quarta-feira, 30 de maio de 2012

BREGA E A SOFISTICAÇÃO DO JABACULÊ


A música brega e seus derivados - incluem até mesmo a pseudo-sofisticada axé-music e o pseudo-arrojado "funk carioca" - são marcados pela natural mediocridade artística, pelo baixo valor cultural e pelo fato de que, para suas canções serem audíveis, é necessário artifícios que vão da publicidade midiática a outros "estimulantes".

O crescimento do brega-popularesco, desse modo, nada tem a ver com espontaneidade nem com um suposto reconhecimento da cultura das classes populares, que no fundo aparecem apenas como meros consumidores e empregados de um mercado de entretenimento comandado por pessoas ligadas à velha grande mídia, ao latifúndio, à política mais conservadora, às multinacionais.

E esse crescimento, portanto, se deu através do jabaculê, essa prática abjeta de corrupção, sob vários aspectos, que ocorre na mídia do entretenimento e até da informação. E, como no rádio FM, no seu processo de "AeMização", diminuiu o jabaculê musical porque o jabaculê esportivo passou a ser mais vantajoso para seus donos e gerentes, o jabaculê do brega teve que partir para a sofisticação de seus métodos.

Sim, porque o brega nada tem de sofisticado nem de busca pela qualidade artística natural. Tudo é tendencioso e medíocre. Mas, para compensar, as estratégias de promoção jabazeira do brega tornaram-se bem mais sofisticadas, sutis e habilidosas.

Continua-se subornando programadores de rádio FM para divulgar seus ídolos, embora seja agora menos frequente. Afinal, o jabaculê de FM agora é bancado por dirigentes de times de futebol e empreiteiras, o que traz muito dinheiro para as FMs e não há repasse de "verbas" para o ECAD, além disso quase ninguém desconfia dessa "mamata" e, quando o "leão" do IRRF aparece, as FMs com perfil de AM, para compensar o baixo Ibope, já "lavaram" dinheiro comprando ouvintes de sindicatos de taxistas, porteiros de prédios, frentistas ou de donos de botequns.

Por isso o jabá do brega precisa partir para outros meios. Invade-se, quando possível, rádios mais segmentadas - por exemplo, a MPB FM já permite inserções jabazeiras como todo o programa Noite Preta FM, parte do Sexo MPB e até mesmo a programação diária, que já rola tecnobrega - , programas mais culturais (o Viola Minha Viola, que recebeu breganejos mais antigos) e tributos de MPB patrocinados por redes de televisão e algumas empresas nacionais ou multinacionais.

Mas o grosso do jabaculê, no momento, está na intelectualidade etnocêntrica, aquela que acha que pode julgar a cultura das classes populares através de valores estereotipados da velha grande mídia.

Sim, estamos falando de gente "muito querida" como Paulo César Araújo, Pedro Alexandre Sanches, Ronaldo Lemos, Hermano Vianna, Mônica Neves Leme e os "bonachões" baianos Milton Moura e Roberto Albergaria. Todos de uma forma ou de outra recebendo dinheiro até da Fundação Ford e do especulador financeiro George Soros.

Estes intelectuais, que tanto fazem alarde na velha mídia direitista - mesmo revistas como Caras e Veja - quanto arriscam algum proselitismo pró-brega na imprensa de esquerda (apesar de Pedro Alexandre Sanches já começar a despertar desconfiança escrevendo na Caros Amigos e Fórum como se ainda estivesse na Folha de São Paulo, sobretudo fazendo ataques "urubólogos" à MPB de esquerda), até criam um discurso fantasioso em torno do brega e seus derivados, sem medir escrúpulos de adotar pontos de vista confusos e cheios de erros.

Seria preciso um livro para descrever os erros e contradições desses discursos, ou ao menos um artigo de vinte páginas para dar uma noção resumida do processo. Mas quem é que vai escrever isso, se até nas publicações acadêmicas essa intelectualidade paternalista que serve de lacaios para a indústria fonográfica e a velha grande mídia - embora tentem dar a impressão contrária disso - exerce sua influência dominante e castradora de visões menos parciais como a sua?

Esses intelectuais não medem estratégias e se arriscam a qualquer tipo de apelação. Até mesmo o uso distorcido do legado de personalidades falecidas - podendo ser Antônio Conselheiro, Oswald de Andrade e Gregório de Matos, como pode também ser Malcolm McLaren, Itamar Assumpção e Sérgio Sampaio (da música "Eu Vou Botar Meu Bloco na Rua") - para justificar qualquer baixaria ou qualquer equívoco presentes nos fenômenos brega-popularescos de qualquer temporada.

Desse modo, Mônica Neves Leme tentou usar Gregório de Matos para tentar salvar o decadente É O Tchan. Antônio Conselheiro, Malcolm McLaren e até Andy Warhol foram usados para a defesa do "funk carioca". E Itamar Assumpção e Sérgio Sampaio devem se virar na pátria espiritual assim que eles foram usados para a defesa mais canhestra de nomes como Banda Calypso, Michel Teló ou o "coitado" Leandro Lehart.

Enquanto isso, a verdadeira cultura brasileira é que sofre preconceito. A mesma intelectualidade que reclama do "preconceito" contra o brega é a primeira a ter uma visão preconceituosa - e cada vez mais cruel - contra as classes populares.

Dois exemplos. Um é o intelectual Leonardo Sakamoto, tão conhecido por suas visões contra o preconceito social, mas que havia cometido um deslize (por boa fé?) quando manifestou seu temor de ver o povo pobre voltar a ouvir sambas autênticos, modinhas genuínas e baiões verdadeiros. Disse que "não havia sentido" em resgatar a cultura popular dessa forma.

Outro preconceito foi da jornalista Bia Abramo - filha e sobrinha, respectivamente, dos históricos Perseu Abramo e Cláudio Abramo, mas contaminada pelos ideais do Projeto Folha - , que tanto reclamou da "perversidade" das críticas contra o "funk carioca", foi muito perversa combatendo o "moralismo" das enfermeiras contra a exploração pornográfica de suas profissões. O texto em questão teve que ser retirado do portal da Fundação Perseu Abramo, por conta da repercussão negativa da "generosa" visão de Bia.

Mas, no plano geral, há muito preconceito vindo da intelectualidade "sem preconceitos". Que definem a baixaria que envolve a suposta "cultura popular" como se fossem "valores modernos" e "a felicidade do povo". Até achincalham com nossa visão crítica, dizendo, com ironia jocosa, que o que "nós entendemos" como baixaria, grotesco e mediocridade cultural, são "valores modernos que representam a felicidade e a alegria do povo pobre".

O problema é que o povo pobre aparece, neste contexto, como vítima de manipulação cultural de rádios e TVs. Há muito tempo não temos uma cultura popular que fuja do controle férreo dos empresários de entretenimento e da velha grande mídia nacional e regional. O que entendemos como "cultura popular" virou uma "cracolândia" de baixos valores musicais, artísticos, éticos, estéticos e coisa e tal.

E nós mesmos somos vítimas de preconceito dessa intelectualidade influente, porque nossos questionamentos são por eles reduzidos a "preconceito", "inveja" e "intolerância".

Enquanto isso, esses mesmos intelectuais "sem preconceitos" falam mal do povo pobre pelas costas. Para eles, o "melhor" papel das classes populares é o de um bando de idiotas. Para o bem do "livre mercado", para o qual essa intelectualidade serve com muito gosto.

domingo, 27 de maio de 2012

FATOS GERAIS FAZ CAMPANHA PARA REVALORIZAR A MPB


O amigo Leonardo Ivo está fazendo uma excelente campanha, no blogue Fatos Gerais, para revalorizar a verdadeira Música Popular Brasileira, aquela que não vive da preocupação de lotar plateias nem de enganar o grande público.

A força da verdadeira MPB está na música, e isso está acima até mesmo de qualquer fetiche associado a um cantor ou grupo, embora os verdadeiros artistas mereçam reconhecimento e admiração por criarem ou interpretarem com respeito à arte as verdadeiras canções.

A verdadeira MPB, em sua História (com H maiúsculo), pôde ser feita tanto por gente como o humilde Angenor de Oliveira, o Cartola, que foi jardineiro e contínuo de jornal, como gente de formação universitária como o pessoal do Clube da Esquina. A finalidade não é criar sucessos para consumo imediato, mas canções que durassem pelo seu valor e linguagem expressivos.

