segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

MAIS UMA "REAL HOUSEHIVES" SE SEPARA. POR QUE SERÁ?


Mais uma integrante do reality show Real Housewives, Lynne Curtin, anuncia separação de seu marido, Frank Curtin, depois de um casamento de 22 anos.

É mais uma enésima "dona-de-casa verdadeira" que encerra seu casamento, num ano em que a grande mídia estrangeira "comemorou" a tão difundida separação de Adrienne Maloof e Paul Nassif.

Pode ser Real Housewives de Beverly Hills, de New Jersey, de Orange County, de Boston, de Austin, de sabe-se lá aonde. O que nos faz perguntar por que essas mulheres tão bem casadas acabam se tornando neo-solteiras com tanta facilidade?

Já pensou se essa onda de separações tivesse atingido, há cinquenta anos atrás, as consieradas Dez Mais Elegantes da coluna de Jacinto de Thormes, o pseudônimo hi-so do jornalista Maneco Mulher, do jornal Última Hora?

Neste caso, o que teria de sra. Fulano de Tal, sra. Sicrano de Qual voltando à solteirice não estaria no gibi. Mas eram outros tempos.

No Brasil, temos uma Val Marchiori que continua solteira. Mas até que ela não é das piores. Afinal, temos a notícia de que Nicole Bahls está solteira novamente o que significa que os nerds terão que ficar em casa no Ano Novo.

Afinal, nenhum rapaz diferenciado ou inconvencional quer ficar dando sopa para não dar de cara com uma moça dessas e ser obrigado a ir para os terríveis eventos com ídolos do breganejo, do sambrega e da axé-music (incluindo o asqueroso porno-pagodão, conhecido como "suingueira"). Como diz o ditado, melhor só que mal acompanhado.

No mais, 2012 se parte, e fico aqui desejando um Feliz Ano Novo a vocês, leitores.

domingo, 30 de dezembro de 2012

O ROCK BRASIL SE "CAETANIZOU"?


A julgar pelas inúmeras posturas condescendentes que vários músicos do Rock Brasil andam adotando, a gente fica imaginando como é envelhecer e ficar acomodado, depois de tantos anos de rebeldia e um certo radicalismo.

Muitos roqueiros conhecidos por posturas rebeldes e inconformistas - e não se fala apenas dos punks, mas até mesmo de gente mainstream tipo Barão Vermelho e Titãs - passaram a compactuar com um pouco de tudo, para se manterem no mercado e não serem passados para trás.

Isso inclui desde abrir para bandas de axé-music em Salvador até o endeusamento um tanto ingênuo em relação ao embuste da "rádio rock" 89 FM, passando por fazer estranhas parcerias com ídolos bregas que vão de Mr. Catra a Chitãozinho & Xororó.

A gente fica perguntando se essa geração toda, de Nando Reis a Clemente, foi contaminada pela mesma acomodação que marcou os dois líderes tropicalistas, Caetano Veloso e Gilberto Gil, nos anos 70 e contra a qual mídia e músicos reagiram com revolta, mas sem deixar de ter uma réplica violenta dos tropicalistas, sobretudo Caetano Veloso, que certa vez disse que é "sagrado".

Sei que esses músicos precisam pagar suas contas, manter mercado, competir em popularidade com os ídolos popularescos (estes hegemônicos no mercado, se apropriando até de antigos redutos da MPB) e poder passar sua mensagem para um público maior.

No entanto, será que os princípios devem ser sacrificados assim de tal maneira? Será que a reputação conquistada sugere para eles uma imunidade tal que os permite adotar posturas bastante duvidosas e até contrárias a seus princípios originais? Tal qual Caetano Veloso endeusando tudo quanto é porcaria musical?

Dos anos 90 para cá, até mesmo É O Tchan e Katinguelê foram cortejados por certos músicos de Rock Brasil, e a coisa é tão séria que um certo elogio à 89 FM, agora vista como uma "fada madrinha" para os roqueiros cordeirinhos, parece coisa pequena.

Isso acaba decepcionando, mesmo quando eles tentam explicar suas razões (mercado, popularidade, etc). Porque, por mais que os roqueiros brasileiros tentam evitar o ostracismo, eles acabam passando a imagem de "vendidos". Acabam traindo até mesmo muitas de suas antigas posturas.

E hoje eles acabam tendo os mesmos vícios condescendentes que vemos na MPB, até mesmo no samba, onde mesmo os "bambas" parecem quase todos condescendentes com o sambrega mais rasteiro. Isso dificilmente irá fortalecer o Rock Brasil, que poderá até recuperar o mercado, mas será apenas um mainstream cansativo em vez de uma revalorização de notáveis veteranos.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

UM DIA DE QUASE SILÊNCIO


Não escreverei muito, hoje, e por isso fica aqui não apenas um minuto, mas um dia, não exatamente de silêncio, mas de quase silêncio, lembrando os 20 anos do violento falecimento da atriz Daniella Perez, em pleno florescer de sua juventude e de sua carreira. Lamentável.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

CLÉO PIRES ESTÁ SOLTEIRA!!!


Segundo informações do jornal O Dia, a atriz Cléo Pires, atualmente em Salve Jorge, terminou o casamento com o publicitário João Vicente Castro. O ex-casal se conhecia há 15 anos e há quatro anos vivia junto, num casamento "sem papel". Ele havia deixado a casa da atriz, na Barra da Tijuca, há três meses.

A relação entre os dois continua amigável e a relação terminou sem brigas. A atriz segue concentrada no trabalho e exibindo na telinha a sua beleza deslumbrante. Uau!

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

89 FM: FICAMOS MENOS EXIGENTES?


O pior estigma do brasileiro é se contentar com pouco. Pode haver exceções, mas a maioria esmagadora dos brasileiros é se conformar com coisas que nem são tão boas assim, e às vezes trazem prejuízos, desvantagens e limitações muito sérias, só porque não é "algo pior" ou traz alguma "vantagem" relativa, mas muito do agrado do indivíduo em questão.

Da busologia ao feminismo, do radialismo aos esportes, essa onda conformista, esse apreço exagerado ao medíocre preocupa muito os analistas, porque vem muitas vezes de gente que não conheceu as referências mais valiosas. E mostra que, para uma boa parcela da sociedade, na falta do melhor, o mais ou menos vira "genial".

É a aplicação do ditado "Em terra de cego, quem tem um olho é rei". E neste caso os súditos são dotados de cegueira pior ainda, porque pensam terem visto a luz quando apenas viram uma lanterninha fraca se acender nas trevas.

A volta da 89 FM como suposta "rádio rock" é um sintoma de um Brasil cujos "heróis" são Luciano Huck, Geisy Arruda, Fernando Collor, Michel Teló e Mr. Catra. A rádio não é exceção a essa mediocridade dominante, antes fosse um produto apenas "um pouco mais arrojado".

NENHUM JOGO DOS ERROS: A 89 FM "roqueira" criou as condições para o surgimento e o sucesso do punk domesticado das bandas "emo", como o NX Zero.

Desde os primeiros minutos da "programação rock" da 89, agora UOL 89 FM, notou-se o perfil popirroque que "queimou" a rádio em 2006. Apenas o playlist parecia mais "cauteloso", mas mesmo assim em alguma linha perdida entre 1992 e 2002.

A locução é bem ao estilo de FM de pop dançante, que contagia até mesmo o Tatola, o "roqueirão" que agora coordena a programação da rádio. Só que ele veio de uma banda furreca, o Não Religião, espécie de imitação fajuta do Ira! e da Plebe Rude com trejeitos que depois seriam claramente identificados em bandas como NX Zero, Fresno e Restart. Daí o Não Religião ser uma espécie de "Los Saicos" do emo.

Portanto, ouvindo os primeiros momentos da tal "trilha sonora do fim do mundo", a locução, embora anunciasse a música "It's The End of The World As We Know It (And I Feel Fine)", do extinto grupo R.E.M., mais parecia os últimos momentos da Play 89 FM do que de qualquer começo de uma "brilhante rádio rock".

ÁGUA DE BICA NO DESERTO

Os comentários de internautas, jornalistas e músicos, mesmo respeitáveis, foram exagerados. Foi como alguém num deserto falando da primeira torneira de água de bica que viu na frente. Afinal, o que se viu na 89 FM não foi uma rádio genial de rock'n'roll, daquelas que vão mais além do mero vitrolão e mergulham fundo numa personalidade rock, num estado de espírito roqueiro.

Eu ouvi a Fluminense FM nos primórdios, entre 1982 e 1985 (de 1982 e 1983, por "carona" de um vizinho que sintonizava a rádio), e sei do que estou falando. Afinal, a Fluminense FM sempre se projetou como uma rádio de rock não apenas porque tocava rock, mas tinha um estilo de locução próprio, uma mentalidade própria, um modo próprio de trabalhar o repertório.

A 89 FM, mesmo nos seus melhores momentos - como a fase 1985-1987, que ainda assim era bem longe de ser genial e mais parecia uma morna imitação da antiga emissora carioca Estácio FM com "pitadas" de 97 Rock - , nunca foi além de um vitrolão "roqueiro". Na melhor das hipóteses, era apenas um jukebox sem alma trabalhado por produtores com um conhecimento apenas mediano de cultura rock.

89 FM VOLTOU "MAIS OU MENOS", MAS SUPERESTIMADA

Mas a rádio sempre tentou se justificar pelo pior. O paradigma dos adeptos da 89 FM é que era muito, muito ruim. Pudera, são pessoas mais jovens, com menos de 40 anos e que foram educados com Xuxa, Gugu Liberato e Fausto Silva. Nunca ouviram falar de Leila Diniz nem de Glauber Rocha e muitos até odeiam ler livros, só o fazendo por obrigação acadêmica ou profissional.

Claro, perto do que significam os Backstreet Boys, João Lucas & Marcelo e Sorriso Maroto, a 89 FM tocando só "sucessos do rock" parece "grande coisa". Mas o problema é quando os adeptos da 89 ficam superestimando isso, exagerando nos elogios à rádio e fazendo vista grossa aos seus piores defeitos que a derrubaram em 2006, mas que voltaram praticamente intatos, salvo pequenas cautelas.

No grosso, a rádio voltou "mais ou menos", tentando, nesse seu lançamento, trazer um repertório musical mais "diversificado", dentro dos limites da rádio em enfatizar somente o rock grunge ou "farofa" dos anos 90 ou os clássicos mainstream mais acessíveis. Nada de muita ousadia ou brilhantismo.

Na verdade, todo mundo sonha com a 89 FM de 1985-1986, que gerou um impacto publicitário enorme, embora, a título de qualidade, fosse bastante inferior à Fluminense FM de 1982. Só que nem a 89 de 1985 voltou, o que se viu foi a programação "fechada" nos anos 90, com uma mentalidade mais pop e uma lógica hit-parade que pouca gente percebeu ou admitiu.

A 89 FM que voltou é aquela que, "elogiadíssima" em 1996, tinha muito medo de tocar um Beck Hansen, só para citar um nome do rock alternativo mais acessível, e portanto bastante inferior ao de uma "decadente" Fluminense FM que tinha coragem de tocar o ótimo Weather Prophets, sem qualquer promessa de lançamento de disco no Brasil até hoje.

Portanto, a grande questão em torno da 89 FM é essa: será que ficamos menos exigentes? Hoje medíocres como Michael Sullivan, Raça Negra, Solange Gomes, Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó, É O Tchan e Fausto Silva são "geniais".

O saudosismo dos anos 90 e do pior dos anos 80 no Brasil tornou-se algo doentio, em que coisas "mais ou menos" ou até "ruins" agora são vistas como "as melhores coisas do mundo". E num país pretensioso e um tanto hipócrita como o Brasil, se exagera nos elogios, quando se poderia dizer, em vez de "isso é a melhor coisa do mundo", uma frase simples e honesta tipo "isso não é aquela maravilha, mas é o que eu gosto".

