quinta-feira, 30 de agosto de 2012

VULGARIDADE FEMININA NÃO MEDE CONTEXTO PARA SENSUALIDADE


A vulgaridade feminina das chamadas "mulheres-objeto" não mede contexto para coisa alguma. Além do mercado hipersaturado de "trocentas" musas que "mostram demais", elas repetem demais suas apelações, desprezando contextos, sutilezas, qualquer coisa.

Não bastasse a "programada" aparição de Solange Gomes e da Mulher Melancia para um programa de TV, agora é a ex-Big Brother Brasil, a "encalhada" Maíra Cardi, fazer uma apelação num aeroporto do Rio de Janeiro.

Querendo bancar a sensual, Maíra tornou-se patética, por não medir contexto algum para seu ato. Ela o fez, provavelmente, não só por pura apelação pseudo-sexy como por puro exibicionismo, já que ela é uma daquelas celebridades medíocres, que não tem o que dizer, e que ficam tentando não só atividades triviais na TV aberta como, no caso de mulheres como ela, tentam apelar para a imagem de pretensa "gostosa" a qualquer custo.

Aí Maíra fez caras e bocas e apertou o decote, por pura apelação. Isso diante de vários passageiros e muitos transeuntes. O resultado parece banal, mas quando ocorreu muita gente deve ter estranhado o fotógrafo combinando com a moça a postura desesperada. E é desesperada menos pelo fato da famosa procurar algum namorado do que se promover pela fama gratuita, a qualquer preço.

E não custa comparar a atitude de Maíra Cardi e seu exibicionismo gratuito no aeroporto com o de outras mulheres, mais desejadas pelos homens do que a ex-BBB e associadas a poses sensuais e à formosura física.

Vamos então mostrar uma atriz sexy: Deborah Secco. Nesta foto, Deborah, também num aeroporto do Rio de Janeiro, não deixa de usar uma blusa justa com um decote mostrando parte dos seios, mas ela adota uma postura bastante sóbria. Sem mostrar demais nem bancar a "sensual desesperada", Deborah exibe sua formosura de forma discreta, porque não dá para uma mulher bancar a "gostosa" o tempo todo nem a qualquer preço.

E Deborah Secco é tão mais desejada que Maíra Cardi que a atriz é casada com um jogador de futebol que havia voltado atrás da separação de sua esposa, depois de uma traição arrependida. E a atitude de Deborah, a partir desta foto, mostra que a nossa reprovação à "sensualidade a qualquer preço" nada tem de moralista.

Portanto, nota zero para Maíra Cardi. E se ela quis, com esse ato, se tornar uma das maiores musas do país, perdeu feio. Tendo sorte, ela será bastante desejada pelo público brucutu de jornalixos popularescos como Meia Hora, Supernotícia, Massa, Expresso e coisa e tal. Mas se ela está querendo conquistar caras legais com esse gesto apelativo, o tiro saiu pela culatra.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O GROTESCO DAS "POPOZUDAS" ALÉM DOS LIMITES ACEITÁVEIS


O nível que se encontra o grotesco das chamadas "boazudas" atinge limites aceitáveis.

O mercado está saturado de "musas" assim que só "mostram o corpo". Não têm conteúdo, não têm o que dizer, mas ficam sempre se achando.

A coisa está repetitiva, cansativa, inútil, e chega-se ao ponto da verdadeira degradação da imagem da mulher brasileira, sem medir escrúpulos para sucumbir ao machismo e até ao racismo.

Pior: são paniquetes, 'mulheres-frutas", ex-garotas da "Banheira do Gugu", ex-BBBs, "musas do Brasileirão", "musas do MMA", "garotas da laje", "miss Bumbum" e o que mais houver. Pior, mais "musas" surgem e as veteranas nem saem de cena. O mercado está saturado, repetitivo, cansativo, cheio de mulheres sem qualquer coisa a oferecer de útil e proveitoso. Só servem como brinquedos imaginários para o público machista.

O tenebroso programa Sábado Total, do decadente Gilberto Barros e transmitido pela não menos decadente Rede TV!, vai mostrar a "medição de bumbum" das "musas" do gênero, a ex-Banheira do Gugu Solange Gomes e a funqueira Andressa Soares, a Mulher Melancia. O portal Ego, reduto dos internautas machistas, já adiantou um close dos glúteos siliconados de cada uma. Preferimos não mostrar a foto aqui.

A vulgaridade extrema dessas "musas" tornou-se tão grave que nem a defesa intelectual salvou. Pior: fez de Bia Abramo, que havia defendido a Proibida do Funk em detrimento de um protesto das profissionais de Enfermagem - as enfermeiras de verdade, vale frisar - , esnobado pela jornalista, uma espécie de "urubóloga" da cultura popular. E teve seu texto choroso em prol do "funk carioca" retirado da Fundação Perseu Abramo (Perseu foi o pai de Bia), diante de tamanha afronta aos (verdadeiros) movimentos sociais.

Não há como defender o "mau gosto" como se fosse uma "causa nobre", dentro de outros delírios pós-modernos. Não há como sermos considerados "moralistas" quando manifestamos nossa indignação a esse extremo da vulgaridade feminina. Em tempos em que a emancipação feminina ainda encontra obstáculos, o "espetáculo" das "boazudas" só é um deles, e um dos mais dramáticos, por degradar a imagem da mulher brasileira e investir na imagem caricata das classes populares.

Anos atrás, houve a moda das "musas" acorrentadas nas árvores. Uma clara atitude machista, e grosseiramente e explicitamente machista. E posar de "enfermeiras sexy" ou de "freiras sexy", no maior cinismo, foram coisas que Solange Gomes já fez, tão ao gosto do público machista.

E não adiantam as trolagens dos chamados "machistas-uia" - espécie de machismo "emo", em que o rapagão do tipo, quando é chamado de machista, reage apenas dizendo "Uia!" - , achando que isso "naum tm nd havê" porque isso tem, sim. Afinal, são valores sociais que estão em jogo, pouco importa se o internauta punheteiro está feliz ou não. Ele não é o dono da humanidade, seus ataques nem de longe são o julgamento final dos destinos da humanidade.

Para piorar, o mercado das "boazudas" conta até mesmo com mentiras, que pegaram até mesmo a gente desprevenida, como o aparente celibato de muitas dessas "musas", tidas como "solteiríssimas", mas na verdade com namorados ou maridos muito "da pesada". Até uma conhecida funqueira, pasmem, que vende uma imagem de "solteira", tem marido e até comprou moto importada para ele.

Precisamos de mulheres mais dignas. Esse espetáculo triste da vulgaridade feminina ofende até mesmo quem vivenciou os tempos das vedetes, que nem de longe apelavam para o grotesco. Vivíamos em outros tempos, em que o grotesco e o mau gosto não arrumavam desculpa nas falsas acusações de moralismo a quem os rejeita.

Naquela época, os valores avançados eram aqueles que rompiam com o moralismo sem sucumbir ao grosseiro e ao cafona. E vieram os anos 60 para mostrar também outros tipos de mulheres, interessadas numa gama ampla de assuntos, interesses, gostos. Insistir nas "boazudas" foi um retrocesso que deveria acabar. Mas não acaba. Por enquanto. Um dia, as "mulheres-frutas" cairão de podre.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

"PAGODÃO" BAIANO EM MAIS UMA BAIXARIA


Há 16 anos, o professor da UFBA, historiador e sociólogo Milton Moura, havia defendido os grupos de "pagodão" baiano no seu artigo "Esses pagodes impertinentes...", numa edição da revista acadêmica Textos em Comunicação da referida universidade.

Apesar de haver um conselho editorial composto das mais diversas universidades, o artigo de Moura pouco tem de científico, com uma linguagem um tanto jocosa e cheia de inverdades - como medir a criatividade dos conjuntos pela pressa de gravarem discos - , além de usar o termo "sofisticado", associado à MPB de qualidade, de forma um tanto pejorativa em contraposição ao "popular" simbolizado pelo ritmo baiano puxado pelo É O Tchan.

Com o tempo, essa "saudável expressão" do "pagodão", ou porno-pagode, passou a simbolizar manifestações de racismo - trabalhando uma imagem imbecilizada contra o negro baiano, visto como "bobo alegre" e "tarado", isso num Estado capaz de gerar mentes brilhantes na negritude, como o ator Lázaro Ramos e o saudoso Milton Santos - e de machismo explícitos.

Mesmo os grupos que adotam uma postura mais light, como Harmonia do Samba, Terra Samba, Prisico e Parangolé, sem os exageros de atitudes dos conjuntos menos conhecidos, não deixam de exprimir a mediocridade artística do gênero. Mas o É O Tchan já teve música com apologia ao estupro, como o próprio sucesso "Segura o Tchan", e grupos como Companhia do Pagode e Gang do Samba compartilham com as posturas machistas do conjunto liderado pelo empresário Cal Adan.

Ao longo dos últimos dez anos, o que se viu foram letras machistas que aludem à violência contra a mulher, como "toma, toma", "é tapa na cara, mamãe" ("mamãe" é metáfora para a moça desejada), "só na pancadinha", "é na madeirada", entre outras baixarias pornográficas como "tira e bota" (pronunciada rapidamente que parece "tiribó"), "só as cabeças, só as cabecinhas" e balbuciações como "uisminoufay, bonks-bonks-bom".

Recentemente, o grupo Black Style despejou a música "Me dá a Patinha", que trata a mulher como se fosse uma cadela. Mas o último episódio dessa "leva" ocorreu no fim de semana passado, quando membros do grupo New Hit foram acusados de terem estuprado duas adolescentes durante uma micareta na cidade de Rui Barbosa, no interior baiano. Um policial é suspeito de conivência com a atitude dos acusados.

Certamente, a liberdade moral tem limites. E, infelizmente, o "pagodão" baiano estimula mesmo que mulheres "deem mole" e assediem qualquer um ou sejam assediadas por qualquer um. Não há uma educação que previna às baianas pobres sobre o risco da paquera sem controle, sem critério. Nem sequer afinidades pessoais são consideradas.

A acusação de estupro surge como um alerta para esse descontrole, já que é muito fácil até mesmo para cafetões da prostituição na Europa usarem roupas informais e "mais modestas" e assediarem as baianas pobres. Infelizmente, elas acabam seduzidas e caem na armadilha, acreditando que estão sendo paqueradas pelo elegante marginal.

Desse modo, é acertada a atitude de uma deputada, Luíza Maia (PT-BA), de criar uma lei anti-baixaria. O problema é que tem gente que ainda quer que essas baixarias imperem, sob o pretexto da "brincadeira", como o amiguinho do supracitado Milton Moura, Roberto Albergaria.

