quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

ASHLEY JUDD ESTÁ SOLTEIRA!!!


A muitíssimo fascinante atriz Ashley Judd está solteira, depois de estar casada desde 2001 com o piloto de corrida Dario Franchiti. A decisão da separação foi mútua e amigável, de acordo com informações confirmadas pelo representante da atriz e divulgada pela revista People.

Ashley chegou a fazer o papel de Marilyn Monroe numa minissérie sobre a falecida atriz, em 1996, no qual foi indicado para o Globo de Ouro de melhor performance de atriz em minissérie ou longa-metragem feito para a televisão.

É considerada uma das mais belas atrizes dos EUA, chegando a estar entre as 20 mais sexy do portal FHM. Este ano ela completa 45 anos. Uau!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O ROCK BRASILEIRO IS ON THE TABLE


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Cheguei mesmo a gostar bastante do rock brasileiro cantado em inglês, no começo dos anos 90, lá nos meus 19, 21 anos. Mas naquela época havia bandas que faziam algo de qualidade, como o Second Come, que surpreendeu até o jornalista inglês Everett True, do extinto Melody Maker.

Mas depois a fórmula banalizou e o que se viu são bandas querendo brincar de ser Sonic Youth ou Nirvana usando clichês bastante enjoados e compondo músicas com inglês de cursinho. E aí o experiente produtor Jack Endino meteu o malho, dizendo que não consegue entender as letras dessas bandas. Para ele, seria preferível produzir um Titãs gravando MPB e em português do que produzir bandas noise fajutas.

O rock brasileiro is on the table

Por Urariano Mota - Portal Vermelho


A notícia correu a internet brasileira hoje. O produtor musical americano Jack Endino, que já trabalhou com os roqueiros do Nirvana, criticou as bandas brasileiras que cantam em inglês. O espanto dos brasileiros, que pensavam ser universais quando cantam in english, veio de um comentário óbvio do produtor.

Ontem (23) à noite, depois que a banda brasileira Noyzy (foto acima), da Paraíba, enviou o link de uma música para ele, Jack Endino assim postou no seu Facebook:

“Brazilian bands!!! WHY ARE YOU SINGING IN ENGLISH? I CAN NEVER UNDERSTAND A WORD OF IT! What is the point of this? It will not give you success outside of Brazil, and I don`t see how it can give you success INSIDE Brazil. Yes, I know Sepultura did it, but their English was excellent, their lyrics were good, and they were on an international metal record label. Who else has done it? I am really baffled and puzzled by this”.

Ou como traduziria o meu inglês Google:

“Bandas brasileiras!!! POR QUE VOCÊS CANTAM EM INGLÊS? EU NUNCA ENTENDO UMA PALAVRA! Qual o sentido disto? Essa coisa não vai lhes dar sucesso fora do Brasil, e não vejo como pode lhes dar sucesso dentro do Brasil. Sim, eu sei, o Sepultura fez isso, mas o inglês deles era excelente....”.

E por aí foi. Mas vamos ao que mais importa, supondo que o desabafo acima não importe.

Diante de um fato desses, de bandas brasileiras que desejam ser mundiais porque cantam no que pensam ser o inglês, eu não sei se escrevo sério, a sério, ou se rio. Então vamos numa boa mistura, à semelhança do título destas linhas. Watch, amigos. No tempo da minha infância, os meninos costumavam também falar inglês. Ali, sob o efeito de roliúde, todos éramos caubóis:

- Rói, roi, arroiado. Rendes forape.

- Rum, roi rai rói. E tome soco.

Não sei de onde tirávamos que no inglês havia uma floresta de rai - rei- rói, que pronunciávamos com os olhos esbugalhados para melhor realçar o nosso inglês de cinema, arrolhados que estávamos de pureza nos ouvidos. Nós sempre interpretávamos os sons dos Estados Unidos como uma chuva de erres. Se assim foi na infância, impressionante é ver a repetição desses rairróis em jovens brasileiros, que, primeiro, tocam roque, segundo, pensam que assim se tornam estrangeiros, terceiro, pior, se acham universais pela negação do Brasil.

Na verdade, esse erro deslumbrado não é exclusividade das bandas de roque do brasil, assim mesmo, brazil em bezinho, para melhor ficar à altura do que pensam. Mais de um escritor brasileiro, Millôr Fernandes inclusive, já acreditou que se escrevesse em inglês seria mais conhecido e reconhecido o seu talento. Mas assim pensava sem abdicar do modo de ser e de sentir, escrevendo em bom português, criador e criativo. Que diferença dos gritos sem nexo de jovens que cantam de lugar não sabido para lugar nenhum.

Há pouco, Jack Endino postou no seu Face o que o Google me traduz desta maneira:

“I posted emotionally, and my point was not obvious. Eu postei emocionalmente, e meu ponto não era óbvia. OK. OK. This is not only about Brazil, now. Isto não é só sobre o Brasil, agora. I know it`s rock and roll, there are no rules. É claro, você é livre para cantar em uma língua, que nem todos em seu próprio país pode entender. BUT if you are not good with that language, then NOBODY can understand you... Mas se você não é bom com essa língua, então ninguém pode te entender ... you are singing to NOBODY! você está cantando para NINGUÉM! How can this be smart for a band`s career? Como isso pode ser inteligente para a carreira de uma banda? A maioria das bandas têm problemas suficientes, apenas ser reconhecido em sua própria cidade... you hope to have success outside your country... você espera ter sucesso fora de seu país. do not forget that you are competing with a million bands who are native-speakers, and they already live there, and play there, and you do not. Não se esqueça que você está competindo com um milhão de bandas que falam a língua nativa, e eles já vivem lá, e tocam lá, e você não”.

É claro, o parágrafo acima não é português. Mas pelo espírito das frases é mais inglês que o das bandas de rock do Brasil. Notem, nem vem ao caso lembrar que o valor da arte se dá em qualquer língua, até mesmo nas mais bárbaras. Que se fosse pelo inglês – perdoem por favor este óbvio – Dostoiévski não teria ultrapassado as fronteiras da Rússia. Mas para o caso e nível de nossas bandas de rock, prefiro o exemplo mais simples e imediato da profunda música de Teló, aquele que, de se eu te pego em se eu te pego, virou vírus em todo o mundo.

Creio que com o exemplo de Michel Teló chegamos à conclusão de que se pode ser idiota em qualquer língua. E para encerrar, lembro que em matéria de brasileiro que virou famoso ao falar inglês, quem fala melhor é o Joel Santana. Aliás, a seu modo Joel é o maior poliglota, daquele gênero de poliglota universal. Ele fala mal todas as línguas.

domingo, 27 de janeiro de 2013

AS HESITAÇÕES DA UOL 89 FM

TOMA QUE O FILHO É SEU - A UOL 89 FM evita tocar Restart, mas o grupo surgiu a partir de uma abordagem caricata que a 89 FM fazia da divulgação do punk rock.

Não existe coisa mais revoltante do que uma dita "rádio rock" que não ajuda nem deixa de atrapalhar (o popular "não f... nem sai de cima").

Do final dos anos 80 para cá, vieram rádios comerciais ditas "roqueiras" que irritavam até budista por conta de sua programação frouxa e oblíqua. Eram rádios que não podiam ser abertamente comerciais porque se recusavam a tocar pop e não eram rigorosamente roqueiras porque não tinham a menor competência para o rock.

Já ouvi, em Salvador, a rádio 96 FM (ou Aratu 96 FM) e era horrível. Em 1990, a rádio era uma gororoba que tinha até programa de pop dançante e outro de música romântica. Ia de um único hit de Jesus & Mary Chain aos sucessos dos New Kids On The Block (?!), tinha locutores com aquela dicção enjoada de rádio pop, iguaizinhos aos que as rádios de axé-music e brega já tinham. Ah, e eles falavam em cima das músicas!

Em 1992, os equívocos só reduziram um pouco, com uma ênfase no grunge, no Rock Brasil e em alguns sucessos roqueiros ou coisa parecida e algum rock pesado. Já havia o plano de rede da paulista 89 FM e mesmo rádios que não eram profissionalmente vinculadas a ela seguiam sua lógica de programação.

Infelizmente os problemas financeiros da Fluminense FM, nos anos 80, não fizeram que seu formato de rádio de rock de 1982-1985 se projetasse nacionalmente. Em compensação, deturpações primeiro difundidas pelas rádios pop Cidade e Transamérica e depois pela 89 FM de São Paulo acabaram prevalecendo como "paradigmas de rádios de rock".

E aí veio aquela fórmula, definida da seguinte forma:

1) Repertório restrito aos sucessos ditos "roqueiros", geralmente entre os medalhões mais conhecidos do rock, aceitos por um público não roqueiro, e nomes bem comerciais que deturpam o rock ou então fazem um arremedo de rock bastante inexpressivo.

2) Método de programação igualzinho ao das rádios "só sucesso": repertório repetitivo, limitação de divulgação de intérpretes aos chamados "grandes sucessos" ou "músicas de trabalho" e alguns programas que apenas "alimentam" esse cardápio musical, mesmo tocando algo mais "alternativo".

3) Locução de estilo pop convencional, com ênfase naquela figura do "locutor gostosão", com voz de animador de gincanas infantis, que geralmente foi o "astro maior" da programação radiofônica. A chamada programação normal também conta com outros locutores pop, menos exaltados que o "gostosão" mas mesmo assim com a mesma dicção de animador de gincanas infantis.

Há locutores com dicção própria para rádios de rock, mas apenas restritos a alguns programas específicos, geralmente transmitidos no final da noite. Geralmente são jornalistas, produtores ou músicos convidados para apresentar programas específicos, como se vê no caso do rock pesado ou sobre surf ou rock "alternativo" (dentro da ótica da rádio), que não têm a dicção "profissional" dos locutores de FM.


Até 1995, havia uma maior "flexibilidade" na programação dessas rádios comerciais, embora naquela linha "só sucesso". Mas muitos se iludiram com as promessas de que tais rádios comerciais pudessem ser "mais alternativas" ou aproximassem seu perfil das rádios de rock autênticas, porque a promessa, além de tendenciosa, não era de todo cumprida e era sempre um caminho lento de se seguir.

Afinal, o rapaz de 16 anos que ouvia uma rádio dessas esperando ser uma rádio de rock decente, só conseguiria realizar sua expectativa, e olhe lá, quando se tornaria um pai de um outro garoto de 16 anos. Era a lógica Ernesto Geisel de "mudança lenta e gradual". A lógica da rádio era: "me dê uns tais pontos do Ibope que eu melhoro a 'rádio rock'". E as melhoras sempre acabavam sendo poucas e frágeis.

RESTART É UM SUB-PRODUTO DA ATUAL UOL 89 FM

De 1995 para cá, esse formato diluído de "rádio rock" ficou preso a uma conduta radicalizada na imitação pura e simples do perfil Jovem Pan 2. A 89 FM e sua congênere carioca, a Rádio Cidade, usaram e abusaram dessa fórmula que acabaram sendo duramente criticadas até pela imprensa.

Nem mesmo a feroz trolagem dos adeptos das duas rádios, nos fóruns de Internet, com todas suas ofensas e protestos irritados, conseguiu resolver a crise das duas rádios. Só piorou cada vez mais. E as duas rádios recuaram do perfil rock, pressionados pelo amplo questionamento motivado pela Internet e pelo fato de que rádios estrangeiras também passaram a ser ouvidas no Brasil.

