quarta-feira, 11 de abril de 2012

O AEMÃO DE FMS E A BAIXÍSSIMA AUDIÊNCIA


O amigo Marcelo Delfino escreveu um texto sobre a Aemização das FMs que publicou no portal TVs do RJ e no Blogue do Delfino.

Embora pareça chover no molhado falarmos de tantas questões envolvendo a Aemização das FMs, elas nem de longe são discutidas na grande mídia e mesmo os colunistas de rádio, aparentemente imparciais, mostram-se tendenciosos em favor das rádios.

A dupla transmissão AM/FM foi durante muito tempo encarada sob vista grossa de muitos radiófilos ou mesmo por colunistas de rádio. E até mesmo profissionais achavam isso positivo, embora na Internet não dessem motivos convincentes para tal. Uns falavam em "maior cobertura" (?!), outros em "melhor sintonia", isso antes do telefone celular - que só sintoniza FM - servir de pretexto para a farra das "rádios AM + FM".

Mas há vários tipos de Aemização de FM e havia até mesmo programações totais ou parciais tipo "rádio FM" que, talvez por medo ou ignorância dos diretores e donos de rádio, nunca deram as caras no rádio AM. Em Salvador, chega-se a haver uma "faixa de Aemão", com programas "de locutor" no mesmo horário, agora travestidos de radiojornalismo - com nomes como Mário Kertèsz e Marcos Medrado brincando de ser "âncoras", sem ter a necessária formação para tal e usando redatores e repórteres formados em Jornalismo para trabalhar em clichês de programas radiojornalísticos - , que tornam a programação da Frequência Modulada soteropolitana insossa, maçante e tendenciosa.

Tudo isso está afugentando os ouvintes, que têm muitas outras coisas para fazer. Dá para perceber que as FMs, desesperadas, andam recorrendo ao "aluguel de audiência", porque o Ibope é tão baixo que mal dá para pagar as contas. Claro, se existe um suporte empresarial grande, como no caso da Band News e CBN, baixa audiência não é problema, mas mesmo assim a Band News Fluminense FM, afiliada da Band News, já fez muitas demissões ao longo de seus sete anos de existência.

Rádios como as soteropolitanas Metrópole e a afiliada da Rede Transamérica (que tem programas tipo "Aemão") chegam a combinar sintonia com lojas de departamentos durante as transmissões esportivas, para forçar audiência entre os fregueses. Mas o efeito torna-se contrário, pois muitos fregueses ficam irritados com as lojas transformadas em extensão de arquibancadas de estádios de futebol. Quem quisesse ouvir transmissões esportivas, que vá para a rua ou para os estádios.

A poluição sonora, neste caso, torna-se um marketing de emergência dessas FMs, e há até casos de produtores de rádio FM que vão para certos botequins de grande movimento nas ruas das cidades para fazer o jabaculê, pagando até conta de luz e o frete para fornecimento de bebidas no caso do dono do boteco sintonizar a FM durante as transmissões esportivas, sem medir escrúpulos de despejar alto volume no alto da noite, quando jogos chegam a terminar às quinze para a meia-noite e as transmissões esportivas ainda enrolam por mais uma hora, incluindo entrevistas e debates.

E isso é feito impunemente, porque a imprensa escrita local só entende por "poluição sonora" os batuques de samba e os cultos evangélicos. Transmissão esportiva, com a voz do narrador esportivo soando como zumbido de marimbondo nos ouvidos dos cidadãos, num alto volume que tira o sono de qualquer um, isso não é considerado, pasmem, poluição sonora, por se tratar o futebol, para muitos, uma "paixão nacional".

Pois a poluição sonora dessas transmissões só é interrompida quando há muitas reclamações da vizinhança. E mesmo assim a imprensa faz vista grossa, se a redação do jornal recebe cartas de reclamações, nunca divulga. Sabe que isso vai derrubar ainda mais os índices já raquíticos das FMs com roupagem de AM.

Nem mesmo o mais fanático colunista de rádio pode esconder a realidade da baixa audiência. Embora ele tivesse que dar a falsa impressão de que todo cidadão vive com um rádio acoplado no organismo, como se fosse um apêndice do aparelho cardíaco, não pode desmentir que o "Aemão de FM" anda afastando muito os ouvintes, com sua programação tediosa, tendenciosa e até mesmo deslocada, porque em muitos casos soa bem mais mofado e antiquado do que muitos programas datados transmitidos somente em AM.

Portanto, se o rádio AM está agonizando até o extremo, a situação do rádio FM não é muito diferente. Hoje profissionais de rádio perguntam esnobemente quem é que se interessa em ouvir o rádio AM. Amanhã eles perguntarão, envergonhados, quem é que se encoraja em ouvir o "Aemão de FM".

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