Para esses dois, o machismo explícito do "pagodão" baiano é "divertido", porque como membros da elite intelectual que domina o país, o povo é "melhor" naquilo que tem de ruim, a mediocridade cultural é glamourizada pela intelligentzia atual, e nós é que somos "moralistas", "elitistas" e "preconceituosos", apenas porque queremos qualidade de vida até para a cultura popular.

O PIOR PRECONCEITO É ACEITAR SEM VERIFICAR


O pior preconceito não é a rejeição aparentemente incondicionada de coisas medíocres, mas a aceitação feita sem qualquer verificação.

Duas situações recentes mostram o quanto não se resolve a aliança entre o brega-popularesco e a MPB, dentro daquele espírito de "transição" que até o general Ernesto Geisel, um dos mentores do golpe de 1964, adorava fazer.

Não por acaso, foi durante o governo Geisel que o brega-popularesco deslanchou de vez, com o crescimento de ídolos apoiados por rádios controladas por oligarquias, ainda que não seja da forma dominante que se deu nos anos 90.

Agora, como forma de "tentar resolver" a hegemonia do brega-popularesco - durante anos isolado de tudo o que a MPB fazia e pensava, até chegar a Internet que fez os bregas correrem atrás do prejuízo (entenda-se isso como quiserem, leitores) - , tenta-se "ensinar MPB" para os bregas, neo-bregas e pós-bregas e de "abrir" a MPB para os bregas.

O fisiologismo cultural inclui até mesmo uma "aliança" entre performáticos e pós-bregas - a geração mais recente da música brega, que, depois dos "sofisticados" neo-bregas dos anos 90, gerou os "arrojados" pós-bregas de hoje - , como se criasse uma ponte entre os extremos, como se fosse possível juntar Paulo Sérgio e Itamar Assumpção no mesmo balaio.

Dias atrás, lendo a coluna de Joaquim Ferreira dos Santos, intitulada Gente Boa e publicada no Segundo Caderno de O Globo, há a notícia de que o funqueiro Mr. Catra, já querido da grande mídia quando ainda vendia a imagem de "sem mídia", vai gravar um "disco de MPB". Outros rumores diziam que ele gravaria um "disco de samba".

Entenda "samba" o engodo sambrega que rola em rádios como Nativa FM, FM O Dia, Beat 98, Transcontinental e Band FM, só para citar as do eixo Rio-São Paulo. Mas Mr. Catra promete o "impossível": gravar Chico Buarque, repetindo a bajulação que havia sido feita por MC Leozinho, que se disse "fã" do cantor, e Inimigos da HP, que teve de gravar até "Apesar de Você" para agradar a ministra (e, quem sabe, arrancar umas verbas do MinC).

Enquanto isso, eu vi no portal G1 a notícia que a cantora Tiê, cantora de MPB eclética, foi cantar num churrasco caseiro de domingo as músicas da trilha sonora da novela Avenida Brasil, que inclui sucessos de Michel Teló, Sorriso Maroto, João Lucas & Marcelo e MC Koringa, para um público de "descolados" (espécie de "alternativos" de boutique, claramente estereotipados).

Tiê já havia gravado, em arranjos "pós-modernos", a música "Você Não Vale Nada", que um obscuro forrozeiro compôs e vendeu para o empresário do Calcinha Preta ordenar a este grupo gravá-la e que virou sucesso nacional na Rede Globo, promovendo esse grupo de nome infeliz para tocar até nas rádios de Florianópolis. E eu, bebezinho, sempre chorava, na minha terrinha, quando rolava "É Impossível Acreditar que Perdi Você" de Márcio Greick, em 1971, sem dar conta de coisas piores que viriam no futuro...

A jornalista Olívia Henriques, vendo a situação, escreveu um comentário infeliz: "Preconceito zero". Mal sabe ela que preconceito não é "rejeitar a esmo" a mediocridade cultural mas sim aceitar as coisas sem verificar. E isso acontece com o brega-popularesco, onde se aceita tudo sem verificação, basta ter o rótulo "popular" junto. Serve até para disfarçar o elitismo doentio de muitos "bacanas".

Imagine se isso pega na culinária. Aceitaríamos moscas pousando nas sopas, almoçaríamos qualquer coisa que tenha um pouco de fezes no molho, ou comeríamos pastéis, coxinhas e risoles fritos com as mãos sujas de pano de chão, e acharíamos que aceitar tudo isso é "perder o preconceito". Se passamos mal e vamos vomitar no banheiro é porque "ainda somos preconceituosos, elitistas e intolerantes". Vá entender.

Nada disso fará a MPB se renovar, ficar mais criativa. A aliança apenas tem fins mercadológicos, num pacto de colocar a MPB nas trilhas de novela da Globo e o brega para tocar em casas noturnas antes exclusivas à MPB. Nada que faça os bregas ficarem mais criativos e a MPB mais dignamente reconhecida.

Isso porque os bregas começam medíocres e fizeram seu sucesso às custas de sua própria mediocridade. "Ensinar MPB" para eles não os fará mais criativos. Eles só gravarão covers, imitarão os clichês do ídolo a ser copiado, e tudo ficará na paz na mídia. Mas, artisticamente, os resultados ficam longe de serem espontâneos, não indo além do tendencioso.

Dessa forma, Mr. Catra não virará um novo Seu Jorge e nem sequer entrará na disputa de quem vai ser o "novo Simonal", competição que sabemos já ganha por Wilson Simoninha (que acompanhou o pai no auge da carreira), apesar das insistências de Thiaguinho, Péricles e Alexandre Pires.

Por outro lado, Tiê também não se destacará na MPB com sua adesão à música brega. Até porque ela já concorre com outra cantora parecida, Céu, que também trocou a segurança da MPB vanguardista por concessões ao brega-popularesco. Assim, as duas não deixarão marca, serão confundidas uma com a outra, e assim perde-se a chance de aparecer uma nova Marisa Monte.

E, com isso, a mesmice brega-popularesca não muda, porque neste caso a MPB apenas assume o papel secundário de alimentar a vaidade dos chamados "ídolos populares". Enquanto isso, a nossa cultura continua indo para o ralo...

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A VISITA DE BEAKMAN À UNICAMP


Um programa que eu vi muito nos anos 90 e no começo da década passada foi O Mundo de Beakman (Beakman's World), programa da televisão norte-americana que no Brasil era transmitido em rede a partir da TV Cultura de São Paulo.

Era um programa excelente, uma comédia que no entanto tinha fins educativos bastante sérios. Afinal, era uma forma bem humorada de ensinar ciência para principiantes, sem pedantismo e até com orientações sensatas.

Sempre havia, por exemplo, uma recomendação para a criançada não tentar imitar certas experiências apresentadas no programa, por serem elas arriscadas, ou então que peçam para os pais experimentarem por elas.

Beakman é um personagem do ator Paul Zaloom, que ontem visitou a Unicamp, em Campinas, para falar de sua carreira e mostrar algumas experiências. Ele ficou impressionado e comovido ao saber que era bastante popular entre os jovens brasileiros e que vários jovens começaram a se interessar por assuntos científicos a partir do divertido programa.

Transmitido no país de origem pelos canais TLC e CBS, Beakman's World era baseado numa revista em quadrinhos, You Can With Beakman and Jax, de Jox Church, e mostrava um cenário iluminado e colorido que simulava um laboratório em que Beakman era assistido por um rato gigante e uma voluntária, que com ele apresentaram as experiências.

Ao longo do programa, que durou de 1992 a 1997, Paul Zaloom fazia, além de Beakman, o papel de vários cientistas famosos, que de forma humorística diziam seus relatos e apresentavam experiências. O rato era interpretado por Mark Ritts, que faleceu em 2009.

As assistentes de Beakman, por sua vez, variavam por temporada, mas a primeira delas é uma atriz relativamente bastante famosa, Alanna Ubach, de Denise Está Chamando, filme que teve alguma boa divulgação por aqui. Já sua sucessora, Eliza Schneider, é uma atriz de teatro e pesquisadora linguística, e havia feito participações na dublagem original de South Park. Já a última assistente, a gracinha Senta Moses, havia participado quando criança no filme Os Irmãos Cara de Pau (The Blues Brothers), e nos filmes Esqueceram de Mim 1 e 2.

Na sua visita à Unicamp - uma segunda visita ocorrerá hoje à tarde - , Zaloom fez várias perguntas, contou piadas e tentou fazer uma experiência de equilibrar dois garfos em um palito de dente. A experiência falhou, o que não deixa de ser educativo e proveitoso, uma vez que, em toda experiência científica, são difíceis os acertos logo na primeira tentativa, e mesmo as maiores descobertas científicas surgem depois de tantos fracassos.

A trilha sonora de O Mundo de Beakman é bem no espírito nerd - leia-se Vingança dos Nerds, nada de "cervejão-ão-ão", judões, Se Beber Não Case ou coisa parecida - , com os inconfundíveis arranjos de teclado do líder do Devo, Mark Mothersbaugh, responsável pela trilha e autor do tema do seriado.

Foi muito legal eu e meu irmão vermos esse seriado. De certo não nos tornamos cientistas com isso. Mas o bom é que O Mundo de Beakman conseguiu ser ao mesmo tempo um programa divertido e educativo. Taí uma das sugestões para se fazer uma televisão educativa, interessante e instrutiva, simples e instigante.

Pena que a TV Cultura está mergulhada num comercialismo ranzinza que só se salva em poucos programas (que já contavam com a natural competência dos envolvidos), mas que no conjunto da obra pouco estão preocupados em trazer cultura de verdade para os cidadãos.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O ERRO DA LOGÍSTICA NO COMÉRCIO DE NITERÓI


Infelizmente, Niterói sofre com o erro de logística nos supermercados e outros estabelecimentos comerciais ou mesmo em prestação de serviços.

Tudo bem quando se cobra maior agilidade do comércio na reposição de estoques e nos serviços no desempenho mais ágil. Mas isso ocorre somente se fizermos alguma cobrança.

Não há uma ação preventiva, não há uma ação que previsse o que a demanda está consumindo ou se o fornecimento de energia elétrica está problemático. Em vez disso, espera-se que problemas ocorram para que depois eles sejam resolvidos.

Nos supermercados, se este blogue cobra a reposição de certos produtos, por exemplo, a reposição é feita. Se pede que os supermercados reponham e diversifiquem as bebidas lácteas, a tarefa é feita. Mas só se as cobranças forem feitas. Senão, nada acontece.