Recentemente, a 89 FM voltou ao rótulo de "rádio rock", pelo mesmo motivo de seu surgimento: o Rock In Rio (que terá edição neste ano). A dita "rádio rock", apesar de toda a campanha publicitária conhecida, voltou apenas como alimentadora de um mercado de bandas estrangeiras que não significa, em si, uma recuperação da cultura rock como "nos velhos tempos".

Afinal, a rádio voltou com todos os seus defeitos e quem faz agora o tipo indigesto do "locutor gostosão", com voz de animador de gincanas infantis, é o próprio coordenador da rádio, José Carlos Godas, o Tatola, que, pasmem, havia sido cantor de uma suposta banda punk, o Não Religião, uma fajuta imitação da Plebe Rude e Ira! com pretensões de parecer "mais indie".

A rádio apenas eliminou uns poucos defeitos de 2005, quando a fórmula "Jovem Pan 2 com guitarras" parecia rumar para "SBT com guitarras". Mas os erros principais continuam, que é o repertório "só sucesso", a locução "mauriçola-tatola", o corte brusco das músicas no final, através de vinhetas ou locução, e até mesmo programas como "Hora dos Perdidos" não deixaram de ter o besteirol que "matou" a rádio antes.

E o fato da UOL 89 FM evitar tocar Restart não procede, afinal o grupo é uma tradução até as últimas consequências do punk domesticado que a 89 FM resolveu investir a partir de 1994. O próprio Não Religião está para o Restart assim como Chitãozinho & Xororó está para João Lucas & Marcelo (aquela duplinha do "eu quero tchu, eu quero tchá").

No outro extremo, o fato da rádio evitar tocar muito rock antigo contradiz sua pretensão de ser uma rádio de "rock em geral", como é o seu marketing. Se a rádio assumisse uma postura de tocar só "rock novinho", faria sentido, mas sua imagem publicitária é de uma rádio que diz "tocar todas as tendências do rock".

Portanto, no meu parecer, teria sido melhor que a 89 FM nunca tivesse voltado. A rádio viciou muito seus fãs, e o radialismo rock corre o risco de virar uma cracolândia musical. Eu, que aos 11 anos conheci uma rádio de rock de verdade, nunca poderei ouvir rádios assim depois dos 40 anos.

Não é por eu me achar velho, não, mas é uma questão de coerência: afinal, a UOL 89 FM mais parece rádio de "pestinha". Portanto, a título de rádio de rock continuo não levando a 89 FM muito a sério e se eu tivesse uma banda de rock eu nunca iria divulgar minhas músicas nessa rádio fajuta.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A OFENSA DE SÉRGIO CABRAL FILHO AOS POVOS INDÍGENAS


Nem parece que o governador do Estado do Rio de Janeiro é filho de um historiador, por sinal bastante zeloso com o patrimônio cultural brasileiro. Ignorando pareceres técnicos do IPHAN, o governador fluminense Sérgio Cabral Filho enviou nota definindo a Aldeia Maracanã como uma "invasão".

O comunicado desmentiu declaração da ministra da Cultura, Marta Suplicy, de que o IPHAN havia recomendado ao governo fluminense o tombamento do entorno do antigo Museu do Índio, onde se situa a Aldeia Maracanã.

A declaração ofende os movimentos indígenas, porque a ocupação do antigo museu teve como objetivo chamar a atenção para o abandono do prédio, inutilizado desde 1979, reivindicando a utilização do mesmo para um centro de valorização da cultura indígena, proposta já bem definida pelos chefes indígenas que vivem no local.

A nota de Cabral Filho diz que o governo fluminense "tem trabalhado com as aldeias indígenas do nosso estado de forma respeitosa e parceira". Se enviar tropas de choque para forçar a expulsão dos índios da Aldeia Maracanã é "forma respeitosa e parceira", é algo que não dá para entender.

Sérgio Cabral Filho quer fazer crer que há "distorção" no assunto das aldeias indígenas e insiste na tese de que a Aldeia Maracanã é uma "invasão". Tenta argumentar sua "consideração" pelo IPHAN apenas reconhecendo que o estádio do Maracanã é tombado, o que é uma verdade, mas defende a demolição dos demais prédios à sua volta.

Enquanto isso, artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso, Camila Pitanga, Letícia Sabatella, Milton Nascimento e Tereza Seiblitz se manifestaram pela preservação do antigo Museu do Índio e seu terreno ao redor.

Chico Buarque também atacou o projeto de demolição do Estádio Célio de Barros, do Parque Júlio Delamare e da Escola Municipal Friedenreich. Já Milton Nascimento lamenta que muito pouca coisa é feita pela preservação da memória indígena brasileira.

NOVO "PINHEIRINHO"

A Aldeia Maracanã cada vez mais se configura como um "novo Pinheirinho", em alusão ao bairro popular de São José dos Campos (SP) demolido pelo governador paulista Geraldo Alckmin, para saldar as dívidas do empresário Naji Nahas e construir um novo parque industrial no lugar.

Alckmin, ao destruir o bairro burlando processos judiciais não concluídos e tomando de surpresa a população numa manhã de domingo, ainda indenizou precariamente algumas famílias e não cumpriu promessas de moradias para os desalojados. Várias famílias tiveram que montar casas em áreas de risco por falta de um lugar para se instalarem.

O mesmo pode ocorrer com a Aldeia Maracanã, a ser demolida junto com os demais prédios - os espaços esportivos e a escola, acima citados - para a ampliação da saída do Estádio do Maracanã e a construção de um centro comercial e um amplo estacionamento.

A demagogia de Sérgio Cabral Filho e Eduardo Paes, capazes de burlar a lei e ofender até mesmo os movimentos sócio-culturais para fazer prevalecer seus interesses, a cada dia mostram que os dois são contrários ao interesse público.

A pretexto de prepararem para a Copa do Mundo e as Olimpíadas, eles fizeram várias medidas contrárias ao interesse público, visando apenas interesses turísticos e empresariais. E agora, em desrespeito às populações indígenas, Cabral Filho e Paes tentam enfrentar, praticamente sozinhos, instituições, advogados, artistas e movimentos sociais que lutam pela preservação da Aldeia Maracanã.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

UOL 89 FM: MITOS E PROBLEMAS


Com tanta rádio de rock para voltar ao ar, voltou logo a 89 FM, uma rádio que foi marcada mais pelos erros do que pelos acertos, embora para as gerações recentes vários desses erros sejam vistos como "erros menores" ou até como "acertos".

Rebatizada de UOL 89 FM, a 89 voltou mais como um mito do que como uma rádio dotada de verdadeiras qualidades. Eu pude fazer algumas audições na programação normal da rádio e posso assegurar, com a experiência que eu tenho como pesquisador de rádios de rock, que a 89 está muito abaixo até mesmo do mínimo que se pode esperar de uma rádio de rock decente.

É certo que a 89 eliminou alguns exageros, como a ênfase nos programas humorísticos, nas promoções mirabolantes e no recebimento de celebridades qualquer nota, além de debates esportivos quando nem todo mundo curte futebol, sobretudo o público de rock (ou mesmo de "pop-rock"), e numa cidade como São Paulo, onde cada vez mais surgem pessoas questionando o fanatismo futebolístico.

LOCUÇÃO INCOMPATÍVEL COM O PERFIL DE RÁDIO DE ROCK

No entanto, isso não significa que a 89 voltou acertada. Ela eliminou os defeitos mais extremos, mas o essencial desses defeitos ainda continua. Afinal, reduzir os defeitos não é o mesmo que somar qualidades e o que se vê na programação da 89 está muito abaixo do que sugere a sua mitologia.

Admite-se que a 89 FM tornou-se um mito. A rádio nunca teve uma performance comparável com uma Fluminense FM nos anos 80, pois mesmo as melhores fases da 89 deixavam a desejar para os parâmetros básicos de uma rádio de rock.

A soma de um bom marketing, sobretudo pelo logotipo sedutor criado por Washington Olivetto (com uma fonte gráfica impactuante e a ênfase na expressão "A Rádio Rock"), e um departamento comercial impecável, além de toda a blindagem da grande mídia e das boas relações com os anunciantes e promotores de eventos, é que fizeram a diferença no carisma da 89.

Mas a emissora cometeu erros constrangedores demais para os parâmetros mínimos de radialismo rock. Adotou um estilo de locução pop que, já na dicção, é incompatível com o perfil de rádio de rock, que exige uma locução sóbria e até mesmo um timbre e um vocabulário que sejam diferentes ao das rádios pop convencionais.

Pois a 89 FM fez justamente o contrário, pois, desde 1988, passou a adotar um padrão de locução sempre copiado de uma rádio pop do momento. Estratégias de atingir um público não-roqueiro? Talvez. Mas esse mal tornou-se um vírus perigoso, um câncer que chegou a tirar a 89 FM do segmento roqueiro em 2006, sobretudo pelas pressões que o radialismo rock exercia do exterior, via Internet.

Os paradigmas de locução adotados foram, primeiro, a da antiga Rádio Cidade (quando era uma rede assumidamente pop) e, mais recentemente, o da Jovem Pan 2, cuja linguagem é copiada pela 89 até mesmo nas vinhetas.

Para piorar, o próprio coordenador da 89, João Carlos Godas, o Tatola, adota esse estilo "Jovem Pan 2" de locução que desmoraliza qualquer postura que ele faça contra o pop dançante (que ele apelida de "putz-putz"). Afinal, é das rádios de pop dançante que ele inspira seu estilo de locução. E o pior é que ele foi vocalista da banda Não Religião, que se dizia "punk rock" (embora não fosse lá grande coisa no gênero).

Também pesquiso rádios como Mix FM e a própria Jovem Pan 2 e há dezenas de locutores que falam igualzinho ao Tatola. O texto "roqueiro" nem de longe faz a menor diferença, porque a linguagem e mentalidade continua sendo sempre igual.

REJEIÇÃO AO ROCK CLÁSSICO

Um aspecto grave da UOL 89 FM é o repertório, restrito ao hit-parade aparentemente associado ao rock. Neste sentido, o cardápio musical segue a mesma metodologia das rádios de pop adulto, substituindo a repetição extrema de 60 sucessos do momento com uma alternância permanente de sucessos e músicas de trabalho com flash back na programação diária, o que diversifica um pouquinho o repertório.

No entanto, as bandas tocadas se limitam sempre aos "grandes sucessos". E mesmo no repertório "mais diversificado", as músicas já começam a repetir, como no caso do Oasis, com a música "Wonderwall". Não há liberdade de escolha de repertório, e além disso as restrições chegam ao nível do constrangimento.

Afinal, até agora a UOL 89 não percebeu que o Oasis acabou e que a última formação do grupo se dividiu entre a carreira solo de Noel Gallagher e o novo grupo criado pelo restante da banda, o Beady Eye, todos com repertório próprio e uma considerável trajetória de apresentações ao vivo.

O preconceito ao rock mais antigo da UOL 89 e seus ouvintes também não procede, porque, na postura assumida no mercado, a emissora se define não como uma emissora de "rock contemporâneo", mas como uma emissora de "rock em geral".

