com esses sapatos de verniz ou couro, até em festa de aniversário de adolescentes e isso já deixou de ser adequado e respeitável há tempos. O abuso da elegância torna-se, na prática, a negação da mesma, com as transformações sociais em que vivemos.

Nem tudo na vida é cerimônia de gala e os "coroas" ainda não conseguiram se adaptar aos novos tempos. Uns tentam pequenas mudanças, como colocar a camisa abotoada para fora da calça - prática estimulada pela necessidade de proteger telefones celulares guardados nos cintos - , usar calça jeans para "quebrar" a sisudez do paletó ou usar roupas de cores mais alegres, como um azul marinho.

Tudo isso é em vão se um sapato de verniz ou couro, mesmo em cor bege, dá o seu último grito de resistência da sisudez vestuária. A recusa de calçar um par de tênis para ir a um cinema ou teatro, porque "não combina com a idade", é uma ideia que, na boa, torna-se a cada dia mais ridícula.

Mesmo o padrão de homem de 60 anos casado com uma atraente moça de em média 35 ou 40 anos mudou bastante e mesmo homens muito influentes ignoram isso. A sisudez de paletós, sapatos e aquele jeitão paternal e sério, adotado até mesmo nas mais informais situações de lazer, hoje não inspira simpatia nem superioridade alguma, sendo mais um sinal de comportamento isolacionista e antiquado.

Hoje se aceitam camisetas, jeans, tênis, bermudões, que não se mostram feios nem deslocados quando usados por homens grisalhos. Pelo contrário, a cada dia a sociedade exige dos "coroas" maior descontração, menos formalidade na hora de agir, de se comportar, de se vestir.

A elegância obsessiva acaba escondendo problemas de personalidade e comportamento que variam desde a frustração dos "coroas" de se casarem com mulheres bem mais novas - o que faz com que eles queiram se comportar como se fossem mais velhos do que são - até mesmo uma certa resistência com as mudanças sociais, que exigem menos formalidades e menos sisudez fora do trabalho.

A elegância obsessiva constrange, intimida, irrita, chateia. E mostra até o oposto do ambiente profissional, na medida em que empresários, executivos e profissionais liberais que são sinônimos de capacidade de decisão na vida profissional, acabam demonstrando incapazes de decisão na hora do lazer, dependendo até mesmo da presença de adolescentes ou crianças para brincar ou se divertir em alguma festa.

Homens que se comportam com elegância obsessiva e sisudez, independente de pegarem "novinhas" ou não, acabam se fechando no seu tempo. Não dá para aceitar que eles transformem sapatos de verniz e couro nos seus segundos pés. Os tênis que eles agora usam apenas em caminhadas ou passeios turísticos reclamam também uso para cinemas, almoços no Iate Clube, idas ao teatro etc.

A cada dia os padrões tendem ao rejuvenescimento. E é bom que os homens que hoje iniciam os 60 anos ou estão perto disso passem a aceitar essa realidade. Até porque eles ainda eram bebezinhos quando essa onda de mudanças começou a ocorrer. Até a elegância muda com o tempo.

Nenhum comentário: