segunda-feira, 9 de julho de 2012

KIKO ZAMBIANCHI DISPARA CRÍTICAS À MEDIOCRIZAÇÃO CULTURAL



Por pouco não perdemos mais um ícone do Rock Brasil e, em parte, da MPB autêntica. Kiko Zambianchi havia sofrido uma hemorragia séria e foi para a UTI. Segundo o cantor, ele sofreu o mesmo mal que matou o músico punk Redson, da banda Cólera, mas teve mais sorte.

Na convalescência, o cantor escreveu um texto criticando as "periguetes" e os "sertanejos universitários". Intitulado "Tô de saco cheio de ficar quieto", o texto-desabafo possui palavrões, mostrando a indignação do cantor, de 52 anos ainda incompletos, com a mediocrização cultural que avança no país.

O texto teria sido motivado quando Kiko soube do destaque que portais na Internet dão para musas e músicos ligados ao brega-popularesco, como a Mulher Melão e a dupla João Lucas & Marcelo. Alguns versos são bem ilustrativos:

O Brasil tá uma bosta cultural e estamos exportando vagabundas e músicas horrorosas. 
A prostituição e a baixaria, divulgada por todas as mídias, estão criando um bando de crianças depravadas. 
Ninguém faz nada... 
#eu cansei... 

Ele ainda acrescenta:

E vou começar uma campanha contra... 
 Quem puder ajudar, faça o seguinte: 
A cada matéria ridícula sobre essas coisas horrorosas... 
Divulgue!!!! 
Mostre pra todo mundo, quem são e o quanto esses idiotas da mídia dão moral pra essas merdas.

Alguns fãs pensaram que a declaração era dor de cotovelo, mas Kiko afirmou que agora está melhor e que está feliz por ter uma boa família e nada lhe faltar na sua vida pessoal.

O cantor, nascido em Ribeirão Preto, prepara um novo CD/DVD. Famoso por sucessos como "Rolam as Pedras" e "Primeiros Erros", teve músicas gravadas por Marina Lima, Capital Inicial e Erasmo Carlos, entre outros.

Em todo caso, o desabafo de Kiko, depois da notícia da vida miserável de Renato Rocha, mostra o quanto o brega-popularesco tenta tirar espaços até da MPB e do Rock Brasil, sob o apoio do mercado, da velha grande mídia e da intelectualidade associada.

Os ídolos bregas, neo-bregas e pós-bregas não se contentam com os espaços que têm e querem mais. Chega-se ao ponto de uma banda de Rock Brasil ter que gravar com a Banda Calypso e Mr. Catra para terem algum espaço na mídia e no mercado. Quem não adere a esse esquema mafioso, cai no ostracismo.

Depois os bregas vão para a mídia dizer que são os "coitadinhos", "vítimas de preconceito"...

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