Isso significa que, para o anunciante que vende seu produto na UOL 89 FM, o compromisso presumido é que a emissora toque tudo o que for de rock, inclusive o mais antigo. Pelo menos na sua postura publicitária, a emissora afirma tocar "todas as tendências do rock", e não apenas o rock "mais novinho".

CONTINUA "COMENDO POEIRA"

A performance da UOL 89 FM só se tornou bem sucedida porque o Brasil, desde os anos 90, passou por uma degradação midiática que fez o país, do Oiapoque ao Chuí, se tornar um tanto cafona e provinciano. Se os "heróis" brasileiros de hoje são Luciano Huck, Thiaguinho, Solange Gomes, Michel Teló e outros e um MC Leonardo se acha ao luxo de posar de militante, a UOL 89 parece "genial" neste contexto.

Só que a UOL 89 ainda apresenta problemas graves se comparada às antigas rádios de rock dos anos 80, como a Fluminense FM de Niterói e a antiga 97 FM ou 97 Rock, esta última tendo chegado a concorrer com a 89.

Isso porque essas rádios adotavam uma linguagem que diferia, e muito, da mentalidade abobalhada das rádios de pop dançante, e tocavam um repertório musical que fugia e muito das limitações do hit-parade, a mesmo os espaços de humor valorizavam o humor e não sucumbiam ao besteirol mais patético, desses onde gritos e falsetes prevaleciam sobre piadas sem graça.

Neste caso, a UOL 89 FM se torna até mais fraca do que mesmo a fase 1985-1986 da Fluminense FM, já que a Fluminense, nessa época, já nem estava no auge, mas continuava tendo coragem de colocar até mesmo raridades e bandas inéditas no Brasil na programação normal. Até hoje, grupos como Weather Prophets e Rose of Avalanche nunca foram lançados no Brasil e já rolaram no cardápio diário da Flu FM.

Já a UOL 89, como foi de praxe na 89, só tocava o óbvio do óbvio. E, do contrário que seu mito sugere, a rádio nunca foi de rolar adoidado Frank Zappa, Violent Femmes, Fellini, Violeta de Outono e Les Rita Mitsouko na programação diária. Isso falando em nomes nacionais ou estrangeiros com discos lançados aqui.

Mesmo nos momentos mais "alternativos", o carro-chefe da UOL 89 FM foi apenas através de nomes com Eurythmics, Titãs, Kid Abelha e U2, nos anos 80, e o rock de Seattle e o funk metal, no começo dos anos 90. Mas, no país culturalmente indigente de hoje, até o "sucesso do sucesso" parece "alternativo".

Quanto às rádios de rock do exterior, a UOL 89 FM então tem sua situação piorada, "comendo a poeira" do que as rádios de fora rolam. Afinal, o que a UOL 89 vende como "novidade" e como "alternativo" é risível, onde até mesmo um inexpressivo Smash Mouth tem maior ênfase. E mesmo nomes como Black Keys, Muse e Artic Monkeys já são considerados veteranos e mainstream lá fora.

E isso quando a UOL 89 não vende como "novo" bandas clones de Limp Biskit e Evanescence que são lançadas nas suas sessões de "novidades". E já existe um programa de rock brasileiro, o "Temos Vagas", que pelo jeito, irá priorizar clones de Raimundos e CPM 22 ou o que vier na moda. Nada que acrescente muito à mesmice que fez a cultura rock perder espaço até para o brega-popularesco mais rasteiro.

CONCLUSÃO

Só mesmo um país provinciano como o Brasil, que supervaloriza até mesmo as inutilidades do Big Brother Brasil e vive no atoleiro da mediocridade cultural para achar a UOL 89 FM o máximo. Não bastasse o controle acionário da ultraconservadora Folha de São Paulo - que, no auge da 89, era tido com sinônimo de "imprensa moderna", mas hoje soa antiquada - , a emissora soa datada, superficial e equivocada.

Se até o coordenador fala igual aos locutores das rádios pop mais tolas, mesmo fazendo o estilo do "locutor engraçadinho que evita fazer muitas gracinhas" (mas que continua fazendo num momento ou em outro) e se o repertório se limita aos "grandes sucessos" e um preconceito contra o rock mais antigo mesmo dentro de uma postura vinculada ao "rock em geral", então a UOL 89 FM está muito, muito problemática.

As antigas rádios de rock que tocavam até raridades na programação normal e cujos locutores falavam que nem gente ainda continuam deixando muitas saudades.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

TV PAGA E O DESPERDÍCIO DOS PACOTES BÁSICOS

QUEM É QUE, NAS ZONAS URBANAS, TEM INTERESSE EM VER LEILÕES DE GADO NA TV PAGA?

Os serviços de TV por assinatura precisam aprender a separar o supérfluo do necessário. Mas as próprias emissoras também não ajudam, vide a degradação que se vê na programação da TV paga, que outrora havia sido um oásis de qualidade diante da decadência brutal da TV aberta.

E mesmo a TV aberta foi boa um dia. Até 1964, ela gozava de uma plena qualidade de programação, onde ideias experimentais apareciam até mesmo num canal como a TV Paulista, antiga emissora de televisão de São Paulo, pertencente às Organizações Victor Costa e que em 1966 se transformou na atual TV Globo São Paulo.

E o que era a TV Paulista? Era mais ou menos a CNT da época, em termos de estrutura financeira. A emissora até tinha um certo destaque e um bom sucesso de audiência, além de programas interessantes, mas ela se enquadrava mais ou menos numa emissora de porte médio, apesar de ter lançado o famosíssimo apresentador, e depois empresário de TV, Sílvio Santos, no distante ano de 1961.

Mas na TV Paulista, houve um programa chamado Móbile, que, se feito hoje, mal conseguiria entrar sequer na TV Cultura, apesar de seu idealizador, Fernando Faro, ter criado programas na emissora (como o musical Ensaio). O programa alternava entrevistas, clipes, curtas metragens e até performances de dança e poesia, dentro de uma edição de imagens numa estética bastante vanguardista. E isso era em 1962!

E o que vemos hoje? Até a TV paga começa a entrar em decadência, e mesmo ideias comezinhas de TV de qualidade, que facilmente entrariam na TV Record há 50 anos atrás, hoje só entram, com muito sacrifício, numa TV educativa.

Pois o que se vê agora, quando muito, é a banalização de fórmulas pós-modernas, como programas de jornalistas maluquetes entrevistando a esmo qualquer transeunte ou alguém em um estabelecimento qualquer. Isso quando há algum programa roteirizado. Mas o que se vê hoje é a multiplicação de reality shows, não só no Brasil mas também no exterior.

Os "riélites" estrangeiros não deixam de ser chatos, embora no Brasil a coisa é bem pior. Aqui temos uma câmera mostrando pessoas no ócio ou fazendo qualquer frivolidade ou baixaria. Mas no exterior aqueles simulacros de documentários são uma coisa terrível!

São sempre cenas de alguém fazendo alguma coisa sem muita importância. E aí há o depoimento dessa mesma pessoa, falando coisas também sem muita importância. Volta a cena e vai a pessoa pagando alguma pequena gafe e rindo para a câmera. Muito entediante.

Mas o pior é que as melhores atrações, que já estão se tornando raras na TV paga, tornam-se agora privativas de pacotes avançados de assinatura. Se você comprar um pacote básico, não terá filmes de qualidade nem seriados como Parker Lewis Can't Lose, um seriado dos anos 90 que adoro bastante.

Em compensação, temos, nos pacotes básicos, grandes desperdícios que na prática significam dinheiro jogado fora. Um exemplo bastante ilustrativo são os leilões de gado dos canais rurais, que sempre estão abertos nos pacotes mais básicos da TV paga, liberados até mesmo para as áreas urbanas (?!).

É dinheiro jogado nas janelas das operadoras de TV paga. Quem é que assiste a uma atração dessas, feita apenas para fazendeiros? Quem é que vai comprar gado vivendo uma vida de classe média numa zona urbana? Quem é que tem dinheiro para comprar um boi desses? E que interesse tem em ver pessoas insignificantes vencendo um leilão?

O ideal era que os canais rurais fossem bloqueados para os assinantes de pacotes básicos,  sendo liberados apenas a uma escala maior dos pacotes avançados. Isso porque a programação desses canais só interessa mesmo a um público rico e conservador, que se identifique com o universo das elites rurais dos grandes proprietários de terras.

Será que somos induzidos a idolatrar pessoas insignificantes, sejam sub-famosos de "riélites" estrangeiros, sejam os "astros" de um Big Brother Brasil, sejam os fazendeiros que nem conhecemos direito que adquirem gado bovino e similares? Ou então os tediosos programas de vendas de joias, que acontecem de madrugada?

Além do mais, a TV paga sofreu uma invasão de filmes dublados, de comerciais longos, de programas popularescos, de música brega-popularesca que o Multishow tenta projetar como se fosse "cult", principalmente os chatíssimos cantores de axé-music, "sertanejo" e "pagode romântico" que fazem sucesso fácil nas rádios FM mais comerciais.

Enquanto isso, não podemos crescer muito culturalmente. É claro que dá para ver um Big Bang Theory, uma música instrumental num canal público ou um filme brasileiro antigo na TV paga, e a liberação do Canal Brasil para o pacote básico melhorou bastante. Mas ainda é pouco para evitar que zapeemos a televisão de forma insistente, nesse semi-árido de programação que se tornou a TV paga.

Francamente, os estragos que a "gatonet" de milicianos fizeram foram muito mais graves do que a simples ação criminal desses grupos em si. Acabaram também fazendo nivelar por baixo a TV por assinatura, da mesma forma que o AI-5 fez declinar a TV aberta brasileira.

domingo, 20 de janeiro de 2013

DEPOIS DOS 45 ANOS, HOMENS DE STATUS NÃO SABEM MAIS SE VESTIR


Depois dos 45 anos, os homens considerados "importantes" e "bem sucedidos" deixam de saber o que é se vestir bem. Isso parece polêmico, ante a frequência com que eles usam paletós ou trajes "casuais" ou "esportivos" (sic) que quase obrigatoriamente adotam sapatos de verniz ou couro.

Empresários, economistas, publicitários, médicos, engenheiros, advogados, executivos e outras profissões de status mostram que os homens deixam de lado a verdadeira noção de elegância e deixam até mesmo a noção de que situação se vestirem bem.

A elegância que adotam torna-se viciada, que extingue completamente o prazer de vestir-se bem. Tudo deixa de ser uma questão de gosto, passa a ser uma mera obrigação e formalidade. O vício das formalidades torna a personalidade sisuda e por isso pouco agradável, e é no lazer que esses homens precisam provar que são mais do que entes profissionalmente bem sucedidos.

Por isso a elegância torna-se deselegante no processo comunicativo. O significante "elegância" passa a ter, como significado, a palavra "deselegância". Parece complicado, mas a elegância aparente, sendo viciada, torna-se deselegante porque não se trata mais de uma questão de bom gosto, mas de uma questão de formalidade.

Isso torna os homens repetitivos, preguiçosos, desagradáveis. Os tempos mudam e aquele hábito de vestir paletós e usar sapatos de verniz para ir ao cinema ou tomar um sorvete com a namorada se tornaram antiquados, obsoletos.