O que será de nós no futuro? O Brasil está nivelando as coisas por baixo. O país é o único que acha a disco music, por exemplo, "sofisticada". Prefere medidas paliativas que "funcionam" do que qualidade de vida. Aceitam coisas nem tão boas, justificam seus próprios sofrimentos e limitações com promessas de melhorias que nunca ocorrerão.

A 89 FM não vai fazer o radialismo rock voltar aos tempos áureos. Nem em São Paulo. A rádio apenas vai aquecer o mercado mainstream do gênero, que andou meio parado, para os parâmetros médios de 1992. A emissora não vai promover uma cultura rock de verdade e é bom seus ouvintes pararem de sonhar.

A linguagem e a mentalidade da 89 FM diz muito. Locução poperó - ou "putz-putz", só para utilizar um termo do Tatola - , repertório hit-parade e propaganda enganosa. Hoje tudo parece maravilhoso, mas é só a 89 FM entrar na rotina para seus adeptos mais entusiasmados começarem a cansar. Até atirar o rádio pela janela de seu apartamento.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

EXPLICANDO A RESPOSTA DE VIVIANE VICTORETTE

 
Recebi, por intermédio das redes sociais, uma resposta da Viviane Victorette, por conta de um texto que escrevi, gerando um mal entendido que o texto que escrevi pode ter gerado. A atriz admite não ter entendido a comparação que eu fiz entre ela, que é uma atriz talentosa e esforçada e por isso uma mulher invulgar, e as mulheres vulgares que dominam a mídia.

Sei que tais comparações são um risco, mas cabe aqui fazer os seguintes esclarecimentos:

"1- O que eu tenho com mulheres frutas ?"

A comparação da Viviane com as "mulheres-frutas" nada tem a ver com as críticas à atriz, mas às mulheres vulgares que dominam a mídia. Pelo contrário, Viviane é elogiada por ter um diferencial, que é seu talento e sua personalidade, bem diferente das musas vulgares.

O problema não está na Viviane, e eu apenas usei o exemplo dela para confrontá-lo com o vazio que as funqueiras e "musas" como Mayra Cardi e Geisy Arruda representam. Portanto, Viviane pode ficar sossegada, a citação dela foi em seu favor.

"2- nunca escondi meu casamento de ninguém, tem varias matérias com ele."

Nunca disse que Viviane escondeu seu casamento. Nunca. A citação não foi em relação a ela, foi apenas um "parêntesis" pelo fato de que as musas vulgares, sim, é que não assumem suas vidas amorosas, enquanto Viviane assume claramente.

Mais um ponto a favor da Viviane, que tem uma família e é bastante feliz em tê-la formado e em mantê-la unida nessa vida cheia de desafios. Coisa que muitas funqueiras é que não têm coragem de fazer, elas é que promovem uma falsa imagem de "solteiríssimas". Tem funqueira que mostra até filho adolescente, mas seu marido está lá escondido sei lá aonde.

"3- por que envolver meu marido?ele nao e do meio."

A nota se baseou numa notícia do portal R7. Se houve algum problema, peço desculpas. Entendi que, por ter feito trabalhos na Rede Record, Viviane teria sido noticiada de forma respeitosa, longe das fofocas que se faz, por exemplo, sobre uma Flávia Alessandra. As notícias citaram o marido da atriz, portanto eu apenas peguei carona numa outra notícia. Pode ser um erro meu, mas ele partiu do R7. Se houve problema, repito, peço desculpas.

"4- verificar a noticia. Ele nao me proibiu de fazer nada, e eu estava fazendo teatro, a pausa foi para o nascimento da minha filha."

As reclamações, com base no meu comentário meu anterior, poderiam ser direcionadas para o portal R7, pelas razões apresentadas acima. Portanto, reitero minhas desculpas.

"5- sou atriz, sempre estudei muito, ganhei vários prêmios pela drogada( novela o clone). E sinceramente nao entendi a comparação. Mas respeito sua opinião . "

A comparação envolve uma questão delicada que é que não são muitas as mulheres com o perfil e o talento da admirável e esforçada Viviane, que tem méritos naturais para conquistar seu espaço. Infelizmente, moças assim não são comuns e daí minhas críticas à vulgaridade feminina. Eu apenas citei a Viviane Victorette como um exemplo positivo, confrontando com o exemplo negativo das centenas de musas vulgares que dominam a mídia apenas "mostrando demais".

Quanto ao fato de eu não publicar espaço de mensagens, é que ultimamente o blogue andava sofrendo muita trolagem por conta dos assuntos apresentados. Reconheço que o conteúdo dele é polêmico, mas são poucos que são capazes de mandar uma mensagem de notável coerência e respeito como a de Viviane. É mais comum os internautas partirem para a baixaria.

Concluindo. O propósito de citar o exemplo de Viviane Victorette foi uma forma de mostrar uma mulher de excelentes qualidades como ela, que é uma atriz de personalidade e perfil batalhador, como forma de contrapôr às inúmeras musas vulgares sem conteúdo que dominam a mídia, como Mayra Cardi, Geisy Arruda, as funqueiras, paniquetes e por aí vai.

Fica aqui o agradecimento pela resposta de Viviane. E desejo boa sorte a ela, o marido e a filha, e boas festas nesse tempo de Natal e Ano Novo. Abraços.

ROQUEIROS CARNEIRINHOS ACEITAM A VOLTA DA 89 FM


É preocupante o deslumbramento que gira em torno da dita "rádio rock" 89 FM. A programação que voltou é a mesma programação medíocre que resultou em violentas críticas e no entanto o que vejo na Internet é um deslumbramento cego, ingênuo e infantil, que beira o fanatismo.

Mas que esse deslumbramento se limite a ouvintes em geral, vá lá. Sobretudo para uma juventude que não está profundamente informada das coisas, está bitolada dentro daqueles valores medíocres que eles sempre acreditaram na sua infância feliz nos anos 90, de Alexandre Pires a Ratinho, de É O Tchan a Mamonas Assassinas, de Fernando Collor a Luciano Huck, de Geisy Arruda a Michael Sullivan.

A rádio que voltou é apenas uma reles emissora de hit-parade roqueiro com seus locutores que adotam a linguagem típica de FMs "putz-putz", que não dá para acreditar que até mesmo músicos de Rock Brasil, antes tão respeitáveis, caiam nessa armadilha toda de endeusar a 89 FM.

Fico estarrecido, por exemplo, com o caso do Clemente, o músico dos Inocentes, que antes desafiava Gilberto Gil com toda a visibilidade deste num programa de TV. Ou que escrevia que sua geração queria pintar de negro a asa branca da MPB. Um cara que peitava os monstros sagrados da MPB adotou, ultimamente, posturas que o fazem equivaler àqueles que ele combatia outrora.

A acomodação de um Clemente que peitava Gilberto Gil mas foi cordial com Gaby Amarantos faz sentido quando ele diz que a 89 FM é "essencial para manter o rock forte". Mas a postura de bom cordeiro do inocente (ou ingênuo) cantor acaba ganhando a solidariedade de outros, independente de suas posturas causarem surpresa ou não.

A de João Gordo, por exemplo, não surpreende. Apesar de ser o vocalista do grupo de hardcore Ratos do Porão, ele havia se tornado um ídolo da massa ao participar de programas da MTV e Rede Record. E, como entrevistador, já recebeu tudo quanto é ídolo brega, que faz sentido ele fazer altos elogios à 89 FM que deu visibilidade e permitiu que ele encontre o "povão" da grande mídia.

Mas até mesmo Andreas Kisser, de um Sepultura que chamava o Clube da Esquina de acomodado, mas que recentemente tocou para Chitãozinho & Xororó (bem mais piegas que os mineiros, por sinal com seu cancioneiro parasitado pela dupla breganeja paranaense), não surpreende pela sua postura pró-89, ganhando até programinha para ele e seu filho apresentarem.

Quanto ao Supla, ele sempre foi mais pop-rock, como um Billy Idol dos trópicos, mas ele também deu altos elogios à 89 FM. Há poucos dias, vi no Canal Brasil um documentário sobre a extinta companhia aérea Panair (de um empresário de esquerda) e confronto a tristeza melancólica do depoimento do senador Eduardo Suplicy com o otimismo exagerado do filho em relação à 89 FM.

A 89 é uma rádio "só sucesso" como qualquer outra. Apenas se volta para o que ela entende como "cultura rock". E dá para perceber que o deslumbramento dos músicos de Rock Brasil - de Chorão a Guilherme Isnard (Zero e ex-Voluntários da Pátria) - com a volta da rádio, tem claros objetivos mercadológicos.

Afinal, esse pessoal todo quer é mercado para se apresentarem ao vivo. Querem vender discos e camisetas. Até fazem boa música, mas precisam também se vender. E a 89 FM é jabazeira de carteirinha, seu jabaculê é algo que salta aos olhos.

Ultimamente, os roqueiros estavam dependendo de nomes como Banda Calypso, Asa de Águia e até Mr. Catra para continuarem em evidência. Mas precisam da 89 FM para isso? Por que ninguém lutou, por exemplo, pela volta da 97 Rock? E o suporte conservador da Folha de São Paulo, dona do UOL, pode criar uma rádio bem reaça.

A única coisa positiva que vai ocorrer para esses músicos é que eles não precisarão de Joelma, Chimbinha, Mr. Catra, Chitãozinho & Xororó, Michael Sullivan, Durval Lélis, Gaby Amarantos nem de outros para se manterem no mercado. Mas de toda forma se venderão a essa "Jovem Pan com guitarras" com locutores "putz-putz" cujo envolvimento com rock é tão falso quanto o visual feminino de uma drag queen.

Eu, se tivesse uma banda de rock, estaria fora. Não queria ter minhas músicas tocadas na 89. E nem vou depender de cantor brega para entrar no mercado. Eu, nesta ocasião, contaria apenas com minha confiança e minha criatividade, mandaria meus vídeos para o YouTube, mandaria CD demo para a BBC, e só. Ainda que eu faça mais sucesso para meus amigos e alguns poucos interessados

Isso pode não trazer para mim o sucesso imediato que uma 89 FM traria. Mas mantendo meus princípios, eu iria no caso fazer diferença com essa postura insubmissa e, ainda por cima, não viraria um astro da noite para o dia, para aparecer no Caldeirão do Huck ou namorar uma ex-BBB. Eu continuaria sendo eu mesmo, sem me vender para o jabaculê.

domingo, 23 de dezembro de 2012

CINTHIA DICKER ESTÁ SOLTEIRA!!!


Segundo informa a revista Caras, a supermodelo Cinthia Dicker, está solteira novamente!! Ela terminou o noivado com o empresário Rico Mansur, filho de outro empresário que "assassinou" duas históricas redes de departamentos.

Trata-se de uma boa notícia - espero que ela não se reverta aos reatamentos que estão sendo muito comuns entre os famosos - , já que o "pegador" Rico Mansur está muito longe de combinar com a beleza deslumbrante e graciosa da encantadora Cínthia Dicker.

Na boa, Rico combinaria mesmo é com uma Geisy Arruda ou Mayra Cardi, se essas perderem o medo de pegarem homens assim, já que as musas vulgares andam "cheias de dedos" quando o assunto é vida amorosa que já nem sabem mais que tipo de homem elas querem na vida, jogando fora muitas oportunidades de ouro.