Além disso, é nos artistas da MPB autêntica que se encontram pessoas dotadas de muita simplicidade, a verdadeira gente simples que não precisa de folha de pagamento nem de seguro-desemprego ou coisa parecida para demonstrar que é realmente simples.

Afinal, vemos que um Chico Buarque possui muito mais simplicidade do que todos os ídolos "injustiçados" da música brega (e seus derivados) juntos. A simplicidade está na alma, não nos baixos salários nem no suposto fracasso pela crítica musical.

Por isso, a MPB autêntica, honesta, despretensiosa e talentosa, foi deixada de lado pela mediocrização musical do brega e seus derivados, e seu poderoso esquema financeiro, político e midiático que tirou a MPB do gosto popular, a não ser de forma parcial e secundária (como, por exemplo, através da peneira das trilhas de novelas).

Mas não há brega que por mais sucesso que faça tenha o mesmo valor de um verdadeiro artista de MPB. E é isso que Fatos Gerais, com seu pequeno mas corajoso esforço, busca fazer, através de uma série de vídeos com clássicos da MPB autêntica. Pode não fazer um Flávio Venturini fazer o mesmo sucesso de Michel Teló, mas pretende recolocar a MPB no seu devido lugar.

Valeu a iniciativa, Leonardo Ivo! E vá adiante!

sábado, 26 de maio de 2012

KEIRA KNIGHTLEY ESTÁ NOIVA


Vejamos as duas situações. No Brasil, vemos mulheres que se orgulham em serem "inteligentes" por coisa nenhuma. Tão ignorantes, ignoram sua própria ignorância e acham que entendem tudo de coisas que, na verdade, não entendem sequer de longe.

E há, por outro lado, uma atriz inglesa que, por não ter cursado a faculdade, se acha "não muito inteligente", mas no entanto lê muitos livros, procura entender as coisas, vai a eventos culturais de qualidade e é capaz de dar boas entrevistas.

Este é o caso de Keira Knightley. Aquele é o caso de várias brasileiras, como Andressa Soares, a Mulher Melancia, que se acha "inteligente", e até mesmo muitas orkuteiras que não se olham no espelho e, de tão narcisas, julgam possuidoras de uma inteligência que não têm.

E, como existe sempre um homem para uma mulher que não é vulgar, Keira Knightley, a exemplo de Natalie Portman - à qual a inglesa é frequentemente comparada, sobretudo pela semelhança facial (e olha que as duas estiveram em dois mesmos filmes, um deles da saga Star Wars!) - está noiva.

Tudo bem, Keira está com um músico de uma banda legal, The Klaxons, o tecladista e um dos vocalistas da banda, James Righton. E, certamente, a relação é fruto dos ambientes bacanas que a atriz inglesa frequenta, e que incluem festivais como o Reading na Inglaterra.

E aqui? Ouvi numa loja de departamentos um horroroso forró-brega em que a "cantora" berrava feito gralha "Tá faltando homem... Eu quero namorar!!", de forma tão ridícula que ela merece, tranquilamente, o meu fora. E aqui muitas moças "orgulhosas de serem inteligentes" preferem ir a eventos de "sertanejo universitário", axé-music, "pagode romântico", para não dizer o abominável "funk carioca".

O problema não é Keira estar comprometida, e ela está com um cara legal, que merece mulheres assim. O grande problema é que são muito poucas as mulheres legais que ficam livres no "mercado". Muito, muito poucas. Sobretudo no Brasil, quando a própria mídia não traz referenciais positivos ou relevantes para a sociedade.

Por isso a maioria das mulheres que "sobram" são tão ignorantes que ignoram até mesmo sua própria ignorância. Muitas com o corpo fora de forma, outras místicas demais, outras bastante "futebosteiras", outras cafonas demais, todas insossas ou nada atraentes, que não sabem por que estão sozinhas. É porque não sabem o que há realmente de errado nelas. E isso é grave.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

LUÍZA BRUNET VOLTOU A FICAR COMPROMETIDA


Sabemos que a modelo Luíza Brunet, que completa 50 anos hoje, sempre gostou de homens mais velhos, desde os tempos em que ela a estrela da marca de jeans Dijon. E isso também é muito sintomático dentro de um contexto de mulheres classudas que, no Brasil, preferem homens sisudos e escravos das etiquetas sociais.

Pois, depois de um tempo em que Luíza esteve solteira - depois de um casamento com o antiquário argentino Armando Fernandez, pai da modelo Yasmin Brunet e do irmão Antônio - , em 2007, ela agora assumiu o namoro com um milionário paulista, Lírio Parisotto, um empresário da área de DVDs, por sinal daquele perfil bem conservador.

Luíza já foi casada, na adolescência, com outro empresário, Gumercindo Brunet, que lhe "emprestou" o sobrenome (o nome de batismo dela é Luíza Botelho da Silva). Gumercindo era aquele empresário emergente, de perfil médio e pouco destacado, quase um yuppie. Armando Fernandez, por sua vez, era mais jovial, apesar de lidar com coisas antigas.

Já Lírio, pelo jeito, parece bem sisudo, dentro daquela tendência de que homens mais ricos envelhecem demais, em personalidade, a partir dos 45 anos, quando passam a ser escravos das regras de etiqueta, desaprendem a se divertir, adotam um comportamento mais sedentário mesmo quando praticam atividades físicas e até tratam os sapatos de verniz quase como se fossem seus segundos pés.

Embora o Brasil apresente, de vez em quando, algumas novas solteiras legais - mas mesmo assim, é muito pouco - , ainda continua valendo, na vida amorosa, a regra infeliz de que, para um homem ter uma mulher legal, precisa montar uma empresa ou ser um profissional liberal. Se um brasileiro for apenas um cara legal, ele sofre, porque ser cara legal no Brasil mais parece um pecado mortal, pois, na maioria das vezes, as mulheres que um homem assim atrai nada têm de legais.

terça-feira, 22 de maio de 2012

A 'INTELLIGENTZIA' NÃO QUER FOLCLORE, QUER HIT-PARADE


1945. Premiados com a colaboração com os Aliados na Segunda Guerra Mundial, alguns pracinhas brasileiros foram agraciados com uma viagem para Washington, nos EUA, para conhecer não somente a famosa Casa Branca, mas também a National War College, referência na educação militar estadunidense.

Inspirados com o que viram, na volta ao país os militares brasileiros decidiram fundar a Escola Superior de Guerra, que estabeleceu estratégias e difundiu princípios que inspiraram a reação golpista de abril de 1964 e sua consequente ditadura de 21 anos.

É uma amostra de como as elites se deslumbram com o que existe lá fora. Mas querem imitar apenas as novidades do exterior pela forma, enquanto, no conteúdo, o Brasil continua sendo o mesmo país provinciano de sempre.

Hoje em dia, a intelectualidade badalada em nosso país - Paulo César Araújo, Hermano Vianna, Pedro Alexandre Sanches e outros - se deslumbra com o hit-parade, o "desfile" de sucessos comerciais difundidos pela indústria cultural e trabalhados pelo mercado. Uma "cultura" com um quê de industrializada, mais artificial do que artística, cujos méritos não vão além dos êxitos econômicos e da visibilidade.

Evidentemente, esses intelectuais criam um discurso falacioso, cheio de inverdades. Eles juram que a "cultura de massa" brasileira é "o novo folclore", "a verdadeira cultura popular", "o nosso ativismo social" e outras desculpas. Mas, por trás dessas inverdades, que em certos momentos chegam a ser escancaradas mentiras, existe o desejo de substituir a cultura brasileira por uma tradução "tupiniquim" do hit-parade de lá fora.

Até temos esse hit-parade, que é o brega-popularesco na sua forma musical, a Música de Cabresto Brasileira. Que emula ritmos estrangeiros dentro de uma brasilidade estereotipada, superficial e caricata.

Seus métodos são os mesmos da música comercial norte-americana, com o controle ferrenho do empresariado, com a sucessão de ídolos por vezes ingênuos, por outras arrogantes, cuja única missão é atrair o maior número de consumidores possível, consistindo numa popularidade que muito tem de quantidade e nada de qualidade.

Mas, apesar desse comercialismo explícito que produz de Odair José a Mr. Catra, há aquela costumeira mania do pretensiosismo que não existe, pelo menos de forma intensa, no similar norte-americano. Aqui o comercialismo chega a ser desmentido, de forma demagógica, sob o claro objetivo de mascarar as coisas ou dar ao processo da indústria cultural um caráter preciosista, pelo menos para tentar evitar qualquer questionamento.

