quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

ANUNCIANTES DE FMS NOTICIOSAS DEVERIAM PRIORIZAR JINGLES


Algo muito irritante acontece nos intervalos de programas como o de Ricardo Boechat, na Rede Band News FM. Intervalos inteiros apenas com comerciais falados desperdiçam tempo por serem repetitivos e serem jogados ao vento diante de um "mar de notícias" que faz com que o ouvinte esteja pouco habituado a receber os mesmos apelos comerciais maçantes e repetitivos.

Sou contra rádios só de notícias, pois a overdose de informação torna-se notória, e o chamado "opinionismo" já deixou de ser um diferencial há muito tempo, até porque a blogosfera anda dando umas grandes vitórias nesse sentido.

O ideal seria a alternância entre música e notícias, sem essa de transmissão de futebol ou corrida, para descansar os ouvintes da sobrecarga informativa que eles terão que processar em suas mentes numa pausa para poderem pensar num assunto e formarem sua própria opinião. Com avalanche de notícias, isso não é muito possível de acontecer, e o ouvinte acaba tomando como sua a opinião do locutor ou entrevistado.

Mas, se a vontade dos executivos de rádio e o paternalismo de seus gerentes artísticos é que prevalece, vá lá. Só que nem os anunciantes colaboram para amenizar a sobrecarga informacional e parecem veicular peças publicitárias de rádio, os chamados spots, como se o público alvo fosse seus próprios publicitários.

Diz até uma piada que os anunciantes de televisão veiculam suas propagandas para vender seus produtos, os anunciantes de jornais e revistas veiculam suas propagandas para vender seus produtos, mas os anunciantes de rádio veiculam suas propagandas para ganhar prêmios de publicidade.

E, por sinal, os anunciantes do rádio FM, que anda muito, muito mofado, parecem perseguir até hoje os concursos de Publicidade e Propaganda do começo dos anos 1990. Os comerciais de rádio FM são tão repetitivos que dá pena ouvi-los, muitos aproveitam os intervalos e vão conversar com um amigo, ir ao banheiro, beber água, comprar alguma coisa etc.

Houve uma onda de comerciais em que cada peça publicitária mostrava um diálogo humorístico entre um homem com voz de velho bonachão e uma mulher com voz de dondoca. Eram uns três comerciais passando o mesmo tipo de linguagem. Isso foi há cerca de uns dois anos atrás.

Depois, veio a onda dos comerciais simulando telefonemas. Era geralmente um rapaz telefonando com uma moça, num diálogo veloz porém muito maçante. Pouco importava o produto, se era concessionária de automóvel, creme dental ou banco, era a mesmíssima coisa.

Pior é que tudo isso é feito para agradar a vaidade dos publicitários. E será que alguém acha que isso consegue divulgar um produto? Dificilmente. Tudo já é tão rotineiro no rádio que, se um produto consegue ser vendido, é porque o mesmo anunciante também já havia lançado peças publicitárias em televisão e nas páginas de revistas e jornais.

VOZES DE DESENHO ANIMADO - Mas, se há os chamados jingles, a última esperança dos anunciantes para contrabalançar o blablablá radiofônico e conseguir vender seus produtos sem se "afogar" num "mar de notícias", eles mesmo assim estão muito aquém de serem agradáveis para os ouvintes.

A maioria das músicas publicitárias é muito caricata, tocada apenas com um sintetizador simplório, e seus cantores, além de amadorescos, cantam com a voz de dubladores de desenhos animados. Ou seja, a maior parte dos jingles para rádio FM é muito, muito ruim.

Várias peças musicais publicitárias marcaram história, como a do Rum Creosotado, muitíssimo antigo. Ou então o jingle da Varig, ou tantos outros. Não me parece que um comercial não-musical de rádio conseguiu a mesma popularização ao longo dos anos.

Uma das exceções das peças musicais é o jingle da Insetfone, marca de inseticidas, que teve várias versões. Se, ultimamente, o comercial peca por ser feito apenas com teclado, o que aproveita pouco sua concepção de sambalanço - cujo arranjo seria melhor valorizado com instrumentos próprios do ritmo - , pelo menos a cantora tem uma bela voz.

Fazer peças musicais para rádio FM, com instrumentos e cantores de verdade - mesmo que sejam amadores e até quase anônimos, mas que tenham pelo menos um talento comparável ao dos grandes cantores - pode até custar dinheiro, mas terá um retorno mais garantido e um diferencial na divulgação de um produto que não se perderá na overdose de locuções e informações.

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