E quem tem entre 45 e 60 anos, então, não consegue acompanhar tais mudanças. O cabelo grisalho cria uma acomodação que faz com que a elegância de outrora se perdesse, que o prazer de vestir o primeiro terno se transformasse numa rotina que, para os outros, pode ser até mesmo irritante.

Sim, muitas pessoas ficam irritadas e aborrecidas quando um homem de uns 58 anos só usa sapatos de verniz nas horas de lazer. Já não se exige esses sapatos sequer nos almoços no Iate Clube ou mesmo em reuniões informais de uma classe profissional.

Mas há homens que vão assim, com esses sapatos de verniz ou couro, até em festa de aniversário de adolescentes e isso já deixou de ser adequado e respeitável há tempos. O abuso da elegância torna-se, na prática, a negação da mesma, com as transformações sociais em que vivemos.

Nem tudo na vida é cerimônia de gala e os "coroas" ainda não conseguiram se adaptar aos novos tempos. Uns tentam pequenas mudanças, como colocar a camisa abotoada para fora da calça - prática estimulada pela necessidade de proteger telefones celulares guardados nos cintos - , usar calça jeans para "quebrar" a sisudez do paletó ou usar roupas de cores mais alegres, como um azul marinho.

Tudo isso é em vão se um sapato de verniz ou couro, mesmo em cor bege, dá o seu último grito de resistência da sisudez vestuária. A recusa de calçar um par de tênis para ir a um cinema ou teatro, porque "não combina com a idade", é uma ideia que, na boa, torna-se a cada dia mais ridícula.

Mesmo o padrão de homem de 60 anos casado com uma atraente moça de em média 35 ou 40 anos mudou bastante e mesmo homens muito influentes ignoram isso. A sisudez de paletós, sapatos e aquele jeitão paternal e sério, adotado até mesmo nas mais informais situações de lazer, hoje não inspira simpatia nem superioridade alguma, sendo mais um sinal de comportamento isolacionista e antiquado.

Hoje se aceitam camisetas, jeans, tênis, bermudões, que não se mostram feios nem deslocados quando usados por homens grisalhos. Pelo contrário, a cada dia a sociedade exige dos "coroas" maior descontração, menos formalidade na hora de agir, de se comportar, de se vestir.

A elegância obsessiva acaba escondendo problemas de personalidade e comportamento que variam desde a frustração dos "coroas" de se casarem com mulheres bem mais novas - o que faz com que eles queiram se comportar como se fossem mais velhos do que são - até mesmo uma certa resistência com as mudanças sociais, que exigem menos formalidades e menos sisudez fora do trabalho.

A elegância obsessiva constrange, intimida, irrita, chateia. E mostra até o oposto do ambiente profissional, na medida em que empresários, executivos e profissionais liberais que são sinônimos de capacidade de decisão na vida profissional, acabam demonstrando incapazes de decisão na hora do lazer, dependendo até mesmo da presença de adolescentes ou crianças para brincar ou se divertir em alguma festa.

Homens que se comportam com elegância obsessiva e sisudez, independente de pegarem "novinhas" ou não, acabam se fechando no seu tempo. Não dá para aceitar que eles transformem sapatos de verniz e couro nos seus segundos pés. Os tênis que eles agora usam apenas em caminhadas ou passeios turísticos reclamam também uso para cinemas, almoços no Iate Clube, idas ao teatro etc.

A cada dia os padrões tendem ao rejuvenescimento. E é bom que os homens que hoje iniciam os 60 anos ou estão perto disso passem a aceitar essa realidade. Até porque eles ainda eram bebezinhos quando essa onda de mudanças começou a ocorrer. Até a elegância muda com o tempo.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

JUSTIÇA DO RIO: A TV GLOBO JOGA EM CASA


RODRIGO VIANNA (último, da esq. para a dir.) com seus colegas da Rede Record. Foto de Hélio Campanholo.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O jornalista Rodrigo Vianna é a mais nova vítima da máquina processual do chefão Ali Kamel, do jornalismo da Rede Globo, tudo porque este não gostou de uma comparação com um ator pornográfico do mesmo nome.

Aqui Rodrigo, que havia trabalhado antes na TV Globo e hoje está na Record, lança seu manifesto, enquanto luta na Justiça para não ter que indenizar Kamel num processo que este moveu sem garantir o direito de defesa da vítima, como deveria ser de acordo com a lei.

Justiça do Rio: a TV Globo joga em casa; mas Kamel está derrotado pela história

Por Rodrigo Vianna - Blogue Escrevinhador

Na praça Clóvis/Minha carteira foi batida/Tinha vinte e cinco cruzeiros/E o teu retrato…
Vinte e cinco/Eu, francamente, achei barato/Pra me livrarem/Do meu atraso de vida
(Paulo Vanzolini, “Praça Clóvis”)


Um advogado amigo costuma dizer: “no Rio, a Globo joga em casa”.

Hoje, tivemos mais uma prova. Ano passado, fui condenado em primeira instância, num processo movido pelo diretor de Jornalismo da Globo, Ali Kamel. Importante dizer: a juíza na primeira instância não me permitiu apresentar testemunhas, laudos, coisa nenhuma. Acolheu na íntegra a argumentação do diretor da Globo – sem que eu tivesse sequer a chance de estar à frente da meritíssima para esclarecer minhas posições.

Recorremos ao Tribunal de Justiça, também no Rio. Antes de discutir o mérito da ação, pedimos que o TJ analisasse um “agravo retido” (espécie de recurso prévio) que obrigasse a primeira instância a ouvir as testemunhas de defesa e os especialistas de duas universidades que gostaríamos de ver consultados na ação.

O Tribunal, em decisão proferida nessa terça-feira (15/01), ignorou quase integralmente nossa argumentação. Negou o agravo e, no mérito, deu provimento apenas parcial à nossa apelação – reduzindo o valor da indenização que a meritíssima de primeira instância fixara em absurdos 50 mil reais. Ato contínuo, certos blogs da direita midiática começaram a dar repercussão à decisão. Claro! São todos fidelíssimos aos patrões e ao diretor da Globo, na luta que estes travam contra outros jornalistas.

Sobre esse processo, gostaria de esclarecer alguns pontos. Primeiro, cabe recurso e vamos recorrer!

Segundo, está claro que Ali Kamel usa a Justiça para se vingar de todos aqueles que criticam o papel por ele exercido à frente da maior emissora de TV do país. Kamel foi derrotado duas vezes nas urnas: perdeu em 2006 (quando a Globo alinhou-se ao delegado Bruno na véspera do primeiro turno, num episódio muito bem narrado pela CartaCapital, naquela época) e perdeu em 2010 (quando o episódio da “bolinha de papel” foi desmascarado pelos blogs e redes sociais). Contra as quotas, contra o Bolsa-Família, contra os avanços dos anos Lula: Kamel é um dos ideólogos da direita derrotada. Por isso mesmo, era chamado na Globo de “Ratzinger”.

Em 2010, Ali Kamel virou alvo de críticas fortes (mas nem por isso injustas) na internet. Deveria estar preparado pra isso. Dirige o jornalismo de uma emissora acostumada a usar seu poder para influir em eleições. Passadas as eleições de 2010, Kamel muniu-se de uma espécie de “furor processório”. Iniciou ações judiciais contra esse escrevinhador, e também contra Azenha (VioMundo), Marco Aurélio (Doladodelá), CloacaNews, Nassif, PH Amorim… Todas praticamente simultâneas. Estava claro que Kamel pretendia mandar um recado: “utilizarei minhas armas para o contra-ataque; não farei o debate público, de conteúdo, partirei para a revanche judicial”.

Advogados costumam dizer que em casos assim “o processo já é a pena”. Ou seja: o processante tem apoio da maior emissora do país, conta com advogados bem pagos e uma estrutura gigantesca. O processado (ou os processados) são jornalistas e blogueiros “sujos”, sem eira nem beira. O objetivo é sufocar-nos (financeiramente) com os processos.

Está enganado o senhor Ali Kamel. Aqui desse lado há gente que não se intimida tão facilmente.

Não tenho contra Kamel nada pessoal. Conversei com ele sempre de forma civilizada quando trabalhei na Globo. Troquei com ele alguns emails cordiais – como costumo fazer com todos colegas ou chefes. Kamel utilizou um desses e-mails pessoais na ação judicial, como se quisesse afirmar: “ele gostava de mim quando estava na Globo, deixou de gostar quando saiu da Globo.”

Ora, a questão não é pessoal. Tinha por Kamel respeito, até que comprovei de perto algumas atitudes estranhas (vetos a matérias), culminando com a atuação dele na cobertura do caso dos “aloprados” na eleição de 2006. Na época, eu trabalhava na Globo. Saí da emissora por causa disso. E passei a não mais respeitar Ali Kamel  profissionalmente. O discurso que ele fazia na Redação antes de 2006 (“todos podem ser ouvidos, há espaço para crítica”) era falso. Quem criticou ou dissentiu foi colocado na “geladeira” e “expurgado”. Isso está claro. Azenha, Marco Aurelio Mello, Carlos Dornelles e Franklin Martins estão aí para mostrar…

De resto, a utilização de e-mails (estritamente pessoais) numa ação não é ilegal. Mas mostra o grau apurado de ética de quem os utiliza como ferramenta da luta política e judicial.

No meu caso, a acusação é de ter “espalhado” pela internet que ele seria um “ator pornográfico”. Quem lê os textos que escrevi neste blog sobre a infeliz homonímia (um ator pornô nos anos 80, aparentemente, usava o mesmo nome que ele – Ali Kamel) logo percebe: em nenhum momento disse que Ali Kamel (o jornalista) seria o Ali Kamel (ator pornográfico). Não afirmei que eram a mesma pessoa nem neguei que o fossem. Não sabia, e isso pouco importava. Apenas usei a coincidência como mote para a crítica, em textos claramente opinativos: pornográfico, sim, é o jornalismo que Ali Kamel pratica tantas vezes à frente da Globo. Foi essa a afirmação que fiz em seguidos textos. Muitas vezes, de forma bem-humorada.

Na apelação ao Tribunal, mostramos como seria importante a juíza de primeira instância ter consultado especialistas em Comunicação  (indicamos ao menos dois) para entender a diferença entre opinião e informação. E para entender a centralidade do uso do humor na crítica política.

Mostramos em nossa defesa, ainda, como o impoluto comentarista (e ex-cineasta) Arnaldo Jabor utilizou-se de mote parecido no título de um livro que fez publicar: “Pornopolítica”. Se há uma “pornopolítica”, por que não posso falar em “jornalismo pornográfico”?

Só a Globo e seus comentaristas podem recorrer a metáforas? Parece que sim. Especialmente no Rio de Janeiro. No Rio, a Globo joga em casa.

Vamos recorrer aos tribunais de Brasília. Não que eu tenha grandes esperanças de ver magistrados na capital federal a enfrentar o diretor de Jornalismo da Globo. Mas vou utilizar as armas que tenho.

Mais que isso: se Kamel pensava em calar ou intimidar seus críticos, vai se dar mal. Esse processo vai ajudar a mobilizar aqueles que lutam contra os monopólios de mídia no Brasil. Vai ajudar a escancarar a hipocrisia daqueles que na ANJ e na SIP pedem “ampla liberdade de crítica”, daqueles que usam Institutos Milleniuns para exigir “que não se criem travas ao humor como ferramenta de crítica”, mas que fazem tudo ao contrario quando são  eles os objetos da crítica e do humor.