Recentemente, nos supermercados Extra da Av. Sete de Setembro (Jardim Icaraí), andou faltando sabão de coco da marca Qualitá, nome de fantasia usado pelos supermercados Extra para divulgar pequenos fabricantes de produtos. Justamente a marca associada à própria rede de supermercados, que, mesmo sob a administração de um grupo empresarial francês, não trouxe melhoria alguma para a rede.

E olha que os supermercados Extra quase nada fizeram para renovar a filial da Av. Sete, ainda com um assoalho velho, dos tempos da antiga Casas da Banha, e com uma péssima distribuição de caixas - a colocação de alguns deles sobre uma escadaria é pouco funcional e esteticamente ruim - e de sessões (como a de padaria, bem distante dos fornos). A transformação da antiga Sendas do Ingá em Pão de Açúcar trouxe melhorias, mas os elevadores continuam velhos, feios e sacolejantes.

No que diz ao fornecimento de produtos, os supermercados em geral sempre desleixam. Até os Supermercados Guanabara ficaram uma semana sem oferecer a bebida láctea Bom Paladar, sabor coco, e eventualmente também ocorrem falta de certas marcas de produtos de limpeza e de alimentação.

E, no caso dos serviços, a Ampla eventualmente deixa que se oscile a energia elétrica até em consultórios médicos, há um sério medo de se utilizar vários aparelhos eletrônicos e a energia cair. A Internet também tem pane, o que causa problema em muitos serviços que dependem do uso da rede mundial de computadores para ser efetivado.

Também ocorre o mesmo problema. Quando fazemos cobranças, tudo é feito, tudo é resolvido. Mas, se não o fizemos, nada é solucionado, por mais que os problemas persistam. E é isso que preocupa, com nossos gerentes e administradores reduzidos a bonecos de corda de clientes e consumidores, despreparados para ações preventivas ou para enxergar o que as demandas de fregueses querem, porque nem todo mundo deseja apenas o básico.

Numa cidade que tende a sofrer uma explosão demográfica por conta dos vários edifícios construídos, vários deles em lugar de antigos sobrados e casas, a demanda será maior e as cobranças também. Não será legal manter um grande edifício de apartamentos com uma rede e água e de energia elétrica de casebre.

É preciso que se implante uma nova mentalidade gerencial, de gerentes dotados de uma visão estratégica, e não administradores que fingem ser ágeis e eficientes, mas que só trabalham quando pressionados. Esse método provinciano de administrar as coisas em Niterói tem que acabar.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

SOLTEIRICE E AS EXCEÇÕES TIDAS COMO REGRAS


Quando coloco no Facebook textos que reclamam de que há mais solteiras "jecas" enquanto a maioria das mulheres legais são casadas, há quem reclame dizendo que nem toda solteira é vulgar ou cafona.

É verdade, mas estas solteiras são mais uma exceção que, no entanto, é "vendida" como regra pela grande mídia. Eu compreendo a situação dessas solteiras, compreendo e apoio, mas infelizmente elas não estão aí aos montes para o que der e vier.

O que tem de maioria, entre as solteiras, são sempre as mesmas baboseiras que vão a "eventos sertanejos" e endeusam breganejos e sambregas (ou "pagodeiros românticos") nas redes sociais. O que mostra que ser um homem legal no Brasil é um suplício, porque quase não há mulheres legais para homens legais. As que sobram nada têm de legais.

Não se mede uma mulher legal pela proporção inversa de seus trajes. Ou seja, uma mulher não se torna mais legal porque usa roupa mais curtinha. Mulher legal é aquela que possui ideias interessantes, bons referenciais culturais, dá para conversar e não é fanática por futebol, religião e cerveja.

Só que essas mulheres legais, em boa parte, são casadas com homens nada legais, que escondem seu caráter insosso e superficial com uma posição profissional de liderança, seja empresário, executivo ou profissional liberal. Gente que, profissionalmente, até mostra grande competência, mas na hora do lazer precisa de alguém para ensiná-los a se divertir e a não fazer conversas pedantes sobre política com outros adultos logo nas festas de aniversário dos filhinhos.

O grande problema é que as poucas solteiras legais que existem no Brasil se superestimam em número. Fulana é "encalhada", tem uma amiga também "encalhada" e uma prima ou vizinha na mesma situação, e por isso pensa que quase todas as mulheres do país são assim. Grande engano.

O que se vê por aí é que mulheres desse tipo são em sua maioria comprometidas ou casadas. Quando muito, estão com namorados e por isso exibem suas mãos "nuas" sem anéis de casamento. A exceção não é regra, é apenas uma exceção que a grande mídia superestima e faz as mulheres se acostumarem mal, por boa-fé.

Por isso, peço desculpas se as solteiras legais se aborrecem quando coloco os desabafos no Facebook. Elas saberão que não estou criticando elas. O problema é que, para cada moça legal que é solteira, existem umas centenas de milhares de solteiras nada legais, dessas que bancam as pretensas "gostosas" ou, quando muito, são extremamente piegas, cafonas e fanáticas.

É essa a realidade. E realidade no Brasil não é um conto de fadas.

domingo, 19 de agosto de 2012

É MUITO FÁCIL JOGAR O RÁDIO AM VELHO PARA AS FMS. DIFÍCIL É RENOVAR O AM


Infelizmente, o rádio mundial, e sobretudo o brasileiro, está indo pelo mau caminho de eliminar o rádio AM e as ondas curtas, além de extinguir boa parte de sua história e de suas tradições em nome do comercialismo fácil das ondas de FM.

Desse modo, torna-se muito fácil jogar velhas fórmulas de rádio AM para o rádio FM do que renovar o rádio AM. Possíveis alternativas para a renovação da Amplitude Modulada que poderiam revitalizar o setor e compensar os caros investimentos com retorno financeiro estável, foram descartadas ou diluídas na Frequência Modulada.

Hoje, enquanto comemoramos os 30 anos da Fluminense FM, os 94,9 mhz hoje estão entregues a uma equipe esportiva comandada por José Carlos Araújo, que andou fazendo uns comentários tecnocráticos de um rádio "interativo" que está mais para interpassivo. Só falta ele querer que o rádio FM seja transmitido em 3-D, com direito ao cheiro dos sovacos dos jogadores suados nas partidas.

Dizem que a Band News Fluminense "não está mal" na audiência. Mito. Vou para as ruas, em qualquer parte do Rio de Janeiro ou de Niterói e, fora umas pouquíssimas bancas de jornais ali, uns poucos pescadores acola, quase ninguém está ouvindo a emissora, que, na prática, não sai do desempenho comparável ao que a Fluminense FM teve entre 1991 e 1994, uma audiência que variava entre o baixo e o baixíssimo índice.

A entrada do "garotinho" - não o Anthony, mas o JC Araújo - não vai melhorar a situação da rádio ounius, que terá menos espaço para notícias. Primeiro, porque o mercado das FMs com roupagem de AM não é tão próspero quanto se imagina, embora haja a preocupação de não "arranhar" a imagem das estrelas do radialismo envolvidas. Ninguém quer ser o "lanternão" do Ibope.

Segundo, porque hoje em dia a palavra "jornalismo" não tem mais o sentido mágico de há mais de cinco anos atrás. É certo que a imprensa ajuda em muitos momentos a resolver os problemas, e não se fala da anulação do valor do jornalismo, mas as ilusões antigas de que o jornalista era uma espécie de "herói" da humanidade, um ente acima da opinião pública, se desfizeram. O jornalismo não está acima da opinião pública, mas a serviço dela.

Além do mais, as pessoas andam muito ocupadas em suas vidas. Nisso a "aemização" das FMs teve seu prejuízo. Com rádios musicais, poderíamos fazer outras coisas e manter o rádio ligado. Com rádios noticiosas o tempo inteiro - não se está aqui reprovando o noticiário em rádio, mas toda hora é um exagero - , ou as pessoas deixam de fazer suas atividades, ou desligam o rádio. E, não raro, apelam para a segunda opção.

Numa época em que os escândalos envolvendo Policarpo Júnior, editor de sucursal da revista Veja, além do reacionarismo de nomes como Merval Pereira, Miriam Leitão e Eliane Cantanhede e até de Bóris Casoy, põem a antiga mitificação do jornalismo em xeque, as pessoas hoje começam a depender menos da imprensa para formar suas opiniões.

É certo que ainda há o poder da "mídia boazinha", da "imprensa jagunça" e mesmo de blogues pouco confiáveis, que fazem as pessoas apenas desconfiarem da Globo, Veja, Folha e Estadão, mas não de veículos similares pouco badalados. E ainda são capazes de endeusar um Fernando Collor da vida, antes glorificado como um suposto "caçador de marajás", agora tido como um festejado "caçador dos marajás de Veja".

SE GRANDES TIMES ENFRENTAM DERROTAS, POR QUE LOCUTORES ESPORTIVOS NUNCA ADMITEM ENFRENTAR "TRAÇOS" NO IBOPE?

No radialismo esportivo - entretenimento que também embarca nos louros do jornalismo - , a coisa é ainda pior, pelo frequente sensacionalismo e pedantismo de suas equipes, e pela prática de jabaculê que superou, e muitíssimo, à tradicional prática de jabaculê nas rádios musicais.

No rádio FM, o radialismo esportivo soa deslocado - nunca deveria ter saído das AMs - e datado, com as transmissões esportivas em FM soando velhas até na qualidade sonora. Em linguagem, não mudaram muito, pois ultimamente o que se fez foi "costurar" a linguagem do rádio com a linguagem da TV aberta, na esperança vã de competir com a TV paga, que rouba grandes fatias de audiência das FMs "aemizadas".

A derrota é humilhante, mas atenuada pela propriedade cruzada. Afinal, pouco importa se a "Rádio Globo AM" FM leva surra, no Ibope, do canal Sportv, se o dono é o mesmo. Mas até mesmo diferentes donos mas midiaticamente solidários, a situação também é a mesma, quando uma Band News FM leva surra do ESPN Brasil ou do Premiere Sports.

É uma realidade difícil de admitir. Quando se fala que grandes locutores esportivos, quando entram em FM, amargam "traços" de audiência de tal forma que a emissora precisa "alugar" audiência em estabelecimentos comerciais para "anabolizar" o Ibope, muitos radiófilos ficam em pânico. "Como? O locutor tal tem baixa audiência? Você está inventando, idiota!", é a reação mais provável.

Vamos pensar um pouco. Se os maiores times de futebol eventualmente enfrentam derrotas, às vezes humilhantes, e chegam a baixar divisões nos campeonatos, por que um locutor esportivo de nome nunca iria enfrentar um Ibope baixo? Em Salvador, o locutor Djalma Costa Lino, um dos mais prestigiados no ramo, enfrentou violentas quedas de audiência quando passou por algumas FMs. Djalma não é DJ.

