quarta-feira, 31 de outubro de 2012

RECREAÇÃO E MÚSICAS AGITADAS ESTIMULAM MAIS O TRABALHO E OS NEGÓCIOS


Péssimo procedimento fazem os empresários, profissionais liberais e executivos, sobretudo na faixa dos 40 aos 60 anos.

Encerrando seus expedientes, nas sextas-feiras, eles mergulham num sedentarismo que, se não é físico, ou seja, quando eles conseguem praticar caminhadas e atividades esportivas, é psicológico.

E o que é o sedentarismo psicológico? A sisudez e a perda total daquele espírito juvenil dos primeiros anos de faculdade, que só são parcialmente "resgatados" em momentos saudosistas ou na companhia de crianças e adolescentes.

O problema não é isso. Brincar com um filho pequeno, com um sobrinho, com outra criança de uma família amiga, é muito fácil. Difícil é ver, por exemplo, uma mesa de pebolim e depender da presença de uma criança ou adolescente para brincar junto.

A vida cotidiana mostra, no entanto, que é esse o caminho que empresários, profissionais liberais e executivos do explendor da vida adulta devem seguir. Parece frescura, mas é justamente o resgate natural dos tempos juvenis o remédio certo não só para estimular a saúde mental como também melhorar o rendimento físico e psicológico que podem favorecer o rendimento profissional.

PEDANTISMO

A erudição forçada das conversas dos "pais" em classes abastadas, com médicos, publicitários, empresários, advogados, engenheiros, executivos etc exibindo pedantismo pode parecer útil para botar o papo em dia, mas torna-se supérfluo e inútil quando levados ao extremo nas horas de lazer.

Afinal, a sisudez que reduz a "diversão" a esse ritual de conversas "objetivas" exige um esforço de raciocínio e não acrescenta muito ao astral dos indivíduos. Não acrescenta muita coisa aos negócios nem ao trabalho de liderança, e, além do mais, pode causar problemas quando empresários falam demais de seu cotidiano profissional durante uma festa sem saber que um dos amigos é seu maior concorrente nos negócios.

Isso também não prova inteligência alguma. Discutir política, economia, bancar o crítico cultural e, num lampejo de algum populismo tendencioso, comentar sobre futebol, não faz de executivos, profissionais liberais e empresários mais inteligentes, até porque 99% do que é transmitido nas rodas de amigos não é mais do que o relato do que foi consumido na imprensa em geral e na televisão.

ADERIR À DIVERSÃO

Os anos de confinamento em escritórios e consultórios nos dias úteis faz com que aquele entusiasmo juvenil se perdesse. De repente, o simples sentimento de prazer pela vida se torna perdido, a sisudez requer um sedentarismo psicológico de descanso e apatia que não espanta, nas horas de lazer, a racionalidade e à seriedade extrema do dia-a-dia profissional.

Com isso, empresários, médicos, advogados, economistas etc acabam juntando o cansaço de não quererem se divertir com a vontade de transformar o lazer num "serão extra" mais informal, quando muito para fazer propaganda informal de seus trabalhos profissionais, além do pedantismo pseudo-culto nos bate-papos.

Essa rotina não contribui para estimular nem deteriorar o rendimento profissional, mas faz do lazer um desperdício, porque ele poderia ser melhor aproveitado adotando o mesmo tipo de diversão dos tempos em que tais pessoas eram calouras da faculdade.

Rir alto, ouvir músicas agitadas, correr, brincar sem precisar de uma criança ou adolescente por perto, exercer o máximo de senso de humor, tudo isso faz diferença. Por que não fazer isso, mesmo já tendo 61 anos de idade? Muitas vezes a "perda da vitalidade" é pura frescura, preguiça de sedentário ou algum desânimo que sobrou de um antigo luto pela perda de um amigo querido.

A pretensa erudição de querer bancar o informado de tudo, num tempo em que ser informado é banal, se tornou supérfluo. Também não adianta quebrar a sisudez com "brincadeiras de adulto", como jogar baralhos, praticar golfe ou tênis, ou de bancar o passivo reduzindo-se a mero espectador de partidas esportivas.

Fala-se mesmo de jogar pebolim, encarar jogos eletrônicos, ver filmes humorísitcos mais hilários, correr sem compromisso pelo jardim, gritar, dar gargalhadas, dançar músicas agitadas. Sim, músicas agitadas, não apenas a mesmice de orquestras de swing, mas de músicas mais agitadas ainda. E daí um médico de 55, 61 anos ouvir Rock Brasil, que preconceito é esse de não encarar um sonzão desses?

É preciso perder o medo de retomar o astral juvenil, não como uma forma de saudosismo, mas como um meio de trazer a juventude para o presente. Afinal, o sentimento juvenil também pode envelhecer, em vez de se deixar o espírito juvenil "morto" em algum momento da puberdade.

Romper com o sedentarismo psicológico é tão benéfico que faz até mesmo as pessoas se esquecerem do grisalho de seus cabelos, permitindo recuperar o astral, quebrar a rigidez, se tornar mais humanos. Isso traz uma grande diferença não só para a vida profissional e os negócios, como faz as relações humanas se tornarem melhores.

E isso, comprovadamente, é muito melhor do que ver executivos, empresários e profissionais liberais discutindo política numa festa de aniversário. Nem todo lugar pode ser uma reunião da ONU e festas não são feitas para torneios de pretensas erudições político-culturais.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

TICIANA VILLAS-BOAS CASOU NO RELIGIOSO


Depois de se casar no civil, a belíssima jornalista da TV Bandeirantes, a baiana Ticiana Villas-Boas, reforçou seu estado civil de casada com a cerimônia nupcial numa igreja em São Paulo.

E mais: seu marido economista agora também é empresário, o que sugere que, no Brasil, o SEBRAE é o "santo casamenteiro" dos homens brasileiros.

Claro, se fulano é empresário, profissional liberal ou executivo, pode escolher a mulher com quem namorar, noivar ou casar no Brasil.

Mas se fulano é servidor público, por exemplo, isso, no "mercado" da vida amorosa, é o mesmo que ser "pé rapado". Se for zineiro, blogueiro, ou exerce qualquer função mais modesta - para não dizer a de um contínuo, por exemplo - , o status também não é lá dos melhores.

Pior é que no Brasil as que sobram como solteiras, na maioria das vezes, são mulheres vulgares, quando apresentam alguma beleza, ou mulheres meramente cafonas, quando são "pobres mortais". E se o rapagão "mais simples", mesmo com uma personalidade diferenciada, sofrer a pressão não só de amigos, mas também de internautas nas redes sociais, a coisa piora mais ainda.

Isso porque, num país machista como o Brasil, ainda muito conservador e provinciano, um homem não pode recusar a mulher indicada pelos outros homens. A insegurança dos machistas é tal que eles precisam ver um outro homem aceitando uma mulher apreciada pelo grupo, e esse homem precisa aceitar essa mulher, mesmo que não goste dela, para agradar a vontade dos outros, sob pena de sofrer bullying.

É terrível, porque o que um homem mais diferenciado vai fazer com uma Nicole Bahls da vida? Compare o comportamento da ex-paniquete com o da jornalista da Band para ver a diferença. A ex-paniquete cometeu gafes e declarações totalmente indiscretas sobre traições amorosas.

E olha que se fala de uma musa que o público bronco define como "sofisticada", que é a Nicole Bahls, que teve fotos publicadas até no portal Egotastic etc. Imagine se compararmos também com as "modestas" Geisy Arruda e Maíra Cardi? Se com Nicole Bahls a casa vai logo abaixo, imagine com as outras.

Quem é que quer namorar uma mulher que acha "legal" mostrar o controle remoto de um vaso sanitário? Ou uma mulher que só fica se "mostrando demais" em qualquer ocasião? Isso não é questão de ciúme, mas uma questão de respeito com o corpo que as "boazudas" não têm, sendo mais uma questão de exibicionismo barato, de falta de auto-estima mesmo.

Um homem legal, no Brasil, é condenado a namorar apenas moças nada legais, que vão aos piores eventos musicais - ver ídolos do breganejo, axé-music e sambrega, para não dizer forró-brega e "funk carioca" - ou a tolerar o exibicionismo pseudo-sensual de certas moças. Isso quando elas não falam bobagens nas conversas entre os amigos.

Sim, um homem que deseja ter uma mulher para trocar ideias, viver uma vida a dois, construir um lar e uma vida de trabalho não pode ter a mulher que deseja. Mas é "aconselhado" pela sociedade machista e seus troleiros "donos da verdade" a pegar qualquer uma que surge no caminho, só porque os outros adoram ou porque o status quo diz que elas "estão em alta".

Afinidade pessoal não conta. Não conta qualquer missão na vida. A fauna machista, troglodita e troleira, no entanto, não quer saber, e seu "machismo uia" (eles respondem "uia!" quando são acusados de machismo), para eles, é que tem que prevalecer, e quem não for empresário, profissional liberal ou executivo que pegue a primeira mulher vazia ou vulgar que aparecer no caminho.

No entanto, os homens de bem não se intimidam com essa ameaça de bullying da "galera" que ainda vive nos tempos da pedra lascada e preferem ficar sozinhos. Se mulheres como Ticiana Villas-Boas estão casadíssimas, não serão as Maíra Cardi, Nicole Bahls e Geisy Arruda que trarão alguma compensação. Pelo contrário, elas representam prejuízo na certa. Melhor seguir o ditado "antes só que mal acompanhado".

sábado, 27 de outubro de 2012

JORNAL NACIONAL PODE SER PROCESSADO POR CAMPANHA IRREGULAR


Da mesma forma que, em Salvador, a Rádio Metrópole - do pseudo-esquerdista Mário Kertèsz - foi denunciada por campanha irregular a favor do candidato petista Nelson Pelegrino, o Jornal Nacional, com outro propósito, realizou também uma campanha irregular, desta vez desmoralizando o Partido dos Trabalhadores.

O programa é produzido pela TV Globo do Rio de Janeiro - com exceção do quadro da previsão do tempo, feito em São Paulo - , mas suas edições recentes têm sido feitas como forma tendenciosa de enfraquecer a campanha de candidatos petistas no segundo turno das eleições para prefeito deste ano.

Na edição de ontem, segundo noticiou a Folha de São Paulo, o Jornal Nacional dedicou 18 dos 32 minutos de seu programa (desconta-se o tempo dos intervalos) para a cobertura do final do julgamento do esquema do "mensalão" no Supremo Tribunal Federal.

Foram oito reportagens sobre o julgamento, incluindo frases "memoráveis", votos de ministros aos condenados e quem foi absolvido, além dos atritos verbais entre o relator Joaquim Barbosa e o revisor Ricardo Lewandovsky. Todavia, as notícias correspondentes à condenação dos reus e à absolvição pelo empate dos votos não foram muito além de três minutos.

