sexta-feira, 29 de junho de 2012

KATIE HOLMES ESTÁ SOLTEIRA!!!!!!


Eu até tinha simpatia pelo casal Katie Holmes e Tom Cruise, mas é uma boa notícia Katie estar solteira, por ser uma daquelas gatas quentes por trás de um jeitão brejeiro.

Além disso, ao que tudo indica, um dos fatores deve ter sido o envolvimento de Tom com a cientologia, "seita" que anda fazendo a cabeça de algumas celebridades nos EUA e no resto do mundo.

Katie também andava meio apagada. A doçurinha do seriado Dawson's Creek, embora continuasse com seus trabalhos de atriz e até posou para a grife de jóias H Stern, como é o caso desta foto, ela dava a impressão de que vivia à sombra do marido, por mais que se esforçasse para evitar isso.

Tom até era jovial, para um homem 16 anos mais velho do que ela e a poucos dias dele completar 50 anos mantendo a aparência de galã que o marcou em filmes como Top Gun. Mas os limites da religião da cientologia o fizeram Tom impor limites até para sua mulher, que não aguentou e pediu a separação.

Portanto, desejamos boas vindas à belíssima Katie Holmes ao rol das solteiras, que pelo menos no exterior é bem melhor do que o Brasil (onde as solteiras legais são poucas).

A CRISE DO BREGA-POPULARESCO ATRAVÉS DAS MULHERES


Bom demais para ser verdade. Depois de uma semana com duas neo-solteiras excelentes, Vanessa Giácomo e Lisandra Souto - esta como uma "zebra" da temporada, porque ela parecia bem casada - , veio uma enxurrada de musas relacionadas à cafonice cultural ficando solteiras.

Fora as habituais Xuxa e Gaby Amarantos, ou mesmo a hoje integrante do "riélite" A Fazenda 5 (Rede Record), a cantora e dançarina Gretchen, temos desde musas calipígias até "caçadoras de breganejos", ex-BBBs e cantoras popularescas mostrarem que estão sem namorado.

A situação é de tal forma tão dramática que nem mesmo as recentes denúncias de que as dançarinas funqueiras, conhecidas como "mulheres-frutas", andam escondendo maridos e namorados (uns "descobertos" através de reportagens policiais), consegue mudar alguma coisa. Até porque algumas dessas funqueiras ainda não tiveram maridos ou namorados descobertos, e por isso continuam "oficialmente solteiríssimas".

Mas, fora disso, o time das "encalhadas" é de desanimar qualquer cara legal que esteja a procura de uma mulher legal. Tem a Geisy Arruda, que deseja namorar um "homem simples". Tem a Maíra Cardi, ex-Big Brother Brasil, que disse que "se pudesse, estaria namorando", depois de romper relação com um humorista. Tem a Íris Stefanelli, também ex-BBB, que tinha tudo para ser a futura bem casada, mas terminou seu noivado.

E ainda tem a ex-assistente de palco de Gugu Liberato, Helen Ganzarolli, famosa "caçadora de breganejos", que no entanto está solteira há um tempão, apesar de boatos envolvendo novos pretendentes (breganejos, é claro). E tem a cantora de axé-music Alinne Rosa, que terminou um namoro com um ator de TV. Não bastasse Solange Gomes ter aparecido para oferecer beijos a rapazes numa festa junina em Caruaru.

O que um cara legal irá fazer com essas mulheres, simplesmente é inútil pensar. Ir a vaquejadas, micaretas, a noitadas sem serventia, além da natural falta do que conversar e da total incapacidade de trocar ideias, porque, na melhor das hipóteses, só vai dar em briga, é o que se espera de tais situações.

Enquanto isso, as mulheres realmente legais estão casadas. E boa parte delas com caras nada legais, homens sem brilho próprio que geralmente se escondem numa profissão de "liderança", mas que no lazer não sabem o que vão fazer.

Esses homens é que não veem problema em namorar mulheres que vão para vaquejadas, sobem trios elétricos, são místicas e "boleiras" demais, falam gírias tolas como "balada" e não leem livros. Homens que vão para os supermercados com caras de sono e sempre usufruem o lazer com caras de preocupados, simplesmente não deveriam namorar ou se casar com mulheres legais, que não somam coisa alguma para eles.

Imagine se Geisy Arruda ficasse com um economista, Maíra Cardi com um diretor de filmes publicitários e Helen Ganzarolli ficar com um jovem figurão do agronegócio? Se a realidade brasileira fosse menos preguiçosa e menos tendenciosa...

quarta-feira, 27 de junho de 2012

FOLHA DE SÃO PAULO AGORA COBRA PARA VOCÊ LER NA INTERNET


Os empresários do "funk carioca", tecnobrega, "sertanejo pegação" e "forró eletrônico" são mais ricos do que Otávio Frias Filho ou é o Tavinho Frias que é mais pobre do que eles?

Coitadices à parte, devemos imaginar a falta que Pedro Alexandre Sanches faz para o jornal paulista, que agora deu para cobrar pelo conteúdo lido na Internet.

Para não pegar mal, a Folha de São Paulo permitiu ao leitor comum ler apenas 20 textos por dia, assim de graça. Atingido esse limite, o leitor terá que fazer um cadastro gratuito, para ler mais 20 textos. Se quiser ler mais, sem qualquer custo, terá que esperar outro dia para fazer isso.

Isso porque, para quem quer ler mais de 40 textos, é necessário fazer uma assinatura para o conteúdo digital. Até tentamos pesquisar o sítio da Folha de São Paulo para saber o preço das assinaturas, mas surgiu esse "simpático" aviso na foto ao lado. E eu tenho muito o que fazer para criar login e senha só para ler este jornal.

E tudo isso é feito com a Folha de São Paulo vivendo sua "ótima fase", com programinha de TV na TV Cultura, e todo o ar de "superioridade" como paradigma - no entanto, já superado - de "jornalismo moderno" em todo o Brasil.

Você abiriria mão de sua cesta básica só para ler um jornalzinho destes na Internet, e logo quando a blogosfera informa muito mais - e muito mais honestamente - do que o diário da famiglia Frias?

domingo, 24 de junho de 2012

SER UM CARA LEGAL É PECADO NO BRASIL


Em entrevista recente publicada no Portal Terra, a celebridade Geisy Arruda disse que "está à procura de um cara legal".

Símbolo da vulgaridade feminina metida a "polêmica", bem ao gosto de intelectuais pró-popularescos como Pedro Alexandre Sanches e Paulo César Araújo, Geisy surgiu através de uma "pegadinha", numa "polêmica" forjada por entrar numa faculdade usando roupas "sensuais".

Fez-se "contracultura" em copo de água e criou-se um "feminismo" do nada, uma "liberdade de expressão" de coisa nenhuma. Quem reclamasse da vulgaridade da garota era visto como "moralista" e "preconceituoso". E Geisy se ascendeu assim no nada, passando a rasteira em muitas "big sisters" sem sequer participar do "riélite chou".

CARAS LEGAIS NÃO QUEREM SABER DE MULHERES TIPO GEISY ARRUDA

E agora Geisy procura "caras legais". Homens simples, românticos, carinhosos, meio nerds, meio à cara do Harry Potter. Mas o grande problema é que os caras legais não querem moças vulgares tipo Geisy Arruda, Solange Gomes ou Mulher Melão.

Além do mais, várias dessas musas já têm no currículo ex-namorados durões ou, quando muito, viris, tipo peão de vaquejada. E essas moças vão sempre às noites de sábado nas curtições da vida, enquanto os caras legais que elas dizem querer tanto ficam em casa, vendo comédias estudantis ou lendo livros de ciência política.

