quinta-feira, 29 de novembro de 2012

AS GAFES DAS RÁDIOS DE "ADULTO CONTEMPORÂNEO"

A CANTORA LAURA BRANIGAN FALECEU HÁ OITO ANOS E OS OUVINTES DAS FMS BRASILEIRAS AINDA NÃO SABEM

Nos anos 90, a armação das rádios FM de "adulto contemporâneo" era beneficiada pela supremacia da grande mídia, que nas suas tendenciosas reportagens sobre rádio, exaltava essas emissoras como sinônimo de "sofisticação e bom gosto", e até os gerentes adotavam uma postura ao mesmo tempo esnobe e com muita pose e discurso chique.

Quem no entanto está vacinado contra a memória curta, sabe que tais rádios são a forma deturpada de um projeto que Luiz Antônio Mello, jornalista que idealizou a Fluminense FM, tentou implantar na extinta Globo FM, em sua breve passagem na emissora.

O formato "adulto" era denonimado "classe A". Seu formato incluía uma locução mais contida e um repertório mais suave, envolvendo MPB, blues, jazz e soft rock. O hit-parade (Bee Gees, Lionel Richie, Whitney Houston, Michael Bolton etc), tão supostamente associado a esse perfil hoje, eram barrados na programação, até porque eles já tinham espaço cativo na 98 FM ao lado de Wando e Fábio Jr..

Para se ter uma ideia, não havia baladões românticos nem disco music na programação. O cardápio musical, só para dar alguns exemplos, era composto de Cat Stevens, BB King, Beatles, Tom Jobim, Carole King, Chick Korea, Milton Nascimento, Bob Dylan, Nina Simone, entre outros.

O formato, mal implantado, não tardou a ser empastelado. De repente, Lionel Richie entrava pela porta dos fundos, entre um Tom Jobim e um Bob Dylan. Um A-ha da vida ia na carona. Isso ainda nos anos 80. Mas foi nos anos 90 que o formato de rádio de "boa música" se prostituiu para valer, e a Globo FM de Salvador, por exemplo, já surgia como uma indigesta gororoba onde valia qualquer coisa tida como "suave" e "para toda a família".

O formato descarrilhou tanto que até mesmo a locução "leitor de bula" das rádios dos anos 70 voltou a todo vapor, e as rádios de "boa música" acabaram se tornando um festival de gafes dos quais vários deles se tornaram conhecidos. Fora os casos de algumas rádios do gênero tocarem até mesmo axé-music e Sullivan & Massadas em seu indigesto e nada criterioso cardápio musical.

Além disso, com a Internet, a tão esperada "superioridade" dessas rádios foi derrubada, pois, nos anos 90, elas poderiam ao menos jogar as cartas de protesto ao lixo. Hoje essas cartas são publicadas na Internet, permanecem no ar e repercutem mais do que as cartas enviadas para os estúdios das rádios ou, no caso, para as redações de jornais.

E aqui mostramos as principais gafes dessas rádios, que o amigo Marcelo Delfino de forma coerente chama de "Gagá Contemporâneo":

SELETIVIDADE VAGA E IMPRECISA - Basta a música não ser "radical" nem muito "melosa" para entrar na rádio. Basta ser qualquer música considerada "comportada" e a inclusão na rádio é certa. Ah, desde que ela seja potencialmente um grande sucesso radiofônico. Ou seja, só brega e rock pesado são barrados na gororoba musical de tais emissoras.

INTÉRPRETES DESCONHECIDOS - Pouco importa quem foi aquela cantora daquela balada novelesca "Over You", ou que diabos é o tal de Tim Moore que canta uma tal de "Yes", ou por onde andam os tais de Jon Secada e Haddaway. Se eles seguem aquele modelo de "música de sucesso para toda a família", entra direto, pouco importa se for um androide gravando um pastiche de soul ballad.

DESINFORMAÇÃO SOBRE O PARADEIRO DOS INTÉRPRETES - Uma das aberrações das rádios de "boa música" é esse desprezo por quem é o intérprete tocado e o que ele fez ou faz. E uma das distorções criadas é por exemplo o desconhecimento completo do paradeiro da cantora norte-americana Laura Branigan, bastante tocada nessas rádios. Simples: lamentavelmente, a cantora faleceu precocemente de aneurisma cerebral, em 2004. Até hoje nem os gerentes dessas rádios foram informados de tal óbito.

PRECONCEITO - A programação dita "sem preconceitos" dessas rádios pode tocar uma Whitney Houston problemática e cheia de escândalos, mas com um repertório meloso e burocrático. Mas dificilmente essas rádios tocariam, mesmo de longe, um nome mais adequado como a banda inglesa Durutti Column (de elevada qualidade melódica), até pela aparência de "velho lenhador" de seu músico principal, Vini Reilly, que por ser de Manchester, é tido como "roqueiro malvado". Quando muito, Vini só aparece como músico acompanhante na música "Suedehead" de Morrissey, por sinal a única do ex-Smiths tocada por essas rádios.

QUALQUER UM QUE GRAVA 'BALADAS' ROMÂNTICAS OU POP DANÇANTE MAIS ANTIGO ENTRA - Pode ser o Village People com seus sucessos mais risíveis ou Backstreet Boys e Britney Spears cantando lentinhas. Eles entram e não adianta reclamar, porque se reclamar os programadores só deixam de tocá-los por duas semanas e depois despejam os mesmos sucessos com apetite redobrado.

FALTA DE ACOMPANHAMENTO DE NOVOS TRABALHOS - As rádios tocam sempre os mesmos sucessos, mas são incapazes de tocar trabalhos posteriores que não viraram sucesso estrondoso. Onde, por exemplo, aparece "Closest Thing to Heaven", dos Tears For Fears? E as novas músicas de Chico Buarque e Djavan? Nem sequer para provar se um Tim Moore ou Century existem ou não de verdade as rádios servem. E seu repertório torna-se cada vez mais repetitivo e chato.

Com o desgaste do rádio FM hoje em dia, as rádios de adulto contemporâneo nem de longe representam mais a boa opção que prometiam ser. Acabaram apenas se juntando à mesmice que já tem a chatice do "Aemão de FM" e das rádios popularescas. Sem representar qualquer contribuição à divulgação de cultura que as rádios há muito tempo deixaram de cumprir...

terça-feira, 27 de novembro de 2012

AS NOVAS GERAÇÕES DEVERIAM CONHECER MAIS JIMI HENDRIX


As novas gerações não conhecem a boa música, "velha" demais para elas. Apenas conhecem aquilo que a grande mídia martela. E isso numa era em que a Internet fornece uma gama maior de informações, mas, sobretudo no Brasil, a mídia faz os jovens irem na contramão dessa abrangência toda.

Sobre o rock, então, nem se fala. O cardápio roqueiro da patota é indigente e indigesto, sobretudo pela falta ou escassez de rádios de rock autênticas, sobretudo nos anos 90, onde, enquanto os especialistas de rock tinham que montar oficinas de consertos de aparelhos de som para sobreviver, garotões que não entendiam bulhufas de rock comandavam os microfones e até mesmo as programações inteiras do que eles acreditavam ser "as rádios rock".

Isso faz com que quem tem menos de 40 anos pouco percebesse a importância de um músico que estaria fazendo 70 anos hoje, e que havia falecido precocemente em 18 de setembro de 1970, meses antes de completar 28 anos, por causa de uma demora no socorro médico.

Jimi Hendrix foi um músico ímpar, e se destacava até mesmo quando era apenas um músico acompanhante de artistas da soul music e rhythm and blues. Levado pelo então baixista dos Animals, conhecida banda britânica, Chaz Chandler, para Londres, que então era considerado um dos polos da moda e do comportamento juvenil dos anos 60, Hendrix iniciou carreira lá.

E a história sabemos. O músico norte-americano formou então o trio inglês Jimi Hendrix Experience, com uma "cozinha" impecável. Depois Hendrix formou a Band of Gypsies e, em seguida, fazia inúmeros ensaios e gravações no estúdio Electric Lady. Tocou várias guitarras e até arriscou ser baixista em algumas de suas canções.

Era excelente cantor e um guitarrista que ia da guitarra base para a solo com uma agilidade incrível. Seu modo de tocar guitarra foi de tal forma tão impactuante que os fabricantes tiveram que fazer adaptações técnicas no instrumento. E o som de Hendrix era uma síntese que envolveu rock, soul, folk, jazz, psicodelia, eletrônica e blues, além de ter antecipado o som heavy.

E o que Jimi Hendrix teria feito se ele não tivesse morrido tão cedo? Não se sabe, exatamente. Sua mente era autocrítica e bastante criativa, e seu compromisso com a música era tão grande que ele poderia investir em grandes surpresas. Ele, de fato, deixou uma grande lacuna para a música, que teria sofrido grandes transformações com o seu legado pós-1970.

Podemos inferir que Jimi Hendrix estaria fazendo jazz rock. Era admirado por Frank Zappa, amigo de Robert Fripp e do grupo Emerson Lake & Palmer. Teria, só nos anos 70, gravado pelo menos uns cinco discos conceituais, e além das canções vocais, faria também grandiosas viagens instrumentais. Mas, sem dúvida alguma, gravaria discos diferentes do que ele gravou, por conta de seu poder criativo.

Hendrix seria hoje um discreto músico veterano, mas sem dúvida alguma dedicado ao seu compromisso com a qualidade musical e a criação. Teria feito grandes mudanças na história do rock, que muito da mediocridade que vemos hoje em dia não teria tanto êxito.

Infelizmente, hoje, vemos jovens se contentando em achar que poser metal é rock clássico, quando eles de forma bastante preconceituosa desprezam e esnobam o verdadeiro classic rock. Com toda a certeza, falta o mestre Jimi Hendrix para dar umas boas lições para essa criançada que só quer brincar de rock com rosas e revólveres...