Dessa forma, cria-se um discurso um tanto cafajeste que chega a negar o óbvio, como a influência do mercado, a atuação da grande mídia, a baixa qualidade artística - defendida sob o eufemismo da "rebelião (?) do mau gosto" - , além do próprio caráter por vezes submisso dos ídolos envolvidos.

GOROROBA DISCURSIVA

O discurso chega ao ponto da hipocrisia. E, em se tratando da blindagem intelectual, eles criam toda uma gororoba discursiva que utiliza as alusões mais delirantes, aproveitando da desinformação que toma conta da maioria da opinião pública.

Mesmo nomes como os modernistas Oswald de Andrade e Mário de Andrade, ou um poeta do Brasil colonial como Gregório de Matos, são indevidamente usados para defender o "paradão de sucessos" brasileiros.

São argumentos originais distorcidos, ao bel prazer de uma intelectualidade que, em que pese o poderio que possui na mídia e no meio acadêmico, cria uma retórica confusa que mistura apelos publicitários, linguagem panfletária e sofisticados recursos discursivos do New Journalism, História das Mentalidades e do cinema independente norte-americano.

Tentam vender nosso hit-parade, já bastante ultrapassado e canhestro que o dos EUA, como se fosse "vanguarda" e "cultura superior". Criam argumentos de todos os tipos, até mesmo "urubólogos". E ainda cometem o atrevimento de vender o mesmo discurso para a velha grande mídia (sobretudo Rede Globo, Folha de São Paulo e Caras), que aceita com gosto, e para a mídia progressista, que até pouco atrás aceitava de boa-fé, sem verificar suas armadilhas.

Mas hoje já surgem mais questionamentos sobre a tal "cultura de massa", que a "urubologia" cultural já começa a reclamar da "intolerância", e, apertando o alarme de suas "casas-grandes" acadêmicas, recorrem mais uma vez à imagem de "coitadinhos" dos seus ídolos.

Que ninguém se engane. O objetivo real não é transformar ídolos diversos como Odair José, Gaby Amarantos, Mr. Catra e Michel Teló, ou os falecidos Wando e Waldick Soriano, em "vanguarda cultural". O objetivo verdadeiro é o mesmo de qualquer empreendimento capitalista, o desejo de expandir mercados sem medir escrúpulos em sufocar os demais segmentos.

Por isso, cria-se uma choradeira ideológica, hoje tão conhecida. Mas que apenas quer colocar o brega-popularesco que lota plateias, vende muitos discos e aparece nas rádios e TVs e maior audiência em cenários e redutos alheios.

Esses cenários e redutos incluem principalmente os da MPB autêntica, cujos músicos são expulsos de seus próprios cenários, de seus próprios ambientes e de suas próprias rádios, enquanto casas de espetáculos, faculdades, rádios de MPB se reduzem à mera extensão da mesmice dos galpões "mega shows" e das rádios FM mais popularescas.

Para a intelectualidade badalada, bonito é Michel Teló, Gaby Amarantos, Odair José e a Gaiola das Popozudas tocarem nas rádios de MPB. Isso com todo o espaço que eles têm nas rádios mais popularescas. O que esses intelectuais não toleram é que se ouça músicas de qualidade como Jacob do Bandolim, Turíbio Santos, Baden Powell, Sílvia Telles, Guinga e Toninho Horta nas suas próprias rádios. A MPB é que tem que ser banida das rádios de MPB.

E nós é que somos os "intolerantes".

domingo, 20 de maio de 2012

SOLTEIRAS QUE CURTEM LIXO CULTURAL FICAM PRA TRÁS


A mulher solteira ainda gosta daquele breganejo que marcou sua infância ou adolescência, no começo dos anos 90?

Ou é o "pagode romântico" que, com muita pieguice, parecia inspirar sua emotividade e seus anseios amorosos?

Ou então é aquela axé-music que ela sempre acreditou ser fonte de toda a felicidade em sua vida?

Ou é o "funk carioca" que se tornou a única noção que ela teve de "movimento social" e que ela "descobriu" há sete anos atrás? Ou o forró-brega que as encalhadas imaginam ser a fonte da sensualidade perdida, supostamente indicando alguma forma bem-sucedida (sic) de sedução?

Ou então é aquela música brega que as quarentonas que hoje estão solteiras ouviam nos anos 70 através dos programas de auditório da TV aberta? Ou então são aquelas "músicas lindas" que nomes como Wando, Michael Sullivan e Fábio Jr., bregas mais "arrumadinhos", cantavam ou compunham nos anos 80?

Ou então é aquele poser metal que a encalhada desavisada pensa ser sinônimo de rock clássico? Ou então são cantores chorosos tipo Whitney Houston, Michael Bolton, Celine Dion e companhia, que aquela rádio FM marionete do "irrit-pareide" norte-americano lhe disse que era "música de qualidade"?

Pois se essas moças se apegam a esse gosto bastante duvidoso, estão em plena desvantagem. Numa época em que a transmissão de informação mostra coisas infinitamente superiores do que o lixo cultural acima citado, não há como se apegar às músicas mofadas que rolavam no rádio, sobretudo nos anos 90, e que somente alguns intelectualóides e midiotas de plantão dizem ser "grande coisa".

Isso não é julgamento de valor de qualquer moleque invocado que entra nas redes sociais reclamando de tudo e de todos. É uma constatação de cunho sociológico. Afinal, é só comparar o que acontece com as mulheres que contam com um gosto musical de qualidade e outras que possuem um gosto mais duvidoso e discutível que saberá quem leva mais vantagem, seja no mercado de trabalho, nas rodas de amigos e na vida amorosa.

Não adianta dar desculpas nem fazer pose. No Orkut teve caso de garota que se julgava "diferente" mas gostava de Bruno & Marrone. Ou de moças que se acham "alternativas" e "inteligentes" por coisa nenhuma e por um gosto musical de causar pavor a qualquer vitrola ou toca-CD.

Também não faz mais sentido usar aquela desculpa de que "não tem preconceitos" porque isso é coisa que as pessoas mais preconceituosas fazem, e muito. De que adianta "não ter preconceito" em relação a Waldick Soriano ou Mr. Catra se tem para Turíbio Santos?

Aliás, tem-se preconceito contra o brega, sim, quando se leva a sua natural mediocridade musical a sério, e a sério demais.

Portanto, uma boa oportunidade para as solteiras de plantão economizarem muitas lágrimas e evitarem a reputação de ridículas é jogar fora todos aqueles CDs de brega-popularesco que têm em casa. Isso significa jogar no sebo muita coisa que é tida como "bacana", tipo Alexandre Pires, Zezé di Camargo & Luciano, Chitãozinho & Xororó, Ivete Sangalo, Whitney Houston. E pode jogar no sebo sem medo. Até porque haverá até mesmo chance de obter uns trocados por causa disso.

Hoje o que cada vez mais traz vantagem é curtir coisas como a MPB de verdade - só para citar coisas óbvias: Milton Nascimento, Chico Buarque e Elis Regina - e, quanto mais longe do feijão-com-arroz, melhor. Como, por exemplo, curtir Sílvia Telles, Baden Powell, Dick Farney, Jackson do Pandeiro. Ou então, indo mais recentemente, curtir coisas mais "difíceis" do movimento mineiro Clube da Esquina.

Deve-se ouvir jazz, indo além da "música para namorar" de Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald e Louis Armstrong, nomes realmente excelentes, mas não os únicos. Porque também existe John Coltrane, Charles Mingus, Chet Baker (que, apesar de "difícil", tem muita canção "para namorar"), Dexter Gordon, Stan Kenton, Miles Davis, Benny Carter, entre outros. E, cuidado: se achar que Ray Conniff e Kenny G são jazz, cairá no ridículo.

No rock, em vez de cair na lorota de que poser metal é "rock clássico", lorota espalhada espertamente por alguns jornalistas "engraçadinhos" mundo afora, nada como ouvir o rock dos anos 60 e 70 como ponto de partida, levando em conta não necessariamente a catarse de sons mais pesados (embora vários grupos de rock pesado sejam fundamentais), mas a qualidade melódica.

Se não existem mais rádios especializadas - note-se que o rádio FM acabou sendo quase todo contaminado pela estupidez e pela incompetência a partir dos anos 90 - , o YouTube dá uma ajuda para procura de músicas mais substanciais, e que podem servir de guia para discos que podem ser comprados nas lojas especializadas e até em sebos.

Nos casos de sebos, pode até ser que quinze discos de música brega-popularesca possam ser quantitativamente menos compensadores do que um único disco de MPB autêntica pego em troca dos outros. Mas, em qualidade, vale o custo-benefício.

