quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O GROTESCO DAS "POPOZUDAS" ALÉM DOS LIMITES ACEITÁVEIS


O nível que se encontra o grotesco das chamadas "boazudas" atinge limites aceitáveis.

O mercado está saturado de "musas" assim que só "mostram o corpo". Não têm conteúdo, não têm o que dizer, mas ficam sempre se achando.

A coisa está repetitiva, cansativa, inútil, e chega-se ao ponto da verdadeira degradação da imagem da mulher brasileira, sem medir escrúpulos para sucumbir ao machismo e até ao racismo.

Pior: são paniquetes, 'mulheres-frutas", ex-garotas da "Banheira do Gugu", ex-BBBs, "musas do Brasileirão", "musas do MMA", "garotas da laje", "miss Bumbum" e o que mais houver. Pior, mais "musas" surgem e as veteranas nem saem de cena. O mercado está saturado, repetitivo, cansativo, cheio de mulheres sem qualquer coisa a oferecer de útil e proveitoso. Só servem como brinquedos imaginários para o público machista.

O tenebroso programa Sábado Total, do decadente Gilberto Barros e transmitido pela não menos decadente Rede TV!, vai mostrar a "medição de bumbum" das "musas" do gênero, a ex-Banheira do Gugu Solange Gomes e a funqueira Andressa Soares, a Mulher Melancia. O portal Ego, reduto dos internautas machistas, já adiantou um close dos glúteos siliconados de cada uma. Preferimos não mostrar a foto aqui.

A vulgaridade extrema dessas "musas" tornou-se tão grave que nem a defesa intelectual salvou. Pior: fez de Bia Abramo, que havia defendido a Proibida do Funk em detrimento de um protesto das profissionais de Enfermagem - as enfermeiras de verdade, vale frisar - , esnobado pela jornalista, uma espécie de "urubóloga" da cultura popular. E teve seu texto choroso em prol do "funk carioca" retirado da Fundação Perseu Abramo (Perseu foi o pai de Bia), diante de tamanha afronta aos (verdadeiros) movimentos sociais.

Não há como defender o "mau gosto" como se fosse uma "causa nobre", dentro de outros delírios pós-modernos. Não há como sermos considerados "moralistas" quando manifestamos nossa indignação a esse extremo da vulgaridade feminina. Em tempos em que a emancipação feminina ainda encontra obstáculos, o "espetáculo" das "boazudas" só é um deles, e um dos mais dramáticos, por degradar a imagem da mulher brasileira e investir na imagem caricata das classes populares.

Anos atrás, houve a moda das "musas" acorrentadas nas árvores. Uma clara atitude machista, e grosseiramente e explicitamente machista. E posar de "enfermeiras sexy" ou de "freiras sexy", no maior cinismo, foram coisas que Solange Gomes já fez, tão ao gosto do público machista.

E não adiantam as trolagens dos chamados "machistas-uia" - espécie de machismo "emo", em que o rapagão do tipo, quando é chamado de machista, reage apenas dizendo "Uia!" - , achando que isso "naum tm nd havê" porque isso tem, sim. Afinal, são valores sociais que estão em jogo, pouco importa se o internauta punheteiro está feliz ou não. Ele não é o dono da humanidade, seus ataques nem de longe são o julgamento final dos destinos da humanidade.

Para piorar, o mercado das "boazudas" conta até mesmo com mentiras, que pegaram até mesmo a gente desprevenida, como o aparente celibato de muitas dessas "musas", tidas como "solteiríssimas", mas na verdade com namorados ou maridos muito "da pesada". Até uma conhecida funqueira, pasmem, que vende uma imagem de "solteira", tem marido e até comprou moto importada para ele.

Precisamos de mulheres mais dignas. Esse espetáculo triste da vulgaridade feminina ofende até mesmo quem vivenciou os tempos das vedetes, que nem de longe apelavam para o grotesco. Vivíamos em outros tempos, em que o grotesco e o mau gosto não arrumavam desculpa nas falsas acusações de moralismo a quem os rejeita.

Naquela época, os valores avançados eram aqueles que rompiam com o moralismo sem sucumbir ao grosseiro e ao cafona. E vieram os anos 60 para mostrar também outros tipos de mulheres, interessadas numa gama ampla de assuntos, interesses, gostos. Insistir nas "boazudas" foi um retrocesso que deveria acabar. Mas não acaba. Por enquanto. Um dia, as "mulheres-frutas" cairão de podre.

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