Portanto, não há como inventar que o locutor esporitvo tal é "campeão de audiência" até quando fala pras paredes. Com a decadência do rádio FM, sobretudo pela "aemização" que descarateriza o meio e derruba antigas emissoras segmentadas de referência, não há como dizer que a Frequência Modulada vive seus áureos momentos.

Pelo contrário, a ciranda empresarial das grandes redes transforma o mercado radiofônico num grande cassino, e a concentração de poder midiático também faz afastar muitos ouvintes. Mas mesmo o cotidiano, com pessoas trabalhando, estudando e se ocupando em seus diversos compromissos, tira muitos ouvintes do rádio FM.

São muitos problemas que passam a Frequência Modulada, mas que os radiófilos estão surdos em assumir. E o rádio FM, transformado tendenciosamente num "novo rádio AM", sofre ainda mais com os infortúnios sofridos pelas emissoras AM, com audiência declinante que nenhum artifício de sintonizar uma FM em estabelecimentos comerciais consegue garantir.

Pois, se antigamente, um único aparelho de rádio poderia ser ouvido por até seis pessoas, hoje a rádio que é sintonizada num restaurante, loja ou botequim, por exemplo, só é ouvida mesmo pelo gerente que decidiu sintonizá-la. As centenas de fregueses nada tem a ver com essa sintonia. Vamos deixar de malandragem.

E a TV paga tornou-se o "novo rádio FM", no que se diz à concorrência no mercado. E, o que é mais curioso, possui canais de áudio com a segmentação musical que as emissoras FM se recusaram a assumir.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

ZORRA TOTAL E RACISMO EXPLÍCITO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O humorismo atual, movido por mensagens maliciosas, hoje cria problemas com seus excessos apelativos, que escondem comentários racistas, machistas ou de outro teor depreciativo por trás de piadas "irreverentes", feitas para atrair a audiência. Pior: é o público das classes populares que assimila passivamente essas piadas grotescas sem ter ideia do quanto são ofendidas e ridicularizadas com isso.

E aqui se fala de Zorra Total. E ainda há gente que acha o Rafinha Bastos um herói. Vá entender...

Zorra total e racismo explícito

Por Jorge da Silva - Blogue de Jorge da Silva, reproduzido também no blogue Maria da Penha Neles e no portal Geledés

Um quadro do programa Zorra total, da Rede Globo, tem provocado indignação no público sensível aos problemas do racismo e da discriminação racial no Brasil. Tem como protagonista uma mulher chamada Adelaide – interpretada pelo ator – em que se concentram todos os estereótipos negativos atribuídos às mulheres negras: é feia, desdentada, ignorante, e costuma fazer referências pejorativas, por exemplo, ao cabelo dos negros. Um combustível perfeito para o bullying que aflige as crianças negras, especialmente as meninas, na escola e nos círculos de convivência, contribuindo para manter baixa a autoestima de um segmento da população quotidianamente adestrado a se sentir e comportar como inferior.

Infelizmente, o humor baseado em estereótipos raciais tem uma longa tradição em nosso país. Não é preciso muito esforço para nos lembrarmos de nomes como Grande Otelo (a despeito de seu reconhecido talento), Gasolina, Muçum, Tião Macalé, que sempre representaram personagens associados ao alcoolismo, à preguiça, à falta de cultura e de inteligência. Sem contar os brancos pintados de preto, até hoje presentes nos programas humorísticos da TV.

Nos Estados Unidos, o uso de atores brancos – ou mulatos – com a cara pintada de preto, ou "blackfaced", em papeis que ridicularizavam os negros foi prática comum nos tempos da segregação racial. Personagens como Aunt Jemima, Jim Crow (que poderíamos traduzir como Zé Urubu), Zip Coon, Buck, Jezebel, Pickaninny, Uncle Tom, Amos 'n' Andy e outros, que refletiam os mais grosseiros estereótipos a respeito dos afro-americanos e de sua cultura, eram, não obstante – ou talvez por isso mesmo -, altamente populares entre as plateias brancas. Na década de 1960, com o Movimento de Direitos Civis, incluindo boicotes organizados por entidades como a NAACP, o uso desses personagens se reduziu enormemente, embora continue presente, de forma bastante atenuada, em algumas produções mais atuais. Em Bamboozled (2000), que no Brasil ganhou o título de A Hora do Show, Spike Lee faz uma crítica à tradição dos minstrel shows e do vaudeville, gêneros baseados nessa estereotipia. Aos interessados, vale a pena dar uma olhada no site black-face.com.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

DANI BOLINA TEM ATITUDE


Vejam a seguinte situação, digna de uma obra de Franz Kafka, se ele tivesse escrito uma pornochanchada.

Dias atrás, a ex-assistente de palco do Pânico na TV (atual Pânico na Band), Dani Bolina, irritou seus fãs numa boate em Cruzeiro do Sul, no Acre, ao aparecer com um vestido relativamente comportado, embora mostrasse sua forma física.

Era anunciada a presença dela em panfletos que mostraram antigas fotos da moça usando biquíni, estimulando a libido dos machões locais.

No entanto, quando ela apareceu usando um vestido semi-comportado - mas que soaria escandaloso em 1960 - , os fãs ficaram irritados e nem se deram ao luxo de darem uma boa recepção à moça, reagindo com vaias.

Dani Bolina tem atitude. E, por incrível que pareça, num contexto muito estranho. Numa época em que as "boazudas" se afirmam "mostrando demais" seus corpos, Dani usa uma roupa que, atualmente, é considerada sóbria e discreta.

Não foi só esse o único ato da ex-paniquete. Há pouco mais de um ano, ela está casada com um modelo, contrariando a regra do "celibato profissional" que envolve as "musas populares". E ela mesma entrou em conflito contra as outras paniquetes por tê-las chamado de "garotas de programa".

Até mesmo entre as "mulheres-frutas", que costumam promover uma falsa imagem de "solteiríssimas" - uma famosa funqueira, que esconde sua condição de casada, teria dado uma moto importada para o marido dias depois de ter beijado um fã no palco - , vale o "celibato" até o ponto em que não dá mais para esconder o marido (como no caso da Mulher Filé).

MACHISMO-UIA

Numa época em que o entretenimento brasileiro ainda sofre a influência de valores machistas - inclusive a tendência do "machismo-uia", que não se assume como tal mas também não desmente, preferindo reações irônicas com a interjeição "Uia" - , ocorre a inversão de valores.

Os "machistas-uia" até tentaram falar em "liberdade do corpo", como se conseguissem nos enganar com alegações pseudo-modernas. Mas é claro que as "boazudas" ou "popozudas" nada têm a ver com a atitude do uso do corpo como linguagem engajada, porque as "musas populares" não têm causa, nada têm a nos dizer, mesmo as coisas mais banais.

Na verdade, é Dani Bolina que reclama a verdadeira liberdade do corpo, de se mostrar e não se mostrar conforme o contexto. Afinal, "mostrar demais" não é expressar a liberdade do corpo, até porque as "musas" do gênero são mulheres-objeto, mulheres transformadas em coisas, desejos virtuais da punheta dos envergonhados machistas-uia que usam a Internet de maneira fútil e inútil, até por meio de trolagem.

Portanto, Dani Bolina mostrou o quanto a vulgaridade feminina chegou a tais excessos. A televisão aberta e a Internet viraram revistas eletrônicas vagabundas de sacanagem, uma coisa que não evolui em coisa alguma na sociedade e não realiza ruptura alguma ao machismo vigente.

Afinal, se as "musas populares" se sustentam aparentemente sem depender de maridos e namorados, no entanto elas se servem a um mercado editorial e midiático controlado por homens e cujo público consumidor se enquadra perfeitamente no perfil machista de hoje. Dá no mesmo, elas acabam vivendo à sombra de outros homens...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

BLOGUEIRO É OFENDIDO POR CRÍTICAR PADRONIZAÇÃO VISUAL DO TRANSPORTE COLETIVO DO RJ


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A busologia carioca vive uma séria crise, por conta de ataques e ofensas feitos na Internet por uma elite que, por meio de uma campanha "higienista", deseja transformar o hobby num grupo fechado e politiqueiro.

Várias vítimas já começam a reclamar, inclusive um outro busólogo que se queixou para o portal Ônibus Brasil porque suas fotos foram ridicularizadas por troleiros. E há outros que também foram expulsos de comunidades da busologia carioca no Orkut e Facebook.

A campanha está indo para os níveis da mais pura baixaria, e é de assustar se alguém visse, nas redes sociais, quem é que faz tais campanhas, pois alguns deles são busólogos de alguma reputação, mas tomados de violenta intolerância e desrespeito. Um blogue foi feito para disparar calúnias contra mim e meu irmão Marcelo, do Planeta Laranja

A situação é muito grave, porque os busólogos envolvidos nessa campanha - felizmente não são todos eles, mas uma minoria - estão tomados de total desprezo ao respeito humano, à ética e ao interesse público. Defendem interesses pessoais, medidas antipopulares e ainda não gostam quando se fala que eles desprezam o povo. E ainda querem se exibir como "santinhos" nas festas de 2014 e 2016.

Consta-se que nem o prefeito Eduardo Paes e seu secretário Alexandre Sansão, com toda a solidariedade desses bagunceiros aos projetos impopulares dessas duas autoridades, estão gostando deles. No fim, esse setor "encrenqueiro" da busologia acaba sendo como um ônibus desgovernado: no começo ameaça a todos que estão fora dele, no fim acaba prejudicando quem está dentro dele.

E felizmente o faro do notável radialista Marcos Niemeyer - um dos defensores de uma sociedade brasileira melhor, com cultura de verdade e valorização da ética e da cidadania - lhe inspirou este texto que reproduzimos a seguir. Muito obrigado, Marcos. Um abração!

Blogueiro é ofendido por criticar padronização visual do transporte coletivo carioca

Por Marcos Niemeyer - Blogue Cacarejadas & Alfinetadas

>> Um simples hobby de admirar ônibus (busologia) transformou-se, no Rio de Janeiro, em ambiente de desentendimentos violentos e ofensas pessoais. Vejam por exemplo, o caso envolvendo o jornalista Alexandre Figueiredo e seu irmão, o funcionário público Marcelo Pereira.

Responsável pela criação dos blogues progressistas - O Kylocyclo  e Mingau de Aço -, onde escreve artigos de impacto sobre fatos cotidianos, radiodiodifusão e política, além de críticas perfeitas sobre os modismos sonoros que a mídia rotula de "música", Figueiredo vem sendo vítima ultimamente de comentários irônicos em um blogue criado com o objetivo de ofendê-lo juntamente com seu irmão.

