segunda-feira, 30 de julho de 2012

ADRIANA ESTEVES REVIVE TEMPOS DA SANDIZ


Poucos se dão conta, mas a atriz Adriana Esteves, quando ainda era uma modelo, havia feito, em 1989, uma sessão de fotos de lingerie para um encarte da extinta redes de lojas Sandiz.

Com um olhar sapeca, a atriz mostrava sua impecável formosura nessa sessão de 23 anos atrás (formosura que continua até hoje, como se vê nesta foto ao lado), que se tornou uma raridade que infelizmente não foi ainda resgatada na Internet.

É lamentável a falta de garimpagem do pessoal na Internet, no Brasil. A raríssima capa de Luíza Brunet na revista Saúde é Vital (Editora Abril), de 1985 - quando a modelo sul-matogrossense aparece com um penteado tipo anos 40 e um vestido que realça sua formosura - , ou mesmo as sessões de fotos de Carol Castro para a grife Feranda Jeans, não aparecem na Internet.

De Carol Castro, só aparecem umas três fotos justapostas, o que é muito pouco para o material que foi produzido pelo encarte da Feranda, lançado em 2005. E olha que é um caderno recente, distribuído gratuitamente pela rede de lojas, e ninguém até agora escaneou as fotos para colocá-las na Internet.

O pior é que Luíza Brunet, Carol Castro e Adriana Esteves são mulheres em evidência, o que poderia inspirar, em alguns internautas, um pouco de criatividade na publicação de fotos. Em vez disso, há o vício terrível de criar blogues e sítios copiando apenas o conteúdo previamente estabelecido.

Assim a Internet brasileira se desperdiça sendo apenas o mais do mesmo da mídia do entretenimento.

sábado, 28 de julho de 2012

PROFISSIONAIS LIBERAIS, EMPRESÁRIOS E EXECUTIVOS DEVERIAM BRINCAR NA HORA DO LAZER


A coisa mais chata que existe é conversa de adultos numa festa social, principalmente quando é aniversário de filhos pequenos.

E o mais chato ainda quando são profissionais liberais, empresários e executivos se reunindo para conversas.

O bate-papo é de um pedantismo assustador. O pessoal desperdiça horas e horas de lazer debatendo assuntos que dizem entender mas na verdade nem de longe entendem.

Alguém pensa que são cientistas políticos, críticos de arte, ativistas sociais fazendo seu julgamento pronto sobre a realidade do planeta, esbanjando conhecimentos sobre as coisas que acontecem no mundo inteiro e em todos os tempos?

Pior então é quando eles nasceram nos anos 50, cujo pedantismo se estende à obsessão de soarem mais antigos do que realmente são. São "meninos" de seus 57 a 60 anos que querem impressionar seus antigos professores universitários com noções pedantes sobre artes plásticas do século XIX, arquitetura da era da Antiguidade e toda música feita antes de 1947.

No fundo o pessoal apenas viu o noticiário de ontem, as revistas de ontem sobre as informações de anteontem, algum caderno de cultura dos grandes jornais, algumas revistas especializadas e alguns documentários da TV por assinatura. E cada um fica se achando, numa competição para ver quem é mais inteligente e bem informado do que outro.

Sobretudo entre os homens, o pedantismo é resultante da vaidade. O cara faz umas pesquisas médicas e umas consultas bem sucedidas e de repente se acha o maior crítico de arte do planeta. O cara faz uns investimentos na sua empresa, ela tem superávit e de repente ele vai para a festa de aniversário do filho pequeno de seu amigo e se acha o maior cronista político do planeta.

São conversas chatas, pedantes, até com ideias interessantes mas comentadas de forma forçada, como se todo mundo tivesse alguma resposta para qualquer problema. "Eu, se fosse prefeito dessa cidade, eu escoava o trânsito da Rua Tal para outra avenida". "O Barack Obama quer se meter nos problemas do resto do mundo... Eu, se fosse ele, cuidava do próprio povo, que passa fome".

Há exceções, é claro, mas a maioria das conversas é de um pretensiosismo irritante. Como é que engenheiros, advogados, empresários, executivos de TV, economistas, médicos, publicitários e coisa e tal querem exibir um eruditismo vazio, preguiçoso, que está na cara que é resultante do agenda setting da véspera?

Seria muito melhor que eles aproveitassem o tempo de lazer para brincarem, se divertirem como se divertiram quando eram calouros de faculdade. Aproveitar a recreação, que é um verdadeiro exercício para a mente e para a qualidade emocional.

Raciocinar de forma pedante para, no caso dos "coroas" born in the 50s, dar a impressão de um eruditismo mais antigo bajulando Van Gogh, Frank Sinatra e o coitado do Glenn Miller que desapareceu na Segunda Guerra, é um esforço que desgasta mais a mente do que renova e revigora. Já não bastam os estudos de casos judiciais, as plantas de edifícios, os negócios a fazer, as cirurgias, as palestras a desenvolver na próxima semana?

A vida adulta torna-se chata. A sisudez é uma doença aliviada pela morfina do sucesso profissional, pelo analgésico do prestígio social. Seria melhor que se voltassem às recreações juvenis, que renovam a emoção e oxigenam melhor as mentes. E podem favorecer até mesmo o rendimento profissional.

Ninguém será membro do Conselho de Segurança da ONU porque falou de política na festa de aniversário dos filhinhos. E não esperem vê-los brincando para pegar carona. Adultos, brinquem vocês mesmos!! Divirtam-se por conta própria!! Provem que vocês não se divertem para agradar os filhos, mas porque gostam!! Deixem o trabalho para a hora do trabalho, que já tem carga horária suficiente para a racionalidade  de seus cotidianos.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

EM MENOS DE DOIS MESES, SEXTO ACIDENTE DE ÔNIBUS DO RJ


Em menos de dois meses, acidentes graves de ônibus põem em xeque o modelo de transporte coletivo adotado no Rio de Janeiro. Agora foi um acidente de ônibus, na manhã de hoje, com um midi da Algarve, na Av. Brasil, com 30 feridos. O ônibus chegou a cair num canteiro.

Isso nos faz pensar o que os niteroienses estarão esperando para os próximos anos, além da redução das frotas de ônibus da antiga capital fluminense que, com os engarrafamentos de automóveis, irá piorar seriamente a situação.

No Rio, além de passageiros pegarem ônibus errado (claro, a pintura agora é igualzinha para diferentes empresas) e, com os congestionamentos, perder o horário limite dos bilhetes únicos - limite para o passageiro pagar apenas uma tarifa - , os ônibus sofrem problema de manutenção, os motoristas têm sobrecarga de horário e, estressados, provocam acidentes e rodam em alta velocidade.

Agora o poder está nas mãos de uma única pessoa, o secretário de Transportes Alexandre Sansão, que mais parece um "coronel" brincando de ser empresário de ônibus. Amarrar as empresas em consórcios e botar a mesma pintura, comprovadamente, não disciplina o transporte coletivo, dificulta o reconhecimento das empresas pelos passageiros comuns e favorece a corrupção e faz com que linhas de ônibus troquem de empresas às costas dos passageiros.

Algumas linhas já foram trocadas de empresas sem que os passageiros comuns soubessem, como a 296 Castelo / Irajá e as linhas que ligam o Méier à Barra da Tijuca. Em outros tempos, haveria transparência, com cada empresa apresentando sua identidade visual própria.

Mas, infelizmente, o golpe de 1964 chegou tardiamente à mobilidade urbana. Aliás, nem tão tarde. Jaime Lerner - que alguns consideram um "semideus" - é "filhote da ditadura" e já planejou seu projeto em Curitiba no auge do AI-5. E se os milicos naquela época gostavam de rasgar a Constituição Federal, Lerner rasgou a Lei de Licitações.

Mas teremos que esperar os problemas se tornarem mais claros para a população para a invalidade desse modelo de transporte seja descartado em todo o país. Ele favorece desde a corrupção política até o desmatamento, na medida em que áreas ambientais são destruídas para a construção de corredores exclusivos.

Só que ainda vivemos a fase de que, para uns poucos mas barulhentos busólogos, pimenta nos olhos dos outros é refresco. Se eles não perdem seus familiares nos acidentes de ônibus, tudo está bem. O que importa para eles é que ninguém critique Eduardo Paes, Sérgio Cabral Filho, Alexandre Sansão, Detro, Turismo Trans1000 e Jaime Lerner.

terça-feira, 24 de julho de 2012

O MAU GOSTO DESUMANO DA IMPRENSA JAGUNÇA


Infelizmente, temos uma intelectualidade, que praticamente monopoliza a visibilidade e o privilégio de pretensos formadores de opinião, que acha que a chamada "cultura do mau gosto" é uma causa nobre e revolucionária, supostamente atribuída a uma "rebelião popular" cujo público, na verdade, não é mais do que fantoche de um modelo de "cultura popular" imposto pela mídia.

O "mau gosto", assim, em vez de ser reconhecido, como deveria ser, como um processo de degradação sócio-cultural das classes populares, claramente amestradas pela velha mídia, é tido como algo "revolucionário", "corajoso" e "desafiador", como uma "causa moderna" que nós supostamente somos "incapazes de entender".

Falácias à parte, o que se nota é que a chamada "imprensa popular" - tida como "divertida" por parte da intelectualidade - , aquela que não sabe se quer ser reconhecida como "jornalismo investigativo" ou como "humorismo jornalístico", pega pesado no sensacionalismo, além de possuir um perfil ideológico que esconde todo um sistema retrógrado de valores imposto para as classes populares.

Um exemplo ilustrativo disso é a obsessão por trocadilhos maldosos desse tipo de imprensa, que pode ser seguramente denominado de "imprensa jagunça" porque ela, no fundo, é cúmplice do reacionarismo midiático da grande imprensa. É como se a revista Veja fosse o "coronel", e o jornal Meia Hora o capataz. Mas as próprias Organizações Globo (Rede Globo, O Globo, Época etc) tem seu similar, o também carioca Expresso, o verdadeiro equivalente brasileiro do News Of The World.

Se a revista Veja condena os movimentos sociais e dispara sua "metralhadora giratória" até contra as tribos indígenas, o Meia Hora (ou o Expresso, Supernotícia, Massa e similares) explora uma imagem ridícula das classes populares, atribuindo sempre a elas a obsessão pelo pitoresco, pelo grotesco, pelo piegas e pelo macabro.

E para quem acha "injusta" a comparação do "divertido" Meia Hora com a decadente Veja - envolvida, a partir de seu editor de sucursal Policarpo Jr., no esquema de corrupção do bicheiro Carlinhos Cachoeira - , é bom deixar claro que o dono do Meia Hora, que também edita o jornal O Dia, faz parcerias promocionais com o Grupo Abril, que edita Veja.

Um exemplo do caráter abjeto de Meia Hora e seu eventual bullying jornalístico é a exploração leviana e grotesca da memória do saudoso ator Heath Ledger - que, meses antes de falecer, eu pude vê-lo na TV paga no filme Honra e Coragem (The Four Feathers) - , só por conta do papel de Coringa que ele fez no filme O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight).

Isso se deu porque houve, na última sexta-feira, um atentado na cidade de Denver, no Colorado, com a sequência do citado filme com Ledger (lançado postumamente, meses após o falecimento do ator, que foi em janeiro de 2008), lançada no cinema na ocasião, intitulada O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises).

