segunda-feira, 3 de setembro de 2012

EMPRESÁRIOS E PROFISSIONAIS LIBERAIS COSTUMAM SER MUITO CHATOS


Já falamos que, na hora do lazer, profissionais liberais, executivos e empresários são chatos de tão superficiais e tendenciosos.

Se eles levam a melhor entre as mulheres, isso se vai mais em conta de sua segurança financeira e pela habilidade de seguir as conveniências sociais do que pelo seu caráter, apenas naturalmente insosso.

Nota-se, por exemplo, que a capacidade deles assumirem posições de liderança nas suas profissões segue uma razão inversa à capacidade de se divertirem com alguma ou, melhor dizendo, qualquer espontaneidade.

Por isso eles fingem, e fingem muito, só para impressionar. Médicos, publicitários, empresários e advogados com mais de 55 anos hoje exibem uma falsa erudição cultural, acima até mesmo do que suas gerações são capazes de assumir. Tentam soar culturalmente mais velhos do que são, não pela identificação por um passado que não vivenciaram e lhes seduz, mas como um recurso pedante para impressionar, nas festas, seus antigos professores e patrões.

Mas isso envolve várias idades. É só ter mais de 40 anos e, pelo menos, mais de dez de profissão e mais de cinco em algum cargo de liderança, que o pedantismo se torna uma coqueluche entre os profissionais liberais, empresários e executivos, que, salvo exceções, não são assim tão cultos quanto se parece. Mas precisam agradar ex-patrões, ex-professores de faculdade e outros envolvidos. Sobretudo as lindas mulheres que conquistaram e com as quais estão casados.

Todos "gostam" de "boa música", do "melhor teatro", "melhor filme" e da "alta pintura". Se nas festas onde há adultos existe alguma "brincadeira" - fora a única que os adultos, na ocasião, conseguem brincar sem depender de alguma criança ou adolescente, que é jogar baralho - , ela geralmente é a do pedantismo, com todo mundo fingindo ser intelectual ou analista político. Ou, dentro de algum surto "populista", fingem ser especializados em futebol.

Em outra oportunidade, escrevi que essa "inteligência" toda não é mais do que a interpretação sobre o que se viu em alguma revista, algum telejornal, algum jornal, algum sítio na Internet. Pode até ser um saber adquirido na hora, mas não é fruto da experiência social mas do casual consumo das notícias da véspera. Pode ser alguma coisa, mas não chega a ser a sabedoria pretendida.

Pior é que os homens dessas profissões apenas dão a impressão de que fazem tudo para agradar. Tudo por conta de um sucesso profissional que, aliado a uma certa vaidade pessoal, dá a impressão falsa da perfeição e da capacidade de saber mais do que suas condições naturais. Afinal, um simples faturamento da empresa, uma cirurgia bem sucedida, uma análise econômica acertada, um projeto de engenharia bem realizado ou uma retórica jurídica vitoriosa não faz de empresários, profissionais liberais e executivos bons críticos de arte, excelentes cientistas políticos ou promissores cronistas de futebol.

Pelo contrário, muitas vezes médicos experientes com mais de 50 anos, na sua busca pedante de soarem "mais velhos", creditam como jazz qualquer evento musical de black tie ou pouco cuidam se o cinema de Hollywood é tão "intelectual" quanto o europeu.

Evidentemente, todos buscamos um aprimoramento cultural, mas uma coisa é perseguir uma impressão apressada de sabedoria e outra é buscar um aprendizado que, aparentemente modesto, é ao menos mais sincero, espontâneo e qualitativamente abrangente.

Não é qualquer um que pode adotar referenciais culturais "mais velhos" do que sua idade. Pessoas que ouviram Jovem Guarda na adolescência não podem, aos 55 pros 60 anos, dar a falsa impressão de que seu cantor de juventude era Bing Crosby. Ou empresários e economistas de 40 e tantos anos não podem achar que, pelos seus êxitos profissionais, podem lhes fazer bons analistas geopolíticos a fazer suas exposições para os amigos em simples festas de aniversário de crianças (!).

A pretensa erudição, a pretensa perfeição cultural, intelectual e existencial, não faz empresários, profissionais liberais e executivos mais interessantes. Sobretudo, num contexto em que a pretensa erudição não é mais do que propaganda de suas profissões na hora do lazer. Tentam ser legais, mas tornam-se muito chatos. Melhor seria que eles deixassem de ver o lazer como extensão de suas profissões.

Findo o trabalho, eles não são mais empresários, economistas, advogados, médicos, publicitários, engenheiros etc etc etc, mas, tão simplesmente, pessoas em busca de diversão. E que não deveriam depender de crianças e adolescentes para se divertirem como quiserem.

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