A natureza da cobertura deixou clara a visão do telejornal contrária ao Partido dos Trabalhadores, como se fosse uma extensão da campanha eleitoral do PSDB. A ilegalidade expressa nesse ato, portanto, é prevista na Lei 9.504/97, conhecida como Lei Geral das Eleições, que, em seu artigo 45, caput, determina que:

Caput – A partir de 1o de julho, ano da eleição, é vedado às emissoras de rádio e televisão, em sua programação normal e noticiário, conforme incisos:

III – Veicular propaganda política, ou difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, a seus orgãos ou representantes;

IV – Dar tratamento privilegiado a candidato, partido ou coligação;

V – É vedado às emissoras de rádio e televisão, em sua programação normal e noticiário, veicular ou divulgar filmes, novelas, minisséries ou qualquer outro programa com alusão ou crítica a candidato ou partido político, mesmo que dissimuladamente (…).


A citação do Partido dos Trabalhadores, de forma depreciativa, torna-se um crime eleitoral, pois o Jornal Nacional demonstrou o claro interesse de depreciar o partido, contrariando a imparcialidade que os veículos de comunicação devem exercer conforme a lei.

BLOGUEIRO ENTRA COM REPRESENTAÇÃO CONTRA A GLOBO

O blogueiro Eduardo Guimarães, do Movimento dos Sem-Mídia, decidiu entrar, no Ministério Público Federal e no Ministério das Comunicações, com uma representação contra a TV Globo em cada instituição, pela prática de crime eleitoral.

A justificativa é que o Jornal Nacional, considerado um dos principais programas jornalísticos formadores de opinião na sociedade brasileira, estaria influenciando os eleitores a não votarem nos candidatos do PT, através de uma associação do partido ao esquema do "mensalão".

Independente de haver ou não a participação do PT na corrupção de Marcos Valério, a prática do JN demonstra-se ilegal, porque não é de sua competência influir para as pessoas pensarem se o PT presta ou não. Os meios de comunicação não podem influenciar contra ou a favor de candidatos.

Embora as representações do Movimento dos Sem-Mídia sejam feitas a poucos dias da votação em segundo turno, o caso pode ser apreciado pela Justiça. Eduardo Guimarães pede o apoio dos cidadãos à sua iniciativa, como forma de impedir mais um caso de impunidade através do poder econômico de uma corporação midiática.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

SITUAÇÃO DA TRANSMIL PRENUNCIA TRAGÉDIA



Alvo de inúmeras queixas e acusada de inúmeras irregularidades, a Turismo Trans1000, dizem muitos queixosos, só continua circulando por relações de corrupção junto ao DETRO.

Com um quadro acionário estranho, que já teve um sócio assassinado por motivos políticos, há três anos atrás, a empresa, sediada em Mesquita, na Baixada Fluminense, opera com uma frota bastante velha e já não consegue mais comprar sequer carros de segunda mão. 
 
Consta-se que seus sócios são "peixe grande" ligados a poderosas elites da Baixada Fluminense. Daí que nenhuma punição séria nem mesmo cassação de linhas ocorreu na Transmil, causando desconforto e apreensão nos vários passageiros que utilizam as linhas da empresa em Nilópolis, Mesquita e Nova Iguaçu com destino Rio de Janeiro.

Com veículos rodando com pneus carecas e freios com defeito, a Transmil, numa época em que a inchada 1001 sofreu uma tragédia num acidente na Rio-Teresópolis, pode estar prenunciando uma grande tragédia, já que a empresa circula na movimentada Av. Brasil, com seus veículos velozes e curvas perigosas.

Os ônibus da Transmil circulam em alta velocidade, vários deles com problemas nos freios e pneus carecas. Tudo isso é um pano de fundo para uma futura tragédia. É bom as autoridades começarem a tomar alguma medida que representasse a extinção da empresa e a proibição de seus sócios de investir em outra empresa de ônibus.
 
Vários passageiros já sentem esse pressentimento da terrível tragédia que pode haver com um ônibus da Transmil, podendo causar várias mortes, tudo por conta das péssimas condições dos veículos já em idade útil vencida da empresa.

A situação é muito grave e não pode ser ignorada.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A FALTA DE COMPOSTURA DAS "EX-SISTERS" DO BBB


Mais uma para alimentar a mediocridade cultural que assola nosso Brasil. E, mais uma vez, com uma ex-integrante do Big Brother Brasil, que se conhece como "sister".

Desta vez é a Fabiana Teixeira mostrar um banheiro (!), no caso o de um barco, semanas depois de Maíra Cardi  mostrar um controle remoto do vaso sanitário de sua casa.

Tomadas de estrelismo, mas tentando parecer "legais" (?!), as ex-BBBs andam cometendo atitudes bastante indiscretas e exibicionistas, e divulgam isso de forma aberta e irresponsável nas redes sociais.

Maíra Cardi já havia feito seu exibicionismo num aeroporto carioca tentando parecer forçosamente sexy, isso quando musas realmente sexy como Deborah Secco e Juliana Paes se tornam mais discretas em tais situações.

Por outro lado, outra ex-BBB, Laísa Portela, deitou-se no chão de um supermercado em Orlando, na Flórida, feliz por ter visto uma seção de guloseimas. A atitude, além de um exibicionismo tolo e desnecessário, é anti-higiênica, por razões óbvias.

Pior é que essas "famosas" têm idade para ter o que popularmente se chama de "semancol". Fabiana Teixeira tem 36 anos, só alguns meses mais nova que a atriz Reese Witherspoon, por exemplo. Maíra Cardi tem 29, fará 30 no segundo semestre do ano que vem. Laísa Portela tem 24 anos.

Portanto, são idades em que tem gente se formando em mestrado, exercendo cargos de liderança, lendo livros sobre ciência política, expressando inteligência mesmo durante a maior curtição, e buscando aperfeiçoar sua compreensão analítica da realidade.

No entanto, essas moças, nessa mesma faixa etária, cometem gafes piores do que muita criança de 12 anos com alguma alienação mental e um senso moral atrofiado. Como se já não bastasse o narcisismo obsessivo nas noitadas, que "marcou" as ex-BBBs Priscila Pires, Anamara e similares, que sem terem o que dizer ficam se afirmando apenas pelo corpo e pela diversão mais vazia e sem utilidade social.

Atitudes assim não fazem elas se tornarem mais "legais" ou "mais gente". Se nós erramos na vida, é natural. Mas cometer gafes de propósito e adotar um comportamento patético assumindo os riscos do ridículo pode repercutir de forma negativa, como já repercute.

É só ver as redes sociais e os diversos fóruns de Internet para perceber o quanto as "ex-sisters" estão em baixa. Muita gente, incluindo rapazes, acha elas umas "malas sem alça". Elas são duramente criticadas por suas gafes.

E pensar que teremos mais um Big Brother Brasil. Haja paciência.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

JESSICA BIEL SE CASOU


Definitivamente, uma geração de atrizes já se tornou casada. Depois de Natalie Portman, Blake Lively, Anne Hathaway, Amber Tamblyn ou outra que talvez me escape da memória, foi a vez de Jessica Biel se casar com o ator e cantor Justin Timberlake, na última semana.

Sim, moças atraentes, que possuem um bom conceito e uma personalidade que pode até não ser sofisticada mas é suficientemente legal para um convívio interessante, se comprometem cada vez mais.

Em contrapartida, temos uma Nicole Bahls que, apesar de oficialmente "super-desejada" pelos homens, está "encalhada" e à procura de um "cara bem legal". Isso depois de cometer gafes - como falar escancaradamente sobre sexo anal - além de um perfil que nada tem de interessante, só para fazer um comentário mais educado.

Isso porque os caras bem legais não querem ir a eventos de breganejo e sambrega, da mesma forma que nenhum nerd iria pegar uma mulher dotada de grandes bolsas de silicone. Se é para pegar mulher-borracha, melhor juntar dinheiro e comprar pela Internet alguma boneca inflável à venda. Se a boneca inflável não é inteligente, ao menos não comete gafes.

No exterior, até temos novas solteiras de qualidade como Katie Holmes, Melanie Lynskey e Scarlett Johansson. Três mulheraças. Mas os redutos da mediocridade cultural e do sensacionalismo midiático acham que a "solteira da temporada" é uma tal "dona de casa de Beverly Hills", Adrienne Maloof, cuja separação de seu marido Paul Nassif só serve mesmo para uma piadinha brasileira: "Maluf não combina com Nassif". Quem é do círculo dos blogueiros progressistas sabe do que se está falando.

As que mais se separam entre as famosas são justamente aquelas surgidas em reality shows. Real Housewives para cá, Bacherolette para lá. Claro que o contexto de personalidade medíocre é diferente, já que aqui temos as mulheres que "mostram demais" e vão a eventos com breganejos, sambregas e funqueiros. Mas lá o superficialismo não deixa de ser preocupante.

Imagine uma moça surgida num "riélite" norte-americano ir para uma boate só para dizer coisas como "This is a nightclub and this is me. This place is very important because I'm here" ("É uma boate e esta sou eu. Este lugar é muito importante porque eu estou aqui"). Ou uma socialite que se preocupa mais no seu vestuário e na sua cosmética e não mostra ideias interessantes.

Vocês leem uma notícia do casamento de Amber Tamblyn com uma banda tocando músicas de Yo La Tengo e Superchunk e fica babando. O que uma ex-BBB brasileira tocaria, na melhor das hipóteses, numa festa? Exaltasamba? Bruno & Marrone? E uma "dona de casa de Beverly Hills" iria tocar o quê? Barry Manilow?

Fica muito complicado. É verdade que existem solteiras bacanas no Brasil e no mundo. O problema é que elas são poucas, muito poucas. As solteiras restantes parecem ver nos seus defeitos as suas maiores qualidades e se tornam insuportáveis para convívio, pela sua superficialidade e pela sua mediocridade. E ficam mais preocupadas com seus corpos do que em mostrar uma personalidade no mínimo interessante.

Por isso é que quando uma mulher bacana se casa, isso causa muita apreensão.

domingo, 21 de outubro de 2012

"AVENIDA BRASIL", INTELECTUAIS E O PODERIO DA REDE GLOBO



Convenhamos uma coisa. Deve-se abandonar a visão ingênua de que o grande público é manipulado pelos cronistas políticos da imprensa.

O "povão" nem de longe se sente influenciado por eles. Para ele, Miriam Leitão soa muito rebuscada. Reinaldo Azevedo nem chega a ser lido, mesmo com exemplares da Veja jogados em consultórios, clínicas, barbearias etc. Arnaldo Jabor, então, fala com as paredes diante de um público que nem chega perto do "sofisticado" Jornal da Globo.

Quando muito, William Bonner estabelece seu poder de influência no grande público. Ele é, talvez, o único representante dos "urubólogos" com segura penetração no grande público, através de seu Jornal Nacional. De resto, são apenas patrícios querendo falar com seus pares, resmungando contra as transformações sociais ocorridas no nosso país.