A vilã, Mulher-Gato, é interpretada por Anne Hathaway, que havia participado de outro filme com Ledger, O Segredo de Brokeback Mountain, e contracenou com Kate Hudson (par romântico de Ledger em Honra e Coragem) - na comédia Noivas em Guerra (Bride Wars). Anne, como outros envolvidos no filme, se sentiram chocados e tristes com o trágico incidente.

Nesse incidente, um rapaz chamado James Holmes invadiu o cinema e disparou vários tiros contra quem estivesse na frente. Doze pessoas morreram e várias outras ficaram feridas. O atirador foi preso e havia afirmado que "era o Coringa", ao anunciar o crime que acabou cometendo.

O Meia Hora, por sua vez, usou de forma leviana a memória do grande e simpático Heath Ledger, cujo talento promissor o fez interpretar brilhantemente o sádico e violento Coringa. Mas isso não significa que se coloque sobre o ator a "responsabilidade" de se posicionar contra ou a favor do atentado. Heath nada tem a ver com isso. Seria mais coerente dizer que os falecidos atiradores do Massacre de Columbine, de 1999, tenham inspirado o atirador do cinema a fazer sua carnificina.

Dessa maneira, o jornal Meia Hora mostra o lado macabro da imprensa "popular". E mostra o quanto seu péssimo jornalismo, tão "divertido" quanto qualquer prática de bullying, não mede escrúpulos com suas gracinhas. Em nome do sensacionalismo, faz se qualquer coisa para vender jornal.

Além disso, conclui-se que o "mau gosto" nada tem a ver com qualquer "causa nobre revolucionária". A "cultura do mau gosto" deprecia, degrada, humilha. Por isso o "mau gosto" é puramente desumano, idiotizante, alienante e imbecilizante. E isso não é bom.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

MALDITA 3.0 E A MEMÓRIA DO RADIALISMO ROCK


É bacana ver o amigo Marcelo Delfino, autor do Blogue do Delfino e do Tributo ao Rádio do RJ na reportagem e numa das fotos de ontem/hoje da revista OFlu, do jornal niteroiense O Fluminense. "Ontem/hoje", porque o periódico não sai nas segundas-feiras, e a edição dominical fica valendo também para o dia seguinte (só na Internet é que há atualização).

O evento Maldita 3.0 é uma excelente homenagem à trajetória da Rádio Fluminense FM, rádio que eu ouvi muito nos anos 80, e mesmo a fase inicial, apesar dos meus onze anos de idade (já em 1982), eu acompanhei por intermédio de um vizinho. E com 13 anos (1984) eu passei a sintonizar a Flu por conta própria.

Marcelo Delfino não acompanhou a fase inicial da Flu, mas a conheceu no final dos anos 80, quando Luiz Antônio Mello, numa segunda experiência na rádio, interviu e acabou com os focos de "ecletismo" que ele identificou na rádio.

Mas Marcelo Delfino, como pesquisador de rádio, sempre fica por dentro até de coisas que não vivenciou, e ele, incansável, não teme encarar polêmicas nos fóruns sobre rádio, quando questiona o conformismo e o comodismo de outros radiófilos, que encaram de forma subserviente muitas "novidades" do rádio impostas pelo mercado.

Ele, da mesma forma que eu, é um dos poucos preocupados com a crise do rádio AM, por exemplo, e também dos que não engolem essa farsa de "gagá contemporâneo", que Delfino chama as rádios adultas que, na prática, ressuscitaram aquele formato apático de FMs "só sucesso" do começo dos anos 70, com direito a locutor "leitor de bula" e tudo.

Quanto ao "Aemão de FM", espécie de "AM sem alma" que insiste em irradiar na Frequência Modulada, eu e Delfino somos poucos mas coerentes críticos desse embuste que anda sendo surrado, no Ibope, até por TVs por assinatura (embora a chamada "propriedade cruzada" dos grupos midiáticos, por razões óbvias, pouco se importa se uma "Rádio Globo AM" FM é surrada no Ibope pelo canal Sportv, por serem ambos do mesmo dono).

Enquanto muitos, iludidos, acham que o "Aemão em FM" vai trazer cidadania, prestação de serviço e informações esclarecedoras, nós, mais céticos, vimos que o embuste apenas transforma o rádio FM numa televisão sem imagem, maçante, popularesca, pedante.

E o "Aemão em FM" vitimou a antiga frequência da Flu FM. É irônico que o desempenho, em audiência, da Band News Fluminense FM é hoje comparável ao que a Fluminense, em fase decadente, tinha entre 1990 e 1994, apesar dos astros oriundos da TV Bandeirantes ou da Folha de São Paulo. A Band News já teve, pelo menos, duas "ondas" de demissões coletivas, uma delas já em 2006.

Isso porque o "Aemão em FM" tornou-se uma fórmula muito antiquada. É muito fácil jogar um rádio AM velho para as ondas de FM do que reformular a Amplitude Modulada. Em ato falho, vários países estão extinguindo a sintonia AM, em vez de modernizá-la. E isso cria um colapso enorme no rádio como um todo, já que sua história, na prática, sofre rupturas violentas que, em vez de renovar o rádio, o abatem violentamente. E, sabemos, o rádio FM nunca vai reescrever a história do AM.

Além disso, a blogosfera e o trânsito de informações nas redes sociais faz com que, hoje, as chamadas "rádios allnews", que prometiam "carregar o mundo" com suas antenas, mais pareçam versões extended mix do antigo "gilette press" (como eram conhecidos pejorativamente os boletins noticiosos de FM), apenas temperados por um opinionismo não raro pedante e tendencioso.

Nem mesmo a instantaneidade, considerada a "moeda de ouro" do "Aemão de FM", é mais valorizada como a "salvação da lavoura" que se via antes. O que é a instantaneidade hoje, se uma informação se propaga em dois minutos? Que graça tem alguém lançar uma notícia em primeira mão se em dois minutos ela já foi não só difundida, mas ampliada e atualizada por outras fontes?

MALDITA QUASE CAIU NO ESQUECIMENTO

Quanto ao radialismo rock, a Internet também permitiu que certas fraudes historiográficas fossem feitas. Até mesmo os primeiros anos da Internet no Brasil foram marcados por um obscurantismo e uma distorção de valores que chegou a condenar a Fluminense FM ao limbo, em que pese toda a trabalheira de Luiz Antônio Mello e sua equipe.

Isso porque, enquanto a Fluminense passava por fases decadentes, sem ter que propagar seu estilo e linguagem para outras rádios, o radialismo rock, às custas de certos modismos (Rock In Rio, grunge etc), foi invadido por emissoras sem qualquer competência para o ramo, dotadas, quando muito, de uns dois ou três produtores de rock que apenas seguiam, quase que "por automático", o que as gravadoras indicavam sob o rótulo de "rock".

Elas queriam fazer "mais história" que a Fluminense, enquanto certos internautas - que confundiam rebeldia com irritabilidade fácil - falavam mal até das virtudes da rádio. O mesmo era feito com os fanáticos do Charlie Brown Jr., que chegaram a desmoralizar a Legião Urbana sob o pretexto de que Renato Russo havia gravado canções italianas.

O esforço de retomar a memória da Fluminense FM partiu de várias pessoas. Mas eu havia contribuído lançando muitos textos sobre radialismo rock, reforçando as ideias de Luiz Antônio Mello ou me baseando de exemplos como Kid Vinil, Leopoldo Rey, José Roberto Mahr e outros. E cheguei a ser espinafrado porque divulgava e interpretava ideias e conceitos usados por esses admiráveis batalhadores!...

Nessa época, "radialista rock" era gente como um Rhoodes Dantas que afirmava odiar rock e um Zé Luís que fica melhor como garoto-propaganda das Casas Bahia. Entre 1990 e 2006, quem entendia de rock que arrumasse bico consertando equipamentos de som em pequenas oficinas, que era o que os possíveis herdeiros de Luiz Antônio Mello e Leopoldo Rey faziam em várias cidades, nos anos 90.

Até hoje, muitas capitais brasileiras nunca puderam ouvir uma rádio como a Fluminense FM. Que, mais como uma rádio de rock, era uma emissora com personalidade rock. Afinal, não basta tocar rock, é preciso ter também o estado de espírito necessário, a vocação e a emoção. Virou até clichê muitas rádios pop enrustidas, só para dizer que são "rádios rock", fazem aquelas vinhetas tolas com o sintetizador imitando acorde de guitarra e um cara falando "rock" como se estivesse arrotando.

Portanto, nada de "Jovem Pan 2 com guitarras", "SBT com guitarras" ou coisa e tal. O tempo mostrou também que muitos desses "roqueirões" posudos hoje trabalham com tudo aquilo que diziam condenar, alojados na Beat 98 ou na Nativa FM (paulista) com breganejos, menudos e funqueiros, ou então como locutor esportivo, como o baiano Thiago Mastrioanni, da antiga pseudo-roqueira 96 FM (depois entregue a Edir Macedo).

O radialismo rock foi melhor representado pela Fluminense FM. E fico feliz porque sua memória é revalorizada. Eu contribui muito com isso, mas até hoje ninguém me procurou. Tudo bem, não quero me envaidecer com isso, minha contribuição apenas é um fato. Fui colunista no portal da Rocknet, de Luiz Antônio Mello e tenho mais de dez anos de textos informativos sobre diversos assuntos.

Mas isso é um trabalho. Não quero me promover com isso. Apenas quero dizer que fiz, que ajudei um pouco nessa revalorização da Fluminense FM. E fico feliz com a exposição, que se dará até agosto, incluindo debates e exposições sobre essa brilhante rádio. E minha maior felicidade é que as gerações recentes, que não vivenciaram a Fluminense, podem conhecer de fato o que significou a rádio.

E, sem dúvida alguma, esse legado da Fluminense serve de subsídios para a nova experiência que a Kiss FM terá no Rio de Janeiro. E vale a pena aproveitar.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

GUILHERME FONTES ESTÁ A CONCLUIR FILME SOBRE ASSIS CHATEAUBRIAND


O ator e diretor Guilherme Fontes anuncia que está finalizando o filme Chatô, sobre o empresário das comunicações Assis Chateaubriand, baseado no livro de Fernando Morais.

A demorada produção do filme, marcada por acusações de desvio de verbas, é dirigida pelo ator e tem, no elenco, Marco Ricca no papel título, além de Paulo Betti, Andrea Beltrão e Leandra Leal.

Apesar de ter sua reputação ameaçada pela demora no lançamento do filme, cujas filmagens começaram em 2003, Guilherme, que seguiu nas suas atividades de ator, afirma não se sentir abalado com o episódio. Ele chegou a ser condenado a prestar serviços comunitários e, em parte, sua atividade de ator serviu também para bancar os custos do longa-metragem.

Guilherme reabriu sua produtora e já prepara outros filmes. Um deles é sobre os órfãos do tráfico de drogas, outro é sobre a religião protestante. E prepara também um documentário esclarecendo o caso de Chatô - O Filme.

O ator garante que o filme estará pronto até o final do ano, e sua finalização está sendo feita com recursos próprios. Guilherme afirmou que não quer receber louros pelo filme, mas que ele seja um sucesso de bilheterias até para recuperar o dinheiro gasto.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

A ARRISCADA COERÊNCIA DE LUIZ ANTÔNIO MELLO


Ter coerência, num país marcado pelo pretensiosismo, pelo oportunismo e pelo pragmatismo, como o Brasil, é uma atitude arriscada, que quase sempre encontra reações de indignação e revolta.