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A VELHA GRANDE MÍDIA MERGULHA NO BREGA


Uma reportagem publicada no Segundo Caderno de O Globo, no último dia 21, tenta reforçar, mais uma vez, a habitual choradeira em torno da "música brega de raiz", através do anúncio de documentários, livros, discos e peças. Intitulada "Discos, filmes e musicais mergulham no brega", o texto de Leonardo Lichote tenta reevocar a pretensa divindade do escritor Paulo César Araújo no mesmo jornal que tem o Merval Pereira.

Evidentemente, é a mesma abordagem delirante do texto que entrevista, além do "semideus" Paulo César Araújo, a cineasta Helena Tassara (que aliás classificou o livro Eu Não Sou Cachorro Não como "bíblia", classificação que o neocon enrustido Eugênio Arantes Raggi já havia dado na Internet), o diretor teatral Fernando Bustamante, a escritora Ana Rieper, o escritor Cláudio Brites, o músico Zeca Baleiro e o produtor Vladimir Cunha.

Fala-se em "renascimento do brega" e na hipótese de que ele havia se tornado "cult", algo compreensível num país de crise de valores desde 1964. Cláudio Brites até tentou relativizar o óbvio, alegando, sobre essa onda, que o brega "também tem um potencial comercial". Também? Ora, a música brega é o nosso equivalente exato do "rock comportadinho" de Pat Boone, Ricky Nelson, Bobby Darin e derivados.

Só que lá nos Estados Unidos esses ídolos nunca se apropriaram da Contracultura para prolongarem sua popularidade. Bobby Darin até se envolveu com drogas, mas não há conhecimento de um cantor comportadinho desses que havia sido cultuado pelos rebeldes de Nova York ou San Francisco ou que suas músicas tenham sido tocadas em passeatas ou movimentos de sit-ins (protestos pacíficos de gente sentada).

Mas aqui o brega é tomado do mais absoluto pretensiosismo. Dizem que ele é "despretensioso", mas o que se vê, na prática, é o contrário. E a tentativa de desvincular ideologicamente do demotucanato, que mais investiu no crescimento da música brega no Brasil de hoje, é notória até no depoimento do próprio Paulo César Araújo.

Araújo seria o símbolo da intelectualidade cultural da era José Serra, não fosse a inesperada derrota eleitoral do candidato tucano, em 2002. Toda a intelectualidade comprometida com o brega-popularesco seria expressão dessa tendência política, até que a vitória de Lula virou o barco furado da intelectualidade festiva e fortemente influenciada pelo guru não assumido dessa patota, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

No entanto, Araújo tenta dizer que a eleição de Lula é "fruto" de uma tendência coroada por esse livro. Independente de Lula gostar ou não de brega, é bom deixar claro que Eu Não Sou Cachorro Não foi lançado ainda na vigência do governo Fernando Henrique Cardoso, e editado pela mesma Record que tem Reinaldo Azevedo e (novamente) Merval Pereira.

É como os cúmplices do navio pirata que afundam e, vendo o líder se afogando, migram para o barco inimigo e se apropriam dele, se passando pelo grupo rival. Hoje esses ideólogos do brega tentam - em vão - se alinhar com as forças progressistas, se apoiando, antes de entrarem no barco inimigo, na tábua que serve de prancha improvisada para suas pregações: o rótulo "popular".

É "popular", então é de "esquerda". Visão puramente equivocada. E, além do mais, Paulo César Araújo volta a superestimar o fato de que os ídolos bregas eram censurados pelo regime militar, como se houvesse um maniqueísmo entre uma ditadura das Forças Armadas e uma sociedade organizada civil, como se todo censor fosse necessariamente um brutamontes como Brilhante Ustra ou Sérgio Paranhos Fleury.

Não vou detalhar isso. Mas sabe-se que tanto entre os oficiais das Forças Armadas quanto entre os funcionários da Censura Federal, havia gente de vários tipos, e havia até mesmo senhoras bondosas entre os censores, que apenas cumpriam o seu trabalho.

E havia censura de todo tipo, que não fazia do censurado em questão necessariamente um herói. Além disso, a imprensa conservadora queria auto-censura, porque a censura militar atrasava a finalização de seus produtos jornalísticos e "esfriava" muitas notícias. Qualquer detalhe é só ler o livro Cães de Guarda, de Beatriz Kushnir.

O brega é cômico, não é para se levar a sério. Musicalmente, é muito ruim. Mas a obsessão de Paulo César Araújo em ver o brega sendo levado a sério (e a sério demais) é descrita no livro, e me lembro do caso de Pedro Alexandre Sanches com a mesma preocupação, quando citou o caso da Banda Calypso. Em outra ocasião, Sanches também se afirmou influenciado pelo livro de PC Araújo.

O livro Assim Você Me Mata, um dos produtos dessa leva, sendo uma coletânea de contos cafonas cujo título remete ao sucesso de Michel Teló ("neto" artístico de Odair José), dá uma amostra de como é o "maravilhoso universo progressista" do brega, citando puteiros, bares, cantores decadentes, cafajestes e outros universos que o paternalismo cultural deseja que seja a "melhoria de vida" do povo pobre.

Querer que esses ambientes cafonas, essa degradação social, seja o futuro de nossa sociedade, é uma aberração quando seus ideólogos tentam desesperadamente localizar o culto ao brega num contexto supostamente progressista, como se qualquer um que falasse "pelo popular" virasse "socialista" num piscar de olhos. Quanta falta de discernimento...

Mas o pretensiosismo não para por aí. Há citações de que o brega "foi incluído na MPB", com comparações ligeiras de Waldick Soriano e Milton Nascimento (!), o "alívio" de que já não existem mais "conflitos estéticos" e a delirante comparação das letras de Odair José com Jean-Paul Sartre e Albert Camus. Menos, menos.

Pelo menos lá nos Estados Unidos os fãs de Pat Boone não chegaram a tanto. E ele apenas gravou, nos anos 90, um disco de rock pesado que ele mesmo admitiu não ser feito para levar muito a sério. Mas aqui o pessoal faria uma baita festa com uma "façanha" dessas.

sábado, 24 de novembro de 2012

VIVIANE VICTORETTE E AS "POPOZUDAS"


A atriz Viviane Victorette resolveu enfrentar o que as musas "populares" tanto se esforçam em evitar. Segundo o portal R7, Viviane teria convencido o marido, o empresário Diego Suassuna, com quem tem uma filha, a aceitar seu interesse em participar de uma nova novela das 18 horas da Rede Globo.

O marido é ciumento, embora tenha tido paciência suficiente para encarar um boato, anos atrás, de que sua esposa estaria namorando o ator Eri Johnson, amigo do casal. Mas também foi preciso muito jogo de cintura para desmentir a boataria e manter a relação em pé.

Viviane está casada há algum tempo. E o exemplo dela é algo que as musas "populares", as chamadas "popozudas", tentam a todo custo evitar. Como no caso de uma conhecida funqueira que, num rearranjo de carreira, que inclui a eliminação de seu apelido de "mulher-fruta" (ou melhor, de "mulher-carne"), agora tem que passar por "solteiríssima".

Ela havia revelado, no ano passado, que estava comprometida. Seu marido apareceu na mídia da pior maneira, através de uma confusão ocorrida num posto de gasolina. Ele foi detido e foi revelado que ele havia escrito cartas de amor para a funqueira.

Recentemente, porém, a funqueira apareceu num evento sozinha e "confirmou" que "estava soltinha". A farsa foi logo revelada depois que ela "contou tudo" para a imprensa popularesca. A revelação não foi dada por ela, é claro, mas pelo contexto da situação: ela estava reformulando sua carreira, orientada pelo seu empresário a "ficar solteira" para não afugentar os fãs.

Há também o outro caso de uma funqueira, também muito famosa, que havia beijado um fã numa apresentação e depois recebeu uma moto importada. Mãe de um adolescente, a funqueira, espécie de sósia de Carla Perez nos tempos do É O Tchan, seria na verdade uma mulher bem casada e a moto importada teria sido comprada como indenização para os ciúmes do marido, obrigado a viver longe dela.

Consta-se que mais da metade das "mulheres-frutas" que se dizem "solteiríssimas" na verdade possuem namorados ou maridos, não raro bastante ciumentos. Cerca de 40% ou 50% das demais musas - como paniquetes, "musas de futebol", ring girls, ex-BBBs, ex-dançarinas de "pagodão" e derivados - que dizem jurar que "não têm namorado" na verdade estão muito bem comprometidas.

A situação ocorre de tal maneira que há até uma piada surgindo de que o namorado de Andressa Soares autorizou a Mulher Melancia a "procurar namorado" num programa de televisão. Não obstante, a expressão "solteiríssima", embora alardeada, nunca é um termo forte nem convicto, em se tratando de musas vulgares.

A "solteirice" forçada é um golpe publicitário que já fez pegadinha em muita gente, até para este blogue. O celibato contratual é feito porque tais "musas" constroem sua popularidade através de fotos "sensuais" ou de aparições em eventos, quando elas "mostram demais" suas formas físicas. Precisam vender revistas e alimentar seu sucesso na mídia.

Elas precisam parecer "solteiras" para não desapontar seus fãs. Além disso, o perfil de seus maridos é quase sempre vinculado a estereótipos machistas pouco agradáveis: são geralmente jogadores de futebol, policiais e outros tipos robustos ou viris. Há até casos de funqueiras de segundo ou terceiro escalão que se envolvem até mesmo com criminosos, incluindo contraventores e milicianos.

Há dois anos, a primeira dançarina do MC Créu, a ex-"Mulher Caviar" Eliza Pereira, teve um namorado assassinado pelo ex-namorado da dançarina, um líder de um grupo de extermínio da Baixada Fluminense, tomado de um ciúme doentio. Já dá para perceber a repercussão que isso deu. O criminoso foi presoe uma das notícias mais recentes é que Eliza havia "conhecido" o jogador Adriano.

O celibato mercadológico, do qual o próprio É O Tchan é pioneiro - Cal Adan obrigava suas dançarinas a passar uma falsa imagem de "encalhadas" - , fez a então dançarina Scheila Carvalho evitar divulgar os cinco primeiros anos como esposa do cantor Tony Salles, então parceiro do grupo.