O que influencia mais na manipulação do grande público é o entretenimento midiático e comercial dito "popular". Mas contestá-lo ainda é um grande tabu, mesmo na intelectualidade e nos setores medianos de esquerda.

Evidentemente, muitos intelectuais frequentam botequins, uns usam drogas, outros se embriagam e boa parte deles fuma. Eles também querem patrocínios para suas atividades acadêmicas, até mesmo de multinacionais, e pagam salários e encargos trabalhistas para empregadas domésticas que assistem à TV paga e ouvem rádio.

Daí um certo castramento na análise dos problemas nacionais, um certo retraimento que se mostrou evidente com o fenômeno de audiência Avenida Brasil, que atingiu um índice de audiência comparável a O Direito de Nascer, novela da TV Tupi de São Paulo levada ao ar em 1964, chegando mesmo a esvaziar as ruas das cidades brasileiras.

Não se contesta a "cultura de massa", no Brasil, porque ela representa, para parte de nossa intelectualidade, uma utopia de "evolução sócio-econômica" que os europeus não têm. Em nome do corporativismo intelectual, que em nome das verbas públicas e privadas não se critica o estabelecido, e de uma certa condescendência paternalista com o povo, apoia-se tudo o que parecer "popular".

A novela Avenida Brasil, da Rede Globo, admite-se, é uma ficção bem feita no sentido da dramaturgia. Mesmo com suas falhas, o enredo funcionou bem e o elenco foi impecável. Teve desde a beleza deslumbrante de Débora Falabella e seu cabelo de corte "joãozinho" até a figura agressivamente bonachona de José de Abreu, na verdade uma figura destacada nos meios progressistas.

No entanto, a novela, dentro do projeto ideológico de entretenimento da Globo, não foge à regra manipulativa da emissora. A chamada "classe C", trabalhada pela novela na carona dos relativos avanços sócio-econômicos da Era Lula, era trabalhada dentro de um estereótipo politicamente correto que a fazia mais próxima dos "pobres emancipados" e dos "novos ricos" da Era FHC.

É de praxe, por exemplo, a inclusão do "núcleo pobre" na novela, sempre associado à alegria e uma certa "auto-suficiência" para resolver os seus problemas. É uma visão que deslumbra os nossos intelectuais mais paternalistas, porque no espetáculo midiático, no qual eles foram educados, sobretudo quando eram crianças nos tempos da ditadura, o papel do povo pobre é ser este, de misturar resignação social com ingenuidade.

Esses intelectuais, embora tentem se julgar "anti-Rede Globo", em muitos momentos assinam embaixo no que a Globo veicula como "cultura popular". E assim reafirmam o poderio das Organizações Globo, sobretudo quando endossa gírias como "balada" (cortesia de Luciano Huck) e "galera" (cortesia de Fausto Silva), quando exalta o "funk carioca", quando "brinca" de odiar Galvão Bueno, mas compartilha de seu fanatismo ao futebol.

Essa intelectualidade até superestima o papel das novelas de "interpretação da realidade". O medo é que façam o mesmo com os reality shows, numa futura blindagem ao Big Brother Brasil. Para piorar, esses intelectuais, dotados de muita visibilidade, não veem diferença entre discurso científico e divagações textuais "pós-modernas", apesar de exigir dos outros a "objetividade científica" que eles mesmos não adotam.

Novelas são apenas entretenimento. Bastante válido, até. Mas elas não substituem a realidade, por mais que sejam influenciadas por elas. No entanto, no Brasil manipulado pela grande mídia, de tal forma que muitos nem percebem essa manipulação, faz sentido a realidade brasileira de hoje ser submetida à influência das novelas, sobretudo as "das nove", vistas pelas diversas camadas sociais.

É apenas a sobremesa de todo um processo de manipulação da grande mídia. Um problema que a intelectualidade brasileira, do contrário à europeia, ainda vê como "solução".

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

YOUTUBE PUNE USO DE SOM E IMAGEM; BLOGGER LIBERA BLOGUES CALUNIOSOS


Dois pesos e duas medidas envolvendo o Google.

Enquanto o YouTube, o portal de vídeos do Google, é bastante enérgico contra o uso de sons e imagens que ferem as leis de direitos autorais vigentes, o Blogger, também do mesmo dono, permite que sejam publicados blogues caluniosos, mesmo quando denunciados por internautas.

As medidas seguem até mesmo diferentes caminhos ideológicos. Enquanto a reprodução de sons e imagens do YouTube é proibida de acordo com o princípio do "direito à propriedade", a não repressão a blogues caluniosos segue o princípio da "liberdade de expressão".

Isso cria injustiças. Por exemplo. Digamos que alguém crie um vídeo homenageando a atriz Blake Lively. Fotos colhidas na Internet podem ser usadas, mas imagens de filmes, nem sempre. Além disso, se for usada uma trilha sonora como "Surf Rider", do grupo Lively Ones, só para fazer um trocadilho com o sobrenome da atriz, não é autorizado fazer tal homenagem, mesmo com a mais nobre das intenções.

Enquanto isso, um blogue de calúnias, verdadeiro bullying digital, pode ser feito. Um busólogo ligado a grupos políticos e que apresentou algumas posturas de extrema-direita, havia feito um blogue contra mim chamado "Comentários Críticos", onde textos meus e de meu irmão são reproduzidos de forma leviana, acrescidos do comentário bastante ofensivo de um tal "crítico", pseudônimo adotado pelo busólogo, muito conhecido no seu meio e atuante numa cidade do Grande Rio.

O blogue ofensivo já foi denunciado até pelo Ministério Público e pela Polícia Federal e mesmo o busólogo jornalista Adamo Bazani tomou conhecimento dele. Mas, mesmo assim, o Blogger não se sente encorajado sequer a banir o "Comentários Críticos", nem sequer a advertir seu responsável para que ele remova o blogue sob pena de perder sua conta no Google.

Enquanto isso, quando um fã reproduz sons e imagens sem autorização, ele é automaticamente advertido a removê-lo, sob pena de perder sua conta no Google. Um vídeo de animação é indicado para o internauta, em que um coelho com chapéu de pirata tenta reproduzir sons e imagens e é punido. Pouco importa se é, por exemplo, um vídeo comemorando o aniversário de alguém, o YouTube pune de qualquer jeito.

Por outro lado, se em um blogue ofensivo seu autor, escondido em um fake, resolver escrever que seu desafeto irá em breve "amanhecer com a boca cheia de formiga" (modo coloquial de ameaça de morte). Será que uma simples comunicação ao Blogger não irá suspender o blogue? Ou será que alguém, de boa-fé, deve imaginar que o internauta dará ao desafeto uma deliciosa fatia de bolo que deixará açúcar na boca deste?

Neste caso, será necessário algum registro criminal numa delegacia, um boletim de ocorrência que custa horas e deslocamento de lugar, se for o caso? Ou então registrar uma ocorrência que irá expor o nome do denunciante ou causar um constrangimento menos discreto que possa enfurecer o internauta infrator, num país onde as leis são brandas para certos crimes, dependendo do status quo de quem comete?

O YouTube age de forma bastante enérgica, independente do conteúdo veiculado. O Blogger atua de forma condescendente. O YouTube se comporta como os velhos diretores de escolas do século XIX. Já o Blogger se comporta como as diretoras de escolas dos anos 80, que achavam que bullying era brincadeira de amigos, costume que prevaleceu até que casos de homicídios, inclusive chacinas, e suicídios ligados a esse cenário de humilhação vierem à tona, nos anos 90.

O YouTube pune rapidamente quem reincidir coma reprodução não autorizada de sons e imagens. Não é preciso qualquer ação judicial. Já para o Blogger remover um blogue considerado caluniador, é preciso que se mova uma ação judicial dentro das normas de cada país, com o risco do denunciante se expor ao caluniador que, sabendo da denúncia criminal, pode cometer represálias maiores.

Fica aqui uma crítica construtiva ao Google, para rever estas posturas, até porque blogues ofensivos como o "Comentários Críticos" nem para liberdade de informação servem, sendo apenas um grande desperdício de espaço concedido pelo Google para que certas pessoas criem espaços de ofensas contra outrem.

Existe uma séria diferença entre fazer críticas, parodiar e ofender. As duas primeiras práticas podem até mesmo contrariar os interesses de alguém, mas não vão além dos limites da moralidade e do bom senso. Já ofender alguém, se utilizando de uma linguagem zombeteira e agressiva, vai contra a ética e à moralidade, e já é juridicamente reconhecido como Crime na Internet.

É bom o Google rever estas posições do YouTube e do Blogger, buscando um equilíbrio entre a liberdade e a responsabilidade.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

REVISTA BRAVO E O DESLUMBRAMENTO COM A "CULTURA DE MASSA"


A intelectualidade dominante, sorospositiva - recebe uma boa gorjeta de George Soros e asseclas - , aproveitou a comemoração de 15 anos da revista Bravo, da Editora Abril, para reafirmar seu conceito de "cultura brasileira", dentro de paradigmas tecnocráticos e mercantis.

Teve direito a glorificação do "cinema de ação" por José Geraldo Couto, animado com o sucesso de Tropa de Elite 1 e 2, e mais animado ainda porque o cinema brasileiro assimilou os paradigmas de Hollywood.

Há também o deslumbramento ao que o establishment pensante brasileiro entende por "cultura independente", superestimando a crise das grandes gravadoras e achando que tudo o que está fora dela é "indie", quando vemos nelas o mesmo padrão de trabalho e lucro das grandes gravadoras.

O deslumbrado, neste caso, é José Flávio Júnior, que havia feito sua choradeira pelo "funk carioca" e pelo tecnobrega, que por sinal simbolizam a tal "cultura da periferia" que outro jornalista, Marcelo Rezende - não é o policialesco e ex-Globo, mas outro que trabalha na Bravo - , glorificou em outro texto que, no caso, investe na glamourização da pobreza tão conhecido por nós.

Rezende evitou citar o "funk carioca", hoje muito criticado pela opinião pública (inspirou até mesmo a campanha pelos fones de ouvido), mas investiu em clichês como elogiar até mesmo os sucessos tocados todos os dias nas rádios, esquecendo que essas emissoras "populares" são muitas vezes controladas por poderosas oligarquias, aliadas do latifúndio e do conservadorismo político.

Mas em outros tempos a mesma Bravo havia exaltado o "funk carioca", sobretudo nos tempos do "fenômeno" Deise Tigrona, com direito a uma reportagem que usa e abusa dos clichês narrativos do New Journalism de Tom Wolfe e da Teoria das Mentalidades de Marc Bloch. Só que Bravo não é Realidade e o "funk carioca" não é a Tropicália.

