domingo, 15 de julho de 2012

A EXPOSIÇÃO MALDITA 3.0 FOI UM ENCONTRO DE AMIGOS

MARCELO DELFINO, EU E LEONARDO IVO APARECEMOS NA FOTO, TIRADA PELO MEU IRMÃO MARCELO PEREIRA.

O dia estava nublado, frio, parecia um desses desanimadores dias de inverno que apenas não tiveram chuva. Mas foi um dia de bastante alegria e descontração, por causa de um evento de boas lembranças e que representou o encontro que eu e meu irmão Marcelo Pereira, do blogue Planeta Laranja, tivemos com os amigos Marcelo Delfino, do Blogue do Delfino, e Leonardo Ivo, o organizador do blogue Fatos Gerais, neste sábado um tanto modesto mas muito divertido.

Primeiro eu e meu irmão, depois de "atravessarmos" a Ponte Rio-Niterói, encontramos Marcelo Delfino. Mas, por um lapso meu, pensei que a Rua Visconde de Itaboraí se limitava ao trecho próximo ao Hospital Central da Marinha. Esqueci que a Avenida Presidente Vargas havia "rasgado" muitas ruas na sua construção, e várias delas possuem trechos separados pela avenida, e fomos para o trecho próximo ao Centro Cultural Banco do Brasil, do lado de quem vai para a Praça 15.

Foi maravilhoso ver a exposição Maldita 3.0, sobre os 30 anos da Fluminense FM, organizada pelo produtor da fase final da emissora, Alessandro ALR. Ele fez uma exposição didática, mostrando textos introdutórios sobre o que representou a rádio no seu tempo (a emissora surgiu durante a fase final da ditadura militar) e fotos das diversas fases da emissora.

São dois salões, e a exposição, além das fotos, mostra materiais diversos, como instrumentos musicais autografados, desde um contrabaixo autografado por André X, da Plebe Rude, até um bumbo de bateria autografado pelos integrantes do Foo Fighters. Há um violão autografado por dois remanescentes da Legião Urbana, Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos, e um outro violão que a cantora Cássia Eller autografou dois dias antes de falecer, em 2001.

Há também discos lançados pela própria rádio, desde o vinil do Rock Voador - com as bandas lançadas pela rádio, em parceria promocional com o Circo Voador - até o CD Clássicos da Maldita, de 2001, quando a Fluminense ensaiou uma passagem pelo AM 540, disco que apareceu até nas lojas de Salvador (cidade que nunca teve, até hoje, uma rádio autenticamente rock). Um outro disco foi o Marcelo Delfino que emprestou de sua coleção pessoal.

Há também outras curiosidades, como a carta, dos anos 80, de um inglês que elogiou a Fluminense e pedia para a emissora incluir Morrissey e Rush no programa Módulo Especial - transmitido de segundas a sextas às 13:00 h e, durando meia-hora (às vezes 45 minutos), mostrava um artista ou evento específico, um programa que ouvi muito, gravei até em cassete um especial com os Smiths na época, 1985 - e um ouvinte, este brasileiro, em carta mais recente, de 2002, pedindo para que o produtor Leandro Souto Maior, último coordenador da Flu, tocasse menos obviedades na programação.

Dois televisores mostravam programas de TV com edições dedicadas à Fluminense, como o BB Vídeo Roll, da antiga TV Corcovado (hoje CNT), e havia um telão com o documentário A Maldita, de 2007, com o depoimento dos principais responsáveis da fase áurea da Fluminense, como o próprio Luiz Antônio Mello e o pitéu Mylena Ciribelli, hoje da Rede Record, até hoje mostrando sua beleza estonteante.

Leonardo Ivo chegou depois, com sua esposa, e todos nós conversamos e vimos toda a exposição. Até brinquei com o Marcelo Delfino quando vi o depoimento dele publicado na exposição, dizendo para ele se esconder. Nas fotos do pessoal da Maldita, um cara estava com a foto do Sin City, obra de HQ adaptada para o cinema, e de repente pensei na saudosa e sempre admirável Brittany Murphy.

Enfim, foi um dia maravilhoso. Não houve as tais palestras que só estão programadas para quarta-feira. E também não vi gente da imprensa, já que eu iria me oferecer para ser entrevistado, pois contribui para que se reviva a memória dessa brilhante rádio, que não teve igual no rádio - as mais próximas foram a 97 FM de Santo André, a Estação Primeira FM, de Curitiba e a Ipanema FM, de Porto Alegre, além da Rocknet, webradio cujo portal eu colaborei como colunista da seção "Pelos Porões do Rock".

