sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O CASO WERTHER


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Este texto é uma relíquia. Eu havia escrito ele depois que li Os Sofrimentos do Jovem Werther, livro que o escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), um dos maiores do mundo, escreveu em 1774, quando tinha 25 anos.

O livro conta a história de Werther, um jovem apaixonado pela deslumbrante Charlotte, que estava noiva de Alfred, um homem bem sério e cordato e com quem ela iria se casar em seguida. No final do romance, Werther acaba tomando emprestado a arma de Alfred, um revólver, a pretexto de se proteger contra os assaltos em uma viagem, e depois se mata com as balas desse revólver.

A obra inspirou todo aquele clima melancólico que conhecemos como Ultrarromantismo. E, nessa época, 1989, quando escrevi esse texto, eu lia muito as obras ultrarromânticas brasileiras, como Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e o mais melancólico deles, Junqueira Freire, que, ironicamente, era de Salvador, Bahia.

Na época do texto, eu contava com apenas 18 anos.

O CASO WERTHER

Por Alexandre Figueiredo - Niterói, 11 de outubro de 1989.

É um grave problema manifesto pelo grande número de suicídios feitos por causa de desilusões vitais, sobretudo as desilusões amorosas.

Vale lembrar que Werther, o famoso personagem-título de uma obra do escritor alemão Goethe, possuía paixão imensa por uma mulher casada. Sabendo que ela era submissa ao marido, embora admirasse também o jovem, este resolve colocar em si a ideia da morte, até que pede, através de uma carta, para que Alfred (o marido de Charlotte, por quem Werther era apaixonado) entregasse-lhe o revólver e as balas, sob o argumento de que iria fazer uma viagem. Mas, assim que recebeu a arma, Werther se suicidou.

Muitos jovens do mundo inteiro, identificados com o personagem, se entregaram à morte, suicidando-se de várias formas. No Brasil, os poetas Álvares de Azevedo e Casimiro de Abreu se "suicidaram" com o descuido da saúde, deixando-se sucumbir pela tuberculose pulmonar. E outros indivíduos morreram no Brasil, delirados com o Mal do Século ou com a Síndrome de Werther, ocorrida entre os séculos XVIIIe XIX.

O grande problema a respeito deste mal é que este é visto por muitos como uma causa e não como um efeito, mas como uma ferrenha negação à vida quando na mocidade é o conflito realidade / fantasia que pesa nas vidas dos suicidas, dando um preço muito caro a estas vidas.

Este radicalismo beato, totalmente parcial, e altamente conservador, estufava o peito insistindo em dizer que o suicida é um demônio, porém isso não é verdade. O suicida deste tipo, comprovadamente, quer viver, mas possui um ideal de vida muito diferente do que a realidade apresenta. Ora, ele quer namorar uma mulher comprometida, ou quer viver num mundo florido ou belo, mas o mundo não é de rosas e a realidade é dada como naturalmente inquestionável, o que agrava a intenção suicida.

O suicídio, por estas causas, não é uma coisa do demônio e não deve ser evitado à base de condenações, mas sim de resoluções. Deve-se estudar as causas e assim chegar-se a uma solução ou soluções que possam evitar mais suicídios.

Hoje em dia, o Mal do Século parece ter acabado e que os suicídios, ao que parece, se reduziram radicalmente. Mas isso não pode ser completamente levado como uma maravilha, sabendo que foram mais as perspectivas do que a resolução dos problemas sociais que diminuíram os suicídios.

No Brasil, deve-se acabar com os conflitos sociais e deve-se mudar o padrão individual, totlamente restritivo e aliado aos valores conservadores que a ditadura fez manter. E deve-se acabar também com o mito de que a vida é competição e que as mazelas da vida são naturais e incombatíveis. Este mito sacrificou a felicidade de muitos e pode sacrificar a vida de muitos outros. 

Não se acaba com a Síndrome de Werther com ferrenhas condenações. Uma condenação ferrenha é uma ótima propaganda de estímulo a um ato condenado.

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