Há outros textos, aparentemente corretos, mas que se inserem na gororoba retórica que a intelectualidade dominante desenvolve, defendendo a mercantilização da cultura brasileira com um discurso pós-moderno e pseudo-vanguardista, usando como pretextos "as novas mídias" e "os novos valores". Um discurso que, em 1994, encaixaria perfeitamente no programa do PSDB.

Ronaldo Lemos fez a introdução, reforçando esse discurso deslumbrado, feliz porque o "real" na cultura brasileira se mistura com o "virtual", bem de acordo de uma perspectiva intelectual que contraria, e muito, com o senso de desconfiômetro que anima os círculos intelectuais europeus, onde não há o menor medo de contestar fenômenos estabelecidos.

Aqui há a dependência de verbas estatais e de investimentos privados - sobretudo de multinacionais e principalmente de "fundações" estrangeiras financiadas pela CIA, fato visto com galhofa por esses mesmos intelectuais - e isso faz com que nossos "pensadores" da cultura troquem a capacidade de análise crítica das coisas pelo deslumbramento apoiado numa verborragia academicista.

O Brasil mergulha num processo de mercantilização da cultura que irá sufocar, a longo prazo, as manifestações artísticas autênticas, na medida em que se glorifica e glamouriza a mediocrização cultural, eleva-se a vaia pública como se fosse um atestado de reconhecimento artístico e mistura alhos com bugalhos além de equiparar os ricos barões do entretenimento em gente tão pobre quanto um engraxate de rua.

E, embora esse ponto de vista seja usado no proselitismo na mídia esquerdista e figuras ou instituições como Ronaldo Lemos e o Coletivo Fora do Eixo sejam paparicados pelas esquerdas medianas, ele aparece aqui livre, leve e solto num veículo da Editora Abril.

Pois é a mesma editora cuja edição recente de Veja havia publicado um texto grosseiro de Eurípedes Alcântara sobre Eric Hobsbawm, intitulado "Foi-se o Martelo", já que a revista fez violentos ataques ao falecido historiador.

Aqui não se vê uma diferença essencial entre um jornalista depreciar as personalidades de esquerda e um outro glorificar ídolos do brega-popularesco. Dá no mesmo, embora o primeiro adote um discurso "negativista" e outro um discurso mais "otimista". Isso porque ambos defendem o poderio do "deus mercado" de qualquer maneira. Apenas mudam a maneira de expressar essa defesa.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

AS ARMADILHAS DO MCDONALD'S


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Lanchar no McDonald's, em qualquer cidade brasileira, passou a ter um gosto muito amargo nos últimos 20 anos. A filial brasileira da rede norte-americana, personificada pelo palhaço Ronald McDonald, é uma das piores empresas instaladas no Brasil, pois descumpre violentamente vários direitos trabalhistas, e além disso seus proprietários nem se dão ao luxo de comparecerem aos julgamentos ou depoimentos criminais.

A empresa parece ainda viver no começo da Revolução Industrial (século XVIII), em matéria de encargos e garantias sociais. E as diversas denúncias de seus ex-funcionários apontam para humilhações de gerentes contra acidentes de trabalho cometidos pelos funcionários já pressionados pelo trabalho escravista da empresa. Até gestantes são humilhadas e não recebem direitos sociais da empresa, sendo demitidas sumariamente.

É difícil amar tudo isso que a McDonald's faz contra seus funcionários. A empresa tem um desempenho vergonhoso no setor de fast food existente no Brasil, como se não bastasse uma lanchonete se autoproclamar "restaurante".

As armadilhas do McDonald's

Por Michelle Amaral - jornal Brasil de Fato

Atraídos pela chance do primeiro emprego, milhares de jovens brasileiros procuram a rede de restaurantes fast food McDonald´s para trabalhar. Eles buscam a oportunidade de iniciar a vida profissional e conquistar independência financeira. No entanto, pela pouca maturidade e falta de experiência, esses jovens se veem submetidos a condições irregulares de trabalho e têm usurpados seus direitos básicos.

“O McDonald´s tem essa imagem do primeiro emprego, [na contratação] eles passam uma coisa totalmente diferente do que é”, afirma Tatiana, que ingressou na rede de fast food com 16 anos e lá viveu uma das piores experiências de sua vida, que lhe traz consequências até hoje.

Aos 18 anos, Tatiana escorregou no refrigerante que havia escorrido de uma lixeira quebrada, caiu e sofreu uma séria lesão no joelho. Com fortes dores, a jovem foi levada para o gerente da loja. “Ele falou: ‘passa um Gelol e põe uma faixinha que sara’”, relata. Era final de ano, o restaurante estava lotado e Tatiana foi orientada a continuar trabalhando até o final do expediente. Após dois dias, sem conseguir andar, Tatiana procurou o médico, que diagnosticou o rompimento da rótula de seu joelho direito e indicou a necessidade de uma cirurgia.

Segundo ela, ao procurar o McDonald´s para informar as consequências da queda, nada foi feito pela empresa que, inclusive, se negou a emitir um Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT). “Eu fui ao INSS e perguntei como podia fazer esse CAT. Me deram o papel e mandaram eu ir até o McDonald´s”, conta a jovem, que afirma ter sido orientada pelo gerente a não informar a data correta do acidente para que não resultasse em multa para a loja. Ela ainda denuncia que a gerência sabia do defeito na lixeira, mas não a consertou para evitar gastos, resultando em seu acidente.

De lá para cá, a trabalhadora viveu sob intenso tratamento médico e teve que procurar reabilitação profissional por meios próprios, já que não podia exercer as mesmas funções e o McDonald´s se recusou a adaptá-la em outra área da empresa. Ela se formou em Direito e realizou estágio em um escritório de advocacia. Com isso, após 11 anos do acidente, Tatiana conseguiu a carta que a declara ser pessoa portadora de deficiência física e dá o reconhecimento de sua reabilitação pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

Hoje, aos 34 anos, Tatiana anda com o auxílio de uma muleta. Já passou por três cirurgias e necessita, ainda, realizar mais uma. No entanto, em março deste ano, ao tentar passar por uma consulta médica para agendar o procedimento, a trabalhadora foi informada do cancelamento de seu plano de saúde. O motivo foi a conclusão em janeiro da rescisão indireta do McDonald´s, solicitada pela trabalhadora em 2009. “O McDonald´s deveria ter comunicado ela [sobre o cancelamento da assistência médica], porque a lei diz isso, mas não comunicou, simplesmente cancelou”, protesta Patrícia Fratelli, advogada da trabalhadora.



De acordo com a Lei nº 9.656 de 1998, regulamentada pela Resolução Normativa nº 279 da Agência Nacional de Saúde (ANS), no caso de rescisão do vínculo empregatício é assegurado ao trabalhador “o direito de manter sua condição de beneficiário, nas mesmas condições de cobertura assistencial de que gozava quando da vigência do contrato de trabalho, desde que assuma o seu pagamento integral”. “Eu tinha condição de pagar o meu convênio, o McDonald´s tinha que ter me dado essa opção, porque agora perdi a carência e nenhum convênio vai me aceitar”, desabafa Tatiana, que há quase 16 anos enfrenta uma batalha judicial contra o McDonald´s para ter seu dano reparado.

Armadilha
O caso de Tatiana não é isolado. Tramitam na Justiça do Trabalho na cidade de São Paulo e região metropolitana 1.790 ações contra o McDonald´s e a Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda., franqueadora master da multinacional no Brasil e na América Latina. Somente na capital paulista são 1.133 demandas judiciais ativas por conta das irregularidades trabalhistas e o tratamento inadequado dado pela empresa aos seus funcionários, conforme levantamento feito junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região.

Entre as falhas cometidas pelo McDonald´s estão o pagamento de remunerações abaixo do salário mínimo, utilização de jornada de trabalho ilegal, falta de comunicação dos acidentes de trabalho, fornecimento de alimentação inadequada, não concessão de intervalo intrajornada, ausência de condições mínimas de conforto para os trabalhadores, prolongamento da jornada de trabalho além do permitido por lei, assédio moral e sexual. Além disso, existem denúncias de jovens que trabalharam sem serem remunerados (leia matéria, clique aqui).

No Brasil, o McDonald´s emprega hoje 48 mil funcionários, de acordo com informações publicadas em seu site. Destes, 67% têm menos de 21 anos e 89% tiveram na rede de fast food a primeira oportunidade de emprego formal. Questionado pela reportagem sobre os processos movidos contra ele, o McDonald´s disse que “não comenta processos sub judice”.

Para Rodrigo Rodrigues, advogado do Sindicato dos Empregados em Hospedagem e Gastronomia de São Paulo e Região (Sinthoresp), a oferta do primeiro emprego a esses jovens é pensada pelo McDonald´s a fim criar nesses trabalhadores o sentimento de submissão incondicional, em que o contratado acata tudo o que lhe é imposto, pela gratidão da oportunidade de trabalho. “A pessoa fica com receio de se indispor contra o tratamento que é dado na empresa. Isso é sutilmente pensado para que se chegue a essas finalidades”, alega.

A mesma avaliação é feita pelo procurador Rafael Dias Marques, coordenador nacional da Coordenadoria de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância) do Ministério Público do Trabalho (MPT). Segundo ele, a necessidade do primeiro emprego e a vontade de começar a vida profissional são vistas por alguns empregadores como uma possibilidade de fraudar direitos que são garantidos a esses trabalhadores por lei. “Muitas empresas preferem contratar os mais jovens para evitar problemas trabalhistas, para torná-los uma massa de manobra mais fácil para executar [o trabalho] sem direitos trabalhistas, sem qualquer questionamento ou um questionamento mais brando”, afirma.

O procurador explica, ainda, que a pouca maturidade torna a contratação desses jovens vantajosa para essas empresas. “São pessoas que, por ainda serem jovens, não tem o senso crítico do questionamento e de resistir a determinadas situações de lesões de direitos”, analisa.

Garantia de direitos
O advogado do Sinthoresp lembra que o jovem tem que ser visto como um ser em transformação, que necessita de cuidados que lhe assegurem uma boa formação para a vida. “O trabalho é uma condição necessária, mas deve ser implementado aos poucos, não pode ser do jeito que está, coloca o jovem lá e vamos ver o que vai dar”, pondera Rodrigues. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) permite a contratação de adolescentes a partir de 14 anos, na condição de aprendiz, e de 16 anos para o trabalho normal. No entanto, o estatuto estabelece que a eles deve ser observado “o respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento”.

Desta forma, Marques ressalta que a atividade profissional não pode ser prejudicial ao desenvolvimento físico e social destes adolescentes e jovens, seguindo o que estabelece o Decreto nº 6.481/2008. “Eles são pessoas peculiares em desenvolvimento, em fase de formação, por isso que o trabalho nessa fase da vida tem que ser diferenciado”, analisa.

