terça-feira, 9 de outubro de 2012

FUTURO CONCURSO DO IPHAN NÃO DEVERIA INCLUIR RACIOCÍNIO LÓGICO NEM MATEMÁTICA


O que é um concurso público? É aquele que testa a habilidade de um candidato. É uma seleção que deveria levar em conta apenas as habilidades previstas para um candidato a ser aprovado.

Infelizmente, o que se vê nos concursos públicos não é isso, mas a expressão do velho moralismo docente que não pede os exatos conhecimentos de um candidato, mas uma sobrecarga de estudos feita apenas por mero fim competitivo.

No caso do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), isso é sintomático. Os últimos concursos realizados, desde 2007, incluíram, sem a menor necessidade, questões de Matemática e Raciocínio Lógico.

Essas matérias foram incluídas apenas por um mero moralismo competitivo. Elas não influem no trabalho exigido no IPHAN, onde conhecimentos de Antropologia, História, Sociologia e, quando muito, Arquitetura, pesam mais do que Matemática e Raciocínio Lógico.

Um concurso público não deveria sobrecarregar as matérias, porque geralmente é um prazo de dois meses de estudo para uma prova e a quantidade do saber não traz vantagem em relação à qualidade do saber. Porque é a qualidade que pesa mais na rotina do trabalho, mais do que o acúmulo de conhecimentos adquiridos, mesmo na rotina artificial dos estudos para concursos.

No caso do IPHAN, a inclusão de Matemática e Raciocínio Lógico irá desviar as atenções dos candidatos para assuntos realmente da especialidade do instituto. Já basta que existe Informática como uma das disciplinas, mas pelo menos ela é relativamente mais fácil, já que boa parte de seus conhecimentos a gente testa até mesmo nos momentos de lazer, fora do compromisso de estudos.

Mas imagine um servidor do IPHAN aprovado porque "fechou" as questões de Raciocínio Lógico e Matemática, mas pouco foi estimulado, no programa da prova, a saber sobre Antropologia, História, Sociologia, Arquitetura etc. Se a cultura brasileira já vai mal com o brega-popularesco sufocando nosso folclore e qualquer luta real pela cidadania, imagine um servidor especializado em Matemática mas não nas especialidades próprias do IPHAN.

Por exemplo, se o servidor do IPHAN, tão "cobra" em questões de Lógica e equações do segundo grau, desconhece, diante de um problema relacionado a um desabamento de um prédio histórico, as questões acerca das correntes de pensamento sobre Arquitetura, e nunca ouviu falar sobre John Ruskin e Eugène Viollet Le Duc.

Para piorar, o servidor só ouviu falar, muito vagamente, talvez em conversa com um colega, que intervir num bem móvel antigo seria "falsificar" o patrimônio histórico com uma réplica de alguma peça perdida - ainda que seja um vidro quebrado de uma janela antiga - e ele nem pense sequer em reconstruir aquele prédio histórico desabado. Se houver um incêndio, então, ele deixaria o prédio em ruínas.

Caso semelhante já ocorreu em Salvador, quando um servidor novato foi nomeado superintendente e se recusou terminantemente em restaurar prédios históricos que haviam sofrido desabamento, incluindo vítimas fatais, no Centro Histórico da capital baiana.

Por isso, seria melhor que o IPHAN, que provavelmente investirá em novo concurso, desista de incluir Raciocínio Lógico e volte ao programa adotado em 2005, quando a ênfase foi nas questões específicas do instituto.

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