Já Cinthia Dicker pode ficar solteira, já que aproveita muito de sua carreira e seu trabalho é sério, de modelo de grife, cheia de compromissos. Além do mais, modelos de grife hoje em dia estudam, falam mais de um idioma - sempre incluindo o inglês - e procuram se aperfeiçoar nos aprendizados até porque um dia deixarão as passarelas em busca de novas experiências.

Por isso, desejamos a Cínthia um excelente proveito nessa vida de solteira e que ela esteja bem vinda ao "mercado". E vamos brindar sua beleza fascinante, seu charme e sua admirável formosura.

89 FM E SEUS OUVINTES DE MEMÓRIA CURTA


Em terra de cego, quem tem um olho é rei. O ditado popular é bastante ilustrativo para a histeria coletiva que contagiou muitos ouvintes, músicos e outras celebridades diante do retorno da dita "rádio rock" 89 FM, agora rebatizada de UOL 89 FM.

Nem mesmo o suporte conservador - a retrógrada Folha de São Paulo agora tem participação acionária na 89 FM - fez intimidar os adeptos da emissora, que esqueceram de que a emissora voltou com os mesmos erros e equívocos que derrubaram a emissora em 2006, dando lugar a uma trajetória pop de seis anos.

A memória curta dos bitolados - sim, bitolados - ouvintes da 89 FM faz com que eles achem "genial" até um arroto transmitido pela 89. De repente, bandas que nunca foram legais, como Charlie Brown Jr., Virguloides, Bon Jovi, Mötley Crüe e sobretudo Guns N'Roses agora são considerados "clássicos". Puro sintoma da memória curta de uma juventude pouco exigente.

A REPERCUSSÃO FOI GRANDE OU NÃO?

Dependendo do ponto de vista, a repercussão da "nova" fase da 89 FM pode ter sido além ou aquém das expectativas. Em aspectos comerciais e publicitários, foi além das expectativas. Mas, em aspectos culturais, foi muito além, até porque o que voltou ao ar é justamente aquela emissora medíocre que empastelou a cultura rock desde o final dos anos 80.

Só que, para um público desprovido de referenciais importantes, a 89 FM parece "melhor" do que realmente é. Isso é um resultado de uma ditadura militar que provocou um colapso na Educação brasileira e criou uma mídia cada vez mais decadente.

Por isso os jovens de hoje - entende-se sobretudo um público de 25 a 40 anos, que já sente saudosismo pelas barbaridades que consumiu no rádio e TV de sua infância - não conhecem a verdadeira cultura e desconhecem completamente os verdadeiros valores sócio-culturais do Brasil e do mundo.

Sentem desprezo por figuras como Leila Diniz, Mário de Andrade, Oscar Niemeyer, Tom Jobim, Sílvia Telles, Don Rossé Cavaca, Glauber Rocha e Paulo Freire. No âmbito do rock, já veem os Beatles, os Rolling Stones, Who, Led Zeppelin, Deep Purple e Jimi Hendrix como "coisa da vovó" e apenas fingem respeitá-los e apreciá-los para manter o jogo das aparências.

Os "valores" dos ouvintes da 89 FM são outros. Eles só conheceram a MPB na caricatura mais grotesca dos covers de ídolos neo-bregas dos anos 1990 (Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó, Zezé di Camargo & Luciano, Leonardo, É O Tchan, Daniel, Mastruz Com Leite, Ivete Sangalo etc).

Só conheceram o "ativismo social" a partir da forma demagoga do "funk carioca". Cidadania eles só ouviram falar da fala tendenciosa de Luciano Huck. O "feminismo" eles só conhecem do que a mídia entende como tal, através das chamadas "popozudas" e similares. A televisão que lhes "educou" foi a TV de Xuxa, Ratinho, Gugu Liberato, Galvão Bueno, Aqui Agora, Big Brother Brasil, Pânico e CQC.

É um público que é dotado de memória curta e por isso é bitolado. Não se define esse público como "bitolado" pela provocação depreciativa, isso é constatação, mesmo. Daí o deslumbramento, até um tanto cego, deles com uma rádio medíocre como a 89 FM.

Ouvindo um pouco a "nova" programação, ela na verdade é uma repetição do que a emissora tinha feito sobretudo nos anos 90. E não existe qualquer hipótese da rádio escapar dessa conduta medíocre, mas aceita alegremente por seus ouvintes conformistas, e fazer frente às modernas rádios de rock do mundo inteiro.

Isso seria o mesmo que confrontar uma van velha com um trem-bala. As rádios de rock de fora vão muito além do hit-parade roqueiro e a agilidade com que tocam bandas e músicas, enfatizando nomes pouco conhecidos, dando espaço para lados B de compactos e até para canções longas e música instrumental, é de fazer os programadores da 89 FM ficarem roucos de tanto comer poeira.

A 89 FM ficou prisioneira de seu estilo, um tanto caricato e estereotipado, de radialismo rock. Sua locução, já nos primeiros momentos de sua retomada, é igualzinha ao de qualquer rádio de pop dançante mais abobalhada, com aquele timbre enjoado que é difícil manter presa na garganta a frase inevitável: "Parece Jovem Pan 2!".

Por isso a recepção da 89 FM foi bastante exagerada. A rádio nunca foi essa maravilha toda, mas virou clichê para os jovens de hoje achar que uma coisa mediana "não é 100%, mas é cem por cento". E, sob a influência da Folha de São Paulo, sócia da rádio junto à mesma família Camargo (malufista) da breguíssima Nativa FM, já se espera surtos de reacionarismo dos profissionais e até de ouvintes da rádio.

É bom avisar que a cultura rock, como fenômeno comercial, anda em baixa no Brasil e no mundo. E não é pela ausência da 89 FM, cuja conduta permitiu a ascensão dos ídolos brega-popularescos e havia motivado a implantação da recém-encerrada fase pop. Por isso ela também não será reforçada com a volta da emissora, e que isso seja entendido de forma bem clara.

Afinal, não virão novos Renato Russo, Cazuza, Arnaldo Antunes. O que virão, de novos roqueiros brasileiros, são aquelas bandas de punk comportadinho que só fazem cara de mau e cantam letras contestando o nada de coisa nenhuma, isso quando não vem aquelas bandas emo que parecem terem sido criadas para comerciais de refrigerante.

Portanto, a 89 FM mais pareceu um novo Cavalo de Troia reconstruído para o deslumbre coletivo. Mas, passada a novidade, a emissora deixará ainda mais evidentes seus defeitos, num contexto em que o rock deixou de ser cultura hegemônica e a velha grande mídia, na qual a 89 FM está inserida, já é largamente questionada pela opinião pública na Internet.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

CAMILLA BELLE ESTÁ SOLTEIRA!!!


Sim, a notícia tem poucos dias e foi divulgada pela revista US Weekly. A atriz e modelo Camilla Belle e o jogador de futebol americano Tim Tebow, do New York Jets, não estão mais namorando, depois de menos de dois meses de namoro.

Segundo a notícia, o namoro entre os dois "apenas não funcionou". Tim Tebow possui um perfil religioso conservador e tudo indica que os dois não tiveram a afinidade necessária para manter a relação.

Além disso, a solteira em questão não é qualquer mulher, mas uma das mais belas, mais charmosas, mais formosas e mais sensuais do mundo. Dizer que Camilla Belle é estonteante e fascinante é pouco, diante da beleza deslumbrante da qual faltam palavras para definir a atriz que é a perfeição personificada. Que mulher!!

A ELITE "PROGRESSISTA" E SUA IDEIA DE CIDADANIA




Sabemos de uma boa parte da sociedade que se diz "sem preconceitos", mas é bastante preconceituosa. E cujos preconceitos chegam a ser piores do que aqueles que dizem condenar dos outros. Sabemos também que, desde o Brasil colônia, temos esse "progressismo de fachada", que durante a fase imperial tornou-se uma espécie de "iluminismo escravista".

É a mania de querer apenas os progressos sociais relativos. Todos querem a regulação da mídia, desde que ela se limite à domar apenas alguns comentaristas jornalísticos mais ferozes e uma meia-dúzia de humoristas mais reacionários.

Para essas pessoas, se o modelo de telejornalismo, por exemplo, se tornar um misto de noticiário policialesco com telejornal de TV educativa, tudo bem. Se houver um cruzamento meio caricato de Caros Amigos com Meia Hora, para eles será melhor ainda.

É a "boa sociedade" vestindo a capa de "progressista", engrossando em quantidade, mas não em qualidade, as fileiras esquerdistas. É um pessoal que louvava cegamente a Folha de São Paulo, votou com entusiasmo em Fernando Henrique Cardoso duas vezes, mas depois pegou carona na indignação de amigos e colegas quando, por causa da Era Lula, virou moda ser "de esquerda".

Seguindo as neuroses de seus antepassados, que apenas parcialmente assimilaram os valores do Iluminismo francês, sem romper com os valores escravagistas vigentes no Brasil, essa "boa sociedade" defende valores do socialismo sem romper com as estruturas de dominação político e midiática que promovem a breguice cultural que degrada o povo pobre.

Seus indivíduos adotam uma visão elitista de cidadania, defendendo os valores nobres só da entrada de seus condomínios para dentro, desde que excluam o quarto de empregados (as). Para o povo pobre, vale qualquer depravação, qualquer degradação, porque os intelectuais, na sua forma corrompida da "aceitação do outro", consideram isso "valores positivos que não (sic) conseguimos entender".

Para essas pessoas, o que é retrógrado para a sociedade mais abastada, é "moderno" para o povo pobre. Se para os abastados é "doentio", para os pobres idealizados por essa sociedade torna-se "saudável". Dessa feita, as broncas e cobranças só existem dentro dos limites das elites. Fora delas, a degradação é defendida até com o pretexto da "liberdade".

Os problemas sociais não sensibilizam as elites "progressistas". Mas elas dão um jeitinho para parecerem simpáticas e dizem que tais problemas são "soluções" e a pobreza é vista por elas como "uma admirável pureza transcendental das periferias". Acham que o povo pobre é "feliz" e "sabe resolver essa pobreza".

No que diz à questão das mulheres-objeto, por exemplo, isso é sintomático. Se a modelo Gisele Bündchen aparece vestida de empregada doméstica, ou talvez de enfermeira sexy, a "boa sociedade" reage com fúria. Mas se é uma musa mais vulgar, seja uma funqueira, uma ex-BBB, abrigada pelo pretexto do "popular", a reação é outra.

Aí a musa vulgar, quando veste de enfermeira sexy, é considerada "divertida", "hilária" e, pasmem, até "feminista". A "boa sociedade" fica feliz porque, para ela, é o povo pobre fazendo o papel de "bobo da corte" das elites, o pitoresco lhes é "divertido", e tentam argumentar até de que "ninguém precisa ser sério o tempo todo". Logo estas elites, tão sisudas consigo mesmas no dia a dia...

Mesmo as críticas contra a mídia machista acabam se limitando a uma exploração machista da mulher feita por veículos e fenômenos da mídia mais "elitistas". Comerciais de automóveis, de serviços de TV por assinatura, de grandes grifes de moda, de seriados de TV estrangeiros. Aí a bronca mais comum é a reprovação da imagem da mulher como objeto de consumo ou como pessoa de qualidade inferior.

Só que, quando a situação muda quando a questão é no "popular". Se uma ex-BBB mostra fotos de banheiro, banca a "gostosona" até em bailes de gala e se veste mal o tempo todo, a "boa sociedade" até sente pena quando ela é criticada. "Meu Deus, estão pegando pesado demais na coitadinha!", é o que costumam dizer.

No "funk carioca", a "boa sociedade" já deu todos os louvores alegando que a degradação social associada ao ritmo era "uma forma diferente de valores modernos para o povo pobre". Trocando as bolas, a "boa sociedade" tomava a estupidez funqueira como "sabedoria" e nossos questionamentos sérios como "preconceitos".