O procurador alerta que, se não observados os cuidados com esses jovens, o trabalho pode lhes causar danos irreversíveis para a vida adulta. “O risco de lesão à saúde por uma situação do trabalho é muito mais evidente nessa parte da população, porque ainda que está em formação biológica”, observa. Segundo ele, “uma doença do trabalho nessa fase da vida é mais suscetível a ter continuidade, inclusive de levar ao quadro da invalidez”.

Foi o que aconteceu com Tatiana. Com o acidente ocasionado por uma negligência da empresa, teve sua vida completamente mudada. “ Tive que parar a minha vida. Fiquei um tempo sem estudar. Queria fazer enfermagem e o médico falou que eu nunca poderia ser enfermeira, porque não podia ficar em pé”, conta.

sábado, 13 de outubro de 2012

O VELHO DISCURSO DAS "NOVAS MÍDIAS"


Nas esquerdas medianas, há um discurso conhecido que superestima o poder transformador das "novas mídias".

Para esse discurso, as "novas mídias" são vistas como fator determinante em si para as transformações sócio-políticas da humanidade, como se algo revolucionário estivesse necessariamente ligado a essas novas tecnologias.

O discurso é atraente, altamente sedutor e quem adotá-lo em sua palestra seguramente arrancará aplausos entusiasmados e gritos de euforia. No entanto, o discurso é dotado dos seus mais diversos e graves equívocos.

Em primeiro lugar, porque ela superestima uma ideia que foi lançada há 50 anos pelo teórico da Comunicação Marshall McLuhan, que hoje soa muito controversa, a de que o meio é a mensagem. Analisando a tese de que um meio de comunicação não se define em si, mas pelas transformações que provoca na sociedade, Marshall, segundo seus adeptos, acabou prometendo o paraíso terrestre através da "aldeia global" de várias "tribos" se comunicando entre si, tecnologicamente interligadas.

O discurso, que havia sido moda nos anos da Contracultura norte-americana (1960-1969), com reflexos em outros países ao longo dos anos 60 e com leve repercussão no Brasil (1966-1972), voltou a ser evocado, com a devida atualização, através das transformações políticas e tecnológicas ocorridas entre 1989 e 1994.

Os "novos tempos", a "nova ordem mundial", foram anunciados na virada dos anos 80 para os 90 como uma nova era de transformações profundas na sociedade. De repente, pensou-se que uma revolução sem precedentes na humanidade passou a ocorrer através de uma junção de episódios como a queda do Muro de Berlim, a popularização da Internet e a globalização da economia.

O discurso tão atraente e sedutor, que gerou uma perspectiva por demais otimista, acabou ficando aquém das expectativas. O tão sonhado avanço social, político, cultural e econômico através das novas redes não foi além de pequenas transformações pontuais, como algumas facilidades que, de fato, foram obtidas pelas novas tecnologias ou pela mundialização da economia.

Mas aquela revolução social "sem precedentes", que prometia, aos olhos da esquerda mais débil, uma síntese entre a Revolução Francesa, a Revolução Cubana e a Contracultura em tinturas ciberpunks, essa de fato não aconteceu.

QUE "ESQUERDISMO"?

A bronca que aqui se faz à intelectualidade dominante é sobre que "esquerdismo" que elas defendem, um "socialismo" esquizofrênico, influenciado pelas pregações dos professores ligados ao PSDB, de cuja associação a hoje "esquerda média" tenta se desvencilhar a todo custo, ainda que de forma envergonhada.

Afinal, o discurso de "novas mídias" e "nova ordem mundial", essa coisificação das transformações sociais como se as novas tecnologias fossem o emissor, e não o meio, de qualquer mobilização social, cultural e política, é corroborado pelos mais diversos especialistas vinculados claramente à ideologia neoliberal que as "esquerdas médias" dizem abominar seriamente.

Um exemplo disso é o historiador Francis Fukuyama, que quando anunciou o chamado "fim da História", havia superestimado o papel de episódios como a queda do Muro de Berlim e a globalização econômica, sem observar que antigos problemas apenas dão lugar a novos problemas, na sociedade ainda complexa em que vivemos.

Não dava para prever a crise europeia - a União Europeia e, mais tarde, a implantação do Euro como moeda única de quase todos os países européus, eram vistos com o otimismo aparentemente inabalável de soluções tidas como infalíveis - nem o atentado ao World Trade Center, episódios surgidos depois da euforia dos anos 90.

É até gozado ver que intelectuais brasileiros que falam mal de Francis Fukuyama trabalham o mesmo discurso de "transformações sociais". Li o livro O Fim da História e o Último Homem e muitas ideias do historiador norte-americano encaixam no discurso "libertário" da intelectualidade etnocêntrica ou de militantes de organizações como o Coletivo Fora do Eixo.

Se autoproclamando "esquerdistas revolucionários", suas ideias estão muito mais próximas de Fukuyama do que de Ernesto Che Guevara. E a ideia de "novas mídias", como se acreditassem na twitterização do socialismo ou numa "primavera digital", acaba os colocando numa situação bem delicada.

Afinal, eles criam fantasias às custas de seus pontos de vista. E essas fantasias são desmentidas pela realidade, como o fato de que, na Internet brasileira, há uma demanda assustadoramente grande de jovens internautas reacionários, os chamados "troleiros" (trollers, em inglês), em muitos casos defendendo pontos de vista retrógrados vinculados à política e à grande mídia.

Isso sem falar que a tese das "novas mídias", da coisificação dos movimentos sociais em processos robóticos corresponde ao já gasto discurso da Informática, de cunho meramente tecnocrático, que em si não resolve a questão dos movimentos sociais. O velho discurso das "novas mídias" é tão anacrônico quanto o de que a globalização irá unir a humanidade numa multidão de aldeias hiperconectadas.

O próprio Noam Chomsky, renomado linguista e professor universitário, mas atuante cronista político dos nossos dias, adota uma postura muito cética quanto à globalização e vê o cenário político mundial como uma extensão de velhos interesses capitalistas, que não foram superados com os episódios de 1989-1990 nem com a chamada globalização na economia e na tecnologia.

O que devemos levar em conta é que existe uma diferença entre reconhecer as facilidades das novas tecnologias e entregar a elas o poder de transformação social. A tecnologia material, em si, não é o bem nem o mal e por isso não é capaz de causar grandes transformações sociais em si.

Até hoje, e talvez para sempre, são as tecnologias naturais da mente humana as únicas capazes de realizar as transformações sociais. Pouco importa se com o Twitter se poderá dizer muito com poucas palavras para o mundo inteiro. Pouco importam os e-mails, as redes sociais digitais e os fóruns. Se não tivermos a consciência mobilizatória, tudo isso será inútil.

E, infelizmente, é, pois as redes sociais, no Brasil, tornaram-se o reduto dos mais entusiasmados defensores do "estabelecido" previamente pela mídia e pela política dominantes. Há gente ingênua e gente reacionária, os primeiros acreditando em valores retrógrados, os segundos reagindo de forma violenta, como num bullying digital.

Daí que a intelectualidade dominante não precisa viajar para Nova York ou Davos para notar a falência do seu "novo" velho discurso. Basta ter uma conta no Facebook, Twitter, Instagram etc em sua própria casa.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A QUEDA DO "AEMÃO DE FM" NO BRASIL E NA BAHIA


Nos resultados eleitorais para a prefeitura de Salvador, divulgados há poucos dias, se destacaram não apenas pela possibilidade do carlismo retornar ao poder na capital baiana, e nem pela ascensão de Nelson Pelegrino nas urnas soteropolitanas.

As eleições marcaram o fim do império midiático da "Aemização de FM", que é a adoção, na programação de rádio FM, de fórmulas desgastadas do rádio AM, como os chamados "programas de locutor" e as "jornadas esportivas", feitas pelos donos de rádio para manipularem a opinião pública.

Decaindo em todo o país, o "Aemão de FM" em Salvador tinha como principal astro o empresário Mário Kertèsz, antigo apadrinhado de Antônio Carlos Magalhães, e que havia, desde o final dos anos 90, se convertido em dublê de radiojornalista de sua própria rádio, a Metrópole FM, rádio surgida através de uma compra de veículos midiáticos de Salvador pelo dinheiro desviado dos cofres públicos.

Na primeira tentativa de voltar ao cenário político, Kertèsz não conseguiu sequer 10% dos votos, e como terceiro colocado no ranking, teve um humilhante índice de 30% a menos em relação ao segundo colocado, Nelson Pelegrino, do PT.

Para um político convertido em barão regional da grande mídia que é Mário Kertèsz, que se achava o Rei do Ibope e dono das esquerdas baianas - apesar de seu perfil ideológico ser claramente de direita - , sua performance nas urnas foi um termômetro para desmascarar a impopularidade que o pseudo-jornalista símbolo do tendenciosismo e do pedantismo da mídia baiana tem entre os baianos.

A Rádio Metrópole dificilmente esteve entre as dez emissoras FM mais ouvidas em Salvador nem entre o rádio em geral. Isso apesar de ser a emissora que mais ostenta sua sintonia nas ruas da Região Metropolitana de Salvador, já que seu principal marketing é a poluição sonora.

Kertèsz fez de tudo. Quando inaugurou a Metrópole - que antes era Rádio Cidade FM - , chegou a comprar parte da equipe da Rádio Sociedade AM, incluive o locutor esportivo Djalma Costa Lino, que não teve a mesma performance de sucesso na emissora AM. A Metrópole se comportava como uma emissora AM de terceira categoria, mas contou com um pesado esquema publicitário e um lobby que incluiu socialites e até professores universitários.

A Metrópole "requentou" a já desgastada fórmula do "Aemão de FM" em Salvador, resultado da politicagem das concessões politiqueiras orquestradas por Antônio Carlos Magalhães,  em 1987. Até 1995, a primeira geração do "Aemão de FM" tentou manipular a opinião pública com "programas de locutor" e "jornadas esportivas" dotadas do mais caricato populismo e de sérios erros de linguagem, de radialismo e até de jornalismo.

O desgaste se deu quando emissoras como a Salvador FM (do ruralista Marcos Medrado), Piatã FM, Transamérica Salvador (que chegou a lançar um clone de Gil Gomes, Estácio Alvarenga), Itaparica FM (então também de Kertèsz) e Bandeirantes Salvador passaram, com seu blablablá eletrônico, a fazerem oposição política à prefeita de Salvador Lídice da Matta, entre 1993 e 1996, por ela fazer parte da esquerda baiana.

PSEUDO-JORNALISMO

A segunda fase do "Aemão de FM" pegou carona quando o formato foi "requentado" em São Paulo, através de rádios como a Rede Transamérica, a Rádio Bandeirantes e a CBN. O "Aemão de FM" ganhou um verniz "jornalístico", e, em que pesem episódios como a Escola Base e o crime de Pimenta Neves, que mancharam o mainstream da grande imprensa, eram os anos em que o jornalismo exercia supremacia quase absoluta na opinião pública, se julgando acima dela e não a serviço da mesma.