CAMBADA

A página virtual, descoberta por nossa produção durante uma pesquisa sobre urbanismo no Google, reproduz de forma leviana textos que Alexandre e Marcelo escrevem. O blogue surgiu num momento de grande discordância e desavenças por parte de uma facção de busólogos que passou a apoiar o grupo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho, Filho, respectivamente prefeito do Rio de Janeiro e governador do Estado do Rio.

Esses, por sua vez, prometem cargos públicos para busólogos que apoiarem seus projetos, de caráter antipopular, para o transporte coletivo.

Petição

Há pouco tempo, Alexandre lançou um abaixo-assinado na Petição Pública - www.peticaopublica.com.br - contra uma arbitrariedade da Prefeitura do Rio de Janeiro relacionada à padronização visual do transporte coletivo na cidade. O documento recebeu diversos comentários maldosos de 'fakes' criticando seu autor.

"A diversidade visual dos ônibus não é importante apenas pelo aspecto estético. Trata-se de algo funcional, até porque, é necessário ao passageiro reconhecer a empresa que serve uma linha, coisa que a padronização visual dificulta, mesmo com suas tentativas de 'facilitar' a identificação - que não passam de tentativas de 'descomplicar' o que é complicado -", garante Alexandre Figueiredo.

Moral da história

Esses que julgam-se os donos do poder, não sabem mesmo conviver com a democracia. A ira provocada pela visão crítica de Figueiredo e Marcelo Pereira sobre o transporte coletivo do Rio de Janeiro, é um exemplo do que são capazes esses incompetentes e covardes que usam até identidades falsas na internet em defesa de seus interesses duvidosos.

A padronização visual do transporte coletivo precisa ser barrada não só no Rio de Janeiro, mas em qualquer cidade do Brasil onde esses cabeças de bagre do poder impõem suas práticas sem qualquer espécie de consulta à população.

domingo, 12 de agosto de 2012

A APROPRIAÇÃO DO FUNK AUTÊNTICO PELO BASTARDO



O funk autêntico surgiu por volta da década de 60, nos Estados Unidos. Ele surgiu de uma evolução da soul music, por volta de 1966, através da criatividade de nomes como James Brown e Silvester Stewart, este comandando a banda Sly and The Family Stone sob o codinome Sly Stone.

O som foi caraterizado também por outros nomes como Jackson Five (que lançou Michael Jackson), Kool & The Gang, Spinners e outros, ganhou a adesão de soulmen diversos como Marvin Gaye e Stevie Wonder, e evoluiu para uma das principais variações da disco music, como o disco funk (de nomes como Chic, Commodores e Sister Sledge), nos anos 70, década de maior destaque no gênero.

No Brasil, o primeiro nome a assimilar as informações da soul music dos anos 60 foi Tim Maia, como músico, e o radialista da Rádio Mundial (RJ - 860 khz do AM), Newton Duarte, o Big Boy, como divulgador. Juntos, Tim e Big Boy difundiram a black music norte-americana no Brasil, criando uma cultura que, infelizmente, acabou sendo deturpada, como toda cultura popular original no nosso país.

Os bailes funk originais eram grandes acontecimentos. Tocava-se funk autêntico, as pessoas se reuniam para curtir realmente as festas, não nessas noitadas de hoje - que recebem o ridículo codinome de "baladas" - onde todos consomem, ninguém curte, e o carinha faz um torpedo para uma paquera que ele transará na noitada seguinte e dará o fora na posterior.

Sim, consumo de álcool e drogas existe em todo tipo de evento, mas a curtição das antigas festas noturnas era muito mais comprometida com o verdadeiro prazer, ouvindo música de qualidade que valia pela sua linguagem musical, e não por "linhas de montagem" sonoras. E os verdadeiros bailes funk tinham essa qualidade, e uma admirável geração de DJs ganhou prestígio, como Messiê Limá, Cidinho Cambalhota, Ademir Lemos e outros.

Todos eles discípulos do Big Boy - que, curiosamente, parecia um sósia mais gordo do ator Jack Black - que, ao falecer precocemente em 1977, deixou uma grande lacuna. Mas outra curiosidade é que o radialista também entendia de rock, e muito antes da Fluminense FM fazer história, havia a Eldo Pop que tocava os clássicos do rock para os ouvintes cariocas e do Grande Rio nos anos 70.

Mas até esses discípulos morreram, enquanto o mercado das equipes de som do funk iniciava uma deturpação grotesca do gênero, substituindo a criatividade original por uma "linha de montagem" de MCs praticamente tutelados e domesticados pelos empresários, a partir de uma sonoridade que substituía o farto arsenal instrumental por um reles tecladinho, e os vocais potentes por vozes de "fuinha" dos tais MCs.

Ou seja, o caminho se perdeu, e mesmo o moderno funk eletrônico de Afrika Bambataa foi reduzido a nada quando "assimilado" pelos empresários-DJs de "funk carioca", que nos anos 90 começaram a criar um império ao lado dos barões da mídia local, investindo num comercialismo cada vez mais grotesco, atroz e cruel que eliminou a antiga cultura funk, jogada para o quase ostracismo.

Nessa época, todo o brega-popularesco desprezava a MPB, ria da decadência do Rock Brasil no mercado e, no caso dos funqueiros, dava gargalhadas quando via que os subúrbios ameaçavam esquecer Tim Maia, Hyldon, Gerson King Combo, Cassiano, Banda Black Rio e outros nomes do verdadeiro funk brasileiro. Tempos em que um Art Popular podia cospir na MPB com o maior esnobismo, porque o Art Popular fazia mais sucesso e a MPB não.

Até mesmo o dito "funk de raiz", a suposta tendência de "protesto" do "funk carioca", era considerado patético em 1990, com aqueles arremedos de cantiga de roda "cantados" com vozes frouxas, mediante uma única batida eletrônica, em que o "protesto" era muito tímido, nem de longe representava uma conscientização social como se alardeia hoje.

O "funk carioca" dos anos 90 desprezava o samba e outros ritmos populares. Competia mercadologicamente com eles, mas nunca conseguia levar vantagem. Nos últimos dez anos, porém, depois de dois grandes modismos fracassados (um em 1990, puxado por sucessos como "Rap da Felicidade", de MC Cidinho & MC Doca, e outro entre 1999 e 2001, incluindo "Cerol na Mão", do Bonde do Tigrão), os empresários do "funk carioca" passaram a financiar intelectuais para elaborar um discurso "positivo" para o gênero.

E foi aí que o funqueiro, como toda tendência brega e neo-brega vigente ou relembrada em 2002, passou a se promover como um "coitadinho", como um "discriminado", suposta vítima de "preconceitos", que era o que se falava da rejeição que os ídolos brega-popularescos recebiam da opinião pública, rejeição descrita de forma negativa e um tanto exagerada.

E aí o "funk carioca" continuou desprezando o funk autêntico, visto como "coisa do passado", até que cobranças que atingiram todo o brega-popularesco fizeram seus ídolos "reverem as posições". Assim, por exemplo, um cantor de "pagode romântico" que nunca se interessou por Wilson Simonal passou a dizer que "sempre admirou o cantor". Um "sertanejo" que só seguia o som de Waldick Soriano e Lindomar Castilho passou a dizer que "adora o Clube da Esquina" e o funqueiro, agora, tenta "comemorar" os 40 anos da introdução do funk autêntico no Brasil.

Claro, essa campanha toda em prol do "funk carioca" atrai as classes mais abastadas que veem nisso uma oportunidade de disfarçar suas inclinações elitistas em prol de um pretenso paternalismo às classes populares. Gente que, no fundo, odeia ver pobre, sobretudo quando faz passeatas pedindo reforma agrária, moradias melhores e urbanização de bairros populares, mas que sorri quando os pobres se limitam a expressar suas vozes de "fuinha" no microfone ou a rebolar de forma patética e grotesca.

É um discurso que não tem sentido verdadeiro. Cria-se um monte de referenciais, dando a falsa impressão de que o "funk carioca" é mais sofisticado até mesmo do que a Bossa Nova. Mas é só botar um CD do gênero que toda essa apelação intelectualoide - puxada por documentários, monografias, reportagens etc - cai por terra.

Isso só serve para enriquecer os empresários de "funk carioca", gente rica, riquíssima. A fortuna de um único DJ de "funk carioca" não consegue ser alcançada, sequer em um quinto, por todo o elenco "burguês" da MPB da Biscoito Fino junto.

E agora a adesão dos "bacanas" ao marketing funqueiro é coroada pela peça Funk Brasil - 40 anos de Funk, que, seguindo o mesmo caminho dos livros O Mundo Funk Carioca, de Hermano Vianna, e Batidão - Uma História do Funk Carioca, de Sílvio Essinger, tenta misturar alhos e bugalhos, representando uma apropriação do funk autêntico de outrora pelo bastardo funk atual.

Recentemente, a campanha tenta manter as popozudas no mercado, além de promover veteranos como Latino e MC Buchecha (remanescente da dupla Claudinho & Buchecha) no mercado, tentar salvar o sucesso de MC Leozinho e promover nomes recentes como MC Naldo e, agora, MC Koringa.

Todo mundo, agora, se apropriando da memória de Tim Maia, embora, pateticamente, um jornal tenha definido o MC Sapão como o "Tim Maia do funk (?!)". Juntando tudo isso, tem a choradeira do dirigente funqueiro MC Leonardo, para o qual o "funk carioca" é o centro do universo, o mundo é que tem que girar em tornos da "nação funqueira".

Enquanto isso, a cultura brasileira sucumbe a esse embuste com muita gente achando que isso trará o progresso social das classes populares. Não vai. Até porque essa campanha pró-funqueira já tem 10 anos e, se tivesse sido séria um dia, a população pobre teria tido alguma melhoria real e a pobreza teria sido eliminada faz tempo.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O IRRITANTE CACOETE DE CHAMAR DE "BANDA" GRUPOS SEM INSTRUMENTISTAS


Há um terrível e irritante cacoete da mídia brasileira, que contagiou o público jovem, de chamar meros conjuntos vocais de "bandas", mesmo aqueles que não constam com qualquer instrumentista.

A medida vem de uns 15 anos para cá, e veio na onda das rádios de pop dançante imitarem burramente os jargões roqueiros, e aí chamam qualquer agrupamento de gente como "banda".

Isso é resultante de uma interpretação caolha do termo boyband, um termo que significa "grupos de garotos" e não "bandas de garotos".

