domingo, 30 de setembro de 2012

O CASAMENTO DE ANNE HATHAWAY E AS FAMOSAS COMPROMETIDAS


Nunca houve tanto comprometimento de mulheres famosas como nos últimos meses. Não bastassem casamentos, nascimentos de filhos (que consolidam relações conjugais de várias delas) etc, até mesmo famosas que eram solteiríssimas até pouco tempo atrás anunciaram que já arrumaram namorados.

É o caso, por exemplo, de Charlize Theron, Sharon Stone, Heidi Klum e January Jones. Esta última tornou-se mãe solteira mas já arrumou alguém para curtir um romance junto. E, no Brasil, até Débora Nascimento  assumiu namoro com o seu já namorado da ficção, o ator José Loreto.

No fundo, nada contra esses comprometimentos, mesmo o casamento de uma mulher fascinante como Anne Hathaway, numa cerimônia comparável a outra deusa, Natalie Portman, meses atrás. Tanto no exterior quanto no Brasil, os homens estão correndo em busca de mulheres legais, o "mercado" anda muito apertado e até atrizes juvenis, como a brasileira Giovanna Lancelotti e as norte-americanas Ariel Winter e Bella Thorne já arrumaram os seus pares.

Emma Watson e Ashley Greene, então, nem se fala. As duas megamusas, famosas pela sua personalidade bacana e pela beleza e formosura igualmente deslumbrante, não iriam mesmo ficar sozinhas por muito tempo, tamanha a fila de pretendentes que elas têm e que envolve o mundo inteiro (modéstia à parte, guardo meu lugar em ambas as filas).

Mulheres que, além de atraentes, são ótimas para se conviver, estão quase sempre ficando comprometidas. Só sobram umas poucas. E, quando uma Lucy Hale, Hilary Swank e, no Brasil, uma Débora Falabella se tornam solteiríssimas, são exceções à regra. A cada uma Débora Falabella que fica solteira, umas trezentas similares dela estão se casando por aí.

Claro que até mesmo no meio brega-popularesco ou similar a situação é tal que existem mulheres comprometidas até nesse meio. A Solange Almeida do Aviões do Forró contraiu novas núpcias. Nos EUA a Jenny Farley, de codinome esquisito JWoww, está noiva. Pelo menos elas não estão "livres, leves e soltas".

Dançarinas de pagodão e mulheres-frutas do "funk carioca" escondem suas relações conjugais para fazer o papel de "falsas solteiras" visando vender revistas com suas fotos "sensuais" ou desviar os paparazzi de suas intimidades com namorados e maridos, até porque essas "musas" são as que mais percebem o que são as fofocas na mídia.

Mas, no grosso mesmo, mulheres legais ficam comprometidas e mulheres vulgares não. Isso é mal. Principalmente num país em que os rapazes de personalidade mais diferenciada e ao mesmo tempo simples não conseguem, salvo exceções, ter as mulheres que desejam. O Brasil ainda tem uma mídia machista muito forte e persistente, que controla um mercado que movimenta milhões de reais.

Portanto, um fato como o casamento de uma mulher como Anne Hathaway, a exemplo do que aconteceu com Natalie Portman, é de partir o coração. Não são mulheres assim que a gente encontra aos montes nas ruas ou mesmo nas redes sociais da Internet.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

SOM LIVRE E SEU PODERIO MIDIÁTICO NA MÚSICA


Certa vez, Pedro Alexandre Sanches afirmou, em entrevista, seu horror em saber que a gravadora de MPB autêntica, a Biscoito Fino, tem na sua participação acionária executivos de um banco privado, que sabemos ser o Banco Icatu, do setor de investimentos.

No entanto, Sanches ignora que a gravadora Som Livre, que contratou muitos dos "heróis" do colonista-paçoca, como Gaby Amarantos e Michel Teló, além de um Thiaguinho que "descobriu" Wilson Simonal há pouco tempo, tem a participação acionária de ninguém menos que os irmãos Marinho.

Sim, até o reino mineral sabe que as Organizações Globo são donas da Som Livre, que é só muita ingenuidade para tratar a gravadora como se fosse uma "gravadora independente". Surgida em 1969, a Som Livre pode até ter se inspirado nos hippies para adotar este nome, mas com o tempo a gravadora, que se alimentou no mercado de trilhas sonoras de novelas, tornou-se um paradigma do que é a indústria fonográfica brasileira.

Só por ser uma gravadora brasileira, a Som Livre não está fora do contexto do comercialismo que transforma as grandes gravadoras em "vilãs" do meio artístico. A diferença é que o mercado brasileiro possui caraterísticas próprias, como a estranha ênfase no lançamento de CDs e DVDs ao vivo, mas nem de longe isso significa uma ruptura com as regras mercantilistas ditadas pelas grandes gravadoras mundiais.

Pelo contrário, a Som Livre - cuja razão social havia sido SIGLA (Sistema Globo de Gravações Audiovisuais Ltda.) e hoje é Globo Comunicações e Participações S/A - atua como "alimentadora" do mercado fonográfico dominante, tanto em caráter nacional/internacional quanto em caráter regional. Em muitos momentos, a Som Livre lança discos de carreira em parceria com outras gravadoras, numa espécie de "pool" fonográfico.

A Som Livre "alimenta" o hit-parade veiculado no Brasil, através de canções nacionais e estrangeiras que precisam emplacar nas trilhas sonoras de novelas para virarem sucessos radiofônicos. É a alma do negócio. E, independente da qualidade musical, a Som Livre exerce seu poder comercial como qualquer gravadora estrangeira instalada no Brasil.

Ultimamente, a Som Livre também atua como "alimentadora" do mercado regional do brega-popularesco, estabelecendo parcerias com mercados regionais, seja para lançar ídolos esquecidos, seja para promover nacionalmente modismos regionais, como o arrocha baiano e o tecnobrega paraense.

E, é claro, a Som Livre não deixaria de estar na "receita do bolo" da aliança entre o "funk carioca" e as Organizações Globo. Pois é sabido que, enquanto o "funk carioca" mentia para os esquerdistas medianos ao dizer que "era discriminado pela grande mídia", ele estabeleceu verdadeiras parcerias contratuais nos mais variados veículos e programas ligados às Organizações Globo, até de forma bastante explícita.

Atualmente, a Som Livre canaliza os atuais sucessos do brega-popularesco, como as gerações pós-bregas do "sertanejo universitário" (como Michel Teló, Luan Santana, Jorge & Mateus), tecnobrega (Gaby Amarantos), axé-music (Cláudia Leitte), "funk carioca" (DJ Marlboro) e outros. E, curiosamente, existe até mesmo um setor "gospel" de cantores e conjuntos contratados pela Som Livre, a despeito da rivalidade entre a Globo e a Record de Edir Macedo, por sinal dono da Line Records.

Portanto, só mesmo desinformados, ingênuos ou aqueles que querem mesmo enganar a opinião pública para tratar a Som Livre como se fosse uma gravadora independente. Isso seria localizar, no âmbito cultural, as Organizações Globo num contexto de mídia alternativa que nada tem a ver com seus interesses e sua realidade.

A cultura não está fora do contexto sócio-político e midiático em que vivemos, e se as Organizações Globo exercem um poderio midiático estensivo ao âmbito político, no âmbito cultural esse poder não está ausente. E o comercialismo da Som Livre é parte integrante do projeto de poder da Globo, não pode ser vendido separadamente.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

APÓS HERZOG, OUTRAS VÍTIMAS DA DITADURA PODEM TER NOVO ATESTADO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Vladimir Herzog foi uma vítima de tortura que provocou uma séria crise no governo militar. Até então, os órgãos de tortura eram defendidos e apoiados pelo próprio governo ditatorial como instrumentos para a eliminação do que eles entendiam como "subversão comunista".

Mas a autonomia dos torturadores acabou se voltando contra a ditadura, com a ameaça de quebra da hierarquia militar, e o abuso dos torturadores, juntamente com os reflexos brasileiros da crise do petróleo lançada pelo Oriente Médio (devido ao aumento abusivo dos preços do petróleo), causou o colapso que resultaria no declínio da ditadura, tempos depois.

Diante do processo de busca de informações ocultas pela ditadura, através da Comissão da Verdade, o jornalista da TV Cultura Vladimir Herzog foi o primeiro a ser oficialmente reconhecido como vítima de assassinato, já que seus torturadores lançaram oficialmente a versão de suicídio do jornalista, morto em 1975. E isso abrirá um precedente para que outras vítimas tenham novos atestados com o verdadeiro motivo de seus óbitos.

Após Herzog, outras vítimas da ditadura podem ter novo atestado

Do Portal Terra

O ex-procurador-geral da República Claudio Fonteles, membro da Comissão Nacional da Verdade, confirmou nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, que a decisão da mudança do atestado de óbito do jornalista Vladimir Herzog, partiu da própria instituição.

"Por unanimidade, nós deliberamos que diante de um quadro evidente de que ele foi assassinado nas dependências do Estado, pelo serviço policial da repressão, oficial na época, e embasado por provas eloquentes, nós deliberamos, para provocar o Poder Judiciário, por meio dos juízes de registros públicos, para que fosse sanada aquela gravíssima omissão. E fizesse constar que esse digno brasileiro morreu vítima da violência arbitrária", disse Fonteles.

A mudança atingirá todos os que foram mortos pela ditadura, assegurou o ex-procurador. "Todos. Criamos o que se chama em direito do precedente prudencial. E todos, agora, podem seguir essa linha. Acho que foi um ponto altamente positivo".

A comissão não sabe, entretanto, quantos presos políticos poderão ser beneficiados. Fonteles ressaltou que isso vai depender muito dos parentes das vítimas. "Eles sabem. É muito fácil para todos nós. Procurem a comissão, apresentem o quadro, como fez Clarice Herzog e seu filho, e aí, pronto. Já temos o procedente e, imediatamente, andamos".

Fonteles participou da audiência pública Memória e Verdade, organizada pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Rio de Janeiro (Prdc-RJ). Indagado se o médico-perito que assinou o atestado de Herzog à época, Harry Shibata, poderia ser acusado de crime de falsa perícia, esclareceu que, criminalmente, o fato prescreveu. "Tem mais de 70 anos, a prescrição conta pela metade".