Com isso, a Rádio Metrópole criou um novo modismo do "Aemão de FM", carregando dos pretextos de "informação" e "prestação de serviço". O "opinionismo" dos comentaristas era supervalorizado como se fosse a voz inconsciente do "cidadão", um estereótipo vago e politicamente correto que passou a dar lugar ao paradigma "povo" da fase anterior do "Aemão de FM".

Não era ainda a época da ascensão da blogosfera, e até a Folha de São Paulo tinha uma reputação quase divina. Professores universitários "compravam" sua visibilidade aparecendo para dar entrevistas nessas FMs. O mercado jornalístico era refém dessas emissoras. E Mário Kertèsz puxou a moda dos políticos que brincavam de radiojornalismo, recurso feito para camuflar a politicagem evidente.

Até o próprio Marcos Medrado, de ar claramente provinciano e incapaz de entender o que realmente é jornalismo, foi brincar de radiojornalismo na sua Salvador FM, arrumando redatores para fazer todo o trabalho por trás, a exemplo de Kertèsz, embora sem a esperteza e o pedantismo pseudo-intelectual deste.

TV E INTERNET

Com o crescimento da TV paga - que já começa a incomodar as rádios em Salvador, com os bares trocando seus aparelhos de rádio por TVs de plasma a exibir partidas de futebol - e da Internet, sobretudo a blogosfera e seu conteúdo mais dinâmico do que qualquer radiojornalismo, o "Aemão de FM" ensaia um desgaste muito rápido e preocupante.

Isso está tirando o sono dos gerentes de rádio FM e sobretudo os donos dessas rádios. Eles sonhavam que o rádio FM poderia ser uma síntese multimidiática a partir da acumulação de ouvintes de FM com a migração de ouvintes AM, e depois a articulação com a Internet, o jornal e a televisão, fato que nunca chegou a ocorrer.

O "FM-centrismo" se desgastou em ritmo mais acelerado que o rádio AM, que sofre uma morte lenta devido ao estrangulamento econômico e à ciranda de arrendamentos, sobretudo com seitas religiosas. O rádio FM, por sua vez, sente o gosto amargo e irônico de viver de forma mais rápida as dores do rádio AM, porque se as FMs queriam "surrar" o rádio AM, são no entanto trucidadas pela TV paga.

Tentativas de "modernizar" o "Aemão de FM" são feitas, como a criação de blogues de seus radialistas e a interação com a televisão e o jornal impresso além de adoção de vinhetas "espaciais" estilo Jovem Pan 2, para tentar recuperar a audiência. Não deu certo. Mesmo as rádios mais famosas, em São Paulo, não vão acima do 16º lugar do ranking de FMs e do 20º do ranking geral.

DECADÊNCIA MIDIÁTICA

A supremacia da imprensa sobre a opinião pública, a glamourização do jornalismo e seus pretensos "heróis" e a supervalorização das virtudes naturais da imprensa, tudo isso foi posto em xeque quando, nos últimos dez anos, comentaristas políticos se destacaram pelo seu reacionarismo.

Isso refletiu pelas performances de colunistas como Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, Eliane Cantanhede, Merval Pereira, Bóris Casoy e outros, o que refletiu, no âmbito baiano, na figura de Mário Kertész. E esse reacionarismo não apenas envolveu a mídia abertamente reacionária, como Globo e Estadão no âmbito nacional e a Rede Bahia no caso baiano, mas também a chamada "mídia boazinha".

A Folha de São Paulo deixou cair a máscara de "boazinha", enquanto o Grupo Bandeirantes e a Isto É mostraram-se a cada dia conservadores, e o mesmo ocorreu com a Rádio Metrópole, famosa pela suposta receptividade à diversidade de opiniões. Depois que Mário Kertèsz, em 2008, atacou as esquerdas baianas e foi denunciado como aliado de dirigentes esportivos (denúncia que quase matou o apresentador, que sofreu ataque cardíaco), sua reputação não se tornou diferente da de um Bóris Casoy no âmbito nacional.

Com as recentes revelações de que Mário Kertèsz foi o "assassino" do Jornal da Bahia - ícone da imprensa de esquerda baiana - , algo feito na Internet já que os fundadores do JBa, João Falcão (falecido) e Teixeira Gomes, haviam minimizado em seus livros a culpa de Kertèsz por um acordo de visibilidade, a coisa mudou.

Kertèsz havia feito, sob encomenda de Antônio Carlos Magalhães, o mesmo que os Frias fizeram com o jornal Última Hora, se apropriando da marca para impedir a circulação do seu veículo, pelo menos, da maneira criativa e atuante como antes se fazia, pois o JBa nas mãos de Kertèsz sucumbiu a ser um jornaleco popularesco da pior espécie.

Fracassando na sua valentia pseudo-jornalística, que quase ludibriou a intelectualidade baiana e por pouco não seduziu o Observatório da Imprensa - que chegou a divulgar certas bravatas de Kertèsz com desafetos políticos, que gerou processos judiciais, um deles tirando a Rádio Metrópole do ar por um dia - , Kertèsz, que jurava "nunca voltar à vida política", viu seu fracasso confirmar-se ontem nas urnas soteropolitanas.

A resposta dos eleitores é reflexo do baixo carisma do astro-rei da Rádio Metrópole, como se os 9,43% registrados na figura acima fossem o reflexo da audiência da emissora. Afinal, Kertèsz tentava, com seu culto à personalidade, se confundir com a emissora, como se a rádio e seu dono fossem uma coisa só. O fracasso das urnas o recoloca no estúdio da rádio, mas será mais outro fracasso.

Afinal, não serão os postos de gasolina, as vans escolares, os táxis, botequins e portarias de prédios, com sua poluição sonora sobretudo durante as transmissões esportivas - com direito às irritantes vinhetas da Metrópole, com seus "pim-pim-pim" e "pi-piririm-pim-pim" - que irão recuperar o Ibope decadente da emissora.

Pelo contrário, vivemos em outros tempos e o "Aemão de FM", massacrado pela TV paga e pela Internet, mostra que os diretores de FM começam a admitir que a Frequência Modulada sofre hoje a agonia pior do que a que tentou impor para a Amplitude Modulada, na sua concorrência predatória.

HISTORIADORES REPUDIAM A VEJA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A reacionária revista Veja publicou um artigo de extremo mau gosto, que esculhamba a figura do falecido historiador Eric Hobsbawm. Paranoica e preconceituosa, reacionária e anti-profissional, Veja - que prefere endeusar um historiador inglês conservador, Paul Johnson, que não tem a metade da reputação e importância de Hobsbawm - desconhece que mesmo na visão marxista, Eric procurava ser imparcial e bastante crítico, sendo seus livros verdadeiros documentos de ciência política.

Como é de praxe, a sociedade repudia Veja, e desta vez vemos um texto sobre a indignação dos historiadores em relação aos ataques que Veja fez à brilhante figura de Hobsbawm, cujo livro A Era dos Extremos - O Breve Século XX (1914-1991) eu li inteiramente no ano passado

Historiadores repudiam a Veja

Do Correio da Cidadania - Reproduzido também no Blog do Miro

Eric Hobsbawm: um dos maiores intelectuais do século XX

Na última segunda-feira, dia 1 de outubro, faleceu o historiador inglês Eric Hobsbawm. Intelectual marxista, foi responsável por vasta obra a respeito da formação do capitalismo, do nascimento da classe operária, das culturas do mundo contemporâneo, bem como das perspectivas para o pensamento de esquerda no século XXI. Hobsbawm, com uma obra dotada de rigor, criatividade e profundo conhecimento empírico dos temas que tratava, formou gerações de intelectuais.

Ao lado de E. P. Thompson e Christopher Hill liderou a geração de historiadores marxistas ingleses que superaram o doutrinarismo e a ortodoxia dominantes quando do apogeu do stalinismo. Deu voz aos homens e mulheres que sequer sabiam escrever. Que sequer imaginavam que, em suas greves, motins ou mesmo festas que organizavam, estavam a fazer História. Entendeu assim, o cotidiano e as estratégias de vida daqueles milhares que viveram as agruras do desenvolvimento capitalista.

Mas Hobsbawm não foi apenas um “acadêmico”, no sentido de reduzir sua ação aos limites da sala de aula ou da pesquisa documental. Fiel à tradição do “intelectual” como divulgador de opiniões, desde Émile Zola, Hobsbawm defendeu teses, assinou manifestos e escolheu um lado. Empenhou-se desta forma por um mundo que considerava mais justo, mais democrático e mais humano. Claro está que, autor de obra tão diversa, nem sempre se concordará com suas afirmações, suas teses ou perspectivas de futuro. Esse é o desiderato de todo homem formulador de ideias. Como disse Hegel, a importância de um homem deve ser medida pela importância por ele adquirida no tempo em que viveu. E não há duvidas que, eivado de contradições, Hobsbawm é um dos homens mais importantes do século XX.

Eis que, no entanto, a Revista Veja reduz o historiador à condição de “idiota moral” (cf. o texto “A imperdoável cegueira ideológica da Hobsbawm”, publicado em http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/a-imperdoavel-cegueira-ideologica-de-eric-hobsbawm). Trata-se de um julgamento barato e despropositado a respeito de um dos maiores intelectuais do século XX. Veja desconsidera a contradição que é inerente aos homens. E se esquece do compromisso de Hobsbawm com a democracia, inclusive quando da queda dos regimes soviéticos, de sua preocupação com a paz e com o pluralismo.

A Associação Nacional de História (ANPUH-Brasil) repudia veementemente o tratamento desrespeitoso, irresponsável e, sim, ideológico, deste cada vez mais desacreditado veículo de informação. O tratamento desrespeitoso é dado logo no início do texto “historiador esquerdista”, dito de forma pejorativa e completamente destituído de conteúdo. E é assim em toda a “análise” acerca do falecido historiador.

Nós, historiadores, sabemos que os homens são lembrados com suas contradições, seus erros e seus acertos. Seguramente Hobsbawm será, inclusive, criticado por muitos de nós. E defendido por outros tantos. E ainda existirão aqueles que o verão como exemplo de um tempo dotado de ambiguidades, de certezas e dúvidas que se entrelaçam. Como historiador e como cidadão do mundo. Talvez Veja, tão empobrecida em sua análise, imagine o mundo separado em coerências absolutas: o bem e o mal. E se assim for, poderá ser ela, Veja, lembrada como de fato é: medíocre, pequena e mal intencionada.