Ser cara legal no Brasil é um suplício, um pecado, porque só sobram moças de personalidade jeca como a Geisy Arruda. Talvez nem as "popozudas" mais grotescas sobrem, desde que se descobriu que 55% delas, mesmo as que juram estar "solteiríssimas", possuem namorados ou maridos.

Um cara legal quer saber de moças não somente discretas ou que prometem vestir roupas comportadas ou ficar em casa nos domingos. Um cara legal quer saber de moças que já são discretas e inteligentes de forma espontânea, própria, não é preciso a imprensa sensacionalista dizer que ela "paga o maior mico" sendo "caçadora de sertanejos", "rata de micaretas", "maria chuteira" ou "mulher-fruta".

Portanto, os homens legais, no país, ficam sonhando em ter uma Elaine Bast, uma Débora Falabella, uma Rosana Jatobá. Nenhuma delas se ascendeu "se mostrando demais" e nem passa a bancar a comportada na última hora, depois de tantas vaias.

Portanto, é bom Geisy Arruda ir procurando peões de vaquejada, mais robustos e durões, que são o máximo que ela conseguirá encontrar de "homens simples". Ou, na melhor das hipóteses, um garotão sarado vindo do Big Brother Brasil. Caso contrário, a celebridade ficará chorando no caminho.

Quanto a mim, não estou interessado na Geisy. Nem um pouco. E nem sequer para um passeio a dois sem compromisso. Eu tenho mais o que fazer na vida.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

SITE DE TEXTOS ON LINE É FONTE DE MALWARE


Um perigoso malware pode estar por trás de uma página de textos virtuais.

Quem estiver procurando textos na Internet é bom evitar o sítio "SCRIBD", com esta palavra citada no endereço de domínio.

Quem acessar qualquer um destes textos terá a página principal do Google alterada para a foto ao lado.

Trata-se de uma falsa página principal do Google, em que o logotipo aparece em menor tamanho e aparecem linques estranhos com o endereço "m.google.com.br".

Mas os perigos não param por aí. Além da falsa página principal do Google - que continua a mesma até em dias comemorativos, quando sabemos que há uma alteração do logotipo do Google em homenagem a cada efeméride - , a busca pode levar a falsos resultados, que se forem clicados podem abrir caminho a malwares e spywares que poderão comprometer o computador do usuário da forma que o invasor quiser, até mesmo deletar arquivos ou roubar senhas de contas.

Espera-se que o próprio Google possa agir para, ao menos, alertar na sua busca que o sítio "scribd.com" está infectado e que oferece risco de instalação de malware no registro do computador de quem usa.

Portanto, pouco importa se livros raríssimos foram escaneados no "scribd.com". É melhor evitar. A consulta desses arquivos poderá representar sérios danos para o computador do usuário.

NA VIDA ADULTA, SER JOVIAL É, PARA MUITOS, UMA TORTURA


A vida adulta é uma chatice. Além das pessoas perderem aquela sensibilidade e inocência de antes, perde-se também a espontaneidade, o prazer, mesmo os privilégios deixam de ser valorizados de forma verdadeira, apenas mantidos como um troféu guardado na estante por nenhuma serventia senão a de uma simples exposição simbólica.

Quando se chega aos 40 anos, há a tentação terrível da sisudez. As mulheres passam a ter um chilique de não quererem assumir a idade e de evitarem ser joviais. E os homens passam a ter dificuldade até mesmo de sorrirem com o entusiasmo de outrora.

As mulheres ficam preconceituosas até consigo mesmas. Passam a sentir nojo de homens carinhosos, achando que isso é grude. Se queixam quando são desprezadas, mas reclamam de elogios. Se entram nos 40 anos, passam alguns anos dizendo que têm 34 até não poderem mais esconder. E, em compensação, estufam o peito para dizer que deixarão de apreciar certos prazeres "por causa da idade".

E os homens? Em nome de um estilo "racional" e "maduro", eles passam a calcular até suas próprias emoções. No lazer, então, parecem umas múmias conversando sobre opiniões pedantes de política, economia, cotidiano, cultura. Um querendo parecer mais inteligente do que o outro, quando todo mundo na verdade só pegou a agenda setting das notícias obtidas na véspera.

Quando chega uma pessoa dizendo que está na hora de "viver de acordo com a idade", eu, mesmo nos meus 41 anos de vida, torço o nariz. É sinal de que uma pessoa deixou de ser legal para se tornar uma pessoa chata.

Se colocarmos a velhice como paradigma de vida, o perfil convencional do quarentão equivaleria à primeira infância e o do cinquentão seria a pré-adolescência e a adolescência. Para os mais jovens, um profissional de 55 anos parece "maduro", "sensato" e "seguro", mas diante dos mais idosos não passa de um moleque metido achando o maior barato ter cabelos brancos e andar vagarosamente pelas ruas.

Fala-se do perfil de quarentões e cinquentões ainda considerado tradicional. Já não é mais tão dominante do que antes, e já existe o drama de haver, numa mesma geração de homens nascidos na década de 1950, pessoas que são muito sisudas - quando são profissionais liberais, executivos e empresários - e pessoas que são muito joviais - como músicos, jornalistas, poetas e atores surgidos no teatro - , num verdadeiro "conflito de uma mesma geração".

Como vimos nesse blogue, ver que um Serginho Groisman é mais velho que um Almir Ghiaroni torna-se estarrecedor, se vermos que este é muito mais sisudo que aquele. Ou então ver que, enquanto os ingleses nascidos nos anos 1950 lançaram o punk rock, ou, quando muito, um rock psicodélico mais melodioso (no caso dos que iniciavam suas carreiras nos anos 60), os brasileiros da mesma geração, da parte dos que se tornaram médicos, empresários, executivos, economistas, publicitários etc, preferiu ser o "rabo do cometa" que passou pelos anos 1940.

Por isso há até um certo pedantismo nostálgico, não uma nostalgia natural de quem realmente se identifica com o passado - como vemos Ruy Castro, nascido em 1948 mas tirando de letra os referenciais culturais anteriores ao seu nascimento - , mas um saudosismo tendencioso feito mais para impressionar as pessoas e, sobretudo, os mais velhos.

Afinal, os cinquentões que são médicos, empresários, executivos, economistas, publicitários etc, uns até se tornando sessentões de primeira viagem, brincam de "ser velhos" para soarem iguaizinhos a seus professores, mestres e antigos patrões. Ainda sonham com a Nova York de 1947 (num intervalo pacífico entre o pós-guerra imediato e o macartismo), pautando seus comportamentos em ícones do passado como Humphrey Bogart, Paul Newman, James Stewart e Gene Kelly, para não dizer o manjado Frank Sinatra.

Esses "garotões" nascidos nos anos 1950, e que muitas vezes são casados por moças nascidas nos anos 60 e 70, tentam dar a impressão de que passaram o período de 1968 a 1972 ouvindo standards de Hollywood dos anos 1940 e imitando os gestos de Cary Grant para impressionar as meninas. Nada disso. Eles ouviam rock da pesada, e, quando muito, escutavam sambalanço e dançavam ao som de "Nem Vem Que Não Tem", de Wilson Simonal, "Eu Quero Mocotó" de Erlon Chaves e "Fumacê" de Golden Boys. Para não dizer o manjado "País Tropical", de Jorge Ben (hoje Jorge Ben Jor), mesmo na versal de Simonal.

Envergonhados por que hoje não dá para ser um "coroa" como aqueles que eles viam nos seriados de TV dos anos 70 e nos anúncios publicitários das revistas da mesma década, eles raramente aparecem agora nas colunas sociais que até cinco anos atrás os acolhia de braços abertos.