Ele declarou que o Brasil, "lamentavelmente, no direito penal, ainda é um País que estimula muito a impunidade". Para Fonteles, crimes graves não deveriam prescrever nunca. "Reitero isso fortemente. Crimes graves não podem prescrever".

Admitiu que a comissão já está investigando também os empresários que financiaram a ditadura. Mas não quis adiantar detalhes. "Posso dizer só isso: já temos alguns documentos para montar o quadro. Mas deixa a gente trabalhar um pouquinho mais. Nada será oculto". Previu que haverá novidades para relatar mais para o final do ano.

Em resolução publicada na edição do Diário Oficial da União do dia 17 de setembro, a comissão decidiu apurar os crimes cometidos pelo Estado durante a ditadura militar, restringindo as investigações aos crimes cometidos por agentes públicos ou a serviço do Estado. A resolução indica, portanto, que supostos crimes atribuídos a opositores do regime ditatorial, que vigorou no Brasil de 1964 a 1985, não serão alvo de análise. De acordo com a assessoria de imprensa da comissão, a decisão atende a regras já previstas em lei e em acordos internacionais em que o Brasil é signatário.

A comissão concluiu que a queima de documentos e atas referentes ao período da ditadura pelos militares foi ilegal, oficiou a decisão ao Ministro da Defesa, Celso Amorim, para que os comandos militares se manifestem, o que não ocorreu até agora. Embora exista um crime no ato cometido, Fonteles ponderou que uma apuração de culpabilidade remeteria aos comandantes anteriores, que atuavam à época da ditadura, e não aos atuais.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

FERNANDO & SOROCABA E A "MPB DA REVISTA CARAS"


O que é a "verdadeira MPB", para certos bitolados da grande mídia? É uma equação matemática, movida a cifrões, que equaliza, nos "artistas" bregas, uma soma entre todo um clima de pompa e de luxo com o tal "apelo popular" desses ídolos.

Nada a levar a sério. Não se trata da verdadeira Música Popular Brasileira. O termo "verdadeira MPB" é apenas dito, a título de provocação, para empurrar ídolos meramente comerciais para redutos que não lhes seriam naturalmente apropriados, como aqueles onde se expressa a cultura de qualidade, em detrimento aos meros e fáceis campeões de vendas e de visibilidade.

E a grande mídia vai apoiando. Desta vez, temos as duplas de "sertanejo universitário", a praga patrocinada explicitamente pelos latifundiários de todo o país com o apoio dos barões da grande mídia, que tomam todos os espaços possíveis, até mesmo os centros urbanos antes resistentes a qualquer breganejo.E não é pela criatividade nem pela modernidade desses gêneros. Afinal, os "sertanejos universitários" não fazem coisa alguma de diferente ao que Odair José fazia há 40 anos atrás.

Até o pretensiosismo é o mesmo. A dupla Fernando & Sorocaba, do "hino da bebedeira", a música "Tô Tenso", já é uma xerox de Rionegro & Solimões, que por sua vez é xerox de Rick & Renner, dá um exemplo da arrogância inerente aos ídolos bregas, neo-bregas e pós-bregas em geral através de uma declaração dotada de puro cinismo.

Conta então Sorocaba, um dos membros da dupla: "Cada vez mais eventos desse tipo estão invadindo a noite paulistana. É um volume grande de shows, mostrando que a força do sertanejo é cada vez maior. Gradativamente estamos ocupando mais espaço. A música sertaneja é a nova música popular do Brasil".

É muito pretensiosismo, desculpa para desalojar a verdadeira MPB - sem aspas, aquela "abominável" MPB da Biscoito Fino e de nomes como Djavan e João Bosco (o autêntico, parceiro de Aldir Blanc) e do antigo folclore brasileiro - e o Rock Brasil, que já perdem os seus próprios espaços para dar espaço a tendências que já tinham espaços demais.

O breganejo pode não ser a mais oportunista das tendências derivadas do brega, como a axé-music, nem a mais demagógica dessas tendências, como o "funk carioca", e nem tão lasciva quanto o forró-brega. Mas sua carga de pretensiosismo, sobretudo através da vertente "universitária", é bastante conhecida, mas no fundo ela não passa de uma estética "emo" adaptada à "cultura caipira".

A propósito, Sorocaba também é produtor do novo disco da dupla Chitãozinho & Xororó, querida de Caras e do tucanato, dupla pseudo-sofisticada da geração de neo-bregas que dominou as paradas de sucesso nos anos 90 e que depois veio a se comprometer com a "MPB de mentirinha" armada pela indústria fonográfica.

Além do mais, a entrevista de Fernando & Sorocaba foi na revista Caras, do Grupo Abril. Ou seja, a Abril de Roberto Civita tem sua visão do que é "a nova MPB". É só verificar a revista Veja, com suas trapalhadas, seu tendenciosismo e outros defeitos piores, para ver o quanto a Abril "entende" de MPB.

É a forma da velha grande mídia de tentar deixar a MPB autêntica no limbo, enquanto rotula como "MPB" o brega-popularesco que em nada contribui para a Música Popular Brasileira nem para a cultura brasileira em geral, mas rende muito dinheiro e garante boas parcerias com os barões da grande mídia. Anos atrás, o DJ Marlboro, queridinho da Globo, disse no jornal O Globo que o "funk carioca" era "a verdadeira MPB".

Sim, o brega-popularesco é aliado da grande mídia. Isso é uma realidade que nenhuma monografia de intelectuais badalados consegue desmentir, mesmo com os mais rigorosos métodos acadêmicos. Porque mentiras "científicas" podem soar bonitas, colher aplausos das plateias e tudo o mais, só não dizem a verdade dos fatos.

Os brega-popularescos estão dentro da mídia grande, tão dentro que não querem sair. Mas, para dar a falsa impressão de modéstia, insistem em dizer que "estão fora da mídia". Suas aparições na Globo, Abril e Folha mostram, no entanto, o quanto eles agradam, e muito, os barões da grande mídia que enriquecem junto a esses ídolos tão "pobrezinhos".

sábado, 22 de setembro de 2012

ERROS DE UMA FESTA ANOS 60


Reviver o passado nem sempre está de acordo com o que realmente ele foi. E se num passado recente como os anos 80 as distorções saudosistas se tornam gritantes, imagine então o que os mais jovens pensam ser "os anos 60".

Vamos supor que uma turminha vá fazer suas festas "anos 60" e os organizadores, confusos, juntem uma salada de referências e procedimentos que distorcem mais do que informam sobre o que realmente ocorreu no passado.

O revival dos anos 60, no Brasil, foi bastante superficial. Houve, nos anos 70, o revival midiático da novela Estúpido Cupido, da Rede Globo, que misturava "alhos com bugalhos", numa visão provinciana dos anos 60 que na verdade era um prolongamento pálido dos anos 50.

Para quem se guiasse desse revival - que era apenas um repertório de referencias contraditórias que constituiu nas primeiras fases da Jovem Guarda, incluindo a fase pré-Jovem Guarda (não tinha esse nome, fruto de um "batismo" do publicitário Carlito Maia, em 1964) de 1959-1963, da mesma forma que o "revival dos anos 80" é apenas "tudo o que passou na TV da infância de alguém nos anos 80" - , a confusão é inevitável, por razões muito óbvias.

Aliás, falando nos anos 80, a revisão histórica do Brasil, depois do fim da ditadura, fez uma relembrança menos caricata dos anos 60, embora supervalorizasse o período 1967-1968, uma vez que a maioria dos seus testemunhos vinha de políticos, acadêmicos e jornalistas que haviam sido líderes estudantis nesse período.

Mas, com a desinformação televisiva dos anos 90 para cá, a coisa piorou e o que era mais confuso ficou ainda mais confuso, repetitivo, viciado. E quem que fosse decidir por organizar uma festa tipo anos 60 que tenha o padrão informativo de péssimos programas televisivos das tardes da TV aberta, é sujeito a vícios que se tornam bastante comuns. Vamos listá-los:

1) CONFUNDIR ANOS 50 COM ANOS 60 - É muito comum quem organiza as festas dos anos 60 usarem figurinos dos anos 50. É certo que boa parte da moda e dos modismos dos anos 50 já prosseguia firme até mais ou menos 1962 e 1963, mas convém não exagerar. Isso causa sérios incômodos, como ter que colocar The Platters sempre numa festa dos anos 60. Corre até mesmo uma piada que a juventude brasileira "viajava" de LSD ao com de "Smoke Gets In Your Eyes".

2) CONFUNDIR AS DUAS METADES DOS ANOS 60 - A década de 60 tem por peculiaridade as diferenças básicas entre uma metade, entre 1960 e 1964, e outra, entre 1965 e 1969. A primeira metade era mais glamour, a outra mais engajamento. Mas cada ano, em si, já é diferenciado. Portanto, não há como agir como certos bobos alegres da Internet, que quando vem uma foto de "meados dos anos 60" sem qualquer discernimento nem se preocupam em saber o ano desta foto. Para eles, não há diferença entre Chubby Checker e os Stooges.

3) REDUZIR O SOM DOS PRIMÓRDIOS DO ROCK'N'ROLL AO JIVE BUNNY - Um hábito bastante preguiçoso é pegar aquela gravação de "That's What I Like", do grupo de DJs Jive Bunny, como desculpa para não garimpar os sucessos da primeira fase do rock norte-americano. Em vez de procurar por músicas originais como "Chantilly Lace", de Big Bopper (cantor que morreu num acidente aéreo com Buddy Holly e Richie Valens em 1959 e do qual foi tirado o sample que deu título à colagem), se acomoada com esse monte de colagens. Em tempo: apesar de ser um grupo da fase pré-Beatles, os Ventures aparecem com uma música de 1968, tema do famoso seriado Hawaii 5-0.

4) USAR A VERSÃO DE LOS LOBOS PARA LA BAMBA - Outro vício da falta de garimpagem. O grupo Los Lobos é uma boa banda, mas a versão deles para a música folclórica eternizada por Richie Valens cansou de tanta execução em rádio. E coitada da banda norte-americana, que só é conhecida no Brasil com essa versão. No entanto, Los Lobos não se insere neste contexto, porque a banda surgiu em 1973 e a gravação de "La Bamba" é de 1987, por isso deixem de preguiça e vão procurar pela versão de Richie Valens, que tem até no YouTube.