Mas o galo cantou na esquina - provavelmente com outros galos dançando junto - e até o escritor Antônio Carlos Cabrera pegou carona nesse verdadeiro "mico" (feito provavelmente por um mico cantando e outros dançando junto) - , nos seus livros sobre "anos 80" (no sentido Ploc 80 do termo).

A gravadora que lançou o disco desta foto, Up All Night, do grupo vocal inglês One Direction, a Sony Music, colocou no CD uma etiqueta com uma mensagem infeliz: "A 1ª banda (?!) inglesa a entrar em 1º lugar nos EUA".

Mas se até a Roadie Crew, num ato falho, chamou o Menudo de "banda", sem aspas, numa resenha de disco de um grupo de rock (o Menudo era citado numa comparação crítica), quando sabemos que o grupo porto-riquenho não tinha músicos (só depois de saírem alguns integrantes se tornaram de fato músicos), é sinal que a bagunça pegou. Num tempo em que de vez em quando no portal Whiplash baixa o espírito da Candinha (aquela da canção do Roberto Carlos fase Jovem Guarda)...

Poucos têm a ideia do quanto é humilhante chamar grupos vocais de "bandas". Na melhor das hipóteses, um grupo tipo Menudo, ou Backstreet Boys ou, agora mesmo, o inglês One Direction, a sensação do momento, os grupos poderiam ser chamados de "corais". Bandas, de jeito nenhum.

A distorção do termo band foi desmascarada quando foi ao ar na TV paga a minissérie Band of Brothers, co-produzida por Tom Hanks e Steven Spielberg, que não fala de meninos dançantes, mas de um AGRUPAMENTO de soldados na Segunda Guerra Mundial.

Havia escrito sobre a vinda de Jack Bruce, ex-baixista do Cream, no Brasil, e, dias antes sobre o falecimento do guitarrista brasileiro Celso Blues Boy. São dois exemplos de grandes músicos da História do Rock. Só que nenhum deles tornou-se grande músico por meio de sombra e água fresca. Foi preciso muita dedicação, muitos ensaios, muita criatividade e disciplina.

Afinal, se muitos moleques decidem formar suas bandas, eles arrumam um lugar, geralmente na laje de um sobrado ou na garagem de uma casa, ou no quarto de um apartamento, para ensaiar seus instrumentos. Parece um hobby, mas também é um esforço. Os Beatles são os Beatles porque tocaram muito, os Beach Boys também.

Agora, ver que essas "bandas" (sic) atuais mostram baladas ("balada eh música lenta, flw?") em que um integrante canta e outros ficam de braços cruzados é vergonhoso. Certa vez, escrevi, no sítio Preserve o Rádio AM, que o grupo Pussycat Dolls (que lançou a cantora Nicole Scherzinger), na medida em que era chamado de "banda", era até mais perigoso do que a prepotência do poder, então vitalício, do presidente da Ordem dos Músicos do Brasil, Wilson Sândoli, nomeado durante a ditadura militar e, recentemente, afastado do poder  (foi em 2009).

Isso porque, questionando o pragmatismo brasileiro, ainda condescendente com certas armadilhas e capaz de admirar as ratoeiras armadas contra si  por causa do queijo colocado nela, chamar um grupo vocal de "banda" é tão ou mais perigoso do que um cara autoritário comandando uma associação de músicos.

Afinal, se o presidente autoritário não reconhece os direitos e necessidades dos músicos, por outro lado grupos só de vocalistas, ou não raro de um(a) vocalista e "trocentos(as)" dançarinos(as), desmoraliza os músicos porque tais grupos não passam pelo esforço de se dedicar a um instrumento musical, a uma partitura, a ensaios de arranjos.

E, num contexto de pop dançante, onde os "cantores" usam, e muito, o recurso do vocoder, com a voz robotizada - "novidade" que, no Brasil, é introduzida até no "kuduro" do tema de novela da Globo - , isso se agrava completamente, porque é rir da cara dos verdadeiros músicos creditar grupinhos dançantes como "bandas".

Chega a ser risível, mas é também de chorar. Afinal, antes tínhamos as grandes bandas de jazz. A música pop reduziu a quantidade, mas sempre manteve a condição de bandas como grupos formados por músicos, quando muito com um ou dois integrantes que não tocam instrumentos, ou então com vocalistas de apoio junto a diversos instrumentistas. Hoje, infelizmente, não é assim.

Aí chama-se de "banda" qualquer grupo. Se tem um monte de gente, é "banda". Pode ser um vocalista medíocre - deste cuja voz é tão ruim que se esconde atrás do vocoder e dos pleibeques nos palcos - ao lado de um monte de dançarino, aí virou 'banda". Se deixarmos, qualquer grupo de ginástica aeróbica vai virar "banda". Pobre do adolescente que juntou as mesadas para comprar um baixo, uma guitarra, bateria ou órgão.

O esforço dos instrumentistas acaba sendo desmoralizado. E é irônico que os Beatles e Beach Boys eram considerados conjuntos vocais. De fato eram, mas seus integrantes eram instrumentistas e grandes compositores. Eles fizeram a história do rock porque seus integrantes se esforçaram em tocar e compor arranjos e melodias com muitos ensaios, apresentações e coisa e tal.

Os Beatles chegaram mesmo a deixar os concertos de lado porque queriam se aperfeiçoar como músicos, coisa que, na época, os gritos das fãs não deixaram. E olha que os Beatles e Beach Boys eram ícones teen no começo de carreira, mas tinham talento de sobra para oferecerem algo mais à música, como a História comprova com o passar do tempo.

É vergonhoso ver que "bandas" agora são esses grupinhos vocais de pop dançante. E a mídia que as define assim ainda fica "se achando". Só que os músicos que realmente lutam pelos seus direitos deveriam reagir contra essa mídia como reagiram contra a prepotência de Wilson Sândoli. A coisa foi tão patética no Brasil que se chegou a formar um grupinho vocal chamado Mega Banda, da agência Mega Models, que de "banda" só tinha o nome, nenhuma integrante ali era instrumentista. Felizmente, não deu certo.

Ninguém pode aceitar que grupos como Backstreet Boys, Pussycat Dolls, Girls Aloud e One Direction roubem os créditos dos verdadeiros músicos na medida em são considerados, no Brasil, como "bandas". É preciso protestar diante de um quadro desses que não envolve questões pragmáticas, mas questões que podem se complicar com o tempo.

Afinal, a vida não é feita apenas de lutas por causas imediatas e pragmáticas. As armadilhas podem ser mais sutis, e as ratoeiras não são lindas por causa do queijo colocado nelas. Quem é músico precisa reclamar, afinal seu esforço está sendo desqualificado na medida em que, agora, até dançarino é considerado "músico" e grupos de meninos e meninas dançantes são considerados "bandas".

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

BOB'S PIORA QUALIDADE DE LANCHE PROMOCIONAL


Depois que a imprensa denunciou a exploração degradante dos funcionários da rede McDonald's, é a vez de outra rede de lanchonetes apresentar sério problema, a rede Bob's.

A rede decidiu diminuir a qualidade da batata frita e do hamburguer, sobretudo para a promoção de R$ 9,90. O hamburguer ficou menor, quase sem a habitual salada, e bem menos temperado, com sabor mais insosso do que muita lanchonete de terceira categoria nos subúrbios.

Já a batata frita, que decepção. A batata ficou menor, mais "magra", menos encorpada, e com sabor inferior ao de muita batata chips caseira de segundo escalão. E, além do mais, ela é servida não numa embalagem como a da foto (que mostra um "trio" que não é mais servido na promoção), mas numa menor, em formato cone.

É uma grande queda de qualidade que não condiz com a história do Bob's, surgida há 60 anos fundada por um ex-esportista (!) norte-americano naturalizado brasileiro. Seu hamburguer era muito bom e eu me lembro de ter comido a batata frita do Bob's, em 1980, e era uma maravilha.

Nos últimos anos ela tentou mudar um pouco o modo de fritar as batatas, por causa da concorrência com o McDonald's, mas desta vez piorou feio. Se comparar com uma lanchonete mais popular, perde feio tanto no hamburguer quanto nas fritas.

Só por uma comparação, a lanchonete Vero Suco, situada no Edifício Menezes Cortes, no Castelo, bairro do Rio de Janeiro, vende um trio hamburguer + batata frita + refresco a R$ 6,99 (R$ 7, melhor dizendo). O preço é mais em conta e o hamburguer e a batata frita são em quantidade maior que a da promoção do Bob's.

E o sabor, então, a Vero Suco leva uma grande vantagem, com uma batata frita que lembra os melhores tempos em que as redes de lanchonetes respeitavam os fregueses, embora sempre cobrem caro pelos lanches.

A propósito: dizem que a McDonald's é uma rede de restaurantes, não de lanchonetes. Estranho, porque restaurante é aquele que oferece pratos de almoço, e não lanche, como é da empresa norte-americana. E olha que a McDonald's recebe muitas queixas porque serve alimentos gordurosos, e não serve pratos de almoço (tipo arroz, feijão, salada e carnes).

Neste caso, muita gente, quando quer fazer lanche, prefere ir a restaurantes (mesmo!) de comida por quilo, porque em muitos casos, comprar um prato de almoço pode sair mais barato do que comprar um "trio" numa rede como Bob's. Que não é tão saboroso quanto antes e não consegue matar a fome.

E R$ 9,90 não é lá um preço muito barato para um lanche assim.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

CAETANO VELOSO E SEU FAMOSO PROTESTO



Caetano Veloso faz 70 anos hoje. Figura polêmica, ele de fato é um grande artista, mesmo quando aposta no oportunismo de embarcar em qualquer tendência musical. Tem-se, no entanto, a ressalva de que ele procura estar informado das coisas, e se esforça em não soar deslocado, seja cantando música italiana, seja rock ou samba enredo.

No âmbito político-ideológico, ele é mais conservador (apesar de ser, em compensação, bastante jovial) e isso tornou-se evidente nos últimos vinte anos, depois de tanto tempo numa posição "ambígua" que deslumbrou os intelectuais de então.

Condescendente com o brega-popularesco - que, na visão dele, concretiza na prática as utopias do cantor baiano com a chamada "cultura de massa" e que resultou na despolitização da tese de "geléia geral" inicialmente lançada ao debate pelo Tropicalismo - , Caetano Veloso está há pelo menos 35 anos no establishment da música brasileira.