Mas hoje colunismo social não é mais o empresário tal ou o médico tal com sua "senhora" numa noite de black tie e red carpet (haja expressões em inglês no jargão da hi-so), mas desfiles de moda cada vez mais pop, atores de TV pegando onda na praia, galãs de bermudão e tênis e até mesmo a alegre vida dos já há muito enriquecidos ídolos do brega-popularesco, usufruindo do luxo com que tanto sonharam.

Em todo caso, os sisudos born in the 50s ainda servem de referência para os poucos sisudos nascidos na década posterior, quarentões que, em certos casos, viram cinquentões de primeira viagem. Não tão antiquados do que seus "titios" da década anterior, os profissionais liberais, executivos e empresários nascidos nos anos 60 ainda carregam muito de sua falta de ânimo com a vida e seu apego à mística profissional, que os faz ficarem formais até em situações informais.

E essa turma inclui homens da minha idade, já que o moleque que faz este blogue também é um homem de quarenta anos. Mas são homens que passam a ficar meio fora de forma, e a sentir dificuldade de, no lazer, a fazer coisas que, no começo dos 20, eles eram capazes de fazer até por impulso.

Ver que, por exemplo, eles dependem da presença de um adolescente ou criança para certas atividades de lazer é bastante vergonhoso. E a falta de intimidade com o simples ato de se divertir - não se fala da diversão alienante, mas da natural necessidade humana de lazer - , que os leva à preguiça e à acomodação até na apreciação de bens culturais, torna-se algo constrangedor para mim.

Qual será a "minha turma"? A que fica parada bebendo uísque e conversando papos pedantes sobre política e cultura: A das gatas maravilhosas de 39 a 43 anos que não querem ser joviais, não gostam de carinho e que, quando dizem a mim "precisamos nos ver, sim, é claro", querem na verdade dizer "você é insuportável e não quero contato com você".

Dessa forma as pessoas continuam se envelhecendo da pior forma. Para quem tem uns 40 e 50 anos, ficar grisalho e perder o vigor juvenil é o maior barato, e brinca-se de ser velho através de uma sisudez vaidosa e autocontemplativa. Mas chega a velhice e esse "brincar de ser velho", a última reserva de criancice de gerações quase nada joviais, transforma-se num drama que inclui solidão, melancolia e até perda de memória.

Daqui a pouco os sisudões born in the 50s não se lembrarão mais de referenciais pouco manjados dos anos 40...

segunda-feira, 18 de junho de 2012

OS 70 ANOS DE PAUL MCCARTNEY E DE BRIAN WILSON


Hoje é o aniversário de 70 anos de Paul McCartney. Daqui a dois dias, será a vez de Brian Wilson chegar às sete décadas de vida.

O que os dois baixistas, um nascido na cidade inglesa de Liverpool, outro em Hawthorne, Califórnia, nos EUA, têm em comum, além do fato de serem músicos de rock famosos na primeira metade dos anos 60, é uma relação de "permuta" que não só estabeleceu as relações entre os Beatles e os Beach Boys como contribuiu para a renovação do cenário e da linguagem do rock no século XX.

Dois dias separam os nascimentos dos dois músicos. As duas bandas têm três primeiras letras em comum. Eram grupos com vocalistas surgidos no seio de um cenário predominantemente instrumental, quando os Shadows eram a principal banda britânica e os Ventures a principal estadunidense. Surgiram logo no começo dos anos 60, os Beatles em 1960 e os Beach Boys em 1961.

Mas a ligação dos dois se deu quando Brian Wilson, ciente da visita dos Beatles aos EUA, em 1964, começou a ficar por dentro do que os ingleses faziam. Até aí, nada demais, mas em 1965 os Beatles lançaram o álbum Rubber Soul, cujo repertório musical deixou o baixista dos Beach Boys impressionado.

O disco, o sexto dos "quatro fabulosos", inclui canções como "Drive My Car", "Norwegian Wood", "In My Life", "Girl", "Michelle", "Nowhere Man" e "If You Needed Someone" e foi o primeiro disco em que os Beatles se preocuparam mais com as letras e com a sofisticação melódica, e foi nessa época que os quatro começaram a rever suas posturas em relação a suas carreiras, que depois resultaria até mesmo no encerramento das apresentações ao vivo, incomodados que estavam com as gritarias das fãs.

A imprensa até forjou uma "rivalidade" além-mar entre os Beatles e os Beach Boys, a exemplo do que a mídia britânica fazia com o grupo de Liverpool e os Rolling Stones. Mas se a "inimizade" dos dois principais grupos da British Invasion não passava de mito, já que seus integrantes no fundo eram amigos - ao ponto de, recentemente, Paul McCartney e Keith Richards terem se encontrado para uma conversa de grandes amigos - , também era factoide a "rivalidade" dos californianos e dos britânicos.

Sensacionalismos à parte, a obsessão de Brian Wilson em buscar a canção perfeita o fez largar temporariamente os Beach Boys, que escalou Bruce Johnstone, cantor e pianista que hoje está na atual formação da banda, para substitui-lo nas turnês. Brian se isolou em sua casa para compor as músicas que depois fariam parte do álbum Pet Sounds (que, além da formação original, teve também Johnstone participando do coro).

Com a repercussão de Pet Sounds, que mostra os Beach Boys não mais ao lado de carrões e pranchas, mas ao lado de animais de zoológico - não necessariamente domésticos, como sugere o termo em inglês pet, mas vale a tirada irônica - , em trajes de outono e com o atlético Mike Love barbudo, foi a vez dos Beatles se sentirem impressionados com o disco do grupo californiano.

E qual o Beatle que mais se impressionou com o disco? Justamente Paul. E, apresentando o disco aos colegas e ao produtor George Martin, os ingleses, que já haviam largado os palcos para se concentrar nas pesquisas de estúdio, resolveram elaborar as canções, os arranjos e até mesmo os efeitos de estúdio para um novo álbum, incluindo sons que só podem ser ouvidos por cães.

O disco tornou-se conhecido como Sergeant Pepper's Lonely Hearts Club Band, um álbum que já tem sua história própria e está inserido no contexto dos grandes discos lançados em 1966 e 1967 que marcaram um período ímpar na história do rock mundial. E representou o reconhecimento dos Beatles pela história do rock, assim como Pet Sounds foi para os Beach Boys.

Paul e Brian até chegaram, recentemente, a gravar juntos, e ao longo dos anos seguiram suas carreiras aperfeiçoando as melodias no rock. Hoje Paul McCartney segue em carreira solo, com sua banda de apoio. Brian, por sua vez, reativou os Beach Boys, fazendo as pazes com Mike Love e chamando os outrora suplentes Bruce Johnstone e David Marks para ocupar os postos dos falecidos irmãos de Brian, Dennis e Carl.

Os mestres do rock, idosos, não perdem o espírito juvenil, e hoje mostram suas lições de musicalidade para as gerações mais novas, que hoje sofrem com a hegemonia de ídolos pop medíocres mais preocupados em se promover com escândalos do que fazer boa música. Mas esses ídolos pop, apesar de sua insistência à superexposição, não serão lembrados na posteridade.

Já nomes como Beatles e Beach Boys serão sempre lembrados, pela sua missão de fazer música de excelente qualidade, com uma experiência de mais de 50 anos de muita batalha e muitas canções. Sobretudo através da criatividade de Paul e Brian.