Vendo o documentário A Maldita, sobre a Fluminense FM, lançado há cinco anos, mostra depoimentos dos principais envolvidos da emissora niteroiense, incluindo, evidentemente, seu idealizador, Luiz Antônio Mello.

Vários episódios conhecidos no livro de Mello, A Onda Maldita, são também descritos no documentário, entre eles o fato de que o coordenador decidiu cortar uma música de James Brown pela metade. Ele também havia se recusado a tocar Stevie Wonder na emissora e também não aprovava que a Fluminense FM tocasse reggae, a não ser como elemento híbrido em bandas de rock tipo Police, Specials e UB 40.

Mello sente muito respeito e admiração por esses artistas. Ele reconhece os talentos dos artistas de soul music. Reconhece o mérito de artistas pop. Mas, em nome da coerência, essa "dama" tida como "chata" e "radical demais", Mello se recusava a tocá-los na Fluminense FM por um único motivo: não eram artistas de rock.

A atitude de LAM causou reações indignadas e furiosas. O coordenador da Flu foi visto como "preconceituoso", "roqueiro-jaquetão" (termo que tem o mesmo sentido "sectário-radical" de "comunista-cuecão" atribuído a esquerdistas radicais) ou coisa parecida, e muito do preconceito que a Flu passou a ter nos anos 90 se dava a essa postura roqueira.

Afinal, dos anos 90 para cá, o que se promoveu, ideologicamente, como "atitude rock", embora a princípio soasse interessante - o Rock Alive, de um Maurício Valladares muito amigo de LAM, mas discordante do "purismo" que este defendia do rock, certa vez, começou uma edição com Clementina de Jesus - , depois rumou para um ecletismo chato e vago, um "purismo" do "impurismo", espécie de purismo às avessas.

De repente, ter "atitude rock" ficou algo entre a polêmica gratuita, a produção artificial de escândalos e, quando muito, uma obsessão por barulho a todo custo. O que se conheceu por "cultura rock" entre 1997 e 2006, antes que a Internet abra os olhos de muitos jovens, foi um horror.

De um lado, havia o ecletismo vazio de que "cultura rock" era "tudo": música eletrônica, hip hop, reggae, até brega. Havia o fascínio dos críticos musicais - nessa época a crítica musical vivia o oligopólio do Rio Fanzine e do Escuta Aqui/Folhateen na formação do gosto musical dos jovens, após o colapso da Bizz - por aqueles artistas "ecléticos" da linhagem pós-Prince que misturavam hip hop, soul, música eletrônica, roupas fashion das mais espalhafatosas e muitos factoides na imprensa. Essa era a "atitude rock" que eles acreditavam. Para estes, "rock" não ia além de Black Eyed Peas, Civilles + Cole, Massive Attack.

De outro, haviam os playboyzinhos que só queriam saber de guitarras barulhentas, mas num contexto domesticado. Eram rebeldes sem causa, mas compensavam isso pelo pavio curtíssimo que tinham, se enfurecendo à menor crítica. Puristas de uma forma mais estúpida, eles achavam que "roquenrol" era o tripé grunge-poppy punk-poser. Ou seja: nada podia ir além de Alice In Chains, Offspring e Guns N'Roses.

Se os "ecléticos" dessa turma tinham as rádios comunitárias - e seus programas de "rock" que tocavam tudo, menos rock - , os "puristas" dessa turma tinham a dupla rockaneja 89 FM / Rádio Cidade, pouco antes de seus produtores "radicalmente rock" migrarem com gosto para o "funk", o sambrega e o breganejo, que outrora diziam "sentir ódio mortal".

A desinformação desses dois grupos era tanta que, com o tempo, até as rádios mais convencionais. Com o tempo, as atuais rádios pop se encheram dos subprodutos dessa leva toda, como a Lady Gaga para os "ecléticos", e o NX Zero e Fresno, para não dizer o Restart, para os "puristas". Porque as causas que os dois grupinhos defendiam nada tinham de nobres, o suficiente para o mercadão mergulhar direto nelas.

Hoje em dia, querem empurrar o brega para a MPB com a mesma perspectiva estúpida de outrora. Sempre a "diversidade" sem critérios, a gororoba como princípio de "democracia" cultural ("democracia" no sentido DEM do termo). O que impede que a cultura se enriqueça com a valorização das verdadeiras identidades culturais, sufocadas num ecletismo que impede que conheçamos a fundo cada cultura.

É mais uma luta. E, como as outras, com muitos reacionários no caminho. Mas temos que enfrentá-los, um dia eles cansam. Por exemplo, a turminha que espinafrou Luiz Antônio Mello hoje se perdeu na multidão de coroas deprimidos. E LAM continua divulgando suas preciosas lições, não só de cultura rock, mas de cultura, política e sociedade em geral.

Portanto, fica nossa gratidão ao hoje blogueiro da Coluna do LAM. Vale a leitura sobre o que Luiz Antônio Mello anda escrevendo hoje em dia.

terça-feira, 17 de julho de 2012

MORRISSEY E A APOSENTADORIA DA MÚSICA


Pode parecer um texto tardio, mas só resolvi escrever a respeito agora. Há algumas semanas, o cantor inglês Morrissey, um de meus ídolos desde a adolescência, afirmou em uma entrevista que estava se sentindo velho e que pretendia se aposentar em 2014, apesar da grande popularidade que tem e pelas apresentações sempre lotadas de fãs entusiasmados.

Eu tentei até ver a apresentação ao vivo no computador pelo Terra Live, a apresentação em São Paulo cujos ingressos se esgotaram bem antes. Mas não consegui, o Terra reprisava sempre o programa Terra Live com Pitty e Cachorro Grande, e, em que pese sempre ser bom ver a beleza e o talento de Lorena Calábria, o meu propósito, naquele fim de noite de domingo, era ver o Morrissey.

Sobre a aposentadoria de Morrissey, algo comparável ao fim do R. E. M., que já havia sido anunciado muito antes - é bom deixar claro que, nos discos da IRS, Michael Stipe e seus então parceiros numeravam seus discos sugerindo uma hipotética contagem regressiva de sua carreira - , a gente fica a pensar sobre as questões da música mundial, e a da música brasileira em particular.

Afinal, Morrissey e R. E. M. são artistas autênticos, que primam não só pela qualidade musical, mas também pela integridade artística, pela sinceridade. Artista sincero não é aquele que mostra escancaradamente as casas onde viveu na sua infância nem seus familiares e parentes em programas de TV. Sinceridade é muito menos uma questão de ostentação do que uma questão de honestidade.

E o que vemos no brega-popularesco de hoje? Não seria melhor seus "artistas" se aposentarem o mais rápido possível? A geração de neo-bregas dos anos 90 (Zezé di Camargo & Luciano, Chitãozinho & Xororó, Belo, Banda Calypso, Chiclete Com Banana, Latino, Daniel, Leonardo e Alexandre Pires, entre outros) só estão fazendo CDs e DVDs ao vivo, um atrás do outro, sugerindo uma fase "revisionista" não assumida.

Eles acabam sendo saudosistas de si mesmos, apesar de vender uma imagem falsa de "artistas atuais e em plena atividade". Sentem saudade dos sucessos dos anos 90, e hoje estão mais em evidência como celebridades - no sentido de "celebridade" que vemos nos ex-integrantes do Big Brother Brasil - do que como artistas. Se antes eles, como "novidade", já eram medíocres, hoje eles precisam fazer outros artifícios para esconder o evidente esgotamento artístico.

Aí gravam com orquestras, falam bobagens de "efeito" na imprensa, fazem piruetas, arremesso de chapéu para a plateia, convidam Neymar para fazer embaixadinha, fazem choradeira ao lado de intelectuais. Esses ídolos não gravam uma música que preste, e, depois de uns poucos sucessos, tornam-se ainda mais cansativos musicalmente.

Só que, em vez de se aposentarem, talvez investindo em um outro negócio e, quando muito, fazer apresentações esporádicas, eles forçam a barra. Aparecem nos programas de TV a qualquer pretexto. Dão qualquer entrevista e, em certos casos, forjam até crises conjugais com seus cônjuges para fazer notícia. Se chegam ao ponto de plantar factoides para estarem em evidência, é sinal de que algo está errado.

Mas, fora da música, há até o caso de "popozudas" balzaquianas, que, em sua boa parte, em outros tempos haviam integrado a "Banheira do Gugu" (primeiro "celeiro" de musas vulgares da TV brasileira), e que tentam insistir "mostrando-se demais" na mídia. As "musas" dessa época, surgidas nos anos 90, estão hoje "encalhadas" e desesperadas em se manterem na mídia a qualquer custo, até às custas do seu pavio curto.

Não que uma trintona tenha que virar uma velha depois de 35 anos. Bem longe disso. Só que existe uma grande diferença entre uma mulher que se mantém jovial se evoluindo com inteligência e experiência e uma mulher que envelhece querendo se passar por "gostosa" à força e da maneira mais fútil e inútil.

No âmbito da vulgaridade feminina, "musas" sem qualquer importância se estagnam na mesmice de suas exibições corporais, tentam forjar notícia por nada, por coisas tolas que só fazem vender revistas "sensuais" e jornais "populares". E ainda não aguentam serem criticadas, se irritam, se enfurecem.

A mediocridade é assim. Ela quer se perdurar, porque seus envolvidos não têm outra coisa a fazer. Têm o apoio da grande mídia, tentam prolongar suas carreiras por nada, em atos em boa parte orientados por seus agentes e pelos executivos da grande mídia. Tentam transformar o inútil em eterno. Até o dia em que mesmo os seus fãs mais fanáticos se entediem com eles.

Enquanto isso, artistas e personalidades de verdade seguem suas carreiras, independente de suas noções de quando devem ou não se aposentarem. Esses, sim, são figuras humanas de verdade.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

HOMENS COM MAIS DE 45 ANOS PODEM USAR TÊNIS O TEMPO INTEIRO


Quem tem mais de 45 anos, sobretudo quem nasceu na década de 1950 no Brasil precisa rever imediatamente seus padrões de elegância.

Aquela obsessão de usar sapatos de verniz ou tratar como casual o mesmo conjunto de terno e gravata apenas sem a gravata e o paletó, em vez de significar uma preocupação constante com o bem vestir, acaba se tornando um modo preguiçoso de vestir.

Diz a piada que, para o homem que não sabe ser elegante, basta usar terno e gravata o tempo inteiro ou, quando muito, tirar apenas o paletó e a gravata, apenas usando camisa de colarinho, ou então tirar a camisa de colarinho e usar uma camisa polo qualquer.

Tudo fica preguiçoso, cômodo demais, e o que poderia ser um zelo maior com a elegância se torna, por causa do contexto, uma deselegância no sentido linguístico do termo. Pois a elegância é acima de tudo situação, e a elegância excessiva, fora do contexto, torna-se essencialmente uma falta de elegância, pela preguiça com que se adota um vestuário tido como "elegante".

Isso é muito trabalhoso para quem, nascido nos anos 50 e se tornando profissionais liberais, empresários e executivos, acreditou tanto num paradigma de "coroas" que eles tanto vislumbraram pelos anúncios publicitários das revistas e pelos programas de televisão, no começo da década de 1950.