Portanto, as solteiras devem optar por duas coisas. Ou se vão sorrir para a vida ouvindo música de qualidade, ou se perderão na eterna choradeira do lixo musical de sempre.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

"REVISTAS ELETRÔNICAS" DA REDE GLOBO EM QUEDA DE AUDIÊNCIA


Dois programas da Rede Globo de Televisão, Fantástico e Esporte Espetacular, tiveram ao longo dos anos perda drástica de audiência.

Segundo o Ibope, o Fantástico caiu de 20 para 18 pontos, pelo menos em São Paulo (equivalente a cerca de 60 mil domicílios), na relação ao mês passado e março.

Além disso, a atração está perdendo drasticamente a audiência de mulheres com mais de 30 anos e do público jovem em geral, considerados parte potencial do público da revista eletrônica da Globo.

Já o Esporte Espetacular, espécie de revista eletrônica esportiva, perdeu 40% da audiência em São Paulo de 2002 a 2012. Em 2002, o programa marcava 13 pontos de audiência, e no mês passado a audiência foi de 7,8 pontos nos lares da Grande SP.

Programas criados em 1973, Esporte Espetacular e Fantástico andaram sofrendo reformulações no quadro de apresentadores e na transmissão de notícias e números de entretenimento nos últimos anos.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

RAFAELA MANDELLI ESTÁ SOLTEIRA!!!!


Mais uma solteira na praça. A atriz Rafaela Mandelli, de uma beleza altamente sensual e deslumbrante, se separou do cineasta Mauro Lima, poucos meses depois do lançamento do filme Reis e Ratos, dirigido por ele e com ela no elenco.

Rafaela já tem uma filha de um relacionamento anterior com o excelente ator Marcelo Serrado, que havia feito o Crô na novela Fina Estampa da TV Globo, novela que começa a ser exibida na televisão portuguesa.

Atualmente Rafaela é atriz da Rede Record, mas em outros tempos ela havia sido um ídolo adolescente através do seriado Malhação, também da Globo.

A solteirice dela vem depois de uma semana em que uma funqueira tentou bancar a "inteligente", uma musa de futebol reclamar de falta de relacionamentos sérios e de uma internauta criar um blogue só para arrumar um namorado. Depois da dureza, veio o alívio por ter mais uma mulher interessante no "mercado".

terça-feira, 15 de maio de 2012

EMICIDA E A "TRANSGRESSÃO" COMO MARKETING



Há transgressões e transgressões. Na chamada "cultura de massa", a banalização de atos de rebeldia faz com que certos atos considerados "transgressores" acabem se tornando inofensivos para o "sistema", que até se alegra em ver ídolos aprontando "escândalos" e causando "polêmicas", porque isso acaba beneficiando o mercado.

Recentemente, o rapper "fora do eixo" Emicida, numa apresentação em Belo Horizonte, fez um discurso defendendo a invasão no terreno Eliana Silva, na região do Barreiro, na capital mineira, nos seguintes termos: "antes de mais nada, somos todos Eliana Silva, certo? Levanta o seu dedo do meio para a polícia que desocupa as famílias mais humildes, levanta o seu dedo do meio para os políticos que não respeitam a população e vem com 'noiz' nessa aqui, ó. Mandando todos eles se f..., certo, BH? A rua é 'noiz'".

A atitude, que para os leigos poderia soar "revolucionária" e "brilhante", acabou dando na natural reação da prisão de Emicida, por conta do ato de desacato às autoridades. E isso mostra o quanto é preocupante a atitude dos "fora do eixo" defendendo a pirataria, a baderna, o fim do registro dos direitos autorais, o fim do policiamento comunitário, o subemprego, a prostituição e outros processos de degradação social que em nada favorecem o progresso das classes populares, antes a fixassem numa situação degradante para o qual os FdE só pedem a aceitação da sociedade "mais esclarecida".

A atitude do Emicida não é muito diferente do que a que ocorreu há muito no hip hop dos EUA. E o Emicida nem é assim tão agressivo, se comparado com os funqueiros. Esses já fizeram gestos assim há um bom tempo e já emularam, em território brasileiro, os atos mafiosos do chamado gangsta rap. Emicida apenas fez de forma mais banalizada o gesto dos funqueiros, protegidos dos FdE.

Se bem que a atitude de Emicida também é tão "polêmica" quanto as atitudes de Lady Gaga, a maior especialista atual da "transgressão" como marketing, da criação de falsos escândalos que não passam de produção de factóides para impulsionar o sucesso e obter visibilidade através da polêmica forjada. E isso não vai mudar o mundo, não faz trazer a justiça social, não abre a consciência das pessoas. E uma coisa é protestar contra o abuso e a violência policiais, outra coisa é pedir o fim da polícia ou dizer que ela que se dane.

Nesse discurso, muita gente sem consciência exata das situações da vida acabou condenando a instituição polícia só porque alguns policiais cometem crimes e corrupções. Foi através dessa retórica "apaixonada", que em primeira instância rende aplausos entusiasmados, que muita gente, nos primórdios da redemocratização do Brasil, pediu o fechamento do Congresso Nacional.

E é justamente essa "rebeldia" de fachada que poderá revelar posturas ainda mais golpistas. Emicida, como os "fora do eixo", andam de mãos dadas com a Rede Globo, a Folha de São Paulo e o Grupo Abril. Para eles não interessa a regulação da mídia (ação "preconceituosa" e "censora") nem o fim da revista Veja ("liberdade de imprensa, mermão").

Eles não querem mudar o Brasil, só querem usar o discurso da moda para obterem visibilidade. Brincam de serem inimigos do "sistema" para depois estarem integrados a ele. O que Isaías Caminha iria dizer se vivesse nos dias de hoje...

segunda-feira, 14 de maio de 2012

ARQUITETA CRIA BLOGUE PARA ARRUMAR NAMORADO


Uma das notícias mais comentadas nas redes sociais da Internet é a criação de um blogue, por parte de uma arquiteta amazonense que vive em São Paulo, chamada Camila Diniz e com 24 anos de idade.

Intitulado Um Namorado para Camila, o blogue está no começo de sua produção, mas já começa a render muitas respostas de homens interessados.

O fato é uma novidade, mas não pode ser visto como um atestado de que existem "muitas mulheres solitárias" no Brasil, cujos recenseamentos, desde 1970, ignoram cerca de 100 mil homens, entre trabalhadores rurais em êxodo para as grandes cidades, executivos e profissionais liberais em viagens constantes, mendigos, sem-teto e marginais em geral.

Essa ocultação de homens na população brasileira, o que faz com que haja a duvidosa maioria feminina na população brasileira - enquanto, no Censo de 1960, havia maioria masculina na população, que sociologicamente tenderia a uma reafirmação nas décadas seguintes - , um vício da ditadura militar não superado, visava proteger os interesses da indústria hoteleira e do mercado turístico, baseados na concepção machista de turismo sensual, baseado na imagem "caliente" atribuída então ao Brasil.

Portanto, a notícia é mais uma daquelas raridades que se destacam pelas suas particularidades. E também não surpreende muito. De fato, Camila é bonita, mas não a ponto de ser lindíssima e nem possui voz bonita.

Talvez ela tenha suas qualidades, e até surpreende por não gostar do tal "sertanejo universitário", principalmente porque este se banalizou através dos "pegadores" Michel Teló, Luan Santana, Gusttavo Lima e Fernando & Sorocaba.



No entanto, ainda não dá para imaginar ela como uma compensação ao fato de vermos que mulheres especiais como Elaine Bast e Ticiana Villas-Boas estejam casadas. E também não fazem com que exceções à regra como a solteirice da atriz Carol Castro e da jornalista Ana Paula Araújo, diante de uma multidão de casadas interessantes, se transforme numa regra.

E, aparentemente, ela quer que seu pretendente tenha um bom gosto musical. Só que ela não deu detalhes sobre que "bom gosto" é esse. Diante da mediocrização cultural crescente e quase totalitária, em que virou moda qualquer bacana adotar um breguinha de estimação, até mesmo a ideia de "bom gosto" torna-se de gosto duvidoso, salvo raras exceções.


Em todo caso, desejamos boa sorte a Camila e que ela possa arrumar um namorado bem bacana para ela. E que seu blogue possa ter seguidores que possam vê-la como uma pessoa que merece respeito, carinho e admiração. Sucesso para ela.

sábado, 12 de maio de 2012

DESDE QUANDO NERD É BRUTAMONTES?