Portanto, desejamos parabéns e longa vida a esses dois grandes músicos do rock.

sábado, 16 de junho de 2012

AS INVENCIONICES DE PAULO CÉSAR ARAÚJO


Há um ditado popular que diz: "Quem conta um conto, aumenta um ponto". Quanto à chamada intelectualidade etnocêntrica que domina os círculos de palestras, os meios acadêmicos e as páginas escritas em nosso país, eles obtiveram muitos pontos através das invencionices e teses confusas sobre a cultura popular brasileira.

A canatrice e o charlatanismo historiográfico de Paulo César Araújo - que serve de "guia" para as abordagens "etnocêntricas" de Hermano Vianna e para as pregações "militantes" de Pedro Alexandre Sanches, entre outros - criou verdadeiras lorotas históricas que muita gente engoliu sem verificar, seduzida pelo discurso de "coitadinho" de PC Araújo.

Muito antes dele ser desmascarado por Roberto Carlos, Paulo César Araújo era o "deus supremo" da intelectualidade que trabalhava pela defesa desesperada da música brega. Roberto Carlos pode ser conservador e andou bregalizado nas últimas décadas, além da criatividade ter se esvaziado dos anos 80 para cá. Mas o ídolo capixaba foi coerente quando barrou a escalada sensacionalista do tendencioso historiador, que é muito menos brilhante e bem menos talentoso que a fama tanto alardeia.

Só que a intelectualidade etnocêntrica teve que dar um jeitinho para driblar as circunstâncias. Se antes seus "pensadores" e sua turma de simpatizantes endeusavam Roberto Carlos por ser o símbolo da "moderna cultura de massa" que deslumbrava os pós-tropicalistas, eles tiveram que, de uma forma tímida, "hostilizar" o cantor para defender Paulo César Araújo, que se aproveitou disso para fazer sua choradeira de sempre.

Mas Paulo César havia se projetado através de uma grande lorota. A de que os ídolos cafonas, como Waldick Soriano, Dom e Ravel, Benito di Paula e Odair José, eram "cantores de protesto". Meio "sem querer, querendo", PC Araújo "admitiu" no seu prefácio que os ídolos cafonas eram "despolitizados", mas ao longo do livro insistia na tese de que a música "Eu Não Sou Cachorro, Não", sucesso de Waldick que dá o nome do livro de PC, era uma "canção de protesto".

Araújo teimava em afirmar que os ídolos cafonas eram rebeldes que incomodavam os generais. Se baseou num maniqueísmo tolo em que, de um lado, havia uma oficialidade coesa que comandava o regime ditatorial, e, de outro, de uma sociedade que sempre se opôs incondicionalmente à ditadura militar.

Sabemos que isso não ocorreu de verdade e que mesmo entre os generais da ditadura militar havia muitas divergências. E, no caso da sociedade civil, sabemos que havia um emaranhado de tendências ideológicas bastante divergentes.

Isso se refletia até mesmo na Censura Federal, em que muita coisa foi censurada por frescuras moralistas que nada tinham de direitismo político, mas apenas de complexos pessoais de quem censurou tal obra. É até irônico que o livro Cães de Guarda, de Beatriz Kushnir (Editora Boitempo, 2001), tenha surgido na mesma época que o livro de Araújo, para explicar que a Censura Federal não era bem assim tão "coesa".

Na Censura Federal, havia desde censores que apenas tinham a consciência de cumprirem ordens, e outros que queriam mesmo reprimir e censurar. Eram servidores públicos, e uns eram mais generosos, outros mais inflexíveis.

Além disso, criou-se um mito de que pornografia, palavrões e alusões a sexo e outros "desvios morais" eram vistos como "subversivos". Pior: essa visão foi difundida por PC Araújo até hoje, quando sabemos que muita gente ultrarreacionária também usa drogas, fala palavrão, comete estupros, faz pornografias, e continua fiel ao seu moralismo direitista que continua "medieval" em sua essência.

O próprio Odair José reclamou da imagem de "rebelde" trabalhada por PC Araújo. E o lobby de Araújo e da atriz Patrícia Pillar (esta, uma estrela da Rede Globo) fez retirar os vídeos de uma entrevista de Waldick Soriano no programa TV Mulher em que o cantor brega elogiava a ditadura militar e atacava o feminismo.

Afinal, a "revisão histórica" do brega encontraria um sério incômodo nesses vídeos. Sobretudo quando se trabalhava numa imagem de Waldick Soriano ao mesmo tempo "coitadinha" e "combatente". Desmascarar o direitismo de Waldick seria condenar o plano dessa "revisão" ao fracasso.

É até estranho que parte dos intelectuais que defendem tanto essa "revisão histórica" do brega se alinhem tendenciosamente à esquerda ideológica. Acabam cometendo sérias contradições de posturas, sobretudo quando se trata de regulação da mídia e busca da verdade histórica dos anos de chumbo. Acabam adotando uma postura esquizofrênica, que diz: "Verdade histórica até para minha sogra, eu aceito totalmente. Mas, para Waldick Soriano, nunca!!! Regulação da mídia, até para meu vizinho, dou todo o meu apoio. Mas para a Valesca Popozuda, eu digo não!!".

Mas aí, a essas alturas PC Araújo tomou o gosto pelo sucesso e "orientou" o estudante Gustavo Alonso para escrever um livro sobre Wilson Simonal bem diferente do ótimo livro que o jornalista Ricardo Alexandre escreveu.

É sempre válido um livro que busque reabilitar a imagem arranhada do grande Wilson Simonal, mas o caráter tendencioso do livro acabou vazando, tanto pelo maniqueísmo irreal que se fazia entre Wilson Simonal e Chico Buarque (promovido a uma espécie de "vilão" no livro), quanto pela tese fraudulenta de que a rebeldia de Chico Buarque teria sido inventada pela RCA Italiana (!).

A tese, trabalhada por Alonso, foi sugestão de Paulo César Araújo, que deixou subentendido sentir um ódio sombrio à MPB esquerdista dos anos 60. É até estranho como parte da intelectualidade de esquerda quis endeusar PC Araújo, quando ele claramente veio com essa verdadeira "urubologia" digna de um articulista de Veja.

Mas até Pedro Alexandre Sanches, o discípulo assumido de Paulo César Araújo, já mostrou claramente suas influências de Francis Fukuyama e Fernando Henrique Cardoso. E também compartilha, com Araújo, sua missão de confundir em vez de esclarecer. Afinal, para um país como o Brasil, ainda bastante problemático, é o obscurantismo que lota plateias e atrai prestígio com muita facilidade.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A "MISTURA" HOMOGÊNEA DO "FUNK CARIOCA" E DO BREGANEJO


Pode parecer uma grande novidade, mas não é. Primeiro, porque o brega-popularesco é velho, é impossível haver qualquer novidade no seu âmbito. Segundo, porque juntar um ritmo e outro desse engodo de mesmice musical dá no mesmo, dá em mais mesmice.

Pois agora, com o risco de Michel Teló se desgastar, depois de Luan Santana já soar velho e Gusttavo Lima também dar sinais de perecimento, é hora de jogar no mercado mais uma dupla desse "sertanojo universotário", João Lucas & Marcelo.

Surgidos do nada, a dupla lançou seu primeiro sucesso com um título que quer dizer coisa nenhuma: "Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha".

É claro que um Pedro Alexandre Sanches da vida vai achar que o "Tchu Tcha" recicla os conceitos de música rural brasileira. Ele que vê "ativismo social" até em bêbado se equilibrando pelas calçadas, deve achar que João Lucas & Marcelo hiperconectam as telhas de galinheiro das roças brasileiras à tecnologia de ponta da Internet banda larga.