Através desse discurso, vemos que a "boa sociedade" se incomoda quando o estupro atinge a vítima mais abastada, como por exemplo uma universitária. Mas se ele ocorre dentro de um "baile funk", é "liberdade sexual das moças pobres". Se a pedofilia envolve homens abastados, ela é depravação, mas quando ocorre dentro de "bailes funk", é visto como uma "iniciação sexual das moças das periferias".

Dessa feita, a cidadania, quando é fora dos redutos das elites, tem que ser o vale tudo dos valores caóticos, da ignorância moral, das degradações diversas. E a "boa sociedade", alarmista, condena nossos questionamentos como se estes fossem "alarmismo", como se fossem um "horror moralista".

Assim, a "boa sociedade" trata as classes populares conforme um conhecido ditado popular adaptado a seu contexto. Para ela, pimenta nos olhos do povo pobre é refresco. E, pasmem, isso é visto como "ruptura de preconceitos". Não há preconceito pior do que isso.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

TÂNATOS FUGIU DE MEDO DA BRITTANY MURPHY


Brittany Murphy nos deixou cedo, com apenas 32 anos e seu jeitão doce de grande menina.

Mas, apesar da tragédia, o conhecido deus mitológico da tragédia, Tânatos, ficou com muito medo ao perceber a beleza graciosa e o jeito serelepe da saudosa atriz, que está muito mais para Eros, o espírito do amor e da sedução.

Tânatos ficou tão assustado, ao ver a beleza jovial e luminosa desse adorável espírito, que correu apavorado, assustado, tremendo e gritando de tanto pavor.

E advinhem para onde Tânatos foi se refugiar?

Foi para um "baile funk", ver uma apresentação da Gaiola das Popozudas. Que tem muito mais a ver com o astral sombrio, tétrico e cavernoso de Tânatos.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A "MPB FEIJÃO COM ARROZ"



Diante da hegemonia quase absoluta do brega-popularesco, a grande mídia só permite ao gosto musical do grande público a apreciação de uma ala da MPB de um repertório mais acessível e quase banalizado, que possui acesso relativo nas programações de rádio e TV.

É a chamada "MPB feijão com arroz", que geralmente reproduz apenas os estilos dos medalhões da MPB autêntica dos anos 60 e 70 em fórmulas mais "digestíveis", sendo praticamente uma tradução brasileira do pop adulto estrangeiro mais trivial, já tocado largamente nas chamadas FMs de "adulto contemporâneo".

O elenco não é lá muito grande, mas é divulgado ao lado dos pouquíssimos nomes da MPB autêntica que possuem acesso nas rádios, como Maria Rita Mariano e Marisa Monte. Os nomes da "MPB feijão com arroz" são muito conhecidos e até são considerados uma espécie de "versões de bolso" ou "genéricos" de artistas da MPB considerados "menos radiofônicos".

Dessa feita, temos Ana Carolina, que é um "genérico" da Ângela Ro Ro, Jorge Vercilo, em relação a Djavan, e Maria Gadu, em relação a Nana Caymmi. Todos eles nem de longe representam uma renovação para o gênero, sendo apenas uma versão "simplificada" da MPB dos anos 70, apenas um bando de bons alunos fazendo a tarefa de aula corretamente.

Nos anos 90, até tivemos "genéricos" como Chico César, que emulava Caetano, ou alguns nomes mais afeitos a uma estética "pop", como Zeca Baleiro. Mas nomes como Zélia Duncan, Marisa Monte, Lenine e Adriana Calcanhoto ainda ofereceram um pouco mais de informações musicais, tentando suprir o raquitismo artístico trazido pelos neo-bregas.

ISSO É BOM OU RUIM?

A "MPB feijão com arroz" é boa ou ruim? Dependendo do ponto de vista, pode ser boa ou ruim. Boa, porque permite ao grande público o conhecimento básico da MPB autêntica que as grandes plateias são desestimuladas pelo poder midiático a adotarem como seu gosto musical geral. É uma forma de introduzir o grande público à MPB autêntica, de certa forma.

No entanto, isso é ruim, quando o gosto musical acaba se estacionando nesses nomes. Quando curtir Ana Carolina torna-se o máximo que o grande público, ou mesmo pessoas de classe média, conseguem atingir, isso é negativo. Afinal, se uma Ana Carolina ou Jorge Vercilo não estimulam o grande público a largar o brega-popularesco, isso se torna bastante preguiçoso e ineficaz.

É como se, nos EUA dos anos 50, o pessoal que só curte Pat Boone e The Platters se encoraje a curtir Bing Crosby e Perry Como. Ou, no âmbito do rock pesado, a patota que gosta de poser metal só curtir algum rock-chavão como Scorpions e Whitesnake fase anos 80 ou bandas tipo Nazareth e Quiet Riot.

Sendo esse hábito, a preguiça impede que o gosto musical das pessoas se torne mais aprimorado, porque para o público de brega-popularesco, não existe diferença real entre a "MPB feijão com arroz" dos artistas medianos e a "MPB de mentirinha" dos da geração neo-brega de Alexandre Pires, Zezé di Camargo & Luciano, Chitãozinho & Xororó, Belo, Leonardo, Daniel, Thiaguinho, Péricles e Ivete Sangalo.

Isso acaba tornando o gosto musical viciado, sem falar que os clichês da MPB dão uma noção falsamente elitista da música brasileira de qualidade, e qualquer um que vista paletó e grave disco com orquestra vira "sofisticado".

A "MPB feijão com arroz" existe como um processo de introdução do grande público à MPB. É até um bom atalho para o "povão" conhecer coisas melhores e reencontrar os ritmos de seus antepassados hoje erroneamente vistos como "patrimônio das elites". É bom não ficar parado no meio do caminho, a MPB mais básica não é o fim, mas um meio das classes populares reconheceram a MPB que a mídia lhes tirou do acesso.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A LIÇÃO DE ROCK'N'ROLL DOS ROLLING STONES


Os Rolling Stones encerraram sua turnê comemorativa dos 50 anos de surgimento em Newark, Nova Jersey, EUA, em concerto transmitido no Brasil pelo canal Multishow. E quem viu percebeu o quanto de energia os quatro veteranos músicos da banda inglesa têm de sobra.

O repertório, que além dos maiores clássicos do grupo (de "The Last Time" a "Start It Up"), incluiu canções pouco conhecidas como "Before They Make Me Run" (de Some Girls) e "I'm Going Down" (música que originalmente foi sobra das sessões que resultaram no Let It Bleed, de 1969, e que teve John Mayer e Gary Clark Jr. como convidados na ocasião), foi tocado de forma brilhante pelos músicos, bastante entrosados.

A turnê mostrou que a banda voltou mais "crua" no seu som, com a bateria ágil do discreto Charlie Watts dando o ritmo às canções, junto com o vigoroso diálogo das guitarras de Keith Richards, por sinal aniversariante de hoje, e Ronnie Wood, mais a incrível jovialidade de Mick Jagger e sua natural desenvoltura no palco e seu excelente vocal.

Atualizados tecnicamente, os dois guitarristas usaram guitarras sem fio, o que os permitia ficarem soltos no palco - embora Keith tenha preferido ficar posicionado entre Charlie e o baixista Darryl Jones, músico acompanhante que também se mostra bastante familiar com o som da banda. E Keith havia cantado duas músicas, "Before They Make Me Run" e "Happy" (esta de Exile On Main Street, considerado pela crítica o melhor disco da banda).

Até mesmo a cantora pop Lady Gaga, geralmente vinculada a um pop dançante mais convencional, conseguiu se adequar ao astral da banda, dando conta do recado no dueto com Mick em "Gimme Shelter", mantendo a energia que nos remete ao final dos anos 60.

O grupo também tocou duas novas músicas, "Doom and Gloom" e "One More Shot", ambas incluídas na coletânea Grrrr!, lançada recentemente. A apresentação que encerrou a turnê não teve a participação de Bill Wyman, mas ele já participou de duas apresentações em Londres, fazendo as pazes com os ex-parceiros.

E os demais convidados, o guitarrista Mick Taylor - que havia substituído Brian Jones entre 1969 e 1974, antes de passar o posto a Ron Wood - , que tocou com os ex-colegas em "Midnight Rambler" (de Let It Bleed) e Bruce Springteeen, que tocou e cantou junto ao grupo em "Tumbling Dice" (de Exile On Main Street).

Ainda houve um coral, com muitas gatas estonteantes, fazendo o acompanhamento em "You Can't Always Get What You Want" (também de Let It Bleed), numa surpresa dada ao público no bis, depois que a banda fez que se retirou.

O grupo ainda tocou "Satisfaction", o maior sucesso do grupo, de 1965, consagrando a longevidade artística do grupo que havia feito mistério antes de iniciar esta turnê, para depois presentear os fãs com a excelente excursão com os músicos em plena forma e bastante inspirados.

Portanto, foi uma grande lição de rock'n'roll para as gerações mais recentes que não conseguem compreender bem o que é realmente esse estilo. Tomados de gororobas recentes misturando posers e emos com grunge e nu metal, para não dizer aqueles que creditam como "rock" misturebas que incluem reggae, tecno e hip hop, as gerações mais recentes não sabem o que realmente é um clássico do rock.

E os Rolling Stones estão aí para isso. E já se fala que eles poderão tocar no festival Coachella. Nada está confirmado ainda, mas em todo caso vamos desejar longa vida para a banda, agradecidos pelos excelentes músicos e suas grandes canções. Valeu, rapazes!!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

FMS LEVAM A PIOR NA AUDIÊNCIA DO JOGO ENTRE CORINTHIANS E CHELSEA


O jogo de ontem entre o Corinthians e o time inglês Chelsea no Mundial de Clubes do Japão, realizado de manhã, representou uma séria desvantagem na audiência das FMs que apostam no formato "Aemão" e transmitem partidas esportivas.

Nas rádios pesquisadas no eixo Rio-São Paulo, por exemplo, a sintonia observada nas emissoras FM - levando em conta que, em cada capital, há uma média de pelo menos duas FMs dedicadas ao "Aemão" - era de uma pessoa para cada grupo de, no mínimo, 20 mil pessoas, uma audiência considerada ínfima.

As sintonias pesquisadas nas cidades mostram que os ouvintes que preferiram sintoniar rádio FM estavam isolados, constituindo em audiências individuais. Já a audiência da televisão tornou-se bem maior, sendo constante em cada bar observado nas ruas das cidades, além da sintonia em residências. E em todas elas uma única sintonia puxava um número mínimo de três espectadores.

Há também a audiência nos sítios da Internet que, ainda que seja pequena e geralmente individual, segue um nível de crescimento inverso ao do rádio FM, que descresce completamente.Isso mostra a decadência que o rádio FM anda sofrendo, mais acelerada do que a do rádio AM.

Visando não decepcionar o mercado publicitário, que já não confia no rádio, as FMs chegam a registrar, nos institutos de pesquisa, um índice de audiência que, na verdade, corresponde a 50 ou 200 vezes a audiência observada na realidade.

Por exemplo, se uma FM com roupagem de AM registra uma audiência de 60 mil ouvintes por minuto, o que faz com que os colunistas de rádio, alguns de forma exagerada, estimem a audiência a mais de um milhão de ouvintes, a FM, na realidade concreta, das ruas, na verdade estaria tendo, na mesma ocasião pesquisada, um número não muito superior de 120 a 150 ouvintes.