Brasil é um país estranho, que assimila um conjunto de ideias de forma confusa, malfeita e até com graves contradições em relação às próprias tendências que os inspiraram.

Até mesmo entre os nerds, esse tipo de pessoas que vemos originalmente em filmes como Vingança dos Nerds e o seriado Big Bang Theory, vemos esse desvirtuamento total dos conceitos sobre dadas tendências.

Vemos então sítios supostamente "nerds", como Jovem Nerd, elogiando lutas de MMA, cujos eventos são conhecidos como UFC.

É estranho supostos nerds apoiarem fenômenos relacionados a brutamontes, como filmes de ação, lutas de todo gênero, práticas que são completamente opostas e divergentes ao verdadeiro universo nerd, mais caseiro, mais pacato. Se fosse nos EUA, seria visto como um grande absurdo, mas aqui isso acaba pegando, infelizmente.

Num país em que se escolhem raposas para cuidar de galinheiros, isso faz sentido. E já pusemos em dúvida se o Jovem Nerd ou o Judão são realmente sítios "nerds". Pois o tipo de "nerd" que tais sítios abordam é muito estranho, do personagem Lewis Skolnick de Vingança dos Nerds eles só pegam mesmo as palavras "Skol" e criam um perfil nerd fora da realidade, o que chamamos de "nerd cervejão-ão-ão".

Como escrevemos em outra oportunidade, é um tipo de rapaz "atrapalhado" que nada tem a ver com nerd e que a gente vê nos comerciais de cerveja, seja Skol, Schincariol e outros, um cara que mais tem a ver com aqueles que odeiam nerds, como os valentões, definidos no filme Vingança dos Nerds como "alfabetas".

E os falsos nerds ainda têm a cara de pau de dizer que não existem regras para serem nerds. Pura malandragem para gente embarcar em novos rótulos para parecer moderno. Num país em que o paradigma de "jornalismo democrático" é a reacionária e corrupta revista Veja, isso também faz sentido.

O problema é que ser nerd no Brasil é sofrimento em dobro. Primeiro, porque tem a humilhação dos valentões que vimos em Vingança dos Nerds. Segundo, porque os valentões, não bastassem a habitual humilhação contra os nerds, se apropriam do rótulo e de seus estereótipos. E aí criam um perfil esquizofrênico, fora da realidade, só para satisfazer vaidades pessoais.

O que mostra o quanto há muita gente pretensiosa no nosso Brasil.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

QUEM É QUE TEM MESMO INICIATIVA NA VIDA?


A vida adulta tem dessas estranhezas. A gente até imagina certas situações e vê o quanto nem sempre o adulto é que decide por conta própria na vida, por mais que ele pareça ser dotado de liderança e capacidade de decisão.

Vamos ver duas situações. Uma mostra um grupo de profissionais liberais e empresários, durante a festa de aniversário do filho de um deles, numa noite de um sábado, no salão de festas de um apartamento, que possui aparelhos de lazer como um pebolim.

Outra situação mostra um menino de cerca de dez anos, sozinho na sala de sua casa, posicionado diariamente a um documentário político em DVD, que o garoto de alguma forma foi estimulado pelas circunstâncias a ver diariamente na televisão.

Na primeira situação, nota-se que os homens reunidos estão perto de um pebolim, dentro de um contexto de festa e de lazer. São empresários, advogados, economistas, médicos e engenheiros reunidos para bater papo. Eles falam sobre política, artes, esportes, cotidiano, não raro com comentários pedantes, como se um quisesse provar que é mais inteligente que outro.

Na segunda situação, o menino, que já consegue manejar com facilidade o aparelho de TV e o tocador de DVD, se habituou a colocar o DVD do documentário político que ele se interessou em ver talvez por conta da educação recebida na família e pela linguagem acessível e instigante do documentário.

Digamos que o documentário foi "descoberto" pelo menino por alguma palavra-chave dada por sua professora de História em sua escola, e que o debate feito entre ela e os alunos tenha inspirado o interesse pessoal do menino em ver o DVD. E ele vê o DVD sozinho, porque os pais lhe permitiram manejar o tocador de DVD.

No caso dos pais que se reúnem na festa de aniversário do filho de um deles, no entanto, o pebolim aparece ali, sem alguém que brinque nele. Os pais não se interessam. Lá estão eles prometendo a solução para os buracos nas ruas, a avaliação pedante de artes plásticas - quem é que entende mais de Van Gogh no grupo? Vá saber... - , a solução para os conflitos no Oriente Médio, os projetos para o crescimento econômico.

É como se, para eles, não bastasse ser empresário, médico, economista, advogado ou engenheiro. Eles querem agora serem críticos de arte, governantes, historiadores, cientistas políticos, agentes políticos. Ou uma versão frustrada deles. Eles estão ali para se distraírem, é um momento de festa, mas viciados na racionalidade extrema de suas profissões, eles só estão ali para beber uísque e praticar pedantismo.

Qual a chance de um desses homens brincar de pebolim por conta própria? Praticamente, nenhuma. O único estímulo provável é haver alguma criança ou adolescente brincando de pebolim para que se motive a um homem adulto a brincar junto. Alguém viu um médico de 55 anos chamar o colega de mais ou menos a mesma idade para brincar de pebolim ou praticar jogos eletrônicos? Pouco provável...

Já o menino de dez anos via o documentário por conta própria, e, depois de várias sessões vendo o documentário, que, digamos, seja dividido em três longas partes divididas em cada linque do menu do DVD, passou a entender completamente seu conteúdo, mesmo tendo dez anos de idade.

Da mesma forma que vemos na prática de Informática, onde não raro há verdadeiros webmasters ou analistas de menos de 15 anos de idade, o menino passou a entender de ciência política sem que a presença de algum adulto por perto lhe inspire a ver o documentário político.

Já no caso de adultos considerados capazes de decisão e inciativa próprias, eles dependiam da presença de alguma criança ou adolescente para que pudessem utilizar de algum brinquedo numa situação mais apropriada para isso.

Neste caso, venceu a "imatura" criança, que está mais capacitada para decidir alguma coisa na vida do que os homens supostamente dotados de decisão e iniciativa.

terça-feira, 8 de maio de 2012

EDUARDO PAES E E A PADRONIZAÇÃO VISUAL NOS UNIFORMES DO FUTEBOL CARIOCA

Fica-se imaginando como seria se houvesse padronização visual nos uniformes dos times de futebol, como se modalidade urbana se estendesse à modalidade esportiva, numa boa comparação já que a mobilidade urbana visa justamente os eventos esportivos de 2014 e 2016. Pergunta-se:

1) O futebol seria mais disciplinado com isso?

2) A "paixão" dos torcedores dispensaria identidades visuais?

3) Será mais fácil reconhecer os jogadores em campo, vistos da arquibancada ou pela tela de televisão?

 4) Algum engraçadinho iria fazer ataques na Internet contra alguém que reivindicasse a volta das identidades visuais?

Nas fotos, nota-se, de cima para baixo:

- Como seria a apresentação do uniforme do Vasco da Gama, com visual padronizado? Nota-se a presença do dirigente olímpico Carlos Arthur Nuzman na direita da foto, junto com outras pessoas, inclusive o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes;

- Loco Abreu do Botafogo e Fred do Fluminense, com a padronização visual;

- Jogador do Fluminense enfrentando os rivais do Volta Redonda;

- Ronaldinho Gaúcho, do Flamengo, enfrentando os rivais do Vasco da Gama.




segunda-feira, 7 de maio de 2012

NOEL GALLAGHER NO VIVO RIO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O amigo Marcelo Delfino foi beneficiado por uma noite de rock de excelente qualidade, comparecendo junto a milhares de outros fãs à apresentação do guitarrista e cantor Noel Gallagher, há um bom tempo separado dos outros membros do Oasis (que hoje integram o grupo Beady Eye, incluindo o ex-Ride Andy Bell) e já seguro na sua iniciante carreira solo.

E olha que Noel foi roadie dos Inspiral Carpets, mas se revelou um excelente músico e hoje, experiente no palco, mostra o resultado de sua batalhadora carreira de compositor, músico e cantor (era o segundo vocalista da famosa banda de Manchester), numa apresentação diante de uma plateia entusiasmada que cantava as músicas junto.

E, um detalhe: Noel, que se comportou de forma bem oposta à que sugere sua fama de "arrogante" alardeada pela imprensa, ainda cantou "Supersonic", que, embora seja composição sua, foi originalmente gravada com a voz do irmão Liam e que, no coro, ainda tinha a participação de Anthony Griffiths do Real People, grupo de Liverpool que teve seu primeiro disco lançado no Brasil e quase ninguém percebeu (exceto eu, embora já não tenha mais a cópia em vinil na esperança de um dia pegar a versão em CD).