Balelas. O que se vê é mais do mesmo no já velho breganejo. A "novidade" da costura rítmica entre o breganejo e o "funk carioca" é apenas pela posição mercadológica dos dois ritmos, o primeiro "mais família" e o segundo "mais polêmico". O "tchu, tcha" é cantado numa onomatopeia que os MCs funqueiros já fazem. Mas, em se tratando de brega-popularesco, Mr. Catra é no fundo tão conservador quanto Chitãozinho & Xororó.

Há quem veja, no entanto, o brega-popularesco como "ultramoderno", como se fosse o filho bastardo do Tropicalismo. Não é. É verdade que o Tropicalismo se converteu na chamada "máfia do dendê", mas não há como compará-lo artisticamente ao brega-popularesco. Caetano Veloso e Gilberto Gil podem lá ter seus equívocos, mas reconhecidamente eles possuem muita informação musical. Eles apenas erram por misturar alhos com bugalhos e se acharem o máximo com isso.

Já o brega-popularesco não. Se seus ídolos são mais informados, não é por isso que eles se tornaram mais sábios. Eles apenas usam mais computador e veem mais TV a cada dia, e aí podem "saber qualquer coisa". Só que esse saber é muito vago, confuso e superficial. O que significa que não é por estar mais informado (e mesmo assim, com muitos limites) que eles se tornarão menos medíocres.

A julgar pelo sucesso de João Lucas & Marcelo - no fundo mais um da linha enjoada de Rick e Renner, Bruno & Marrone e César Menotti & Fabiano - , o brega-popularesco afunda cada vez mais no lodo da mediocridade. O que também não faz dos bregas do passado os grandes gênios, mas apenas pessoas com um olho a mais numa terra de cegos. E, por isso, ainda bastante medíocres.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O POVO POBRE FAZIA MÚSICA BRASILEIRA DE QUALIDADE


Existe um consenso em que o maior paradigma da MPB de qualidade é o cantor e compositor Chico Buarque de Hollanda.

Certamente ele não é o único e nem a MPB de qualidade é necessariamente associada às classes mais intelectualizadas ou de maior poder aquisitivo.

Em outros tempos, qualquer favelado poderia fazer um samba de qualidade. A situação de outrora e a dos dias de hoje mostra um contraste preocupante da situação das classes populares em relação ao tema música popular.

Antigamente, os favelados tinham tanto conhecimento de samba que sua veia criativa explodia em obras de grande força artística, tanto que eram as elites que corriam atrás dos compositores das favelas para tomar suas músicas, não raro "roubando" as autorias.

E hoje? Sem tirar o mérito das elites universitárias - quando universidade era sinônimo de inteligência e sofisticação cultural - que, nos anos 60 e 70 passou a se influenciar pelos ritmos populares, e nas quais se inserem artistas como Chico Buarque, Djavan, Flávio Venturini, Alceu Valença, Joyce e outros, o povo pobre também podia fazer cultura de excelente qualidade.

Aliás, "podia" nem deveria ser a expressão. Afinal, foi através das classes populares que o Brasil desenhou sua identidade cultural, suas caraterísticas próprias a partir da fusão de elementos indígenas, africanos e europeus. Outras elites colaboraram para desenvolver a nossa identidade, mas foram as classes pobres que deram contribuição decisiva neste processo.

Hoje em dia, é o contrário. Se existem artistas de verdade, eles existem, mas eles encontram as portas do mercado fechadas. Enquanto isso, outros cantores e músicos, mais canastrões, acabam passando a dianteira, vendendo a falsa imagem de "pagodeiros pop" ou mesmo de pretensos "sambistas modernos".

Estes "sambistas" estão muito mais próximos dos seresteiros de segunda categoria que "roubavam" composições dos artistas dos morros do que destes. E, se os sambistas de outrora eram bastante autorais, os ídolos do "pagode romântico" precisam de repertório alheio para passar uma imagem aparente de "artistas sérios".

O caso de um Alexandre Pires é um exemplo. Num país que teve grandes artistas negros de alguma forma envolvidos com a modernização do samba como Agostinho dos Santos (que cantou Bossa Nova), Jorge Veiga (que juntava samba de breque e sambalanço), Noite Ilustrada, Roberto Silva, para não dizer o célebre Wilson Simonal, o ex-integrante do Só Pra Contrariar é um exemplo da bregalização que afasta o povo de sua própria cultura, "substituída" pelo poder radiofônico e televisivo das oligarquias.

Mais próximo de Odair José e José Augusto do que de Wilson Simonal, Alexandre Pires era um dos ídolos do "pagode romântico" ou sambrega, junto a Belo, Luís Carlos (Raça Negra), Netinho de Paula, Waguinho, Péricles (Exaltasamba) e Leandro Lehart, entre outros.

Era mais um engodo que colocava, em compassos estereotipadamente de samba, o cancioneiro brega de Waldick Soriano, Odair José e Michael Sullivan e Paulo Massadas, seguindo o caminho trilhado pelo "sambão-joia" e relançado pelo cantor Elson do Forrogode, cantor do sucesso "Talismã", de Sullivan & Massadas, regravado também pela dupla breganeja Leandro & Leonardo.

Adotados pela Rede Globo, Folha de São Paulo e revista Caras, os ídolos do "pagode romântico", a exemplo de outros neo-bregas dos anos 90, passaram a ganhar um banho de loja, de tecnologia e de profissionalismo. O que não os fez mais artistas nem mais espontâneos.

Pelo contrário, acabaram sendo amestrados pelo mercado, representando o filão da "MPB burguesa" que os "aristocráticos" artistas da MPB, que fizeram um êxodo das grandes gravadoras, e tornaram-se ainda mais submissos às regras do mercado.

Aí há o caso de Alexandre Pires com seus paletós, sua coreografia latinizada, o disco ao vivo do SPC que imitava a estética do Acústico MTV, o eventual apadrinhamento de cubanos anti-castristas, a apresentação para George W. Bush, muitos covers oportunistas de sucessos da MPB, e tudo o mais que o faz um ídolo conservador, não menos brega do que quando ele fazia parte do SPC no começo dos anos 90.

Tentando soar "sofisticado" num tributo a Lupicínio Rodrigues produzido pela Rede Globo, às custas de outros músicos e arranjadores no especial Som Brasil, Alexandre Pires deixou a máscara cair quando se envolveu numa música de cunho machista que, mesmo por acidente, acabou sugerindo alusões ao racismo, conforme ação movida pelo Ministério Público. E que trazia de volta aquele mesmo cantor brega da "barata da vizinha".

Belo, Netinho de Paula e Leandro Lehart também tiveram seus outros exemplos. Os do Exaltasamba, como os já ex-membros Péricles e Thiaguinho, também. Afinal, todos embarcam no tendenciosismo de mercado, só considerados "verdadeira MPB" para quem acredita que MPB é só uma questão de lotar plateias e estar em evidência na mídia. Mesmo aparecendo em Caras.

Mas hoje, infelizmente, o que se entende por "cultura popular" é controlado pelo poder das oligarquias do rádio, da TV e do mercado do entretenimento. E que estabelecem até mesmo regras de "evolução artística" que, em vez de promover o verdadeiro reconhecimento da cultura popular, transforma ídolos bregas em artistas amestrados, que nem sempre acertam quando seguem as manobras do "deus mercado".