Kamel pode até ganhar no Rio. Pode ganhar no STJ, STF, CNJ, SIP, ANJ, sei lá onde mais.  Mas perderá na história. Aliás, já perdeu. Na testa dele está o carimbo (justo ou injusto? o público pode julgar…) de “manipulador de eleições”. Manipulador frustrado, diga-se. Porque segue a perder. No Brasil, na Venezuela, na Argentina…

A Justiça quer que eu pague 20 mil, 30 mil ou 50 mil pro Ali Kamel? Acho absurda a condenação. Mas se for obrigado, eu pago até com certo gosto. Levo lá no Jardim Botânico o cheque pra ele. Ou entrego no apartamento onde ele vive, de frente pro mar na zona sul – palco, vez ou outra, de brigas com os vizinhos que também acabam na Justiça.

Essa condenação, que ainda lutarei para reverter, lembra-me a belíssima letra de Paulo Vanzolini – com a qual abri esse texto…

Tudo bem, Kamel, se você e a  Justiça fizerem questão, eu pago! Só que seguirei a fazer - aqui – o contraponto ao jornalismo que você dirige.

Tudo bem, Kamel, se você e a Justiça fizerem questão, esgotados todos os recursos, eu pago!

Eu pago. Vê-lo derrotado frente à história: não tem preço.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

ANUNCIANTES DE FMS NOTICIOSAS DEVERIAM PRIORIZAR JINGLES


Algo muito irritante acontece nos intervalos de programas como o de Ricardo Boechat, na Rede Band News FM. Intervalos inteiros apenas com comerciais falados desperdiçam tempo por serem repetitivos e serem jogados ao vento diante de um "mar de notícias" que faz com que o ouvinte esteja pouco habituado a receber os mesmos apelos comerciais maçantes e repetitivos.

Sou contra rádios só de notícias, pois a overdose de informação torna-se notória, e o chamado "opinionismo" já deixou de ser um diferencial há muito tempo, até porque a blogosfera anda dando umas grandes vitórias nesse sentido.

O ideal seria a alternância entre música e notícias, sem essa de transmissão de futebol ou corrida, para descansar os ouvintes da sobrecarga informativa que eles terão que processar em suas mentes numa pausa para poderem pensar num assunto e formarem sua própria opinião. Com avalanche de notícias, isso não é muito possível de acontecer, e o ouvinte acaba tomando como sua a opinião do locutor ou entrevistado.

Mas, se a vontade dos executivos de rádio e o paternalismo de seus gerentes artísticos é que prevalece, vá lá. Só que nem os anunciantes colaboram para amenizar a sobrecarga informacional e parecem veicular peças publicitárias de rádio, os chamados spots, como se o público alvo fosse seus próprios publicitários.

Diz até uma piada que os anunciantes de televisão veiculam suas propagandas para vender seus produtos, os anunciantes de jornais e revistas veiculam suas propagandas para vender seus produtos, mas os anunciantes de rádio veiculam suas propagandas para ganhar prêmios de publicidade.

E, por sinal, os anunciantes do rádio FM, que anda muito, muito mofado, parecem perseguir até hoje os concursos de Publicidade e Propaganda do começo dos anos 1990. Os comerciais de rádio FM são tão repetitivos que dá pena ouvi-los, muitos aproveitam os intervalos e vão conversar com um amigo, ir ao banheiro, beber água, comprar alguma coisa etc.

Houve uma onda de comerciais em que cada peça publicitária mostrava um diálogo humorístico entre um homem com voz de velho bonachão e uma mulher com voz de dondoca. Eram uns três comerciais passando o mesmo tipo de linguagem. Isso foi há cerca de uns dois anos atrás.

Depois, veio a onda dos comerciais simulando telefonemas. Era geralmente um rapaz telefonando com uma moça, num diálogo veloz porém muito maçante. Pouco importava o produto, se era concessionária de automóvel, creme dental ou banco, era a mesmíssima coisa.

Pior é que tudo isso é feito para agradar a vaidade dos publicitários. E será que alguém acha que isso consegue divulgar um produto? Dificilmente. Tudo já é tão rotineiro no rádio que, se um produto consegue ser vendido, é porque o mesmo anunciante também já havia lançado peças publicitárias em televisão e nas páginas de revistas e jornais.

VOZES DE DESENHO ANIMADO - Mas, se há os chamados jingles, a última esperança dos anunciantes para contrabalançar o blablablá radiofônico e conseguir vender seus produtos sem se "afogar" num "mar de notícias", eles mesmo assim estão muito aquém de serem agradáveis para os ouvintes.

A maioria das músicas publicitárias é muito caricata, tocada apenas com um sintetizador simplório, e seus cantores, além de amadorescos, cantam com a voz de dubladores de desenhos animados. Ou seja, a maior parte dos jingles para rádio FM é muito, muito ruim.

Várias peças musicais publicitárias marcaram história, como a do Rum Creosotado, muitíssimo antigo. Ou então o jingle da Varig, ou tantos outros. Não me parece que um comercial não-musical de rádio conseguiu a mesma popularização ao longo dos anos.

Uma das exceções das peças musicais é o jingle da Insetfone, marca de inseticidas, que teve várias versões. Se, ultimamente, o comercial peca por ser feito apenas com teclado, o que aproveita pouco sua concepção de sambalanço - cujo arranjo seria melhor valorizado com instrumentos próprios do ritmo - , pelo menos a cantora tem uma bela voz.

Fazer peças musicais para rádio FM, com instrumentos e cantores de verdade - mesmo que sejam amadores e até quase anônimos, mas que tenham pelo menos um talento comparável ao dos grandes cantores - pode até custar dinheiro, mas terá um retorno mais garantido e um diferencial na divulgação de um produto que não se perderá na overdose de locuções e informações.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

JODIE FOSTER PARECE ESTAR FALANDO PARA OS "BIG BROTHERS"


Um dos destaques do Globo de Ouro 2013 (Golden Globe Awards 2013) foi a atriz Jodie Foster, que fez um longo e emocionado discurso, no qual agradece a seus amigos, como a ex-companheira Cydney Bernard e à mãe de 84 anos, e descreve sobre vários aspectos de sua vida e carreira.

No seu discurso, o que chama a atenção é a crítica que ela faz à decadência da privacidade, sobretudo por conta do show business e das pressões que os atores têm em falar sobre suas vidas particulares. Isso numa época em que se multiplicam os reality shows de qualquer temática, inclusive nenhuma, como o tal Big Brother Brasil.

"Naqueles dias muito pitorescos, quando uma garota frágil escolhia se abrir com amigos confiáveis, e com a família, assim como com colegas de trabalho e depois, gradualmente, orgulhosamente, com todo mundo que a conhecia. Mas agora aparentemente se espera que toda celebridade dê detalhes de sua vida privada em entrevistas coletivas", disse a atriz.

Solteira e com dois filhos, Jodie, belíssima e jovial aos 50 anos, bastante simpática, sincera e com senso de humor, no entanto soou poética e saudosa dos tempos em que a vida particular era mais valorizada. "Privacidade. . Em algum dia no futuro as pessoas vão olhar para trás e se recordar de como isso era bonito".

A frase soa tão comovente que podemos reproduzi-la no texto original, em inglês: "Privacy. Maybe someday in the future, people will look back and remember how beautiful it once was".

Não se trata de rejeitar a fama ou a vida pública, mas evitar os excessos, tanto nos fotógrafos "papparazzi" que correm atrás de qualquer banalidade que um famoso faz no cotidiano, quanto de pessoas que não têm o que dizer mas que querem ficar famosas a todo custo.

IMAGEM PEJORATIVA DO OSTRACISMO

Sabendo dessa frase da bela Jodie Foster, dá para perceber o quanto é vergonhoso nesse Brasil provinciano ver ex-integrantes do Big Brother Brasil vivendo às custas de noitadas e outras aparições supérfluas, fazendo apelações para se manterem na fama.

Há, no Brasil, uma imagem pejorativa do que é ostracismo, visto como um misto de asilo prematuro com miséria e abandono. Trata-se de um grande engano. Não é ruim, em si, voltar a ser um anônimo, se a vida se levar com dignidade e proveito.

Isso é muito melhor do que cometer gafes em nome da fama e criar polêmica com nada. De que adianta Solange Gomes, Mayra Cardi e Geisy Arruda cometerem suas gafes e ainda agirem com arrogância, achando que isso "faz parte" e tentam se promover com falsas controvérsias, quando na verdade elas poderiam viver suas vidas discretamente, se não quisessem tanto a fama.

E olha que foi uma atriz mundialmente famosa que fez um comentário saudoso sobre a privacidade. Uma atriz que experimentou sua fama desde a infância em 1965. Ela comparou sua carreira a um reality show, por conta desses anos todos em que esteve à frente das câmeras.

Jodie não tem vergonha de ser famosa. Isso até lhe deu coisas boas, além da fama ter sido conquistada pelos méritos próprios da atriz e também cineasta. Mas a privacidade tem seu lado positivo, do respeito à intimidade, em vez das sub-celebridades de hoje transformarem a vida pública num grande banheiro, com direito a ex-BBBs colocando fotos no Instagram com eles sentados nas privadas.

Para os ex-BBBs, por sinal, "privada" é sinônimo de vaso sanitário, de tão preocupados eles estão com a fama a qualquer preço. E a doce frase de Jodie Foster soa como uma dura advertência para quem quer ser famoso sem mérito. Parabéns, Jodie, pela sua lucidez.

O NOIVADO DE OLIVIA WILDE E O MEDO DAS MUSAS "POPULARES"


Sempre há um homem para uma mulher que não é vulgar. Lá fora, embora sem a frequência quase absoluta do Brasil, as mulheres classudas, potencialmente, sempre têm algum pretendente. Recentemente, foi divulgada a notícia do noivado da belíssima atriz Olivia Wilde com o comediante do Saturday Night Live, Jason Sudeikis.

Há poucos meses, a encantadora atriz - cujo sobrenome artístico é em homenagem ao escritor Oscar Wilde, admirado por ela - havia sido modelo da grife Bourgeois Bohême, esbanjando seu charme e beleza. O que mostra o quanto Olivia é uma mulher fundamental.

Mulheres assim os homens são loucos para ter. De cafajestes pedantes a nerds caseiros, eles sempre querem ter uma mulher que seja mais do que um corpo atraente. Em compensação, nem todos os homens conseguem ter esse tipo de mulher, e os homens mais legais são os que mais sofrem.

No Brasilzinho provinciano de cada dia, o que se vê são as "musas populares" com medo de assumir relações amorosas. Enquanto a maioria das atrizes de televisão, por exemplo, são muito bem comprometidas, as chamadas "boazudas" acabam demonstrando ser muito frouxas quando o assunto é vida amorosa.

Oficialmente tidas como "as mais desejadas", as "boazudas" ou escondem relações amorosas, quando as têm, ou então jogam fora oportunidades de ouro, devido a muitas frescuras. Se o rapaz é empresário, elas quase não chegam perto. Se o rapaz é galã, igualmente. Recusam pretendentes como crianças que se recusam a tomar da sopa que nunca tomaram e nem conhecem o sabor.