Isso aparentemente nunca foi revelado oficialmente, mas fatos acabaram deixando vazar tal situação. Em 2011, Scheila e Tony comemoraram dez anos de casados. No entanto, quem pudesse pesquisar as revistas de famosos publicadas até o início de 2006, veria que Scheila dizia, na época, "estar solteiríssima".

As chamadas musas "populares" também não podem revelar a vida amorosa pelo fato de que a mídia de celebridades, principalmente a mais popularesca, é sempre afeita a fofocas. Um ator bebendo água mineral no calçadão de uma praia já rende notícias nessa mídia, só para entender o caso.

Por isso, várias dessas mulheres preferem se dizer "solteiras" a ter que aparecer numa fofoca ao lado de seus namorados ou maridos. E, além de evitar fofocas, também evitam o prejuízo que suas condições conjugais trariam para as fotos "sensuais" que elas lançam em revistas e na Internet, por causa da frustração que causariam para seu público.

Além disso, aparentemente as cobranças tornam-se menores. Ou, pelo menos, mais discretas. Viviane Victorette precisa negociar com o marido sua volta à televisão. A funqueira nem precisa de tanto esforço para pedir ao marido para deixá-la até ser apalpada pelos fãs.

O marido da funqueira é muito bem indenizado pelo empresário dela, e o contrato estabelece que ele terá que ficar distante durante os compromissos profissionais da mulher. Ele até mora longe dela, e tem que levar a vida de "divorciado" até que volte a receber sua esposa durante as férias dela.

Isso porque essas musas "populares", no fundo, fazem um "tipo" na mídia. Oficialmente, elas são "solteiras", pelo menos para efeito de divulgação na mídia. Assim, a mídia não atrapalha a vida conjugal dessas mulheres, e, uma vez oculta, a vida conjugal dessas mulheres também não atrapalha a carreira profissional delas.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

DANICA PATRICK E MAYIM BIALIK ESTÃO SOLTEIRAS!!


Ufa! Já estava cansando aquele divórcio do tal casal Maloof-Nassif. E antes que esse casal (a esposa veio de um reality show) fosse considerado pelos engraçadinhos de plantão como o "último casal famoso a se divorciar antes do fim do mundo" (atribuído ao próximo 21 de dezembro), enfim vieram novas neo-solteiras bem legais.

Primeiro é a corredora automobilística Danica Patrick, considerada um dos símbolos sexuais do meio, que se separou de seu marido, o físico terapeuta Paul Hospenthal, depois de sete anos de relação. Um dos últimos atos do casal foi o tratamento que Paul deu a Danica, quando ela se feriu num acidente de corrida. A separação foi amigável.

Segundo é a atriz Mayim Bialik, a "feiosa" que no fundo é uma gata muito interessante, e que havia sido conhecida pelo seriado Blossom, realizado nos anos 90 e exibido no Brasil. Atualmente, Mayim faz o papel de Amy Fowler, a neurocientista com quem Sheldon Cooper (o personagem do excelente ator Jim Parsons) se envolve "amorosamente" no brilhante seriado Big Bang Theory (meu favorito na atualidade).

Mayim se separou de Michael Stone, com quem era casada desde outubro de 2005 e tem dois filhos rapazes. A separação se deu ontem, e o casal alegou diferenças irreconciliáveis. E Mayim também havia se recuperado, meses antes, de um acidente de trânsito, do qual quase perdeu um dedo de uma das mãos.

Comparando essas boas notícias, lá fora, com a falsa solteirice de uma funqueira que agora não adota mais seu apelido de "mulher-fruta" - ou "mulher-carne", melhor dizendo - , que está reformulando sua carreira e passou a esconder seu marido (muito durão e encrenqueiro demais para fazer sombra à esposa e atrapalhar a carreira desta), dá para ver o quanto o Brasil anda muito maré baixa.

Sejam bem vindas ao mundo das solteiras, Danica e Mayim!

NÃO É PRECISO SER UM CARA LEGAL PARA TER A MULHER QUE QUISER

Infelizmente, nos dias de hoje, não é preciso ser um cara legal para ter a mulher que se deseja ter como companheira. Salvo raras e honráveis exceções, o que se vê é o contrário, homens que nada têm de bacanas ou de admiráveis, mas que conseguem ter mulheres que se destacam não só pela beleza, mas pela personalidade ou charme.

No mundo inteiro, temos o caso do empresário François Henri-Pinaut, o bilionário francês casado com a estonteante atriz mexicana Salma Hayek. Feio, sisudo, de aparência envelhecida - ele só tem 50 anos - , tão "elegante" no seu modo de vestir que fica cafona, o empresário nem está unido a ela por cumplicidade, mas porque, pelo menos, ele é esperto o suficiente para engatar e manter tal relação.

No Brasil, então, nem se fala. Se para as mulheres o santo casamenteiro é Santo Antônio, o dos homens é o Sebrae. Se não for o São Sebrae, de que valem buquês de flores e poemas lindos, se as mulheres rejeitam na hora? Para um homem ser ter uma mulher com alguma personalidade, tem que virar empresário ou profissional liberal.

Se um homem não tiver esse status, terá que se contentar com as mulheres "vazias" que em maioria sobram no "mercado". Ter uma Geisy Arruda, uma Maíra Cardi, é muito, muito fácil. O cara esbarra na Maíra Cardi por acidente e isso, para ela, vale mais do que uma cantada. Faz mais efeito do que praticar todo um cavalheirismo com uma mulher mais sofisticada.

Infelizmente, as coisas acontecem assim mesmo. E mostram que, num mundo machista que vivemos, homens nada legais até levam a melhor do que mulheres nada legais, e, apesar da afinidade que aqueles têm com estas, parece que eles não se misturam.

Mas, na boa, que diferença essencial se faz entre um François Pinaut "elegante demais" e uma Maíra Cardi "sensual demais", se em ambos os casos a cartilha machista é claramente cumprida, dentro das respectivas funções atribuídas a homens e mulheres.

O problema é que, no mundo politicamente correto de hoje, o "casal moderno", aos olhos do mercado e da mídia, tem que ser formado necessariamente entre um cônjuge seguidor de valores machistas e outro que lhes é opositor. Dessa feita, um machista tem que ficar com uma mais feminista (descontam-se as militantes mais desconfiadas) e um não-machista tem que ficar com uma mulher-objeto.

E como os homens foram acostumados, desde os mais trevosos tempos do machismo, a terem opinião, os homens não-legais acabam tendo vantagem em relação às mulheres não-legais. Porque, no caso dos homens, o sucesso na vida amorosa é garantido.

Homens desse tipo são verdadeiros canastrões na conquista amorosa, e adotam referenciais culturais que na verdade não possuem. Eles são do mesmo tipo daquele visitante incompetente de exposição de artes plásticas que, colhendo informações de última hora no Wikipedia, se passa por um especialista de belas artes expondo todo o seu pedantismo para os demais visitantes.

Muitos desses homens são superficiais, não são muito sensíveis nem muito cultos, mas são espertos o suficiente para passarem horas vendo os telejornais e programas de TV paga necessários para forjar o repertório de conhecimentos que exibirá para os amigos nas festas de fins de semana.

Essa esperteza as mulheres não-legais não possuem. Nem a Geisy Arruda, a mais pretensiosa delas. Elas não têm o contexto nem a habilidade para se passarem por "moças cultas" nas exposições de artes plásticas nem em decorar informações transmitidas em telejornais e programas diversos da TV paga, mesmo que seja um programa sobre vinhos, para exibir seu pedantismo instantâneo para os amigos.

Elas mesmas não dão entrevistas falando sobre política. Uma Nicole Bahls é incapaz de dar uma entrevista igualzinha ao que Mariana Godoy dá, por exemplo. Se isso não ocorre, não há como esperar que musas assim se passem por "sofisticadas" nas rodas de amigos. E até dá para perceber por que os homens não-legais evitam as mulheres não-legais: elas são mulheres-objeto, não servem para conversar.

É triste que os homens não-legais, para não dizer os tipos piores, não reclamam de carência amorosa. Quase sempre conquistam as mulheres que desejam. Eles são bons conquistadores, menos por atrativos do que pela astúcia que os faz canastrões certeiros, pedantes convincentes em seu teatrinho de promoção pessoal.

Que reclama de carência amorosa são os homens legais. Eles é que mais sofrem, sobretudo no Brasil. Eles são "aconselhados" nas redes sociais da Internet a aceitarem mulheres-objeto ou moças "jecas", que são aquelas moças sem personalidade e que se guiam cegamente pelos ditames da mídia dita "popular".

E essas moças nada trazem de agradável nem de útil para os homens legais. Elas não contribuem para qualquer tipo de evolução social, moral e cultural em suas vidas, além delas não serem atraentes seja pelo aspecto físico, seja pelo aspecto comportamental.

São desigualdades como essas que desnorteiam o cenário das relações amorosas no Brasil e no mundo, sendo que no Brasil a situação é ainda mais grave. Afinal, as solteiras interessantes até existem no Brasil, mas elas são muito poucas e nem sempre disponíveis para os caras legais, por restrições da natureza das personalidades delas, geralmente exigentes demais sobre o tipo de homem que querem.

Por causa dessa realidade, os homens legais acabam ficando geralmente sós. Preferem a solidão ao som de boa música ou diante de um livro ou seriado de TV do que serem mal-acompanhados numa apresentação de brega-popularesco. Pelo menos eles procuram alguma coisa melhor para fazer na sua solidão.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

ELIDIANE FERREIRA TEVE A SORTE QUE A "ROSA DA FORD" NÃO TEVE


Uma surpresa bastante grata ultimamente é saber que a negra ultrafascinante que aparece nos comerciais da telefonia Claro e da universidade Unigranrio, felizmente, é bastante conhecida.

Trata-se da maravilhosa Elidiane Ferreira, cuja beleza encantadora a faz entre as mais belas não só em relação às negras, como em relação às mulheres em geral, pelos seus traços graciosos e meigos, sua voz sedutora e seu olhar cativante.