5) USAR REGRAVAÇÕES DA JOVEM GUARDA/PRÉ-JOVEM GUARDA - Em certos casos, nem as versões originais são disponíveis no YouTube como um sucesso de Demétrius de 1961, da fase pré-Jovem Guarda. E para uma juventude que prefere cultuar os retardatários (Odair José, Paulo Sérgio) do que os pioneiros (Sérgio Murilo, Ronnie Cord), fica complicado pedir para que o pessoal garimpe os sucessos da Jovem Guarda e dê preferência às versões originais, e não as regravações feitas sobretudo nos anos 80 e 90. A preguiça acaba sendo justificada pela dificuldade, e isso é muito mal.

6) A FALTA DE CRITÉRIO - A festa dos anos 60 deveria verificar se há um critério que se volta para a segunda metade ou para a primeira metade. Se nem o psicodelismo e a cultura hippie podem se confundir - os primeiros eram elegantes mas usavam roupas coloridas, os outros adotavam roupas simplórias - , quanto mais a moda da primeira metade com a da segunda. Será que vai se misturar Doors com Platters? E Pat Boone, só porque como apresentador de TV, entrevistou um Syd Barrett chapado, poderá ser tocado junto aos primeiros clássicos do Pink Floyd? Vale colocar Elvis Presley em qualquer contexto? Certamente, não, a pesquisa é necessária.

É, portanto, prioridade que quem queira realizar festas nostálgicas dos anos 60, que deixe a comodidade do "vale qualquer coisa" de lado e pesquise um pouco. Isso não é frescura nem bobagem, porque a pesquisa pode soar até divertida e instigante. Talvez seja melhor não haver uma "festa anos 60", mas vários tipos de "festa anos 60", com algum critério a ser escolhido.

Pesquisar pode parecer difícil, mas no fundo soa bastante divertido. Se aproximar à fidelidade da época torna-se instigante, desafiador e mais interessante. No fim, a pesquisa já se tornará também uma outra festa.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O TRISTE SHOW DE AMANDA


Nas últimas semanas, a ex-estrela mirim Amanda Bynes, hoje com 26 anos, se envolveu em acidente de carro, bebedeira nas noitadas e até em uso de drogas.

Ela passou a aderir ao estilo de vida que vários hipócritas nas redes sociais da Internet definem como "tudo de bom", "nota déiz (sic)", "show de bola" e "na maior paz".

Um estilo de vida vazio, na curtição obsessiva na qual o verdadeiro prazer humano foge de tais pessoas como um coelho indefeso quando vê o predador, e que só causa problemas e confusões.

O pior é que Amanda Bynes chegou a declarar na imprensa que iria parar de atuar, para cuidar de sua vida particular. Mas que "vida particular" é essa com o pior da "curtição noturna", é algo que se torna lamentável. E não se está sendo moralista com isso.

Basta lembrar o quanto de gente acabou pagando com a vida ou arrumando infortúnios e encrencas por conta disso. No começo, tudo é "alegre" e "lindo", mas depois vem o estresse, os conflitos, as confusões, os desastres, para não dizer a tragédia final.

A imprensa já divulgou, além disso, rumores de que Amanda Bynes - que até pouco tempo atuava, com a ex-Beverly Hills 90120 Jennie Garth, o ótimo seriado What I Like About You - teria problemas mentais.

É lamentável tudo isso, porque Amanda é uma boa atriz. Eu havia visto ela no filme Ela e os Caras (Sidney White), de 2007, num DVD em casa, e seu papel de boa moça não iria prenunciar essa realidade terrível das orgias movidas a bebedeira e drogas.

Até Lindsay Lohan - por sinal antiga atriz mirim, que era da Disney enquanto Amanda era da Nickelodeon, e ambas têm a mesma idade - reclamou de Amanda, sobretudo pelas punições brandas que Amanda teve por conta de um acidente de carro que feriu uma vítima.

Lindsay, com todos os problemas, pelo menos retomou os trabalhos de atriz e havia gravado um filme sobre a vida de Elizabeth Taylor, interpretada pela própria Lindsay. Que também é boa atriz e precisa superar todos os seus problemas.

Espera-se que ambas deixem seus excessos de lado e possam brilhar como atrizes. Curtição a base de bebedeira e drogas não traz futuro algum. Se alguém nas redes sociais tentou afirmar o contrário, isso é lorota de alguém querendo arrastar os amigos para o fundo do poço. Há muita futilidade na Internet, principalmente vinda de pessoas que, se dizendo "tudo de bom", representam tudo de ruim.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

DÉBORA FALABELLA E LUCY HALE ESTÃO SOLTEIRAS!!


Enfim duas mulheres belíssimas e legais estão solteiras.

Débora Falabella, atriz da novela Avenida Brasil, da Rede Globo, terminou o namoro com o ator Daniel Alvim, e a notícia foi confirmada pelo ex-casal.

Já Lucy Hale, atriz de Pretty Little Liars e começando carreira paralela de cantora e compositora, encerrou a relação com o ator Chris Zylka.

Nada contra os ex-namorados, que até parecem figuras simpáticas. Mas a volta dessas duas mulheres deslumbrantes à solteirice é algo que não ocorre em qualquer momento, sobretudo no âmbito das famosas, onde as que mais facilmente ficam solteiras são as celebridades de reality shows ou as musas de futebol e lutas de vale tudo.

Portanto, é hora de aproveitar, porque talvez essas duas beldades não fiquem sozinhas por muito tempo. Elas são atraentes, talentosas, inteligentes e suas belezas são de um fascínio que não tem igual. Até porque os homens estão cada vez mais correndo atrás de mulheres assim.

Em todo caso, que as duas sejam benvindas à solteirice.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

PADARIAS E SUPERMERCADOS DO RJ DEVERIAM VENDER O PÃO DE MILHO BAIANO


Não dá para entender por que os supermercados e padarias no Rio de Janeiro e Niterói não produzem nem vendem o delicioso pão de milho do tipo que se encontra em Salvador, Bahia.

Pães de milho são vendidos nos supermercados e padarias fluminenses, mas raramente se vê - pelo menos não se vê em Niterói - um pão como se vê na capital baiana.

O que se vê de pães de milho são broas ou pequenos brioches, mas nada que se pareça com o que é vendido e produzido em Salvador, que é um pão parecido com o pão de leite, só que feito com milho.

É uma pena, porque um pão desses teria demanda certa. Da mesma forma que os supermercados e padarias de Salvador deveriam também comercializar mais as bisnagas, que são pães franceses em tamanho maior, que raramente se encontra na capital baiana e, quando se encontra, são tipo os "cacetetes" intragáveis da Perini, a delicatessen que vende doces e salgados cobrando caro, mas não faz uma bisnaga de pão que prestasse.

Com tanta coisa desnecessária que cariocas "exportam" para Salvador - como o "funk carioca" - e que os baianos "exportam" para o Rio de Janeiro - como a axé-music - , melhor seria que, ao invés disso, se investissem em coisas mais importantes, como nas refeições de café da manhã das pessoas os baianos possam comer boas bisnagas e os cariocas possam ter na mesa deliciosos pães de milho.

É preciso diversificar o mercado, satisfazer novas demandas, porque a lei do mercado não está mais para limitar as coisas no básico. Hoje pensar que o freguês só escolhe o básico é entregar a empresa ao prejuízo. O mercado exige produtos mais variados e uma logística mais ágil, preventiva e diversificada.

domingo, 16 de setembro de 2012

DAKOTA FANNING É UM EXEMPLO DE MULHER


Na semana passada, na premiere do drama juvenil Now is Good, em Londres, uma atriz chamou a atenção não somente pelo seu charme e simpatia, mas pela beleza deslumbrante e suas generosas formas físicas.

Alguém pensou na atriz mirim de filmes como Grande Menina, Pequena Mulher (Uptown Girls), Dakota Fanning? Quem pensou está absolutamente certo.

Dakota Fanning tem hoje 18 anos e já mostra o esplendor de sua beleza e sensualidade. Há três anos, ela já deu conta do recado fazendo o papel da cantora das Runaways, Cherry Currie, aprovado pela própria cantora do grupo, que juntamente com Joan Jett, era a dupla central da banda de rock, que divulgaram o filme biográfico juntamente com suas intérpretes em cena, Dakota e Kristen Stewart.

A princípio, parecia estranho, porque Dakota, aparentemente, parecia uma carolinha simpática, que dificilmente sugeriria fugir da imagem infanto-juvenil de seus primeiros filmes. Mas Dakota deixou tranquilamente essa imagem, buscando uma sensualidade que nada tem de excessiva ou vulgar, e uma beleza e uma formosura na medida certa.

Dakota já está com dois filmes em andamento. Um é Very Good Girls, com a também estonteante Elizabeth Olsen (a irmã mais nova das gêmeas Olsen, as estilistas de moda Ashley e Mary-Kate), no qual apareceu até de biquíni ao lado da parceira (uau!). E sua busca pelos personagens adultos é tal que ela faz o papel de uma mulher casada no filme Effie.

Dakota Fanning, de longe, torna-se um grande exemplo de mulher. Belíssima e charmosa, ela se destaca no entanto dando boas entrevistas, mostrando consistência e desenvoltura. É uma mulher inteligente, talentosa, e que certamente irá brilhar muito, e já é admirável por tudo que ela está fazendo até agora. Boa sorte na carreira, Dakota!!

O QUE A PADRONIZAÇÃO VISUAL PODE FAZER PARA CONFUNDIR...


Esta foto, no cruzamento da Rua Dr. Paulo César com a Av. Roberto Silveira, na esquina da Av. Marquês do Paraná, em Niterói, dá uma boa noção do que a chamada padronização visual nos ônibus pode fazer para confundir as pessoas.

É bom deixar claro que, no dia a dia, muitas pessoas ficam ocupadas demais para "examinar sem pressa" o ônibus que vai pegar e é ilusão que todo mundo "receba" sempre o ônibus vendo o veículo pela dianteira.

Muita gente tenta pegar um ônibus vendo-o na lateral, de longe, porque tem pressa e nem todas as linhas possuem uma frota grande, obrigando muitos a correrem para o primeiro ônibus que virem, mesmo à distância.

