terça-feira, 6 de novembro de 2012

OUVINTES COMEMORAM POSSÍVEL VOLTA DA 89 FM "ROQUEIRA". E NÃO É PELO ROCK


Francamente, essa provável volta da 89 FM, a dita "A Rádio Rock", nem de longe deve ser considerado um marco para o rádio brasileiro. Primeiro porque, perto do que foi a Fluminense FM sob o comando de Luiz Antônio Mello, a 89 FM parecia o Menudo em FM. Segundo, porque, em tempos de mediocridade, qualquer bosta bem sucedida nos tenebrosos anos 90 volta com muita facilidade.

A notícia, dada pelo portal Tudo Rádio, ainda está em aberto, mas está quase fechada a volta da emissora pseudo-roqueira. Isso empolgou os fãs, mas pela pesquisa que eu tive na Internet, uma coisa deve ser levada em conta: O ROCK NÃO É O MOTIVO DE COMEMORAÇÃO PARA ESSA VOLTA.

A 89 FM, sobretudo depois de 1992, usava o rock apenas como mera embalagem. Nem de longe era o conteúdo ou a atração principal da dita "rádio rock". De 1995 para cá, a coisa piorou seriamente e a cada vez o rock, mesmo anunciado como "protagonista", foi reduzido a mero figurante para uma programação que tinha de tudo, menos rock.

Estado de espírito roqueiro a emissora nunca teve. Era apenas um vitrolão roqueiro que carregava na pose, no pretensiosismo e no marketing. E na demagogia, acima de tudo. Quando muito, o "rock" que a 89 FM tocava se limitava a uns ralos sucessos roqueiros mais que surrados e o restante de pop-rock dos anos 90 para cá.

Claro, para quem tem memória curta e acha até Bon Jovi "clássico", vai se empolgar e falar muita besteira em favor da 89 FM. Sem falar da arrogância dos defensores da rádio, que só era menor que a de seus irmãos cariocas da Rádio Cidade, que beiravam ao fascismo puro.

O que os defensores da 89 FM tanto comemoraram em relação à volta corresponde tão somente a programas humorísticos, debates esportivos e game shows. Ou então vão ouvir Guns N'Roses, Mamonas Assassinas e Charlie Brown Jr. Nada de clássicos, porque essa patota odeia. Sério. Acham que nomes como Beatles, Who, Led Zeppelin ou mesmo Clash e Smiths fazem música para a vovozinha.

Renato Russo, nem se fala. Os ouvintes da 89 FM preferem Odair José, que é mais instigante. E as gerações mais recentes, que acompanharam a 89 no seu finalzinho de 2005-2006, passaram a ser bem mais ecléticos, preferindo Luan Santana, Banda Calypso e Mr. Catra do que os "caquéticos" Deep Purple e Jethro Tull.

Isso sem falar que, ao longo dos anos, o cenário pop está mais para nomes ecléticos como Shakira e Pink, que alternam momentos Guns N'Roses com momentos Jennifer Lopez ou Britney Spears. O cenário pop atual envolve nomes mais ecléticos e o espírito da 89 FM, no Brasil, está mais do que representado nas duplas de "sertanejo universitário", que fazem uma leitura "farofa" do folk rock.

No contexto da velha grande mídia, a 89 FM, que ideologicamente é tão retrógrada quanto a revista Veja, sentirá a mudança dos tempos. Talvez a volta da rádio aos tempos de 1995-2006 empolgue seus fanáticos em princípio, mas a volta da rotina irá cansar novamente.

Hoje se questiona muito mais a mídia do que há 20 anos atrás, quando até Fernando Collor depositou verbas generosas para os donos da 89 FM difundirem seu "projeto rock (sic)", que é o espírito da Era Collor com seus produtos importados e a mediocridade sócio-cultural brasileira.

Além disso, há muito tempo a 89 FM não é mais o totem sagrado do radialismo brasileiro. Hoje seu fã-clube é apenas uma pequena "tribo" de fanáticos metidos a donos da verdade. E que no fundo só sintonizarão a rádio para contar piadas, participar de jogos, ouvir nomes como Maíra Cardi e Eri Johnson elogiando Guns N'Roses e concorrer a sorteios de computador. O "rock" é só um detalhe sem importância.

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