Sonhar com aqueles senhores engravatados e grisalhos de 47 anos, dançando com donzelas trintonas ao som de "Cheek to Cheek", era o máximo para aquela turminha de cerca de 17 a 22 anos que, lá pelos idos de 1972, se preparava para a vida profissional e para os cursos universitários.

Apegados demais aos conselhos dos mais velhos, essa turminha se tornou os "yuppies" dos anos 80, que no entanto deixaram de se divertir na vida porque estavam muito ocupados em seus trabalhos de empresários, médicos, advogados, engenheiros, publicitários etc, ou então estavam preparando suas teses de mestrado. A essas alturas, eles eram trintões e encaravam seus primeiros casamentos e filhos.

Sem saber que seus caminhos os separavam seriamente de seus próprios colegas de geração - aqueles que se tornaram surfistas, roqueiros, agitadores culturais, artistas performáticos etc - , os yuppies dos anos 80, ingênuos garotos setentistas que sonharam com o glamour da época, se tornaram coroas ascendentes nos anos 90, já desfeitos de casamentos fracassados e com namoradas e esposas mais novas.

Aí eles, vendo seus primeiros fios brancos nos cabelos, eles passaram a imitar o tipo de "coroas" que aprenderam de seus pais ou de padrões vigentes nos anos 70. Passaram a brincar de serem velhos, apesar da boa aparência de suas jovens esposas. E passaram a forçar a barra, atribuindo para si referências mais antigas adotadas não por uma identificação pessoal com o passado não vivido, mas de uma forma pedante para impressionar seus antigos mestres e outros entes mais velhos.

Nascidos nos anos 50, passaram a sonhar com valores dos anos 40 que, em boa parte, já caducaram. Tentam dar a impressão que, em vez de rock e MPB, ouviam na adolescência os standards de Hollywood. Sempre citam algum referencial mais antigo que eles em seus livros, palestras e depoimentos.

Criam até alguns clichês do que apreciam: pintura impressionista do século XIX, velhos chalés da Europa, centros antigos de Roma, os tais standards, a literatura norte-americana dos anos 30-40 e por aí vai. E, evidentemente, evitam visitar Londres, já que na capital inglesa a geração nascida entre 1950 e 1955 é conhecida por ser a maior parte da primeira geração do punk rock que varreu a Grã-Bretanha em 1976.

Precisam provar que são "antigos", na esperança de serem vistos como "maduros". Não conseguem. Com os avanços do chamado "poder jovem", o comportamento que esses "coroas" adotaram deixou de expressar alguma autoridade. Já nem é mais considerado o modelo de sucesso e nem as colunas sociais, já recheadas de linguagens pop, os veem com a prioridade de antes.

Aí as coisas mudam e até mesmo aquele hábito de andar de sapatos de verniz o tempo todo, um paradigma de "ser adulto" que vigorou soberano até 1982, acaba perdendo o sentido. E, o que é pior, vemos homens mais idosos que os born in the 50s mais susudos andando de tênis até mesmo quando usam paletós. Vergonha para os empresários, executivos e profissionais liberais que, nascidos entre 1950 e 1955, usam sapatos de verniz até para comprar pão na esquina.

Os sapatos de verniz, que eram o "diferencial" do homem "sério", passaram a significar não sinônimo de elegância social, mas um incômodo de alguém que não sabe se vestir conforme a ocasião e usa velhos padrões de elegância por preguiça. Hoje os tempos são outros e uma pessoa pode usar tênis o tempo todo, em vez dos tais sapatos de verniz, sem ser considerada "infantil" ou "deselegante".

Os sapatos de verniz e outros similares, com aquele design sem graça com o salto duro, a cada dia deixam de ser "calçados sociais" para serem apenas usados em ocasiões extremamente formais. Já deixaram de reinar nas caminhadas e passeios nas praias, por recomendações de ortopedistas. Deixaram de ser calçados ideais para se ir ao cinema ou ao teatro, ou se passear num centro comercial.

A cada dia aqueles sapatos bicudos de saltos duros e bem engraxados estabelecem sua aposentadoria no lazer dos homens, sendo mais associado a formalidades extremas, aquelas em que o rigor formal é evidente. Mas um homem de cerca de 45 ou 55 anos passear de sapatos de verniz sem qualquer motivo, em vez de ser um homem elegante, está sendo apenas antiquado e "careta" demais. E, por incrível que pareça, antiquado até mesmo para as exigências de sua geração.

Já não se pode mais ser "coroa" como há 40 anos atrás...

domingo, 15 de julho de 2012

A EXPOSIÇÃO MALDITA 3.0 FOI UM ENCONTRO DE AMIGOS

MARCELO DELFINO, EU E LEONARDO IVO APARECEMOS NA FOTO, TIRADA PELO MEU IRMÃO MARCELO PEREIRA.

O dia estava nublado, frio, parecia um desses desanimadores dias de inverno que apenas não tiveram chuva. Mas foi um dia de bastante alegria e descontração, por causa de um evento de boas lembranças e que representou o encontro que eu e meu irmão Marcelo Pereira, do blogue Planeta Laranja, tivemos com os amigos Marcelo Delfino, do Blogue do Delfino, e Leonardo Ivo, o organizador do blogue Fatos Gerais, neste sábado um tanto modesto mas muito divertido.

Primeiro eu e meu irmão, depois de "atravessarmos" a Ponte Rio-Niterói, encontramos Marcelo Delfino. Mas, por um lapso meu, pensei que a Rua Visconde de Itaboraí se limitava ao trecho próximo ao Hospital Central da Marinha. Esqueci que a Avenida Presidente Vargas havia "rasgado" muitas ruas na sua construção, e várias delas possuem trechos separados pela avenida, e fomos para o trecho próximo ao Centro Cultural Banco do Brasil, do lado de quem vai para a Praça 15.

Foi maravilhoso ver a exposição Maldita 3.0, sobre os 30 anos da Fluminense FM, organizada pelo produtor da fase final da emissora, Alessandro ALR. Ele fez uma exposição didática, mostrando textos introdutórios sobre o que representou a rádio no seu tempo (a emissora surgiu durante a fase final da ditadura militar) e fotos das diversas fases da emissora.

São dois salões, e a exposição, além das fotos, mostra materiais diversos, como instrumentos musicais autografados, desde um contrabaixo autografado por André X, da Plebe Rude, até um bumbo de bateria autografado pelos integrantes do Foo Fighters. Há um violão autografado por dois remanescentes da Legião Urbana, Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos, e um outro violão que a cantora Cássia Eller autografou dois dias antes de falecer, em 2001.

Há também discos lançados pela própria rádio, desde o vinil do Rock Voador - com as bandas lançadas pela rádio, em parceria promocional com o Circo Voador - até o CD Clássicos da Maldita, de 2001, quando a Fluminense ensaiou uma passagem pelo AM 540, disco que apareceu até nas lojas de Salvador (cidade que nunca teve, até hoje, uma rádio autenticamente rock). Um outro disco foi o Marcelo Delfino que emprestou de sua coleção pessoal.

Há também outras curiosidades, como a carta, dos anos 80, de um inglês que elogiou a Fluminense e pedia para a emissora incluir Morrissey e Rush no programa Módulo Especial - transmitido de segundas a sextas às 13:00 h e, durando meia-hora (às vezes 45 minutos), mostrava um artista ou evento específico, um programa que ouvi muito, gravei até em cassete um especial com os Smiths na época, 1985 - e um ouvinte, este brasileiro, em carta mais recente, de 2002, pedindo para que o produtor Leandro Souto Maior, último coordenador da Flu, tocasse menos obviedades na programação.

Dois televisores mostravam programas de TV com edições dedicadas à Fluminense, como o BB Vídeo Roll, da antiga TV Corcovado (hoje CNT), e havia um telão com o documentário A Maldita, de 2007, com o depoimento dos principais responsáveis da fase áurea da Fluminense, como o próprio Luiz Antônio Mello e o pitéu Mylena Ciribelli, hoje da Rede Record, até hoje mostrando sua beleza estonteante.

Leonardo Ivo chegou depois, com sua esposa, e todos nós conversamos e vimos toda a exposição. Até brinquei com o Marcelo Delfino quando vi o depoimento dele publicado na exposição, dizendo para ele se esconder. Nas fotos do pessoal da Maldita, um cara estava com a foto do Sin City, obra de HQ adaptada para o cinema, e de repente pensei na saudosa e sempre admirável Brittany Murphy.

Enfim, foi um dia maravilhoso. Não houve as tais palestras que só estão programadas para quarta-feira. E também não vi gente da imprensa, já que eu iria me oferecer para ser entrevistado, pois contribui para que se reviva a memória dessa brilhante rádio, que não teve igual no rádio - as mais próximas foram a 97 FM de Santo André, a Estação Primeira FM, de Curitiba e a Ipanema FM, de Porto Alegre, além da Rocknet, webradio cujo portal eu colaborei como colunista da seção "Pelos Porões do Rock".

Tudo bem. O dia foi maravilhoso de qualquer maneira, e mesmo a incômoda volta, em que eu e meu irmão tivemos que andar até a Central do Brasil passando por uma Av. Pres. Vargas arriscada, apesar de movimentada, não tirou o ânimo do dia. Pelo contrário, deu para pegar o ônibus de volta e regressarmos para casa alegres por esse dia maravilhoso, que além de ter sido a recordação de uma rádio que eu ouvi muito e acompanhei boa parte de sua trajetória, foi um excelente encontro de amigos. Valeu, Delfino e Leonardo, abração a vocês! E um grande abraço também ao meu irmão e amigo de quatro décadas.

RÁDIOS "AM EM FM" PODEM ESTAR "COMPRANDO" AUDIÊNCIA NO RJ


As FMs com roupagem de AM no Rio de Janeiro podem estar usando a mesma prática de suas similares em Salvador e outras capitais do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e no interior do país.

Sem poder atingir a grande audiência que marcou as emissoras de rádio AM, as FMs investem em "parcerias" com estabelecimentos comerciais, numa prática que já se constitui num jabaculê não-musical.

De uma hora para outra, estabelecimentos passaram a sintonizar as FMs "AnêMicas", sobretudo durante programas esportivos e transmissões de futebol, mas também em programas estratégicos envolvendo comunicadores de nome. Tudo para empurrar a audiência para o público freguês que nada tem a ver com isso.

A manobra é sutil. Produtores de rádio estariam combinando com determinados estabelecimentos bastante frequentados em certos pontos da cidade, para que estas lojas sintonizem as tais FMs. Oferece-se de tudo, de pagamento de contas de luz e de fornecimento de bebidas, até mesmo a concessão de "brindes", como telefones celulares pré-pagos ou equipamentos de som.

No caso de grandes redes de lojas ou papelarias, o jabaculê estaria sendo feito através do abatimento no espaço publicitário. "Você sintoniza a minha rádio na sua loja e eu dou desconto para ela no intervalo comercial", é o recado dado por representantes do departamento comercial de tais FMs, sobretudo em relação às transmissões esportivas e mesas redondas de futebol.

A medida tornou-se muito conhecida em Salvador, quando FMs do gênero "AeMão" passaram a "alugar" desde botequins até taxistas, porteiros de prédios, frentistas de postos de gasolina etc. Um sindicato de taxistas, durante uma gestão pelega, chegou a ser premiado com um programa na Salvador FM, do político ruralista Marcos Medrado.