Maior vantagem está na televisão paga, onde a audiência cresce de forma surpreendente, sobretudo com as facilidades que as operadoras oferecem. E se o rádio FM queria ser o "novo rádio AM", ele anda sofrendo na pele os mesmos dramas que as AMs sofrem nos últimos 25 anos.

sábado, 15 de dezembro de 2012

A INJUSTIÇA FEITA NA INTERNET CONTRA MILA KUNIS


Recentemente, os leitores do portal AskMen elegeram, como em todo ano, as 99 mulheres mais desejáveis deste ano. Os critérios envolvem tanto beleza e sensualidade quanto uma personalidade minimamente interessante e menos afetada por fofocas e pelo sensacionalismo jornalístico.

A eleição deste ano incluiu desde beldades como Olivia Wilde, Natalie Portman e Anne Hathaway, musas dos nerds como Olivia Munn, até mesmo a primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, e supermodelos como Alessandra Ambrósio.

A atriz de Jogos Vorazes (Hunger Games), a deliciosa Jennifer Lawrence, encabeçou a lista, que não teve as grandes musas vulgares, o que faz com que a patota machista provinciana daqui do Brasil, que acompanha sítios digitais como o portal Ego, se decepcionem por não verem suas queridas Geisy Arruda e Nicole Bahls na lista.

Mas a segunda colocada, a atriz Mila Kunis - que atualmente namora seu antigo colega do seriado That 70's Show, Ashton Kutcher - , acabou se tornando vítima de uma grande injustiça quando ela foi fotografada, em suas imagens cotidianas, completamente sem glamour e com um ar de cansada.

Chamada de "feia" e ridicularizada pela escolha como segunda colocada entre as mais desejáveis pela votação do AskMen, Mila Kunis nem de longe se tornou o "bagulho" que agora muitos internautas andam definindo a bela atriz. Nesta foto acima, nota-se que ela continua bonita e até que está uma gracinha sem maquiagem. Só está um pouco cansada, estressada no seu dia a dia. Ela é um ser humano, ora!

Já dá para perceber a esperteza que as musas vulgares, principalmente as "mulheres-frutas", fazem ao evitar aparecer sem maquiagem. Imagine Valesca Popozuda aparecer sem maquiagem e sem Photoshop e com cara de cansada. Ficaria um horror!

Da mesma maneira, Solange Gomes soaria muito envelhecida e Geisy Arruda teria uma baita pinta de enjoada, sem essa "produção" toda. E mesmo Ariane Steinkopf, sem esses recursos de maquiagem real ou digital, se tornaria completamente sem graça.

São constatações, meus caros leitores. Note como apareceu, nos últimos anos, a "musa" Cristina Mortágua, da mesma geração de Solange Gomes e outras "musas da banheira" daquele famoso quadro do Domingo Legal de Gugu Liberato. Ela tem apenas 43 anos e sua aparência, sem maquiagem nem Photoshop, soa muito envelhecida e decadente.

Há também os casos de outras hasbeen, como as arqueo-popozudas Gretchen e Rita Cadillac, que já estão "passadas" como "musas" e além de não serem lá muito bonitas, ficam piores quando deixam a maquiagem e o Photoshop de lado.

Portanto, o pessoal deveria agradecer ao fato de Mila Kunis aparecer desglamourizada, da mesma forma que, em outras ocasiões, Cindy Crawford e Sofia Vergara também apareceram. Todas elas parecem não ter a aparência sedutora das fotos produzidas, mas isso é só impressão.

No fundo, moças assim apenas mostram o quanto suas belezas têm de real e de simples. E mostram até gratas surpresas, como uma Sofia Vergara bem graciosa sem a maquiagem que a faz a diva sexy do seriado Modern Family.

Portanto, é injustiça falar mal de Mila Kunis. Ela continua bonita e graciosa, e certamente Ashton já a viu assim várias vezes e nem sequer se sentiu decepcionado com isso. Pelo contrário, ele deve ter noites deliciosas com a namorada, sobretudo sem qualquer maquiagem. E ele é conhecedor de causa, devido às diversas lindas mulheres que namorou, inclusive sua ex-mulher Demi Moore.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

SERVIDOR DO IPHAN NÃO PRECISA ENTENDER DE MATEMÁTICA


O IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) está em nova fase, aperfeiçoando seus trabalhos depois que o antropólogo Antônio Augusto Arantes Neto, vindo do Condephaat - instituição ligada ao patrimônio cultural em São Paulo - , assumiu a entidade em 2004.

Era a época em que o IPHAN, depois de promulgado o Decreto-Lei 3551, de 04 de agosto de 2000, que regulamentou o patrimônio cultural imaterial no país, havia até mesmo realizado seu primeiro concurso. Nesse processo todo, Antônio Arantes havia sido destituído por denúncias sobre uso indevido de verbas do Ministério da Cultura e o DEMU (Departamento de Museus e Centros Culturais) se desmembrou do IPHAN, transformando-se no IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus), também tutelado pelo MinC.

O sucessor de Arantes, o arquiteto Luiz Fernando de Almeida, ligado ao Programa Monumenta - depois absorvido pelo IPHAN - , já não preside a autarquia há pouco mais de um mês, substituído por sua colega Jurema Machado (foto), a atual titular, também ligada ao Monumenta.

O próprio Ministério da Cultura mudou de titular, saindo a controversa Ana de Hollanda, que foi substituída por Marta Suplicy. Para os leigos, a irmã de Chico Buarque deu lugar à mãe do Supla. Mas isso é um detalhe sem importância. E, controvérsias à parte, Marta mostrou estar disposta ao debate com diversos setores da sociedade, o que anima muito a classe intelectual em torno de sua escolha como ministra da Cultura.

Por isso, o IPHAN deveria repensar os critérios para seu futuro concurso público. Até agora nenhuma notícia a respeito foi divulgada, mas pode ser que o concurso se dê no próximo ano. Por isso, é necessário que se discuta hoje a natureza da próxima seleção para o quadro de servidores, para que o IPHAN não cometa os erros de 2007 e 2009.

SERVIDOR DO IPHAN DEVE ENTENDER DE CULTURA E NÃO DE CÁLCULOS

Os concursos de 2007, especializado para o PAC das Cidades Históricas, e de 2009, para renovação do quadro de servidores, cometeram um sério erro de incluir Matemática e Raciocínio Lógico nas provas de seleção. Um erro injustificável, a não ser pelo velho e obsoleto moralismo acadêmico que valoriza os estudos pela quantidade e dificuldade do saber antigo, e não pela qualidade e prática do saber de hoje.

São erros terríveis, e completamente inúteis diante das novas demandas que o setor da cultura exige para o país. Afinal, o próximo concurso público do IPHAN deveria formar quadros de servidores que entendam de cultura, dentro dos setores apreciados pelo instituto, como Antropologia, História, Arquitetura e Folclore, e não "cobras" em matemática e lógica.

O servidor do IPHAN não precisa calcular, por exemplo, qual o tempo em que dois ônibus com percursos de duração diferente se encontram num mesmo ponto, ou qual é a curva da reta de uma equação. Embora tais conhecimentos agradem ao moralismo estudioso de certas instituições, eles se tornam totalmente sem efeito para o serviço em instituições como o IPHAN.

CONHECIMENTOS DESPERDIÇADOS

O grande problema dessa exigência de Matemática e Raciocínio Lógico é que, quando for aprovado um servidor que "feche" tais questões numa prova, o IPHAN levará gato por lebre, pegando um servidor menos preparado para as necessidades específicas da autarquia.

Afinal, o perfil do servidor, nessas condições, estará mais próximo ao de um advogado ou engenheiro que se torna servidor público, mesmo como um assistente administrativo, do que um servidor integrado ao IPHAN. Isso será bastante problemático, porque será apenas um "atleta de concurso", um "bom fazedor de provas" que encontrará dificuldades de entender espontaneamente a realidade da autarquia.

Os concursos de 2007 e 2009 deram pouca ênfase às especialidades do IPHAN. O de 2007 foi ainda pior, porque a empresa organizadora, a ESAF (Escola de Administração Fazendária), ligada ao Ministério da Fazenda, tem a mania de exigir Matemática em tudo que é concurso.

A mania sugere até mesmo uma piada. Se a ESAF organizasse um concurso de Miss Brasil, teria subvertido todos os critérios de beleza e elegância dessa competição, na medida que só exigiu, para a seleção, mulheres especializadas em Matemática, não necessariamente um atributo da deusa Vênus.

Mas mesmo o concurso de 2009, organizado pela iniciante Universa, também deu pouca ênfase aos assuntos do IPHAN. Mais parecia um concurso para técnico em Contabilidade dos Correios. Isso pode agradar os moralistas do estudo e da "decoreba", mas será um desastre para uma instituição como o IPHAN.

O servidor do IPHAN precisa estar mais preparado para os desafios em torno da Cultura e suas disciplinas associadas, como Antropologia, Sociologia, História e Arquitetura. Sem enrolações do tipo "o primo de João tem o dobro da idade de José que tem o triplo mais um da idade de Luiz, logo quantos anos terá o mais novo quanto o mais velho tiver 45 anos?".

O raciocínio se vai pela análise das informações de pesquisa coletadas por documentos, depoimentos, gravações e outras peças que comporão um inventário de uma manifestação cultural. Já é muita pesquisa, mas que dispensa equações do segundo grau e questões tipo "se isso é aquilo e aquilo não é isto, então isto não é aquilo" que desperdiçam horas de estudo nos dois meses entre a inscrição e a prova.

Portanto, se o IPHAN vive uma nova fase, não tem como repetir os equivocados procedimentos das provas de 2007 e 2009. Não dá para sobrecarregar os estudos dos candidatos com matérias desnecessárias, embora "técnicas". Isso pode até ser bom para a competitividade do concurso em si, mas trará consequências complicadas no cotidiano de trabalho.

Concluindo: quando o IPHAN realizar um novo concurso, é bom que repense seu programa de provas. Que exija apenas o necessário para seu campo de trabalho, evitando a sobrecarga que pode resultar na aprovação de servidores errados, conhecedores profundos de Matemática mas medíocres no trato das especificações da instituição.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

GLOBO "ESQUENTA" A GLAMOURIZAÇÃO DA POBREZA


A entrada da nova temporada do programa Esquenta!, da Rede Globo, mostra a intenção da emissora no processo de glamourização da pobreza e na estereotipação das periferias, agora oficialmente promovidas, pela rede, a "nova classe C".

A julgar pelas estratégias do programa, ele tenta amenizar a crise que, dentro das esquerdas médias, as críticas à blindagem intelectual ao brega-popularesco que se começa a fazer. O programa, além disso, complementa a visão "sensual e poética" que o diretor Luiz Fernando Carvalho e o escritor Paulo Lins fazem com as periferias através da minissérie Suburbia.

Primeiro, porque o programa tenta agora agradar as esquerdas médias tendo como convidada a presidenta Dilma Rousseff. Mas, a julgar pelo que a Dilma faz, com a concessão de privilégios na publicidade do Governo Federal na grande mídia, dá para perceber que não é a Dilma de 2010 que estará no programa, mas aquela que vai para a festa da Folha de São Paulo e permite implantar a nefasta Usina de Belo Monte.

Regina Casé tenta também dar a impressão de que o Esquenta! não aposta na caricatura da periferia. A mesma intenção citada no discurso clichê da minissérie Suburbia. Ela diz "estar cansada" do discurso que se faz com frequência sobre a "nova classe C".

Ela diz que pretende ir além dos estereótipos. Mas aposta na glamourização do brega-popularesco, numa campanha engenhosa das Organizações Globo de "embelezar" a breguice cultural em todos os seus aspectos, sob um pretexto de "diversidade cultural" que possui exata analogia à "liberdade de imprensa" pregada pelos jornalistas da casa, como Merval Pereira, Miriam Leitão e William Bonner.

