quinta-feira, 22 de novembro de 2012

NÃO É PRECISO SER UM CARA LEGAL PARA TER A MULHER QUE QUISER

Infelizmente, nos dias de hoje, não é preciso ser um cara legal para ter a mulher que se deseja ter como companheira. Salvo raras e honráveis exceções, o que se vê é o contrário, homens que nada têm de bacanas ou de admiráveis, mas que conseguem ter mulheres que se destacam não só pela beleza, mas pela personalidade ou charme.

No mundo inteiro, temos o caso do empresário François Henri-Pinaut, o bilionário francês casado com a estonteante atriz mexicana Salma Hayek. Feio, sisudo, de aparência envelhecida - ele só tem 50 anos - , tão "elegante" no seu modo de vestir que fica cafona, o empresário nem está unido a ela por cumplicidade, mas porque, pelo menos, ele é esperto o suficiente para engatar e manter tal relação.

No Brasil, então, nem se fala. Se para as mulheres o santo casamenteiro é Santo Antônio, o dos homens é o Sebrae. Se não for o São Sebrae, de que valem buquês de flores e poemas lindos, se as mulheres rejeitam na hora? Para um homem ser ter uma mulher com alguma personalidade, tem que virar empresário ou profissional liberal.

Se um homem não tiver esse status, terá que se contentar com as mulheres "vazias" que em maioria sobram no "mercado". Ter uma Geisy Arruda, uma Maíra Cardi, é muito, muito fácil. O cara esbarra na Maíra Cardi por acidente e isso, para ela, vale mais do que uma cantada. Faz mais efeito do que praticar todo um cavalheirismo com uma mulher mais sofisticada.

Infelizmente, as coisas acontecem assim mesmo. E mostram que, num mundo machista que vivemos, homens nada legais até levam a melhor do que mulheres nada legais, e, apesar da afinidade que aqueles têm com estas, parece que eles não se misturam.

Mas, na boa, que diferença essencial se faz entre um François Pinaut "elegante demais" e uma Maíra Cardi "sensual demais", se em ambos os casos a cartilha machista é claramente cumprida, dentro das respectivas funções atribuídas a homens e mulheres.

O problema é que, no mundo politicamente correto de hoje, o "casal moderno", aos olhos do mercado e da mídia, tem que ser formado necessariamente entre um cônjuge seguidor de valores machistas e outro que lhes é opositor. Dessa feita, um machista tem que ficar com uma mais feminista (descontam-se as militantes mais desconfiadas) e um não-machista tem que ficar com uma mulher-objeto.

E como os homens foram acostumados, desde os mais trevosos tempos do machismo, a terem opinião, os homens não-legais acabam tendo vantagem em relação às mulheres não-legais. Porque, no caso dos homens, o sucesso na vida amorosa é garantido.

Homens desse tipo são verdadeiros canastrões na conquista amorosa, e adotam referenciais culturais que na verdade não possuem. Eles são do mesmo tipo daquele visitante incompetente de exposição de artes plásticas que, colhendo informações de última hora no Wikipedia, se passa por um especialista de belas artes expondo todo o seu pedantismo para os demais visitantes.

Muitos desses homens são superficiais, não são muito sensíveis nem muito cultos, mas são espertos o suficiente para passarem horas vendo os telejornais e programas de TV paga necessários para forjar o repertório de conhecimentos que exibirá para os amigos nas festas de fins de semana.

Essa esperteza as mulheres não-legais não possuem. Nem a Geisy Arruda, a mais pretensiosa delas. Elas não têm o contexto nem a habilidade para se passarem por "moças cultas" nas exposições de artes plásticas nem em decorar informações transmitidas em telejornais e programas diversos da TV paga, mesmo que seja um programa sobre vinhos, para exibir seu pedantismo instantâneo para os amigos.

Elas mesmas não dão entrevistas falando sobre política. Uma Nicole Bahls é incapaz de dar uma entrevista igualzinha ao que Mariana Godoy dá, por exemplo. Se isso não ocorre, não há como esperar que musas assim se passem por "sofisticadas" nas rodas de amigos. E até dá para perceber por que os homens não-legais evitam as mulheres não-legais: elas são mulheres-objeto, não servem para conversar.

É triste que os homens não-legais, para não dizer os tipos piores, não reclamam de carência amorosa. Quase sempre conquistam as mulheres que desejam. Eles são bons conquistadores, menos por atrativos do que pela astúcia que os faz canastrões certeiros, pedantes convincentes em seu teatrinho de promoção pessoal.

Que reclama de carência amorosa são os homens legais. Eles é que mais sofrem, sobretudo no Brasil. Eles são "aconselhados" nas redes sociais da Internet a aceitarem mulheres-objeto ou moças "jecas", que são aquelas moças sem personalidade e que se guiam cegamente pelos ditames da mídia dita "popular".

E essas moças nada trazem de agradável nem de útil para os homens legais. Elas não contribuem para qualquer tipo de evolução social, moral e cultural em suas vidas, além delas não serem atraentes seja pelo aspecto físico, seja pelo aspecto comportamental.

São desigualdades como essas que desnorteiam o cenário das relações amorosas no Brasil e no mundo, sendo que no Brasil a situação é ainda mais grave. Afinal, as solteiras interessantes até existem no Brasil, mas elas são muito poucas e nem sempre disponíveis para os caras legais, por restrições da natureza das personalidades delas, geralmente exigentes demais sobre o tipo de homem que querem.

Por causa dessa realidade, os homens legais acabam ficando geralmente sós. Preferem a solidão ao som de boa música ou diante de um livro ou seriado de TV do que serem mal-acompanhados numa apresentação de brega-popularesco. Pelo menos eles procuram alguma coisa melhor para fazer na sua solidão.

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