quarta-feira, 6 de junho de 2012

CAMPANHA TROQUE UM CD DE BREGA POR DOIS DE MPB


Não se apegue ao comercialismo descartável de bregas e neo-bregas que só fazem lotar plateias, mas cuja contribuição para a verdadeira cultura brasileira é nula.

Com a Internet e um maior acesso à informação, a música brasileira de verdade está mais acessível ao público que usa o computador, não fazendo mais sentido se apegar à mesmice brega-popularesca que tomou conta do gosto "popular" dos anos 90.

Muitos tentam, até hoje, vender gato por lebre, achando que esse brega-popularesco é a "nova MPB", mas nós sabemos que isso não passa de papo furado.

Afinal, se esses bregas e neo-bregas tem alguma relação à MPB, é somente no que esta viveu de pior, naquela fase mercantil dos anos 80.

Mas de que adianta? Os bregas dos anos 90 apenas passaram a imitar aquela mesma "MPB enjoada" dos discos menos inspirados mas gravados (desnecessariamente) em Los Angeles. Uma "MPB" cheia de pompa e de pose.

Portanto, vamos amadurecer e deixar de lado essa breguice toda, também encharcada de pompa, de luxo, de tecnologia, de marketing, de factóides, fofocas, sensacionalismo, mas desprovidas de qualquer valor cultural.

Não dá para relativizar. Tem intelectual metido a bacana que puxa o saco até de pensadores mortos, como Oswald de Andrade, para defender todo o lixo cultural do brega-popularesco, pondo na conta do escritor modernista ideias que ele nunca iria defender, se vivesse hoje.

A música brasileira de verdade é cheia de coisas de muito valor. É melhor garimpar. E uma boa chance para trocar o brega-popularesco pela MPB de verdade - tanto os artistas sofisticados dos anos 60 para cá como a verdadeira música popular que no passado gerou nomes como Luiz Gonzaga, Cartola, Jackson do Pandeiro e Pena Branca & Xavantinho - é colocar os discos dos artistas do brega-popularesco para as lojas de sebos.

É melhor aproveitar, enquanto o brega-popularesco está em alta na revista Caras e os lojistas de sebos ainda se dispõem em pagar até R$ 50 por um lote de CDs de brega-popularesco. Com o dinheiro obtido, fica mais fácil, por exemplo, se livrar de CDs completamente inúteis como os de César Menotti & Fabiano e Bruno & Marrone, ou mesmo Chitãozinho & Xororó, Zezé di Camargo & Luciano, Daniel e Leonardo por uns bons CDs do Clube da Esquina.

É bom lembrar que os artistas do Clube da Esquina são capazes de dizer, numa só música, o que os ditos "sertanejos" não conseguem dizer sequer num CD inteiro. E que o repertório de Sílvia Telles - genial cantora, ícone da Bossa Nova, precocemente falecida aos 32 anos, em 1966 - tem muito mais vida do que os de Ivete Sangalo, Cláudia Leitte e, agora, Gaby Amarantos.

Portanto, chega de pretensiosismo, chega de arrumar desculpas "nobres" para justificar o gostinho musical popularesco ditado pelas rádios FM mais picaretas ou pela TV aberta mais irresponsável.

É melhor ter autocrítica, ouvir a consciência e o coração. Ser marionete de rádio e achar que isso é vontade própria não dá mais. Nos anos 90, havia a desculpa de não haver opções musicais de qualidade, apesar da MPB aparecer em algumas rádios.

Mas hoje, com acesso para coisas mais importantes, é melhor que se livre dos discos de brega-popularesco e trocá-los pelos de MPB autêntica. O coração agradece. O cérebro também.

O último que se apegar ao brega será mulher do Padre Marcelo Rossi.

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