Esta foto é ilustrativa. O desavisado poderia imaginar que um carro da Viação Fortaleza, na linha 57 (Santa Rosa / Centro, via Fagundes Varela), cortou pela Paulo César - geralmente ele vai pela Rua Gen. Pereira da Silva antes de dobrar a Roberto Silveira - por alguma eventualidade e se dirige à pista lateral da avenida para dobrar a Rua Miguel de Frias em direção à Fagundes Varela.

No entanto, o ônibus em questão é da Santo Antônio Transportes, linha 45 (Cubango / Centro), que havia pego um caminho alternativo, já que normalmente passa pela Paulo César direto, talvez para se dirigir sem problemas para a pista lateral da Av. Marquês do Paraná, exclusiva para ônibus.

A pintura padronizada do consórcio Transoceânica permitiu essa "pérola", que a elite busóloga não tem o menor problema de discernir, mas os cidadãos comuns, principalmente os mais pobres, têm muita dificuldade de identificar.

São transtornos assim que a gente questiona, mas nem todo mundo gosta. Afinal, a "novidade" do visual uniformizado, desse "baile de máscaras" que se tornou o sistema de ônibus de Niterói e do Rio de Janeiro, deslumbra alguns, sobretudo aqueles que querem mamar nas tetas do Estado e que por isso fazem defesa até do serviço irregular da Turismo Trans1000.

Só que, nas ruas, a realidade é bem outra do que aquela que a ilusão dos escritórios tenta inventar.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A QUESTÃO DO MACHISMO COMPORTAMENTAL


Infelizmente, o machismo brasileiro, apesar de decadente, conseguiu, em certos aspectos, se adaptar às leves mudanças ocorridas na sociedade brasileira, baseado no secular cacoete do Brasil adotar mudanças mantendo estruturas de tendências já formalmente superadas.

Temos, por um lado, a emancipação feminina que, em parte, é "bancada" pela associação conjugal a um empresário, profissional liberal ou executivo dotado ainda daqueles clichês de etiqueta e sisudez que os tornam profissionalmente relevantes, mas embaraçados e sem espontaneidade no momento de diversão.

Por outro, temos "musas populares" que, apesar da aparente emancipação financeira, correspondem a expressões "sensuais" defendidas pela ideologia machista, limitadas elas a se comportarem como meros "objetos" sexuais.

Embora os primeiros e as segundas não se cruzem, são como os dois lados de uma mesma moeda. Tanto os homens dotados de liderança profissional e sisudez no comportamento quanto as mulheres que só ficam "mostrando demais" se limitam apenas a desempenhar papéis pré-determinados, diretamente relacionados a seus "ofícios".

Quando vão além, o pedantismo ou a ignorância são notáveis. Empresários que tentam forjar uma sofisticação cultural que não condiz naturalmente a eles, é feito mais para impressionar os outros - sobretudo antigos patrões - do que por uma natural identificação com o passado. Musas que tentam forjar uma modernidade de atitude que não condiz naturalmente a elas, feito mais pelas circunstâncias do mercado do que pela natural identificação com alguma referência arrojada mas conhecida.

A resistência desses dois tipos "opostos" mas equivalentes indica o quanto o Brasil costuma camuflar valores antiquados na assimilação parcial de novidades de fora. Os executivos sisudos não são tão sofisticados quanto tentam ser e as "boazudas" não são tão "modernosas" como tentam ser.

O machismo comportamental resiste. Tanto na supremacia do homem "líder", "bem-sucedido" e "decidido". Do empresário, executivo e profissional liberal cuja obsessão é usar sapatos de verniz e camisetas de gola no máximo de situações informais possível, como uma mera propaganda de seu sucesso profissional. E tanto, também na mulher "corpulenta", "sensual" e "cobiçada", cuja obsessão é usar roupas "sensuais" no máximo de ocasiões possível.

Esses dois tipos surgem para tentar neutralizar a emancipação social de homens e mulheres que não se sentem identificados com os valores remanescentes do machismo em declínio. E as mulheres realmente independentes acabam, pela força da mídia, sendo aconselhadas a se casarem com empresários, economistas, advogados, médicos, engenheiros, diretores de TV etc.

Em contrapartida, homens que não se tornam "líderes" ou "diretores de alguma coisa" acabam sendo "aconselhados", até pelos troleiros - espécie de"Comando de Caça aos Comunistas" das redes sociais - , a cultuar mulheres vulgares, como se ser "cara legal" fosse um defeito que seria "sanado" com mulheres "popularmente desejadas" (pelo menos sob a ótica da imprensa jagunça, tipo Meia Hora, Supernotícia etc).

Ou seja, tais homens sofrem desilusões na vida, leem livros, expressam uma visão analítica da sociedade, desenvolvem bons referenciais culturais de forma espontânea, para tudo terminar no assédio ou na associação forçada a moças que não se interessam, nem de longe, a compartilhar desses referenciais culturais, até porque expressam o grotesco e o cafona.

Em outras palavras, duro é um rapaz que aprecia nomes como Legião Urbana, Durutti Column, Zé Rodrix, vê o cinema de Luís Buñuel, lê livros de Noam Chomsky e assiste ao Big Bang Theory na televisão ser "obrigado" pelos "flanelinhas" cibernéticos a cultuar musas que só se preocupam em se "mostrarem demais" em boates qualquer nota que surgirem na frente.

Mas as moças que querem ser emancipadas e independentes também sofrem. Elas enfrentam limitações por conta do estilo "sofisticado" de seus maridos, que elas precisam ter também seus "momentos de solteira", não, evidentemente, com algum amante (pelo menos, em tese), mas aparecendo sozinhas em passeios ou certas situações formais que não exigem a presença marital, e geralmente no convívio com amigas.

Neste sentido, os homens que seguem os valores remanescentes do machismo são bem sucedidos. Eles conseguem se casar e ter mulheres atraentes. Já as mulheres, não, até porque elas são usadas profissionalmente para forjar também sua "emancipação".

Dessa forma, o mercado impõe à maioria das "boazudas" um celibato estranho, levemente interrompido por namoricos de três semanas, casamentos de três meses, paqueras de poucos minutos, ou longas relações amorosas facilmente rompidas, tudo para forjar notícia feito um fogo de palha.

Elas precisam dar a falsa impressão de que são "independentes", até porque a sombra de algum namorado, noivo ou marido possa intimidar seus fãs, embora várias delas tenham que esconder mesmo a condição afetiva, como várias funqueiras que, falsas solteiras, escondem suas condições de casadas.

São cenários diferentes, mas que mostram a mania do Brasil por transições. Não se rompe com o machismo, apenas o suaviza através de homens "líderes" que tentam minimizar a independência de mulheres inteligentes e batalhadoras através do casamento ou do namoro. Ou através de mulheres que, até por servirem ao entretenimento machista, são "dispensadas" de viverem, pelo menos simbolicamente, associadas a maridos, noivos ou namorados.

Com tudo isso, o machismo brasileiro, em vez de ser definitivamente extinto, apenas morre aos poucos para não assustar a machistada em geral. Até porque muitos machistas, apesar de insensíveis, possuem coração biologicamente frágil, altamente sujeito a um enfarte fulminante.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

POR QUE CINQUENTÕES BRASILEIROS COM ESPOSAS MAIS NOVAS EVITAM A INGLATERRA?


Empresários, executivos e profissionais liberais brasileiros nascidos nos anos 50 e que se casam com mulheres bem mais jovens são umas figuras. O comportamento deles dá até uma análise sociológica e semiológica interessante, até pela sisudez que eles representam, fora do contexto até mesmo de sua geração.

O que é nascer no Brasil dos anos 50? Simples. Nessa época o país saía de sua condição de país agrário, e vivia o conflito entre o nacionalismo desenvolvimentista e o entreguismo que deslumbrava as elites que viam nos EUA um país vitorioso no pós-guerra.

No rádio, haviam ainda marchinhas, sambas-canções, toadas, serestas. O Rio de Janeiro começava a sentir ameaçado com sua anunciada perda - prevista na Constituição de 1946 - do status de capital do Brasil para uma cidade ainda a ser construída (a partir de 1956) no Planalto Central.

A Bossa Nova ainda era um sonho de alguns músicos inspirados no cool jazz norte-americano e nem tinha este nome antes de 1957, anjo do famoso show de "samba-jazz" dos "bossa-novas" do Colégio Israelita-Brasileiro, no Rio.

A geração de homens que se tornaram empresários, profissionais liberais e executivos nascida nos anos 50 encontra uma realidade bem diferente da dos seus similares britânicos, que encontravam um Reino Unido retomando sua imponência, depois de se recuperar dos abalos da Segunda Guerra Mundial do qual saiu um dos vitoriosos.

Só para se ter uma ideia, a geração que fez o rock pré-Beatles, do começo dos anos 60, nasceu entre o final dos anos 30 e meio dos anos 40. Até os Beatles tinham sua fase pré-Beatles, incluindo até mesmo uma composição rara de George Harrison com John Lennon, "Cry For a Shadow", um simpático sarro com a banda mais popular daqueles idos de 1960-1961, The Shadows. E no rádio dos anos 50 da Grã-Bretanha se tocava sobretudo standards, easy listening e o embrião do rock britânico, o skiffle.

A turma que fez a chamada "invasão britânica" também veio mais ou menos dessa geração, mas incluiu gente nascida também depois de 1945. E a turma que fez o punk rock de 1976-1977, então, nasceu de 1945 até mais ou menos 1964 (isso contando as garagens com muitos meninotes formando bandas).

A comparação com a geração brasileira com os britânicos nascidos nos anos 50 é gritante - Malcolm Montgomery (nome britânico!) nasceu no mesmo ano de Joey Ramone, Almir Ghiaroni nasceu no mesmo ano de Adam Ant, Eduardo Menga em relação a David Thomas (Pere Ubu), Roberto Justus em relação a gente como Steve Jones (Sex Pistols) e Mick Jones (The Clash) - nenhum parentesco entre esses dois ingleses, vale lembrar - e agora William Crunfli, na foto ao lado da atriz de carrossel Adriana del Claro, é da idade de John Lydon, por exemplo.

Não que a gente queira que nossos sugar daddies brasileiros sejam punks, mas a comparação é gritante pelo background social que representam. Os nossos "coroas" born in the 50s foram impermeáveis até mesmo à frágil tradução da Contracultura brasileira de 1966-1968 e sua continuidade "marginal" do "desbunde" (a nossa psicodelia tardia de 1969-1978) e, o que é pior, destoam até mesmo dos homens de suas próprias gerações que não decidiram se trancar em escritórios ou consultórios.