Elidiane havia sido Miss Belford Roxo, é modelo, atriz de comerciais e estuda teatro. Dá para perceber o quanto essa moça é esforçada e tem um grande futuro pela frente, aliando uma beleza deslumbrante e um talento natural que lhe trará mais destaque no futuro.

É uma pena que isso não ocorreu com a morena que fazia a "Rosa" do comercial da Ford, que apareceu em uma porção de comerciais e foi repórter do Telecurso 2000. Desejaríamos que esta moça, cujo nome é difícil de saber porque nem as fichas técnicas dos comerciais a creditam, pudesse também ser reconhecida.

Afinal, queremos mulheres de talento. A "Rosa" do comercial da Ford continua anônima, numa época em que nulidades do Big Brother Brasil têm nome, sobrenome e até fã-clube. Mas, felizmente, temos outra mulher sofisticada a romper esse bloqueio, sendo uma atriz de comerciais com um certo carisma e uma modesta mas fiel legião de fãs.

Portanto, desejamos boa sorte à Elidiane, que já nos alegra com sua trajetória e com seu encanto.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O "FUNK CARIOCA" É "FEMINISTA"... PARA OS BARÕES DA MÍDIA



Pesquisando textos pela Internet, para colher algum assunto para este blogue, me deparei com um texto intitulado "O funk é feminista", publicado há seis meses atrás, sempre dentro daquela choradeira famosa em prol do ritmo carioca.

E quem publicou o "maravilhoso" texto? A intelectualidade etnocêntrica dá seus palpites: "Caros Amigos. Fórum. Brasil de Fato". Alguns engraçadinhos nas "esquerdas médias" talvez citem o "Voz Operária". Algum ativista social mais pretensioso e subserviente à "cultura de massa" talvez indique alguma publicação acadêmica ou de alguma organização não-governamental.

No entanto, o artigo foi publicado na revista Superinteressante, publicação que tem até suas coisas interessantes, desde que não sejam ligadas a ideologias político-culturais. Para dizer, por exemplo, que existem planetas povoados além do Sistema Solar, a revista é ótima. No entanto, é bom deixar claro que o reaça Leandro Narloch já atuou nesta revista e seus infames livros "politicamente incorretos" são filhos dessa linguagem quase adolescente desta publicação.

Pois o artigo tem esse título, "O funk é feminista", na tentativa de inverter o machismo inerente a esse estilo. E quem escreveu foi uma jornalista, Carla Rodrigues, doutora em Filosofia pela PUC do Rio de Janeiro. Deve ser amiga do Paulo César Araújo, professor de lá e autor do famoso livro sobre a música brega, "ancestral" dos funqueiros de hoje.

Vejamos algumas "pérolas" sobre o referido texto, que a jornalista escreveu para tentar "provar" sua tese. No começo do texto, ela tenta associar a pornografia das letras de Tati Quebra-Barraco, Deise da Injeção (Deise Tigrona) e As Danadinhas (além de outros nomes que já conhecemos, como Gaiola das Popozudas, não citado no texto) à campanha pela liberdade sexual do movimento feminista dos anos 70 (ela se esqueceu que a campanha também ia a todo vapor nos anos 60).

Em outra passagem, ela tenta convencer as pessoas de seu argumento: "Parte das militantes do movimento feminista, porém, prefere não reconhecer o funk e manifestações culturais menos formais como marca da entrada do feminismo na sociedade. No funk, há a crítica de que as músicas apresentam as mulheres como meros objetos sexuais (um lugar de subordinação do qual as feministas lutaram para nos retirar). Mas é preciso admitir os apelos de liberdade sexual da juventude como uma consequência positiva do feminismo".

Típico argumento da intelectualidade etnocêntrica de hoje, a pleno serviço dos barões da grande mídia, mesmo atuando na trincheira oposta (como Pedro Alexandre Sanches). Ela ainda usa a questão sócio-racial para tentar reforçar sua tese absurda, dizendo que as funqueiras "sabem na pele o que é preconceito: são pobres, negras e faveladas".

Essa alegação até piorou. Afinal, as funqueiras acabam fazendo a imagem negativa de suas condições sociais, porque como pobres, negras e faveladas, elas exploram tais imagens de forma paródica e estereotipada.

O "mau gosto", visto como "causa nobre" pela intelectualidade dominante de nosso país, filha direta da Teoria da Dependência de Fernando Henrique Cardoso, no entanto deprecia as classes pobres, da pior maneira possível. Enquanto ideologicamente ela conserva os elementos de degradação cultural associada às classes populares, obriga-nos a aceitá-lo a pretexto da aceitação de uma falsa alteridade, de uma imagem ao mesmo tempo paternalista e glamourizada da miséria alheia.

Para o povo pobre, nada muda em condições sociais, econômicas e educacionais. A degradação sócio-cultural continua na mesma. Nós é que temos que mudar nossa percepção, ou melhor, anulá-las e aceitar a dita "cultura popular" como um vale tudo ao sabor do vento sob qualquer nota.

Carla Rodrigues cometeu o grave equívoco de reduzir o feminismo ao "desejo sexual". Essa desculpa permite-se que até mesmo atos de pedofilia aconteçam nos "bailes funk". E sexo é uma coisa tão banal que ela ocorre até mesmo nos bastidores do catolicismo mais medieval, onde padres severamente moralistas atuavam clandestinamente na mais impulsiva tara gay contra seus pupilos.

Sexo em si não representa engajamento político. O era, nos anos 60 e 70. Mas o pessoal de lá não pensava só em sexo nem em prazer. Pensava em outras necessidades de qualidade de vida. E, além do mais, as funqueiras educadas num ambiente machista e grotesco nem de longe podem ser consideradas feministas.

Ser feminista não é só querer sexo, recusar o papel de dona-de-casa ou falar mal dos homens. É um papel que vai muito além disso, porque a vida é muito complexa para se limitar a essas coisas. E o "funk carioca" não é feminista, mas sim machista, e essa postura machista é deixada clara até mesmo nas intérpretes feminina do gênero.

Se Carla Rodrigues quis agradar alguém com seu discurso, foi para o empresário Roberto Civita, um dos barões da grande mídia que apostam no "funk carioca" para manter as classes populares na mesma miséria de sempre, apenas glamourizada por um discurso intelectual sem qualquer compromisso com a coerência.

sábado, 17 de novembro de 2012

A CUMPLICIDADE DO ERRO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Muito antes do bullying tornar-se tema corrente nos debates sobre Educação e Sociedade no mundo, eu já me preocupava com o tema, porque já fui vítima dessa prática, há 30 anos atrás. Só que eu dava outro nome, era "implicância", e lamento que o termo não tenha uma tradução em português. Eu sugiro "valentonismo".

Este é um assunto em outro texto que havia escrito aos 18 anos, em 1989, e que trago a público aqui. Neste texto os valentões que cometem bullying são apenas descritos como "implicantes".

A CUMPLICIDADE DO ERRO

Por Alexandre Figueiredo - Niterói, 13 de outubro de 1989

HOje em dia, as pessoas ainda vivem na passividade. A cumplicidade das pessoas para com os erros e as pessoas malvadas é um grande fator desta passividade.

Num grupo de brigões, por exemplo, o líder é respaldado pelos comparsas não porque eles o adorem nem "tenham peninha" dele, mas apenas pela dependência, pois é através do líder que está em bem estar individual. E isso é explicável: os brigões são egoístas, intransigentes, e isto faz com que não haja solidariedade entre eles, mas sim uma natural possibilidade de atritos violentos, resultante do egoísmo intransigente de cada um dos brigões. 

Mas eles só conseguem se unir solidamente devido às necessidades de todos para se ascenderem socialmente e assim fazem um acordo para que não briguem entre si, mas entre um inimigo comum, se caso possível.

Outro caso que também explicar a cumplicidade das pessoas é em questão da popularidade dos implicantes. Os implicantes, conhecidos indivíduos que, por sua irreverência e pelo tédio de viver, ofendem e agridem aqueles que não correspondem a padrões sociais instaurados, conservadores e seguidos por esses ofensores, que são muito populares e se enturmam com facilidade.

Muitas pessoas convencionais (não são excêntricas nem restritivas, são relativamente boas mas não são cruéis e seguem com naturalidade o sistema estabelecido) defendem os implicantes com submissa compaixão, que não é meramente solidária, como se parece, mas totalmente cúmplice. 

Os convencionais são cúmplices dos atos dos implicantes, mas são sobretudo cúmplices do sistema, e acham natural o que os implicantes fazem com suas vítimas, sejam risos, encrencas simuladas, imposição de nomes cômicos como apelidos depreciativos. É

 uma dependência que os convencionais têm, encarando os implicantes como "mitos" ou apenas como "pessoas legais", e, sem esta cumplicidade, os convencionais temem ser rejeitados pelos implicantes, temem não irem mais a excursões interessantes, temem entediar seus ócios sem uma companhia de alguém dado como "brincalhão" e "animador".

A cumplicidade com as coisas erradas e com os agentes do erro é fruto da alienação. No Brasil, esta cumplicidade foi estimulada pela ditadura militar, que impunha ao povo a alienação social. Mas, na medida em que as pessoas se esclarecem, a cumplicidade acaba, dando lugar ao senso crítico que leva muitas vezes ao repúdio a um agente do erro.

Assim, nenhum rapazinho poderá pensar em violência e não aceitará ser soldado de um ditador, ou membro de um grupo de briga etcetera, ignorando possíveis privilégios, pois estes provém de uma sujeira, e não vale a pena levar vantagem de forma suja, pois isto pode ser até certo ponto excitante e fácil, mas resulta depois num tédio. Um dia, nenhum privilégio, seja status, dinheiro e vantagens irá fazer uma pessoa tolerar ou aplaudir alguém que comete um mal.    

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O CASO WERTHER


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Este texto é uma relíquia. Eu havia escrito ele depois que li Os Sofrimentos do Jovem Werther, livro que o escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), um dos maiores do mundo, escreveu em 1774, quando tinha 25 anos.

