quarta-feira, 15 de agosto de 2012

DANI BOLINA TEM ATITUDE


Vejam a seguinte situação, digna de uma obra de Franz Kafka, se ele tivesse escrito uma pornochanchada.

Dias atrás, a ex-assistente de palco do Pânico na TV (atual Pânico na Band), Dani Bolina, irritou seus fãs numa boate em Cruzeiro do Sul, no Acre, ao aparecer com um vestido relativamente comportado, embora mostrasse sua forma física.

Era anunciada a presença dela em panfletos que mostraram antigas fotos da moça usando biquíni, estimulando a libido dos machões locais.

No entanto, quando ela apareceu usando um vestido semi-comportado - mas que soaria escandaloso em 1960 - , os fãs ficaram irritados e nem se deram ao luxo de darem uma boa recepção à moça, reagindo com vaias.

Dani Bolina tem atitude. E, por incrível que pareça, num contexto muito estranho. Numa época em que as "boazudas" se afirmam "mostrando demais" seus corpos, Dani usa uma roupa que, atualmente, é considerada sóbria e discreta.

Não foi só esse o único ato da ex-paniquete. Há pouco mais de um ano, ela está casada com um modelo, contrariando a regra do "celibato profissional" que envolve as "musas populares". E ela mesma entrou em conflito contra as outras paniquetes por tê-las chamado de "garotas de programa".

Até mesmo entre as "mulheres-frutas", que costumam promover uma falsa imagem de "solteiríssimas" - uma famosa funqueira, que esconde sua condição de casada, teria dado uma moto importada para o marido dias depois de ter beijado um fã no palco - , vale o "celibato" até o ponto em que não dá mais para esconder o marido (como no caso da Mulher Filé).

MACHISMO-UIA

Numa época em que o entretenimento brasileiro ainda sofre a influência de valores machistas - inclusive a tendência do "machismo-uia", que não se assume como tal mas também não desmente, preferindo reações irônicas com a interjeição "Uia" - , ocorre a inversão de valores.

Os "machistas-uia" até tentaram falar em "liberdade do corpo", como se conseguissem nos enganar com alegações pseudo-modernas. Mas é claro que as "boazudas" ou "popozudas" nada têm a ver com a atitude do uso do corpo como linguagem engajada, porque as "musas populares" não têm causa, nada têm a nos dizer, mesmo as coisas mais banais.

Na verdade, é Dani Bolina que reclama a verdadeira liberdade do corpo, de se mostrar e não se mostrar conforme o contexto. Afinal, "mostrar demais" não é expressar a liberdade do corpo, até porque as "musas" do gênero são mulheres-objeto, mulheres transformadas em coisas, desejos virtuais da punheta dos envergonhados machistas-uia que usam a Internet de maneira fútil e inútil, até por meio de trolagem.

Portanto, Dani Bolina mostrou o quanto a vulgaridade feminina chegou a tais excessos. A televisão aberta e a Internet viraram revistas eletrônicas vagabundas de sacanagem, uma coisa que não evolui em coisa alguma na sociedade e não realiza ruptura alguma ao machismo vigente.

Afinal, se as "musas populares" se sustentam aparentemente sem depender de maridos e namorados, no entanto elas se servem a um mercado editorial e midiático controlado por homens e cujo público consumidor se enquadra perfeitamente no perfil machista de hoje. Dá no mesmo, elas acabam vivendo à sombra de outros homens...

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