Muito se falou sobre a crise da MPB agravada pela acomodação dos tropicalistas. E as controvérsias que envolviam Caetano Veloso e a crítica musical. Hoje Caetano não é visto com tanta unanimidade pela intelectualidade média como há 35 anos atrás, mas alguns cientistas sociais e críticos musicais que hoje defendem a ideologia brega - inspirados sobretudo pelo dueto de Caetano com Odair José - são tidos como "unanimidades" do mesmo jeito que Caetano num passado recente.

Aqui vamos mostrar um pouco do Caetano Veloso mais ousado, quando ele estava na vauguarda da música brasileira, causando polêmica por ser moderno e não por ser conivente com o "estabelecido", no famoso episódio no Teatro da Universidade Católica (Tuca), em São Paulo, em 15 de setembro de 1968, no III Festival Internacional da Canção (TV Globo), quando foi vaiado enquanto apresentava, ao lado dos Mutantes (Rita Lee e os irmãos Arnaldo e Sérgio Dias Baptista), a música "É Proibido Proibir".

Caetano vestia uma roupa de plástico de alusão futurista e, irritado, interrompeu bruscamente a canção para fazer o famoso discurso contra a plateia mais voltada à MPB cepecista. Com todo o mérito de Caetano na ocasião, o episódio, associado ao posterior dueto com Odair, faz as gerações intelectuais de hoje distorcerem as abordagens, confundindo os contextos e criando situações esquisitas como uma parcela da intelectualidade dita "de esquerda" esculhambando a MPB esquerdista, enquanto dá preferência para bregas claramente de direita (o próprio Odair e Waldick Soriano). Vá entender.

Primeiro vamos ver aqui a letra de "É Proibido Proibir", que Caetano compôs sozinho, e depois o discurso que ele fez contra a plateia que o vaiou. Tirem suas próprias conclusões, leitores, e boa sorte.

É proibido proibir

Caetano Veloso

A mãe da virgem diz que não
E o anúncio da televisão
E estava escrito no portão
E o maestro ergueu o dedo
E além da porta
Há o porteiro, sim…

E eu digo não
E eu digo não ao não
Eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir…

Me dê um beijo meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras
As estantes, as estátuas
As vidraças, louças
Livros, sim…

E eu digo sim
E eu digo não ao não
E eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir…

Me dê um beijo meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras
As estátuas, as estantes
As vidraças, louças
Livros, sim…

E eu digo sim
E eu digo não ao não
E eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir…

DISCURSO DE CAETANO VELOSO DURANTE APRESENTAÇÃO DA MÚSICA "É PROIBIDO PROIBIR"

"Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? Vocês tem coragem de aplaudir este ano uma música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado; são a mesma juventude que vai sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem! Vocês não estão entendendo nada, nada, nada , absolutamente nada. Hoje não tem Fernando Pessoa! Eu hoje vim dizer aqui que quem teve coragem de assumir a estrutura do festival, não com o medo que sr. Chico de Assis pediu, mas com a coragem, quem teve essa coragem de assumir essa estrutura e fazê-la explodir foi Gilberto Gil e fui eu. Vocês estão por fora! Vocês não dão pra entender. Mas que juventude é essa, que juventude é essa? Vocês jamais conterão ninguém! Vocês são iguais sabe a quem? São iguais sabe a quem? - tem som no microfone? - Àqueles que foram ao Roda Viva e espancaram os atores. Vocês não diferem em nada deles, vocês não diferem em nada! E por falar nisso, viva Cacilda Becker! Viva Cacilda Becker! Eu tinha -me comprometido em dar esse ?viva? aqui, não tem nada a ver com vocês. O problema é o seguinte: vocês estão querendo policiar a música brasileira! O Maranhão apresentou esse ano uma música com arranjo de charleston, sabem o que foi? Foi a Gabriela do ano passado que ele não teve coragem de, no ano passado, apresentar, por ser americana. Mas eu e Gil abrimos o caminho, o que é que vocês querem? Eu vim aqui pra acabar com isso. Eu quero dizer ao juri: me desclassifique! Eu não tenho nada a ver com isso! Nada a ver com isso! Gilberto Gil! Gilberto Gil está comigo pra acabarmos com o festival e com toda a imbecilidade que reina no Brasil. Acabar com isso tudo de uma vez! Nós só entramos em festival pra isso, não é Gil? Não fingimos, não fingimos que desconhecemos o que seja festival, não. Nínguém nunca me ouviu falar assim. Sabe como é? Nos, eu e ele, tivemos a coragem de entrar em todas as estruturas e sair de todas, e vocês? E vocês? Se vocês em política forem como são em estética, estamos feitos! Me desclassifiquem junto com Gil! Junto com ele, tá entendendo. O juri é muito simpático mas é incompetente. Deus está solto! (Canta trecho de É proibido Proibir) Fora do tom, sem melodia. Como é juri? Não aceitaram? Desqualificaram a melodia de Gilberto Gil e ficaram por fora! Juro que o Gil fundiu a cuca de vocês. Chega!?"

domingo, 5 de agosto de 2012

NATALIE PORTMAN ESTÁ OFICIALMENTE CASADA



Natalie Portman se casa hoje, com seu já "namorido", o coreógrafo Benjamin Millepied - que ela conheceu nas filmagens de Cisne Negro (Black Swan) - , numa cerimônia íntima da Califórnia. Na prática, ela já está casada, a cerimônia apenas será a oficialização de tudo isso.

Não faltam homens para mulheres que não são vulgares. Se, nos EUA, temos as frivolidades das "donas de casa" de Beverly Hills que se divorciam como quem está a dar um espirro, para não dizer uma Jwoww (quase uma Geisy Arruda de lá, com a ressalva de que surgiu num reality show e não num factoide qualquer) ou Pamela Anderson da vida, há várias opções de mulheres interessantes solteiras, famosas ou não.

No Brasil, solteiras interessantes há, mas são muito mais raras. E há um "exército" de moças vulgares ou simplesmente cafonas que permanecem solteiras, ou então há as "encalhadas profissionais" ou "marias-bobeiras" - essas que dão fora em pretendentes nas vaquejadas e micaretas da vida, mas vão para o Facebook chorarem porque "os homens têm medo delas" - , fruto de uma péssima educação sócio-cultural nos trevosos anos 90.

Aqui, então, o fã-clube de Natalie Portman, como este que lhe escreve e o amigo Marcelo Delfino, já se prepara para a nova condição de Natalie Portman, agora a jovem senhora Millepied. Foram-se os tempos em que Natalie estava livre, leve e solta na vida. Parecia ontem, mas era há uns cinco anos atrás.

Agora Natalie, mesmo esbanjando toda a sensualidade nestas duas fotos para a grife de Cristian Dior, além da natural beleza que aperfeiçoa o que já está perfeito, não é mais do que uma senhora bem casada, quando muito fazendo papéis de mulher solteira em ficções cinematográficas, únicas oportunidades para Natalie Portman exibir sua mão esquerda livre do anelzão de casadona.

Enquanto isso, uma nulidade como Geisy Arruda procura "caras legais". Pode ser eu ou você, mas nós não a queremos. E ainda tivemos a titia Solange Gomes na barraca de beijinhos em festas juninas (ali, nem de graça eu vou). Fora as popozudas do "funk" que, até seus maridos aparecerem em ocorrências pouco agradáveis, passam a imagem, falsa mas persistente, de pretensas "solteironas".

O que mostra que ser "cara legal" no Brasil é um suplício. Estamos condenados a namorar mulheres com as quais não sentimos atração nem afinidade, que não nos acrescentariam coisa alguma para nossas vidas e que ainda nos levariam para canhestros eventos "culturais" tidos como "populares". Melhor seguir a lição segura do ditado (realmente) popular: "Antes só, do que mal acompanhado".

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O CONSTRANGEDOR "MERCADO" DAS QUE "MOSTRAM DEMAIS"


O machismo enrustido de alguns homens, sobretudo jovens, permite que eles disfarcem suas visões em torno de alegações pouco convincentes como a "liberdade do corpo", mesmo dentro do contexto de "mulheres-objeto" que movimenta o mercado de celebridades no Brasil.

São centenas de "musas" que aparecem, toda semana, na Internet, que se limitam a apenas mostrar seus "dotes físicos", suas "boas formas" trabalhadas sobretudo pelo silicone. Elas não têm o que dizer, e já começam a cansar qualquer um só mostrando o corpo.

O que é estarrecedor é que tudo se repete à exaustão, sem que o mercado editorial, que se alimenta de "fotos sensuais" dessas "musas populares", se dê conta do ridículo.

São musas do MMA, ex-BBBs, "mulheres-frutas" do "funk carioca", "garotas da laje", "musas do Brasileirão", "miss bumbum" e tantas outras, que ainda se vangloriam de um estilo de vida que é marcado pelo vazio intelectual e pela personalidade superficial.

Mas outras coisas são bastante estarrecedoras. Primeiro, pela campanha que certos internautas "cheios de razão" fazem para defender o "direito" delas de serem assim tão alienadas. Em pleno século XXI, com a promessa do Brasil virar potência mundial, e depois de tantas conquistas femininas, haver gente defendendo o direito de certas mulheres permanecerem estúpidas e vulgares.

Essa minoria barulhenta e agressiva, no entanto, não podem influenciar a outra parte dos homens, com personalidade mais diferenciada e distante da boçalidade dos machistas troleiros - que, quando acusados de tal machismo, se limitam a responder "Ôia!" ou "Huahuahuah", incapazes de desmentir tais acusações - , que nunca iriam namorar mulheres assim tão vulgares.

Na Internet, é uma atrás da outra. É uma que, pela enésima vez, vai de biquíni cuja alça "acidentalmente" cai por causa do vento. É outra que, indo para uma festa tal, "acaba mostrando demais". É outra que fica "pagando calcinha", outra que fica "pagando cofrinho", outra que vai de vestido tão justo que aperta seu inflado corpo siliconado.

E tudo isso se repete, se repete, feito um disco riscado, sem que alguém se dê conta do ridículo. E o pior é que "musas" assim ainda têm o cinismo de dizer que desejariam namorar "caras legais". Ou seja, aqueles homens comuns, simples, mais caseiros, inteligentes porém sem arrogância, gentis sem extravagância, sensíveis e amorosos.

Em primeiro lugar, esses homens não querem essas musas. O que eles querem são moças que não precisam mostrar o corpo a toda hora e que não apreciem atrações brega-popularescas. Eles querem mulheres com personalidade e que não passem vexame nas conversas com os amigos, além de serem capazes de trocar ideias e mostrar coisas interessantes.