Dependendo do caso, variam os "beneficiários". A Rádio Metrópole havia feito uma "barganha" com as Lojas Americanas e a Civilização Brasileira do Iguatemi, "convidados" a sintonizar as transmissões esportivas, e os serviços de transporte escolar, a sintonizar o programa do seu dono Mário Kertèsz (no momento tentando uma volta à política). Por sua vez, a Transamérica FM de Salvador escolheu uma papelaria do Salvador Shopping para a sintonia combinada.

No Rio de Janeiro, a Rádio Globo, a Super Rádio Tupi (AMs que possuem prefixos em FM) e a Band News Fluminense estariam combinando até com barbearias e bancas de jornais para a tendenciosa sintonia. Alguns estabelecimentos são escolhidos para a ocasião, mas isso cria uma prática que puxa estabelecimentos similares a aderir "espontaneamente" para imitar a concorrência.

AUDIÊNCIA ANABOLIZADA

O uso de estabelecimentos comerciais é um artifício para rádios com baixíssimo índice de audiência individual ganhem audiência. A baixa audiência é camuflada por pessoas que estão onde um único indivíduo, ou, quando muito, um pequeno grupo de pessoas sintoniza uma rádio.

Desse modo, cria-se um mecanismo para que a audiência se anabolize. Calcula-se a média de fregueses que um estabelecimento comercial consegue atrair, e usa-se esse número para definir a "audiência" de tal rádio. O que empurra muita gente que nada tem a ver com essa sintonia a "fazer número" nos pontos do Ibope.

É a tática do "fumante", "quem está no meu lado ouve o que eu ouço'. Você não tem a ver com a sintonia de uma Rádio Globo e no entanto você é "ouvinte" da emissora só porque o dono da barbearia sintonizou a rádio.

Esse raciocínio é o mesmo dos chamados "DJs de ônibus", que promovem a poluição sonora contra a vontade dos outros. Esses ouvintes impõem o gosto musical deles para os outros, e quem estiver próximo é obrigado a aguentar tudo isso.

No caso do "Aemão de FM", aguenta-se tanto lero-lero sobre times esportivos, o tendenciosismo de certos comunicadores ou "âncoras", e até nas noites o pessoal é obrigado a dormir com a narração corrida de um locutor esportivo ressoando nos ouvidos que nem voo de marimbondo.

Todo esse jabá é feito visando mais pontos do Ibope. Com a "vantagem" (só para os donos de rádio e seus consortes) de que esse jabaculê não precisa pagar uma parcela para o ECAD e nenhum colunista de rádio vai reconhecer realmente como um jabaculê. Só que esse jabaculê é bem pior do que aquele que só se movia pelas notas musicais.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

CELSO FONSECA PEDE AJUDA A MC LEOZINHO PARA ESTAR NA MÍDIA


A mediocridade musical que toma conta de rádios e TVs possui um forte esquema de blindagem, um poderoso lobby de intelectuais, artistas e celebridades, para os quais a ditabranda do mau gosto é uma "corajosa frente de resistência cultural" no país.

Por trás dessa defesa extremada ao brega-popularesco, que vai desde antropólogos e sociólogos a músicos de MPB e atores de novelas, há todo um jogo de interesses que nunca é declarado. Por exemplo, um crítico musical que elogia o brega ganha passaportes de graça para viajar pelo resto do Brasil e até no exterior. Um antropólogo que elogia o brega praticamente tem suas bolsas de pesquisas bancadas pela indústria do entretenimento.

Por sua vez, cantor de MPB defende o brega porque é o brega que, tendo um latifundiário por trás, vai colocar o cantor de MPB naquele festival de inverno do interior do país, num Estado onde o latifundiário exerce seu poder, apadrinha os ídolos bregas e patrocina os festivais "culturais" que ocorrem no lugar.

Depois que Kiko Zambianchi mostrou sua lucidez disparando seu desabafo contra a mediocrização cultural, um músico da mesma geração, Celso Fonseca, fez o extremamente oposto. Celso saiu em defesa de ídolos brega-popularescos como MC Leozinho, José Augusto e outros, e no jornal O Globo saiu uma reportagem com ele e Ana Carolina defendendo o "mau gosto" como se fosse uma "causa nobre".

Ana Carolina é um caso óbvio. Ela, que saiu em defesa até de Waldick Soriano, tem que defender o brega-popularesco, como o talentoso sambista Arlindo Cruz, por exemplo, porque precisa se apresentar nos mesmos locais onde se apresentam os ídolos brega-popularescos. É uma espécie de jabaculê. Caso contrário, Ana Carolina não vai para locais como o Vibe Show nem terá acesso em festas como Barretos ou outros festivais onde os bregas são as atrações principais.

MC LEOZINHO NÃO ESTÁ FORA DA MÍDIA; CELSO FONSECA, SIM

Celso Fonseca, que incluiu músicas de Claudinho & Buchecha e a intragável "Ela Só Pensa em Beijar" de MC Leozinho, declarou que desejaria que as pessoas se lembrassem do funqueiro daqui a 50 anos como as pessoas hoje se lembram de Tom Jobim. Disse que o brega-popularesco "tem grandes canções" e as pessoas "não ligam" para questões se tal música "é brega" ou não.

A impressão que se tem, nesse episódio, é que Celso Fonseca está no topo da mídia e que MC Leozinho, pobrezinho, é que está fora da mídia, que o expulsou feito vira-lata na entrada de um shopping center. Grande engano. Mais uma vez, não é o brega-popularesco que mendiga espaço na mídia e no mercado, quem mendiga espaço na mídia e no mercado é a MPB/Rock Brasil em busca de visibilidade e sucesso.

Junta-se a isso a uma carência de ídolos da MPB/Rock Brasil de verem algum novo gênio da canção popular. Querem, com isso, exercer seu paternalismo, apoiando o ídolo brega-popularesco que, mesmo fazendo sucesso e simbolizando o poder da mídia, é tido como o "pobre coitadinho" que não é levado a sério pelos "exigentes" especialistas em MPB e rock brasileiro.

O paternalismo, do contrário que se imagina, não traz contribuições reais para o reconhecimento real da música popular. Ele não resolve sérios problemas como o fato do ídolo brega-popularesco primeiro fazer sucesso gravando ruindades musicais, para depois ele, protegido por alguns "bacanas" da MPB/Rock Brasil, passa a fazer discos mais "cosméticos", dentro daquela onda de "MPB de mentirinha".

Tudo fica falso. E o ídolo brega-popularesco acaba fazendo as mesmas regras da "MPB burguesa", cheio de pompa, de luz, com o ídolo vestindo paletós de grife, com músicas arranjadas por outros músicos, com repertório cheio de covers de MPB. Isso é "verdadeira canção popular"?

Para a "ala burguesa" da MPB, tanto faz, tudo acaba sendo uma "colaboração coletiva", tudo "solidário", mas isso na prática anula o que mais interessa, que é ver se o tal ídolo tem valor artístico por si só, e não pelo socorro dado por gente mais esclarecida.

NINGUÉM NASCE SABENDO, MAS NÃO SE TRANSFORMA RUINDADE EM SUCESSO

Ninguém nasce sabendo, mas o real problema que se vê no brega-popularesco é a mediocridade transformada em milhões de cópias vendidas, plateias lotadas, sucesso na mídia etc. Há mais de 50 anos, tínhamos os verdadeiros artistas vindos das classes populares e que já mostravam, desde o começo e muito antes de aparecer no rádio e no disco, seu valor musical.

A cultura popular era associada à expressão do saber. Hoje ela é a expressão do não saber. E o que se nota nessa blindagem toda de intelectuais, artistas e celebridades é que, mesmo com o mais "apaixonado" apoio ao brega-popularesco, os louros no final acabam ficando sempre para as elites.

Neste sentido, a dicotomia "pobre X rico" faz com que o pobre seja visto como um coitadinho que não sabe, ou que "sabe sem saber", que, protegido pelas elites mais "esclarecidas", é salvo de seu pecado original e alçado ao posto de "grande artista", sem méritos reais. O brega é seu "pecado original" e o ídolo brega, premiado com seu sucesso comercial, é tratado como se fosse uma "mascote" dos "bacanas" culturais, vistos como "heróis" no seu evidente paternalismo cultural.

Se a onda pega, veremos depois um figurão da MPB performática achar que os sucessos da Gaiola das Popozudas devem ser lembrados, daqui a alguns anos, como os clássicos da Bossa Nova. Ou algum intelectualoide de plantão querer que o MC Créu seja reconhecido como um "poeta concretista das ruas". Joga-se a mediocridade cultural no cartório para que ele se legitime pelo apoio dos "bacanas".

Pelo mesmo Kiko Zambianchi não aderiu a essa onda paternalista que toma conta de gente como Patrícia Pillar, Celso Fonseca, Nando Reis, Zeca Baleiro, Regina Casé, para não dizer os já manjados Paulo César Araújo, Hermano Vianna e Pedro Alexandre Sanches.

O cantor e compositor de "Primeiros Erros" deixou, ao rejeitar a mediocridade dominante, de cometer novos erros. E, talvez, Kiko Zambianchi tenha consciência de seu talento para que não precise apoiar um João Lucas & Marcelo que lhe possam arrumar algum lugar entre as atrações de algum festival ou evento comemorativo no interior do país.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

OS 50 ANOS DOS ROLLING STONES


Há cinquenta anos, os Rolling Stones fizeram sua primeira apresentação oficial, no Marquee Club de Londres, mostrando seu rhythm and blues branco, como era a forma de rock'n'roll adotada pelas bandas dos anos 60.

Pois, antes de 1962, as "pedras" já rolavam, e foi em 1960 quando, numa estação de trem da pequena cidade de Dartford, dois amigos de infância, Mick Jagger e Keith Richards, se reencontraram. Decidiram trocar discos de rock e blues e a trocar ideias sobre música.

Convidados, em 1962, por Brian Jones para montar uma banda, cujo nome, Rolling Stones, é baseado no título da canção de Muddy Waters, "Rolling Stone", decidiram acrescentar sua colaboração à riquíssima cena britânica dos anos 60, que mesmo antes do sucesso mundial dos Beatles já mostrava-se instigante e vibrante.

Na primeira apresentação, só constavam Jagger e Richards da atual formação. Mas ela já tinha o baixista Bill Wyman, hoje fora da banda. Charlie Watts só entrou no final de 1962. Mas já em 1963 os Rolling Stones estavam na sua primeira formação mais popular, com Jagger, Richards, Jones, Wyman e Watts.

Pareciam "mais rudes" que os Beatles e foi forjada uma rivalidade entre os dois. Mas, por debaixo dos panos, os dois grupos chegaram a combinar que um não "atropelasse" o outro no lançamento de um compacto. E, segundo dizem os Stones, eles até visitavam hospitais. Por outro lado, John Lennon era tão rebelde quanto os Rolling Stones.

Os Stones têm uma grande trajetória. Gravaram um disco psicodélico, Their Satanic Majesties Request, de 1967, numa época em que Jagger e Richards apareciam no clipe de "All You Need is Love" dos Beatles e já se entrosavam com um músico do Jeff Beck Group, Ron Wood. O disco psicodélico teve a participação de Jimmy Page e John Paul Jones (arranjador orquestral da música "She's a Rainbow"), que começavam a formar uma banda chamada Led Zeppelin.

