sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A OFENSA DE SÉRGIO CABRAL FILHO AOS POVOS INDÍGENAS


Nem parece que o governador do Estado do Rio de Janeiro é filho de um historiador, por sinal bastante zeloso com o patrimônio cultural brasileiro. Ignorando pareceres técnicos do IPHAN, o governador fluminense Sérgio Cabral Filho enviou nota definindo a Aldeia Maracanã como uma "invasão".

O comunicado desmentiu declaração da ministra da Cultura, Marta Suplicy, de que o IPHAN havia recomendado ao governo fluminense o tombamento do entorno do antigo Museu do Índio, onde se situa a Aldeia Maracanã.

A declaração ofende os movimentos indígenas, porque a ocupação do antigo museu teve como objetivo chamar a atenção para o abandono do prédio, inutilizado desde 1979, reivindicando a utilização do mesmo para um centro de valorização da cultura indígena, proposta já bem definida pelos chefes indígenas que vivem no local.

A nota de Cabral Filho diz que o governo fluminense "tem trabalhado com as aldeias indígenas do nosso estado de forma respeitosa e parceira". Se enviar tropas de choque para forçar a expulsão dos índios da Aldeia Maracanã é "forma respeitosa e parceira", é algo que não dá para entender.

Sérgio Cabral Filho quer fazer crer que há "distorção" no assunto das aldeias indígenas e insiste na tese de que a Aldeia Maracanã é uma "invasão". Tenta argumentar sua "consideração" pelo IPHAN apenas reconhecendo que o estádio do Maracanã é tombado, o que é uma verdade, mas defende a demolição dos demais prédios à sua volta.

Enquanto isso, artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso, Camila Pitanga, Letícia Sabatella, Milton Nascimento e Tereza Seiblitz se manifestaram pela preservação do antigo Museu do Índio e seu terreno ao redor.

Chico Buarque também atacou o projeto de demolição do Estádio Célio de Barros, do Parque Júlio Delamare e da Escola Municipal Friedenreich. Já Milton Nascimento lamenta que muito pouca coisa é feita pela preservação da memória indígena brasileira.

NOVO "PINHEIRINHO"

A Aldeia Maracanã cada vez mais se configura como um "novo Pinheirinho", em alusão ao bairro popular de São José dos Campos (SP) demolido pelo governador paulista Geraldo Alckmin, para saldar as dívidas do empresário Naji Nahas e construir um novo parque industrial no lugar.

Alckmin, ao destruir o bairro burlando processos judiciais não concluídos e tomando de surpresa a população numa manhã de domingo, ainda indenizou precariamente algumas famílias e não cumpriu promessas de moradias para os desalojados. Várias famílias tiveram que montar casas em áreas de risco por falta de um lugar para se instalarem.

O mesmo pode ocorrer com a Aldeia Maracanã, a ser demolida junto com os demais prédios - os espaços esportivos e a escola, acima citados - para a ampliação da saída do Estádio do Maracanã e a construção de um centro comercial e um amplo estacionamento.

A demagogia de Sérgio Cabral Filho e Eduardo Paes, capazes de burlar a lei e ofender até mesmo os movimentos sócio-culturais para fazer prevalecer seus interesses, a cada dia mostram que os dois são contrários ao interesse público.

A pretexto de prepararem para a Copa do Mundo e as Olimpíadas, eles fizeram várias medidas contrárias ao interesse público, visando apenas interesses turísticos e empresariais. E agora, em desrespeito às populações indígenas, Cabral Filho e Paes tentam enfrentar, praticamente sozinhos, instituições, advogados, artistas e movimentos sociais que lutam pela preservação da Aldeia Maracanã.

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