sexta-feira, 7 de setembro de 2012

"SERTANEJO PEGAÇÃO" COMPRA ESPAÇOS NO EXTERIOR


O que um bom empresário é capaz de fazer no Brasil. E o que um bom empresário é capaz de fazer no exterior.

Junte um bom empresário, cheio de grana, mas adotando trajes modestos e trabalhando em estúdios mal arrumados para manter as aparências, no Brasil, e uma empresa de cadastro de casas noturnas europeias, além de um jabaculê capaz de comprar execuções radiofônicas registradas por revistas como Billboard e, bingo, o "sertanejo pegação" vira "sucesso" no exterior.

Foi assim com Michel Teló, tenta-se com Gusttavo Lima e agora vem o Alex Ferrari com seu sucesso "Bará, Berê", aparentemente tocado primeiro nas paradas estrangeiras.

Esse é o maior truque publicitário que os empresários de brega-popularesco fazem, depois que, nos últimos anos, os ídolos popularescos - da emergente Stefhany Absoluta ao relançado Beto Barbosa - deram prioridade ao YouTube em detrimento do rádio.

A coisa funciona da seguinte forma. Há um empresário de agência de famosos, que contrata ídolos brega-popularescos, que não pode ser considerado "pobretão", até porque é podre de rico. Ele entra em contato com cadastros, na Internet, de casas noturnas existentes no exterior. Escolhe alguns desses locais, faz pacotes de viagens, joga seus ídolos lá para se apresentarem.

Com a viagem, o empresário negocia apresentações de seus clientes em programas de TV de segunda categoria, além da compra de execuções em rádios FM mais influentes. Se preferir, contata-se um DJ local para fazer alguma remixagem do "novo sucesso" de seu cliente (o tal ídolo popularesco) para jogar a música nas pistas de dança.

Esse é o esquema que está fazendo com que os chamados ídolos do "sertanejo pegação" façam sucesso no exterior. Nada que represente o triunfo de uma suposta "cultura popular" dominante no Brasil. E isso não é novidade, pois nos anos 70 o brega já se preocupava em "exportar" seus ídolos - vide o caso de Morris Albert e Terry Winter, entre outros - , das tentativas de lançar Chitãozinho & Xororó, É O Tchan, Alexandre Pires e Ivete Sangalo no exterior etc.

Até no "funk carioca" a manobra envolveu tanto nomes conhecidos como Tati Quebra-Barraco quanto muitos nomes que ninguém ouviu falar, que fizeram "turnês" pela Europa às custas de modestas casas de espetáculos cadastradas numa única empresa contatada pelos empresários dos funqueiros.

O jabaculê globalizado dá a falsa impressão de que a "cultura de massa" brasileira ganhou respaldo no exterior. Isso é mito. Na verdade, esses nomes se apresentam para colônias de brasileiros no exterior, que são o verdadeiro público interessado.

No entanto, a farsa chega ao Brasil, sobretudo através da mídia de celebridades - sempre afeita a uma fofoca, a uma invencionice que transforma boatos em fatos - , que dizem que o "artista tal" faz sucesso no mundo inteiro. Cria-se um discurso verossímil para que a lorota faça sentido, em programas da já grotesca TV aberta, feitas para um público sem muita capacidade de pensar e verificar as informações recebidas.

No entanto, tudo vira "fogo de palha". Não é qualquer um que pode ser um João Gilberto, um Tom Jobim. Os estrangeiros são mais espertos e sabem que há muita mediocridade brasileira empurrada para o exterior. Mas os espaços comprados para a divulgação, como casas noturnas, programas de rádio e TV etc, nem de longe são espaços onde brilha a cultura de qualidade, seja de que país for. Não são mais do que equivalentes europeus das biroscas que se vê no interior do Brasil, o contexto é que é outro.

Portanto, "Tchererês", "Parapapás", "Berês, Barás" e outros não estão conquistando o mundo. Estão apenas se difundindo em espaços de terceira categoria para baixo no entretenimento da Europa e dos EUA, e que de nenhum modo fará seus intérpretes e autores "grandes gênios da nossa música". Eles continuam medíocres, só ficaram um pouco mais famosos com esse jabaculê globalizado.

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