O pior é que elas vêm com o mesmo papo de sempre. Quando estão sozinhas, falam que "sonham com um cara legal" e umas aceitam até namorar os fãs. Mas quando surge um pretendente, geralmente de boa pinta, elas arrumam desculpa para dizer que "não rolou": "Ele é tudo de bom, é maravilhoso, lindo e gentil, mas decidimos apenas ser grandes amigos".

O pior é que elas a cada dia provocam indignação, não somente para este blogue, mas para os milhares de internautas que mandam mensagens para os fóruns dos portais Ego, Terra Diversão e R7, reprovando até com certa raiva ou ironia agressiva as "musas" vulgares.

O país se transforma e cada vez mais a mulher que só vive para mostrar o corpo para a mídia está sendo passada para trás. E aí surgem pressões para elas formarem família, arrumarem marido etc, e várias delas ficam irritadas, ameaçando processar judicialmente quem só dá bons conselhos e pede para que elas pelo menos se envolvam com algum homem mais importante e poderoso para elas.

Elas preferem levar para a velhice suas gafes e sua sensualidade forçada e caricata a ter que se preparar para um futuro mais seguro. Têm medo do ostracismo, achando que ele é o mal. Não é. O mal é um ostracismo mal vivido, mal orientado, mas um ostracismo com dignidade é muito melhor do que a obsessão pela fama às custas dos piores procedimentos.

Pior é chegar aos 40 anos posando de falsa gostosa, como se fosse uma moleca grotescamente "sensualizada" de 18 anos e lucrar com a fama de grosseira e "encalhada" mesmo tendo filhos crescidos que acabam levando gozação na escola porque as mães deles só sabem mostrar os corpos siliconados e anabolizados na mídia. Será que as "musas populares" não têm "semancol"?

Enquanto isso, os homens de bem ficam a ver navios vendo mulheres que deveriam somar às suas vidas serem comprometidas com outros homens, sejam eles quem são. Isso dói, isso dói, isso dói.

domingo, 13 de janeiro de 2013

OS PRECONCEITOS DA UOL 89 FM COM O ROCK


As gerações mais recentes não sabem uma diferença entre a publicidade enganosa e a informação verídica. E muita gente foi tapeada pela notícia da "volta triunfal" da suposta "rádio rock" 89 FM, hoje conhecida como UOL 89 FM.

Muita gente caiu em transe coletivo, achando que era uma "rádio de rock de primeira" que voltou ao ar. Hipnotizados pelo sedutor logotipo da emissora, os jovens não perceberam que a 89 FM retomou justamente a performance que "queimou" a emissora em 2006, e que talvez venha a "queimá-la" da pior maneira.

A volta da rádio nem de longe representou a revalorização da cultura rock, mas se deu sob a condição de alimentar apenas o consumo de artistas internacionais e atrair demanda para o Rock In Rio. Os donos da 89 FM são amigos de Roberto Medina e o background ideológico da 89 sempre foi notório.

Seus donos originais, José Camargo e dois filhos, haviam sido malufistas durante a ditadura militar. Nos anos 90, a 89 FM se fortaleceu apoiando Fernando Collor de Mello. Os donos da rádio também apoiaram Fernando Henrique Cardoso e, atualmente, a rádio buscou uma parceria acionária com Otávio Frias Filho, dono da Folha de São Paulo e do portal Universo On Line (UOL), que emprestou sua marca à rádio.

Ouvindo a emissora, posso constatar que a rádio estabelece sérias e violentas restrições à cultura rock que fazem desmerecer, de imediato, qualquer definição de "verdadeira rádio rock" ou "a melhor rádio rock do mundo" que certos deslumbrados, de forma exagerada e tola, haviam atribuído à emissora em sua volta.

Além do mais, a linguagem da 89 NADA TEM A VER com rádio de rock, sendo mais a mesmíssima linguagem e mentalidade debiloide que vemos em qualquer rádio idiota de pop dançante, o que tira qualquer sentido para os ataques forçados da "nação roqueira" ao "poperó" e ao "putz-putz" (nomes que eles usam para a dance music).

Até no vídeo do lançamento da UOL 89 FM, o locutor Tatola fez umas gracinhas no estúdio. E o repertório musical não vai além do mais repetitivo hit-parade "roqueiro", extremamente previsível e calcado nos anos 90 e 2000, com prioridade para tendências mais comerciais como o poser metal, nu metal e alguns emos mais antigos.

Seus ouvintes já demonstraram total preconceito ao rock clássico, e usam o pretexto do "novo" para defender a programação da 89, mas cometendo sérias contradições, já que no exterior não existe essa frescura de discriminar o rock velho em nome do rock novo. Nomes como Paul McCartney, David Bowie e Mick Jagger se entrosam com os artistas novos sem problema e eles prestam consideração a esses mestres.

O que se vê é que 99% (isso, NOVENTA E NOVE POR CENTO) do rock feito em sua história não passa na 89 FM. A rádio não toca bandas realmente alternativas, discrimina o rock mais antigo, não toca rock instrumental nem lados B de compactos, não toca artistas obscuros nem falecidos há muito tempo, e para certos artistas não toca mais do que um único e pouco representativo hit mais conhecido.

Nem quando seus coordenadores se esperneiam para dizerem que são a "eterna rádio rock do mundo, hoje e sempre, até depois do fim do mundo". Isso porque eles NÃO ENTENDEM BULHUFAS de rock, o que eles "entendem" é aquilo que é ditado pelos executivos de gravadoras.

Portanto, passada a surpresa e os comentários um tanto IMPROCEDENTES sobre a tal "rádio rock", a volta da 89 FM não conseguiu trazer de volta os roqueiros autênticos que hoje abastecem seus ouvidos com CDs e arquivos MP3, até pela liberdade criteriosa que têm para ouvir rock. É como diz o amigo Marcelo Delfino: a MP3 FM continua insuperável.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

ANDRÉ SETARO CRITICA A MISÉRIA CULTURAL NA BAHIA


O crítico de cinema André Setaro, que foi meu professor na UFBA, tem um excelente blogue, chamado Setaro's Blog, no qual escreve sobre cinema e outros assuntos. Recentemente, ele reproduziu um texto que havia feito anos atrás para o Terra Magazine, expressando sua preocupação com o cenário cultural da Bahia.

Sabe-se que a Bahia está numa situação crítica que já nem se pode mais falar em mediocridade cultural, mas na imbecilização cultural mais aberta. Enquanto a axé-music mantém seu império a ferro e a fogo, a cultura baiana sofre seus infortúnios. A cantora Mariene de Castro já se "exilou" no Rio de Janeiro e, recentemente, o Solar Boa Vista, localizado no Engenho Velho de Brotas, sofreu um sério incêndio.

O rádio FM de Salvador, de PÉSSIMA qualidade, virou um acampamento para os chatíssimos "programas de locutor" que não passam de "acampamentos ideológicos" de pseudo-jornalistas e pseudo-radialistas politiqueiros e tendenciosos, apoiados também por jornadas esportivas e transmissões de futebol que mais parecem vindas de AMs perdidas no começo dos anos 70, de tão caquéticas.

Fora isso, temos programações musicais que não vão além do "irrit-pareide" mais comezinho, isso quando não é o lero-lero brega-popularesco em que se privilegia a tirania escravista da axé-music e seus derivados, como o "pagodão" e o "arrocha", que pegam pesado nas baixarias e na glamourização da pobreza e da idiotização social.

Há mais de 55 anos, isso não era assim. A Bahia respirava cultura, sobretudo a partir das mentes futuristas de gente como o reitor da então UBa (Universidade da Bahia, sem o atual nome "Federal"), Edgard Santos, e o crítico de cinema Walter da Silveira, sem falar do impacto causado por Dorival Caymmi bem antes. Dorival já era um gigante da música na Bahia de 1956.

Edgard Santos chamou vários artistas estrangeiros para ensinar na UBa e dialogar com as expressões locais. Foi aí que Tom Zé entrou em contato com a arte concreta, através do professor Hans Joachim Koellreuter. E vários nomes brilhantes da cultura baiana haviam surgido por estímulo a esse cenário cultural fértil.

Glauber Rocha, um repórter policial do Jornal da Bahia (brilhante periódico destruído nos anos 90 pelo Maluf baiano, Mário Kertèsz), havia aperfeiçoado seus conhecimentos sobre cinema como frequentador dos cine-clubes de Walter da Silveira, cujos debates envergonhariam, hoje, os espectadores que pensam que o TeleCine Cult e sua prioridade no "cinemão" de Hollywood é um canal de "cinema alternativo".

Foi aí que Glauber deslanchou e virou cineasta, e por um incidente ele assumiu a direção de Barravento, filme em andamento desde 1958 (época de sua elaboração como argumento) e que foi finalizado em 1961. Um desentendimento com o diretor original, Luís Paulino dos Santos, com a produção do filme fez a direção cair nas mãos de Glauber, inicialmente apenas um de seus produtores.

Várias expressões do teatro, da música, do cinema, da literatura e das artes plásticas, com seus nomes bastante conhecidos nacionalmente, floresceram nessa época, de 1955 a 1964, e quem veio antes dessa época se consagrou. Consta-se que Dorival Caymmi foi um dos patronos da Bossa Nova. E João Gilberto era seu discípulo assumido.

O movimento da Tropicália, em 1967, apenas foi o auge dessa fase produtiva, pois, embora surgida mais tarde, já depois de 1964 - quando a ditadura militar fez muita gente deixar a Bahia, porque o coronelismo local apoiou o golpe e o "governo revolucionário" que se instalou no país - , bebeu nas fontes da Bahia fervilhante daqueles tempos.

No seu artigo, André Setaro critica até mesmo os pseudo-intelectuais e a crítica cultural que elogia a mediocridade cultural e suas "personalidades": "Atualmente, os cadernos dois, assim chamados, são até contraproducentes porque elogiam o que deveriam criticar, colocando na posição de artistas personalidades que deveriam, no máximo, estar no departamento de limpeza de estações rodoviárias".

É um dedo nas feridas dos jornalistas que apoiam o jabaculê da axé-music ou a mesmice do "irrit-pareide" que alguns bitolados pensam até ser "vanguarda" ou "alternativo", porque nunca ouviram Beyoncé ou Guns N'Roses serem tocados nas rádios "só sucesso". Imagine se a UOL 89 FM entrasse em Salvador. Já se teve experiência parecida, a desastrosa Aratu 96 FM, de triste lembrança para o radialismo rock.

Mas isso também pode doer nas feridas dos tais pseudo-intelectuais, como Roberto Albergaria e Milton Moura - este com seu habitual chapéu, como um Reinaldo Azevedo com dendê - , dotados dos piores valores elitistas e machistas e defendendo a degradação cultural de Salvador sob o pretexto de que "é isso que o povo sabe fazer e gosta".

Também não me esqueço da "urubologia" da jornalista Malu Fontes, que num artigo do jornal A Tarde,  esnobava as reivindicações de melhorias culturais do povo pobre, achando que o arrocha, ritmo calcado no brega dos anos 70, é a "verdadeira cultura" do Recôncavo. A autora, num julgamento bastante elitista, tentou argumentar, sobre o arrocha, que "é isso que o povo sabe fazer".

A mediocridade cultural, portanto, não é apenas defendida pelos pretensos artistas e pelas pretensas celebridades, mas também pelos jornalistas e intelectuais que apoiam esse processo degradativo. A crise cultural não possui só seus agentes ativos, como seus "artistas" e "famosos", mas também seus agentes passivos que são intelectuais e jornalistas complacentes com essa decadência.

