terça-feira, 24 de abril de 2012

A MEGALOMANIA DE VEJA E A METÁFORA DA CAPA



Talvez para intimidar seus opositores, Veja, num desses assuntos "banais" sobre saúde, comportamento, tecnologia e emprego, mais uma vez soltou uma "pérola" na sua edição do dia 25, mas já no mercado desde o dia de anteontem.

Nem precisamos comentar muito as duas sub-manchetes da tarja superior, com sua ojeriza aos esforços da presidenta Cristina Kirchner de atender ao povo argentino e da citação da "CPI do Cachoeira" como se Veja não tivesse participação nisso. São coisas óbvias. Mas a "inocente" manchete de destaque é que merece uma interpretação subliminar.

Intitulada "Do alto, tudo é melhor", a "reportagem" - devemos colocar aspas nessa palavra, em se tratando do pseudo-jornalismo de Veja - trata aparentemente das vantagens de ser alto, num claro preconceito contra pessoas de baixa estatura, tentando justificar, "cientificamente", porque ser alto é o máximo e ser baixo é uma miséria.

Na verdade, isso pode ser uma metáfora para a "superioridade" do senhor Roberto Civita, o chefão do Grupo Abril, que, apesar de sofrer muito com sua revistinha encrenqueira, ainda a trata como se fosse sua filha mais querida. Que na verdade nasceu bem, nas mãos de gente séria como Mino Carta, mas depois Veja tornou-se uma junkie com chiliques de madame. Mas que ainda se arroga em se dizer "defensora" da ética.

É como se a reporcagem de capa dissesse: "Do alto do Grupo Abril, Roberto Civita é sempre o melhor". Veja, que tenta alucinar os internautas aparecendo em anúncios em tudo quanto é página na Internet - até um portal estrangeiro como Who Dated Whom? é "poluído", nas conexões brasileiras, com bâner da revista Veja, agora usando a capa de sua edição recente sobre o "mensalão" - , tenta se impor não apenas como revista "indispensável", mas também "imperdível".

Veja é megalomaníaca, prepotente, com seu padrão duvidoso de jornalismo, em que se preocupa mais em fazer os redadores escreverem sempre o mesmo tipo de texto - não estou falando dos "calunistas", que gozam de autonomia suficiente para defender, com gosto, os interesses de seu querido patrão-colega (vide a frase de Mino Carta) - , e sua fúria de desqualificar tudo que possa ser de interesse público.

Por isso, Veja parece exaltar os "grandes". Não necessariamente em estatura, afinal a reporcagem de capa da atual edição pode até parecer que os homens de maior tamanho corporal levem a melhor, mas é uma metáfora para reafirmar seu próprio poder midiático, a partir do poderio político e econômico de Roberto Civita (político, sim, pela própria influência ideológica do Grupo Abril como expressão midiática do trio PSDB-DEM-PPS).

Por isso, a revista que, entre outras coisas, acha legal a sobrecarga horária no trabalho, as demissões em massa dos trabalhadores (para Veja, uma ótima oportunidade para eles "se virarem" ante as novas regras do mercado), os cortes nos salários, a desnacionalização da economia, só pode achar que os donos do poder é que sempre levam a melhor.

Se endendermos, por exemplo, a capa da atual edição no âmbito da realidade rural, é como se Veja dissesse que só as "classes produtoras" - eufemismo que a direita define os latifundiários e "coronéis" do interior - é que merecem um lugar ao sol, enquanto os agricultores têm que "se virar" com cursos sobre uso de máquinas agrícolas, informática aplicada à agricultura e, de preferência, cursos de inglês para poder assimilar melhor as novidades do Texas, sobretudo através da "maravilhosa" música dos "sertanejos" fantoches da mídia.

Por isso, Veja, encrencada até os neurônios, apavorada com as denúncias de envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, com as associações com o crime organizado até como fontes de "reportagens investigativas" e com a participação acionária de um grupo fascista "da pesada", tenta desesperadamente e, podemos dizer, paranoicamente, se manter no mercado. Nem que seja para hipnotizar os internautas com seu logotipo outrora simpático mas hoje causador de muito constrangimento para a sociedade.

A reputação de Veja é tanta que a má lembrança sobra até mesmo para as fontes gráficas usadas, a fonte Franklin para os títulos e a Times New Roman para os textos e legendas. Ninguém ousaria lançar uma revista alternativa hoje que usasse, a não ser como paródia, uma estruturação de fontes dessa maneira.

Afinal, Veja tornou-se o pesadelo em forma de revista, não dá para respirar com ela, sua linha editorial tornou-se a mais abjeta do país. Nem a Rede Globo e a Folha de São Paulo, nos seus piores e deploráveis momentos, chega aos pés de Veja. Como veículo reacionário da imprensa brasileira, Veja é insuperável.

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