Pois Malcolm Montgomery é levemente mais novo que Serginho Groisman, mais velho que todos os sugar daddies citados. Eduardo Menga tem a idade de Lulu Santos e é um ano mais novo que Evandro Mesquita. Se Almir Ghiaroni nasceu em 1954, na esquina do tempo nasceu, em 1956, Roger Rocha Moreira, do Ultraje a Rigor, que é da idade de William Crunfli. E Roberto Justus tem a idade de Kid Vinil e do idealizador da Fluminense FM, Luiz Antônio Mello.

Só esses detalhes mostram o quanto o comportamento "sofisticado" dos empresários, executivos e profissionais liberais é defesado até para o contexto de sua geração. Comportamento que é partilhado também por homens que não são sugar daddies, mas se destacam no colunismo social como o economista Walter Mundell, marido de Ana Paula Padrão, e Walter Zabari, vice-presidente da Rede Record, marido da atriz Angelina Muniz.

É aquela coisa. O primeiro cabelo grisalho faz o homem "de sucesso" passar a só usar sapatos de verniz no cotidiano, a só ouvir música lenta e a adotar apressadamente uma bagagem de conhecimentos mais antiga que sua idade pode sugerir, menos por uma identificação com o passado não vivido e mais por uma associação forçada a ele, talvez para impressionar antigos patrões e professores dos tempos da Faculdade.

Eles se comportam como se fossem o "rabo da geração" dos homens nascidos nos anos 30 e 40. Tentam dar a impressão de que conheceram a fundo a Lojas Murray (loja de discos e eletrodomésticos que havia no centro carioca e que, apesar do nome em plural, não tinha filiais) ou a Boate Vogue, aquela boate do Barão Von Stuckhart em Copacabana destruída num trágico incêndio.

Tentam nos fazer crer que ouviam na adolescência não o rockão ripongo que escutaram, mas os standards de Hollywood safra 1943-1952 e seu pedantismo tenta fazê-los tão "contemporâneos" quanto Millôr Fernandes e Norman Mailer, só para citar os mais modernos. E, quando alguém fala em nomes como Glenn Miller, o "coroa" nascido nos 50 solta logo um suspiro pedante: "Ah, Glenn Miller...", como se tivesse ido a alguma apresentação do músico e maestro desaparecido durante a Segunda Guerra Mundial em 1944.

Tudo bem que eles possam se comportar assim, se o contexto permitisse. Mas eles estão casados com moças que viveram outras coisas, ouvindo rock brasileiro, vendo a MTV Brasil, e, como trintonas, estariam mais para uma visão atualizada das "Garôtas" de Alceu Penna do que das balzaquianas cantadas pelo sambista Miltinho.

Fica um quê de insatisfação. "Já que não posso ter uma mulher da minha idade, já que as que sobraram não são atraentes e me acham um imaturo, então vou pegar uma mulher mais jovem e me comportar como se fosse mais velho até do que eu mesmo", é o que sugerem esses homens para nós.

E nada como viagens para a Itália, sobretudo Roma, paradigma do que há de antigo e precioso na Europa, para afirmar esse comportamento, acrescido a um certo desprezo à cultura dos anos 80 apreciada por suas jovens esposas, mas que era sinônimo de "ralação" para os maridos, trintões e yuppies na época.

Por isso eles evitam a Inglaterra, onde os homens de sua geração são associados a um comportamento mais arrojado e rebelde. Se têm que viajar para Londres, o fazem sem qualquer alarde, quando muito só para mostrar aos amigos que foi para lá, sem tanto orgulho como se viajassem para Roma.

Eles preferem se espelhar num repertório caduco de Perry Como (o Pat Boone dos standards de Hollywood) do que numa única música de Leoni e Roberto Frejat, "moleques" um pouco mais novos (nascidos em 1961) do que os "sofisticados coroas" brasileiros.

Mal sabem esses senhores que essa "sofisticação" é apenas um mimetismo aos valores "elegantes" e "chiques" que eles aprenderam nos anos 70. E que só estavam em alta até 1975, quando seus contemporâneos ingleses chutaram o pau da barraca e deram um terceiro banho de "rejuvenescimento" comportamental da humanidade, depois dos hippies e dos roqueiros dos anos 50 (sim, o tempo em que os nossos "coroas" nasceram ou eram bebês).

Hoje os homens podem passear usando tênis e bermudão, quem tem mais de 55 anos não precisa se prostar com músicas lentas e ninguém é obrigado a expressar um pedantismo intelectual nas festinhas adultas dos fins de semana. A regra hoje é arejar a mente, sem se apegar por normas caducas de etiqueta que nossos "coroas" aprenderam quando eram calouros de faculdade há cerca de 40 anos.

Se estão casados com moças mais jovens, aprendam o que elas ouvem e apreciam. Vão ouvir um pouco de Rock Brasil. Deixem de falar de política para agradar antigos professores de faculdade ou ex-patrões. Se fossem pesquisadores, pelo menos havia razão de algum apego ao que é mais antigo, mas quase sempre isso não passa de um pseudo-saudosismo para simular maturidade.

Relaxem, homens. Não adianta a maturidade forçada, a elegância obsessiva. Não é à toa que Serginho Groisman é mais velho do que todos eles. Mas que, espiritualmente, amadurece em paz com a juventude de espírito. Deixemos a juventude amadurecer também.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

BLAKE LIVELY ESTÁ CASADA


Sempre existe um homem para uma mulher que não é vulgar. E mais uma mulher está no time das casadas, a deliciosa e brejeira Blake Lively, atriz do seriado Gossip Girl.

Sim, é verdade que ela está casada com um ator esforçado, Ryan Reynolds, que eu já vi em comédias na tevê, mas a verdade é que não existe mulher legal e atraente para todo mundo.

Nos EUA, repetimos, o efeito é menos danoso. Se temos uma JWoww totalmente sem graça que mais parece uma ex-BBB reembalada nos Estados Unidos, sem falar das "donas de casa" norte-americanas que se divorciam com a maior facilidade, no Brasil, como se diz o ditado, "o buraco é mais embaixo".

Aqui então um casamento desses causa um impacto maior ainda. Porque o que sobra são as Geisy Arruda e Maíra Cardi que tratam as ruas como se fossem o vestuário de suas casas, mostrando o corpo da forma tão abusiva e "gratuita" que não dá para admitir que isso é "liberdade do corpo", desculpa dada por troleiros machistas que - só eles - gostam dessas musas vulgares.

Blake é mais uma das garotas do filme do "jeans viajante" que estão casadas. America Ferrera (ex-Ugly Betty) foi a primeira. Ambler Tamblyn (ex-Joan of Arcadia) está noiva e, segundo rumores, Alexis Bledel (ex-Gilmore Girls e também do elenco de Sin City), está "conhecendo alguém". Todas elas gatas de verdade, que sabem a beleza que possuem, mas não precisam ficar bancando as "gostosonas" de forma tão ostensiva e fútil tal qual certas famosas "carentes" fazem até nos aeroportos.

Portanto, fica aqui a bronca, não pelo casamento de Blake, do qual desejamos sinceramente muitas felicidades, mas pelo fato de que há poucas mulheres legais assim disponíveis.

Queremos, pelo menos, que as mulheres mais vulgares deixem de amolar os homens legais e que aceitem os assédios de vaqueiros, peões, jogadores de futebol e policiais que as assediarem. Porque são eles que gostam das mesmas coisas que as moças que "mostram demais" tanto adoram.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

JÁ CHEGOU O REVIVAL DOS ANOS 90


O que se temia, há dez anos, se concretizou. Agora temos o revival dos anos 90, a década mais vazia do século XX.

O revival é promovido com entusiasmo pela grande mídia, porque foi uma época em que seus executivos detinham a supremacia no gosto cultural de seus consumidores.

Fenômenos recentes como os filmes Rock Of Ages e Os Mercenários 2, os grupos de garotos como o One Direction, a cantora Lady Gaga, o "sertanejo universitário", as "boazudas" e o "funk carioca" são alguns exemplos de como a mediocridade dos anos 90 se consolidou em fenômenos atuais.

Como numa verdadeira pegadinha - não a do saudoso Don Rossé Cavaca, mas aquela bem "anos 90", tipo Sérgio Mallandro - , o revival dos anos 90 pega desprevenido quem acha que tudo que é antigo é genial, como se estrume quando fica velho se transforma em ouro.

Os anos 90 foram uma década marcada pela mediocridade quase absoluta, na qual pouca coisa escapava. Tínhamos coisas boas nos anos 90, mas elas eram apenas uma minoria admirável, uma ilha de criatividade e coerência diante de um mar de frivolidades e grosserias.

Mas os anos 90 viciaram muita gente que nasceu na década anterior e foi educada, através de babás inexperientes, pelo pior da televisão aberta. E que fez com que muitos achassem preciosidade coisas que nem são tão legais assim, ou talvez não mereçam essa adoração toda, que beira à cegueira.

Algumas coisas são bem sintomáticas. Vejamos:

- Se você acha Michael Jackson, Whitney Houston, Michael Bolton e Bee Gees o supra-sumo da música mais sofisticada (na boa, eles são, quando muito, apenas um razoável pop comercial estrangeiro), isso é um hábito bem "anos 90";

- Se você acha natural que, no período vespertino, com crianças na sala e tudo, haja programas policialescos ou de baixarias glúteas na televisão aberta, isso é uma impressão bem "anos 90";

- Se você acha que o breganejo de nomes como Chitãozinho & Xororó, Zezé di Camargo & Luciano, Daniel (ex-João Paulo & Daniel), Leonardo (ex-Leandro & Leonardo), é sinônimo de "música caipira de raiz", é sinal que você se contagiou com o "espírito dos anos 90";

- Se você acha que filme de qualidade é aquele que mostra dramalhões piegas ou, quando é de ação, mostra muitos efeitos especiais, com os mocinhos voando diante de uma explosão, você pegou o "espírito dos anos 90";

- Se você acha que o metal farofa (Guns N'Roses, Bon Jovi, Poison, Mötley Crüe) é o seu paradigma de rock clássico, então você entrou no clima medíiocre-pragmático dos "anos 90";

- Se você acha que até Trem da Alegria e Balão Mágico são cult e Michael Sullivan & Paulo Massadas são a "sofisticação na MPB", você é bem "anos 90";

- Se você quer que uma rádio de rock toque "de tudo" - reggae, hip-hop, música eletrônica, soul e até algum brega - , e quase nada de rock, você está "bem anos 90";

- Se você valoriza a coisa mais pelo que ela deixa de ser de ruim do que por alguma coisa melhor que seja, você está "bem anos 90";

- Se você acha que boa literatura são livros de auto-ajuda e grandes cantores são aqueles que conseguem berrar e fazer malabarismos vocais - desses que transformam monossílabos em decassílabos (qualquer dúvida procure o professor de Português da escola mais próxima) - , você é um típico sujeito "anos 90";

- Se você se irrita quando alguém contesta seus ídolos medíocres, você também age tipo "anos 90";

- Da mesma forma, quando alguém fala que os jovens se tornaram mais alienados e conservadores nos anos 90 e você responde, mesmo educadamente, que "não é bem assim", querendo negar a hipótese, você também está no "espírito dos anos 90".