O livro conta a história de Werther, um jovem apaixonado pela deslumbrante Charlotte, que estava noiva de Alfred, um homem bem sério e cordato e com quem ela iria se casar em seguida. No final do romance, Werther acaba tomando emprestado a arma de Alfred, um revólver, a pretexto de se proteger contra os assaltos em uma viagem, e depois se mata com as balas desse revólver.

A obra inspirou todo aquele clima melancólico que conhecemos como Ultrarromantismo. E, nessa época, 1989, quando escrevi esse texto, eu lia muito as obras ultrarromânticas brasileiras, como Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e o mais melancólico deles, Junqueira Freire, que, ironicamente, era de Salvador, Bahia.

Na época do texto, eu contava com apenas 18 anos.

O CASO WERTHER

Por Alexandre Figueiredo - Niterói, 11 de outubro de 1989.

É um grave problema manifesto pelo grande número de suicídios feitos por causa de desilusões vitais, sobretudo as desilusões amorosas.

Vale lembrar que Werther, o famoso personagem-título de uma obra do escritor alemão Goethe, possuía paixão imensa por uma mulher casada. Sabendo que ela era submissa ao marido, embora admirasse também o jovem, este resolve colocar em si a ideia da morte, até que pede, através de uma carta, para que Alfred (o marido de Charlotte, por quem Werther era apaixonado) entregasse-lhe o revólver e as balas, sob o argumento de que iria fazer uma viagem. Mas, assim que recebeu a arma, Werther se suicidou.

Muitos jovens do mundo inteiro, identificados com o personagem, se entregaram à morte, suicidando-se de várias formas. No Brasil, os poetas Álvares de Azevedo e Casimiro de Abreu se "suicidaram" com o descuido da saúde, deixando-se sucumbir pela tuberculose pulmonar. E outros indivíduos morreram no Brasil, delirados com o Mal do Século ou com a Síndrome de Werther, ocorrida entre os séculos XVIIIe XIX.

O grande problema a respeito deste mal é que este é visto por muitos como uma causa e não como um efeito, mas como uma ferrenha negação à vida quando na mocidade é o conflito realidade / fantasia que pesa nas vidas dos suicidas, dando um preço muito caro a estas vidas.

Este radicalismo beato, totalmente parcial, e altamente conservador, estufava o peito insistindo em dizer que o suicida é um demônio, porém isso não é verdade. O suicida deste tipo, comprovadamente, quer viver, mas possui um ideal de vida muito diferente do que a realidade apresenta. Ora, ele quer namorar uma mulher comprometida, ou quer viver num mundo florido ou belo, mas o mundo não é de rosas e a realidade é dada como naturalmente inquestionável, o que agrava a intenção suicida.

O suicídio, por estas causas, não é uma coisa do demônio e não deve ser evitado à base de condenações, mas sim de resoluções. Deve-se estudar as causas e assim chegar-se a uma solução ou soluções que possam evitar mais suicídios.

Hoje em dia, o Mal do Século parece ter acabado e que os suicídios, ao que parece, se reduziram radicalmente. Mas isso não pode ser completamente levado como uma maravilha, sabendo que foram mais as perspectivas do que a resolução dos problemas sociais que diminuíram os suicídios.

No Brasil, deve-se acabar com os conflitos sociais e deve-se mudar o padrão individual, totlamente restritivo e aliado aos valores conservadores que a ditadura fez manter. E deve-se acabar também com o mito de que a vida é competição e que as mazelas da vida são naturais e incombatíveis. Este mito sacrificou a felicidade de muitos e pode sacrificar a vida de muitos outros. 

Não se acaba com a Síndrome de Werther com ferrenhas condenações. Uma condenação ferrenha é uma ótima propaganda de estímulo a um ato condenado.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A ILEGAL OMISSÃO DA MÍDIA NA DIFUSÃO DA CULTURA



A grande mídia comete uma grave ilegalidade quanto à missão constitucional de divulgação de cultura para o povo brasileiro. Ela se omite no que deveria ser o justo processo de acesso amplo aos bens culturais, na medida em que impede que o povo desenvolva sólidos referenciais culturais.

O povo pobre é privado de conhecer de forma ampla e abrangente a cultura de seus antepassados. Em vez disso, seus referenciais culturais são ditados pelo poderio das rádios "populares", da imprensa "popular" e dos programas "populares" da TV aberta.

O "popular" aparece aqui de forma estereotipada, caricata, embora a intelectualidade associada, em seu discurso demagogicamente sofisticado, tente negar esse caráter de estereótipo. Mas sabemos muito bem que essa mídia "popular" nem de longe é feita pelo povo, mas por representantes dos barões da grande mídia e integrantes de oligarquias nacionais ou regionais.

É um grande absurdo. No Nordeste, por exemplo, o povo não pode ouvir baiões, maracatus, cocos, maxixes, xadados, ritmos agora apropriados pela juventude mais abastada. No entanto, o povo pobre se limita a ouvir um engodo bastante confuso que oficialmente se chama de "som nordestino", caraterizado sobretudo pelo chamado "forró eletrônico".

Esse engodo mistura elementos caricatos e estereotipados da disco music, da música country e de ritmos caribenhos, com um som de acordeon que nem nordestino é, mas uma sonoridade da música gaúcha, e seus intérpretes misturam roupas de cabarés texanos e quadrilhas de piratas de Hollywood.

Para piorar, um ritmo desses alimenta uma indústria milionária, mas escravista. Seus intérpretes ganham pouco dinheiro para fazer o papel de ridículos nos palcos de todo o país. Já seus empresários, que a intelectualidade tão badalada define como "pobrezinhos bem sucedidos", "gente como a gente", "produtores culturais das periferias", além de explorar os intérpretes, enriquecem em cima.

Esses "tão pobrezinhos" empresários, "humildes produtores culturais", além de serem verdadeiros proprietários dos conjuntos envolvidos, através desse sucesso comercial dos mesmos compram fazendas, apartamentos de luxo e exercem seu poder na mídia e na política regional.

No entanto, sonegam seus impostos e gracejam quando são chamados de empresários. Tentam manter um vínculo com as periferias que não passa de uma relação de domínio. O povo lhes é escravizado com música de péssima qualidade, maquiada por espetáculos superproduzidos mas altamente cafonas. Esses empresários tentam se confundir com o povo, numa falsa cumplicidade, mas as relações de dominação são evidentes.

Isso acontece em todo o brega-popularesco. Do "sertanejo universitário" ao "funk carioca". Música de péssima qualidade, promoção de valores sociais mais retrógrados, exploração profissional de cantores, músicos e até dançarinos, politicagem, jabaculê etc, que simbolizam um processo que não pode ser relativizado pelo discurso intelectual mais sedutor, porque o buraco é mais embaixo.

Essa hegemonia do brega-popularesco regional impede que o povo pobre aprecie a cultura verdadeira das classes populares e seus antepassados. Mesmo o samba, o ritmo que mais sorte possui na divulgação radiofônica, não tem mais que quatro intérpretes tocando no rádio a cada temporada.

A situação é muito cruel, para um ritmo que é considerado legalmente um patrimônio cultural pelo IPHAN. Mesmo a mais ampla divulgação é superficial. Se entra Jorge Aragão, sai Martinho da Vila. Se entra Arlindo Cruz, sai Jorge Aragão. Mas o "pagode romântico" ou "pagode mauricinho" sempre tem seus ídolos com franco acesso às rádios.

O brega-popularesco dilui influências estrangeiras de forma caricata e junta a elas um perfil nacional caricato. Junta-se o perfil estereotipado do povo pobre brasileiro, típico dos piores humorísticos, com os estereótipos trazidos pelos "enlatados" de Hollywood, e produz-se as tais "periferias".

Juntam-se valores machistas, sexistas, violentos, jocosos e outras imoralidades e cria-se um repertório ideológico das classes populares bem ao sabor dos barões da mídia. Por isso, não faz sentido a intelectualidade mais badalada relativizar e achar que esses são os "valores modernos e elevados das periferias" cujo "valor" (sic) nós "não" conseguimos entender.

Enquanto isso, o nosso patrimônio cultural autêntico se perde nos museus ou se confina nas apreciações das classes mais abastadas. O povo só passa a apreciar alguma cultura de qualidade se puxado tendenciosamente pelos modismos da grande mídia, quando a ela interessa que o povo tenha algum "aprimoramento" cultural.

Se a moda é, por exemplo, visitar exposição de Cândido Portinari, a imprensa "popular" vai e puxa o povo feito gado para ir lá ver. Se a moda é copiar frases de Carlos Drummond de Andrade, vai o público médio da "cultura" popularesca para botá-las no Facebook. Se a moda é seguir Leila Diniz, até mesmo as chamadas "boazudas" vão dizer que admiram a saudosa atriz. E se a moda é ouvir Wilson Simonal, vai o povo cantar "Sá Marina" e "Meu Limão, Meu Limoeiro" pelas andanças nas ruas, influenciada pela TV.

Mas nada é espontâneo. Enquanto isso, a intelectualidade se gaba de possuir os segredos do passado cultural do povo brasileiro. Como os sacerdotes da Idade Média que detinham os segredos misteriosos da Antiguidade, enquanto manipulam a opinião pública através da mentira, das meias verdades e da ocultação da realidade.

Pois os atuais sacerdotes da Idade Mídia ainda se acham os juízes máximos da cultura popular, e eles se beneficiam da ampla visibilidade para distorcer e manipular a opinião pública, enquanto se beneficiam com o difícil acesso do povo pobre à sua própria cultura, enquanto toma como "sua" uma pseudo-cultura que não passa de um lixo "reciclado" pelos barões da grande mídia e seus seguidores.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O SAUDOSISMO DOENTIO DA 89 FM DOS ANOS 80


A 89 FM só foi algo próximo ao de uma rádio de rock decente - mas nem por isso tão ousada quanto parece - no breve período entre o final de 1985, quando a rádio surgiu, e algum momento de 1987, quando se esgotou a fase "alternativa" da emissora, por definitivo.