São Paulo, 05 de outubro de 2012

Diretoria da Associação Nacional de História - ANPUH-Brasil - Gestão 2011-2013

terça-feira, 9 de outubro de 2012

FUTURO CONCURSO DO IPHAN NÃO DEVERIA INCLUIR RACIOCÍNIO LÓGICO NEM MATEMÁTICA


O que é um concurso público? É aquele que testa a habilidade de um candidato. É uma seleção que deveria levar em conta apenas as habilidades previstas para um candidato a ser aprovado.

Infelizmente, o que se vê nos concursos públicos não é isso, mas a expressão do velho moralismo docente que não pede os exatos conhecimentos de um candidato, mas uma sobrecarga de estudos feita apenas por mero fim competitivo.

No caso do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), isso é sintomático. Os últimos concursos realizados, desde 2007, incluíram, sem a menor necessidade, questões de Matemática e Raciocínio Lógico.

Essas matérias foram incluídas apenas por um mero moralismo competitivo. Elas não influem no trabalho exigido no IPHAN, onde conhecimentos de Antropologia, História, Sociologia e, quando muito, Arquitetura, pesam mais do que Matemática e Raciocínio Lógico.

Um concurso público não deveria sobrecarregar as matérias, porque geralmente é um prazo de dois meses de estudo para uma prova e a quantidade do saber não traz vantagem em relação à qualidade do saber. Porque é a qualidade que pesa mais na rotina do trabalho, mais do que o acúmulo de conhecimentos adquiridos, mesmo na rotina artificial dos estudos para concursos.

No caso do IPHAN, a inclusão de Matemática e Raciocínio Lógico irá desviar as atenções dos candidatos para assuntos realmente da especialidade do instituto. Já basta que existe Informática como uma das disciplinas, mas pelo menos ela é relativamente mais fácil, já que boa parte de seus conhecimentos a gente testa até mesmo nos momentos de lazer, fora do compromisso de estudos.

Mas imagine um servidor do IPHAN aprovado porque "fechou" as questões de Raciocínio Lógico e Matemática, mas pouco foi estimulado, no programa da prova, a saber sobre Antropologia, História, Sociologia, Arquitetura etc. Se a cultura brasileira já vai mal com o brega-popularesco sufocando nosso folclore e qualquer luta real pela cidadania, imagine um servidor especializado em Matemática mas não nas especialidades próprias do IPHAN.

Por exemplo, se o servidor do IPHAN, tão "cobra" em questões de Lógica e equações do segundo grau, desconhece, diante de um problema relacionado a um desabamento de um prédio histórico, as questões acerca das correntes de pensamento sobre Arquitetura, e nunca ouviu falar sobre John Ruskin e Eugène Viollet Le Duc.

Para piorar, o servidor só ouviu falar, muito vagamente, talvez em conversa com um colega, que intervir num bem móvel antigo seria "falsificar" o patrimônio histórico com uma réplica de alguma peça perdida - ainda que seja um vidro quebrado de uma janela antiga - e ele nem pense sequer em reconstruir aquele prédio histórico desabado. Se houver um incêndio, então, ele deixaria o prédio em ruínas.

Caso semelhante já ocorreu em Salvador, quando um servidor novato foi nomeado superintendente e se recusou terminantemente em restaurar prédios históricos que haviam sofrido desabamento, incluindo vítimas fatais, no Centro Histórico da capital baiana.

Por isso, seria melhor que o IPHAN, que provavelmente investirá em novo concurso, desista de incluir Raciocínio Lógico e volte ao programa adotado em 2005, quando a ênfase foi nas questões específicas do instituto.

domingo, 7 de outubro de 2012

AMBER TAMBLYN SE CASOU


Depois de America Ferrera e Blake Lively, mais uma garota do filme do "jeans viajante" se casou, Amber Tamblyn, também conhecida pelo seriado Joan of Arcadia. Resta agora Alexis Bledel (Gilmore Girls, Sin City), que por sinal está "conhecendo alguém".

Amber até se casou com um cara legal, um ator do seriado Arrested Development, David Cross. Tudo bem. Mas dói saber que são raras as mulheres bacanas no exterior e no Brasil. Não há qualquer Amber Tamblyn em qualquer esquina, seja nos EUA, seja no Brasil.

Veja o que a banda escalada para a cerimônia nupcial realizada ontem tocou, entre alguns covers: músicas dos Pixies e do Yo La Tengo, duas conhecidas bandas alternativas dos Estados Unidos.

Fico imaginando se um infeliz nerd aqui no Brasil tiver que se casar com Maíra Cardi teria que aguentar ouvir de uma banda escalada para a ocasião: covers de Michel Teló, João Lucas & Marcelo, Gusttavo Lima, Thiaguinho, Banda Calypso, Gaby Amarantos e quejandos.

Se correr alguma música dos Pixies, só se algum atrevido do tecnobrega ou do Calcinha Preta - grupo conhecido não só pelo nome horrível mas pela voracidade em destruir canções estrangeiras de qualquer espécie (eles massacraram até "The Unforgettable Fire" do U2, antecipando a sangrenta atrocidade do Sambô para "Sunday Bloody Sunday") - fizer alguma versão em português, com toda a certeza sofrível e sem a força artística da original.

Fico perguntando o que um Calcinha Preta iria fazer com uma música tipo "Here Comes Your Man", dos Pixies. O arranjo, sem a menor dúvida, seria horripilante, a letra seria uma bobagem só, o título talvez seria algo como um tema de brigas amorosas querendo ser resolvidas, tipo "Quero Seu Amor".

Assim não dá. Por isso seria muito melhor que uma Maíra Cardi, uma Geisy Arruda, uma Carol Belli, Lorena Bueri ou quejandas procurassem, pelo menos, algum peão boiadeiro ou jogador de futebol para namorarem.

Nós, nerds, já estamos acostumados com desilusões mesmo. Nossos sábados à noite são vendo filmes de comédia ou lendo livros e lanchando biscoitos ou panetone. Pelo menos que ninguém nos convide para servirmos às ilusões dos outros.

Essas "boazudas" ou outras jecas que houverem chorando pela falta de um namorado que, pelo menos, aceitem as cantadas que recebem (aos montes, aliás) nas festinhas onde rolam "pagode romântico", "forró eletrônico", "sertanejo" (sobretudo o "universitário", mas sem excluir coisas pseudo-sofisticadas como Chitãozinho & Xororó) e "funk carioca". Que elas deixem de sonhar demais com homens mais modestos e deixem de reclamar de uma solidão que só é fruto de suas paranoias.

sábado, 6 de outubro de 2012

RÁDIO: SINAL DOS TEMPOS

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A constatação de que o rádio anda perdendo audiência é feita há tempos pelos internautas, mas hoje se vê a confirmação nas ruas, e mesmo o Ibope teve que reconhecer isso.

E o texto aqui é escrito por Marcos Niemeyer, com muito conhecimento de causa, já que possui vasta experiência no ramo. E mostra que não é só o rádio AM que anda enfraquecendo - sobretudo pelas "orgias" religiosas - mas pelo rádio FM que se tornou um balcão de negócios dos grupos de rede.

Com isso, a televisão rouba a audiência do rádio, sobretudo nas transmissões esportivas - fato que há muito existe no Sul e Sudeste e já começa a ocorrer também nas capitais do Norte e Nordeste - que, nas ondas de FM, levam sucessivas derrotas que nenhuma poluição sonora das vizinhanças e nenhuma audiência "espontânea" em estabelecimentos comerciais consegue resolver.

Sinal dos tempos

Por Marcos Niemeyer - Blogue Cacarejadas & Alfinetadas

>> Pesquisa do Ibope revela que o principal meio de comunicação no país em décadas passadas, o rádio tradicional está fora de 25 por cento dos lares brasileiros - o que significa um índice de alcance 22 pontos percentuais menor que o da TV.

Presente em 97 por cento dos domicílios - acredito que eu seja praticamente o único brasileiro que me  dou ao luxo de não ter TV em casa -, a televisão está praticamente e, infelizmente, no comando.

Tanto é, segundo o Ibope, que 43 por cento das pessoas que acessam a internet  o fazem assistindo programas televisivos. As informações são do Ibope e estão reunidas na exposição 'Opinião – O que o Brasil Acha do Brasil' –  evento em comemoração aos 70 anos do instituto de pesquisa.

Não é preciso ter bola de cristal para prever que neste novo milênio a tendência - do ponto de vista radiofônico -, são as rádios online. O diferencial  desse novo sistema  é rodar música de boa qualidade sem encher o saco do ouvinte com o falatório interminável dos locutores tradicionais, uma espécie em extinção.



quinta-feira, 4 de outubro de 2012

PÁGINA DO CNPQ INDICA POSSÍVEL PRESENÇA DE VÍRUS


Quem quiser inscrever-se no Currículo Lattes - padrão acadêmico de currículo idealizado pelo famoso cientista César Lattes - tem um grande problema a enfrentar.

Indo pelo Mozilla Firefox, o linque disponível no portal da Plataforma Lattes para o cadastro do currículo, a exemplo também de outros linques informativos, mostra um aviso que indica conexão não confiável.

Páginas assim aparecem quando o Mozilla denuncia sítios da Internet que tenham presença de vírus. Há inclusive um botão com a frase "Me tire daqui!", que dá indício da gravidade do problema.

Entrei em contato com o setor de atendimento do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, apesar da sigla corresponder ao antigo Conselho Nacional de Pesquisa), e o funcionário garantiu que apenas é uma leitura do Mozilla, e que os outros servidores de Internet acessam tranquilamente a página, porque, para ele, aparentemente não há vírus.

No entanto, em tempos em que até o sítio do Governo Federal é invadido por hackers, não dá para ir adiante. Talvez até o correto é o procedimento do Mozilla, já que, indo direto pelos outros servidores - como Google Chrome ou Internet Explorer - , apesar de ir direto para os formulários de inscrição, há um risco dos dados pararem, de repente, nas mãos de algum frequentador de cassinos em Las Vegas ou de algum comprador compulsivo de redes de lojas do Canadá.

Qual internauta vai se inscrever para um currículo acadêmico se de repente ele pode receber uma conta para pagar aquilo que não gastou? Muitos já se sacrificam na busca de títulos acadêmicos para ter o mínimo de qualidade de vida e, de repente, entram em páginas não confiáveis que não se sabe do que realmente se trata.

Se é verdadeiro ou não o risco ou se o Mozilla apenas fez uma leitura de erro de configuração, esse dado não indica que o risco seja realmente nulo ou inexistente. E não dá para confiar entrando numa página sem confiabilidade, o que quer que seja.

Desse modo, muitas pessoas se queixam dessa página, e não se arriscam a ir adiante. E se o internauta trocar o computador caseiro por uma lan house, mesmo assim sofrerá o risco, não no caso de afetar seu computador pessoal, mas de qualquer informação pessoal que colocar no formulário.

Portanto, é melhor o CNPq rever suas páginas informativas, tendo ou não vírus. Se é erro de configuração, melhor seja que haja o reparo necessário.