Aqui está o relato de Marcelo Delfino sobre o concerto de Noel Gallagher e sua banda acompanhante.

Noel Gallagher - Vivo Rio - 3 de maio de 2012

Por Marcelo Delfino - Blogue do Delfino

Havia uma grande expectativa pela primeira apresentação de Noel Gallagher em carreira solo no Rio de Janeiro. Pudera. Sua banda original Oasis foi uma das mais importantes da história do rock e possui uma legião de fãs em dezenas de países. E o Rio de Janeiro tem milhares desses fãs. Noel foi letrista principal, guitarrista e segundo vocalista do Oasis, e em outubro do ano passado lançou seu segundo CD solo (o primeiro pós-Oasis), o arrebatador Noel Gallagher's High Flying Birds, que apontou novos rumos e novas sonoridades para a ascendente carreira solo de Noel.

Pois fãs de Noel Gallagher (e, por tabela, do Oasis) lotaram o Vivo Rio na quinta-feira passada, não só para ver e ouvir Noel tocando e cantando seu contundente repertório, mas para cantar junto. É impressionante como os fãs de Noel (e do Oasis) acompanham ferrenhamente a carreira de Noel. Cantaram junto com Noel as músicas do seu novo CD solo (base do repertório, pois foi tocado quase na íntegra, exceto a faixa Stop the Clocks), lados B da carreira do Oasis, músicas menos conhecidas dos discos oficiais do Oasis, músicas do EP solo que Noel lançou só na Inglaterra e, obviamente, os dois únicos megaclássicos do Oasis da noite, cantados a plenos pulmões (e bota pulmões nisso) por Noel e pela plateia: Supersonic (em versão acústica) e Don't Look Back in Anger. Como diz a letra desta última canção (Não olhe para trás com rancor), Noel não despreza seu passado no Oasis, mas quer diferenciar sua carreira da do Oasis, ao privilegiar o lado B do Oasis.

Noel e seus músicos acompanhantes fizeram uma apresentação magistral. Noel mostra ao vivo o que eu desconfiava que fosse: um excelente vocalista capaz de segurar sozinho um show inteiro (a voz e os pulmões ajudam) e um músico excepcional. Ele revezou três instrumentos no show todo: um violão e duas guitarras diferentes. Os demais músicos (um guitarrista, um baixista, um baterista e um tecladista) cumpriram bem a missão de dar suporte ao patrão Noel. As músicas do High Flying Birds que em CD são mais intimistas ganharam versões mais encorpadas, ao vivo.

No todo, a apresentação solo de Noel Gallagher (bem como o novo disco) apontam que ele tem, sim, influências do rock das décadas de 1950 e 1960, mas também está antenado com sonoridades atuais do rock, notadamente o próprio rock britânico. Há também um flerte com a atual música eletrônica, na música AKA... What a Life!.

Quando voltou ao palco para o bis, Noel flagrou a maior parte da plateia cantando sozinha a música Rockin' Chair, que não estava no roteiro.

Enfim, este foi um das melhores eventos musicais desta cidade em 2012.

O repertório:


"(It's Good) To Be Free"
"Mucky Fingers"
"Everybody's on the Run"
"Dream On"
"If I Had a Gun"
"The Good Rebel"
"The Death of You and Me"
"Freaky Teeth"
"Supersonic"
"(I Wanna Live in a Dream in My) Record Machine"
"AKA... What a Life!"
"Talk Tonight"
"Soldier Boys and Jesus Freaks"
"AKA... Broken Arrow"
"Half the World Away"
"(Stranded On) The Wrong Beach"

Bis:

"Let the Lord Shine a Light on Me"
"Whatever"
"Little By Little"
"Don't Look Back in Anger"

domingo, 6 de maio de 2012

MEGACOLEÇÃO DE LENDÁRIO DJ BRITÂNICO COMEÇA A SER LISTADA NA INTERNET



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: John Peel foi um dos mais importantes e criativos disc-jóqueis dos anos 60 aos 80, e as apresentações de diversos artistas durante seu programa tornaram-se relíquias que já foram lançadas em boa parte em discos. De Syd Barrett a U2, de Jimi Hendrix a Smiths, o programa de John Peel deixou uma expressiva marca na história do rock mundial.

Uma curiosidade para os brasileiros: John Peel já chegou a tocar, em 1985, músicas do disco O Adeus de Fellini, do grupo Fellini, fundado pelos jornalistas e músicos Cadão Volpato e Thomas Pappon. Thomas, que trabalha na BBC Brasil, deve estar orgulhoso da notícia de que a coleção de discos de Peel será divulgada semanalmente na Internet. Aliás, é da BBC a nota a seguir.

Megacoleção de lendário DJ britânico começa a ser listada na internet 

Da BBC Brasil

 A coleção de 25 mil vinis do DJ britânico John Peel vai começar a ser listada na internet.

Morto em 2004 após sofrer um ataque cardíaco quando estava de férias em Cuzco, no Peru, Peel foi um dos apresentadores de rádio mais reverenciados da Grã-Bretanha. Seu programa na Radio 1 da BBC foi tido por mais de três décadas como um dos principais veículos para música nova no país.

Peel ganhou fama por seu ecletismo, tocando os mais variados gêneros em seu programa, e por ter ajudado a divulgar inúmeros artistas independentes.

Ele foi um dos primeiros radialistas na Grã-Bretanha a tocar gêneros como rock psicodélico, progressivo, punk, hip hop, reggae, death metal, dance music e indie rock.

O ecletismo de Peel se reflete na seleção dos primeiros 100 discos que serão divulgados em ordem alfabética pelo projeto The Space, organizado pelo John Peel Centre e que pretende ainda recriar o estúdio caseiro de Peel online.

Entre os artistas destacados na primeira leva estão Abba, ABC, AC/DC and Adam & The Ants. Os discos não serão disponibilizados online, mas as páginas terão links para outros sites em que os álbuns poderão ser ouvidos.

A cada semana serão listados discos diferentes, com as fichas que Peel criava para eles, contendo comentários e suas músicas favoritas de cada disco.

A ideia é que, até outubro, um total de 2.600 discos tenham sido listados.

Na BBC, Peel foi um dos DJs que mais tempo permaneceu no ar, à frente da Radio 1, de 1967 até 2004. Sua vasta influência também foi observada nos Estados Unidos e no continente europeu, onde fãs podiam ouvir o seu programa no Serviço Mundial da BBC.

Só faltaram Beatles e Stones...
As chamadas ''Peel Sessions'', comandadas por ele, também marcaram época. O radialista convidava bandas para gravarem, nos estúdios da BBC, sessões exclusivas para o programa.

Peel costumava brincar dizendo que praticamente todo mundo passou por ali, exceto os Beatles e os Rolling Stones.

Entre os que ganharam ''Peel Sessions'' figuram nomes tão diversos como David Bowie, Captain Beefheart, Can, The Fall, The Jesus And Mary Chain, Joy Division, Bob Marley, The Smiths e White Stripes.

Ele costumava dizer que entre suas sessões favoritas estavam as da banda punk feminina The Slits e da de reggae Culture.

De acordo com Andrew Stringer, o diretor do John Peel Centre, ''este é apenas o primeiro passo e um portal fantástico para fazer justiça à carreira de John Peel. Quer as pessoas escutassem seus programas ou não, a história ofical foi influenciada por ele, porque nada era considerado esquisito demais e ele estimulava as pessoas a ampliar seus horizontes''.

Stringer indaga: ''Será que o movimento punk teria existido sem John? Eu duvido muito''.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

ESTAMOS PERDENDO AS REFERÊNCIAS


O que têm em comum a música caipira de raiz e o hip hop original? Nos últimos momentos, faleceram duas figuras distantes entre si no tempo e no espaço e que nada tinham a ver um com o outro, o cantor caipira Tinoco e o músico e rapper dos Beastie Boys, Adam Yauch.

Tinoco, da dupla Tonico e Tinoco, uma das maiores duplas de música caipira do Brasil, eram mais antigos, uma dupla até anterior, em tempo, à norte-americana Everly Brothers, embora praticamente tivessem feito o auge do sucesso juntos, nos anos 60. Tinoco já havia falecido em 1994, e Tonico hoje de madrugada, ambos com doenças naturais da velhice.