O que veio depois nem de longe é a tal "rádio admirável" que a grande imprensa - sobretudo os conservadores grupos Abril e Folha - tanto alardeou criando um quase consenso que custou a ser derrubado.

Afinal, a rádio adotava uma linguagem pop e passou a se limitar a um mero vitrolão "roqueiro", ou algo próximo disso, com ênfase apenas aos sucessos musicais mais manjados, aos intérpretes comerciais e a uma grade de programação que nada tinha a ver com o estado de espírito roqueiro.

Pelo contrário, de 1995 até 2006 o que se via era uma grade de programação literalmente "chupada" da Jovem Pan 2, apesar dos ataques forçados dos produtores da 89 FM ao pop convencional e ao brega "popular". Até os Sobrinhos do Ataíde eram claramente calcados no Pânico da Pan (a mesma equipe hoje conhecida como Pânico na Band).

No fundo, essa obsessão dos ouvintes da 89 de que ela seja "definitivamente rock" não passa de um saudosismo doentio sobre o breve período em que a 89 FM era "alternativa", entre 1985 e 1987. Já em 1989 a 89 FM que parecia se ascender como "formato padrão de rádio rock", na verdade, vivia glórias passadas e prometia uma volta aos "bons tempos" que nunca aconteceu nem vai acontecer.

89 FM DUROU MESMO APENAS DOIS ANOS, TALVEZ MENOS QUE ISSO

A 89 FM dos anos 90 viciou os ouvidos de muitos jovens, antes que o despertar da Internet mostrasse que a 89 era muito matuta e caricata no trato da cultura rock. Ela concentrou muito no poser metal e no grunge, nas bandas nacionais "engraçadinhas" - o Restart é um resultado natural e inevitável da "filosofia 89" - e nos locutores mauricinhos.

O marketing da rádio, aos olhos daqueles que ouviram a 89 FM no começo, parecia sinalizar uma esperança que a 89, depois de anos mais jabazeiros, pudesse voltar aos tempos áureos. Nunca voltou. Até mesmo a "fase grunge" da 89, entre 1993 e 1994, não representou isso, além do fracasso dessa postura "college" da 89 ter feito a rádio "indicar" a emissoras não roqueiras a aquisição de rádios de rock autênticas que existiam desde os anos 80 e que hoje não existem mais.

Até o quadro acionário da 89 FM não é lá grande coisa. Seu dono, José Camargo, foi um político malufista, da banda podre da ARENA e, depois, do PDS. Compare isso com o da Fluminense FM, que nos anos 80 era controlada pelo hoje falecido Alberto Francisco Torres, descendente do Visconde de Itaboraí e que havia sido ligado ao PSD de Juscelino Kubitschek, na tendência mais simpática à aliança com o então progressista PTB. Vai uma grande diferença.

A 89 FM, portanto, só durou dois anos. Ou talvez menos que isso. A 89 FM é que se ascendeu, em 1989, sob a sombra saudosista de seus primeiros anos, como se a rádio prometesse que seria mais pop primeiro para depois voltar a ser a rádio quase alternativa que era. Nunca conseguiu.

A emissora decaiu seriamente, já em 1989, contaminada com uma mentalidade pop que foi aumentando, aumentando e aumentando, até beirar à breguice influenciada pela TV aberta em 2005. Por isso, não dá para acreditar que a volta da "89 roqueira" vá dar muito certo. Os tempos são outros.

O público roqueiro autêntico se distanciou do rádio, indo para o MP3 e para os áudios de arquivos do YouTube. Se é difícil um roqueiro autêntico ouvir uma rádio de rock autêntica de hoje, com a desconfiança de ouvir quase sempre bandas posers intercaladas entre um clássico e uma novidade, imagine então uma rádio como a 89, que de "Jovem Pan 2 com guitarras" virou "SBT com guitarras"!

Além do mais, a 89 FM virou prisioneira de seu formato. A sua anunciada volta não trará os primórdios de volta, para sempre desaparecidos, mas apenas aquilo que representou sucesso comercial para a emissora. Vai ter Pressão Total, Rock Bola ou algum herdeiro dos Sobrinhos do Ataíde.

No cardápio musical, algumas coisas mais pop tipo Lenny Kravitz e Cidade Negra, umas bandas posers e grunge, e raramente algum clássico do rock mais manjado. Nada irá muito além disso. E o público de rock autêntico nem está animado com a volta, que só faz a festa dos fanáticos da rádio. Estes, por sinal, demonstraram que preferem ouvir "sertanejo" e "funk" do que ouvir um rockão das antigas.

sábado, 10 de novembro de 2012

O QUE BRITTANY MURPHY ESTARIA FAZENDO HOJE EM DIA


Brittany Murphy teria feito hoje 35 anos, provavelmente exibindo a beleza deslumbrante que a marcou. Mas ela havia falecido em dezembro de 2009, por um acúmulo de infortúnios, causados sobretudo por uma rumor maldoso que fez os produtores de Happy Feet vetarem a participação da atriz no segundo longa de animação. No primeiro, Brittany participou fazendo a voz de Gloria.

Brittany havia divulgado o primeiro Happy Feet pela última vez, em 10 de dezembro de 2009, quando fez sua última viagem para outro país, na Austrália. Ela teria ficado depressiva e teria tomado muitos remédios, amargurada por uma série de problemas pessoais. Além disso, ela teria contraído pneumonia, anemia e ainda inalou mofo que se acumulava no seu quarto mal ventilado.

Não fosse essa tragédia toda, ocorrida semanas depois de eu ter visto, na TV, o filme A Agenda Secreta do Meu Namorado (Little Black Book, de 2004), Brittany teria dado a volta por cima, pelo seu habitual talento e senso de humor. Creio que faltou o apoio necessário a ela, naqueles momentos difíceis, o que havia elevado sua angústia.

Não é fácil dizer o que uma pessoa teria feito hoje se não tivesse morrido há três anos atrás. Mas com base em alguns fatos ou notícias da imprensa, tentarei descrever o que provavelmente Brittany estaria fazendo hoje em dia, se ainda estivesse viva. Algumas hipóteses:

1) ELA TERIA GRAVADO SEU PRIMEIRO ÁLBUM COMO CANTORA EM 2010 - Brittany tinha uma carreira paralela como cantora, que teve como primeiro sucesso a música "Faster Kill Pussycat" que ela havia gravado com o DJ inglês Paul Oakenfold. Brittany tinha uma excelente voz e consta-se que ela também tinha intenção de ser compositora. Provavelmente o primeiro álbum de Brittany Murphy alternaria faixas de pop dançante e um rock mais melódico, talvez pelo gosto musical eclético dela, que na trilha do primeiro Happy Feet, havia gravado covers de "Boogie Wonderland" do Earth Wind & Fire e "Somebody to Love", do Queen. Ela também iria ter um número musical no filme Os Mercenários (The Expendables).

2) MERCENÁRIOS A RECOLOCARIA EM EVIDÊNCIA NA MÍDIA - Em virtude da alta competitividade em Hollywood, Brittany acabou não tendo tanto destaque na carreira nos últimos anos. Ela até se destacou em sucessos como As Patricinhas de Beverly Hills (Clueless), Grande Menina, Pequena Mulher (Uptown Girls) e Sin City, mas depois acabou fazendo filmes menos destacados comercialmente. Além disso, ela teve problemas para ser aceita como atriz de dublagem para Happy Feet 2 e se desentendeu com produtores porto-riquenhos que não conheciam bem o estilo de atuar de Brittany, para o filme de suspense The Caller. Infelizmente, Brittany adoeceu gravemente quando Os Mercenários, que chegou a anunciar sua presença no elenco, começou a ser produzido. É um filme de ação, mas seu sucesso comercial devolveria a Brittany o destaque que ela tinha em outros tempos.

3) BRITTANY ESTARIA SOLTEIRA - Rumores de um "passado obscuro" (segundo disse a imprensa dos EUA) do então marido de Brittany, o roteirista Simon Monjack - falecido em 2010 - e de que ele teria traído a mulher, além de ter assediado a mãe da atriz, Sharon Murphy, fariam com que a relação declinasse para o fim por uma questão de meses. Se Brittany tivesse, por exemplo, sobrevivido ao seu ataque cardíaco e tivesse se recuperado, seria bastante provável que ela teria se separado de Simon em 2010.

4) BRITTANY TERIA VISITADO O BRASIL E ATUADO COM ATORES BRASILEIROS - A julgar pelo fato de Os Mercenários ter parte gravada no Brasil e por atores do mesmo círculo sócio-profissional de Brittany terem contracenado com brasileiros - como Alexis Bledel, que atuou no mesmo episódio com Brittany em Sin City, e Dean Cain, o ex-Superman que havia feito, com a atriz, o filme Busca Alucinante (Abandoned) - , é possível que isso teria acontecido com Brittany. E teria sido um prazer ver Brittany no Brasil. E Os Mercenários teriam uma parte gravada em Niterói. Já pensou se eu visse pessoalmente a Brittany Murphy? Seria maravilhoso!

5) BRITTANY EM POSSÍVEIS NOVOS FILMES - Ela teria voltado a fazer comédias a partir de 2010, embora invista também em filmes de suspense, por exemplo. Filmes como Busca Alucinante e Something Wicked (lançado em 2012) teriam a atriz brilhando nos premieres. Mas talvez ela tenha encarado comédias tipo Se Beber Não Case (The Hangover), ou algum grande drama histórico. Ela continuaria também como dubladora de animação, celebrando o encerramento de O Rei do Pedaço (King of the Hill), também em 2010, seriado no qual ela fez a voz de Luanne Platter. E, quem sabe, Brittany teria feito participação nas temporadas recentes de Two and a Half Men, contracenando de novo com o ex-namorado Ashton Kutcher, seu par romântico no filme Recém-Casados (Just Married), de 2003?

Algumas coisas inevitavelmente teriam acontecido, como a presença de Brittany na reunião do elenco de As Patricinhas de Beverly Hills e a participação dela na continuação de Sin City, já em andamento. E em 2013 Brittany reencontraria sua amiga Dakota Fanning para falarem juntas sobre os dez anos de Grande Menina, Pequena Mulher.

