segunda-feira, 24 de setembro de 2012

FERNANDO & SOROCABA E A "MPB DA REVISTA CARAS"


O que é a "verdadeira MPB", para certos bitolados da grande mídia? É uma equação matemática, movida a cifrões, que equaliza, nos "artistas" bregas, uma soma entre todo um clima de pompa e de luxo com o tal "apelo popular" desses ídolos.

Nada a levar a sério. Não se trata da verdadeira Música Popular Brasileira. O termo "verdadeira MPB" é apenas dito, a título de provocação, para empurrar ídolos meramente comerciais para redutos que não lhes seriam naturalmente apropriados, como aqueles onde se expressa a cultura de qualidade, em detrimento aos meros e fáceis campeões de vendas e de visibilidade.

E a grande mídia vai apoiando. Desta vez, temos as duplas de "sertanejo universitário", a praga patrocinada explicitamente pelos latifundiários de todo o país com o apoio dos barões da grande mídia, que tomam todos os espaços possíveis, até mesmo os centros urbanos antes resistentes a qualquer breganejo.E não é pela criatividade nem pela modernidade desses gêneros. Afinal, os "sertanejos universitários" não fazem coisa alguma de diferente ao que Odair José fazia há 40 anos atrás.

Até o pretensiosismo é o mesmo. A dupla Fernando & Sorocaba, do "hino da bebedeira", a música "Tô Tenso", já é uma xerox de Rionegro & Solimões, que por sua vez é xerox de Rick & Renner, dá um exemplo da arrogância inerente aos ídolos bregas, neo-bregas e pós-bregas em geral através de uma declaração dotada de puro cinismo.

Conta então Sorocaba, um dos membros da dupla: "Cada vez mais eventos desse tipo estão invadindo a noite paulistana. É um volume grande de shows, mostrando que a força do sertanejo é cada vez maior. Gradativamente estamos ocupando mais espaço. A música sertaneja é a nova música popular do Brasil".

É muito pretensiosismo, desculpa para desalojar a verdadeira MPB - sem aspas, aquela "abominável" MPB da Biscoito Fino e de nomes como Djavan e João Bosco (o autêntico, parceiro de Aldir Blanc) e do antigo folclore brasileiro - e o Rock Brasil, que já perdem os seus próprios espaços para dar espaço a tendências que já tinham espaços demais.

O breganejo pode não ser a mais oportunista das tendências derivadas do brega, como a axé-music, nem a mais demagógica dessas tendências, como o "funk carioca", e nem tão lasciva quanto o forró-brega. Mas sua carga de pretensiosismo, sobretudo através da vertente "universitária", é bastante conhecida, mas no fundo ela não passa de uma estética "emo" adaptada à "cultura caipira".

A propósito, Sorocaba também é produtor do novo disco da dupla Chitãozinho & Xororó, querida de Caras e do tucanato, dupla pseudo-sofisticada da geração de neo-bregas que dominou as paradas de sucesso nos anos 90 e que depois veio a se comprometer com a "MPB de mentirinha" armada pela indústria fonográfica.

Além do mais, a entrevista de Fernando & Sorocaba foi na revista Caras, do Grupo Abril. Ou seja, a Abril de Roberto Civita tem sua visão do que é "a nova MPB". É só verificar a revista Veja, com suas trapalhadas, seu tendenciosismo e outros defeitos piores, para ver o quanto a Abril "entende" de MPB.

É a forma da velha grande mídia de tentar deixar a MPB autêntica no limbo, enquanto rotula como "MPB" o brega-popularesco que em nada contribui para a Música Popular Brasileira nem para a cultura brasileira em geral, mas rende muito dinheiro e garante boas parcerias com os barões da grande mídia. Anos atrás, o DJ Marlboro, queridinho da Globo, disse no jornal O Globo que o "funk carioca" era "a verdadeira MPB".

Sim, o brega-popularesco é aliado da grande mídia. Isso é uma realidade que nenhuma monografia de intelectuais badalados consegue desmentir, mesmo com os mais rigorosos métodos acadêmicos. Porque mentiras "científicas" podem soar bonitas, colher aplausos das plateias e tudo o mais, só não dizem a verdade dos fatos.

Os brega-popularescos estão dentro da mídia grande, tão dentro que não querem sair. Mas, para dar a falsa impressão de modéstia, insistem em dizer que "estão fora da mídia". Suas aparições na Globo, Abril e Folha mostram, no entanto, o quanto eles agradam, e muito, os barões da grande mídia que enriquecem junto a esses ídolos tão "pobrezinhos".

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