Mas Adam faleceu jovem, aos 47 anos, lutando contra um câncer desde 2009. Tendo iniciado os Beastie Boys com Mike D (Michael Diamond) e Ad-Rock (Adam Horovitz), Yauch, conhecido como MCA, desde 1979 (a princípio, sob o nome The Young Aborigines, que viraram Beastie Boys em 1981) gravavam discos com hardcore, soul e sobretudo hip hop, tendo gravado até mesmo um álbum instrumental, o excelente The In Sound from Way Out, de 1996.

A princípio, os três cantavam letras machistas, mas depois preferiram usar o senso de humor enquanto alternavam a carreira musical pela militância humanitária, sobretudo em defesa da independência do Tibet. Os Beastie Boys, além disso, estavam entre os grandes nomes dos primórdios do movimento hip hop dos EUA, nos anos 80.

O que vitima, aliás, tanto a música caipira quanto o hip hop, é a mediocrização cultural que vivemos nos tempos modernos. A mercantilização da música, a sucessiva avalanche de ídolos mais preocupados com o marketing pessoal, com o sensacionalismo, do que com a música, só recorrendo aos clássicos dos seus gêneros quando o oportunismo pede.

O hip hop atual é feito por nomes mais preocupados em promover escândalos para alimentar o sensacionalismo midiático, e muitos rappers e cantores possuem a voz lapidada, até demais, pela tecnologia vocoder, que faz a voz ficar robotizada. E, musicalmente, não há aquelas sampleagens empolgantes, aquele ritmo vibrante, os sâmpleres do hip hop de hoje mais parecem trilhas incidentais para seus encrenqueiros intérpretes narrarem suas aventuras machistas e criminosas.

E, na música caipira, o que se vê não é apenas a decadência explícita das gerações mais recentes, que falam em bebedeira (como Fernando e Sorocaba), surgidos da intragável geração "universitária" que hoje compra espaços no mundo inteiro através de Michel Teló.

Mesmo os mais veteranos, como Chitãozinho & Xororó, Zezé di Camargo & Luciano, Daniel e Leonardo - este último vivendo recentemente um drama pessoal por causa de seu filho - , que deturparam violentamente a música caipira nos anos 90, foram beneficiados pelo vício brasileiro da memória curta, sendo convertidos, de forma bastante equivocada, em "cantores de raiz".

Até mesmo a TV Cultura já decadente, vendida para o PSDB, para o Grupo Folha e o Grupo Abril, impôs a invasão desses breganejos no antes intocável "Viola Minha Viola", conduzido por Inezita Barroso e Fernando Faro, de tão preciosas contribuições para nossa cultura.

Os dois tiveram que receber os breganejos dos anos 90 que, canastrões, sabem muito bem parasitar o cancioneiro caipira original quando o oportunismo pede, não sem pieguice nem a sua natural cafonice.

Mas gravar covers de clássicos da música brasileira é muito fácil, difícil é criar coisas próprias à altura e com a natural sinceridade e identificação verdadeira com a causa.

Na mediocridade hoje vigente, vemos maus alunos se recusando a seguir as lições musicais que deveriam seguir. Só seguem tardiamente, quando se enriqueceram com as porcarias que produziram, quando fizeram fama e sucesso com elas. Depois, só para justificar seu sucesso, e também para evitar serem jogados ao ostracismo por artistas bem mais competentes, tentam pegar carona nos clássicos de seus gêneros, os mesmos que nunca se atreveriam a gravar no começo de suas carreiras.

Por isso, mais que o falecimento de um músico caipira ou de um músico de hip hop, o que se vê é a perda das referências originais de cada um desses estilos, a perda de cada mestre que os seguidores de cada gênero deveriam admirar e aprender. Ficam as obras, mas eles não estão aí mais para contar história. Certamente, não serão os medíocres canastrões de hoje que irão fazê-los, mesmo pegando carona em referências originais de forma tendenciosa e hipócrita.

SITE AGENDA CARONA PARA FUNCIONÁRIOS DE EMPRESAS CADASTRADAS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Uma boa forma de equilibrar o desejo de ir e vir de automóvel com os limites do tráfego de veículos é a combinação de colegas de trabalho de irem e virem juntos num mesmo automóvel. Isso reduz a circulação de veículos e contribui para evitar o agravamento da poluição e os engarrafamentos que causam atrasos a muitos.

Site agenda carona para funcionários de empresas cadastradas

Por Renato Biazzi - Do Bom Dia Brasil

Pelo menos 7 milhões de brasileiros levam mais de uma hora para chegar no trabalho, todos os dias. Em São Paulo, a situação é ainda pior e vem de lá uma solução que ganhou reconhecimento internacional. É uma ideia que pode ajudar a tirar milhares de carros das ruas.

Um engenheiro de São Paulo criou uma página na internet, onde é possível combinar carona, com colegas de trabalho, por exemplo. E já tem bastante gente usando esse tipo de serviço, que, além de diminuir o congestionamento e a poluição, vai até aliviar o estresse de muita gente. A iniciativa chamou a atenção de especialistas e autoridades internacionais.

Márcia e Cássia chegam e saem juntas da agência de publicidade onde trabalham, em São Paulo. Com as caronas que Márcia dá à colega e vizinha, ficou mais fácil aguentar as manhãs e noites no trânsito. “A gente vai batendo papo, o trânsito é pesado, e acaba que a gente nem percebe. Vai conversando, dando risada”, conta a supervisora de faturamento Márcia Santos.

As duas estão cadastradas em um serviço virtual que estimula e agenda as caronas. Na página na internet, já conseguiram mais uma colega para rachar despesas e dividir histórias no percurso. “Tira um pouco de carro da rua, tira a gente do trânsito. Às vezes, você dá carona. Às vezes, você recebe. Então, você pode ir descansando no dia que você recebe a carona”, revela Márcia.

A ideia de criar o site foi do engenheiro Márcio Nigro. “Eu me sentia pessoa mais improdutiva do mundo. Era uma hora, uma hora e meia no trânsito todos os dias”, justifica.

O serviço reúne motoristas e passageiros de acordo com o bairro em que eles moram e o trajeto que fazem até o trabalho. Assim que colegas descobrem que são vizinhos, é só fazer contato pelo site e combinar a carona. Tudo é feito de uma forma segura para quem dá e recebe a carona, já que só podem participar da comunidade internautas de empresas cadastradas.

“A empresa promove uma ação sem custo nenhum interno, porque não tem custo nenhum pra ela, o funcionário entra em uma ação de carona, também sem custo nenhum, e ele pode dessa forma conhecer pessoas não só da empresa dele, mas de uma empresa vizinha que foi validada pelo mesmo processo que ele foi”, explica o idealizador do serviço.

Há menos de um ano no ar, o site pretende, até o fim de 2012, tirar 250 mil carros das ruas de São Paulo - o equivalente a 5% da frota paulistana de veículos de passeio. Antes mesmo de atingir a meta, esse serviço que estimula a prática da carona já é reconhecido por especialistas e autoridades internacionais, como uma solução inovadora para o trânsito nas metrópoles.

O prêmio de mobilidade urbana será entregue durante a Rio + 20, conferência sobre sustentabilidade que será realizada no Rio de Janeiro mês que vem.

O portal está no ar na internet há mais de um ano e já tem 950 empresas cadastradas, de vários estados, que reúnem cerca de 250 mil funcionários. Só em São Paulo, são 800 empresas. Ou seja, já tem bastante gente circulando de carona por aí.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

COMO O BRASIL ESTÁ ATRASADO...



Parece exagero, mas não é. Para muita gente no Brasil, os anos 60 ainda não chegaram. O episódio recente da paniquete Babi Rossi, durante o programa Pânico na Band (TV Bandeirantes), foi considerado uma "humilhação" até para seus fãs.

Sim, meus amigos, estamos em 2012 e vemos esse comportamento digno do começo da década de 1950, anterior até mesmo ao famoso filme de 1957, Santa Joana, de Otto Preminger, com a saudosa Jean Seberg no papel-título.

Ver que 55 anos se passaram e, no "moderno" Brasil que se gaba estar certo de entrar no Primeiro Mundo em 2014, ainda existem reações dignas do tempo do macartismo, não bastasse a trolagem que se vê nas redes sociais da Internet, é assustador.

Como eu havia comentado quando reproduzi o texto do blogue Maria da Penha Neles, não há mal algum em uma mulher ficar careca ou de cabelo curto. Casos como o de Natalie Portman mostram isso, e existem mulheres que ficam muito charmosas com cabeça raspada ou com corte "joãozinho". Os anos 60 mostraram que isso é possível, sem obrigar as mulheres a deixarem de ser femininas com isso.