Em segundo lugar, as "musas populares" já possuem pretendentes. O problema é que elas acabam criando problemas com seus namorados - que variam, na melhor das hipóteses, a lutadores profissionais, jogadores de futebol, policiais militares e ídolos brega-popularescos e, na pior das hipóteses, a figurões do "submundo" criminoso - e várias delas acabam tendo medo até mesmo de namorar comportados ídolos "sertanejos". A não ser que o mercado é que as impeça de arrumar algum namorado às vésperas delas lançarem alguma sessão "sensual" numa revista.

A decadência dessas mulheres é gritante. Só os machistas troleiros não pensam assim e saem esculhambando quem alerta para essa realidade. Punheteiros envergonhados, "pegadores" frustrados, esses internautas grotescos, verdadeiros pitboys de redes sociais da Internet, falam grosso demais em mensagens privativas de e-mails, respostas a blogues e fóruns de redes sociais. Mas não conseguem esconder que são machistas e que medem a realidade conforme a reação de seus órgãos sexuais.

Enfim, é muito constrangedor ver toda essa multiplicação de musas vulgares - várias delas quase quarentonas e se recusando a aposentar-se - para o deleite apenas de um bando de machistas enrustidos para os quais o respeito humano é palavra que não existe em seus dicionários.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

CARTA ABERTA À BUSOLOGIA FLUMINENSE


Ando muito decepcionado com a atitude de uma elite de busólogos fluminenses, inclusive vários conhecidos.

Eu admirava todos eles, alguns anos atrás e via os fotologs do Fotopages para ver as suas fotos e as novidades.

Admirava as fotos tiradas ora no Cachambi, ora na Av. Venezuela, ora no Terminal Alvorada, ora em outras cidades, e sentia simpatia por vários desses busólogos.

Só que, nos últimos anos, desde que houve o famoso conflito de busólogos depois que um grupo então menos destacado foi para o Multishow e deixou outro mais destacado na mão, há quatro anos atrás, que o estrelismo e a politicagem passaram a fazer parte da busologia carioca, que deixou de ser um hobby para ser uma negociata política.

E a coisa se agravou quando Eduardo Paes decidiu "comprar" o apoio de alguns busólogos, impondo o pensamento único e impulsionando a elite busóloga a fazer uma luta fratricida, um "higienismo" que tem por objetivo combater e banir quem não segue um padrão de pensamento, que é o de Eduardo Paes, Alexandre Sansão, Jaime Lerner e outros.

Sim, pois não é só a pintura dos ônibus do Rio de Janeiro e agora de Niterói que ficou padronizada, desafiando a atenção dos passageiros e camuflando a identificação de cada empresa. É o pensamento da busologia que se tornou padronizado, e quem discordar desse PENSAMENTO ÚNICO - espécie de "bilhete único" para ter acesso a cadeiras nas secretarias de Transporte, no DETRO ou na ALERJ - é expulso de fóruns da Internet, para não dizer coisas piores.

Recentemente fui ameaçado por um busólogo por que ele não gostou que eu despadronizasse os ônibus que ele fotografava. Prepotente, me xingou de "xexelento" e ameaçou me processar. Eu não fiz mais do que uma arte virtual, principalmente nas fotos da Real Auto Ônibus, para informar aos internautas como seria a Mascarello Gran Via com as cores da Real, o que ficaria lindo.

E eu coloquei a autoria devida nos créditos, eu nunca iria usar a foto de outro para creditar como se fosse de minha autoria. Não sou irresponsável. Mas, numa típica situação kafkiana - para quem não sabe, o escritor Franz Kafka era especialista em retratar o absurdo - , o cara não gostou, me xingou e ainda me fez ameaças.

E eu era fã dele, usava as fotos porque admirava o jeito dele fotografar os ônibus. Imagine um cara que é fã de alguém e, na hora de pedir um autógrafo, leva um soco de seu ídolo? Pois é. E atitudes assim acabam vazando, como outras que já ocorreram na busologia.

Vários foram vítimas dessa prepotência da elite busóloga. Eu, meu irmão, meus amigos Marcelo Delfino e Leonardo Ivo, o outro amigo Marcelo Pierre, entre outros. Até André Neves foi atacado, mas ele conta com visibilidade suficiente para não ser expulso de fóruns busólogos, porque aí seria demais.

Mas já houve casos de dois busólogos que armaram para desmoralizar um abaixo-assinado digital que ia contra o interesse deles, e os dois também armaram o tal COMENTÁRIOS CRÍTICOS, um blogue ridículo para desmoralizar eu e meu irmão e, quem sabe, algum outro busólogo que discordar radicalmente de alguma coisa. E pode ser qualquer outro busólogo que estiver no caminho, até o aliado de ocasião.

Tudo isso fora as truculências que ocorrem nas comunidades BUSÓLOGOS DO RJ no Facebook e no Orkut. Gente expulsa mesmo, através de uma campanha difamatória, vexatória, que envergonha a todos. Porque é uma expressão de ABUSO DE PODER de busólogos mais destacados, que se acham os reis da verdade absoluta.

A situação está tão séria que eles passam a desprezar o sofrimento do povo. Povo, para eles, é só um gado a aplaudir diante dos palanques. Se um ônibus sofre um acidente e há feridos e mortos, para esses busólogos as vítimas é que são as culpadas. Eles ignoram qualquer pressão de ordem trabalhista que os patrões sempre jogam contra os trabalhadores.

Mas eles defendem até mesmo a Transmil, uma empresa que nem é pobre, porque tem "peixe grande" como acionista, incluindo um sócio que foi morto porque iria fazer revelações amargas sobre a empresa de Mesquita, famosa por sua frota sucateada e pelas grandes demoras na espera de um veículo.

A situação está vazando para fora do Estado do Rio de Janeiro e para fora da busologia, porque as manifestações truculentas de ameaças, ofensas pessoais e tudo o mais, que uma elite de busólogos faz com muito orgulho, acaba dando péssimas consequências até para aqueles que promovem tais agressões.

As pessoas acabam ficando assustadas, porque conhecendo a situação, vão aumentar ainda mais o preconceito que já têm contra a busologia. Além do mais, a agressividade dos busólogos fluminenses é também fruto de ilusões e desilusões. E, se no Facebook e no Orkut a coisa pega fogo, fora da Internet é que as coisas são piores ainda.

Em maio passado, pela primeira vez, houve "racha" nos encontros de busólogos. E, nos bastidores, sempre há um busólogo mais sensato que grita para o busólogo agressivo irritado porque este foi longe demais nas ameaças e ofensas a outros busólogos.

Os busólogos mais agressivos também brigam entre si, o busólogo pitboy dos "comentários críticos" até está em relações estremecidas com os antigos parceiros. E ninguém pense que a elite busóloga mais agressiva vive em lua de mel com Alexandre Sansão, que vê neles um bando de puxa-sacos e alerta que seu gabinete não é BRT para caber todo mundo.

Mas talvez isso permita que esses busólogos promovam esse "higienismo". Tudo para reduzir a busologia fluminense a um grupo fechado a dizer amém às decisões impostas pelas autoridades. Pensam mais na sua aparição nas festas de 2014 e 2016 do que em qualquer solidariedade por um hobby comum.

Fico muito triste, estarrecido, assustado. A arrogância dessa minoria de busólogos é como um ônibus desgovernado, sem freio. Certamente outros busólogos fluminenses saem envergonhados e intimidados, enquanto os mais agressivos, a princípio, acreditam na impunidade e na prepotência absoluta. Acham que podem agredir, ofender ou processar sem motivo e vão continuar em alta entre seus pares.

Não é assim. Hoje vemos que a vida prepara surpresas para quem comete abusos. Num dia, alguém que comete agressões pode se achar em moral alta e posar de bom amigo e de vítima diante de outras pessoas, para enganar. Noutro dia, ele é traído, ou briga com algum peixe grande, ou com alguma figura mais sinistra (tipo um chefão das vans) e a desgraça que ele desejava nos outros volta-se para ele até de forma piorada.

Espero que se dê um basta a esse festival de prepotência, de arrogância e de desrespeito humano. Quem pode pedir respeito se é o primeiro a desrespeitar com ofensas, ironias e ameaças?

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

LÁ FORA TAMBÉM HÁ SOLTEIRAS DESINTERESSANTES


Lá no exterior, sobretudo nos EUA, também existem mulheres desinteressantes que "sobram" no "mercado" ou, quando estão comprometidas, se separam com muita facilidade.

A maioria dessas mulheres são inexpressivas figuras de reality shows, pessoas que não têm muito o que dizer a não ser sobre si mesmas e o único papel que conseguem desempenhar é o delas mesmas.

No seriado das Real Housewives, sobretudo de Beverly Hills, que inspirou o brasileiro Mulheres Ricas (TV Bandeirantes), houve uma onda de "donas de casa" que, de repente, se separam de seus maridos. Com a ressalva de que, das Mulheres Ricas, a Débora Rodrigues é, de fato, um piteuzaço.

A mais famosa delas - e, reconheçamos, a mais interessante, dentro desse contexto limitado - é a Taylor Armstrong, de 41 anos, que havia se separado de seu marido. Ironicamente, Taylor é muito parecida com a falecida irmã de Ângela Bismarchi, mas foi o ex-marido de Taylor que cometeu suicídio. Talvez haja quem estivesse na torcida para que Taylor, pelo menos, faça alguma outra coisa ou vire atriz de verdade para trabalhar outros personagens.

Mas, fora isso, são inexpressivas mulheres que não vão além desse "universo" superficial. Talvez elas sejam "melhorzinhas" se comparado com as mulheres vulgares que ficam "sobrando" no Brasil, ou com as funqueiras casadas que ficam posando de "solteiríssimas". No entanto, essas mulheres também decepcionam pela personalidade, da mesma forma.

No âmbito dos reality shows juvenis, vemos o destaque de uma tal de Jwoww, apelido de Jennifer Farley, também conhecida como Jenni Farley. Metida a descolada, ela é uma Paris Hilton mais "radical", mas talvez seja também a versão norte-americana da brasileira Geisy Arruda.

Há também suas "popozudas", como Arianny Celeste, a musa do MMA (como a brasileira Lucilene Caetano), e Paula Labaredas. Essas mulheres cuja missão é "mostrar demais" seus corpos, mas não fazem outra coisa, já começam a perder vantagem na medida em que até musas teen com muito a dizer, como Miranda Cosgrove, Dakota Fanning e Hailee Steinfeld, já começam a mostrar suas sedutoras curvas.

A cada dia mulheres assim só servem mesmo para o deleite de punheteiros de plantão, sejam os mais velhos que curtem uma "dona de casa" de reality show, sejam os mais jovens que adoram mulheres que "mostram demais", pela falta de algum conteúdo em suas personalidades.