Há outras coisas, como a reabilitação de corruptos como Fernando Collor, Paulo Maluf e, em território baiano, Mário Kertèsz, ou na credulidade nas reportagens pseudo-investigativas da decadente revista Veja (quando você é contra a corrupção política), ou o endeusamento de mulheres apenas por conta do "corpão turbinado", ou a glamourização das pessoas "sem conteúdo" através do Big Brother Brasil, que caraterizam bem a herança da mediocridade dos anos 90.

Da mesma forma, é bem "anos 90" ver a década de 1990 se encerrar sem que alguém levasse em conta o seu fim. Era fim de década, próximo ao fim de século e de milênio, mas ninguém na imprensa da época (1999-2000) fez qualquer menção sobre o fim dos anos 90, como se a década seguisse sua natural prorrogação nos anos seguintes. E seguiu.

Se temos a choradeira intelectual pelo brega, a trolagem de internautas reacionários e grotescos, o travestimento de valores retrógrados, como o machismo, em roupagens pseudo-modernas, e a mediocridade cultural tomando até mesmo os espaços antes remanescentes de cultura de qualidade, é porque essa herança da "década que ainda não acabou (mas já devia ter terminado faz tempo" se consolidou nos últimos anos.

E haja uma nostalgia imbecilizada, cafona, de coisas que nem deveriam causar saudade. Um saudosismo vago, que só serve para reafirmar a mesma mesmice, de um presente que, há mais de 20 anos, se recusava a ser passado, mas, já que assim se tornou, agora se vende como pretensa preciosidade.

sábado, 8 de setembro de 2012

ATÉ PARECE QUE ELISHA CUTHBERT É BRASILEIRA


Recentemente, foi divulgada a notícia de que a atriz de Show de Vizinha, a estonteante norte-americana Elisha Cuthbert - que lembra muito a Debbie Harry nos primórdios do Blondie - , está noiva do jogador de hóquei Dion Phaneuf, esse grandalhão que se vê na foto.

Até parece que Elisha é brasileira, porque ela foi marcada por um papel de garota legal que era vizinha de um nerd, no citado filme de 2004 cujo título original foi The Girl Next Door.

"The girl next door" é uma gíria muito famosa nos EUA para definir aquela garota próxima da gente, acessível em nosso meio social.

É até controverso o sentido de "garota legal", pois para certos homens o sentido se volta apenas para mulheres sexualmente atraentes (mas com uma personalidade meia boca), mas no caso da personagem de Elisha, Danielle, era realmente uma garota legal.

Infelizmente, no Brasil, são raras as garotas legais que são solteiras e acessíveis. Existem, mas são poucas. A maioria dessas garotas está mesmo comprometida, e até que Elisha só anunciou o noivado agora, quando fará 30 anos daqui a pouco mais de dois meses. Se fosse brasileira, o noivado já teria sido anunciado pelo menos há uns cinco anos, e hoje ela estaria anunciando o casório.

Enquanto isso, Geisy Arruda foi para uma peça em homenagem a Jair Rodrigues - figura admirável da nossa MPB, mas meio bajulada pelos bregas - ostentando suas "formas físicas" como se fosse carne de rua, toda "oferecida". É ela que está à procura de caras legais? Argh!

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

"SERTANEJO PEGAÇÃO" COMPRA ESPAÇOS NO EXTERIOR


O que um bom empresário é capaz de fazer no Brasil. E o que um bom empresário é capaz de fazer no exterior.

Junte um bom empresário, cheio de grana, mas adotando trajes modestos e trabalhando em estúdios mal arrumados para manter as aparências, no Brasil, e uma empresa de cadastro de casas noturnas europeias, além de um jabaculê capaz de comprar execuções radiofônicas registradas por revistas como Billboard e, bingo, o "sertanejo pegação" vira "sucesso" no exterior.

Foi assim com Michel Teló, tenta-se com Gusttavo Lima e agora vem o Alex Ferrari com seu sucesso "Bará, Berê", aparentemente tocado primeiro nas paradas estrangeiras.

Esse é o maior truque publicitário que os empresários de brega-popularesco fazem, depois que, nos últimos anos, os ídolos popularescos - da emergente Stefhany Absoluta ao relançado Beto Barbosa - deram prioridade ao YouTube em detrimento do rádio.

A coisa funciona da seguinte forma. Há um empresário de agência de famosos, que contrata ídolos brega-popularescos, que não pode ser considerado "pobretão", até porque é podre de rico. Ele entra em contato com cadastros, na Internet, de casas noturnas existentes no exterior. Escolhe alguns desses locais, faz pacotes de viagens, joga seus ídolos lá para se apresentarem.

Com a viagem, o empresário negocia apresentações de seus clientes em programas de TV de segunda categoria, além da compra de execuções em rádios FM mais influentes. Se preferir, contata-se um DJ local para fazer alguma remixagem do "novo sucesso" de seu cliente (o tal ídolo popularesco) para jogar a música nas pistas de dança.

Esse é o esquema que está fazendo com que os chamados ídolos do "sertanejo pegação" façam sucesso no exterior. Nada que represente o triunfo de uma suposta "cultura popular" dominante no Brasil. E isso não é novidade, pois nos anos 70 o brega já se preocupava em "exportar" seus ídolos - vide o caso de Morris Albert e Terry Winter, entre outros - , das tentativas de lançar Chitãozinho & Xororó, É O Tchan, Alexandre Pires e Ivete Sangalo no exterior etc.

Até no "funk carioca" a manobra envolveu tanto nomes conhecidos como Tati Quebra-Barraco quanto muitos nomes que ninguém ouviu falar, que fizeram "turnês" pela Europa às custas de modestas casas de espetáculos cadastradas numa única empresa contatada pelos empresários dos funqueiros.

O jabaculê globalizado dá a falsa impressão de que a "cultura de massa" brasileira ganhou respaldo no exterior. Isso é mito. Na verdade, esses nomes se apresentam para colônias de brasileiros no exterior, que são o verdadeiro público interessado.

No entanto, a farsa chega ao Brasil, sobretudo através da mídia de celebridades - sempre afeita a uma fofoca, a uma invencionice que transforma boatos em fatos - , que dizem que o "artista tal" faz sucesso no mundo inteiro. Cria-se um discurso verossímil para que a lorota faça sentido, em programas da já grotesca TV aberta, feitas para um público sem muita capacidade de pensar e verificar as informações recebidas.

No entanto, tudo vira "fogo de palha". Não é qualquer um que pode ser um João Gilberto, um Tom Jobim. Os estrangeiros são mais espertos e sabem que há muita mediocridade brasileira empurrada para o exterior. Mas os espaços comprados para a divulgação, como casas noturnas, programas de rádio e TV etc, nem de longe são espaços onde brilha a cultura de qualidade, seja de que país for. Não são mais do que equivalentes europeus das biroscas que se vê no interior do Brasil, o contexto é que é outro.

Portanto, "Tchererês", "Parapapás", "Berês, Barás" e outros não estão conquistando o mundo. Estão apenas se difundindo em espaços de terceira categoria para baixo no entretenimento da Europa e dos EUA, e que de nenhum modo fará seus intérpretes e autores "grandes gênios da nossa música". Eles continuam medíocres, só ficaram um pouco mais famosos com esse jabaculê globalizado.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O PROBLEMA DO BREGA-POPULARESCO É A FALTA DE OPÇÕES


A princípio, o brega-popularesco nunca me incomodou. Desde quando eu era pequeno, eu nunca me identifiquei com a breguice cultural que começou a crescer durante a ditadura militar.

Já chorei, bebezinho, sempre quando o rádio tocava "Impossível Acreditar que Perdi Você", de Márcio Greyck, um sucesso logo do meu ano de nascimento, 1971, mas que depois foi regravada por Fábio Jr. e está até na novela Cheias de Charme (Rede Globo) na versão do personagem Fabian.

Eu sempre achei o brega uma piada. Com boa vontade, dava para rir. Aos três anos, eu já achava "Eu Não Sou Cachorro, Não", de Waldick Soriano, ridícula. Nunca a levei a sério.

E quem pensasse que eu era preconceituoso, no sentido de não saber o que era brega, é bom deixar claro que conheci o brega porque vi televisão na minha infância. Nahim, Gretchen, Ângelo Máximo, Wando, Odair José, Benito di Paula, além de coisas assumidamente cômicas, como Sidney Magal e Reginaldo Rossi. E tinha os já falecidos Evaldo Braga, Carlos Alexandre e Mauro Celso (este de sucessos como "Farofa-fá" e "Bilu Teteia", que eram os equivalentes aos "tchu, tchás" de hoje).

Claro que minha praia sempre foi, é e será outra. Preferia a boa MPB dos anos 60 e 70, e no rádio da minha infância pude ouvir "Flor de Liz", de Djavan, "Refazenda", de Gilberto Gil, o sucesso "Meu Limão, Meu Limoeiro", de Wilson Simonal, "Como Nossos Pais", a música de Belchior na gravação de Elis Regina, e coisas vibrantes como "Mestre Jonas", de Zé Rodrix.