Por sua formação, passou também o guitarrista de blues Mick Taylor, co-responsável pelo álbum conceitual Exile On Main Street, de 1972, numa fase em que a música negra norte-americana se tornou influência mais forte no som do grupo inglês, que havia criado um selo próprio, a Rolling Stones Records.

No Brasil, foi através desta fase que os Rolling Stones se tornaram realmente populares nos anos 70, na carona dos bichos-grilos que ouviam Hendrix, Janis e rock progressivo. Antes, apenas "Satisfaction" teve boa recepção entre o público que se identificava com a Jovem Guarda.

Os Stones atravessaram décadas e são capazes de gravar álbuns como Tattoo You e Voodoo Lounge, respectivamente de 1981 e 1994, com o mesmo vigor que consagrou a banda. Por isso, seria maldade alguém rogar que os Stones se aposentem.

Eles são grandes músicos, seus discos, mesmo os menos inspirados, procuram sempre primar pela qualidade musical. Mesmo quando flertam com a disco music, como "I Miss You" e "Emotional Rescue", duas grandes canções por sinal.

Por isso, os Stones merecem longa carreira. Para o bem do rock'n'roll, vamos manter as "pedras" rolando. Parabéns pelos 50 anos dos Rolling Stones.

REVISTA VEJA EM EDIÇÕES SATÍRICAS

A postagem de hoje tem pouco texto e muitas imagens. Afinal, se trata de paródias de capas da revista Veja que, em sua franca decadência, torna-se a maior vergonha da imprensa brasileira. E aqui mostramos algumas capas que parodiam tanto o aspecto gráfico de Veja - usando as fontes da família Franklin - quanto alguns aspectos de linguagem típicos de sua linha editorial. Curtam a seleção de capas, mais a imagem da lápide virtual já preparada para a infeliz publicação:







terça-feira, 10 de julho de 2012

O DILEMA DA MPB: A ABL OU A "CASA DA SOGRA"


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Eu escrevi este texto há quatro anos atrás, mas as questões continuam as mesmas de hoje. Pouca coisa mudou, a não ser para pior, quando a MPB autêntica perde seus próprios espaços por causa da hegemonia do brega-popularesco e sua mania de vender seus ídolos, apoiados pelo poder midiático, como "vítimas de preconceitos". Eu comento o texto escrito por um notório músico e arranjador de MPB, Frederico Mendonça de Oliveira, o Fredera, sobre a crise da Música Popular Brasileira.

O DILEMA DA MPB: A ABL OU A "CASA DA SOGRA"
Artigo de Caros Amigos lança questões novas sobra a crise em que passa a Música Popular Brasileira

Por Alexandre Figueiredo - Preserve o Rádio AM (julho de 2008)

A edição de Caros Amigos de julho de 2008 publicou um texto do músico Frederico Mendonça de Oliveira, conhecido como Fredera, que ajuda no debate sobre a crise da MPB. Intitulado "A canção que parou o Brasil", ele vê na exploração da mídia aos artistas de MPB surgidos entre os anos 60 e o final dos anos 80 um motivo para a crise da cultura popular do país.

Em um texto sensato, Fredera pode não ter colocado mais questões, e aparentemente não deixa claro do que vitimou a MPB. Mas reconhece a qualidade elevada de seus compositores ou intérpretes, como Chico Buarque, Djavan, Milton Nascimento, Ivan Lins, entre outros. Ele cita que esses cantores passaram a ser explorados pela mídia, inclusive a Rede Globo, e que durante a ditadura militar eles significavam o que havia de mais sofisticado na música brasileira, além de representarem a resistência à própria ditadura. Mas, passada a ditadura, a MPB dessa geração deu lugar a tendências de baixo nível artístico, que constituem no brega-popularesco, expressão não utilizada pelo autor.

Podemos inferir a seguinte interpretação para o texto de Fredera, para enriquecermos o debate em torno da música brasileira. Quem entende a situação sabe do que o texto "A canção que parou o Brasil" quer dizer, mas os leigos simplesmente não vêem com clareza o sentido da mensagem, e, numa leitura desatenta pode significar uma interpretação equivocada de que a MPB é ruim e apenas o brega mais "lapidado" (seja o brega "cancioneiro" de Waldick Soriano, sejam os pedantes popularescos tipo Chitãozinho & Xororó e Alexandre Pires) é que presta.

Fredera quis falar que a MPB virou algo parecido com o de uma Academia Brasileira de Letras musical. Ele compara a MPB com um olimpo, endeusado pela indústria fonográfica e pela televisão, a partir dos festivais de música. Vamos explicar melhor esta realidade.

A questão da MPB se deve ao fato de que a geração de 1962, que chegou à fama em 1965, foi influenciada tanto pela Bossa Nova quanto pela militância dos Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC-UNE). A sofisticação musical da BN e o engajamento social dos CPC's era a combinação perfeita para a juventude universitária nos primórdios da ditadura militar.

Veio o AI-5, os festivais da canção ficaram mais burocráticos, sem os principais artistas de MPB que, salvo exceções, foram para o exílio. Veio uma outra geração de cantores e compositores, mas depois a MPB foi cooptada pelas trilhas sonoras de novelas da Rede Globo, o que se tornou ambíguo e perigoso. Afinal, com o tempo, a Rede Globo, com a nata da MPB nas mãos, com o tempo acabou por pasteurizá-la. Isolada do povo, a MPB virou um clube restrito, um monastério, mesmo contra a vontade de seus artistas.

Enquanto isso, os rincões mais conservadores do país, ou seja, as regiões interioranas dominadas por proprietários de terras, empurravam a música brega como "calmante" para as explosões sociais dos trabalhadores rurais. E essa música brega ganhou espaço nas redes de televisão concorrentes da Globo, e nesse percurso veio, nos anos 80, a fusão entre a MPB pasteurizada e a música brega, primeiro com Michael Sullivan & Paulo Massadas, comparsas de Lincoln Olivetti & Robson Jorge na transformação da música brasileira em um engodo comercial. Olivetti e Jorge pasteurizavam a MPB, enquanto Sullivan & Massadas davam um verniz nobre ao brega vigente no establishment rural e suburbano dos anos 70.

A MPB, na boa-fé, permitiu que o brega-popularesco crescesse sob seu apoio, vendo nos ídolos cafonas uma multidão de "filhos" dóceis e simpáticos. Não viram a armadilha que havia por trás, onde interesses latifundiários e político-conservadores usavam da cafonice musical - um engodo que traduzia muito mal as influências estrangeiras num confuso e inexpressivo pop provinciano - um meio de promover o conformismo do povo pobre e miserável.

Com isso, a MPB, que através dos CPC's sonhava numa aliança, sincera e não apenas "consumerista", com as classes populares, foi deixada para segundo plano, mais para "alimentar" as investidas oportunistas de pedantes da música brega, como breganejos e sambregas. A pasteurização da MPB a encheu de pompa, de luxo, daí a gradual perda de diálogo com o povo. A MPB acabou confinada nas trilhas de novelas da Rede Globo, que se tornaram único (e cruel) meio para artistas de qualidade divulgarem seu trabalho para mais pessoas.

O povo, por outro lado, desaprendeu a apreciar música de qualidade. A verdadeira música popular nunca foi cafona, não tem a ver com a breguice reinante de hoje. A história da música brasileira era marcada pela inteligência, mesmo na mais modesta das simplicidades. Porque era uma música que transmitia conhecimento, era arte, era verdade, não era um simples entretenimento lisonjeado pela mídia. Até porque a grande mídia era ainda incipiente, as elites ainda não decidiram a manipular a cultura popular.

Hoje a MPB vive um sério dilema. Terá que continuar sendo uma Academia Brasileira de Letras musical ou terá que virar uma "casa da sogra", um PMDB musical marcado pelo fisiologismo, onde vale tudo, dos berros breganejos, dos passinhos pagodeiros e do rebolado funkeiro. Se a cultura brasileira anda fraca com tanto baixo nível - onde o "menos ruim" é tido como "muito bom" - , é sinal que o país está socialmente fraco. É preciso dar uma mexida nessa situação.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

KIKO ZAMBIANCHI DISPARA CRÍTICAS À MEDIOCRIZAÇÃO CULTURAL



Por pouco não perdemos mais um ícone do Rock Brasil e, em parte, da MPB autêntica. Kiko Zambianchi havia sofrido uma hemorragia séria e foi para a UTI. Segundo o cantor, ele sofreu o mesmo mal que matou o músico punk Redson, da banda Cólera, mas teve mais sorte.

Na convalescência, o cantor escreveu um texto criticando as "periguetes" e os "sertanejos universitários". Intitulado "Tô de saco cheio de ficar quieto", o texto-desabafo possui palavrões, mostrando a indignação do cantor, de 52 anos ainda incompletos, com a mediocrização cultural que avança no país.

O texto teria sido motivado quando Kiko soube do destaque que portais na Internet dão para musas e músicos ligados ao brega-popularesco, como a Mulher Melão e a dupla João Lucas & Marcelo. Alguns versos são bem ilustrativos:

O Brasil tá uma bosta cultural e estamos exportando vagabundas e músicas horrorosas. 
A prostituição e a baixaria, divulgada por todas as mídias, estão criando um bando de crianças depravadas. 
Ninguém faz nada... 
#eu cansei... 

Ele ainda acrescenta:

E vou começar uma campanha contra... 
 Quem puder ajudar, faça o seguinte: 
A cada matéria ridícula sobre essas coisas horrorosas... 
Divulgue!!!! 
Mostre pra todo mundo, quem são e o quanto esses idiotas da mídia dão moral pra essas merdas.

Alguns fãs pensaram que a declaração era dor de cotovelo, mas Kiko afirmou que agora está melhor e que está feliz por ter uma boa família e nada lhe faltar na sua vida pessoal.

O cantor, nascido em Ribeirão Preto, prepara um novo CD/DVD. Famoso por sucessos como "Rolam as Pedras" e "Primeiros Erros", teve músicas gravadas por Marina Lima, Capital Inicial e Erasmo Carlos, entre outros.

Em todo caso, o desabafo de Kiko, depois da notícia da vida miserável de Renato Rocha, mostra o quanto o brega-popularesco tenta tirar espaços até da MPB e do Rock Brasil, sob o apoio do mercado, da velha grande mídia e da intelectualidade associada.

Os ídolos bregas, neo-bregas e pós-bregas não se contentam com os espaços que têm e querem mais. Chega-se ao ponto de uma banda de Rock Brasil ter que gravar com a Banda Calypso e Mr. Catra para terem algum espaço na mídia e no mercado. Quem não adere a esse esquema mafioso, cai no ostracismo.

Depois os bregas vão para a mídia dizer que são os "coitadinhos", "vítimas de preconceito"...

domingo, 8 de julho de 2012

HACKERS DO "SCRIBD" INVADEM MEMÓRIA DO COMPUTADOR



O portal "Scribd" de textos digitais foi invadido por hackers que, provavelmente, possuem sua ação central nos EUA. A ação deles tem como ponto de partida a substituição automática da página inicial do Google por uma cópia infectada com um leiaute mais "modesto" e linques perigosos.