Bom, infelizmente aconteceu o que aconteceu. Mas fica a gratidão imensa a grande menina Brittany Murphy pela sua breve presença na Terra. Um beijo carinhoso, querida Brittany! Thank you!!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

CANAL BRASIL ENTRA NO PACOTE BÁSICO DA TV POR ASSINATURA


A cultura brasileira saiu ganhando com a inclusão do Canal Brasil no pacote básico da TV por assinatura, que anda combalida com as eventuais bregalizações em algumas emissoras, da crescente onda de filmes dublados, dos intervalos longos e da inutilidade que são os canais "rurais", que mostram leilões de gado para assinantes urbanos nas grandes cidades.

Já era hora do Canal Brasil se tornar mais acessível, afinal ando lendo as leis e vejo que a Constituição Federal e outras leis que defendem maior divulgação da cultura brasileira. Isolar o Canal Brasil em pacotes avançados, elitistas, teria sido um abuso das empresas operadoras e um total descumprimento da lei.

Afinal, a cultura brasileira anda com acesso dificultado pela grande mídia. Só agora as coisas melhoraram um pouquinho, mas um pouquinho só. E o Canal Brasil, com seus filmes, programas de entrevistas, programas sobre música brasileira e outras atrações, procura minimizar tais lacunas, e, diante do crescimento do público da TV paga, isso é bastante positivo.

Felizmente a novidade não faz parte de qualquer promoção das operadoras, ela é definitiva mesmo. Desse modo, cabe aos espectadores da TV paga consultarem a programação do Canal Brasil e escolher o programa que querem ver, e se sentir à vontade. O Canal Brasil é uma boa escolha, e os cinéfilos sobretudo são beneficiados sobretudo com muitos filmes antigos.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

OUVINTES COMEMORAM POSSÍVEL VOLTA DA 89 FM "ROQUEIRA". E NÃO É PELO ROCK


Francamente, essa provável volta da 89 FM, a dita "A Rádio Rock", nem de longe deve ser considerado um marco para o rádio brasileiro. Primeiro porque, perto do que foi a Fluminense FM sob o comando de Luiz Antônio Mello, a 89 FM parecia o Menudo em FM. Segundo, porque, em tempos de mediocridade, qualquer bosta bem sucedida nos tenebrosos anos 90 volta com muita facilidade.

A notícia, dada pelo portal Tudo Rádio, ainda está em aberto, mas está quase fechada a volta da emissora pseudo-roqueira. Isso empolgou os fãs, mas pela pesquisa que eu tive na Internet, uma coisa deve ser levada em conta: O ROCK NÃO É O MOTIVO DE COMEMORAÇÃO PARA ESSA VOLTA.

A 89 FM, sobretudo depois de 1992, usava o rock apenas como mera embalagem. Nem de longe era o conteúdo ou a atração principal da dita "rádio rock". De 1995 para cá, a coisa piorou seriamente e a cada vez o rock, mesmo anunciado como "protagonista", foi reduzido a mero figurante para uma programação que tinha de tudo, menos rock.

Estado de espírito roqueiro a emissora nunca teve. Era apenas um vitrolão roqueiro que carregava na pose, no pretensiosismo e no marketing. E na demagogia, acima de tudo. Quando muito, o "rock" que a 89 FM tocava se limitava a uns ralos sucessos roqueiros mais que surrados e o restante de pop-rock dos anos 90 para cá.

Claro, para quem tem memória curta e acha até Bon Jovi "clássico", vai se empolgar e falar muita besteira em favor da 89 FM. Sem falar da arrogância dos defensores da rádio, que só era menor que a de seus irmãos cariocas da Rádio Cidade, que beiravam ao fascismo puro.

O que os defensores da 89 FM tanto comemoraram em relação à volta corresponde tão somente a programas humorísticos, debates esportivos e game shows. Ou então vão ouvir Guns N'Roses, Mamonas Assassinas e Charlie Brown Jr. Nada de clássicos, porque essa patota odeia. Sério. Acham que nomes como Beatles, Who, Led Zeppelin ou mesmo Clash e Smiths fazem música para a vovozinha.

Renato Russo, nem se fala. Os ouvintes da 89 FM preferem Odair José, que é mais instigante. E as gerações mais recentes, que acompanharam a 89 no seu finalzinho de 2005-2006, passaram a ser bem mais ecléticos, preferindo Luan Santana, Banda Calypso e Mr. Catra do que os "caquéticos" Deep Purple e Jethro Tull.

Isso sem falar que, ao longo dos anos, o cenário pop está mais para nomes ecléticos como Shakira e Pink, que alternam momentos Guns N'Roses com momentos Jennifer Lopez ou Britney Spears. O cenário pop atual envolve nomes mais ecléticos e o espírito da 89 FM, no Brasil, está mais do que representado nas duplas de "sertanejo universitário", que fazem uma leitura "farofa" do folk rock.

No contexto da velha grande mídia, a 89 FM, que ideologicamente é tão retrógrada quanto a revista Veja, sentirá a mudança dos tempos. Talvez a volta da rádio aos tempos de 1995-2006 empolgue seus fanáticos em princípio, mas a volta da rotina irá cansar novamente.

Hoje se questiona muito mais a mídia do que há 20 anos atrás, quando até Fernando Collor depositou verbas generosas para os donos da 89 FM difundirem seu "projeto rock (sic)", que é o espírito da Era Collor com seus produtos importados e a mediocridade sócio-cultural brasileira.

Além disso, há muito tempo a 89 FM não é mais o totem sagrado do radialismo brasileiro. Hoje seu fã-clube é apenas uma pequena "tribo" de fanáticos metidos a donos da verdade. E que no fundo só sintonizarão a rádio para contar piadas, participar de jogos, ouvir nomes como Maíra Cardi e Eri Johnson elogiando Guns N'Roses e concorrer a sorteios de computador. O "rock" é só um detalhe sem importância.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

89 FM "ROQUEIRA" VOLTARÁ VISANDO O ROCK IN RIO 2013


A cultura rock brasileira, já combalida, tende a piorar. A 89 FM, um mero vitrolão "roqueiro" que usava e abusava do rótulo "A Rádio Rock" (que demonstrou ser meramente marqueteiro, não bastasse o logotipo criado por um publicitário), voltará ao estágio encerrado em 2006.

A programação será coordenada pelo Tatola, ex-músico do Não Religião, espécie de precursora dos emos. Ele havia coordenado a Brasil 2000 na sua aventura pop-rock, mas antes havia apresentado, na 89 FM, o programa "A Vez do Brasil". A data para a volta da programação não foi acertada.

Que ninguém se engane com a volta da dita "rádio rock", porque a emissora apenas concentrará seu repertório, na melhor das hipóteses, no grunge e no chamado "nu metal", além dos "grandes sucessos" roqueiros que transitavam até mesmo em rádios mais pop e algum pop mais ameno tipo Lenny Kravitz e Alanis Morissette.

No entanto, o carro-chefe da programação da emissora será mesmo as tendências mais comerciais como o poser metal, o emo, o "rock engraçadinho" dos anos 90 e algumas nulidades "pop-rock" (tipo Bloodhound Gang). Para quem acha Guns N'Roses e Mamonas Assassinas "geniais", é um prato cheio.

A emissora será apenas uma réplica "mais roqueira" da Jovem Pan 2 e não acompanhará as tendências mundiais da cultura rock difundidas pela Internet. Quem quiser ouvir rock clássico, pode desligar o rádio, porque, quando muito, a rádio não tocará mais do que uns poucos sucessos manjados de bandas manjadas.

Além disso, nos últimos anos a 89 FM, na prática, dava bem menos ênfase ao rock, se concentrando apenas em game shows, debates sobre futebol, programas humorísticos - não devemos esquecer que os Sobrinhos do Ataíde são um genérico do Pânico da Pan (o mesmo Pânico da Band, quando era na Jovem Pan 2) - e programas entrevistando celebridades qualquer nota.

Não bastasse isso, a 89 FM também munia sua publicidade com promoções que nada tinham a ver com rock, seja sorteio de carros, promoção de Dia dos Namorados, viagens para Miami etc.

Além do mais, locutores mauriçolas que NADA tem a ver com a cultura rock, como Zé Luís, estão cotados para voltar à rádio. E haverá locução e vinhetas atropelando as músicas, impedindo que se ouça um rock (se é que vai tocar algum rock autêntico na 89...) na íntegra, da introdução ao final. E tudo indica que as bandas verdadeiramente alternativas serão boicotadas pelo playlist da 89.

VOLTA TEM POR OBJETIVO O ROCK IN RIO 2013

Da mesma forma que no final de 1985, quando a rádio Pool FM deu lugar a 89 FM - que, na época, seguia palidamente a fórmula da Estácio FM, com uma imitação mais comportada da linguagem da Fluminense FM que o pessoal da 89 chamou de "projeto anti-rádio" - , a retomada da programação "roqueira" tem apenas motivos mercadológicos, buscando capitalizar em festivais tipo Rock In Rio, cuja próxima edição brasileira acontecerá no próximo ano.

Portanto, a 89 não é uma rádio que irá promover uma cultura rock séria, que continuará representada no rádio apenas pela Kiss FM. A emissora apenas se comprometerá a tocar apenas o que há de "mais comercialmente viável" no rock, sendo menos representativa culturalmente e mais expressiva no aspecto comercial e publicitário.

A 89 FM foi a primeira emissora a deturpar o perfil das rádios originais de rock. A geração de radialistas de rock brasileiros iniciada nos anos 70 e 80 praticamente se tornou acéfala nos anos 90, pois, enquanto potenciais sucessores de Kid Vinil, Leopoldo Rey e Luiz Antônio Mello se limitavam a trabalhar em oficinas de conserto de aparelhos eletrônicos, onde se acabou limitando a execução de discos clássicos de rock autêntico.

No lugar deles, entraram garotões que falavam e se comportavam como animadores de gincanas, gente que não entendia bulhufas de cultura rock, tendo que recorrer às gravadoras para ter pelo menos alguma noção básica.

