quinta-feira, 14 de junho de 2012

A "MISTURA" HOMOGÊNEA DO "FUNK CARIOCA" E DO BREGANEJO


Pode parecer uma grande novidade, mas não é. Primeiro, porque o brega-popularesco é velho, é impossível haver qualquer novidade no seu âmbito. Segundo, porque juntar um ritmo e outro desse engodo de mesmice musical dá no mesmo, dá em mais mesmice.

Pois agora, com o risco de Michel Teló se desgastar, depois de Luan Santana já soar velho e Gusttavo Lima também dar sinais de perecimento, é hora de jogar no mercado mais uma dupla desse "sertanojo universotário", João Lucas & Marcelo.

Surgidos do nada, a dupla lançou seu primeiro sucesso com um título que quer dizer coisa nenhuma: "Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha".

É claro que um Pedro Alexandre Sanches da vida vai achar que o "Tchu Tcha" recicla os conceitos de música rural brasileira. Ele que vê "ativismo social" até em bêbado se equilibrando pelas calçadas, deve achar que João Lucas & Marcelo hiperconectam as telhas de galinheiro das roças brasileiras à tecnologia de ponta da Internet banda larga.

Balelas. O que se vê é mais do mesmo no já velho breganejo. A "novidade" da costura rítmica entre o breganejo e o "funk carioca" é apenas pela posição mercadológica dos dois ritmos, o primeiro "mais família" e o segundo "mais polêmico". O "tchu, tcha" é cantado numa onomatopeia que os MCs funqueiros já fazem. Mas, em se tratando de brega-popularesco, Mr. Catra é no fundo tão conservador quanto Chitãozinho & Xororó.

Há quem veja, no entanto, o brega-popularesco como "ultramoderno", como se fosse o filho bastardo do Tropicalismo. Não é. É verdade que o Tropicalismo se converteu na chamada "máfia do dendê", mas não há como compará-lo artisticamente ao brega-popularesco. Caetano Veloso e Gilberto Gil podem lá ter seus equívocos, mas reconhecidamente eles possuem muita informação musical. Eles apenas erram por misturar alhos com bugalhos e se acharem o máximo com isso.

Já o brega-popularesco não. Se seus ídolos são mais informados, não é por isso que eles se tornaram mais sábios. Eles apenas usam mais computador e veem mais TV a cada dia, e aí podem "saber qualquer coisa". Só que esse saber é muito vago, confuso e superficial. O que significa que não é por estar mais informado (e mesmo assim, com muitos limites) que eles se tornarão menos medíocres.

A julgar pelo sucesso de João Lucas & Marcelo - no fundo mais um da linha enjoada de Rick e Renner, Bruno & Marrone e César Menotti & Fabiano - , o brega-popularesco afunda cada vez mais no lodo da mediocridade. O que também não faz dos bregas do passado os grandes gênios, mas apenas pessoas com um olho a mais numa terra de cegos. E, por isso, ainda bastante medíocres.

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