Daí a sábia crítica de André Setaro - a exemplo de outro baiano que foi meu professor, o poeta Ruy Espinheira Filho - contra a mediocrização cultural que faz Salvador virar uma terra de ninguém e que faz expulsar da capital baiana os próprios valores da terra.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

CAPITAL INICIAL HOMENAGEOU 89 FM COM LETRA EM ESTILO "EMO"

CAPITAL INICIAL NUMA FESTA DA 89 FM DE SÃO PAULO...PERAÍ, A 89 FM ESTAVA ENTÃO NA SUA FASE POP!!!

O Capital Inicial era até uma banda boa, foi um grande nome do Rock Brasil, do pós-punk brasiliense. Eu até tenho simpatia pelo Dinho Ouro Preto. Mas quando é preciso criticar, temos que fazer críticas, quando as coisas estão erradas.

Pois o Capital Inicial tornou-se tão condescendente com a mídia que hoje se apresenta em rádios pop, faz eventos musicais junto a nomes brega-popularescos, abre para medalhões da axé-music quando vai para Salvador etc etc.

Certa vez o grupo fez a música "Rádio Rock", que nem de longe pode se comparar, por exemplo, a "Do You Know Rock'n'Roll Radio?", dos Ramones, e a homenageada era a tal "rádio rock" que hoje se chama UOL 89 FM.

Quanto ao estado de espírito roqueiro, a letra nada quer dizer,  ficando muito aquém até mesmo das letras de "Aumenta Que Isso aí é Rock'n'Roll", do falecido Celso Blues Boy, símbolo da autêntica cultura rock da Rádio Fluminense FM que lançou o Capital Inicial que hoje rompeu com suas raízes, em que pese o recente tributo ao Aborto Elétrico.

Pois aqui vemos uma foto do Capital Inicial, de modo bem cordeirinho, se apresentando num evento de quando a 89 FM havia se aventurado - até de forma merecida - no segmento pop convencional. Mas o grupo havia homenageado a famosa "fase rock" recém-reativada, e Dinho já engrossou os coros dos que saudaram, carneirinhos, a volta dessa rádio pouco representativa para o segmento rock autêntico.

Aqui mostramos a letra da tal homenagem, bem ao estilo das letras emo sem pé nem cabeça. Uma pena, porque o Capital Inicial já teve uma história a zelar, até por ter sido um dos grupos derivados do lendário Aborto Elétrico...


Radio Rock
Capital Inicial

Rock na rua pelo asfalto
Rock na aula dando conta do recado
Rock na praia, dia ensolarado
Rock na cabeça, o tem todo alucinado
Rock na paz, é o que vai nos salvar
Rock na cama pra gente se amar
Rock na boate, no boteco e no bar
Rock é bom em qualquer lugar

Meu amigo deixa eu dar um toque
Neste ano e no ano que vem,
A minha rádio é rock

Meu amigo deixa eu dar um toque
Neste ano e no ano que vem,
A minha rádio é rock

89, a minha rádio é rock...

Rock no espaço, fumaça no ar
Rock no almoço, no café e no jantar
Rock pra deixar o pelo arrepiado
Rock até no samba,
Rock'n Roll pra todo lado


Meu amigo deixa eu dar um toque
Neste ano e no ano que vem,
A minha rádio é rock

Meu amigo deixa eu dar um toque
Neste ano e no ano que vem,
A minha rádio é rock

Meu amigo deixa eu dar um toque
Neste ano e no ano que vem,
A minha rádio é rock

89, a minha rádio é rock...
89, 89...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

MÍDIA REACIONÁRIA USA UOL 89 FM E BBB13 PARA EVITAR DESGASTE


A mídia reacionária, temendo por seu desgaste e pelas campanhas sociais pela regulação da mídia, está se mexendo para tentar obter o apoio da juventude brasileira. O hype em torno tanto da rádio UOL 89 FM quanto do programa Big Brother Brasil 13 dão um sinal do que quer a velha mídia.

Ambos os "fenômenos de mídia" foram badalados de forma muito exagerada. O Big Brother Brasil 13, ou BBB 13, era anunciado como o "maior acontecimento do Brasil", enquanto a dita "rádio rock" era festejada em sua volta, depois de seis anos como emissora de pop convencional.

Em ambos os casos, os comentários foram exagerados. Houve quem dissesse que a UOL 89 FM era "a verdadeira rádio rock", sem saber que seu perfil está muito longe disso, pois a emissora não passa de uma rádio de hit-parade como qualquer outra, mas "fechada" naquilo que o mercado fonográfico entende como "rock", que nem sempre corresponde à realidade do público do gênero.

A equipe da UOL 89 FM nem sequer é autenticamente relacionada com o rock, descontando músicos de rock convidados para apresentar programas. Quando muito, Tatola teve um passado como vocalista da banda Não Religião, precursora do punk domesticado que hoje conhecemos como "emo". Além do mais, o estilo de locução é tão abobalhado quanto qualquer rádio de pop dançante mais debiloide.

Já o BBB foi anunciado como um "grande evento", e até mesmo Kleber Bambam e Anamara agora são "grandes personalidades". Ex-BBBs são convidados para participar do programa, que a mídia promete ser "histórico".

ALIENAÇÃO - O apoio dos espectadores e ouvintes a esses dois fenômenos, muito mais do que favorecer os anunciantes e criar público para o Rock In Rio, é uma medida estratégica da mídia reacionária para evitar o desgaste midiático sofrido devido às pressões da blogosfera.

Tentando evitar o "efeito Clarín" - baseado no desgaste do império midiático argentino, ameaçado de perder seu patrimônio de rádios e TVs por causa da Lei de Meios local - , o Grupo Folha e as Organizações Globo apostam pesado tanto na rádio quanto no programa televisivo para tentar obter apoio dos jovens a essas corporações midiáticas.

A 89 FM é de propriedade da família Camargo (José Camargo, José Camargo Jr. e Ernesto Camargo), politicamente ligada a Paulo Maluf desde a ditadura militar. O clã, no entanto, decidiu abrir uma participação acionária a Otávio Frias Filho, dono da Folha de São Paulo e do portal de Internet Universo On Line.

Já o BBB é um programa transmitido pela Rede Globo de Televisão e outras emissoras do sistema Globosat, inclusive um canal exclusivo para assinantes de pacotes avançados da TV por assinatura.

Frias preferiu usar a marca UOL para somar ao já conhecido logotipo da 89 FM, aproveitando que o UOL já tinha serviço de rádios on line. O logotipo da 89 foi criado por Washington Olivetto para dar um tom impactuante, em fontes gráficas fortes e o hipnótico lema "A Rádio Rock".

No entanto, a 89 FM sempre teve uma performance de qualidade bastante inferior como rádio de rock. Sua reputação tem mais sentido publicitário do que real, uma vez que a rádio sempre esteve muito aquém de rádios de rock autênticas como a Fluminense FM era nos anos 80.

No contexto atual de Internet, nem se fala. A UOL 89 FM, passada a surpresa de seu ressurgimento, já mostra seu caráter decepcionante diante da realidade atual, onde as rádios de rock do mundo inteiro exigem conhecimento de causa e repertório mais abrangente que, ainda que procure priorizar novos ou velhos, nunca iria se prender ao repertório "só sucesssos" nem a tocar nomes comerciais.

O que se ouve na UOL 89 FM é a mesma emissora decadente que, em 2006, abriu caminho para uma programação pop. O estilo de locução, então, nem tem a ver com rádio de rock. Você ouve a Energia 97 FM e a Jovem Pan 2 e depois a 89 FM e vê que os locutores falam igualzinho, têm até as vozes parecidas e o QI igualmente retardado.

Quanto ao repertório, então, a UOL 89 FM diz que "prioriza o novo", mas isso, além de estimular um preconceito contra o rock mais antigo - um preconceito que não existe entre os fãs de rock autêntico - , faz restrições não só aos mais antigos, mas também ao rock mais novo.

De rock antigo, por exemplo, é constrangedor que a única música da era do rock instrumental de 1958-1964 seja "Misirlou", de Dick Dale & His Del-Tones, que pouca gente sabe que é uma gravação de 1962. A música só foi tocada pelo gancho do filme de Quentin Tarantino e, recentemente, pela versão do grupo Black Eyed Peas.

Do rock novo, parece que a UOL 89 FM desconhece a existência do Beady Eye, que é a última formação do Oasis sem Noel Gallagher - que, brigado com o irmão Liam, foi seguir carreira solo - , que já tem repertório próprio de primeira (da mesma forma que Noel tem seu repertório). O Beady Eye já apareceu na cerimônia de encerramento das Olimpíadas de 2012, em Londres, tocando "Wonderwall".

A programação é tão repetitiva que é difícil não saber qual música de uma banda a UOL 89 FM vai tocar. Do Iron Maiden, por exemplo, já se fala em "Fear Of The Dark". Smiths só aparecem com umas cinco músicas que qualquer rádio pop mediana já havia tocado. O próprio Oasis não vai além de umas músicas com clipes mais exibidos na MTV. Pixies? "Here Comes Your Man" é a música mais cotada.

Teve gente com medo de dizer que a UOL 89 FM era rádio de hit-parade. Pura amostra da alienação mental em que vive a maior parte da juventude brasileira, tão cercada de referenciais da mediocridade cultural que acumularam durante mais de duas décadas.

Portanto, o ouvinte da UOL 89 FM é aquele que nunca leu livros, não sabe o que é MPB, odeia intelectuais, menospreza a cultura dos mais velhos e só quer saber de curtição. Por isso, não é muito diferente dos fãs de "sertanejo universitário", "funk carioca" e axé-music que a dita "nação roqueira da 89" diz abominar.

Da mesma forma, é o mesmo público do BBB 13, igualmente desmiolado, crédulo com as imposições da mídia, submisso quanto às regras do "sistema", apesar do público da 89 FM se apoiar num estilo pseudo-rebelde de comportamento, com clichês que não conseguem desmentir seu caráter subserviente às regras da grande mídia e do mercado.

Além do mais, a UOL 89 FM, da parte dos Camargo, é do mesmo grupo empresarial da rádio brega Nativa FM. Será que vão cometer a besteira de dizer que a Nativa FM é "rádio de MPB", por causa da "MPB de mentirinha" dos neo-bregas dos anos 90 (Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires, Leonardo, Daniel) que é o carro-chefe da emissora?

Portanto, o mundo não acabou mas o Brasil mergulhou na mediocridade plena, disfarçada de "coisas grandiosas". Enquanto isso, verdadeiras nulidades pessoais viverão seu ócio transmitido via satélite pelas telas de TV e da Internet, enquanto o roquinho mais comercial e os poucos sucessos das bandas roqueiras que prestam compõem o repetitivo e previsível cardápio musical da UOL 89 FM e seus locutores poperó.

Enquanto isso, os Marinho e os Frias podem dormir mais tranquilos e Merval Pereira e Eliane Cantanhede não precisam ser considerados culpados pela decadência dos jornalões em que trabalham.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

ASSIM, QUALQUER RÁDIO VIRA "CAMPEÃ DE AUDIÊNCIA"


Um gerente de uma loja de materiais de construção decide sintonizar uma FM com programação tipo "Aemão" no seu estabelecimento. Ele ordena que o recinto todo esteja sintonizado na emissora.

