sábado, 28 de julho de 2012

PROFISSIONAIS LIBERAIS, EMPRESÁRIOS E EXECUTIVOS DEVERIAM BRINCAR NA HORA DO LAZER


A coisa mais chata que existe é conversa de adultos numa festa social, principalmente quando é aniversário de filhos pequenos.

E o mais chato ainda quando são profissionais liberais, empresários e executivos se reunindo para conversas.

O bate-papo é de um pedantismo assustador. O pessoal desperdiça horas e horas de lazer debatendo assuntos que dizem entender mas na verdade nem de longe entendem.

Alguém pensa que são cientistas políticos, críticos de arte, ativistas sociais fazendo seu julgamento pronto sobre a realidade do planeta, esbanjando conhecimentos sobre as coisas que acontecem no mundo inteiro e em todos os tempos?

Pior então é quando eles nasceram nos anos 50, cujo pedantismo se estende à obsessão de soarem mais antigos do que realmente são. São "meninos" de seus 57 a 60 anos que querem impressionar seus antigos professores universitários com noções pedantes sobre artes plásticas do século XIX, arquitetura da era da Antiguidade e toda música feita antes de 1947.

No fundo o pessoal apenas viu o noticiário de ontem, as revistas de ontem sobre as informações de anteontem, algum caderno de cultura dos grandes jornais, algumas revistas especializadas e alguns documentários da TV por assinatura. E cada um fica se achando, numa competição para ver quem é mais inteligente e bem informado do que outro.

Sobretudo entre os homens, o pedantismo é resultante da vaidade. O cara faz umas pesquisas médicas e umas consultas bem sucedidas e de repente se acha o maior crítico de arte do planeta. O cara faz uns investimentos na sua empresa, ela tem superávit e de repente ele vai para a festa de aniversário do filho pequeno de seu amigo e se acha o maior cronista político do planeta.

São conversas chatas, pedantes, até com ideias interessantes mas comentadas de forma forçada, como se todo mundo tivesse alguma resposta para qualquer problema. "Eu, se fosse prefeito dessa cidade, eu escoava o trânsito da Rua Tal para outra avenida". "O Barack Obama quer se meter nos problemas do resto do mundo... Eu, se fosse ele, cuidava do próprio povo, que passa fome".

Há exceções, é claro, mas a maioria das conversas é de um pretensiosismo irritante. Como é que engenheiros, advogados, empresários, executivos de TV, economistas, médicos, publicitários e coisa e tal querem exibir um eruditismo vazio, preguiçoso, que está na cara que é resultante do agenda setting da véspera?

Seria muito melhor que eles aproveitassem o tempo de lazer para brincarem, se divertirem como se divertiram quando eram calouros de faculdade. Aproveitar a recreação, que é um verdadeiro exercício para a mente e para a qualidade emocional.

Raciocinar de forma pedante para, no caso dos "coroas" born in the 50s, dar a impressão de um eruditismo mais antigo bajulando Van Gogh, Frank Sinatra e o coitado do Glenn Miller que desapareceu na Segunda Guerra, é um esforço que desgasta mais a mente do que renova e revigora. Já não bastam os estudos de casos judiciais, as plantas de edifícios, os negócios a fazer, as cirurgias, as palestras a desenvolver na próxima semana?

A vida adulta torna-se chata. A sisudez é uma doença aliviada pela morfina do sucesso profissional, pelo analgésico do prestígio social. Seria melhor que se voltassem às recreações juvenis, que renovam a emoção e oxigenam melhor as mentes. E podem favorecer até mesmo o rendimento profissional.

Ninguém será membro do Conselho de Segurança da ONU porque falou de política na festa de aniversário dos filhinhos. E não esperem vê-los brincando para pegar carona. Adultos, brinquem vocês mesmos!! Divirtam-se por conta própria!! Provem que vocês não se divertem para agradar os filhos, mas porque gostam!! Deixem o trabalho para a hora do trabalho, que já tem carga horária suficiente para a racionalidade  de seus cotidianos.

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