A apresentadora e atriz - há muito tempo distante da vanguarda provocativa do Asdrubal Trouxe o Trombone - chega ao ponto de enfatizar que funqueiros e "pagodeiros" (sambregas), "ao contrário do que muita gente julga, gostam de literatura da mais alta qualidade", como se os intérpretes do brega-popularesco fossem pessoas "bastante cultas".

Primeiro, esses ídolos brega-popularescos não repassam essa "boa cultura" para seus trabalhos, e, em certos casos, esse "refinamento cultural" é obtido tardiamente, talvez por indicação de algum "bacana". E, quando não é tardia, como no caso de certos bregas que começaram "tocando MPB", como Gaby Amarantos, Grupo Revelação, Anderson do Molejo e Márcio Victor do Psirico, soa superficial e hipócrita, porque no meio do caminho eles decidiram jogar isso fora e mergulhar na breguice mais escancarada.

Segundo, porque, com as facilidades de consumo de bens culturais, todo mundo passou a "gostar" de alta literatura, música de qualidade, belas artes etc. Isso não traz diferencial algum e há claramente um distanciamento e uma falta de identificação natural com a alta cultura que se consome, mas não se aprecia de verdade.

Terceiro, porque, com a Internet e as pressões da sociedade, a mediocridade cultural de hoje tenta se anabolizar com uma série de referências tendenciosamente assimiladas, que apenas fazem seus ídolos serem um pouco "mais informados".

Um funqueiro pode não entender alemão, por exemplo, mas sabe identificar o idioma por alguns maneirismos de pronúncia. Um breganejo sabe quem foram os Byrds e Neil Young & Crazy Horse, e até um MC Leozinho da vida sabe quem foi o Led Zeppelin. Luciano, o irmão de Zezé di Camargo, leu Dostoievski. Mas nada disso os faz mais cultos ou sábios, isso em nada resolve a mediocridade na qual eles estão inseridos.

Afinal, são apenas acúmulo de conhecimentos que pode valer pela quantidade de referenciais aprendidos. Mas, no que diz à qualidade de conhecimentos, isso não resolve. O brega, desde seus primórdios, esteve sempre munido de muitas informações veiculadas pelo rádio e TV, sobretudo estrangeiras, e nem por isso sua estupidez e mediocridade se tornaram "mais amenas".

Pelo contrário, a coisa até piora, mas torna-se suficientemente aceitável para uma sociedade elitista que precisa dar uma de "boa gente" para o povo pobre. São intelectuais, celebridades, artistas que precisam disfarçar seu elitismo doentio - não muito diferente de uma Danuza Leão - com um paternalismo às classes populares que eles tentam desmentir que seja paternalista.

Eles precisam dar a impressão de que sua solidariedade falsa é "autêntica", que "não querem" glamourizar a periferia, que são "sinceros" na apreciação das periferias, mesmo apostando na visão hipócrita de que as favelas são "admiráveis construções pós-modernas".

A glamourização da pobreza, apoiada em metodologias "científicas" ou "técnicas", como monografias, documentários, resenhas, artigos, reportagens, filmes e programas de TV mais elaborados, pode até dar a impressão de que se apoia num discurso "despretensioso" e "transparente", o que aparentemente desestimula um analista médio a acusá-lo de paternalista.

Desse modo, troca-se o "seis" pela meia-dúzia. Ivana Bentes, por exemplo, havia errado ao criticar a "periferia legal" trabalhada pelo Central da Periferia (outro programa da grife Regina Casé / Hermano Vianna, que na ressalva de Ivana foram por ela elogiados) e elogiar o documentário Sou Feia Mas Tô Na Moda, que aposta na mesma visão estereotipada da periferia.

Hermano Vianna, por sua vez, havia dito que o Esquenta! seria "o ponto de encontro festivo do melhor do futuro". E Regina afirmou que William Bonner vai deixar a bancada do Jornal Nacional e "descer até o chão" num "baile funk". Seria bom chamar o William Waack junto, porque este é amigo da CIA, que, segundo analistas sérios, tem grande interesse em pasteurizar o samba e enfatizar o "funk carioca" como processos de manipulação das classes populares no Rio de Janeiro.

Mas isso não será a cultura do futuro. Nem pós-classe C, pós-Internet, pós-pós-modernidade, pós-neoliberalismo, pós-esquerdismo ou coisa parecida. O Esquenta! apenas é parte de uma longa estratégia que as Organizações Globo, desde os anos 80, fazem para "embelezar" a breguice cultural.

Essa cosmética do brega apenas busca forçar o apoio das classes mais abastadas à mediocridade cultural dominante, mas nada faz para melhorar a cultura das classes populares. Quando muito, só enche os bolsos dos ídolos popularescos, mas eles acabam virando burgueses do mesmo jeito.

A verdadeira cultura popular, com sua força, com sua expressividade e sua inteligência, ela continua marginalizada e privada do acesso de seu próprio povo. O povo ficou refém dos executivos de rádio e TV, que definem o "mau gosto" como se isso fosse a "cultura popular que deveria ser". Mas não é.

E a Globo, através do Esquenta! e Subúrbia, apenas encobre a miséria popular com uma sofisticada cosmética discursiva que alegra a todos. Só no "funk carioca", por exemplo, a blindagem ideológica foi, por si mesma, uma bela obra de arte. Coisa que o "funk", em si, não é, porque é só tocar o CD para que todas aquelas belezas ditas pelos intelectuais "mais bacanas" caem por terra.

domingo, 9 de dezembro de 2012

A DECADÊNCIA DA GLOBO AINDA CONTINUA



Na semana passada, a Rede Globo, só nos lares pesquisados em São Paulo, registrou sua pior audiência da história, registrando em novembro último 13,5 pontos, correspondentes a 60 mil lares, contra 14,6 pontos em outubro.

Semanas atrás, o jornalista Paulo Henrique Amorim havia também dito que as novelas da Globo andavam mal em audiência, mesmo a bem-intencionada Guerra dos Sexos e a ambiciosa Salve Jorge, o que afeta, negativamente, o Jornal Nacional, que não disse a que veio ao substituir o clima familiar do casal William Bonner e Fátima Bernardes com o "diálogo jornalístico" da nova parceira de William, Patrícia Poeta.

Fátima, por sua vez, também não conseguiu brilhar com seu programa de entrevistas Encontro com Fátima Bernardes que, além de ter causado indignação no público fiel do programa Globinho, infantil que exibia desenhos animados, tinha um cenário caótico em que convidados, técnicos e espectadores ofuscavam a apresentadora.

Os humorísticos também tiveram suas baixas. O Casseta & Planeta Vai Fundo, programa que já foi jogado no final da noite, depois da "geladeira" de um ano, já está confirmadamente fora do ar na grade de 2013. As Aventuras do Didi, que havia sido uma versão reformulada do anterior A Turma do Didi, e que já era uma tentativa de reviver o glamour dos Trapalhões sem Mussum e Zacarias, também fica de fora em 2013.

Tanto os cassetas quanto Renato Aragão foram advertidos pelos executivos da Globo a bolar novas atrações. Não será fácil. O Casseta & Planeta Vai Fundo havia resgatado personagens do Casseta & Planeta Urgente, a princípio descartados na atual atração, nas temporadas recentes. E Renato Aragão já havia lançado "genéricos" de Mussum e Zacarias, como o ex-É O Tchan Jacaré e Tadeu Mello.

Mas os dois fracassos se devem a incidentes que os humoristas haviam feito fora de seus programas. O reacionarismo tucano e incrivelmente mal-humorado de Marcelo Madureira, casseta associado ao Instituto Millenium, já havia "queimado" o Casseta & Planeta Urgente em 2010. Já Renato Aragão havia demitido um motorista que havia chamado o humorista de "Seu Didi", dizendo que ele deveria chamá-lo de "Dr. Renato".

O caso com Renato Aragão foi muito grave, se levarmos em conta que, nos seus programas, o personagem Didi é xingado de "burro", "imbecil" e "idiota" sem perder o senso de humor. Além disso, Renato Aragão enfureceu os católicos com um filme em que o personagem Didi é escolhido por Deus para continuar a missão de Jesus Cristo na Terra.

Se o incidente de Marcelo Madureira causou uma péssima repercussão por parte da blogosfera, sobretudo progressista, afetando o humor do programa como um todo, que já estava repetitivo, o incidente com "Dr. Renato" causou má repercussão nas redes sociais, agravado pelo filme "religioso" e, para piorar, com os órfãos de Chico Anysio "descontando" a tristeza pelo falecimento deste protestando contra o conterrâneo.

E O SETOR "POPULAR"?

Já no âmbito do "popular", tem-se as tentativas da Globo de manter Xuxa em alta, com audiência satisfatória entre 9 e 11 pontos em outubro último. Mas depois, em novembro, o TV Xuxa, programa de variedades da "rainha dos baixinhos", perdeu nos lares da Grande São Paulo para os desenhos do Pica-Pau, numa diferença de pontos de 6,7 para Xuxa contra 8,7 do personagem de Walter Lantz.

Foi o suficiente para o diretor de TV Xuxa, Mário Meirelles - casado com a estonteante atriz Simone Soares - , há um ano no comando da atração, ficar irritado e disparar um desabafo no Twitter: "Atenção aos retardados que estão assistindo Pica Pau começou TV Xuxa. Tá bom. Atenção idiotas que que estão assistindo Pica Pau. Começou TV Xuxa sua única esperança de sair dessa lavagem cerebral".

Vários internautas reagiram revoltados, e Mário Meirelles pediu desculpas, ao saber que vários seguidores seus assistiam ao desenho animado. Tentou argumentar que os espectadores preferem ver o Pica Pau a assistir a uma homenagem a Fernanda Montenegro, entrevistada no TV Xuxa.

Só faltou mesmo algum nerd irritado pedir para ele se separar de Simone Soares e querer namorar a atriz, já que deve ter torcida assim em relação a Ana Furtado, esposa do também temperamental Boninho, outro diretor de TV, no caso o programa Big Brother Brasil.

Aliás, quanto ao Big Brother Brasil, a repercussão negativa do programa, este ano, não fez os executivos da Globo cancelarem o programa, apesar de cancelamentos ocorridos em várias versões da franquia holandesa, nos últimos anos. A edição 2013 já está em processo de inscrições e resta a esperança do programa declinar já nesta edição.

A julgar pela péssima repercussão dos ex-BBBs, que foram criticados por se limitarem à curtição vazia das noitadas e dos eventos popularescos, e mais recentemente pelas gafes de suas "musas", que investiram no exibicionismo pensando que qualquer lugar é igual à intimidade de um lar, o futuro do Big Brother Brasil já não é mais tão certo quanto antes.

Laísa Portela havia posado deitada no chão de um supermercado nos EUA. Fabiana Teixeira e Maíra Cardi posaram dentro de banheiros, sendo Maíra duas vezes, uma num banheiro masculino de um avião, outra no banheiro de sua casa, para mostrar o controle remoto de um vaso sanitário. Além disso, Maíra havia feito caras e bocas e posou de "gostosona" durante uma passagem por um aeroporto no Rio de Janeiro.

A repercussão, bastante negativa, dessas gafes, que mostram o quanto se deve guardar a vida íntima no segredo da privacidade, fez com que Maíra reagisse indignada às críticas negativas recebidas: "Nunca me arrependo do que faço (...) Porque sou intensa, verdadeira (...) Eu quero que o mundo se fo... Que qualquer loucura, todo sacrifício, qualquer briga com mundo, (...) tudo será nada se eu estiver feliz!".