Até curtia uma boa MPB, mas a deixei de lado em prol do rock alternativo, porque nos anos 80 MPB era monopolizada por canções de amor melosas e monótonas que, para um adolescente que via as mulheres desejadas terem outros namorados, nada diziam. E não pense que o brega de então seguiu outro caminho, como tanto alardeiam os intelectuais, que a coisa era exatamente a mesma. Guilherme Arantes criava umas baladas, vinha Gilliard, José Augusto e companhia copiando a fórmula feita.

Naqueles tempos dava para escapar do brega. Daí que o brega nunca incomodou muito. Ele passou a incomodar dos dez anos para cá, quando a choradeira intelectual defendia o brega não como ele realmente era, mas como "preciosidades da MPB", na tentativa de levar a música cafona a sério demais.

E entendia-se música cafona até mesmo os arremedos de cultura popular que apareceram dos anos 70 em diante, como a lambada, a axé-music e o "funk carioca". Sem falar do tal breganejo. E tudo isso até tinha seus espaços, mas não incomodava o rock, nem a MPB, nem qualquer outra expressão artística.

Só que a choradeira intelectual de 2002 para cá empurrou o brega-popularesco para cenários, ambientes e redutos que não lhe eram próprios. Na boa, o brega já tinha espaços demais para divulgação e sucesso. Mas de repente, ele invadiu os espaços da MPB e do rock, a pretexto de "diversidade cultural", indo, na vedade, contra essa diversidade.

Isso é que ficou preocupante. Até para arrumar uma pretendente que não curta brega-popularesco ficou mais difícil. E enquanto músicos de MPB e Rock Brasil não tinham mais seus próprios espaços, a ponto de sofrerem dificuldades que culminam no caso da miséria do músico Renato Rocha, ex-Legião Urbana, o brega-popularesco que já tinha suas casas "mega-shows" e quase todos os espaços populares, passou a invadir espaços alheios.

Chega-se ao ponto de ver músicos de MPB e de Rock Brasil "mendigarem" espaço duetando com Zezé di Camargo & Luciano, Mr. Catra e Banda Calypso, ou gravando covers de MC Leozinho, Calcinha Preta e Odair José, tudo para não cair no ostracismo.

Isso é que tornou o brega-popularesco mais repugnante. Sua ganância de invadir espaços alheios como se isso fosse "fim dos preconceitos". Não é. O brega é que sempre foi preconceituoso contra a MPB, vista como "música de doutor", e quem apoia o brega é que não sabe verificar as coisas. Preconceituosamente, "rompem-se preconceitos" para manter o status quo do entretenmento popularesco.

Por isso, acabamos sofrendo uma falta de opções. Antes, havia o brega, mas ele não era hegemônico, ele tinha seus espaços e as outras tendências tinham os seus. Isso é que era, de certa forma, uma diversidade. Mas hoje praticamente não temos opções. Há brega até nos redutos e festas que antes rolavam MPB e Rock Brasil.

Daí a bronca dos críticos menos tendenciosos como Ruy Castro, Mauro Dias e Dioclécio Luz. Hoje não há opções fora da pasmaceira brega-popularesca. Que, por sinal, gerou cantores e conjuntos demais, todos eles medíocres e sem criatividade. E nossa cultura morre à mercê desse hit-parade à brasileira, megalomaníaco e prepotente, que impede que as pessoas comuns tenham outras escolhas. Isso aborrece.

QUANDO ELEGÂNCIA DEMAIS GERA DESELEGÂNCIA


Elegância requer contexto. De que adianta caprichar em paradigmas de elegância de forma obsessiva, se, ao desrespeitar contextos e situações específicas, essa elegância se converte em deselegância e o chique vira brega?

François Henri-Pinault, mega-empresário francês que, pasmem, é dono até de marca de tênis - calçado que parece só aprender a usar nas situações de lazer nos últimos meses - é um exemplo dessa elegância fora de contexto.

Da mesma forma que, no âmbito da sensualidade feminina, vimos a ex-Big Brother Brasil Maíra Cardi se comportar, num aeroporto do Rio de Janeiro, como se estivesse num vestuário feminino de uma escola de ensino médio - e a ex-BBB faz 29 anos hoje (desculpem, pesquisei o Wikipedia e a data é hoje mesmo, a culpa não é minha e nem sou fã dela) - o milionário francês se comporta em situações de passeio como se estivesse em algum intervalo de almoço no seu trabalho empresarial.

Sim, meus amigos, a foto em questão indica, pelo menos é o que diz o sítio Just Jared, que François, aqui com a esposa Salma Hayek e a filha Valentina (que não aparece na foto), está apenas a passeio na cidade italiana de Veneza.

E mais. Se trata de um dia de verão, embora num clima ameno e de um céu em nuvens brancas, sem chuva. Ver que François Henri-Pinault, que só entrou nos 50 anos este ano, mas adota um padrão de vestuário de um homem bem mais velho, se veste assim para um simples passeio, é algo que não dá para entender. Sobretudo tendo a atriz mexicana, jovial nos seus 46 anos (completos ontem), como esposa.

Eu, por exemplo, numa ocasião destas, usaria uma camiseta e uma bermuda, com meia esporte e tênis. Dá para ser elegante assim. Mas mousieur Pinault, forçando a barra na elegância - tal qual, no Brasil, as "boazudas" forçam a barra na sensualidade - , prefere usar um terno e sapatos de verniz que, numa reunião de negócios, caem muito bem, mas, num passeio de rua, é péssimo e sugere desconforto.

Sabe o que o empresário quis dizer para a sociedade com essa roupa? Que ele acabou de sair, às pressas, de seu trabalho de negócios, voltou para casa só para tirar a gravata e colocar o perfume, e depois foi sair com a família.

Evidentemente não é assim que ocorre, mas simbolicamente, François Henri-Pinault quis dizer, para as pessoas em sua volta, que gosta mesmo de não se sentir à vontade e não passa de um escravo das rígidas regras de etiqueta que só estavam em alta até por volta de 1975.

E pensar que tem muito mega empresário de Internet que fez o oposto disso, fazendo negócios até com trajes de skatista. Quem te viu, quem te vê.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

EMPRESÁRIOS E PROFISSIONAIS LIBERAIS COSTUMAM SER MUITO CHATOS


Já falamos que, na hora do lazer, profissionais liberais, executivos e empresários são chatos de tão superficiais e tendenciosos.

Se eles levam a melhor entre as mulheres, isso se vai mais em conta de sua segurança financeira e pela habilidade de seguir as conveniências sociais do que pelo seu caráter, apenas naturalmente insosso.

Nota-se, por exemplo, que a capacidade deles assumirem posições de liderança nas suas profissões segue uma razão inversa à capacidade de se divertirem com alguma ou, melhor dizendo, qualquer espontaneidade.

Por isso eles fingem, e fingem muito, só para impressionar. Médicos, publicitários, empresários e advogados com mais de 55 anos hoje exibem uma falsa erudição cultural, acima até mesmo do que suas gerações são capazes de assumir. Tentam soar culturalmente mais velhos do que são, não pela identificação por um passado que não vivenciaram e lhes seduz, mas como um recurso pedante para impressionar, nas festas, seus antigos professores e patrões.

Mas isso envolve várias idades. É só ter mais de 40 anos e, pelo menos, mais de dez de profissão e mais de cinco em algum cargo de liderança, que o pedantismo se torna uma coqueluche entre os profissionais liberais, empresários e executivos, que, salvo exceções, não são assim tão cultos quanto se parece. Mas precisam agradar ex-patrões, ex-professores de faculdade e outros envolvidos. Sobretudo as lindas mulheres que conquistaram e com as quais estão casados.

Todos "gostam" de "boa música", do "melhor teatro", "melhor filme" e da "alta pintura". Se nas festas onde há adultos existe alguma "brincadeira" - fora a única que os adultos, na ocasião, conseguem brincar sem depender de alguma criança ou adolescente, que é jogar baralho - , ela geralmente é a do pedantismo, com todo mundo fingindo ser intelectual ou analista político. Ou, dentro de algum surto "populista", fingem ser especializados em futebol.

Em outra oportunidade, escrevi que essa "inteligência" toda não é mais do que a interpretação sobre o que se viu em alguma revista, algum telejornal, algum jornal, algum sítio na Internet. Pode até ser um saber adquirido na hora, mas não é fruto da experiência social mas do casual consumo das notícias da véspera. Pode ser alguma coisa, mas não chega a ser a sabedoria pretendida.

Pior é que os homens dessas profissões apenas dão a impressão de que fazem tudo para agradar. Tudo por conta de um sucesso profissional que, aliado a uma certa vaidade pessoal, dá a impressão falsa da perfeição e da capacidade de saber mais do que suas condições naturais. Afinal, um simples faturamento da empresa, uma cirurgia bem sucedida, uma análise econômica acertada, um projeto de engenharia bem realizado ou uma retórica jurídica vitoriosa não faz de empresários, profissionais liberais e executivos bons críticos de arte, excelentes cientistas políticos ou promissores cronistas de futebol.

Pelo contrário, muitas vezes médicos experientes com mais de 50 anos, na sua busca pedante de soarem "mais velhos", creditam como jazz qualquer evento musical de black tie ou pouco cuidam se o cinema de Hollywood é tão "intelectual" quanto o europeu.

Evidentemente, todos buscamos um aprimoramento cultural, mas uma coisa é perseguir uma impressão apressada de sabedoria e outra é buscar um aprendizado que, aparentemente modesto, é ao menos mais sincero, espontâneo e qualitativamente abrangente.

Não é qualquer um que pode adotar referenciais culturais "mais velhos" do que sua idade. Pessoas que ouviram Jovem Guarda na adolescência não podem, aos 55 pros 60 anos, dar a falsa impressão de que seu cantor de juventude era Bing Crosby. Ou empresários e economistas de 40 e tantos anos não podem achar que, pelos seus êxitos profissionais, podem lhes fazer bons analistas geopolíticos a fazer suas exposições para os amigos em simples festas de aniversário de crianças (!).

A pretensa erudição, a pretensa perfeição cultural, intelectual e existencial, não faz empresários, profissionais liberais e executivos mais interessantes. Sobretudo, num contexto em que a pretensa erudição não é mais do que propaganda de suas profissões na hora do lazer. Tentam ser legais, mas tornam-se muito chatos. Melhor seria que eles deixassem de ver o lazer como extensão de suas profissões.