Daí a urgência de muitos de evocar Chico Buarque como um paradigma da boa música, que um dia, talvez, possa finalmente ser apreciada pelas classes pobres, que poderão conhecer o verdadeiro patrimônio musical de seus antepassados...

domingo, 10 de junho de 2012

A DESNACIONALIZAÇÃO DA MPB


A MPB, massacrada por uma sutil campanha intelectual para dar lugar a um hit-parade à brasileira, pode dar lugar a uma desnacionalização da música brasileira, que deixaria de ser cultural para se tornar apenas um "pop brasileiro" para competir com o hit-parade dos EUA e Reino Unido.

É só notar como está a música brasileira de hoje, sem um grande nome com força artística para defender as culturas locais. Depois do Clube da Esquina, e isso foi há 40 anos, a MPB não viu um grande movimento ocorrer, com a única exceção do Mangue Bit recifense. E, mesmo assim, seu maior mentor, Chico Science, faleceu no auge da carreira, em 1997.

O que existe hoje é uma dicotomia entre uma MPB mais eclética e intelectualizada e um brega-popularesco cuja produção "artística" não vai além de rascunhos malfeitos de cultura brasileira. Os primeiros, embora cultos e bem informados, são obedientes ao mercado. Os segundos, então, são mais ainda, vão ao sabor dos ventos mercadológicos.

Mas o que preocupa é que mesmo a MPB autêntica pós-1993 está mais de olho nos intelectuais de Nova York do que das riquezas do próprio Brasil. Como se não bastasse, hoje os antigos ritmos populares tão sabiamente produzidos pelas classes pobres, agora são um privilégio das classes abastadas de formação universitária.

O problema não está nos fatos da cultura popular ser apreciada pelas classes abastadas ou haver receptividade de influências estrangeiras na nossa cultura. No primeiro aspecto, vemos que um Chico Buarque de Hollanda assimilou ritmos populares de forma brilhante, ele não iria substituir os sambas nos morros, mas tem o direito de renovar o samba com sua visão pessoal e criativa.

No segundo aspecto, a influência estrangeira, se usada de forma espontânea mas crítica, sem a subserviência deslumbrada do que vem de fora, pode enriquecer e tornar mais atual e dinâmica uma expressão cultural, embora isso não substitua as tradições culturais locais, antes promovesse um diálogo aberto entre o local e o estrangeiro e o novo e o antigo.

Mas o que se vê, hoje, é a radicalização da receptividade estrangeira, tanto na MPB autêntica, quanto no brega-popularesco. A MPB das gerações atuais está, aos poucos, substituindo a vocação de defender a cultura brasileira por um arremedo a cada ano mais superficial de "MPB eclética", mais próximo de um pop adulto à brasileira. É a MPB "feijão com arroz" que carece de espontaneidade e brilho, virando mais uma linha de montagem sobre "como fazer MPB".

No brega-popularesco, então, a coisa é mais gritante. Enquanto sambas, forrós, modinhas de viola e afoxés aparecem diluídos em forma caricatural e superficial, eles são ofuscados pelas influências estrangeiras que aparecem não como complemento, mas como colonização cultural das mais gritantes.

O exemplo mais ilustrativo disso é o tal forró-brega, que detrói qualquer sentido de regionalidade cultural, ainda que supostamente tenha surgido em nome desta. De ritmos regionais, nada existe, tudo não passa de uma colcha de retalhos que envolve disco music, country music, ritmos caribenhos e pop dançante em geral. Até a sanfona não é mais a nordestina, mas a gaúcha.

DESCULPAS ESFARRAPADAS

A intelectualidade etnocêntrica - Paulo César Araújo, Pedro Alexandre Sanches, Hermano Vianna, Ronaldo Lemos e companhia - tenta investir em desculpas esfarrapadas para justificar a desnacionalização da música brasileira.

Apostando na retórica excessivamente relativista, esses verdadeiros "urubólogos" da cultura brasileira tentam minimizar os efeitos tentando dizer que não existe uma desnacionalização, mas uma "reavaliação dos conceitos de culturas nacionais".

Eles tomam como fonte de argumentos as mesmas perspectivas globalizantes do discurso neoliberal. Mas, como querendo tirar o corpo fora de qualquer argumento contrário, eles tentam desmentir que defendam um hit-parade brasileiro em detrimento da preservação da "velha" cultura popular.

Tentam dizer que o "deus mercado" está morto, mas na prática defendem a sua sobrevida mais enérgica. Usam como pretexto a crise da indústria fonográfica, tentando nos fazer crer que pequenos selos fonográficos com mentalidade tacanha e mercenária são "gravadoras independentes", quando elas são as que mais dependem da lógica que movimenta a grande indústria fonográfica.

É como se nos tratassem feito tolos, como se essas gravadoras "indie" (sic) nunca fossem crescer e virar "majoritárias" como uma Warner ou Universal Music. Elas não crescem por falta de dinheiro, mas se crescerem viram "grande indústria" da mesma forma, pela mesma mentalidade mesquinha que une uma Warner e um selo pequeno de Belém.

Mas para um Pedro Alexandre Sanches que acha que uma Som Livre é tão "indie" quanto a Baratos Afins, quanto mais uma Som Zoom Discos do Nordeste, questionamentos como o nosso viram pó. Essa intelectualidade bate o pé e tenta afirmar que os mercenários e nada idealistas selinhos fonográficos do Norte e Nordeste são "independentes" apenas por não terem escritórios na Avenida Paulista e muito menos em Los Angeles.

Só que os fatos mostram para onde o discurso "anti-mercado" da intelectualidade festiva vai. No final, acabam afirmando aquilo que dizem negar. Defendem o mercado da forma mais neurótica, tanto quanto um figurão do PSDB ou da revista Veja, nos veículos da mesma velha grande mídia que diziam combater, de forma mentirosa, em suas palestras bastante aplaudidas.

No final da festa, eles irão para a Rede Globo e Folha de São Paulo louvar o "deus mercado". E provarão que sua visão de "flexibilização da cultura brasileira" não é mais do que uma mera forma de adaptar a cultura brasileira, sobretudo à música, às regras competitivas da economia neoliberal. E o povo que, obedientemente, vá seguir as regras do mercado ditadas pela mídia "popular" controlada pelas oligarquias.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

BLOGUES SOFREM CONGELAMENTO DE CONTEÚDO


Um sério problema atinge parte dos blogues hospedados por este servidor, o Blogger, vinculado ao Google.

Vários desses blogues estão com o conteúdo congelado, em dois, três ou mais dias, mesmo estando em plena atividade e constante atualização de conteúdo.

A página de topo e o arquivo de postagens publicadas, colocado geralmente na coluna ao lado da coluna principal (de postagens), se congelam como se cada blogue tivesse parado no texto publicado há um ou mais dias antes.

Blogues como Mingau de Aço, Planeta Laranja, Portal do Busólogo, Revista Que Amamos e outros que são atualizados com frequência, até mesmo com mais de uma postagem por dia, sofrem este problema. Aliás, o Planeta Laranja está até pior, pois o que aparece é tão somente uma página em branco com a mensagem "Service Unavailable - Error 503".

Somente blogues com um ritmo mais moderado de atualizações são poupados dessa "pane". Daí, por exemplo, o texto ser publicado aqui neste blogue, do mesmo servidor.

É certo que o Google andou reformulando vários de seus serviços e recursos técnicos, mas permitir que blogues com intenso ritmo de atualizações sofrem esses transtornos mostra o quanto seus técnicos precisam rever as transformações feitas.

A Microsoft também enfrentou sérios problemas quando fez o Windows Vista, considerado muito lento e pesado em relação aos anteriores Windows 98, Windows 2000 e Windows XP. E seus técnicos tiveram que reavaliar o programa, estudar a resolução dos problemas e reformular até mesmo as mudanças já feitas, implantadas no atual Windows 7.

