segunda-feira, 5 de novembro de 2012

89 FM "ROQUEIRA" VOLTARÁ VISANDO O ROCK IN RIO 2013


A cultura rock brasileira, já combalida, tende a piorar. A 89 FM, um mero vitrolão "roqueiro" que usava e abusava do rótulo "A Rádio Rock" (que demonstrou ser meramente marqueteiro, não bastasse o logotipo criado por um publicitário), voltará ao estágio encerrado em 2006.

A programação será coordenada pelo Tatola, ex-músico do Não Religião, espécie de precursora dos emos. Ele havia coordenado a Brasil 2000 na sua aventura pop-rock, mas antes havia apresentado, na 89 FM, o programa "A Vez do Brasil". A data para a volta da programação não foi acertada.

Que ninguém se engane com a volta da dita "rádio rock", porque a emissora apenas concentrará seu repertório, na melhor das hipóteses, no grunge e no chamado "nu metal", além dos "grandes sucessos" roqueiros que transitavam até mesmo em rádios mais pop e algum pop mais ameno tipo Lenny Kravitz e Alanis Morissette.

No entanto, o carro-chefe da programação da emissora será mesmo as tendências mais comerciais como o poser metal, o emo, o "rock engraçadinho" dos anos 90 e algumas nulidades "pop-rock" (tipo Bloodhound Gang). Para quem acha Guns N'Roses e Mamonas Assassinas "geniais", é um prato cheio.

A emissora será apenas uma réplica "mais roqueira" da Jovem Pan 2 e não acompanhará as tendências mundiais da cultura rock difundidas pela Internet. Quem quiser ouvir rock clássico, pode desligar o rádio, porque, quando muito, a rádio não tocará mais do que uns poucos sucessos manjados de bandas manjadas.

Além disso, nos últimos anos a 89 FM, na prática, dava bem menos ênfase ao rock, se concentrando apenas em game shows, debates sobre futebol, programas humorísticos - não devemos esquecer que os Sobrinhos do Ataíde são um genérico do Pânico da Pan (o mesmo Pânico da Band, quando era na Jovem Pan 2) - e programas entrevistando celebridades qualquer nota.

Não bastasse isso, a 89 FM também munia sua publicidade com promoções que nada tinham a ver com rock, seja sorteio de carros, promoção de Dia dos Namorados, viagens para Miami etc.

Além do mais, locutores mauriçolas que NADA tem a ver com a cultura rock, como Zé Luís, estão cotados para voltar à rádio. E haverá locução e vinhetas atropelando as músicas, impedindo que se ouça um rock (se é que vai tocar algum rock autêntico na 89...) na íntegra, da introdução ao final. E tudo indica que as bandas verdadeiramente alternativas serão boicotadas pelo playlist da 89.

VOLTA TEM POR OBJETIVO O ROCK IN RIO 2013

Da mesma forma que no final de 1985, quando a rádio Pool FM deu lugar a 89 FM - que, na época, seguia palidamente a fórmula da Estácio FM, com uma imitação mais comportada da linguagem da Fluminense FM que o pessoal da 89 chamou de "projeto anti-rádio" - , a retomada da programação "roqueira" tem apenas motivos mercadológicos, buscando capitalizar em festivais tipo Rock In Rio, cuja próxima edição brasileira acontecerá no próximo ano.

Portanto, a 89 não é uma rádio que irá promover uma cultura rock séria, que continuará representada no rádio apenas pela Kiss FM. A emissora apenas se comprometerá a tocar apenas o que há de "mais comercialmente viável" no rock, sendo menos representativa culturalmente e mais expressiva no aspecto comercial e publicitário.

A 89 FM foi a primeira emissora a deturpar o perfil das rádios originais de rock. A geração de radialistas de rock brasileiros iniciada nos anos 70 e 80 praticamente se tornou acéfala nos anos 90, pois, enquanto potenciais sucessores de Kid Vinil, Leopoldo Rey e Luiz Antônio Mello se limitavam a trabalhar em oficinas de conserto de aparelhos eletrônicos, onde se acabou limitando a execução de discos clássicos de rock autêntico.

No lugar deles, entraram garotões que falavam e se comportavam como animadores de gincanas, gente que não entendia bulhufas de cultura rock, tendo que recorrer às gravadoras para ter pelo menos alguma noção básica.

CULTURA JOVEM MESCLA "POP-ROCK", "POPERÓ" E BREGA

A situação da 89 FM hoje se complica na medida em que o ouvinte padrão da 89 FM se identifica muito mais com Luan Santana do que com Jethro Tull. É um público que ouve Guns N'Roses e Beyoncé Knowles, Bon Jovi e Britney Spears, Offspring e Backstreet Boys. E que se tornou repectivo, embora não assuma, a nomes mais bregas como Banda Calypso e Victor & Léo.

Esses dados são fatos verídicos, comprovados pela realidade não só do Brasil como no mundo inteiro, vide o fato de que ídolos juvenis surgidos nos últimos quinze anos, como a cantora Pink e os atores-cantores dos canais Disney e Nickelodeon mesclam o roquinho mais ameno com o pop dançante mais animado.

Portanto, fica complicado para a 89 FM adotar o "radicalismo" de antes, se hoje seu público está mais próximo de Edson & Hudson e da Valesca Popozuda do que de The Doors, The Clash e Deep Purple. Os jovens são outros, o contexto é outro. E o sucesso dos Sobrinhos do Ataíde não escapa do contexto popularesco do Pânico, do CQC ou mesmo do Zorra Total, assim como Zé Luís não seria Zé Luís se não fosse o Luciano Huck.

O único consolo é que a data de surgimento da dita "89 A Rádio Rock" é o mesmo dia em que se comemora o nascimento de Britney Spears. Boas festas.

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