Findo o trabalho, eles não são mais empresários, economistas, advogados, médicos, publicitários, engenheiros etc etc etc, mas, tão simplesmente, pessoas em busca de diversão. E que não deveriam depender de crianças e adolescentes para se divertirem como quiserem.

sábado, 1 de setembro de 2012

A GÍRIA "BALADA" FICOU BREGA. E "GALERA" FICOU INÚTIL


A gíria "balada", de propriedade intelectual de Luciano Huck - foi ele seu maior divulgador - , foi o recurso da velha grande mídia para testar seu controle sobre o público juvenil.

Gíria surgida no submundo da vida clubber - como havia citado um internauta que me escreveu para o blogue O Kylocyclo - , ela foi apropriada pela Jovem Pan 2 e pelo apresentador Luciano Huck para ser "a gíria das gírias".

Evidentemente, a intenção de se criar uma gíria "acima dos tempos e das 'tribos'" foi por água abaixo, já que o termo "balada" tornou-se ridículo dentro do empobrecimento do vocabulário juvenil.

Embora oficialmente a gíria "balada" tenha servido para designar uma forma brasileira e um tanto brega de rave - típica festa noturna lançada pelo Reino Unido, em 1988 - , ela era usada até mesmo para uma simples reunião de pessoas  em um bar, durante a noite. Chegou-se a esse ponto do ridiculamente aleatório.

Foi o teste usado pelos barões da grande mídia dentro da perspectiva do "vocabulário de poder" descrito por Robert Fisk para o caso da imprensa norte-americana, dentro dos assuntos geopolíticos. E, como o Brasil ainda se encontra em posição semi-marginal na geopolítica mundial - quando muito, o Brasil faz o papel de "quintal" do G-8, o grupo dos países mais industrializados do planeta - , o "vocabulário de poder" foi aplicado no ramo do entretenimento, para dar a impressão de uma atitude "apolítica" e "sem ideologias".

"GALERA" DISSO E DAQUILO

Testou-se também a generalização da gíria "galera", originalmente uma gíria que surfistas tomaram emprestado dos hippies, que tomaram emprestado dos futebolistas, que tomaram emprestado dos marinheiros. Aí tentou-se abolir palavras como "família", "equipe", "turma", "classe", e qualquer agrupamento, substituindo todos eles pela palavra "galera".

A medida - que inutiliza o nosso esforço, na infância, de decorar os coletivos, nas aulas de Português, num verdadeiro atentado à gramática - , em vez de simplificar, acaba complicando. Em vez de se dizer o coletivo correspondente, com o uso do termo "galera" a pessoa teve que, para não complicar demais, acrescentar ao termo o lugar que define que "galera" é essa.

Por exemplo. Em vez de falar "família', fala-se "a galera lá de casa". Em vez de falar "turma", fala-se "a galera lá da rua" ou "a galera lá da escola", conforme o contexto. Se for "equipe", fala-se "a galera lá do trabalho", "a galera da TV", "a galera do estúdio". Na verdade, ficou bem mais complicado.

Como se não bastasse o uso maior da saliva para pronunciar tantos "l" - "galera" e "balada" - e o risco de pronunciar cacófatos, como o termo "vou pra balada c'a galera", a tentativa de simplificar o vocabulário acaba complicando e empobrecendo ao mesmo tempo. Ficou mais banal, mais preguiçoso e nem por isso mais moderno.

Afinal, nos países de língua inglesa, nenhum jovem passou a trocar o "I'm going to the party with my friends" ("Vou para a festa com meus amigos") ou o "I'll spend the night with my pals" ("Vou passar a noite com meus colegas") pelo "I'm going to the ballad with my crew" ("Vou pra balada com a galera"). E quem tentasse acharia patético.

Mas no Brasil se ser imbecil é a regra na mídia, quem discordar ganha uma trolagem de presente, cortesia dos Reinaldos Azevedos do amanhã, para os quais o estabelecido pela mídia no entretenimento é a única lei social a ser seguida.

USO DA GÍRIA "BALADA" NÃO SE TORNOU UNIVERSAL

 O esforço da grande mídia em transformar a "balada" numa espécie de "gíria do III Reich", de carro-chefe de uma "moderna gramática" ensinada não pelas escolas, mas pela velha grande mídia, não deu certo. No meio do caminho, houve gente que estranhasse as coisas, por diversos motivos.

Primeiro, porque não existe uma gíria que esteja acima dos tempos e dos grupos sociais. Uma gíria nasce, cresce e morre conforme o contexto social. Chegou-se ao ridículo da gíria "balada" ter seu próprio esquema de marketing, ser empurrada até mesmo em noticiários "sérios" da televisão ou da imprensa escrita, na tentativa de atingir até mesmo o público mais adulto.

Segundo, porque estimulava a preguiça gramatical já habitual entre muitos jovens brasileiros, que já escrevem errado nos computadores e, emburrecidos, se acham "inteligentes" por nada, o que é uma burrice pior ainda, porque já não é mais ignorância e sim estupidez. E também não torna a fala ou a escrita mais bonitas.

 Sim, porque existe uma grande diferença em dizer e escrever "vou para uma festa com meus amigos", "vivo com minha família em minha casa", "trabalho no estúdio com minha equipe" do que em dizer e escrever "vou para a balada com a galera", "vivo com a galera lá de casa" e "trabalho com a galera lá do estúdio". O coloquialismo forçado, aliás, das gírias "balada" e "galera" criou algo tão forçado e, de certa forma, formal, dentro do contexto midiático atual.

Virou um parnasianismo às avessas, da rigidez "informal" (que expressa, na verdade, um formalismo às avessas, mas bastante rigoroso), do coloquialismo obrigatório que nada teve de coloquial. Não era mais espontâneo, se você era jovem tinha que substituir "festa" e "boate" por "balada", "família" e "turma" por "galera", e se alguém achava que isso faria qualquer um mais moderno, está enganado.

Afinal, as duas gírias acabaram, sim, escondendo os instintos mais reacionários de boa parte dos jovens. Tive um incidente terrível no Orkut só porque questionei a gíria "balada", que era a "máscara" usada para jovens ultrareacionários parecerem modernos. Escondem-se ideias retrógradas com vocabulários "modernos". Tive até que cancelar minha primeira conta diante de ameaças, em janeiro de 2007.

O uso não se tornou universal, apesar da insistência da grande mídia. Empurrou-se as duas gírias até para punks e headbangers mais jovens, sem muito êxito (estes haviam de receber bronca dos amigos mais velhos) e ficou patético pessoas de 30, 35 anos falarem em "tava na balada c'a galera", com cacófato e tudo.

BANALIZAÇÃO

O uso das gírias "balada" e "galera" acabou indo por água abaixo quando passou-se a criticar os problemas resultantes da vida noturna, sobretudo em incidentes policiais, como apreensão de drogas e violência. Só isso fazia com que as gírias, associadas a esse estilo de vida, perdessem sua força totalitária, sobretudo "balada", que seria a "gíria do III Reich", destinada a ultrapassar milênios na história da humanidade.

Além disso, a princípio certas modelos brasileiras usavam e abusavam dessas gírias, até que fenômenos como a agência Victoria's Secret, com suas modelos estrangeiras continuando a falar "I go to the party with my friends" - sem falar que um sucesso do pop eletrônico, do projeto Groove Armada, se chama "My Friends" e não "My Crew" (lê-se "mai cru") - , mudaram completamente a situação.

Desde então nenhum ator ou atriz passava a cuspir saliva para pronunciar aberta e obsessivamente essas gírias. Mas elas continuavam valendo para a "multidão comum" dos internautas que escrevem errado e vão atrás do estabelecido pela mídia do entretenimento sem verificar, deixando o raciocínio para coisas "mais importantes" como saber a diferença entre o sabor da cerveja Antarctica  e o da Brahma Chopp.

A banalização se deu pelo fato de haver, no Brasil, um arremedo tardio de cultura clubber - em moda no país enquanto se desgastava na Europa e nos EUA, conforme atestava a imprensa estrangeira - , que se estendia para o lazer brega-popularesco, sobretudo na axé-music e no dito "sertanejo".

Aliás, o uso da gíria "balada" no chamado "sertanejo pegação" foi o estopim para a bregalização da expressão, já banalizada como gíria da mídia fofoqueira e de celebridades. "Balada" ficou associado a uma versão brega de rave, como já descrevemos, e símbolo de um "ideal de vida" vazio, limitado à curtição, ao narcisismo e à libertinagem mais irresponsável.

Juntando isso à citação da referida gíria através de nomes como Luan Santana, Michel Teló, Gusttavo Lima e João Lucas & Marcelo, aí é que a "gíria do III Reich", que estaria acima dos tempos e dos grupos sociais, caiu de vez.

Afinal, a gíria "balada", em vez de se destinar a "todas as tribos", ficou associada apenas a jovens viciados em festas noturnas, sem qualquer coisa importante para fazer. E, vinculada a tolices breganejas como "tche-tchererê-tchê-tchê", "eu quero tchu, eu quero tchá" e "delícia, delícia, assim você me mata", a gíria "balada" encontra seu inferno astral nesse contexto farrista.

E a gíria "galera", então, de tão banal e tão pobre gramaticalmente - seria um retrocesso substituirmos tantas palavras por uma só, complicando mais a retórica - , tornou-se inútil e associada também a jovens que escrevem e falam errado. Daí que voltou, com toda a força, o uso das "velhas" palavras "família", "turma" e outras, que estavam ameaçadas pela palavra "galera", porque o uso mais plural e diversificado demonstra maior inteligência e bom senso.

Enquanto isso, a outra palavra "balada", aquela que significa música lenta, história dramática ou bater de sinos, continua sobrevivendo e retomou seu voo de fênix porque esses significados sempre estiveram, sim, acima do tempo e das tribos. Porque eram significados construídos não pela imposição midiática e sim pelas realidades sociais vividas em outros tempos.

Resta o consolo de que a gíria "balada" e sua parceira "galera" fizeram seu "passeio" pelos vários veículos da mídia, dia após dia, com muita insistência. E continuam sendo usadas, não mais no sentido de "expressões acima dos tempos e das tribos".

E só pelo uso frequente da gíria "balada", se houvesse a cobrança por parte de Luciano Huck pelos direitos autorais - ele é o divulgador maior da gíria, teria o direito da patente - , ele se tornaria um homem muito mais rico que seu amigo Eike Batista, o maior magnata do Brasil.