Mas o machismo que envolve paniquetes, mulheres-frutas, ex-BBBs etc é um machismo ainda arcaico, de internautas ultra-reacionários que ainda acham que um homem não gostar de mulher-fruta é "gay". E gritam "oia", jocosamente, quando outros homens os chamam de machistas. Pois é, e ainda sou ridicularizado quando digo que dados internautas ainda vivem, na melhor das hipóteses, nos tempos do golpe de 1964.

O machismo quer que as mulheres fiquem sempre de cabelos compridos. Não pensa na diversidade dos penteados, na liberdade de escolha. Os próprios homens, segundo o machismo, não podem ter direito de escolha. Se uma mulher assedia um homem e ele não está a fim dela e não vê nela a menor afinidade, ele poderia muito bem recusá-la. Mas para os machistas, isso seria "covardia" e "atestado de homossexualismo".

É gente arcaica, ainda, que até causa vexame quando ainda fala em valorizar as "boazudas" por causa da tal "liberdade do corpo". Que moral eles têm para se apropriar de um dos termos da Contracultura dos anos 60, se eles praticamente parecem viver nos primórdios do macartismo, aquela onda reacionária do senador norte-americano Joseph MacCarthy e cujos equivalentes brasileiros foram o golpe de 1964 e o AI-5.

Até porque eles seguem o velho machismo de botequim, que talvez tenha sobrevivido pela era do jornal Pasquim e seus intelectuais em boa parte com remanescentes da visão machista da mulher, em que pese a boa receptividade que tiveram com uma personalidade como a atriz Leila Diniz.

Mas nem isso os "modernos" internautas que adoram mulheres-frutas e paniquetes (que são o que há de "mais sofisticado" nas mulheres-objetos brasileiras, algo como a "Victoria's Secret" das "popozudas") têm. Eles são muito mais machistas e mais retrógrados que muito machista e retrógrado dos anos 50. Só estão protegidos pela relativa pouca idade - quando muito, têm no máximo uns 35 anos - e pelo largo uso de Internet que os faz cobras de uso prático na Informática, já tirando de letra um Windows 7.

Mas, ideologicamente, coitados, parece que nem as transformações dos anos 60 chegaram ao conhecimento deles, apesar de falarem em "liberdade do corpo" quando falam em "popozudas", sem saber direito a diferença entre as mulheres-frutas e o Living Theatre (um dos que apostavam realmente na verdadeira liberdade do corpo), só para citar um ícone da Contracultura. Até porque "nossos" internautas, coitados, tão desinformados das coisas (apesar de se gabarem por se acharem o contrário disso), nunca ouviram falar de Living Theatre, nem mesmo através dos relatos de seus pais ou avós.

É constrangedor que se veja como "humilhante" o fato de uma mulher ficar de cabeça raspada. Nos tratamentos de câncer, por exemplo, isso é muito menos humilhante do que ver a doença se agravar sem controle.

Muito desse atraso que vive boa parte da opinião pública no Brasil se deve pela influência da velha grande mídia, que apavora não apenas pelo reacionarismo político de seus comentaristas, mas pela degradação cultural que promoveu de forma intensa a partir dos anos 90. E que produziu neo-machistas que de "neo" estão apenas a condição biológica de suas gerações.

Isso porque esses "modernos" rapazes chegam a ser mais antiquados do que muito antiquado de 55 anos atrás, quando Jean Seberg pode ter passado por controvérsias maiores, mas que pelo contexto de época, eram mais compreensíveis que a desnecessária polêmica com Babi Rossi.

Que venham mais moças carecas e de cabelo curto para diversificar a beleza feminina.

terça-feira, 1 de maio de 2012

OS 35 ANOS DA RÁDIO CIDADE


Há 35 anos, a Rádio Cidade surgiu como um paradigma original de radialismo jovem, com um perfil pop que pode não ter sido revolucionário, mas criou significativas mudanças dentro da veiculação das chamadas paradas de sucesso no rádio FM do Brasil.

Quem não vive de memória curta sabe que a Rádio Cidade viveu sua melhor fase entre 1977 e 1984, quando virou o paradigma do hit-parade brasileiro, numa linguagem simpática e despretensiosa.

A rádio começou a perder o caminho em 1985, quando, na carona do primeiro Rock In Rio, contratou alguns profissionais da Fluminense FM e foi brincar de "rádio rock", numa postura bem mais tímida e limitada em relação àquela que adotou uma década depois.

A Rádio Cidade, nos anos 80, passou a receber chacotas do público roqueiro, porque não era do ramo, pegou carona por puro oportunismo e ainda por cima para ouvir as músicas tocadas, tinha que aguentar a falação dos locutores em cima das introduções e finais, e até mesmo os cortes das músicas antes do final. Isso ocorria até mesmo no programa 102 Decibéis, em 1985, num especial com os Smiths, em que tive que aguentar uma música do grupo inglês sendo cortada antes do final.

Mas tudo isso era fichinha em relação à pior fase da Rádio Cidade. Depois de voltar para o pop convencional, apesar do gueto radiofônico chamado Novas Tendências - um excelente programa, mas cuja duração foi "podada" pela Cidade de duas para uma hora por cada domingo - , a Rádio Cidade, mais uma vez, tentou pegar carona com o fim da Fluminense e desbancou outras rádios com mais competência para herdar a rádio niteroiense no segmento rock.

Na verdade, a Rádio Cidade, se herdou alguma coisa da Fluminense FM, foram os defeitos da fase decadente desta, entre 1991 e 1994, só que apoiados por um departamento comercial impecável e uma "tropa de choque" de internautas e produtores que, com a Internet, passaram a atacar violentamente qualquer crítica feita à emissora dos 102,9 mhz.

O reacionarismo extremo - que, no âmbito midiático, se vê hoje nas páginas da revista Veja - da chamada "nação roqueira" da Rádio Cidade era feito para complementar a péssima performance da emissora no segmento rock, feita à revelia de qualquer realidade concreta da cultura rock do Brasil e do restante do mundo.

Mas a arrogância extrema e extremamente temperamental dos adeptos da dita "rádio rock" tiveram seu preço e a rádio perdeu audiência e reputação. Chegou-se ao ponto da chamada "nação roqueira" esculhambar os clássicos do rock, como Who, Beatles e Led Zeppelin, e de defenderem a tese de que para trabalhar em rádio de rock NÃO se devia curtir rock, sob a desculpa de que isso garantia um bom profissionalismo.

Ora, nem em sonhos essa tese faz sentido. É o mesmo que dizer que alguém que não gosta do que faz trabalha melhor. Isso derrubou violentamente a fase pseudo-roqueira da Cidade, não sem despertar revolta dos seus adeptos, alojados numa comunidade do Orkut onde despejavam vaidade e reacionarismo.

Felizmente, tudo isso passou. A Rádio Cidade havia dado lugar à OI FM, que, mesmo dentro de um perfil eclético, era mais criativa e menos conservadora que a antecessora pseudo-roqueira. Mas seu formato, além de ter sido incompreendido, foi prejudicado pela péssima administração da operadora de telefonia OI, com um desempenho irregular na operação de telefones celulares.

Com o recente fim da OI FM, vários candidatos vieram para preencher a vaga. De igrejas evangélicas a buscar novos espaços midiáticos ao próprio "fantasma" da Rádio Cidade pseudo-roqueira a animar os playboys da Barra da Tijuca.

Aí veio a Jovem Pan Sat, cuja Jovem Pan 2 (Rádio Panamericana FM) surgiu até antes da Cidade, mas só adotou a linguagem jovem em 1978, depois de dois anos com uma programação "romântica". E passou a rasteira nas seitas eletrônicas e nos roqueiros-farofas e tomou o passe dos 102,9 mhz. Neste sentido, a JP acertou, e cheio.

Desse modo, a Jovem Pan Sat pode ter até eliminado a marca "Rádio Cidade", mas honra muito mais o formato original da emissora do que há dez anos atrás, quando ocorria o inverso, o mesmo nome mas sem o formato original.

E hoje a Cidade faz 35 anos sem aquele perfil junkie de 1995-2006. Ainda bem. Nem toda rádio tem vocação para ser rádio de rock. A vocação da Rádio Cidade é o pop. Mesmo que tenha que usar um outro nome e uma outra marca para isso. Em todo caso, ficam nossos parabéns à rádio nesse seu aniversário.