CULTURA JOVEM MESCLA "POP-ROCK", "POPERÓ" E BREGA

A situação da 89 FM hoje se complica na medida em que o ouvinte padrão da 89 FM se identifica muito mais com Luan Santana do que com Jethro Tull. É um público que ouve Guns N'Roses e Beyoncé Knowles, Bon Jovi e Britney Spears, Offspring e Backstreet Boys. E que se tornou repectivo, embora não assuma, a nomes mais bregas como Banda Calypso e Victor & Léo.

Esses dados são fatos verídicos, comprovados pela realidade não só do Brasil como no mundo inteiro, vide o fato de que ídolos juvenis surgidos nos últimos quinze anos, como a cantora Pink e os atores-cantores dos canais Disney e Nickelodeon mesclam o roquinho mais ameno com o pop dançante mais animado.

Portanto, fica complicado para a 89 FM adotar o "radicalismo" de antes, se hoje seu público está mais próximo de Edson & Hudson e da Valesca Popozuda do que de The Doors, The Clash e Deep Purple. Os jovens são outros, o contexto é outro. E o sucesso dos Sobrinhos do Ataíde não escapa do contexto popularesco do Pânico, do CQC ou mesmo do Zorra Total, assim como Zé Luís não seria Zé Luís se não fosse o Luciano Huck.

O único consolo é que a data de surgimento da dita "89 A Rádio Rock" é o mesmo dia em que se comemora o nascimento de Britney Spears. Boas festas.

domingo, 4 de novembro de 2012

A SENSUALIDADE VULGAR COMO UM FIM EM SI MESMO


O universo popularesco, no Brasil, às vezes repercute no exterior. Vide o caso de Michel Teló e seu "sucesso mundial". Agora é a polêmica em torno das fotos "sensuais" de Nana Gouvea tiradas diante das áreas afetadas pelo furacão Sandy, em Nova York.

Nana é de uma geração de "musas" dos anos 90, que se destacaram na Banheira do Gugu, quadro do programa Viva a Noite que Gugu Liberato apresentou no SBT. O mesmo quadro lançou Solange Gomes, Renata Banhara, Mari Alexandre e Helen Ganzarolli, que como Nana eram as "paniquetes" da época.

Elas puxaram toda uma linhagem de musas popularescas cujo ápice se deu recentemente, quando semanalmente nada menos do que 50 musas do gênero - das "mulheres-frutas" do "funk" às "musas do Brasileirão, passando por paniquetes e ex-BBBs - apareciam com algum apelo "sensual" na mídia em geral.

Essas alimentam um mercado machista que fatura às custas de revistas e sítios da Internet e estabelece parcerias com escolas de samba e times de futebol. Em contrapartida, não fazem outra coisa senão mostrar seus "dotes físicos", incapazes de fazer aparições que não tenham algum apelo "sensual".

Quando tentam alguma coisa diferente, causam constrangimento. Como é o caso de Maíra Cardi, "ex-sister" do Big Brother Brasil, que primeiro se passou por "gostosona" em um aeroporto e depois publicou foto mostrando um controle remoto de um vaso sanitário. Outras ex-BBBs também cometeram gafes, uma delas deitada num supermercado na Flórida.

A gafe de Nana Gouvea - que anos atrás havia feito fotos "sensuais" acorrentada em uma árvore - foi fazer fotos "sensuais" nos lugares atingidos pelo furacão Sandy, que matou mais de 150 pessoas nas suas passagens pela América Central e EUA, onde as vítimas fatais foram mais de 100.

A sessão de fotos, divulgada nas redes sociais, causou indignação na imprensa estrangeira. O jornal inglês Daily Mail, em texto escrito pela jornalista Sadie Whitelocks, havia feito duras críticas à modelo, atualmente no segundo casamento, além de ter mostrado fotos montagens que internautas fizeram com as poses de Nana Gouvea com outras tragédias, incluídas no blogue Nana Gouvea em desastres.

A reportagem descreve as fotos de Nana ao lado de árvores caídas e carros danificados como "desastrosas", "sem graça" e "doentias", e cita um comentário jocoso do portal de comportamento Gawker: "O tumulto seguinte ao desastre natural é uma boa oportunidade para chegar lá e tentar poses, ângulos e escolher um vestuário que você normalmente não faria".

O New York Post, em sua reportagem, também citou o comentário da Gawker, e comentou a "terrível falta de senso crítico" de Nana, ao fazer as sessões de fotos, registradas pelo marido, o produtor musical Carlos Reyes. As montagens fotográficas do Nana Gouvea em desastres também foram citadas na reportagem.

Em entrevista ao portal Ego, das Organizações Globo, citada pelas duas reportagens, Nana Gouveia declarou que adora hurricanes (furacões) porque eles são uma oportunidade para ela e o marido passarem mais tempo juntos, definindo a situação como romântica e decidindo, na ocasião, que irá abrir uma garrafa de vinho para beber com o marido.

À onda de protestos, contrapôs-se um comentário solidário da cantora Gretchen - que havia causado polêmica supostamente aparecendo como garconete nos EUA - , que, dentro daqueles clichês das celebridades popularescas, definiu a indignação coletiva contra Nana como "inveja".

A situação, que fez a imprensa internacional fazer comentários como "brasileiros gostam de posar perto de qualquer coisa", faz muito a pensar a respeito da sensualidade vulgar usada pelas "musas" brasileiras como um fim em si mesmo.

Posar em áreas destruídas pelos furacões, ou acorrentada em árvore, ou, em outros casos, posar de "enfermeira sexy" ou "freira sexy", aparecer sentada num vaso sanitário ou fazer "releituras" grotescas de imagens de fadas infantis, de personagens tipo Betty Boop ou ícones da sensualidade autêntica como Marilyn Monroe, em nada contribuem para o diferencial das mulheres que só ficam "mostrando demais".

Pelo contrário, esses pretextos apenas se submetem a esse mercado "sensual", são situações que apenas estão associadas a essa apelação, que pela mesmice da exibição corporal faz com que essas "musas populares" sejam preteridas por atrizes de TV, como Juliana Paes, Deborah Secco e Alinne Moraes, que não expressam a sensualidade a qualquer preço nem a colocam acima de qualquer coisa, podendo aparecer em certas ocasiões sem precisar mostrar suas formas físicas.

O caso de Nana Gouvea só faz agravar a séria crise das chamadas "musas populares" que há um tempo ocorre no Brasil.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

SUBÚRBIA E A GLAMOURIZAÇÃO DA PERIFERIA


A minissérie Subúrbia, anunciada deste o início do ano para entrar no ar na Rede Globo, é promovida como uma construção "mais realista" da realidade das periferias. Certamente é uma produção dramática sofisticada na linguagem e na escolha de atores de teatro das comunidades populares, vários deles com talento já reconhecido e admirado em outros trabalhos.

No entanto, a minissérie pode ter seu mérito no âmbito da ficção, já que como realismo a produção segue a exigência ideológica de tratar as periferias de uma forma quase "realista", mas ainda assim um tanto glamourizada, como é a cartilha da intelectualidade "sorospositiva" que domina o Brasil.

A relação com a religiosidade da jovem e uma estranha ênfase da mulher no êxodo do interior para as capitais - mito apoiado pelo Censo do IBGE mas muito raro na realidade - são trabalhados dentro de uma mitificação conservadora, mas "progressista" na forma, de maneira a adocicar as imagens dos movimentos sociais.

Evidentemente, existe o lado da denúncia da violência e da tragédia vivida nas classes populares. Conceição tem um irmão morto em um acidente de trabalho e conhece um amigo Cleiton, que tem outro irmão morto por assassinato. Cleiton tem outros amigos que acabam formando um grupo de "funk carioca".

A glamourização da pobreza aparece não na ausência da violência, da miséria ou de outros problemas vividos nas periferias, mas num certo romantismo das transformações pessoais sem que haja uma ruptura real das estruturas do poder dominante.

O próprio "funk carioca", menina dos olhos dos barões da grande mídia para dominar as classes populares, é incluído no "recheio" da minissérie, embora a chamada tenha resgatado um funk autêntico, a excelente música "Pra Swingar", do pouco conhecido grupo brasileiro Nosso Som, gravada em 1977.

Aí é que está o problema. O próprio "funk carioca", que sempre desprezou a música soul brasileira original - sobretudo pela ausência de instrumentistas - , na tentativa desesperada de evitar seu desgaste, tenta se apoiar não só numa minissérie de linguagem poética, lembrando as velhas apologias sentimentais ao ritmo carioca, como quer recorrer justamente a quem sempre manteve seu desdém.

E sobretudo numa época em que os ideólogos do brega-popularesco precisam evocar a MPB autêntica dos anos 60 e 70, dentro daquela tese de que a cultura brasileira "nasceu" em 1967, para justificar a hegemonia brega-popularesca de hoje numa associação forçada com a vanguarda cultural brasileira.

O soul brasileiro, por exemplo, incluindo também nomes híbridos como Wilson Simonal e Banda Black Rio, em sua redescoberta pela crítica, é revalorizado de forma justa e merecida, mas como em todos os casos do gênero também sofre a bajulação e apropriação de oportunistas, penetras nessa verdadeira festa black brasileira, como os funqueiros e os sambregas.

Subúrbia não vai mudar o mundo.Será ousado como produção de dramaturgia, pelo enredo bem construído (a título de ficção) e pelo ótimo elenco. Mas ninguém deve esperar dali uma concepção socialista das classes populares ou algum exemplo de ativismo social de seus personagens. No sentido ideológico, as periferias são mostradas de forma mais conservadora que transformadora.

Além disso, com o "funk carioca" incluído no "recheio", o caráter transformador se anula cada vez mais. Na ficção, o "funk carioca" é "libertário" e "progressista". Mas, na realidade, o mesmo ritmo mostra-se reacionário, mercantilista, transformando as favelas nos seus reféns culturais e ainda por cima está associado a valores retrógrados ligados ao machismo e até à criminalidade.