Esta é uma oportunidade do pessoal do Google fazer o mesmo. Daí este alerta sobre as dificuldades e problemas de suas mudanças técnicas. A edição de textos no Blogger ficou mais lenta e complicada, e até a publicação de fotos carregadas é problemática. Chega-se a levar vinte minutos para colocar numa postagem as fotos carregadas e disponíveis no Picasa.

Espera-se que os problemas sejam resolvidos o mais rápido possível, porque, além dos blogues correrem o risco de perderem credibilidade e afastar muitos futuros seguidores, o próprio Blogger já perde sua credibilidade, na medida em que vários usuários já estão migrando para os concorrentes Wordpress e Tumbir.

É hora da turma do Google se mexer.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

DANICA MCKELLAR ESTÁ SOLTEIRA!!!!!


A mais deliciosa especialista em Matemática do mundo, a ultra fascinante e sexy Danica McKellar, está solteira.

Ela terminou o casamento de três anos com o compositor Mike Verta, alegando diferenças irreconciliáveis entre o casal.

Danica, conhecida no Brasil pelo papel da doce Winnie Cooper no seriado Anos Incríveis (The Wonder Years), já deu entrada nos papéis de divórcio.

A atriz tem 37 anos, o que surpreende por causa de sua aparência de ninfeta que a atriz mantém até hoje, como mostra uma foto mais recente, que ilustra esta postagem.

Enfim uma mulher fascinante de volta ao "mercado". E que mulher!!!!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

CAMPANHA TROQUE UM CD DE BREGA POR DOIS DE MPB


Não se apegue ao comercialismo descartável de bregas e neo-bregas que só fazem lotar plateias, mas cuja contribuição para a verdadeira cultura brasileira é nula.

Com a Internet e um maior acesso à informação, a música brasileira de verdade está mais acessível ao público que usa o computador, não fazendo mais sentido se apegar à mesmice brega-popularesca que tomou conta do gosto "popular" dos anos 90.

Muitos tentam, até hoje, vender gato por lebre, achando que esse brega-popularesco é a "nova MPB", mas nós sabemos que isso não passa de papo furado.

Afinal, se esses bregas e neo-bregas tem alguma relação à MPB, é somente no que esta viveu de pior, naquela fase mercantil dos anos 80.

Mas de que adianta? Os bregas dos anos 90 apenas passaram a imitar aquela mesma "MPB enjoada" dos discos menos inspirados mas gravados (desnecessariamente) em Los Angeles. Uma "MPB" cheia de pompa e de pose.

Portanto, vamos amadurecer e deixar de lado essa breguice toda, também encharcada de pompa, de luxo, de tecnologia, de marketing, de factóides, fofocas, sensacionalismo, mas desprovidas de qualquer valor cultural.

Não dá para relativizar. Tem intelectual metido a bacana que puxa o saco até de pensadores mortos, como Oswald de Andrade, para defender todo o lixo cultural do brega-popularesco, pondo na conta do escritor modernista ideias que ele nunca iria defender, se vivesse hoje.

A música brasileira de verdade é cheia de coisas de muito valor. É melhor garimpar. E uma boa chance para trocar o brega-popularesco pela MPB de verdade - tanto os artistas sofisticados dos anos 60 para cá como a verdadeira música popular que no passado gerou nomes como Luiz Gonzaga, Cartola, Jackson do Pandeiro e Pena Branca & Xavantinho - é colocar os discos dos artistas do brega-popularesco para as lojas de sebos.

É melhor aproveitar, enquanto o brega-popularesco está em alta na revista Caras e os lojistas de sebos ainda se dispõem em pagar até R$ 50 por um lote de CDs de brega-popularesco. Com o dinheiro obtido, fica mais fácil, por exemplo, se livrar de CDs completamente inúteis como os de César Menotti & Fabiano e Bruno & Marrone, ou mesmo Chitãozinho & Xororó, Zezé di Camargo & Luciano, Daniel e Leonardo por uns bons CDs do Clube da Esquina.

É bom lembrar que os artistas do Clube da Esquina são capazes de dizer, numa só música, o que os ditos "sertanejos" não conseguem dizer sequer num CD inteiro. E que o repertório de Sílvia Telles - genial cantora, ícone da Bossa Nova, precocemente falecida aos 32 anos, em 1966 - tem muito mais vida do que os de Ivete Sangalo, Cláudia Leitte e, agora, Gaby Amarantos.

Portanto, chega de pretensiosismo, chega de arrumar desculpas "nobres" para justificar o gostinho musical popularesco ditado pelas rádios FM mais picaretas ou pela TV aberta mais irresponsável.

É melhor ter autocrítica, ouvir a consciência e o coração. Ser marionete de rádio e achar que isso é vontade própria não dá mais. Nos anos 90, havia a desculpa de não haver opções musicais de qualidade, apesar da MPB aparecer em algumas rádios.

Mas hoje, com acesso para coisas mais importantes, é melhor que se livre dos discos de brega-popularesco e trocá-los pelos de MPB autêntica. O coração agradece. O cérebro também.

O último que se apegar ao brega será mulher do Padre Marcelo Rossi.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

DREW BARRYMORE SE CASOU


Independentemente de que tipo de homem for, existe sempre um para uma mulher que não é vulgar.

Hoje os homens correm atrás de mulheres que contam com uma personalidade que, pelo menos, seja minimamente admirável, que dê para conversar e trocar ideias.

No exterior, há uma tendência de mulheres com uma personalidade mais diferenciada se comprometerem com mais facilidade. Em contrapartida, há, por exemplo, as dondocas de reality shows de "donas de casas" (os tais "Real Housewives") que se divorciam com maior facilidade.

Isso mostra o quanto as mulheres que adotam uma personalidade mais superficial, sejam pelo esnobismo fútil, pelo fanatismo místico, religioso ou esportivo e pelos referenciais culturais de gosto duvidoso levam sempre em desvantagem. E não adianta a garota se julgar "diferente" no Orkut ou Facebook e depois dizer que adora Bruno & Marrone, Exaltasamba e similares, porque continua sempre em desvantagem e vai ter que procurar namorado entre os vaqueiros do interior do país.

Pois se, no exterior, vemos que famosas como Drew Barrymore e Reese Witherspoon, para não dizer Jessica Alba e Natalie Portman, são casadas, no Brasil a coisa piora de vez. Fala-se muito que as mulheres reclamam da "falta de homens" no Brasil, mas isso é maneira de dizer: o que elas reclamam não é da falta de homens em si, mas da falta de homens que as satisfaçam na beleza e na personalidade.

Isso porque homem é o que mais existe no Brasil varonil. Só o IBGE e a grande mídia desconhecem completamente, sobretudo através de métodos que apenas requentam as velhas estatísticas populacionais lançadas durante a ditadura militar, que lançaram o mito do "Brasil mulher"

A partir dessa estatística viciada, deixou-se de registrar censitariamente homens considerados "incômodos" dos dois extremos - sejam investidores em viagem de negócios, de um lado, e mendigos, desempregados e marginais, de outro - , enquanto minimiza a gravidade da violência machista que dizima mulheres diariamente, criando uma "maioria populacional feminina" que não existe.

Junta-se a onda de crimes passionais, latrocínios, homicídios, sequestros, chacinas, acidentes de trânsito, balas perdidas, doenças graves e erros médicos que praticamente ceifaram muitas mulheres a partir dos anos 70, e isso tudo contradiz o mito do "Brasil mulher" que alimenta reportagens "engraçadinhas" de televisão, que livra a culpa de machistas e marginais pelos cadáveres femininos ocultados não só por eles, mas pela mitologia alegre que ainda vigora no país.