A falsa página inicial do Google traz consigo outros problemas, como a lentidão no uso do computador mesmo estando ele com pouco conteúdo. E, além disso, a memória do computador é afetada de tal forma que até a área de transferência é prejudicada.

Imagine, por exemplo, você inserir, de seu CD-Rom, um diretório com cerca de 400 arquivos do tipo JPG, que você armazenou para ilustrar seu blogue. Provavelmente ele leva pelo menos seis minutos para ser transferido do CD para seu computador. De repente, a transferência é interrompida e coisas estranhas acontecem.

Aparece então um aviso dizendo que o computador "não possui recursos suficientes para realizar tal operação". O aviso possui fontes gráficas diferentes do que usualmente se adota no Windows. E, além disso, as barras de títulos ficam meio embassadas ou desaparecem.

Os programas travam. O diretório "meu computador" só mostra quadradinhos vazios dos drives e diretórios principais. Até certas páginas da Internet apresentam problemas de carregamento. Qualquer ação num diretório torna-se impossível, porque o computador está travado.

Isso mostra o quanto o "Scribd" tornou-se um ambiente perigoso para quem quiser realizar uma pesquisa com textos digitais. É bom o pessoal escapar desses textos. Onde estiver o nome "scribd" no linque, é melhor evitar. A presença de malware poderá causar ainda outros danos.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

"MALDITA 3.0": O RADIALISMO ROCK EM DEBATE


Felizmente, vivemos em tempos diferentes. Uma rádio de rock ganha exposição e ciclo de debates, uma iniciativa que não era imaginável há duas décadas atrás.

Nessa época, discutir o radialismo rock era um grande tabu. Não só de parte de quem não curte rock, mas justamente porque qualquer rádio que usava o rótulo "rock" era praticamente endeusada. E foi muito difícil chegarmos ao estágio atual.

Não havia discernimento. Qualquer rádio comercial que, sem mexer na sua estrutura nem na sua filosofia de trabalho, empregasse apenas uns três produtores que entendiam de rock (geralmente de forma superficial) e tocasse repertório previamente bolado pelo que as gravadoras consideram "rock", era claramente endeusada, pela imprensa e pela opinião pública.

Pouco importava se a rádio havia tocado Fábio Jr. e Wando na véspera, e o mesmo locutor que os elogiava passava, no dia seguinte, a "babar o ovo" nos Ramones e em Ozzy Osbourne. A imprensa especializada publicava a notícia da "guinada" e qualquer um que escrevesse uma carta dizendo que a programação da tal "rádio rock" era frouxa ia para o lixo.

Havia um protecionismo muito grande a essas rádios, que apenas pegavam macetes ou mesmo estereótipos do radialismo rock e trabalhavam da forma mais caricata possível. O modismo grunge (Nirvana, Pearl Jam, Alice In Chains, Soundgarden) fez surgir uma infinidade de "rádios rock" que se apagaram na memória, de tão ruins.

Mas naquela época até jornais de surf, lojas de discos e promotores de rock faziam parceria com essas rádios comerciais, e quem criticasse também era espinafrado por editoras de jornais e lojistas. Havia a utopia de que essas rádios aperfeiçoassem seus formatos ao longo dos anos (geralmente, se o Ibope deixar). E, dependendo desse "ao longo dos anos", o moleque de 16 anos que ouvia a tal "rádio roque" só veria sua rádio ficar "melhorzinha" quando já se tornasse um pai de outro moleque de 16 anos.

Nos anos 90, o radialismo rock passou por uma fase trevosa. Os mais entendidos de rock, que poderiam estar num estúdio de rádio, tinham que se consolar nas oficinas de consertos de aparelhos de som e TV. Enquanto isso, as chamadas "rádios rock" eram povoadas de garotões que mais pareciam animadores de ginástica aeróbica, que entendiam tanto de rock quanto um carnavalesco normalmente entenderia de física nuclear.

Isso se deu porque as rádios pop que vieram antes geraram uma demanda tão grande de locutores do gênero que parte deles, sem mercado para trabalhar, foram invadir o radialismo rock, só porque tinham diploma e algum conhecimento de inglês. Mas não tinham entendimento algum com rock, esperavam que algum músico ou produtor de rock lhes dissessem o que era tendência no rock no momento.

Como as rádios acabaram se desgastando, com seu desempenho irregular, o mercado na época fez dizimar a primeira geração de rádios autenticamente rock, surgidas nos anos 80: de uma só tacada, as rádios Fluminense FM (Niterói), 97 FM (São Paulo), Estação Primeira (Curitiba), entre poucas outras, deram lugar a rádios de pop dançante ou a "Aemões" noticiosos.

Mas o pior estava por vir. Enquanto não havia mais substitutas reais das antigas rádios de rock dos anos 80, a diluição do radialismo rock se seguiu com outras rádios, desta vez com a rede da 89 FM, rádio paulista controlada por uma oligarquia conservadora paulista. A 89 FM durante muitos anos era uma espécie de "vaca sagrada" do radialismo rock por ter sido a primeira a prometer uma "programação alternativa" dentro de um suporte comercial impecável.

Só que a 89 sucumbiu a muitas contradições, que a princípio era tabu questionar. "Vamos apoiar a 89, ela vai tomar um jeito", muitos acreditavam. Enquanto isso, a Fluminense FM era vista como derrotada, o que era verdade, mas a má reputação atingia até mesmo sua fase áurea, dos anos 80. Os erros da Fluminense eram superestimados. Os da 89, que não eram poucos nem menos graves, subestimados.

Com isso, a 89 - protegida da Folha de São Paulo e do Grupo Abril - , que nunca engoliu o fim de sua afiliada de Recife, criou sua rede tomando como foco inicial o Sul e Sudeste. Sua principal parceria foi com a Rádio Cidade, emissora pop que nunca teve qualquer vocação real para ser "rádio de rock" e que hoje se encontra numa situação insólita, tendo de mudar de nome para honrar o formato original, porque, se usasse o nome original, teria que adotar a fórmula "roqueira" de lamentável lembrança.

E aí, deu no que deu. Enquanto qualquer defeito da Rádio Cidade era visto por alguns como "qualidade" - havia até críticos musicais que não suportavam a pressão dos leitores contra a rádio - , qualquer qualidade da Fluminense FM era visto como "defeito mortal".

Chegou-se ao ponto de superestimar o conflito entre a corrente tradicionalista do produtor Alex Mariano e a modernização eclética de Maurício Valladares. Como se Mal Val, depois tocando seu "Ronca Ronca" num horário da Rádio Cidade, não fosse capaz de brigar com os "farofeiros" desta, como Rhoodes Dantas e outros.

Foi difícil. Até eu recebi ameaças e ofensas violentas por ter questionado o totem "roqueiro" da Rádio Cidade. Mas felizmente o resultado está aí, e hoje se discute o radialismo rock e, graças ao esforço meu na Internet, a Fluminense FM é relembrada pelas gerações mais recentes, o que estimula aos mais velhos recuperar sua memória, mesmo com os 94,9 mhz hoje ocupados pela insossa Band News FM.

E no dia 11 próximo, será iniciado o evento "Maldita 3.0", uma exposição com ciclo de debates que estimulará até mesmo quem nunca pôde ouvir a emissora na sua fase áurea a analisar o radialismo rock. Ainda bem que a memória curta não prevaleceu e hoje há uma disposição maior dos mais jovens em entender o que foi uma rádio de rock como a Fluminense e por que ela foi um diferencial que não foi superado sequer pelas mais festejadas rádios pseudo-roqueiras que depois vieram.

Vale lembrar que, hoje em dia, o jornal O Fluminense disponibiliza web radios derivadas da Fluminense, mas são apenas vitrolões roqueiros que nem sempre acertam no repertório.

Aqui vai a agenda do evento, produção do Coletivo Digital e com curadoria do ex-produtor da Fluminense, Alessandro ALR. O evento será realizado no Centro Cultura dos Correios, no Centro do Rio de Janeiro (do começo da Av. Pres. Vargas, depois da Praça 15, sentido Zona Portuária), curiosamente na Rua Visconde de Itaboraí, homônima ao da antiga sede da "Maldita". Alguns detalhes:

. Mostra de Fotografia
    Alguns dos momentos que ficaram eternizados na história da Rádio Fluminense Fm, estarão reunidos na mostra de fotografia envolvendo diversos anos e equipes.
    . Acervo
    Pela primeira vez serão reunidos os itens do acervo da rádio e acervos particulares, que alguns colaboradores gentilmente aceitaram compartilhar.
    . Estúdio
    O visitante da exposição poderá ver de perto uma remontagem do primeiro estúdio da rádio com equipamentos originais da época.
    . Cine
    No local da exposição será montado um cinema que exibirá vídeos exclusivos sobre a Fluminense FM, entrevistas, depoimentos e o curta "A Maldita", que fala sobre a origem da rádio nos anos 80.
    . Painéis
    Os painéis serão debates realizados com ex-integrantes, produtores culturais e jornalistas da época, falando como era fazer a rádio, detalhes da cena cultural e episódios curiosos.
    Realizados no próprio Centro Cultural dos Correios, a entrada nos painéis também será gratuita, bastando a retirada de uma senha uma hora antes do início de cada painel. Os mesmos serão realizados as quartas-feiras, às 19 horas, dias 18 e 25 de Julho e 1º de agosto.

> Relação de alguns dos itens expositivos:
. Guitarras autografadas exclusivamente para a rádio por bandas como: Oasis, Echo and The
Bunnymen, Legião Urbana, Plebe Rude
. Bateria autografada Foo Fighters
. Violão autografado pela cantora Cássia Eller
. Skate do Beastie Boys autografado pelos seus integrantes, incluindo o falecido MCA
. Cartazes de shows da época
. Discos de Platina da rádio de bandas como: Metallica, Linkin Park, Pink Floyd, U2,...
. Discos promocionais
> Programação Painéis:
Os painéis serão debates realizados com ex-integrantes, produtores culturais e jornalistas da época, falando como era fazer a rádio, detalhes da cena cultural e episódios curiosos. Realizados no próprio Centro Cultural dos Correios, a entrada nos painéis será gratuita, bastando a retirada de uma senha uma hora antes do início de cada painel.
Os mesmos serão realizados todas as quartas, às 19 horas.
Painel "Primeiras Emissões"
18/Jul
No primeiro, serão abordados temas como detalhes do cenário da época, as primeiras emissões da rádio, os eventos iniciais, além de uma análise sobre quanto a rádio contribuiu para o desenvolvimento da vida cultural a partir dos shows e festas.
1) Jussara Simões (Produtora Circo Voador)
2) Maria Estrella (Autora do livro "Rádio Fluminense FM - A Porte de Entrada do Rock Brasileiro nos anos 80")
3) Eulina Rego (Locutora)
4) Sérgio Vasconcellos (Um dos fundadores, 1º produtor e criador do programa "Revolution")
5) Amaury Santos (Editor e programador de música brasileira da rádio)
6) Luiz Tiribas (projeto "TV Maldita")
Painel "Nas ondas da surf music"
25/Jul
No segundo painel será mostrada como foi a trajetória campeã que levou a rádio a ganhar, por três vezes consecutivas, o título de melhor rádio surf do planeta. Além de um bate-papo com a diretora do primeiro curta produzido sobre a Maldita.
1) Roberto Basílio (Coordenador)
2) Raquel Ricardo (Locutora)
3) Sérgio Pitta (Programa)
4) Lia Easter (Locutora)
5) Cláudio Salles (Coordenador)
6) Tetê Mattos (Diretora do curta "A Maldita".)
Painel "Manifesto Digital"
01/Agost
Ainda na AM, em 2001, e depois na sua volta ao dial FM, em 2002, a Rádio Fluminense começava a se deparar pela primeira vez com os desafios e mudanças que vieram com a difusão da internet no Brasil. Mesmo que ainda timidamente, o uso da web começava a modificar parte da produção de conteúdo da rádio.
1) José Roberto Mahr (Coordenador)
2) Leandro Souto Maior (Programador)
3) Paulo Lopez (Coordenador Promoção)
4) Keli (Locutora)
5) Selma Boiron (Locutora)
6) A confirmar (Locutora)
Mais informações:
www.maldita30.com
http://www.facebook.com/malditaweb
https://twitter.com/MLDTA30
Produção e Curadoria
Alessandro ALR
Serviço:
Exposição: de 11/julho/2012 a 12/agosto/2012
Ter/Dom, das 12h às 19h
Centro Cultural Correios (ao lado do CCBB-RJ)
Rua Visconde de Itaboraí, 20 - Centro - Corredor Cultural
CEP: 20010-976 - Rio de Janeiro - RJ Telefone: 0XX 21 2253-1580
E-mail: centroculturalrj@correios.com.br




