domingo, 30 de dezembro de 2012

O ROCK BRASIL SE "CAETANIZOU"?


A julgar pelas inúmeras posturas condescendentes que vários músicos do Rock Brasil andam adotando, a gente fica imaginando como é envelhecer e ficar acomodado, depois de tantos anos de rebeldia e um certo radicalismo.

Muitos roqueiros conhecidos por posturas rebeldes e inconformistas - e não se fala apenas dos punks, mas até mesmo de gente mainstream tipo Barão Vermelho e Titãs - passaram a compactuar com um pouco de tudo, para se manterem no mercado e não serem passados para trás.

Isso inclui desde abrir para bandas de axé-music em Salvador até o endeusamento um tanto ingênuo em relação ao embuste da "rádio rock" 89 FM, passando por fazer estranhas parcerias com ídolos bregas que vão de Mr. Catra a Chitãozinho & Xororó.

A gente fica perguntando se essa geração toda, de Nando Reis a Clemente, foi contaminada pela mesma acomodação que marcou os dois líderes tropicalistas, Caetano Veloso e Gilberto Gil, nos anos 70 e contra a qual mídia e músicos reagiram com revolta, mas sem deixar de ter uma réplica violenta dos tropicalistas, sobretudo Caetano Veloso, que certa vez disse que é "sagrado".

Sei que esses músicos precisam pagar suas contas, manter mercado, competir em popularidade com os ídolos popularescos (estes hegemônicos no mercado, se apropriando até de antigos redutos da MPB) e poder passar sua mensagem para um público maior.

No entanto, será que os princípios devem ser sacrificados assim de tal maneira? Será que a reputação conquistada sugere para eles uma imunidade tal que os permite adotar posturas bastante duvidosas e até contrárias a seus princípios originais? Tal qual Caetano Veloso endeusando tudo quanto é porcaria musical?

Dos anos 90 para cá, até mesmo É O Tchan e Katinguelê foram cortejados por certos músicos de Rock Brasil, e a coisa é tão séria que um certo elogio à 89 FM, agora vista como uma "fada madrinha" para os roqueiros cordeirinhos, parece coisa pequena.

Isso acaba decepcionando, mesmo quando eles tentam explicar suas razões (mercado, popularidade, etc). Porque, por mais que os roqueiros brasileiros tentam evitar o ostracismo, eles acabam passando a imagem de "vendidos". Acabam traindo até mesmo muitas de suas antigas posturas.

E hoje eles acabam tendo os mesmos vícios condescendentes que vemos na MPB, até mesmo no samba, onde mesmo os "bambas" parecem quase todos condescendentes com o sambrega mais rasteiro. Isso dificilmente irá fortalecer o Rock Brasil, que poderá até recuperar o mercado, mas será apenas um mainstream cansativo em vez de uma revalorização de notáveis veteranos.

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