Mas o mais grave não são, por exemplo, as mulheres legais nascidas entre 1944 e 1976 que formaram o "grosso" das mulheres mortas pelos próprios "companheiros" nas últimas décadas, e que poderiam contribuir com sua inteligência e brilho nos dias de hoje, mas a péssima educação que receberam moças nascidas nos anos 80, no Brasil, que passaram a se constituir, na vida adulta, nas "marias-coitadas", BBBs, "mulheres-frutas" e paniquetes não só desprovidas de qualquer inteligência, mas envaidecidas pelos péssimos referenciais que possuem.

No exterior é evidente que há uma JWoWW da vida, que é a "paniquete" de lá, ou a "dona-de-casa" dos EUA que se divorcia de repente. Mas lá ainda há mulheres legais solteiras, com um pouquinho mais de frequência que no Brasil.

No nosso país, são raras as solteiras que não veem nos ídolos "sertanejos" e de "pagode romântico" a fonte de sua (infeliz) felicidade, que não veem a salvação nos times esportivos ou no fanatismo místico-religioso, que não usam a Internet para falar besteiras.

Por isso, embora se fale aqui do casamento de mulheres estrangeiras, como Drew Barrymore, fala-se também de mulheres como Ticiana Villas-Boas e Maria Helena Chira, fala-se de tantas outras legais que se casam no país, e que pelo menos poderiam servir de modelos de sucesso para muitas solteiras brasileiras que, ao menos, quisessem ser mais prevenidas.

Mas não é assim. A maioria das solteiras brasileiras se inspirou em Xuxa e Gretchen, em Carla Perez e na Ana Maria Braga dos piores momentos, tão manipuladas foram pela pior programação da TV aberta e do rádio FM dos anos 90. Agora essas solteiras sentem o peso da solidão e do fato de que os referenciais bregas de suas vidas só são "o máximo" para elas mesmas, mas isso acaba transformando elas mesmas em "chatas de galochas", fazendo com que o orgulho de hoje possa se converter numa vergonha de amanhã. Mas aí será tarde demais.

domingo, 3 de junho de 2012

FOTOLOG USA FUTEBOL PARA SATIRIZAR PADRONIZAÇÃO VISUAL DO TRANSPORTE COLETIVO


Para o torcedor de futebol comum, parece chocante ver, nesta foto, os jogadores Loco Abreu, do Botafogo, Thiago Neves, do Fluminense, Vagner Love, do Flamengo, e um grupo de jogadores do Vasco da Gama ostentarem o mesmo tipo de uniforme.

Mas essa é a tônica de um dos primeiros sítios que surgem, na Internet, para satirizar a padronização visual do transporte coletivo, em que interesses tecnocráticos se lançam contra o interesse público embora se diga oficialmente o contrário, usando o futebol como meio de crítica.

Este sítio é o Brasileirão Fotopages, disponível no endereço - http://brasileirao.fogopages.com - , que através de uma linguagem de paródia, faz-se uma crítica à padronização visual, apesar de usar um discurso aparentemente favorável.

Afinal, como toda sátira, para se falar contra algo é usado o recurso da ironia. Portanto, o que parece ser posicionado a favor é, na verdade, posicionado contra, e o futebol é usado como forma de mostrar o quanto a identidade visual é importante e o quanto a perda dela pode confundir o público e, não somente isso, camuflar a empresa ou instituição que se envolvem em determinada atividade.

A analogia ao futebol se inspira no fato de que os projetos de mobilidade urbana de várias prefeituras municipais visa capitalizar o turismo durante a Copa de 2014. Portanto, o que mostra que a ligação entre futebol e mobilidade urbana não é assim tão aleatória como fonte de inspiração para o humorístico Brasileirão Fotopages.

Depois de tantos textos sobre as desvantagens da padronização visual nos ônibus serem escritos mas não ganharem respaldo real da população, principalmente porque houve uma fase em que busólogos reacionários e a favor de tal padronização chegaram mesmo a partir para calúnias e ofensas pessoais, destruindo petições digitais e até lançando um blogue para republicação leviana de textos contestatórios, foi preciso usar o esporte mais popular do país para mostrar o sentido destas desvantagens.

Quem gostaria de ver um Fla X Flu com os dois times usando o mesmo uniforme? E como tolerar que isso é tido como mais vantajoso porque disciplina melhor o esporte? E os paliativos que vão da identificação eletrônica dos jogadores à concessão do "ingresso único" para os torcedores que trocarem os uniformes tradicionais dos times pelos uniformes padronizados?

A identificação por sensores irá diminuir a confusão entre os times, apenas porque aponta, através de placares instalados nos estádios, o jogador que está com a posse da bola e os jogadores imediatamente próximos dele? E o ingresso único, com distribuição gratuita de engradados de cerveja, irá fazer o torcedor aceitar que diferentes times de um mesmo Estado passem a ter exatamente o mesmo uniforme?

A linguagem satírica, portanto, parece ser completamente a favor da medida. Por isso, que ninguém se assuste com isso. Mas imaginemos que isso se torne verdade e um Alexandre Sansão resolva mesmo aplicar a padronização visual nos times cariocas e, depois, nos paulistas, paranaenses, mineiros etc? O humorismo, muitas vezes, é uma denúncia narrada de forma diferente, coisas sérias são ditas através de mensagens cômicas.

Apesar do risco de mal-entendidos por parte de quem não entende o espírito da sátira, Brasileirão Fotopages merece ser divulgado e visitado. E que venham todas as torcidas visitar e prestigiar o fotolog. Mas sempre mantendo a esportiva.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

NÃO EXISTE OITO MARIA HELENA CHIRA PARA CADA HOMEM


Na novela Cheias de Charme, da Rede Globo, uma personagem, Dalia, sequestrou o jovem Inácio (Ricardo Tozzi) pensando ser o sósia dele, o cantor Fabian (interpretado pelo mesmo ator).

Embora ruiva, dá para reconhecer que é a ultrafascinante atriz e loira lindíssima Maria Helena Chira, que, pelo jeito, tem um perfil de uma garota legal. Mas, como de praxe neste Brasil varonil (alô IBGE!!!!), ela é casada com um cineasta.

Claro, essa realidade não interessa, para quem vê os programas tipo "melhor da tarde" que mostra insossas solteironas como se fosse o melhor da mulher brasileira (de que - preparem o Plasil, Engov ou similares - a-do-ram "sertanejo universitário" e "pagode romântico") e já ouviu um tenebroso forró-brega em que a vocalista canta feito gralha "Tá faltando homem...Eu quero namorar!!!".

Essa vocalista de forró-brega, claro, também tem pretendentes, mas eles, coitados, ou são feios de doer ou são galãs-galinhas. Mas no mundo brega-popularesco, as solteiras juram que falta homem para elas, dizem que os homens têm medo delas mas elas é que têm medo deles. Sonham em se casar com véu e grinalda com um Victor Chaves (Victor & Léo) ou com um Thiaguinho, mas chegam sósias deles as pedindo em namoro, elas dizem não.

Mas, fora dessa órbita fora-de-órbita, vemos que moças legais, charmosas, sexy, fascinantes e tudo, tudo, tudo como Maria Helena Chira estão em falta em nosso país. E, quando existem, quase sempre são comprometidas, casadíssimas mesmo.

Só que o problema não é que Maria Helena Chira seja casada. O problema é que, neste Brasil varonil (presta atenção, IBGE!!!!), não há oito Maria Helena Chira para cada homem. É mais fácil constatar que há oito homens para cada Maria Helena Chira.

Oh dia, oh céus...