terça-feira, 27 de março de 2012

A TRISTE SITUAÇÃO DE NEGRETE



Um dos grandes músicos de Rock Brasil, Renato Rocha, conhecido como Negrete, virou morador de rua, de acordo com o que divulgou reportagem no Domingo Espetacular, na Rede Record.

Não se trata apenas de um músico de rock, mas de um baixista, aliás, de um excelente baixista, que havia integrado a primeira fase da Legião Urbana, anterior ao disco As Quatro Estações, de 1989.

Negrete chegou a tocar com o Finis Africae, mas como este grupo, também originário de Brasília, deu um sumiço, o músico se viu sem opção. A blogueira Nina Lemos lembrou que Negrete, por ter sido co-autor de muitas músicas da Legião Urbana, poderia pelo menos viver dos direitos autorais das músicas do grupo, registradas pelo ECAD.

Isso mostra o quanto esta entidade não quer saber de repassar o dinheiro dos autores. Numa situação kafkiana, o ECAD impede que os próprios autores das obras obtenham alguma renda pela execução das mesmas. Pior: os autores acabam pagando o dinheiro que não verão de volta, nem sequer o valor rigorosamente equivalente ao que foi pago.

Se fosse o dinheiro arrecadado por cada execução de alguns sucessos da Legião Urbana, talvez Renato Rocha pudesse ter uma renda modesta, mas que desse para viver. Mas ele também poderia estar ativo, tocando numa banda de rock, porque se trata de um excelente músico com muito fôlego e criatividade de fazer boas composições e arranjos.

Só que hoje o mercado está cruel, concentrado com o brega-popularesco. Bandas de rock nem se animam mais a continuar em atividade, já que a hegemonia, por exemplo, do chamado "pagode romântico" do Rio de Janeiro, praticamente faz o mercado refém deste ritmo, e mesmo lugares como Fundição Progresso e Circo Voador deixaram de servir de alternativas para este mercadão pretensamente "popular".

Talvez a culpa seja dos intelectuais, que preferem, a pretexto de "defender o folclore brasileiro", apoiar, até com paranoico desespero, o indigesto cardápio brega de rádios tipo Band FM, Beat 98 e Nativa FM. E acham, com isso, que vão defender a chamada "cultura das periferias". Balelas.

Pelo contrário, eles apenas salvam o "irrit-pareide" à brasileira dos ídolos bregas e derivados, enquanto a verdadeira cultura é que sofre a verdadeira e mais dramática discriminação. Se até um cantor como Lúcio Alves, no final da vida, foi entregue ao mais cruel abandono, então os defensores da mediocrização cultural deveriam estar com vergonha do que fazem.

Pois, para sustentar a mediocridade cultural, até as multinacionais e suas "fundações filantrópicas" fazem. E o pior é que, enquanto músicos medíocres prolongam suas carreiras promovendo sua canastrice e gravando covers de MPB para dissimular sua incompetência brega, em sucessivos e repetitivos CDs e DVDs ao vivo, músicos de verdade é que são discriminados e jogados à própria sorte.

Esperamos que Negrete dê a volta por cima, que alguém possa ajudá-lo e que ele venha a se (re)lançar numa nova banda mostrando o grande talento de músico, compositor e ex-legionário.

Um comentário:

A. F. disse...

E olha que hoje o vocalista da Legião Urbana, Renato Russo, faria 52 anos. Mas de que adianta comemorar o dia de seu nascimento se o Rock Brasil anda muito discriminado, dando de graça seus espaços para o brega-popularesco e se humilhando diante de nomes medíocres como Banda Calypso e Mr. Catra para ter algum destaque na mídia?

Que país é este, afinal?