A loja possui cerca de quarenta funcionários, que atendem uma demanda que, no pico, pode ser de até 30mil pessoas por dia. Se levarmos em conta esse número, consta-se que a loja atende 900 mil ou 930 mil pessoas por mês, sendo mais de 1.100.000 por ano.

Isso significa que o local, em todo o mês, tem 40 funcionários e mais de 900 mil pessoas, que tendenciosamente são atribuídas à audiência dessa emissora FM. Vai o Ibope e registra então que a rádio tem "audiência enorme".

No entanto, a audiência real apenas é de responsabilidade de uma única pessoa. mais de 900 mil pessoas são obrigadas a cada mês a ouvir o que uma pessoa sintoniza, e ainda assim são consideradas "ouvintes" dessa rádio.

Assim qualquer rádio vira "campeã de audiência" e qualquer locutor vindo do nada pode ser "Rei do Ibope". Jabaculê puro.

domingo, 6 de janeiro de 2013

OUVINTES DA UOL 89 FM DEMONSTRAM PRECONCEITO


Ouvintes da UOL 89 FM já começam a mostrar seus claros defeitos. Eles demonstram um preconceito quase total com o rock mais antigo, espinafrando os clássicos do rock como se eles fossem algo antiquado e nada empolgante.

A postura revive o antigo conflito que os fãs de rock autêntico e o público da 89 FM e sua então congênere carioca, a Rádio Cidade, tiveram em 2004, e que fez derrubar as duas "rádios rock" em 2006, pela péssima repercussão da postura dos ouvintes dessas duas rádios comerciais.

Com a volta da 89 FM sob o rótulo de "A Rádio Rock" e todos os seus erros, como o repertório hit-parade e um tipo de locução igualzinho ao das rádios de dance music, seus ouvintes também teriam de expressar os mesmos preconceitos em relação a tudo e até mesmo ao próprio rock.

São pessoas que pouco se interessam em ler livros, em conhecer fatos históricos, em superar suas memórias curtas. Eles, por mais que ataquem o pop dançante e seus ídolos, acabam tendo a mesma mentalidade de qualquer fã de One Direction, Gummy Bear, Britney Spears, Pitbull e outros.

Até mesmo as gírias e os hábitos são os mesmos. Portanto, não há como acreditar que se trata de um público diferenciado como alardeia a publicidade em torno da UOL 89 FM. Pelo contrário, é um público juvenil convencional, conservador e reacionário, que apenas é "rebelde" na forma, através de elementos vestuários, gestuais e outros aspectos banalizados.

Uma coisa é certa. Esse negócio de dizer que a UOL 89 FM é "a verdadeira rádio rock" não passa de um papo furado. E que seus ouvintes também não são verdadeiros fãs de rock. Afinal, o que eles desconhecem é que a verdadeira cultura rock não se preocupa com essas questões de velho ou novo, mas com a qualidade musical.

Isso é tão certo que, se não fosse o rock antigo, bandas como Foo Fighters, Black Crowes, Coldplay, Kasabian e Oasis (agora dividido entre o Beady Eye e a carreira solo de Noel Gallagher) simplesmente não teriam existido. E o vocalista e guitarrista do Muse, Matt Bellamy, é filho de um ex-guitarrista dos Tornados, grupo inglês anterior à beatlemania.

Rock não mede tempo para ser bom. Rock é uma questão de música, não de pouca idade. E além disso a UOL 89 FM também insere muita bosta poser, emo e pós-grunge como se isso valesse por ser "mais novo". Grande erro.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

ZECA PAGODINHO É UM EXEMPLO DE GENTE SIMPLES


Um exemplo admirável de simplicidade e dedicação foi dado pelo sambista Zeca Pagodinho, que decidiu usar seu quadriciclo para socorrer as vítimas do dramático temporal em Xerém, Duque de Caxias. O temporal atingiu também cidades da Região Serrana, do restante da Baixada Fluminense e também em Angra dos Reis, no Sul do Estado do Rio de Janeiro.

Zeca Pagodinho apenas perdeu alguns animais de estimação, mas sua casa em Xerém não foi atingida. Mesmo assim, vendo que outras pessoas estavam sofrendo, resolveu ajudar de diversas maneiras, guiando seu quadriciclo e reunindo roupas e comidas para distribuir na igreja mais próxima.

O veículo foi usado para transportar desabrigados para locais mais seguros, alguns deles na casa do cantor. Ele também ajudou os demais moradores, além de pedir ajuda a outras pessoas na área. Em entrevista a uma rede de televisão, o cantor não conseguiu esconder seus prantos em relação à situação do bairro, onde mora há mais de 20 anos.

Nota-se que não há o menor intuito de autopromoção ou alguma aventura para alimentar estrelismo. Zeca se comportou como um cidadão, como uma verdadeira gente simples, muito longe da postura dos ídolos brega-popularescos que posam de vítimas e de coitadinhos.

Zeca escapa disso, mostrando o seu valor humano e seu interesse em ajudar os necessitados. Evidentemente, sendo alguém famoso, isso acaba repercutindo muito na mídia. Afinal, trata-se de uma figura pública diante de uma situação de grande repercussão em todo o país. Por isso o alarde em torno da atitude de Zeca Pagodinho.

Ele, no entanto, se comportou com natural humildade e, nesses momentos todos - desde às seis da manhã, quando o sambista começou a socorrer os moradores - , ele deixou de levar em conta sua imagem de celebridade para ser apenas o Zeca vizinho e amigo da gente de seu bairro, ajudando os sofredores neste momento mais difícil.

Portanto, trata-se de um exemplo admirável de generosidade e de socorro nas situações mais dramáticas. Para os moradores de Xerém, Zeca demonstrou ser um verdadeiro amigo, através dessa dedicação. Como poucos neste país.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

NO PAÍS DA 89 FM, BEAVIS E BUTT-HEAD FORAM PROMOVIDOS A "GURUS MUSICAIS"


O Brasil é um país esquisito, que assimila as coisas de fora de forma estranha, confundindo má compreensão com originalidade. E de vez em quando a incompreensão cria situações hilárias, na medida em que distorcem as coisas para um exagero peculiar.

Deturpamos de doutrinas filosóficas até tendências radiofônicas, e no país que glorificou as deturpações do radialismo rock feitas pela 89 FM, uma mera paródia de jovens delinquentes feita para a TV norte-americana foi promovida pela crítica brasileira a um serviço de "consultoria cultural" dos mais sérios.

Nos anos 90, houve o seriado Beavis and Butt-Head, da MTV matriz, que também foi exibido por aqui. Foi criado por Mike Judge como uma sátira a jovens delinquentes dos EUA. Era uma sátira feita sem levar muito a sério, eram apenas dois jovens grosseiros que gostavam de tudo que era rock pesado (podia ser poser metal), eram sexistas e faziam muitas baixarias.

Era um daqueles seriados feitos como crítica social e expressão humorística, à maneira do que depois se fez com South Park. Beavis, o loiro, e Butt-Head, o moreno, também "avaliavam" videoclipes diversos, reprovando aqueles que não agradassem à dupla, identificada apenas à presença de mulheres "gostosas" e sonoridades pesadas.

Mas, de repente, quando o seriado foi transmitido no Brasil, a dupla foi promovida pela crítica musical a pretensos "gurus musicais". De repente, tudo o que Beavis e Butt-Head diziam era "lei", se eles aprovavam uma banda de "metal farofa", significava que essa banda "valia a pena".

Muitas injustiças foram cometidas ao se levar a sério demais a brincadeira feita por Mike Judge. Ele não teve esse propósito, ele apenas fazia uma visão humorística da juventude dos EUA, e de repente o Brasil entendeu errado e viu nos dois pestinhas uma "respeitável dupla de consultores musicais".

Assim, uma banda maravilhosa como Smiths e seu excelente talento musical - só a guitarra de Johnny Marr e suas composições melódicas já garantem a respeitabilidade do grupo - era vista como "lixo", enquanto bostas como Mötley Crüe eram elevadas a "acima" de qualquer grande coisa.

É certo que até o mercado de rock pesado nos EUA decaiu muito, quando passou a adotar o "metal farofa" como um filho bastardo, fazendo com que os jovens de memória curta tivessem uma ideia errada do que é rock clássico. Coitados, nunca ouvirem Thin Lizzy, MC-5 nem sequer o "lado B" do Led Zeppelin e acham que "rock clássico" é Guns N'Roses e Mötley Crüe. É pior do que chamar urubu de "meu louro".

Isso mostra o quanto a mídia brasileira distorce as coisas. E agora a patota "alfabetizada" culturalmente por Xuxa Meneghel e Gugu Liberato acha que a 89 FM é "verdadeira rádio rock". Nem em sonhos! Se empolgam demais com um mero "vitrolão roqueiro" que andam falando muita bobagem.

E de tantas bobagens assimiladas com naturalidade, acabam mesmo levando a sério os comentários dos dois personagens de Mike Judge. A série já voltou - já que Judge aposentou a outra série, O Rei do Pedaço (King Of The Hill) -  e entrará no ar na MTV brasileira em abril próximo. Desde que não se trate Beavis e Butt-Head como "gurus musicais", valerá a pena.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

NITERÓI: EXTRA DE ICARAÍ CONTINUA NA MESMA



Não houve mudanças essenciais na filial dos Supermercados Extra em Icaraí, Niterói. Com um chão antigo e uma má distribuição de seções, o mercado ainda sofre com a lentidão dos operadores de caixa, que apenas amenizou um pouco, e com a logística que está menos inerte.

Mas, essencialmente, a coisa continua na mesma, com a distribuição de caixas malfeita, pois fica grosseira a colocação de caixa no vão sob a escadaria para o andar da garagem, acima do supermercado, como se vê na foto abaixo.


As caixas deveriam ser redistribuídas, e o vão sob a escadaria deveria ser colocado para o estande da TV e revistas por assinatura que se encontra na entrada do supermercado, defronte à farmácia. Com uma melhor distribuição das caixas, ficaria esteticamente melhor e muito mais organizado.

A seção de padaria continua distante do forno, e a gerência deveria reorganizar a seção de açougue, voltando ao que era antes, mas com alguma melhoria no seu espaço. É mais funcional, num supermercado, que haja uma mínima proximidade entre a seção de padaria e a cozinha onde se faz e esquenta os pães e outros alimentos panificadores.

O chão é muito antigo e apresenta algumas rachaduras. Não seria pedir muito que o Extra aproveitasse algum período de feriado para fechar e mudar completamente o assoalho? É verdade que isso traria mais custo e trabalho, além de obrigar o supermercado a ficar fechado durante uns dias, mas isso poderá ser compensado com um supermercado mais moderno e mais atraente.

Seguindo essas sugestões, o Supermercado Extra poderia completar a modernização da filial que antes pertencia ao Sendas e, antes ainda, às Casas da Banha. Isso porque se trata de uma filial localizada numa zona estratégica, numa região entre Santa Rosa, Icaraí e Jardim Icaraí, que também atende à demanda do Vital Brazil.

Portanto, uma boa reforma irá fazer o supermercado se tornar mais atraente e funcional. A freguesia agradecerá, com certeza.