segunda-feira, 9 de abril de 2012

MEDIOCRIDADE CULTURAL ATINGE NÍVEIS CRÍTICOS NO BRASIL


A mediocridade cultural brasileira atinge níveis críticos. Crise de valores éticos, crise de valores sócio-culturais, crise até mesmo de identidade nacional.

Tivemos apenas poucos progressos de ordem institucional e econômica. E muita gente acha isso o máximo, que o Brasil vai para o Primeiro Mundo de qualquer maneira, e o que teremos que fazer é ficar quietos e aceitar o que os tecnocratas nos dizem para fazer ou crer e pronto.

Não é preciso ser cientista político para achar que a China, um dos chamados BRICS (sigla que inclui os cinco países emergentes, o Brasil, a Rússia, a China, a Índia e a África do Sul, identificada na sigla através da inicial do primeiro nome da nomenclatura original South Africa), deu a dianteira e passou uma rasteira no alegre Brasil.

É porque o nosso país, reduzido a um "playground do mundo", foi entregue a um padrão de desenvolvimento sócio-econômico ditado por tecnocratas, que inclui "modelos" oficiais de cultura popular, mobilidade urbana, regulação midiática, tecnologia de Internet etc que nem sempre atendem aos interesses de qualidade de vida ou às verdadeiras necessidades das classes populares.

Estas, reduzidas a mero gado a sustentar as vontades de tecnocratas, políticos e empresários da mídia e do entretenimento, além de dirigentes esportivos e latifundiários, não conseguem ter um caminho próprio da cidadania, precisam esperar que esta seja condicionada através dos interesses e conveniências do pessoal que dita as regras "de cima".

E isso influi no aumento da mediocrização cultural de nosso país, um retrato não muito diferente, e até pior, do que o recente escândalo político de Demóstenes Torres, o senador do DEM goiano que, apesar de defender no discurso a ética e a cidadania, mergulhou fundo no esquema de corrupção do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Porque isso tudo é fichinha diante de tantas coisas que acontecem no nosso país. Ver que nossa chamada "cultura popular" não só degradou consideravelmente como existe todo um lobby de empresários, jornalistas e intelectuais defendendo-a a ferro e a fogo, é algo de se envergonhar.

Afinal, não é o relativo acesso facilitado às informações que faz com que os ídolos bregas, as musas vulgares e outros ícones da mediocridade dominante e tida como "popular" por puro preconceito paternal e "solidário" da intelectualidade associada, que fará tudo isso parecer moderno, progressista ou evolutivo.

Pelo contrário, saber de "cultura pop" se tornou algo tão trivial que uma Lady Gaga da vida não se sobressai senão por factóides "polêmicos" ou pela execução de DJs em rádios e casas noturnas. Porque o jabaculê, o "jeitinho brasileiro" e a "memória curta" tornaram-se fantasmas cada vez mais onipresentes na nossa sociedade, apesar da mídia grande ter deixado de falar deles há muito tempo.

Perdemos nosso folclore, nosso patrimônio cultural é empastelado por diluidores e deturpadores da pior espécie, e nós temos que aplaudir tudo isso, senão os troleiros espalhados na Internet vão nos desmoralizar e os intelectuais de plantão vão nos chamar de "preconceituosos" ou coisa parecida.

Mas essa degradação cultural rende dinheiro. Essa "cultura popular espontânea, simples e alegre" tem por trás poderosos fazendeiros, ricas famílias que controlam nossos meios de comunicação, grandes redes empresariais, até corporações multinacionais.

A intelectualidade tenta desmentir, que quem está por trás do brega-popularesco são, quando muito, uns poucos produtores culturais ou técnicos de informática instalados em estúdios, escritórios, biombos ou lojinhas razoavelmente organizadas, mas a verdade é que o grande capital financia o entretenimento supostamente popular há muito tempo e com gosto.

Afinal, a mediocridade dominante, cujo um dos ícones mais famosos é o cantor Michel Teló, mas que inclui centenas de milhares de breganejos, sambregas, popozudas, apresentadores broncos etc, serve para exercer a manipulação do povo brasileiro, para mantê-lo domesticado e submisso para se exibir docilmente às autoridades em 2014 e 2016.

E temos que fazer vista grossa. Aquela cultura progressista que sonhávamos em 1964 está difícil de ser recuperada. Temos que aceitar a mediocridade cultural de hoje, como tínhamos que aceitar a escravidão há duzentos anos atrás. Por causa dos mesmos argumentos: porque rende dinheiro e evita as inquietações sociais.

Desse jeito, o Brasil não vai para o Primeiro Mundo, restando o consolo de se equiparar à Grécia dos dias de hoje, sem identidade e em séria crise social, política e econômica.

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