quinta-feira, 5 de julho de 2012

GRUPO SAMBÔ ESCULHAMBA MÚSICA DO U2 COM REGRAVAÇÃO


Que no brega-popularesco existem casos de pedantismo e muito pretensiosismo, isso não é novidade alguma. Com a Internet, todo mundo passou a correr atrás de informações e referenciais para tirar alguma vantagem em cima.

Pretensas novidades surgem que enganam em primeira instância, como o tal "sertanejo universitário" que, a princípio, deu a falsa impressão de que os tais "caubóis do asfalto" se tornaram mais "encorpados culturalmente".


Pois isso chega a um ponto de certas gafes e muitos agravantes, como o caso do grupo Sambô, espécie de "última definição" da geração recente do sambrega brasileiro.

Para quem não conhece o grupo, o Sambô vem de Ribeirão Preto, interior paulista, e o grupo soa mais ou menos como um crossover entre Bon Jovi e Exaltasamba, seja na atitude, seja no pedantismo e no pretensiosismo musical.

No fundo, sambrega e metal farofa são universos parecidos. Seus ídolos são famosos por pegarem muitas mulheres e prometerem "música de verdade" cheio de poses e muita afetação. Se no metal farofa temos Bon Jovi, Guns N'Roses, Poison e Mötley Crüe, no sambrega temos Raça Negra, Só Pra Contrariar, Exaltasamba e Grupo Revelação, só para citar alguns.

E, se no caso amoroso, o metal farofa mostrou a conturbada relação entre Pamela Anderson e Tommy Lee (Mötley Crüe), o caso brasileiro mostrou Solange Gomes e Waguinho (Os Morenos). E, como todo poser, o Mötley Crüe sempre prometeu "rock'n'roll de verdade". E, como todo sambrega, muita gente se lembra dos Morenos prometendo "samba de verdade".

Nesses estilos, essas promessas sempre iam pelo ralo, às custas de muitas poses, afetação e gracinhas. E muitos escândalos e factoides para alimentar a mídia sensacionalista, como é de praxe desses ritmos cujos interesses comerciais estão acima de qualquer pretensiosismo artístico, apesar dos recentes lobbies dos mercados roqueiro (heavy metal) e sambista tentarem adotá-los como "filhos bastardos".

E o Sambô é a síntese desses dois cenários, mas num jeito politicamente correto que lembra o Grupo Revelação. E o Sambô enganou muita gente, até mesmo produtores de eventos que os jogaram em eventos que incluíam gente séria da MPB, como Wilson Simoninha. E o grupo, empresariado pela mesma agência que cuida do cantor Thiaguinho, ex-Exaltasamba, pode ser um caso pior do que a simples mediocridade que o Sambô representa.

"DOMINGO SANGRENTO" PARA ALEGRES DOMINGADAS NAS LAJES

A descontextualização de qualquer informação ou referencial cultural sempre existiu na história da música brega. Comumente, eram valores modernos que eram reproduzidos de forma antiquada e tardia, de um jeito claramente provinciano, matuto. Tudo é feito longe de qualquer contexto original, seja de tempo, situação, gosto cultural etc. Tudo é tendencioso, tardio, oportunista, nada é espontâneo ou natural.

Mas, no caso do Sambô, a descontextualização vai longe demais. Entre as músicas escolhidas pelo grupo em seus covers oportunistas - nem sempre de rock, ainda que inclua "Rock'n'roll", do Led Zeppelin, porque o cardápio também inclui o surrado hit soul de James Brown, "I Feel Good" - , está a música "Sunday Bloody Sunday", do U2.

Trata-se de uma canção de protesto político, originalmente gravada em 1983, que narra um massacre contra manifestantes civis na Irlanda do Norte, que pacificamente reivindicavam direitos civis. 14 manifestantes foram mortos e outros 26 ficaram feridos.

Pois o Domingo Sangrento, como foi conhecido o episódio de 30 de janeiro de 1972, que as gerações hoje cantam alegremente nos seus almoços de domingo ao som do "genial" Sambô, é assim narrado pela letra escrita e cantada por Bono Vox, eventualmente ao som de um violinista aflito que acompanha o instrumental da banda:

SUNDAY BLOODY SUNDAY

I can't believe the news today
I can't close my eyes and make it go away
How long, how long must we sing this song?
How long, how long?
'Cos tonight
We can be as one, tonight

Broken bottles under children's feet
Bodies strewn across the dead-end street
But I won't heed the battle call
It puts my back up, puts my back up against the wall

Sunday, bloody Sunday (4x)
Oh, let's go

And the battle's just begun
There's many lost, but tell me who has won?
The trenches dug within our hearts
And mothers, children, brothers, sisters torn apart

(2x)
Sunday, bloody Sunday

How long, how long must we sing this song?
How long, how long?
'Cause tonight
We can be as one, tonight
(2x)
Sunday, bloody Sunday

Wipe the tears from your eyes
Wipe your tears away
I'll wipe your tears away (2x)
I'll wipe your bloodshot eyes

(6x)
Sunday, bloody Sunday

And it's true we are immune
When fact is fiction and TV reality
And today the millions cry
We eat and drink while tomorrow they die

The real battle just begun
To claim the victory Jesus won
On

(2x)
Sunday, bloody Sunday


****

Para quem não fez um cursinho de inglês, vale aqui a tradução extraída do portal "Letras.Mus.Br":

Domingo, Sangrento Domingo

Não posso acreditar nas notícias de hoje
Não posso fechar os olhos e fazê-las desaparecer
Quanto tempo, quanto tempo teremos de cantar esta canção?
Quanto tempo, Quanto tempo?
Porque esta noite
Podemos ser como um, essa noite

Garrafas quebradas sob os pés das crianças
Corpos espalhados num beco sem saída.
Mas eu não vou atender ao apelo da batalha
Isso coloca minhas costas, coloca minhas costas contra a parede.

Domingo, sangrento domingo (4x)
Oh, vamos lá!

E a batalha apenas começou
Há muitos que perderam, mas me diga: quem ganhou?
As trincheiras cavadas em nossos corações
E mães, filhos, irmãos, irmãs dilacerados.

Domingo, sangrento domingo
Domingo, sangrento domingo

Quanto tempo, quanto tempo teremos para cantar esta canção?
Quanto tempo, quanto tempo?
Hoje à noite
Nós podemos ser como um, esta noite.
Domingo, sangrento domingo.
Domingo, sangrento domingo.

Enxugue as lágrimas de seus olhos
Limpe suas lágrimas.
Vou limpar suas lágrimas. (2x)
Vou limpar os seus olhos vermelhos.

(6x)
Domingo, sangrento domingo

E é verdade que somos imunes
Quando o fato é ficção e a realidade da TV.
E hoje milhões choram
Comemos e bebemos enquanto eles morrem amanhã

A batalha real apenas começou
Para reivindicar a vitória de Jesus
Em...

Domingo, sangrento domingo
Domingo, sangrento domingo


Sim, comemos e bebemos enquanto eles morrem amanhã. E muita gente cantando alegremente a canção e achando o Sambô o maior barato. É demais um grupo de sambrega se autopromover, com muita afetação e pretensiosismo, às custas de 14 norte-irlandeses mortos. E, para piorar, ainda querem renovar a MPB com isso. É muita pretensão para tanto mau gosto!!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

PANIQUETE CAROL BELLI AFIRMA NÃO TER VONTADE PRÓPRIA


Em entrevista recente ao Portal Terra, a paniquete Carol Belli, uma das novas musas do Pânico da Band, disse que "tenta não ser vulgar" mesmo quando o contexto mostra o contrário, apenas de uma forma politicamente correta.

Afinal, as chamadas "paniquetes" ou panicats são a "Victoria's Secret" dentro do contexto de vulgaridade feminina em que as "mulheres-frutas" (as "musas" funqueiras) levam o grotesco até as últimas consequências.

Mas isso não quer dizer que as paniquetes sejam mais bacanas que as "mulheres-frutas" ou outras do gênero (ex-BBBs, ex-dançarinas de "pagodão" etc). Várias paniquetes, mesmo aquelas metidas a "espertas", também andam falando muita besteira.

É o caso de Carol Belli quando demonstra claramente não ter vontade própria. Criticada pelo fato de ouvir muito a tal "música sertaneja" - não se fala da boa música caipira, mas do breganejo dos últimos 30 anos - , sobretudo essa geração atual de "pegadores" (Michel Teló, Gusttavo Lima, João Lucas & Marcelo), ela simplesmente disse: "Está na moda, todo mundo vai".

Isso mostra simplesmente o que é uma mulher que não tem vontade própria. E mal sabe Carol, que apenas tem 20 anos, que mulheres que primam seu gosto musical com música de qualidade, como, por exemplo, a "intragável" MPB "biscoito fino" (vítima do preconceito "populista" de intelectuais da moda), têm muito mais vantagem na vida social do que aquelas que se apegam ao brega-popularesco, mesmo achando isso o máximo.

Pois não adianta moças dizerem no Orkut ou Facebook que "são diferentes" e "têm vontade própria", se gostam de Exaltasamba e Bruno e Marrone. Elas sempre levam a pior, nunca irão escolher, na vida amorosa, alguém mais diferenciado do que um jogador de futebol ou um peão de vaquejada.

Já aquelas que, mesmo nascendo depois de 1978, não sentem vergonha de encarar uma Sílvia Telles, um Jacob do Bandolim, um Turíbio Santos ou Toninho Horta em vez de Ivete Sangalo, Exaltasamba ou Bruno e Marrone, têm maior vantagem na vida. Afinal, inteligência se demonstra, inteligência não é pose.

Mais uma vez uma paniquete não conseguiu eliminar o péssimo estigma de vulgaridade. Se ela espera conquistar homens legais, tipo Geisy Arruda, resta um consolo: Geisy não irá chorar sozinha na rua da amargura, terá uma amiga junto para consolar e chorar junto.