segunda-feira, 18 de junho de 2012

OS 70 ANOS DE PAUL MCCARTNEY E DE BRIAN WILSON


Hoje é o aniversário de 70 anos de Paul McCartney. Daqui a dois dias, será a vez de Brian Wilson chegar às sete décadas de vida.

O que os dois baixistas, um nascido na cidade inglesa de Liverpool, outro em Hawthorne, Califórnia, nos EUA, têm em comum, além do fato de serem músicos de rock famosos na primeira metade dos anos 60, é uma relação de "permuta" que não só estabeleceu as relações entre os Beatles e os Beach Boys como contribuiu para a renovação do cenário e da linguagem do rock no século XX.

Dois dias separam os nascimentos dos dois músicos. As duas bandas têm três primeiras letras em comum. Eram grupos com vocalistas surgidos no seio de um cenário predominantemente instrumental, quando os Shadows eram a principal banda britânica e os Ventures a principal estadunidense. Surgiram logo no começo dos anos 60, os Beatles em 1960 e os Beach Boys em 1961.

Mas a ligação dos dois se deu quando Brian Wilson, ciente da visita dos Beatles aos EUA, em 1964, começou a ficar por dentro do que os ingleses faziam. Até aí, nada demais, mas em 1965 os Beatles lançaram o álbum Rubber Soul, cujo repertório musical deixou o baixista dos Beach Boys impressionado.

O disco, o sexto dos "quatro fabulosos", inclui canções como "Drive My Car", "Norwegian Wood", "In My Life", "Girl", "Michelle", "Nowhere Man" e "If You Needed Someone" e foi o primeiro disco em que os Beatles se preocuparam mais com as letras e com a sofisticação melódica, e foi nessa época que os quatro começaram a rever suas posturas em relação a suas carreiras, que depois resultaria até mesmo no encerramento das apresentações ao vivo, incomodados que estavam com as gritarias das fãs.

A imprensa até forjou uma "rivalidade" além-mar entre os Beatles e os Beach Boys, a exemplo do que a mídia britânica fazia com o grupo de Liverpool e os Rolling Stones. Mas se a "inimizade" dos dois principais grupos da British Invasion não passava de mito, já que seus integrantes no fundo eram amigos - ao ponto de, recentemente, Paul McCartney e Keith Richards terem se encontrado para uma conversa de grandes amigos - , também era factoide a "rivalidade" dos californianos e dos britânicos.

Sensacionalismos à parte, a obsessão de Brian Wilson em buscar a canção perfeita o fez largar temporariamente os Beach Boys, que escalou Bruce Johnstone, cantor e pianista que hoje está na atual formação da banda, para substitui-lo nas turnês. Brian se isolou em sua casa para compor as músicas que depois fariam parte do álbum Pet Sounds (que, além da formação original, teve também Johnstone participando do coro).

Com a repercussão de Pet Sounds, que mostra os Beach Boys não mais ao lado de carrões e pranchas, mas ao lado de animais de zoológico - não necessariamente domésticos, como sugere o termo em inglês pet, mas vale a tirada irônica - , em trajes de outono e com o atlético Mike Love barbudo, foi a vez dos Beatles se sentirem impressionados com o disco do grupo californiano.

E qual o Beatle que mais se impressionou com o disco? Justamente Paul. E, apresentando o disco aos colegas e ao produtor George Martin, os ingleses, que já haviam largado os palcos para se concentrar nas pesquisas de estúdio, resolveram elaborar as canções, os arranjos e até mesmo os efeitos de estúdio para um novo álbum, incluindo sons que só podem ser ouvidos por cães.

O disco tornou-se conhecido como Sergeant Pepper's Lonely Hearts Club Band, um álbum que já tem sua história própria e está inserido no contexto dos grandes discos lançados em 1966 e 1967 que marcaram um período ímpar na história do rock mundial. E representou o reconhecimento dos Beatles pela história do rock, assim como Pet Sounds foi para os Beach Boys.

Paul e Brian até chegaram, recentemente, a gravar juntos, e ao longo dos anos seguiram suas carreiras aperfeiçoando as melodias no rock. Hoje Paul McCartney segue em carreira solo, com sua banda de apoio. Brian, por sua vez, reativou os Beach Boys, fazendo as pazes com Mike Love e chamando os outrora suplentes Bruce Johnstone e David Marks para ocupar os postos dos falecidos irmãos de Brian, Dennis e Carl.

Os mestres do rock, idosos, não perdem o espírito juvenil, e hoje mostram suas lições de musicalidade para as gerações mais novas, que hoje sofrem com a hegemonia de ídolos pop medíocres mais preocupados em se promover com escândalos do que fazer boa música. Mas esses ídolos pop, apesar de sua insistência à superexposição, não serão lembrados na posteridade.

Já nomes como Beatles e Beach Boys serão sempre lembrados, pela sua missão de fazer música de excelente qualidade, com uma experiência de mais de 50 anos de muita batalha e muitas canções. Sobretudo através da criatividade de Paul e Brian.

Portanto, desejamos parabéns e longa vida a esses dois grandes músicos do rock.

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