Na música, além da volta da superexposição de Ivete Sangalo, no entanto sem causar surpresas, a Rede Globo ainda não conseguiu fazer do cantor de sambrega Thiaguinho um ídolo de grande porte, mesmo jogando tudo que é ator e atriz de novela para assistir a ele a troco de benefícios contratuais. Também não ajuda muito a pseudo-MPB que o cantor adestrado pelo programa Fama passou a fazer ainda como membro do Exaltasamba, grupo da primeira onda sambrega que já existia antes dele fazer parte.

O The Voice Brasil - cujo corpo de jurados é 50% de ídolos neo-bregas - apenas faz sucesso como uma novidade de temporada, sem qualquer importância na renovação da Música Popular Brasileira, que não depende de concursos musicais e talvez se exerce até fora dele. Vide as músicas "derrotadas" pelos festivais da canção dos anos 60 que, nem por isso, deixaram de ser clássicos da MPB autêntica.

Pode ser que a crise que passa a Rede Globo não represente um prejuízo catastrófico para a empresa, mas mostra o quanto sua influência está se perdendo. Há muito ela já não tem mais a influência absoluta dos tempos da ditadura, e hoje então ela já sofre as pressões violentas da Internet. A Globo está murchando.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

VALE TUDO EM TORNO DO "POPULAR"?

A DEGRADAÇÃO SOCIAL TAMBÉM É UM "PATRIMÔNIO CULTURAL"?


Fomos tapeados, durante muitos anos, por uma intelectualidade que exaltava o "popular" nas expressões do pitoresco, do grotesco, do piegas, do cafona e do retrógrado quando associadas às classes populares. Fechamos nossos ouvidos para os críticos da mediocridade cultural, no final dos anos 90, quando, pouco depois, fomos surpreendidos por uma campanha inédita em prol dessa mediocridade.

Éramos acusados de "preconceituosos", "elitistas", "higienistas", de promover o "apartheid cultural". Tínhamos que aceitar tudo que era aberrante, grotesco, piegas e pitoresco nas classes pobres a título de "apreciarmos a 'rica cultura' (sic) das periferias" que "não conseguimos (sic) entender".

Pouco importa se o mendigo embriagado sofre seus dramas pessoais, sobretudo com a pobreza e a falta de perspectivas. Para o intelectual da moda, ovacionado, aplaudido e badalado por plateias lotadas e seguido por milhares de internautas, o mendigo não é um problema social, é um "ícone pop", um "sábio performático", "intuitivo" na sua "livre expressão" da "tragédia humana" (no sentido teatrólogo do termo).

O rótulo "popular" é usado para inocentar qualquer pecado, qualquer aberração que tenha as classes populares como sujeito vivenciador ou contemplador. Qualquer coisa que fosse ideologicamente associada às classes populares, ainda que reduza elas a meras caricaturas e estereótipos preconceituosos, é endeusada pela intelectualidade e pela mídia como algo "divertido" e "saudável".

É o "bom" preconceito da intelectualidade "sem preconceitos". O povo é "melhor" naquilo que tem de ruim. A ignorância, a miséria e a degradação social deixam de serem considerados problemas pelo discurso intelectual vigente e passam a expressar a "admirável pureza" atribuída às periferias.

Qualquer um que propusesse alguma solução firme para dar fim a esses problemas é considerado "higienista". Isso quando se fala em combater a mediocrização cultural, a alienação, o grotesco, a pornografia e tudo o mais. Se deixarmos, a intelectualidade festiva condenaria até mesmo a luta contra o analfabetismo.

A palavra "popular" virou um pretexto para a permissividade sem qualquer critério. Para a vulgaridade das musas "populares" e suas gafes, para a breguice artística, para a exploração do pitoresco, para a banalização do sexo e da violência, para o endeusamento de pseudo-celebridades sem valor algum.

A intelectualidade dá um jeitinho para justificar "com categoria" certas aberrações sociais. Principalmente aqueles que exaltam a música brega e o "funk carioca". E que tentam, dentro de uma retórica engenhosa, promover a degradação social das classes pobres como algo "positivo" e "inquestionável". Vejamos:

1) PORNOGRAFIA E PEDOFILIA - Se o "funk carioca", por exemplo, está muito pornográfico e nos seus eventos, os ditos "bailes funk", há muita prática de pedofilia, a intelectualidade dá logo um jeitinho de argumentar que isso é "liberdade sexual", usando como pretexto a Contracultura (como se pudesse haver ali um novo Woodstock), ou a "iniciação sexual da juventude pobre".

2) "PROIBIDÕES" - Se as letras dos "proibidões" do "funk carioca" exaltam a criminalidade, então a intelectualidade tenta, sutilmente, dizer que isso é um "retrato nu e cru da dura realidade do subúrbio". Qualquer coisa, é só acusar os críticos dessa "vertente" funqueira de "moralistas" ou "politicamente corretos".

3) ALCOOLISMO - O que é um drama social para quem entende os problemas reais da nossa sociedade, o alcoolismo é visto pela intelectualidade festiva que defende a breguice cultural como um "saudável divertimento das classes pobres". Os velhos bêbados se tornam "admiráveis ícones pop", desculpa para permitir as risadas jocosas da intelectualidade (que também toma "umas"). Os dramas sociais só são reconhecidos quando viram letras tragicômicas do cancioneiro cafona.

4) DEGRADAÇÃO SOCIAL - A degradação social, seja o apego dos pobres a valores morais retrógrados, ao domínio dos instintos, à apreciação do pitoresco, do grosseiro e do aberrante, é visto pela intelectualidade festiva como "valores modernos que não conseguimos (sic) entender". A intelectualidade condena procedimentos errados quando feitos pelas elites, mas se os pobres fazem o mesmo, tudo bem.

Com isso, a intelectualidade quer que as classes populares permaneçam num processo de "vale tudo". Os pretextos que seus cientistas sociais e jornalistas culturais usam é que assim o povo "tem mais liberdade", permanece na sua "pureza", numa "natural beleza" (?!) que "não nos é possível" (sic) entender.

Isso corrompe a compreensão e mesmo a aceitação do outro. Se seguirmos esse ponto de vista, corremos o risco de nos tornarmos subservientes à forma com que a grande mídia, o mercado e a política conservadora sempre trabalharam a respeito da vida das classes populares, mantendo uma imagem domesticada, caricata e estereotipada do povo pobre.

E essa manobra toda, que permaneceu durante dez anos sem que uma grande crítica a tais procedimentos fosse feita em larga escala, tirou muitos acadêmicos e jornalistas a responsabilidade de investigar qualquer problema social. O problema, para eles, virou uma "solução". E ganharam muito cartaz com suas monografias, documentários, reportagens que, em vez de criticar os problemas, os defendiam.

E assim tivemos problemáticas sem problemas, debates que nunca debatiam, provocações que nunca provocavam, reflexões críticas que desestimulavam qualquer reflexão crítica, falsas polêmicas e microfones abertos onde se podia falar tudo, menos qualquer análise crítica da sociedade.

E toda essa blindagem intelectual só fez com que o povo pobre continuasse pobre, se não economicamente, mas sempre em qualidade de vida.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

AOS 104 ANOS, MORRE O MESTRE DA ARQUITETURA OSCAR NIEMEYER


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Faleceu Oscar Niemeyer, um dos últimos remanescentes da geração de intelectuais que, influenciada pela Semana de Arte Moderna de 1922, se consolidou na década de 1930.

Niemeyer, além de notável arquiteto, discípulo do modernista Le Corbusier, com inúmeras obras como o Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, o Museu de Arte Contemporânea, de Niterói, o edifício-sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York e a cidade de Brasília (e, depois, o traçado original da Universidade de Brasília), Niemeyer participou de inúmeras atividades intelectuais, incluindo a fundação do IPHAN.

Ele faria 105 anos este mês, mas não resistiu à insuficiência respiratória, falecendo na noite de hoje. Fica aqui nossa imensa gratidão a essa figura humana de incontáveis lições de vida. Valeu, Oscar!

Aos 104 anos, morre o mestre da arquitetura Oscar Niemeyer

Do Portal R7

O arquiteto Oscar Niemeyer de 104 anos, morreu por volta das 21h55 desta quarta-feira (5) no Hospital Samaritano, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. Ele estava internado na unidade desde o dia dois de novembro.

Niemeyer estava internado na unidade coronariana e respirava sem a ajuda de aparelhos. Na terça-feira (4), o arquiteto apresentou piora nos exames laboratoriais. O último boletim médico divulgado na tarde desta quarta-feira informou que o estado de saúde do arquiteto passava a ser considerado grave.

Segundo o médico Fernando Gjorup, Niemeyer morreu por insuficiência respiratória.

— Ele estava conciente na manhã de hoje [quarta-feira], mas o quadro foi se complicando. Ele precisou ser sedado e entubado, mas não resistiu.

Niemeyer havia passado duas semanas internado no mês passado, após dar entrada no hospital com quadro de desidratação. Em maio, Niemeyer esteve internado no mesmo hospital por mais de 15 dias com um quadro de desidratação e pneumonia. Em abril do ano passado, ele já havia passado 12 dias internado no Hospital Samaritano com infecção urinária. Dois anos antes, também no Samaritano, ele passou por duas cirurgias: uma para retirada de pedra da vesícula e outra para retirar tumor do intestino.

Símbolo da vanguarda e da crítica ao conservadorismo de ideias e projetos, o carioca Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho é apontado como um dos mais influentes na arquitetura moderna mundial. Os traços livres e rápidos criaram um novo movimento na arquitetura.

Entre as mais importantes obras do arquiteto, destacam-se o conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte; o Edifício Copan, em São Paulo; a construção de Brasília; a Universidade de Constantine e a Mesquita de Argel, na Argélia; a Feira Internacional e Permanente do Líbano; o Centro Cultural de Le Havre-Le Volcan, na França; o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba; os centros Integrados de Educação Pública (Cieps) e a Passarela do Samba, no Rio de Janeiro; o Memorial da América Latina e o Parque Ibirapuera, em São Paulo; e o Caminho Niemeyer, em Niterói, Rio de Janeiro; além do Porto da Música, na Argentina.

CONFRONTANDO ENTREVISTAS: CHLOE MORETZ VERSUS GEISY ARRUDA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Infelizmente o Brasil é um país provinciano que, juntando seu bairrismo com uma arrogância narcisista, se acha "moderno" no seu atraso e acredita poder virar potência mundial mesmo sendo um dos piores em Educação.

Quando criticamos a mídia machista, há gente que faz beicinho e, pasmem, há internautas femininas que chegam mesmo a defender valores claramente machistas, como uma tal "marcinha" que saiu defendendo a Solange Gomes. E que defenderia, do mesmo jeito, Nicole Bahls, Maíra Cardi, Geisy Arruda etc.

A título de comparação, mostramos aqui duas entrevistas. Uma com a atriz norte-americana Chloe Grace Moretz, que vem se destacando, aos 15 anos, por diversos papéis, inclusive protagonizando a nova versão de Carrie a Estranha. Outra entrevista é com a "celebridade" Geisy Arruda, protegida de Gugu Liberato, e que havia feito aquela pegadinha na Universidade Bandeirantes, há três anos.

Note que Geisy tem 23 anos e havia cursado a faculdade. Chloe é ainda uma adolescente, apesar de sua beleza estonteante já chamar a atenção em sítios que destacam a beleza e a sensualidade femininas. E nota-se que a entrevista com Chloe é bastante substancial, enquanto a de Geisy expressa o vazio e a superficialidade das musas vulgares.

Primeiro, vamos reproduzir a entrevista com a Chloe, que é menos famosa, e depois mostramos a entrevista com Geisy, mais conhecida dos brasileiros e que chama mais a atenção. Por isso, para quem quiser saber "tudo" (sic) sobre Geisy, tem que encarar primeiro a entrevista com Chloe Moretz.