E, a propósito: também o artigo PDF informando sobre o novo Currículo Lattes é impossível de ser carregado.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

89 FM SAIRÁ DO AR EM SÃO PAULO E VIRAR FM EVANGÉLICA


A notícia em si não afeta muito a rotina radiofônica, mesmo de longe. Mas, sendo notícia, vamos lá.

Fortes rumores dão conta de que uma rede de FMs evangélicas, a Rede do Bem FM, que já tem um prefixo na Grande São Paulo, irá tomar conta do prefixo 89,1 mhz.

O prefixo corresponde, por enquanto, à rádio 89 FM, que desde 2006 era uma assumida rádio pop (mas lembrando uma versão atualizada da antecessora Pool FM).

A 89 FM, sabemos, é aquela rádio que aqueles marmanjos que ainda não tiraram fraldas - e que, por isso, acham que Guns N'Roses e Bon Jovi são "rock clássico", ignorando quase que completamente o verdadeiro rock clássico (a não ser que o Led Zeppelin apareça na trilha de um filme com Tom Cruise ou no próximo filme dos Mercenários) - conheciam como "A Rádio Rock" (fazemos questão de enfatizar as aspas).

Evidentemente, perto do que era a 97 Rock entre 1983 e 1990, ou mesmo a Brasil 2000 FM entre 1986 e 1994, a 89 FM era uma Barbie em FM. Ou talvez uma Madonna em forma de rádio. A 89 FM só foi boa entre 1985 e 1987, quando pelo menos seu formato se aproximava ao da Estácio FM carioca, meio de rock alternativo, meio de tecnopop, meio de soft rock.

Mas depois, entre 1988 e 2006, a coisa descarrilou aos poucos. Claro, os mais jovens, que acham Whitney Houston o máximo da sofisticação, Fernando Collor o máximo de estadista, Fausto Silva o máximo de comunicador e aceita qualquer rock farofa como se fosse "clássico do rock", vão achar a 89 FM o máximo de radialismo rock.

No entanto, a 89 FM quase sempre foi um simples vitrolão roqueiro, na melhor das hipóteses ou nos melhores momentos. Mas é covardia compará-la com a antiga 97 Rock dos áureos tempos, porque seria como comparar o Village People com os Rolling Stones. Imagine então comparar a 89 FM, mesmo nos melhores momentos, com a Fluminense FM de 1982-1985. Seria como comparar o NX Zero aos Mutantes.

Comecei a ficar chocado com a 89 FM quando, em 1990, no programa Matéria Prima da TV Cultura - apresentado por Serginho Groisman - , uma reportagem sobre a rádio 89, com um locutor em ação. O locutor fazia aquele estilo "alô dona de casa" que nada tinha a ver com rádio de rock.

Dificil as pessoas não se lembrarem do Gentil Soares da novela Cheias de Charme: "Alô, alô, Brasil!! Está no ar o programa do Gentil!". Quanta palhaçada. Uma cópia meio brega do Fernando Mansur da antiga Rádio Cidade (quando era pop) que anunciava Killing Joke, Ira!, Clash, Ramones e Lloyd Cole & The Commotions. Francamente, nada, nadica a ver!!

Mas isso era a 89 FM na "boa fase" dos anos 1988-1994, quando pelo menos a rádio parecia verossímil em alguns aspectos. Só que era a época mais ou menos do grunge, do "funk metal" e aí a mídia brasileira tentou um simulacro de "cultura udigrudi" que incluía no pacote muitas rádios de brega e de pop dançante que foram se fantasiar de "rádios rock" sem qualquer intimidade com o ramo.

Depois, quando a 89 FM radicalizou a deturpação do radialismo rock, a coisa piorou e gerou até aquela experiência fascistoide da Rádio Cidade do Rio de Janeiro, antes uma despretensiosa e inteligente rádio pop, depois uma paródia burra e arrogante de rádio de rock.

Aí veio a tal "Jovem Pan 2 com guitarras", de triste lembrança, mais preocupada em jogar programas de debates de futebol, besteirol, programas de jogos e entrevistas com celebridades que nada tinha a ver com o perfil rock. Falam que os Sobrinhos do Ataíde eram "rock'n'roll". Nada disso. Eles eram apenas humoristas, os Sobrinhos do Ataíde eram tão "roqueiros" quanto uma esponja de cozinha.

E o Zé Luiz? Aquele é locutor de rock? Se fosse assim, então os Backstreet Boys são um grupo de heavy metal!! O cara fazia aquele estilo Jovem Pan 2 escancarado, era o Luciano Huck da 89, que a essas alturas tinha como coordenador o Alexandre Hovoruski ("Horroruski" para os roqueiros autênticos), o mesmo cara que bolou aqueles CDs de poperó da JP2.

Bom, sabe-se a história da 89. Quer dizer, a história não-oficial porque oficialmente a 89 FM foi uma "genial e revolucionária rádio rock". Num país em que Collor foi o máximo de estadista, que ninguém precisa ler livros nem pensar para se dar bem na vida, e até o "funk carioca" é "genial". Claro, em terra de cego, quem tem um olho é rei. Faz parte.

A 89 FM foi o maior consulado dos posers no Brasil, foi uma escola de emos, responsável por toda uma deturpação da cultura rock feita no país. Tenho saudades dos tempos em que não precisava gostar de futebol para ser roqueiro. Bastava gostar de rock. Hoje é o inverso: "roqueiros" que curtem futebol e odeiam rock, a não ser aquela indigência poser-emo dos anos 90 para cá (não só os Restarts, mas os Bloodhound Gangs, Virguiloides, Ostheobaldos e outras baboseiras felizmente fracassadas).

Talvez a entrada de uma rádio evangélica possa fazer os roqueirinhos de boutique que tanto endeusaram a 89 FM pararem para pensar. Ou melhor, para começarem a pensar.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

MELANIE LYNSKEY ESTÁ SOLTEIRA!!!


É verdade que, para cada uma mulher que torna-se solteira, umas centenas arrumam namorado ou se casam. Fala-se assim entre as famosas e incluindo as estrangeiras, porque entre as brasileiras o contraste entre o número de solteiras e o de comprometidas é muito grande, sendo maior o número de comprometidas.

Pois, depois de tantas musas comprometidas, temos a notícia de que a atriz que participou em Two and a Half Men, a neozelandesa Melanie Lynskey - que havia feito par romântico com Kate Winslet, quando ambas eram estreantes e menos conhecidas, no filme Almas Gêmeas (Heavenly Creatures), de 1994, dirigido por Peter Jackson - , está solteira novamente.

Melanie, essa doçurinha linda que aqui vemos, terminou um casamento de cinco anos com o ator Jimmy Simpson, e agora prepara os papéis do divórcio.

Seja bem vinda à nova vida de solteira, Melanie!!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

DJAVAN LANÇA NOVO DISCO. CADÊ AS RÁDIOS?


Para a intelectualidade dominante, a MPB só é "legal" quando pode ser cooptada pelo mercadão brega-popularesco.

Tentando isolar a ala mais sofisticada da MPB autêntica o máximo possível, a intelectualidade que, mesmo de formação neoliberal, faz proselitismo tanto na Globo, Folha e Caras quanto em Caros Amigos e Fórum, busca também afastar o restante da MPB autêntica para que, assim, a turma da Biscoito Fino (mas nem todos os seus contratados, diga-se de passagem) se reduza a um gueto "elitista" da música brasileira.

No entanto, sabemos que o apoio da intelectualidade para a MPB autêntica é tendencioso. Antes, atacava-se a MPB esquerdista de todo jeito, até Sérgio Ricardo, se aparecesse, "apanhava" da crítica musical. E atacava-se a Bossa Nova mais do que José Ramos Tinhorão.

A turma etnocêntrica só aceitava o Tropicalismo e seus derivados, como exceção à breguice dominante. Até que, nos últimos anos, precisa amaciar seu discurso para dar a impressão de que não são contra a MPB. Para justificar a "cultura de massa", até para futuras apropriações tendenciosas dos "ídolos populares", hoje se defendem artistas "malditos" da MPB autêntica ou a ala mais flexível da MPB sofisticada.

No entanto, isso não ajuda a MPB. Ajuda no mimetismo pedante dos ídolos brega-popularescos nos seus sucessivos discos ao vivo ou nos covers que ocupam boa parte de seus álbuns de estúdio, mas impede que a MPB autêntica alcance o grande público nas suas gravações originais.

Djavan é um exemplo. Ele era até uma figura com acesso relativamente fácil nas rádios, mas ultimamente anda restrito, quando muito, a rádios especializadas em MPB, que só existem em pouquíssimas capitais do país. Mas, de repente, a situação do músico alagoano radicado no Rio de Janeiro mudou completamente.

Com um vasto repertório de sucessos, ele virou, para o público mais rasteiro, um falso one-hit wonder, nome dado a cantores de um único sucesso em toda sua carreira. No caso, Djavan é "reconhecido" hoje apenas pela música "Oceano", enquanto outros sucessos autorais se "diluem" em regravações de ídolos brega-popularescos, principalmente do chamado "pagode romântico".

Djavan veio da geração de compositores e cantores dos anos 70, geração influenciada pelos ventos criativos dos anos 60. Como vários desses artistas, Djavan tem um estilo próprio, capaz de harmoniosamente assimilar influências de jazz fusion em vários momentos e, em outros, incorporar elementos da música de Dorival Caymmi.

Nos últimos anos, seu carisma e seu talento não adiantaram para ele ter mais acesso nas programações das rádios. Djavan nem dá mais qualquer sinal nas rádios "populares", a não ser pelos citados covers tendenciosamente gravados pelos "pagodeiros românticos" e cujo crédito de autoria é completamente ignorado pelo locutor que de modo imbecil conduz o cardápio musical do horário.

Antes, pelo menos, a MPB autêntica tinha um acesso maior nas rádios. Entre dois ou três sucessos popularescos, havia uma música de MPB tocando nas paradas de sucesso. Hoje somente em algumas rádios de pop adulto - cada vez mais apáticas, apesar do rótulo, bastante falso, de "rádios sofisticadas" - e nas raras rádios de MPB sintonizáveis no país.

E, o que é pior, aparentemente todo mundo "gosta" de MPB. Mas dá para perceber que a MPB sempre se encontra em plano secundário, como se fosse uma música estrangeira. A prioridade acaba sendo o brega-popularesco, que só "é também MPB" na imaginação fértil e demagoga dos intelectuais etnocêntricos.

Desse modo, a verdadeira música brasileira possui filtros que barram seu acesso ao grande público. Ou, pelo menos, dificultam esse acesso. E Djavan, um dos grandes cantores da nossa música, precisa do intermédio incômodo dos sambregas para que parte de seu vasto repertório seja ouvido pelo povo pobre. Que no entanto continua não tendo a menor ideia de quem é e o que faz Djavan.