domingo, 20 de maio de 2012

SOLTEIRAS QUE CURTEM LIXO CULTURAL FICAM PRA TRÁS


A mulher solteira ainda gosta daquele breganejo que marcou sua infância ou adolescência, no começo dos anos 90?

Ou é o "pagode romântico" que, com muita pieguice, parecia inspirar sua emotividade e seus anseios amorosos?

Ou então é aquela axé-music que ela sempre acreditou ser fonte de toda a felicidade em sua vida?

Ou é o "funk carioca" que se tornou a única noção que ela teve de "movimento social" e que ela "descobriu" há sete anos atrás? Ou o forró-brega que as encalhadas imaginam ser a fonte da sensualidade perdida, supostamente indicando alguma forma bem-sucedida (sic) de sedução?

Ou então é aquela música brega que as quarentonas que hoje estão solteiras ouviam nos anos 70 através dos programas de auditório da TV aberta? Ou então são aquelas "músicas lindas" que nomes como Wando, Michael Sullivan e Fábio Jr., bregas mais "arrumadinhos", cantavam ou compunham nos anos 80?

Ou então é aquele poser metal que a encalhada desavisada pensa ser sinônimo de rock clássico? Ou então são cantores chorosos tipo Whitney Houston, Michael Bolton, Celine Dion e companhia, que aquela rádio FM marionete do "irrit-pareide" norte-americano lhe disse que era "música de qualidade"?

Pois se essas moças se apegam a esse gosto bastante duvidoso, estão em plena desvantagem. Numa época em que a transmissão de informação mostra coisas infinitamente superiores do que o lixo cultural acima citado, não há como se apegar às músicas mofadas que rolavam no rádio, sobretudo nos anos 90, e que somente alguns intelectualóides e midiotas de plantão dizem ser "grande coisa".

Isso não é julgamento de valor de qualquer moleque invocado que entra nas redes sociais reclamando de tudo e de todos. É uma constatação de cunho sociológico. Afinal, é só comparar o que acontece com as mulheres que contam com um gosto musical de qualidade e outras que possuem um gosto mais duvidoso e discutível que saberá quem leva mais vantagem, seja no mercado de trabalho, nas rodas de amigos e na vida amorosa.

Não adianta dar desculpas nem fazer pose. No Orkut teve caso de garota que se julgava "diferente" mas gostava de Bruno & Marrone. Ou de moças que se acham "alternativas" e "inteligentes" por coisa nenhuma e por um gosto musical de causar pavor a qualquer vitrola ou toca-CD.

Também não faz mais sentido usar aquela desculpa de que "não tem preconceitos" porque isso é coisa que as pessoas mais preconceituosas fazem, e muito. De que adianta "não ter preconceito" em relação a Waldick Soriano ou Mr. Catra se tem para Turíbio Santos?

Aliás, tem-se preconceito contra o brega, sim, quando se leva a sua natural mediocridade musical a sério, e a sério demais.

Portanto, uma boa oportunidade para as solteiras de plantão economizarem muitas lágrimas e evitarem a reputação de ridículas é jogar fora todos aqueles CDs de brega-popularesco que têm em casa. Isso significa jogar no sebo muita coisa que é tida como "bacana", tipo Alexandre Pires, Zezé di Camargo & Luciano, Chitãozinho & Xororó, Ivete Sangalo, Whitney Houston. E pode jogar no sebo sem medo. Até porque haverá até mesmo chance de obter uns trocados por causa disso.

Hoje o que cada vez mais traz vantagem é curtir coisas como a MPB de verdade - só para citar coisas óbvias: Milton Nascimento, Chico Buarque e Elis Regina - e, quanto mais longe do feijão-com-arroz, melhor. Como, por exemplo, curtir Sílvia Telles, Baden Powell, Dick Farney, Jackson do Pandeiro. Ou então, indo mais recentemente, curtir coisas mais "difíceis" do movimento mineiro Clube da Esquina.

Deve-se ouvir jazz, indo além da "música para namorar" de Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald e Louis Armstrong, nomes realmente excelentes, mas não os únicos. Porque também existe John Coltrane, Charles Mingus, Chet Baker (que, apesar de "difícil", tem muita canção "para namorar"), Dexter Gordon, Stan Kenton, Miles Davis, Benny Carter, entre outros. E, cuidado: se achar que Ray Conniff e Kenny G são jazz, cairá no ridículo.

No rock, em vez de cair na lorota de que poser metal é "rock clássico", lorota espalhada espertamente por alguns jornalistas "engraçadinhos" mundo afora, nada como ouvir o rock dos anos 60 e 70 como ponto de partida, levando em conta não necessariamente a catarse de sons mais pesados (embora vários grupos de rock pesado sejam fundamentais), mas a qualidade melódica.

Se não existem mais rádios especializadas - note-se que o rádio FM acabou sendo quase todo contaminado pela estupidez e pela incompetência a partir dos anos 90 - , o YouTube dá uma ajuda para procura de músicas mais substanciais, e que podem servir de guia para discos que podem ser comprados nas lojas especializadas e até em sebos.

Nos casos de sebos, pode até ser que quinze discos de música brega-popularesca possam ser quantitativamente menos compensadores do que um único disco de MPB autêntica pego em troca dos outros. Mas, em qualidade, vale o custo-benefício.

Portanto, as solteiras devem optar por duas coisas. Ou se vão sorrir para a vida ouvindo música de qualidade, ou se perderão na eterna choradeira do lixo musical de sempre.

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