Curiosamente, até a forma que o bullying é descrita difere muito em uma e outra entrevista.

Chloe fala sobre Carrie, cena de formatura e papéis obscuros

Do sítio Chloe Moretz Brasil

Durante o New York Comic Con, Chloe deu uma entrevista falando sobre a primeira versão de Carrie, a versão atual e sobre sua apreciação por papéis obscuros.

Você já viu a versão DePalma de 1976 do filme?

Sim, eu vi o filme original, quando eu tinha uns 13 ou 14, e eu amo o filme original. Eu acho que foi um filme muito bem feito. Foi muito teatral - que era um filme muito grande. Eu não tinha lido o livro até reservei a parte. E foi aí que eu absolutamente realmente me apaixonei por ele. E todos os dias no set, cada cena que eu tinha, eu comparei a cena no livro para a cena no roteiro. Eu escrevi todas as notas e todas as idéias que eu tinha para como deveria ser a cena, e então eu iria para o set e gostava de olhar para o que Stephen fez. Eu mesclava os dois juntos, e é aí que eu criei esse tipo de grande colaboração entre o livro e minha ideia.

Você atuou lindamente em papéis obscuros, principalmente em "Deixe-me entrar" e "Kick Ass". O que fez você querer assumir Carrie?

Bem, você sabe, o que realmente me atrai em um material mais escuro é que eu não gosto de atuar personagens realmente de luz, no sentido de que eu não gosto de interpretar personagens que são mais como eu. Porque eu tenho uma vida boa, eu tenho uma mãe que me apoia, eu tenho uma grande família - e esse tipo de material é um tipo chato para mim. Eu gosto de interpretar personagens que realmente se estendem de mim e realmente me faz sentir algo que eu nunca senti antes, e me faz expressar sentimentos nunca expressos antes.Não é exatamente indo só para um gênero, e isso só acontece a cair na região mais escura.


Carrie tem uma história muito atemporal. O que te tocou no livro de Stephen King?

O que eu achei tão incrível são as dimensões que vão junto com Carrie e como no livro, ela não é apenas uma garota com raiva que não tem razão de ser louca e só quer machucar as pessoas por causa de pessoas feridas. Carrie é uma pessoa que é colocada para baixo por todos ao seu redor, até mesmo pela pessoa que ela mais ama, sua mãe. Ela olha para a sua mãe mais do que qualquer outra pessoa no mundo, e que é a principal pessoa em sua vida, que ainda lhe diz: "Não, você nunca vai ser nada." Mas, realmente, você também percebe que Margaret tem que lidar com as próprias questões de seu passado. E é por isso que neste filme, obviamente você não vai muito longe até a infância de Margaret ... mas você tem uma noção do que tinha acontecido e ... por que ela está tratando sua filha deste jeito. Eu quis ler o livro porque o livro te leva mais para longe do que um roteiro pode sempre levá-lo, e ele acrescenta uma outra dimensão e outra camada para o seu personagem.

No filme original, Carrie está sempre de olhos arregalados e muito semelhante a uma vítima, enquanto no livro ela demostra ser muito mais irritada. Para que caminho você está levando sua personagem?

É meio-a-meio. O que eu realmente queria mostrar com o meu personagem é que ela não era ingênua a ponto de estupidez. Ela entendia tudo o que estava acontecendo ao seu redor a ponto de que ela sobre-compreendia o que as pessoas estavam dizendo para ela. O que acontece com Carrie é que todo ruim que é posto para fora em sua direção, ela toma mais do que as pessoas sequer percebem. E ela se torna mais forte e mais difícil, e depois no baile que ela se quebra. E foi aí que tudo o que ela mantia guardado, tudo o que ela manteve contida de sua mãe, seus colegas, seus professores, todos ao seu redor - ela se desenrola. A telecinese leva tudo o que é seu sentimento mais forte no momento e que multiplica por mil. E é por isso que ela é assim.

Este filme está sendo refeito com um diretor do sexo feminino. Você acha que fez a diferença, talvez ajudando a explorar algumas áreas diferentes?

Completamente. Ela trouxe um aspecto materno para o filme que eu não acho que você poderia ter obtido de outra maneira, porque trabalhar com Kim - quando você menciona a palavra "período" com um homem, ele julgam sabe? Eles vão dizer, "Oh, isso não é real, certo? Isso não acontece! "E então, com uma mulher, é apenas uma parte da vida e é parte de quem você é, e isso é o que acontece. Neste filme eu era capaz de me conectar com Kim em um nível tão pessoal ... criamos esse elo íncrivel juntas - este vínculo materno. Eu me senti tão seguro e tão confortável para fazer o que eu tinha que fazer neste filme, porque ela poderia me colocar na posição em que eu nunca me senti tão seguro e inseguro, ao mesmo tempo. É um personagem tão inseguro que eu tive que tirar tudo o que eu tinha construído até comigo mesma, e as oportunidades que me foram dadas e onde eu estou agora ... e eu tive que tira-lo fora. E eu tive que tirar todas as minhas inseguranças ... e eu tive que trazê-los em mim. É por isso que, quando você vê este filme, você vê algo que - como eu - eu nunca tinha feito antes em tela. E eu nunca fui capaz de colocar isso para fora, e sentiu-se seguro o suficiente para colocar isso para fora. E neste filme que eu fiz, porque Kim e Julianne [Moore, que interpreta Margaret] me permitiu.

Dirigindo-se a imagem promocional que foi lançada de você coberta por sangue, primeiro: como foi para você criar a cena icônica? E também, parece que você não está em pé em um ginásio - a cena vai acontecer em um cenário diferente?

Eu não posso obviamente dizer muito, mas há o ginásio e no ginásio acontece, e eu tenho que ir para casa. E a única coisa que foi realmente muito legal com o nosso filme é que, com o tipo DePalma, ela foi direto do ginásio para casa ... enquanto que no nosso filme realmente mostra que arco de plenos poderes telecinéticos de como no ginásio, foi apenas crescendo, e então ela se agrava, e pelo tempo que ela está em casa você vê-lo chegar até o fim e se trata de um círculo completo. Essa menina que começa não querer mais estar nos braços de sua mãe, sai dos braços da mãe, e depois até o final do filme tudo o que ela quer fazer é estar nos braços de sua mãe. Então, sim, também, estar no sangue, foi muito divertido e foi como um louco e tudo a sim - a diversão típica realmente aconteceu, também.

Que tipo de peso ou responsabilidade é assumir o termo "bullying" que agora é um assunto tão consciente?

Bem, na minha vida pessoal, como Chloe, eu lidei com um monte de coisas diferentes e pessoas, você sabe, eu fui feita de muita diversão. E você acha que só porque eu sou atriz teria sido tudo muito legal, na verdade, nem tudo é legal para algumas pessoas, porque eles se sentem ameaçados, e então colocam você para baixo e então você tem que se tornar uma pessoa melhor . Uma das principais coisas é que não é realmente o bullying, é só nunca ter ouvido não, sempre que está sendo dito não, e ser quem você quer ser - é o que Carrie representa. E é por isso que quando você assistir a este filme, ele estará tomando tudo o que alguém já disse, "Não" e você está vivendo para ele. Você está vivendo com ela.

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Geisy Arruda esquenta entrevista do eBand e confessa: "Sou totalmente devassa"

Por Tatiane Moreno - Do sítio da TV Bandeirantes

Aos 21 anos, a jovem que teve sua vida transformada após sofrer bullying na Universidade comemora a volta por cima

Há um ano e cinco meses, Geisy Arruda era apenas uma jovem de 20 anos, estudante de Turismo da Universidade Uniban e que gostava de chamar a atenção usando trajes ousados.

No entanto, desde que virou alvo de um bullying por comparecer às aulas com um vestido curtíssimo, ela não passa mais despercebida nem mesmo quando está coberta dos pés à cabeça.

Ao ser atacada moralmente por um grupo de estudantes e ter a cena exposta na internet, Geisy Arruda viu sua vida mudar e, em poucos dias, virou celebridade.

De lá para cá fez lipo, perdeu 15 kg, ganhou novos cabelos, lançou uma grife de roupas, concedeu entrevistas a veículos nacionais e internacionais e ainda participou de um reality show. "Hoje uns cinco veículos já me ligaram pedindo entrevista", contou orgulhosa ao eBand na quinta-feira, dia 10.

O motivo da procura é um só: esta semana ela foi citada para substituir a cantora Sandy no comercial da cerveja Devassa. "Eu li sobre o assunto e achei uma proposta interessante, mas tem outros nomes cotados. O publicitário quer alguém diferente da Sandy, que tenha seu lado comportado. Eu garanto que não tenho, sou totalmente devassa, polêmica. Estou mais para a Paris Hilton", disparou a loira que, entre outros assuntos, falou sobre gravidez, dinheiro e fama.

O que você acha de ser a devassa do próximo comercial?
É interessante, mas não tenho esse lado certinho. Sou totalmente devassa. Gosto de ser assim.

Gostou da Sandy neste papel?
Achei interessante. Não conheço ninguém mais santinha do que a Sandy, desde pequena a vejo assim. Para a proposta foi perfeita, mas faço mais o estilo Paris Hilton. Costumo dizer que sou a Paris brasileira, só que com menos dinheiro (risos).

Que características tem esse seu lado avassalador?
Sou uma mulher menina. Gosto de poder, de dominar, de causar polêmica mesmo.

Então, no fundo, você gostou da reviravolta que aconteceu na sua vida?
Não gosto muito de lembrar como tudo começou, mas é uma coisa que vai ficar para sempre na minha história. Fui vítima de bullying e sou referência no assunto, mas não foram eles [os estudantes da Uniban] que me ajudaram a dar a volta por cima. Eu mesma consegui fazer do limão uma limonada.

Você pensa em voltar a estudar?
Vou retomar meu curso de teatro, que já considero uma faculdade.

E também usa roupas curtinhas para assistir as aulas?
Lá não, porque fazemos muitos movimentos com o corpo, têm muitas cenas. Vou sempre de calça de moleton e camiseta.

Pode dizer que já conseguiu superar o trauma?
Conversei algumas vezes com uma psicóloga e só superei falando sobre o assunto, mostrando para a sociedade o que passei.

O que fez com o dinheiro que ganhou de indenização?
O juiz deu R$ 40 mil, mas meu advogado recorreu porque quer R$ 1 milhão, disse que esse valor foi pouco para o meu caso que teve repercussão mundial. Agora vai demorar, mas acho que nenhum dinheiro paga a humilhação que sofri. Só que, contrariando as expectativas, eu dei a volta por cima. Vou fazer a Escolinha do Barulho, que vai ser um quadro no Programa do Gugu, na Record, e não desisti do meu programa de TV. Estou colhendo os frutos do meu trabalho. Já comprei uma cobertura em Santo André [no ABC Paulista] para a minha família.

Recentemente você divulgou em seu Twitter que poderia estar grávida, porém foi alarme falso. Ainda está com planos de ter um filho?
Não, esse era um projeto que eu tinha com meu ex-namorado, mas terminamos há umas três semanas. Estou solteira e bem assim, focada no trabalho. A gente acaba aprendendo a viver longe da pessoa.

Posaria nua novamente?
Acho que não, meu ensaio [para a revista "Sexy"] é bem recente.

E pensa em fazer outras cirurgias estéticas?
Fiz a lipo, coloquei silicone e estou mantendo. Acho que não preciso de mais nada. Emagreci uns 15 quilos e malho todos os dias.

Para encerrar, como estão suas medidas atualmente?
As do passado eu nem lembro. Faço questão de não lembrar (risos). Hoje estou pesando 65 kg, meço 1,72, tenho 102 cm de busto e 105 cm de quadril.