sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O CONSTRANGEDOR "MERCADO" DAS QUE "MOSTRAM DEMAIS"


O machismo enrustido de alguns homens, sobretudo jovens, permite que eles disfarcem suas visões em torno de alegações pouco convincentes como a "liberdade do corpo", mesmo dentro do contexto de "mulheres-objeto" que movimenta o mercado de celebridades no Brasil.

São centenas de "musas" que aparecem, toda semana, na Internet, que se limitam a apenas mostrar seus "dotes físicos", suas "boas formas" trabalhadas sobretudo pelo silicone. Elas não têm o que dizer, e já começam a cansar qualquer um só mostrando o corpo.

O que é estarrecedor é que tudo se repete à exaustão, sem que o mercado editorial, que se alimenta de "fotos sensuais" dessas "musas populares", se dê conta do ridículo.

São musas do MMA, ex-BBBs, "mulheres-frutas" do "funk carioca", "garotas da laje", "musas do Brasileirão", "miss bumbum" e tantas outras, que ainda se vangloriam de um estilo de vida que é marcado pelo vazio intelectual e pela personalidade superficial.

Mas outras coisas são bastante estarrecedoras. Primeiro, pela campanha que certos internautas "cheios de razão" fazem para defender o "direito" delas de serem assim tão alienadas. Em pleno século XXI, com a promessa do Brasil virar potência mundial, e depois de tantas conquistas femininas, haver gente defendendo o direito de certas mulheres permanecerem estúpidas e vulgares.

Essa minoria barulhenta e agressiva, no entanto, não podem influenciar a outra parte dos homens, com personalidade mais diferenciada e distante da boçalidade dos machistas troleiros - que, quando acusados de tal machismo, se limitam a responder "Ôia!" ou "Huahuahuah", incapazes de desmentir tais acusações - , que nunca iriam namorar mulheres assim tão vulgares.

Na Internet, é uma atrás da outra. É uma que, pela enésima vez, vai de biquíni cuja alça "acidentalmente" cai por causa do vento. É outra que, indo para uma festa tal, "acaba mostrando demais". É outra que fica "pagando calcinha", outra que fica "pagando cofrinho", outra que vai de vestido tão justo que aperta seu inflado corpo siliconado.

E tudo isso se repete, se repete, feito um disco riscado, sem que alguém se dê conta do ridículo. E o pior é que "musas" assim ainda têm o cinismo de dizer que desejariam namorar "caras legais". Ou seja, aqueles homens comuns, simples, mais caseiros, inteligentes porém sem arrogância, gentis sem extravagância, sensíveis e amorosos.

Em primeiro lugar, esses homens não querem essas musas. O que eles querem são moças que não precisam mostrar o corpo a toda hora e que não apreciem atrações brega-popularescas. Eles querem mulheres com personalidade e que não passem vexame nas conversas com os amigos, além de serem capazes de trocar ideias e mostrar coisas interessantes.

Em segundo lugar, as "musas populares" já possuem pretendentes. O problema é que elas acabam criando problemas com seus namorados - que variam, na melhor das hipóteses, a lutadores profissionais, jogadores de futebol, policiais militares e ídolos brega-popularescos e, na pior das hipóteses, a figurões do "submundo" criminoso - e várias delas acabam tendo medo até mesmo de namorar comportados ídolos "sertanejos". A não ser que o mercado é que as impeça de arrumar algum namorado às vésperas delas lançarem alguma sessão "sensual" numa revista.

A decadência dessas mulheres é gritante. Só os machistas troleiros não pensam assim e saem esculhambando quem alerta para essa realidade. Punheteiros envergonhados, "pegadores" frustrados, esses internautas grotescos, verdadeiros pitboys de redes sociais da Internet, falam grosso demais em mensagens privativas de e-mails, respostas a blogues e fóruns de redes sociais. Mas não conseguem esconder que são machistas e que medem a realidade conforme a reação de seus órgãos sexuais.

Enfim, é muito constrangedor ver toda essa multiplicação de musas vulgares - várias delas quase quarentonas e se recusando a aposentar-se - para o deleite apenas de um bando de machistas enrustidos para os quais o respeito humano é palavra que não existe em seus dicionários.

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