Tudo bem. O dia foi maravilhoso de qualquer maneira, e mesmo a incômoda volta, em que eu e meu irmão tivemos que andar até a Central do Brasil passando por uma Av. Pres. Vargas arriscada, apesar de movimentada, não tirou o ânimo do dia. Pelo contrário, deu para pegar o ônibus de volta e regressarmos para casa alegres por esse dia maravilhoso, que além de ter sido a recordação de uma rádio que eu ouvi muito e acompanhei boa parte de sua trajetória, foi um excelente encontro de amigos. Valeu, Delfino e Leonardo, abração a vocês! E um grande abraço também ao meu irmão e amigo de quatro décadas.

RÁDIOS "AM EM FM" PODEM ESTAR "COMPRANDO" AUDIÊNCIA NO RJ


As FMs com roupagem de AM no Rio de Janeiro podem estar usando a mesma prática de suas similares em Salvador e outras capitais do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e no interior do país.

Sem poder atingir a grande audiência que marcou as emissoras de rádio AM, as FMs investem em "parcerias" com estabelecimentos comerciais, numa prática que já se constitui num jabaculê não-musical.

De uma hora para outra, estabelecimentos passaram a sintonizar as FMs "AnêMicas", sobretudo durante programas esportivos e transmissões de futebol, mas também em programas estratégicos envolvendo comunicadores de nome. Tudo para empurrar a audiência para o público freguês que nada tem a ver com isso.

A manobra é sutil. Produtores de rádio estariam combinando com determinados estabelecimentos bastante frequentados em certos pontos da cidade, para que estas lojas sintonizem as tais FMs. Oferece-se de tudo, de pagamento de contas de luz e de fornecimento de bebidas, até mesmo a concessão de "brindes", como telefones celulares pré-pagos ou equipamentos de som.

No caso de grandes redes de lojas ou papelarias, o jabaculê estaria sendo feito através do abatimento no espaço publicitário. "Você sintoniza a minha rádio na sua loja e eu dou desconto para ela no intervalo comercial", é o recado dado por representantes do departamento comercial de tais FMs, sobretudo em relação às transmissões esportivas e mesas redondas de futebol.

A medida tornou-se muito conhecida em Salvador, quando FMs do gênero "AeMão" passaram a "alugar" desde botequins até taxistas, porteiros de prédios, frentistas de postos de gasolina etc. Um sindicato de taxistas, durante uma gestão pelega, chegou a ser premiado com um programa na Salvador FM, do político ruralista Marcos Medrado.

Dependendo do caso, variam os "beneficiários". A Rádio Metrópole havia feito uma "barganha" com as Lojas Americanas e a Civilização Brasileira do Iguatemi, "convidados" a sintonizar as transmissões esportivas, e os serviços de transporte escolar, a sintonizar o programa do seu dono Mário Kertèsz (no momento tentando uma volta à política). Por sua vez, a Transamérica FM de Salvador escolheu uma papelaria do Salvador Shopping para a sintonia combinada.

No Rio de Janeiro, a Rádio Globo, a Super Rádio Tupi (AMs que possuem prefixos em FM) e a Band News Fluminense estariam combinando até com barbearias e bancas de jornais para a tendenciosa sintonia. Alguns estabelecimentos são escolhidos para a ocasião, mas isso cria uma prática que puxa estabelecimentos similares a aderir "espontaneamente" para imitar a concorrência.

AUDIÊNCIA ANABOLIZADA

O uso de estabelecimentos comerciais é um artifício para rádios com baixíssimo índice de audiência individual ganhem audiência. A baixa audiência é camuflada por pessoas que estão onde um único indivíduo, ou, quando muito, um pequeno grupo de pessoas sintoniza uma rádio.

Desse modo, cria-se um mecanismo para que a audiência se anabolize. Calcula-se a média de fregueses que um estabelecimento comercial consegue atrair, e usa-se esse número para definir a "audiência" de tal rádio. O que empurra muita gente que nada tem a ver com essa sintonia a "fazer número" nos pontos do Ibope.

É a tática do "fumante", "quem está no meu lado ouve o que eu ouço'. Você não tem a ver com a sintonia de uma Rádio Globo e no entanto você é "ouvinte" da emissora só porque o dono da barbearia sintonizou a rádio.

Esse raciocínio é o mesmo dos chamados "DJs de ônibus", que promovem a poluição sonora contra a vontade dos outros. Esses ouvintes impõem o gosto musical deles para os outros, e quem estiver próximo é obrigado a aguentar tudo isso.

No caso do "Aemão de FM", aguenta-se tanto lero-lero sobre times esportivos, o tendenciosismo de certos comunicadores ou "âncoras", e até nas noites o pessoal é obrigado a dormir com a narração corrida de um locutor esportivo ressoando nos ouvidos que nem voo de marimbondo.

Todo esse jabá é feito visando mais pontos do Ibope. Com a "vantagem" (só para os donos de rádio e seus consortes) de que esse jabaculê não precisa pagar uma parcela para o ECAD e nenhum colunista de rádio vai reconhecer realmente como um jabaculê. Só que esse jabaculê é bem pior do que aquele que só se movia pelas notas musicais.